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sábado, 30 de junho de 2018

Santos Protomártires de Roma, vítimas da mentira de Nero

REDAÇÃO CENTRAL, 30 Jun. 18 / 05:00 am (ACI).- “A esses homens que levaram uma vida santa, veio juntar-se uma grande multidão de eleitos que, por causa dos ciúmes, sofreram todo o tipo de maus tratos e suplícios e deram um magnífico exemplo entre nós”, assinalava em uma carta aos Coríntios o Papa São Clemente I.

Com o anúncio da Boa Nova dos Apóstolos, o número de fiéis foi crescendo cada vez mais. No entanto, o Senado romano rejeitou esta nova religião, que era contrária às tradições de Roma, e a declarou ilegal até o ano 35 d.C.
Mais tarde, para escapar da acusação de ter incendiado Roma, Nero culpou os cristãos, acusando-os de ser uma religião maléfica, que praticava o canibalismo, ao não entender o sentido da Eucaristia, e difamando-os como incestuosos, pelo costume que tinham de chamar-se irmãos e dar o beijo da paz.
Foi assim que desencadeou uma série de perseguições na qual milhares de cristãos deram suas vidas para proclamar e crer no verdadeiro amor de Deus que Jesus Cristo ensinou.
O Martirológio Jeronimiano é o primeiro a comemorar o martírio de mais de 900 pessoas nos tempos de Nero, com data de 29 de junho, o mesmo dia de São Pedro e São Paulo.
Atribui-se a São Pio V a primeira menção no Martirológio Romano desses protomártires com data de 24 de junho. Atualmente, a Igreja os celebra em 30 de junho.
ACI Digital

quinta-feira, 28 de junho de 2018

Bispo alerta: Tentam implantar o aborto no Brasil através do Judiciário contra vontade do povo

Foto referencial Pixabay (domínio público)
REDAÇÃO CENTRAL, 22 Jun. 18 / 06:00 am (ACI).- O Bispo da Diocese de Rubiataba Mozarlândia (GO), Dom Adair José Guimarães, lançou um alerta sobre o ativismo judicial que busca descriminalizar o aborto no Brasil por meio de iminente julgamento de uma ação no Supremo Tribunal Federal (STF) e convocou todos os católicos para que façam ouvir suas vozes em defesa da vida.
Em uma ‘Nota pública sobre a legalização do aborto no Brasil’, o Prelado recordou que “está em vias de ser julgada no Supremo Tribunal Federal a Arguição de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) nº 442 que, em suma, poderá abrir nosso país à prática do aborto”.
A ADPF 442 foi proposta pelo Partido Socialismo e Liberdade (PSOL) a fim de permitir a realização do aborto no Sistema Único de Saúde (SUS) até 12 semanas de gestação, bastando apenas o consentimento da gestante .
A relatora do caso, a ministra Rosa Weber, convocou para o dia 6 de agosto uma audiência pública que vai discutir essa questão.
“Nesse momento delicado, entendemos por bem vir a público expressar nossa preocupação com o julgamento mencionado”, manifestou Dom Adair.
O Bispo recordou que há muito tempo se observa no Brasil as investidas de “poderosos organismos internacionais que tentam legalizar o aborto” no país. Porém, assinalou, “fracassaram dada a heroica resistência de nosso povo, cuja maioria esmagadora é contrária à prática desse ato”.
Nesse contexto, indicou, o Congresso Nacional vem rejeitando “qualquer alteração legislativa que vise a legalizar a prática do aborto ou mesmo a ampliar as possibilidades de que ele venha a ser praticado sem punição na esfera criminal”.
Vale recordar que, no Brasil, a prática do aborto é despenalizada em três casos. Quando a gravidez é resultante de estupro, o aborto deve contar com a autorização da gestante ou de um responsável e deve acontecer até a 20ª semana. Quando há risco à vida da mãe e se não houver outro meio de salvá-la, o aborto pode ser feito em qualquer ponto da gravidez. E, o último caso foi autorizado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2012 e diz respeito aos fetos com anencefalia.
Com a nova investida que busca implantar o aborto no Brasil por meio da ADPF 442, Dom Adair alerta que o “que está em curso no Supremo Tribunal Federal nada mais é do que uma tentativa espúria de dobrar o Poder Legislativo (cujos membros são eleitos pelo povo) ao Poder Judiciário (cuja cúpula representada pelo Supremo Tribunal Federal foi toda ela indicada pelos últimos presidentes da República)”.
“De fato – pontuou –, em países nos quais a consciência cristã já foi enfraquecida pelo laicismo e pelo individualismo, a tática destes grupos de pressão tem sido a de recorrer a plebiscitos e fazer o aborto triunfar pela manifestação direta da população (como recentemente aconteceu com a Irlanda)”.
Entretanto, “no Brasil, onde a fé cristã em suas vertentes católica e protestante ainda é parte importante da vida da quase totalidade da população, o que se tenta é conseguir, via Poder Judiciário, aquilo que jamais se conseguiria pela votação direita ou mesmo por meio de leis democraticamente aprovadas”.
“Devemos lembrar que o Supremo Tribunal Federal é apenas o guardião máximo das leis e da Constituição Federal”. Por isso, “caso julgue procedente a ADPF nº 442, os onze Ministros de nossa corte maior estarão atribuindo a si mesmos um papel que não lhes cabe: o de senhores das instituições, funcionando como agentes de crises e fomentadores de uma ruptura institucional que parece cada vez mais inevitável”.
Ao concluir, Dom Adair Guimarães convidou a rogar “a Deus, por intermédio da Virgem de Aparecida, Rainha e Padroeira do Brasil, para que ilumine os Ministros do Supremo Tribunal Federal, dando-lhes a consciência da gravidade da situação atual, encorajando-os a que se limitem ao seu papel institucional”.
“E rogamos a todos os católicos sob nosso cuidado pastoral a que se ergam em defesa da vida, seja privadamente com orações, seja fazendo ouvir suas vozes publicamente de modo a evitar que o mal do aborto venha a ser permitido em terras brasileiras”, finalizou.
ACI Digital

