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terça-feira, 2 de junho de 2020

É hoje! Marcha Virtual Pela Vida no Brasil será acompanhada por milhares de usuários

Logo Marcha virtual pelas duas vidas. Foto: Divulgação
REDAÇÃO CENTRAL, 02 Jun. 20 / 05:54 am (ACI).- Na tarde desta terça-feira, 2 de junho, terá início a Marcha Virtual pela Vida e já se espera que milhares de usuários participem através das hashtag #MarchaVirtualpelaVida e com comentários e compartilhamentos pelas mídias sociais sobre o tema deste ano: salvemos as duas vidas. O lema refere-se à vida do bebê e a das mães, que também são vítimas da indústria do aborto, segundo os organizadores que destacam que mesmo que a mulher não morra realizando um aborto, as sequelas psicológicas podem ser fatais.
“Contamos com a colaboração de todos para que possamos movimentar as redes sociais e colocar nossa hashtag nos primeiros lugares”, motivou a presidente do Movimento Brasil Sem Aborto, Dra Lenise Garcia, por meio de podcast no site da Comissão Nacional da Pastoral Familiar (CNPF).
O evento anual do Movimento Brasil Sem Aborto, que esse ano será virtual por conta da pandemia do Covid 19, já está em sua 13ª edição e terá como tema:“Pelas duas vidas – Pela vida do bebê e Pela vida da mãe“.
A iniciativa ocorrerá simultaneamente por meio de lives em várias plataformas e serão promovidas diversas atividades a partir das 15h. O Movimento Brasil Sem Aborto fará uma live pelo Youtube (brasilsemabortooficial).
 “É importante se inscrever nas nossas plataformas digitais, opinar e fazer comentários sobre como podemos melhor defender as duas vidas, porque o aborto tira a vida da criança e marca para sempre a vida da mãe”, afirmou Dra Lenise.
Pelo mesmo podcast, o presidente da Comissão Episcopal Pastoral para a Vida e a Família da Confederação Nacional dos Bispos do Brasil, Dom Ricardo Hoepers, que é bispo de Rio Grande - RS, reforçou que é preciso que todos se unam para “que a cultura da morte não predomine no Brasil, arrancando do ventre materno vidas inocentes”.
Dom Ricardo Hoepers, presidente da Comissão para a Vida e a Família (CNBB), tem um convite para você. Assista.

Pela vida do bebê! Pela vida da mãe! https://youtu.be/w4vafJUVVTc 
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“Queremos anunciar que a vida é um dom de Deus, é sagrada, inalienável e um direito fundamental. Por isso, participe da marcha virtual. Que ela seja um sinal da voz do povo brasileiro defendendo a vida, desde a concepção até o fim natural”, incentivou o bispo.
Redes sociais do Movimento Brasil sem Aborto:
Instagram: @brasilsemaborto
Twitter: @brasilsemaborto
ACI Digital

segunda-feira, 1 de junho de 2020

Pais da Igreja: JUSTINO, O MÁRTIR.

S. Justino | Canção Nova

Padres apologistas

A filosofia encontra-se com o cristianismo quando os cristãos tomam posição em relação a ela. Nos séculos XII e XIII, a oposição entre os termos “philosophi” e “sancti” representa duas visões de mundo consideradas antagônicas: a visão de mundo pagã e aquela proclamada segundo a fé cristã.