domingo, 24 de junho de 2018

Natividade de São João Batista

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
A Igreja celebra, neste domingo, o nascimento de São João Batista, pela sua especial importância na história do Povo de Deus. Além do nascimento de Jesus e de Maria, o calendário litúrgico da Igreja celebra apenas o nascimento de São João Batista. Por isso, a Liturgia da Palavra, própria desta solenidade, nos apresenta o seu nascimento e a sua missão profética.
O profeta Isaías se refere à figura do “servo” do Senhor, comumente denominada, “servo de Javé”. Sua missão profética vem de Deus, sendo por ele chamado “desde o ventre materno” (Is 49,1), “preparado desde o nascimento para ser seu servo” (Is 49,5). A atuação do “Servo” vai além de Israel. Isaías destaca a universalidade de sua missão profética, enquanto “luz das nações”, a fim de que a “salvação chegue aos confins da terra”.  A profecia de Isaías a respeito do “Servo” se cumpre plenamente em Jesus Cristo, mas se aplica, ao menos em parte, a todo verdadeiro profeta. Por isso, esse trecho é escolhido para a natividade de S. João Batista.
S. Paulo se dirige aos judeus de Antioquia da Psídia, na sinagoga da cidade, num sábado, anunciando que Jesus Cristo é o Salvador (At 13,23). Para tanto, ele se refere a Davi e a João Batista, pondo em relevo a missão de preparar o povo para acolher Jesus, realizada por João. Paulo esclarece que João Batista não é o Messias esperado, ao contrário do que alguns acreditavam. Apesar da sua importância, João Batista não ocupa o lugar de Jesus; ao contrário, veio conduzir o povo a Jesus. Por isso, a celebração do seu nascimento, hoje, deve também nos levar a sermos discípulos de Cristo.
O Evangelho segundo Lucas relata o fato que motiva a solenidade litúrgica de hoje, o nascimento de João Batista, motivo de alegria e de admiração para os vizinhos. Sua mãe, Isabel, era estéril e, assim como o marido Zacarias, estava em idade avançada. O menino recebe de seus pais um nome que não era comum e, por isso, questionado pelas pessoas. Zacarias, o pai do menino, se põe “a louvar a Deus” (Lc 1,64). O povo admirado se perguntava: “o que virá a ser deste menino?” (Lc 1,66). E o texto proclamado se conclui com a afirmação de que “a mão do Senhor estava com ele”, como ocorreu com os grandes profetas.
Perante o nascimento de S. João Batista e o nascimento de cada criança, reconhecemos que a vida é dom de Deus a ser acolhido com alegria e responsabilidade e, por isso, rezamos, com o Salmo 138: “Eu vos louvo e vos dou graças, ó Senhor, porque de modo admirável me formastes!”. É preciso hoje, valorizar e defender a vida, desde a concepção até o seu fim natural. Bendito seja Deus pelo dom da vida!
O Povo de Deus/Arquidiocese de Brasília

Ordenação Presbiteral: Seis novos padres somarão com a Igreja de Brasília

Com imensa alegria, a Arquidiocese de Brasília convida toda a comunidade a participar da Missa de Ordenação Presbiteral que acontecerá no dia 30 de junho, sábado, na Catedral Metropolitana de Brasília, às 8:30 hs.
Durante a Cerimônia, 6 diáconos temporários serão admitidos à Ordem dos presbíteros, também conhecida como Ordem dos sacerdotes; ou seja, ele serão ordenados padres, tornando-se representantes da Igreja Católica, para anunciarem aos fiéis a Boa Nova e tornarem-se presença de Cristo no meio da comunidade.
Os candidatos ao Sacerdócio são:
Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima
- Diácono Rafael da Silva Costa
Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater
- Diácono André Murilo Alves
- Diácono Daniel Isac da Costa
- Diácono Elizier Robuelto Salitamos
- Diácono Everton Vieira da Silva
- Diácono José Joaquim
O bispo ordenante da cerimônia será o cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Brasília e presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB).
De acordo com o Pontifical Romano, (Pontificale Romanum), livro que contém todas as orações e orientações para a celebração dos sacramentos e sacramentais que são celebradas apenas pelo bispo, a ordenação presbiteral é constituída por seis partes. São elas: eleição do candidato; homilia; propósito do eleito; ladainha; imposição das mãos e prece de ordenação; unção das mãos e entrega da patena e do cálice.
Iniciada após a Liturgia da Palavra, a sagrada Ordenação é conferida pela imposição das mãos do arcebispo e a Oração Consagratória, através da qual dom Sergio, no caso, bendirá o Pai e invocará o dom do Espírito Santo para a realização do ministério.
Após a ordenação, cada neo-padre estará apto a atuar nas paróquias e comunidades da Arquidiocese de Brasília, em comunhão com o arcebispo Sergio da Rocha.
O presbiterado é o segundo grau do sacramento da Ordem Sagrada ou Ministério Sacerdotal. O primeiro é o episcopado e o terceiro é o diaconato.
Arquidiocese de Brasília deseja a todos os religiosos uma santa ordenação e que Deus lhes dê a santa perseverança em Cristo.
Venha e prestigie este momento.
Aguardamos por você!

Informações:
Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima
Endereço: SHIS QI 17 – AE – Lago Sul - 71645-200 – Lago Sul Fone: 3366-9900

Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater
Endereço: SEDB AE 01 – Lago Sul - 71675-200 Fone: 3251-1818 / 3367-4759 (Fax)