Os chamados Padres Apologistas foram aqueles cristãos que, a partir do século II d.C. escreveram, em diálogo com a Filosofia, defesas da sua fé a fim de obter o reconhecimento legal para ela diante do Império.
A obra de Justino, Mártir, foi inserida nesse período. São duas Apologias e um Diálogo com Trifão. A primeira Apologia, escrita por volta do ano de 150 d.C., foi escrita para o imperador Adriano. A segunda, para o imperador Marco Aurélio. É em seu “Diálogo” que ele nos relata sua trajetória, da filosofia com motivação religiosa à religião com perspectiva filosófica: nascido em Flávia Neápolis, seus pais eram pagãos. A busca pela verdade o conduziu ao estudo da filosofia e sua conversão ao cristianismo ocorreu provavelmente antes de 132.
Primeiro, Justino se aproximou dos estoicos, mas os recusou por terem lhe dito que não era importante conhecer a Deus. Depois de se encontrar com um “filósofo profissional”, um mestre que cobrava por seus ensinamentos, Justino procurou um mestre pitagórico, mas se afastou dele por não querer dispor seu tempo para o estudo da música, da geometria e da astronomia. Encontrou afinidade com discípulos de Platão, que atendiam sua necessidade de pensar sobre as coisas corpóreas, mas também além delas, as ideias.
O encontro com o cristianismo se deu por meio de um ancião que conheceu durante um retiro. Ao ser questionado por ele a respeito de Deus, Justino tentou se valer das teorias de Platão. O ancião, então, esboçou uma refutação que, apesar de parecer simples, demonstrou a separação entre platonismo e cristianismo: a alma, segundo o cristianismo, é imortal porque Deus quer que ela seja.
Justino então leu o Antigo e o Novo Testamento. Ele nos diz: “Refletindo eu mesmo sobre todas aquelas palavras, descobri que essa filosofia era a única proveitosa”. Percebemos que Justino considerava o cristianismo como uma filosofia, mesmo sendo uma doutrina baseada na fé em uma revelação.
Essa revelação é anterior ao Cristo – é a tese que Justino defende em sua Primeira Apologia, baseado no conceito de “Verbo divino” do evangelho de João, e em sua Segunda Apologia, baseado no termo “razão seminal” do estoicismo: as pessoas que nasceram antes do Cristo participavam do Verbo antes dele se fazer carne; todos os humanos receberam dele uma parcela e, por isso, independente da fé que professavam, se viveram em conformidade com o ensinamento do Cristo, poderiam ser referidos como cristãos, mesmo que Cristo ainda não tivesse nascido. Em vez de ser o marco de “início” da revelação divina, Cristo seria seu ápice.
Desse modo, Justino resolveu dois problemas teóricos: 1) Se Deus revelou sua verdade apenas por Cristo, como seriam julgados aqueles que viveram antes dele? 2) Como conciliar a filosofia antes de Cristo, e, portanto, ignorante da verdade revelada, e o cristianismo?

Como, segundo defende Justino, os homens podiam agir de forma “cristã” antes do nascimento de Cristo, agiam em conformidade com o Verbo. Se agiam em conformidade com o Verbo, aquilo que disseram e pensaram podia ser apropriado pelo pensamento dos cristãos. É a esse respeito que Justino diz em sua Segunda Apologia (cap. XIII): “Tudo o que foi dito de verdadeiro é nosso”.
Se o pensamento de Heráclito, por exemplo, é considerado oposto ao pensamento cristão, o pensamento de Sócrates é considerado “parcialmente cristão”: ao agir em conformidade com a razão (Logos), esta é uma participação do Verbo; Sócrates (e também os demais filósofos que pensaram “o verdadeiro”) praticou uma filosofia que era o germe da revelação cristã.
Logos

De Fílon de Alexandria, Justino apropriou-se do conceito de “Logos” para estabelecer uma relação entre o “Logos-Filho” e o “Deus-Pai”. Vejamos o que ele diz:
“Como princípio, antes de todas as criaturas, Deus gerou de si mesmo certa potência racional (Loghiké), que o Espirito Santo chama ora 'Glória do Senhor', ora 'Sabedoria', ora 'Anjo', 'Deus', 'Senhor' e Logos (= Verbo, Palavra) (...) e porta todos os nomes, porque cumpre a vontade do Pai e nasceu da vontade do Pai*”.
Ou seja, entendemos aqui que Justino diz que o Cristo é a palavra proferida de Deus e pode ser denominado de diversas formas porque ele “porta todos os nomes”. A seguir, Justino faz uma comparação entre o Logos, no sentido acima, correspondente a verbo, e a fala humana para defender a possibilidade da coexistência de Deus-Pai e Logos-Filho:
“E, assim, vemos que algumas coisas acontecem entre nós: proferindo uma palavra (= logos, verbum), nós geramos uma palavra (logos), mas, no entanto, não ocorre uma divisão e uma diminuição do logos (= palavra, pensamento) que está dentro de nós*”.
O que Justino diz aqui é que, da mesma forma que quando nós dissemos uma palavra, o ato de falar não esgota nossa possibilidade de falar no futuro, ou diminui o número de palavras existentes, da mesma forma Deus-Pai ao pronunciar o “Verbo”, ou seja, com o nascimento de Cristo, isso em nada esgota ou diminuiu a sua divindade e onipotência. Outro exemplo que Justino nos oferece é o do Fogo:
“E assim vemos também que, de um fogo, acende-se outro fogo sem que o fogo que acende seja diminuído: este permanece igual e o novo fogo que se acendeu subsiste sem diminuir aquele do qua1 se acendeu*”.