Por Gislene Ribeiro / Arquidiocese de Brasília

quarta-feira, 20 de junho de 2018

A história do católico que fundou a Copa do Mundo da FIFA

Jules Rimet - Copa do Mundo / Foto: Wikipédia (Domínio Público) -
Flickr Presidência da República Mexicana (CC BY 2.0)
REDAÇÃO CENTRAL, 20 Jun. 18 / 06:00 am (ACI).- A Copa do Mundo da FIFA é um dos eventos esportivos internacionais mais esperados e estima-se que dezenas de milhões de telespectadores assistam a edição de 2018. O que poucos sabem é que um católico francês fundou este campeonato.
Trata-se de Jules Rimet, nascido em 14 de outubro de 1873 na aldeia francesa de Theuley. Quando era criança, serviu como coroinha na igreja local e, aos dez anos, mudou-se a Paris, pois a sua família estava procurando uma oportunidade de ter uma melhor qualidade de vida em meio à crise econômica.
Segundo informou o ‘Catholic Herald’, quando em 1891 o Papa Leão XIII lançou a sua encíclica “Rerum Novarum”, o jovem Rimet e seus amigos se sentiram questionados pela preocupação do Pontífice ante a miséria na qual viviam as classes trabalhadoras e pela falta de reformas trabalhistas.
Inspirados pelo texto, o rapaz e seus companheiros fundaram uma organização para oferecer assistência social e médica aos mais pobres. Mesmo já tendo se tornado um exitoso advogado, Rimet continuou fazendo obras de caridade.
O jovem francês também adorava os esportes e tinha a firme convicção de que eles uniam as pessoas, independente da raça e da classe social. Aos 24 anos, fundou um clube esportivo chamado “Red Star”, aberto a qualquer pessoa, independentemente da sua situação econômica.
“Os homens poderão se reunir com confiança, sem ódio em seus corações e sem insultos em seus lábios”, costumava dizer quando compartilhava a sua visão dos esportes.
Naquela época, o futebol ainda era desprezado, pois era considerado um esporte da classe baixa e dos ingleses. Entretanto, Rimet decidiu incluí-lo no seu clube.
Em 1904, o advogado francês ajudou a fundar a Fédération Internationale de Football Association (Federação Internacional de Futebol ou FIFA). Quis organizar um campeonato internacional, mas o início da Primeira Guerra Mundial atrasou os seus planos.
Rimet participou da frente de batalha durante quatro anos e foi premiado com a Cruz de Guerra, uma condecoração militar francesa concedida àqueles que se destacaram por seus atos de heroísmo.
Após o fim da guerra, Rimet se tornou presidente da FIFA em 1921 e permaneceu durante 33 anos no cargo, o período de mandato mais longo na história da federação.
Seus ideais sobre o esporte o motivaram a criar em 1928 a Copa do Mundo, que foi disputada dois anos depois pela primeira vez no Uruguai. Jules Rimet levou à América do Sul o troféu que recebeu o seu nome até 1970, quando o desenho da taça foi modificado pelo que é entregue atualmente.
O advogado católico liderou a FIFA até 1954 e, em 1956, foi indicado ao Prêmio Nobel da Paz, por ter fundado a Copa do Mundo.
Rimet faleceu na França em 1956, aos 83 anos.
No livro “Uma História do Futebol em 100 Objetos”, Yves Rimet, seu neto, recordava-o como um “humanista e idealista, que acreditava que o esporte podia unir o mundo. Comparado com as pessoas da sua época, ele percebeu que para ser realmente democrático e envolver as massas, o esporte internacional deveria ser profissional”.
Em entrevista ao jornal ‘The Independent’ em 2006, Yves afirmou que o seu avô “ficaria decepcionado ao ver que, atualmente, o futebol se converteu em um negócio dominado pelo dinheiro. Essa não era a sua visão”.
ACI Digital

domingo, 17 de junho de 2018

11º Domingo do Tempo Comum A semente pequenina do Reino

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
O trecho do Evangelho segundo Marcos, proclamado nas missas de hoje, nos apresenta duas breves parábolas do Reino. Jesus compara o Reino de Deus à semente que “vai germinando e crescendo” até produzir frutos, sem que o semeador saiba como isso acontece (Mc 4,27). Deste modo, ressalta a força e o dinamismo da própria semente, independente da ação humana.  O Reino se expande pela força de Deus. Jesus também compara o Reino de Deus ao “grão de mostarda”, planta que não se confunde com a verdura que conhecemos. A sua semente era considerada pelo povo a menor de todas, mas que depois se tornava uma das maiores árvores daquela região. O acento sobre a pequenez da semente contrasta com as ideias de grandeza e glória terrenas, atribuídas ao Reino de Deus por muitos, naquele tempo, e ainda hoje. Na atual cultura, em que se valoriza o que é grandioso e espetacular, é preciso redescobrir a presença amorosa de Deus na simplicidade da vida cotidiana. Ao contrário, deixamos de discernir e acolher os sinais do Reino presente entre nós. Apenas os “pequeninos” foram capazes de compreender e aceitar a boa nova do Reino, e não os que se achavam sábios e poderosos (cf Lc 10,21). Além disso, a referência aos grandes ramos estendidos, capazes de abrigar os pássaros do céu nos faz pensar na universalidade do Reino de Deus, aberto a todos e não restrito a alguns.
Ao rezar o “Pai Nosso”, nós sempre pedimos “venha a nós o vosso Reino”.  Assim fazemos, porque sabemos que o Reino é dom, deve ser entendido na perspectiva da graça. Ao mesmo tempo, a acolhida desse dom se expressa através do louvor e da atuação responsável dos cristãos na história. São Paulo nos recorda que “somos peregrinos” (2Cor 5,6) que caminham na fé, rumo à morada eterna,  junto do Senhor. Ao mesmo tempo, nos motiva a viver com responsabilidade a nossa vida neste mundo, pois deveremos prestar contas a Deus da nossa peregrinação.
Nos dias 17 a 24 de junho, realiza-se a Semana Nacional do Migrante, neste ano, com o tema “A vida é feita de encontros. Braços abertos sem medo para acolher”. O Papa Francisco tem ressaltado, frequentemente, a necessidade da acolhida fraterna aos migrantes, principalmente aos refugiados. Brasília foi edificada por migrantes, que continuam a formar a maior parte da sua população. Somos convidados a rezar e a refletir sobre a realidade dos nossos migrantes, assim como dos imigrantes dos diversos países, desenvolvendo ações pessoais e comunitárias de acolhida fraterna, respeito e solidariedade. O Pai ama a todos como seus filhos e nos quer amando a todos como irmãos. O dom do Reino de Deus é oferecido a todos!
O Povo de Deus/Arquidiocese de Brasília

sexta-feira, 15 de junho de 2018

Bem-Aventurada Albertina Berkenbrock, a “Maria Goretti brasileira”

REDAÇÃO CENTRAL, 15 Jun. 18 / 12:30 am (ACI).- Neste dia 15 de junho, a Igreja recorda a Bem-Aventurada Albertina Berkenbrock, uma jovem que foi martirizada por defender a sua virgindade. Por sua história, a menina do sul do Brasil é chamada por muitos de “Maria Goretti brasileira”.

Albertina nasceu em 11 de abril de 1919, em Imaruí (SC). Filha de agricultores, recebeu desde cedo uma formação católica. Aprendeu ainda pequena as orações e rezava com bastante alegria. Participava da vida religiosa de sua comunidade e preparou-se com grandeza de coração para receber a Primeira Comunhão, dia que costumava classificar como o mais belo de sua vida.
Confessava-se com frequência e sempre participava da Eucaristia, da qual gostava de falar. A menina cultivou especial devoção a Nossa Senhora e rezava com intensidade o rosário. Também cultivou devoção ao padroeiro de sua comunidade, São Luís, o que é visto como uma “coincidência providencial”, já que ele é modelo de uma juventude levada com pureza espiritual e corporal.
Foi no dia 15 de junho de 1931 que Albertina, aos 12 anos, deu o seu grande testemunho, perdendo a vida para preservar a sua pureza espiritual e corporal. Naquele dia, obedecendo um pedido de seu pai, a menina foi procurar um animal que estava perdido. No caminho, ela encontrou seu malfeitor, apelidado “Maneco Palhoça”.
A jovem perguntou a ele se sabia onde estava o animal que procurava e o homem lhe indicou uma pista falsa, enviando a menina para o local onde tentou violentá-la. Albertina não se deixou subjugar. Resistiu bravamente e não cedeu.
Derrubada ao chão, a moça se cobriu o máximo que pôde com seu vestido e Maneco, sem conseguir derrotá-la, afundou um canivete em seu pescoço, degolando Albertina. Conforme ressalta o site dedicado à beata, a partir deste momento, “seu corpo está manchado de sangue... Sua pureza e virgindade, porém, estão intactas”.
O homem ainda escondeu o canivete e foi avisar aos familiares da menina que ela tinha sido assassinada, mas desviou-se de possíveis acusações dizendo que outro indivíduo era o culpado.
Jurando inocência, um homem chamado João Cândido chegou a ser preso, acusado injustamente. Entretanto, Maneco não conseguiu esconder por muito tempo seu crime. Segundo consta, o assassino não parava de ir e vir na sala do velório e, ao aproximar-se do caixão, a ferida no pescoço de Albertina começou a sangrar novamente.
Foi então que o prefeito da cidade mandou soltar João Cândido e, com ele, pegou um crucifixo na capela. Os dois seguiram até o velório e a cruz foi colocada sobre o peito da menina morta. Ali, João se ajoelhou e, com as mãos no crucifixo, jurou ser inocente. Conforme os relatos, naquele momento a ferida parou de sangrar.
A essa altura, Maneco Palhoça havia fugido, mas foi preso posteriormente. Ele confessou o crime e deixou claro que Albertina não cedeu à sua intenção de manter relações sexuais com ela porque não queria pecar.
A fama de martírio logo começou a circular entre a população local, pessoas que conheciam a vida de Albertina, sua educação cristã, seu amor à família e ao próximo, bem como seu bom comportamento, piedade e caridade.
Albertina Berkenbrock foi proclamada Bem-Aventurada em 20 de outubro de 2007 pelo Papa Bento XVI.
ACI Digital