A importância de Justino

Embora não tenha deixado uma filosofia sistemática, nem uma teologia cristã, temos ecos da obra de Justino em muitos pensadores cristãos posteriores. Sua obra não faz exposições gerais a respeito de teorias, nem as discute profundamente, nem pretende desenvolver concepções filosóficas. Justino, ao contrário disso, passa por pontos importantes da fé cristã que considera passíveis de justificativa.
Sua importância se dá pela novidade de interpretar a revelação cristã como o ápice de uma revelação que existe desde a origem do gênero humano. Assim como sua obra, sua morte foi também afinada com a sua fé: foi decapitado em 165, condenado pelo prefeito de Roma por se declarar cristão.
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As citações de Justino foram retiradas do Diálogo com Trifão p. 61-62. Retirado de: 
Padres apostólicos y apologistas griegos, Daniel Ruiz Bueno (BAC 116), Pág. 409-412.
Padres apostólicos y apologistas griegos (S. II). Organização: Daniel Ruiz Bueno, Biblioteca de Autores Cristianos, 1ª edição, 2002.

Por Wigvan Pereira
https://brasilescola.uol.com.br/

Brasília celebra os 50 anos da Catedral de Brasília e se despede de Dom Sergio da Rocha

Pascom Brasília
No dia 31  de maio de 1970, no encerramento do oitavo congresso eucarístico Nacional, a Catedral de Brasília era consagrada. Localizada no centro administrativo do país, a Catedral se faz presente não apenas como o primeiro monumento a ser erguido, mas como igreja mãe que acolhe a todos.
Com este espírito acolhedor, antecipando para a comemoração para sábado devido a Pentecostes, na manhã ensolarada de sábado (30), a Arquidiocese de Brasília celebrou os 50 anos de dedicação da Catedral Nossa Senhora Aparecida. Sem a presença dos fiéis por causa do isolamento social para conter o avanço do COVID-19, a missa iniciou-se as 10h30 e foi transmitida ao vivo pelos meios de comunicação digital. Na ocasião, o Cardeal dom Sergio da Rocha se despediu do povo fiel.
A missa foi presidida pelo cardeal Dom Sergio, seus bispos auxiliares, Dom Aparecido e Dom Marcony e com celebrada pelo Núncio apostólico Dom Giovanni Danielo e Mons. Rastilav, Dom Waldemar, bispo na diocese de Luziânia e presidente do regional Centro Oeste, Cardeal Dom Raimundo  Damasceno, bispo emérito de Aparecida,  Dom Dilmo, bispo auxiliar  de Anápolis, Monsenhor Geová , bispo eleito de Goiás , Pe. Joao Firmino, pároco da catedral, Pe. Caio, Pe. Antons, Pe. Júlio coordenador do clero, Pe. Eduardo, diáconos e seminaristas. Como de costume, a liturgia foi animada pela banda Maranata.
O Cardeal saudou a todos os presentes bem dizendo a Deus “por esses 50 anos da dedicação dessa igreja tão querida, a Catedral Nossa Senhora Aparecida, eu me uno a toda a igreja de Brasília para bem dizer a Deus também por esses 9 anos de serviço como Arcebispo dessa Arquidiocese querida”.
Ates do prosseguimento do rito Normal, Pe. João Firmino recordou um pouco da história da Catedra, já saudosista, referindo-se ao templo como “coroa de nossa cidade, esplendor de nossa explanada, marco mundial de nossa Arquitetura. ”
O presidente da celebração, em sua homilia, destacou que “a palavra de Deus ilumina essa celebração jubilar e orienta os nossos passos, convidando-nos a contemplar o templo do Senhor. Mas que templo devemos contemplar? Essa Catedral com a sua beleza única que abriga os fiéis dessa Arquidiocese e encanta todos os visitantes, o templo vivo do senhor que somos nós, a igreja viva, o santuário do senhor que e habita em cada um de nós”.
Com base na primeira leitura, dom Sergio destaca a palavra de Neemias: “não fiqueis tristes, porque a alegria do Senhor será a vossa força”. O Cardeal explica que diante a tudo o que estamos vivendo, “não podemos desanimar não podemos desistir de ir em frente de rezar, de viver como cristão, ao contrário, somos convidados a encontra em Deus a alegria e a força para caminhar devemos repetir hoje, a mesma atitude daquela assembleia reunida em oração, lá naqueles tempos e todo o povo escutava com atenção a leitura do livro da lei e ainda mais dizia a leitura que ouvimos e todos responderam Amém! Essa deve ser a nossa atitude hoje, esse deve ser o caminho a seguir, escutar a palavra de Deus e responder diante do Senhor “Amem” sejam quais forem as situações que passamos. ”
Prosseguindo em sua homilia “Ao longo desses 50 anos a palavra de Deus tem sido proclamada nessa catedral aqui uma multidão imensa tem escutado com atenção a palavra de deus e tem respondido Amém. […] Essa Catedral com suas belas colunas, recordando mãos elevadas para Deus em oração seja sempre sinal visível da igreja viva, da igreja orante, igreja que escuta a palavra, da igreja em missão. Seja essa Catedral estímulo para olharmos para o céu, seja um convite incessante a oração. ”
Finalizando, Dom Sergio bendiz ao Senhor  “pelos que construíram a Catedral, por aqueles que cuidaram deste templo, que estiveram a serviço, pelos que hoje se dedicam a cuidar e por fim, por esses nove anos em que tive a graça em participar da história dessa catedral como Arcebispo tendo aqui vivido tantas alegrias.”
Já nos ritos finais, o Núncio Apostólico,Dom Giovanni Danielo, ler a mensagem enviada pelo Papa Francisco por ocasião do 50º aniversário de ereção da Catedral Nossa Senhora Aparecida. O Papa em sua carta, “concede de bom agrado, concede a todos os habitantes de Brasília a benção apostólica, pedindo também que por favor que não deixem de rezar por ele. ” O Núncio manifesta também para despedir-se do amigo “vizinho” desejando-lhe boa viagem.
Também em tom de despedida, Dom Aparecido, agradece em nome dos bispos e padres e narra de suas experiências com o Cardeal. Clique aqui para ler completa a mensagem.
Emocionado, O Cardeal agradeceu aos amigos presentes na celebração, lembrou dos que não puderam estar presentes por causa da pandemia, e a todos que junto dele estiveram.
Dom Sergio grava uma mensagem a todo o povo fiel da Arquidiocese de Brasília. Veja:
Para ver mais fotos, clique aqui.
Fotos e Video: Pascom Brasilia
Arquidiocese de Brasília