quinta-feira, 14 de junho de 2018

Bem-Aventurada Nhá Chica, a “Santinha de Baependi”

REDAÇÃO CENTRAL, 14 Jun. 18 / 05:00 am (ACI).- “É porque eu rezo com fé”, costumava dizer a Bem-Aventurada Francisca de Paula de Jesus àqueles que recorriam a ela. Negra, analfabeta e filha de escravos, Nhá Chica, como ficou conhecida, dedicou sua vida humilde à caridade e é celebrada neste dia 14 de junho.

Francisca de Paula de Jesus nasceu em 1808 em São João del-Rei (MG) e mudou-se com a mãe e o irmão para Baependi, no mesmo estado. Ficou órfão aos dez anos, seu irmão tinha 12 anos, e os dois ficaram sob os cuidados de Nossa Senhora, a quem Francisca logo passou a chamar de “Minha Sinhá”.
Foi de sua mãe que ela recebeu uma grande devoção a Nossa Senhora da Conceição, que carregou ao longo de toda a sua vida. Soube administrar bem tal herança espiritual e ficou conhecida como “mãe dos pobres”.
Nunca se casou, porque decidiu dedicar-se totalmente ao Senhor. Sendo analfabeta, gostava quando alguém lia para ela as Sagradas Escrituras. Não pertenceu a uma organização religiosa e era respeitada por todos que a conheciam, desde o mais humilde dos homens aos mais poderosos de seu tempo.
Sempre atendeu com especial atenção cada pessoa que a procurava, muitos em busca de conselhos, palavras de conforto e oração.
Uma das coisas que se destaca em sua vida é a novena que compôs à Nossa Senhora da Conceição. Do mesmo modo, em honra a Ela, construiu ao lado de sua casa uma pequena igreja, onde venerava uma imagem desta devoção mariana e diante da qual rezava piedosamente por todas as pessoas que se recomendavam a ela.
Em 1954, esta igreja foi confiada à Congregação das Irmãs Franciscanas do Senhor e, atualmente, é o Santuário de Nossa Senhora da Conceição. Ao lado do templo é realizado um trabalho de assistência a crianças carentes que é mantido por devotos de Nhá Chica.
Finalmente, depois de uma vida dedicada à oração e ao serviço aos necessitados, a Santinha de Baependi morreu em 14 de junho de 1895.
Em maio de 2013, em uma histórica cerimônia para a Igreja no Brasil, foi beatificada, após o reconhecido da cura milagrosa de um problema de nascença no coração da professora Ana Lucia Meirelles Leite, o qual, no momento em que ela ia ser operada, foi constatado pelos médicos que havia desaparecido.
ACI Digital

domingo, 10 de junho de 2018

Início da Carta aos Romanos, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir

(Inscriptio,1,1-2,2: Funk 1,213-215)            (Séc. I)

Não quero agradar aos homens, mas a Deus
            De Inácio, dito Teóforo, à Igreja que alcançou a misericórdia, na magnificência do Pai Altíssimo e de Jesus Cristo, seu Filho único; à dileta Igreja, iluminada pela vontade daquele que tudo quer, segundo a caridade de Jesus Cristo, nosso Deus; à Igreja que preside na região dos romanos, digna de Deus, digna de honra, digna de receber felicitações, digna de louvor, digna de ver cumpridos seus votos; à Igreja que preside à universal assembleia da caridade, possuidora da lei de Cristo, assinalada com o nome do Pai. A ela saúdo em nome de Jesus Cristo, Filho do Pai. A todos os que, de corpo e alma, estão unidos pelos preceitos dele, inexaurivelmente repletos pela graça de Deus e limpos de todo matiz estranho, desejo abundante e incontaminada salvação em Jesus Cristo, nosso Deus.
            Em minhas preces junto do Senhor, pedia a graça de contemplar vossos rostos dignos de Deus. Agora, acorrentado em Cristo Jesus continuarei pedindo a mesma graça, e espero ir saudar-vos e, se for a vontade de Deus, fazer-me digno de chegar ao fim. Já é, aliás, princípio estabelecido: se conseguir a graça, receberei, seguramente, o meu quinhão. Tenho medo de que vossa caridade me venha a prejudicá-lo. Para vós é fácil fazer o que quereis; para mim é difícil alcançar a Deus, se me não poupardes.
            Não quero que agradeis aos homens, mas a Deus, como já o fazeis. Quanto a mim, jamais encontrarei outro tempo mais oportuno de entrar de posse de Deus; quanto a vós, seria o silêncio vossa ação mais meritória. Porque se calardes meu nome, tornar-me-ei palavra de Deus. Se, ao contrário, amardes minha vida carnal, de novo serei apenas som. Não me concedais mais do que ser imolado a Deus, enquanto o altar está preparado. Então, em coro na caridade, cantareis ao Pai em Cristo Jesus, ao Deus que se dignou encontrar o bispo da Síria, chamando-o do nascente ao poente. É bom passar do mundo para Deus, para nele nascer.
www.liturgiadashoras.org

10º Domingo do Tempo Comum: Em Deus encontra-se o perdão!

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
As leituras da missa de hoje mostram a realidade do pecado causado pela desobediência do homem e da mulher à Palavra do Criador, segundo o livro do Gênesis (Gn 3,9-15), assim como, a luta entre o “homem exterior” e o “o homem interior”, conforme Paulo (2Cor 4,16). O Evangelho (Mc 3,20-35) nos apresenta as dificuldades enfrentadas por Jesus para anunciar o Evangelho, em sua cidade, até mesmo entre os seus parentes.
Entretanto, a Palavra de Deus vem proclamar a vitória sobre o pecado por meio de Jesus Cristo. Ela já se encontra prefigurada na passagem do Gênesis que se refere à cabeça da serpente esmagada (Gn 3,15). É anunciada por Paulo, ao proclamar a ressurreição de Jesus e motivar a Comunidade de Corinto a não desanimar jamais. “Por isso, não desanimamos!”, afirma o Apóstolo (2Cor 4,16). Por fim, Marcos nos mostra o poder de Jesus de libertar o homem, perdoando os pecados, razão de ser de nossa força e esperança no combate espiritual.  O tema principal é a misericórdia de Deus que nos perdoa sempre e não o pecado ou o pecador que não crê nem busca o perdão e, por isso, não é perdoado. Em primeiro lugar, está a afirmação de Jesus ressaltando a misericórdia divina: “tudo será perdoado aos homens”. A questão do pecado contra o Espírito Santo põe em relevo a recusa do pecador em admitir a ação do Espírito de Deus nas ações de Jesus, atribuindo-as ao demônio, e por isso, a recusa do próprio perdão. O Catecismo da Igreja Católica afirma que “a misericórdia de Deus não tem limites, mas quem se recusa deliberadamente a acolher a misericórdia de Deus rejeita o perdão de seus pecados” e a ação santificadora do Espírito Santo (n. 1864).
Em resposta à Palavra proclamada, somos convidados a crer em Jesus e nele confiar, fazendo sempre a “vontade de Deus” (Mc 3,35). Somos chamados a imitar Jesus, na sua fidelidade ao Pai até a morte de cruz. Na raiz do pecado, do pecado de Adão e Eva, do pecado de cada um de nós, está a desobediência à Palavra de Deus, trazendo sempre consequências desastrosas. Há tantos e tão graves males no mundo que resultam de nossas escolhas erradas, do egoísmo, do orgulho e do fechamento à vontade de Deus. Porém, em Cristo, temos a graça do perdão e da reconciliação, a oportunidade de um coração novo e de uma vida nova. Que o cumprimento fiel da Palavra de Deus, na vida cotidiana, nos permita dizer com o salmista, a cada dia: “no Senhor ponho a minha esperança, espero em sua Palavra. A minha alma espera no Senhor mais que o vigia pela aurora. Nele, se encontra o perdão!” (Sl 129).
O Povo de Deus/Arquidiocese de Brasília