Da Providência Divina (6/10)

Pantokrator
DA  PROVIDÊNCIA DIVINA
São Tomás de Aquino
(cf. Suma Teológica)
ARTIGO 6º – SE OS ANIMAIS BRUTOS E SEUS ATOS ESTÃO SUBMETIDOS À DIVINA PROVIDÊNCIA
Respondo dizendo que, a este respeito, houve dois erros.
1. Alguns, de fato, disseram que os animais brutos não são governados pela providência, a não ser segundo que participam da natureza da espécie, que é por Deus provista e ordenada, e que a este modo de providência se referem todas as coisas que são encontradas nas Sagradas Escrituras que parecem indicar a providência de Deus acerca dos animais brutos, como quando diz o salmista: “Cantai ao Senhor na confissão, salmodiai ao nosso Deus na cítara, que dá aos jumentos o seu alimento e aos filhos dos corvos que o invocam” (Salmo 147, 9); e também: “Formaste as trevas e se fêz a noite, nela vagueiam todos os animais da selva; os leõezinhos rugem em busca da presa, e pedem a Deus o seu sustento” (Salmo 103, 21) e muitas passagens semelhantes. Mas este erro atribui a Deus uma máxima imperfeição pois, de fato, não pode dar-se que Deus conheça os atos singulares dos animais brutos e não os ordene, sendo Deus sumamente bom, difundindo por isto em tudo a sua bondade. Este erro, portanto, derroga a ciência divina, subtraindo-lhe a ordenação dos particulares enquanto particulares.
2. Outros disseram, por este motivo, que os atos dos animais brutos caem debaixo da providência do mesmo modo como os atos dos racionais, de tal maneira que não possa acontecer nenhum mal que eles padeçam que não seja ordenado ao bem deles próprios. Mas isto também está longe da razão, pois não se deve pena ou prêmio senão àquele que tem livre arbítrio.
3. Deve-se dizer, por isso, que os animais brutos e todos os seus atos, também enquanto singulares, estão submetidos à divina providência. Não, todavia, pelo modo segundo o qual os homens e os seus atos lhe estão submetidos, pois os homens, mesmo enquanto singulares, são governados pela providência por causa deles mesmos, mas os animais brutos não são provistos enquanto singulares senão por causa dos outros, assim como já dissemos das demais criaturas corruptíveis.
Por este motivo, o mal que acontece para o animal bruto não tem ordenação para o bem dele próprio, mas para o bem de outro, como a morte do asno que se ordena para o bem do leão ou do lobo. Mas a morte do homem que é morto pelo leão não se ordena apenas a isto, mas principalmente à sua pena ou ao aumento do seu mérito, que cresce pela paciência.
Veritatis Splendor

A humanidade de S. Paulo VI (4/4)


Montini era um papa humano simples, na vida cotidiana e no encontro com a multidão, na solidão cotidiana, em contatos frequentes com colaboradores e nos momentos das escolhas mais exigentes.


Do arcebispo Romeo Panciroli


Ele foi o construtor da Igreja do futuro: Igreja simples, fraterna e de comunhão; sacramento da salvação, cujas principais forças no mundo devem ser a palavra de Deus, a Eucaristia, os sacramentos, as comunidades vivas com seus pastores, unidos ao pastor supremo. Igreja que ele trouxe de volta a dimensões mais humanas, acessíveis e fraternas, quase uma imagem de sua disposição feita de simplicidade e diálogo; Igreja que ele ama, é sua Igreja, Cristo confiou a ele para mantê-la como pastor supremo.

"A Igreja é nosso amor constante", disse ele, "nossa preocupação primordial, nosso pensamento fixo; o primeiro e principal fio condutor do nosso humilde pontificado".

Ele é o Papa da renovação da Igreja nos moldes do Concílio, um caminho que ele toma com decisão, lentamente, até ter certeza absoluta; mas então ele permanece firme e inflexível quando decide. Apaixonado pelos valores do passado e pelas perspectivas do futuro, ele sofre por todas as escolhas com toda a adesão de sua humanidade investida por uma imensa tarefa que o mundo nem sempre pode entender.

Ao retornar de sua visita pastoral à Índia, ele exclama na praça de São Pedro aos fiéis romanos que o esperavam com entusiasmo: "Grande é a Igreja, realidade e mistério ao mesmo tempo. Entendemos mais uma vez, de maneira muito clara, como é feito para o mundo, mesmo para o mundo de hoje ".
E assim ele também nos ensinou a amar a Igreja e a ouvir a palavra de Deus, professora de amor ao homem e à Igreja, professora que não fechou os ouvidos aos gritos da humanidade, porque ele vive, assume, participa de todas as ansiedades do mundo.

"Nosso coração", disse ele, "é como um sismógrafo no qual todas as vibrações da paixão humana são refletidas". Ele sabe sofrer com aqueles que choram e se alegram quando chega a hora, encarnando a angústia do mundo de hoje e as alegrias certezas do cristão que acredita e espera no ressuscitado Jesus Cristo.

Sua missão apostólica faz com que se sinta sempre próximo dos problemas dos pobres, necessitados, afetados por calamidades naturais e sociais, lembrando-nos "que nosso próximo, o que devemos amar como a nós mesmos, não é apenas nosso irmão cristão".

Onde ele chegou pessoalmente, ele sempre quis encontrar os pobres e doentes, perceber suas condições, trazer uma palavra de conforto e ajuda material, falar e orar com eles. Na Palestina, Índia, Fátima, Turquia, Colômbia, Uganda, Polinésia, Bangladesh, Filipinas, Indonésia, Sri Lanka; Ao retornar de sua viagem à América Latina, ele alegou ter visto, nas imensas e devotadas multidões que foram encontrá-lo, "o reflexo do amor do Senhor pela pobreza".

Em todos os lugares e sempre, ele anuncia a felicidade da pobreza para os pobres, porém para aqueles que são responsáveis ​​por denunciar os pecados da injustiça. Quando o sofrimento depende do homem e da opressão, ele não tem medo de denunciá-lo corajosamente, como na encíclica Populorum progressio, em que o que é dito é extremamente atual: "Existem situações cuja injustiça clama ao céu. Quando populações inteiras, sem o necessário, vivem em um estado de dependência que as impede de qualquer iniciativa e responsabilidade, e também de qualquer possibilidade de promoção cultural e participação na vida social e política, há uma grande tentação de rejeitar tais ferimentos com violência. à dignidade humana "(n.30).

O amor pelos homens o deixou incansável em suas iniciativas de justiça e progresso; O homem sente defensor e irmão em nome do mesmo mandato de Cristo, lembrando a todos que a solução para os grandes e pequenos problemas da humanidade é o amor, "não o amor fraco e retórico", disse ele, mas o que Cristo na Eucaristia ele nos ensina, o amor que é dado, o amor que é multiplicado, o amor que é sacrificado "; e novamente: "Que Cristo supere nossas resistências humanas e faça de cada um de nós um testemunho credível de seu amor".