Papa Francisco adverte: A calúnia te torna a família do diabo

Papa Francisco durante a oração do Ângelus. Foto: Vatican Media
Vaticano, 10 Jun. 18 / 09:32 am (ACI).- Durante a oração do Ângelus deste domingo, 10 de junho, na Praça de São Pedro, no Vaticano, o Papa Francisco assinalou que é fundamental acolher a palavra de Jesus e não se entregar à tentação da calúnia: “Acolher a palavra de Jesus nos torna irmãos entre nós, nos faz família de Jesus. Falar mal dos outros, destruir a fama dos outros, nos faz a família do diabo”.
Além disso, o Pontífice exortou a estar atentos à “semente do mal” da inveja que podem surgir no interior da pessoa. “Se examinando nossa consciência descobrimos que esta semente do mal está germinando dentro de nós, devemos ir rapidamente para confessá-la no sacramento da Penitência, antes que desenvolva e produza seus efeitos malignos”.
“Estejam atentos, porque esta atitude destrói as famílias, as amizades, a comunidade e, por último, a sociedade”.
O Papa recordou que os ataques dos escribas a Jesus, que o acusavam de endemoniado, eram por causa de sua inveja. “Pode acontecer que uma forte inveja pela bondade e pelas boas obras de uma pessoa possa levar a acusá-la falsamente. Aqui há um veneno mortal: a maldade com a qual, de forma premeditada, se quer destruir a boa fama do outro. Deus nos livre desta terrível tentação!”.
Nesse sentido, explicou que “os escribas eram homens instruídos nas Sagradas e encarregados de explicá-las ao povo. Alguns deles foram enviados de Jerusalém a Galileia, onde a fama de Jesus começava a se difundir, para desacreditar o Senhor diante dos olhos das pessoas”.
“Esses escribas chegaram com uma acusação concreta e terrível: ‘Está possuído por Belzebu e, pelo príncipe dos demônios, expulsa os demônio’. De fato, Jesus curava muitos doentes e eles queriam fazer crer que o fazia não com o Espírito de Deus, mas com o do maligno, com a força do diabo”.
Diante dessas acusações dos escribas, “Jesus reage com palavras fortes e claras. Não tolera isso porque aqueles escribas, talvez sem saber, estavam caindo no pecado mais grave: negar e blasfemar contra o Amor de Deus que está presente e atua em Jesus. É o pecado contra o Espírito Santo, único pecado imperdoável, porque parte de um fechamento do coração à misericórdia de Deus que age em Jesus”.
Por outro lado, o Evangelho deste domingo apresenta também a incompreensão dos parentes de Jesus, que “estavam preocupados porque sua nova vida itinerante lhes parecia uma loucura. De fato, Ele se mostrava tão disponível com as pessoas, sobretudo com os doentes e pecadores, que não tinha tempo nem para comer”.
“Jesus era assim: primeiro, as pessoas; servir