Apesar dos sofrimentos da humanidade e de seu pessoal, Paulo VI, em gestos e palavras, possuía uma carga humana que o tornava vivo e cheio de esperança. Um Papa otimista, portanto, tão otimista que chegou ao Pentecostes de 1975 para lançar o desafio da alegria ao mundo: pela primeira vez, um sumo pontífice emitiu um documento sobre a alegria, uma interpretação positiva explícita da vida e da história. , porque o cristianismo é alegria, porque o Cristo ressuscitado é a nossa alegria e Ele apenas a nossa salvação.

João Paulo II disse recentemente: "Ele carregava a luz de Tabor em seu coração, e com essa luz caminhou até o fim, carregando sua cruz com alegria do Evangelho".


Revista 30 Dias

S. JUSTINO, FILÓSOFO E MÁRTIR

S. Justino, Elvira Ortmann
S. Justino, Elvira Ortmann 
01 de junho
São Justino

Conseguir conhecer a Deus face a face é possível, mas esta pessoa, como São Justino, de mente aguda e alma sensível, teve que partir de longe, como pagão. Ele viveu na Samaria, no século I d.C., e cresceu nutrindo-se de filosofia. Os mestres do pensamento grego foram aquela luz que acompanhou o Santo na sua busca do Ser infinito, que seduz pelo conhecimento e que, se pudesse, chegaria perto e até o explicaria com a força da racionalidade.

Decepcionado com as filosofias
A “visão de Deus”, para Justino, é a finalidade da filosofia. Mas, qual corrente de pensamento é capaz de chegar pelo menos perto? O samaritano de Flávia Neópolis, sua cidade natal, bateu à porta de estoicos e pitagóricos. Porém, ninguém soube oferecer-lhe um meio para atingir aquela sua meta tão ambiciosa. O coração de Justino aqueceu-se um pouco mais ao encontrar um pensador platônico. E, decidido a prosseguir nesta busca, distante do barulho das cidades, escreveu: “O conhecimento das realidades integradas e a contemplação das ideias excitavam a minha mente...”.

Pode falar de Deus quem o conhece
No lugar retirado que escolheu, - descreve em seu “Diálogo com Trifão”, - encontrou uma pessoa idosa com quem discutiu sobre a pessoa de Deus. Porém, o esforço de se chegar a uma definição perfeita viola o obstáculo de uma consideração: se um filósofo, - observa o idoso, - nunca viu nem ouviu a voz de Deus, como pode ter, sozinho, uma ideia sobre Ele? Então, o diálogo prossegue em direção aos Profetas: falaram de Deus, durante séculos, e profetizaram, em seu nome, sobre a vinda do Filho de Deus ao mundo. Eis a reviravolta da sua vida: Justino converteu-se ao cristianismo e, por volta do ano 130, em Éfeso, recebeu o Batismo.

O gênio a serviço do Evangelho
Com o passar do tempo, Justino se desloca para Roma, onde funda uma escola filosófica, e se torna um anunciador incansável de Cristo entre os estudiosos pagãos. Escreve e fala de Deus que, finalmente, conseguiu conhecer, mediante a categoria e a linguagem dos filósofos. Utilizou, sobretudo, sua inteligência e habilidade dialética em defesa dos cristãos perseguidos, como demonstram as suas duas “Apologias”. Justino ataca, de modo particular, os caluniadores da sua profissão, mas o confronto em público com o filósofo Crescente, - anticristão férreo, apoiado pelo poder, - foi fatal. Justino foi preso, por ironia do destino, como “ateu”, isto é, como subversor e inimigo do Estado. Assim, foi decapitado, com outros seis companheiros, por volta de 165, sob o império de Marco Aurélio.

Inesquecível por mais de dois mil anos
A fama do missionário-filósofo, do qual se deve a mais antiga descrição da liturgia eucarística, torna-se eterna. Inclusive o Concílio Vaticano II citou seu ensino em dois grandes documentos: a “Lumen gentium” e a “Gaudium et spes”. Para Justino, o cristianismo é a manifestação histórica e pessoal do Logos na sua totalidade. Por isso, afirmou: “Tudo o que de bom foi dito, por qualquer um, pertence a nós, cristãos”.

Vatican News

domingo, 31 de maio de 2020

Papa: o segredo da unidade na Igreja, o segredo do Espírito, é o dom.

“Peçamos o Espírito Santo, memória de Deus, reavivai em nós a lembrança do dom recebido. Libertai-nos das paralisias do egoísmo e acendei em nós o desejo de servir, de fazer bem. Porque pior do que esta crise, só o drama de a desperdiçar fechando-nos em nós mesmos. Vinde, Espírito Santo! Vós que sois harmonia, tornai-nos construtores de unidade; Vós que sempre Vos doais, dai-nos a coragem de sair de nós mesmos, de nos amar e ajudar, para nos tornarmos uma única família. Amen”.
Cidade do Vaticano
“O que é que nos une, em que se baseia a nossa unidade?”. Na homilia da Missa na Solenidade de Pentecostes, celebrada no Altar da Cátedra da Basílica de São Pedro, com a presença de 50 fiéis, o Papa Francisco falou sobre a unidade como dom do Espírito Santo.
E começou, partindo da Igreja nascente: «Há diversidade de dons espirituais, mas o Espírito é o mesmo – escreve Paulo aos Coríntios –; há diversidade de serviços, mas o Senhor é o mesmo; e há diversos modos de agir, mas é o mesmo Deus que realiza tudo em todos».

 Diversos, unidos pelo Espírito Santo
Diversidade – o mesmo, diversos – um só”. O Apóstolo – observa o Papa - insiste em juntar duas palavras que parecem opostas. Quer-nos dizer que este um só que junta os diversos é o Espírito Santo. E a Igreja nasceu assim: diversos, unidos pelo Espírito Santo”.

O Papa recordou que entre os apóstolos havia “pessoas simples, habituadas a viver do trabalho das suas mãos, como os pescadores”, mas também Mateus, “certamente dotado de instrução pois fora cobrador de impostos”.  Ou seja, há “origens e contextos sociais diversos, nomes hebraicos e nomes gregos, temperamentos pacatos e outros ardorosos, ideias e sensibilidades diferentes. Todos eram diferentes”.

A união vem com a unção
“Jesus  - enfatizou Francisco - não os mudara, nem os uniformizara, tornando-os modelos em série. Não! Deixara as suas diversidades; e agora une-os, ungindo-os com o Espírito Santo. A união vem com a unção.”

Em Pentecostes, “os Apóstolos compreendem a força unificadora do Espírito”, pois constatam, que apesar de todos falarem línguas diversas, “formam um só povo: o povo de Deus, plasmado pelo Espírito, que tece a unidade com as nossas diferenças, que dá harmonia porque é harmonia”.
Voltando para a Igreja hoje, o Papa pergunta: «O que é que nos une, em que se baseia a nossa unidade?»,  pois também entre nós “existem diversidades, por exemplo de opinião, preferência, sensibilidade”. Mas a tentação, “é defender sempre de espada desembainhada as nossas ideias, considerando-as boas para todos e pactuando apenas com quem pensa como nós. E esta é uma má tentação que divide”.

Nosso princípio de unidade é o Espírito Santo
Mas esta – ressalta o Papa – “é uma fé à nossa imagem”, em que aquilo que nos une “são as próprias coisas em que acreditamos e os próprios comportamentos que adotamos”. Mas “o nosso princípio de unidade é o Espírito Santo. E a primeira coisa que Ele nos lembra é que somos filhos amados de Deus. Todos iguais nisso, e todos diferentes”:

“O Espírito vem a nós, com todas as nossas diversidades e misérias, para nos dizer que temos um só e mesmo Senhor, Jesus, e um só e mesmo Pai; por isso, somos irmãos e irmãs. Partamos daqui! Olhemos a Igreja como faz o Espírito, não como faz o mundo. O mundo vê-nos de direita e de esquerda, com esta ideologia, com aquela outra; o Espírito vê-nos do Pai e de Jesus. O mundo vê conservadores e progressistas; o Espírito vê filhos de Deus. O olhar do mundo vê estruturas, que se devem tornar mais eficientes; o olhar espiritual vê irmãos e irmãs implorando misericórdia. O Espírito ama-nos e conhece o lugar de cada um no todo: para Ele não somos papelinhos coloridos levados pelo vento, mas ladrilhos insubstituíveis do seu mosaico.”

O perigo da "Igreja ninho"
Voltando ao dia de Pentecostes, o Papa observa que a primeira obra da Igreja é “o anúncio”:
Vemos, porém, que os Apóstolos não preparam uma estratégia; quando estavam fechado ali, no Cenáculo, não faziam uma estratégia, não preparavam um plano pastoral. Teriam podido dividir as pessoas por grupos segundo os vários povos, falar primeiro aos de perto e depois aos que eram de longe, tudo organizado. Teriam podido também temporizar um pouco no anúncio e, entretanto, aprofundar os ensinamentos de Jesus, para evitar riscos... Mas não! O Espírito não quer que a recordação do Mestre seja cultivada em grupos fechados, em cenáculos onde tendemos a «fazer o ninho». E esta é uma séria doença que pode ocorrer na Igreja: a Igreja não comunidade, não família, não mãe, mas ninho. O Espírito abre, relança, impele para além do que já foi dito e feito, Ele impele para mais além dos recintos duma fé tímida e cautelosa”.

O segredo da unidade é o dom
Diferentemente do mundo que precisa de uma “estrutura compacta e uma estratégia calculada”, na Igreja – disse o Santo Padre - é o Espírito que assegura ao arauto a unidade”. Assim, os Apóstolos partem “sem preparação, lançam-se, saem. Anima-os um único desejo: dar o que receberam.”
E isso, leva-nos a compreender que “o segredo da unidade, o segredo do Espírito. O segredo da unidade na Igreja, o segredo do Espírito, é o dom. Porque Ele é dom, vive doando-Se e, assim, nos mantém unidos, fazendo-nos participantes do mesmo dom”:

É importante acreditar que Deus é dom, que não se comporta tomando, mas dando. E por que é importante? Porque o nosso modo de ser crentes depende de como entendermos Deus. Se tivermos em mente um Deus que toma e que Se impõe, desejaremos também nós tomar e impor-nos: ocupar espaços, reivindicar importância, procurar poder."

“Mas, se tivermos no coração que Deus é dom, muda tudo. Se nos dermos conta de que aquilo que somos é dom d’Ele, dom gratuito e imerecido, então também nós quereremos fazer da vida um dom. E amando humildemente, servindo gratuitamente e com alegria, ofereceremos ao mundo a verdadeira imagem de Deus.”

Os três inimigos do dom
O Espírito, memória viva da Igreja, lembra-nos que nascemos de um dom e crescemos doando-nos; não poupando-nos, mas dando-nos.

O Papa então nos convida a olhar no íntimo de nós mesmos e nos perguntar o que é que impede de nos darmos, indicando três inimigos do dom, “sempre deitados à porta do coração: o narcisismo, a vitimização e o pessimismo”.

O narcisimo
“O narcisismo leva a idolatrar-me a mim mesmo, a comprazer-me apenas com o lucro próprio. O narcisista pensa: «A vida é boa, se eu ganho com ela». E assim chega a dizer: «Por que deveria eu doar-me aos outros?» Nesta pandemia, faz um mal imenso o narcisismo, o debruçar-se apenas sobre as próprias carências, insensível às dos outros, o não admitir as próprias fragilidades e erros.

A vitimização
Mas o segundo inimigo, a vitimização, também é perigoso. A vítima lamenta-se todos os dias do seu próximo: «Ninguém me compreende, ninguém me ajuda, ninguém me quer bem, estão todos contra mim!» E o seu coração fecha-se, enquanto se interroga: «Por que não se doam a mim os outros?» Quantas vezes ouvimos estas lamentações! No drama que vivemos, como é má a vitimização! Como é mau pensar que ninguém nos compreende e sente aquilo que sentimos nós. Isso é a vitimização!

O pessimismo
Por fim, temos o pessimismo. Neste caso, a ladainha diária é: «Nada vai bem, a sociedade, a política, a Igreja...» O pessimista insurge-se contra o mundo, mas fica inerte e pensa: «Assim para que serve doar-se? É inútil». Agora, no grande esforço de recomeçar, como é prejudicial o pessimismo, ver tudo negro, repetir que nada voltará a ser como antes!”

Com este tipo de pensamento – observou Francisco - o que seguramente não volta é a esperança: "Nestes três - o ídolo narcisista do espelho, o deus-espelho; o deus-lamentação: "eu me sinto pessoa nas lamentações"; e o deus-negatividade: "tudo é escuro" - , “encontramo-nos na carestia da esperança e precisamos apreciar o dom da vida, o dom que é cada um de nós. Por isso, necessitamos do Espírito Santo, dom de Deus que nos cura do narcisismo, da vitimização e do pessimismo, nos cura do espelho, das lamentações e do escuro.”

Construtores de unidade
O Pontífice concluiu sua homilia com a oração:
“Irmãos e irmãs, rezemos: Espírito Santo, memória de Deus, reavivai em nós a lembrança do dom recebido. Libertai-nos das paralisias do egoísmo e acendei em nós o desejo de servir, de fazer bem. Porque pior do que esta crise, só o drama de a desperdiçar fechando-nos em nós mesmos. Vinde, Espírito Santo! Vós que sois harmonia, tornai-nos construtores de unidade; Vós que sempre Vos doais, dai-nos a coragem de sair de nós mesmos, de nos amar e ajudar, para nos tornarmos uma única família. Amen”.

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF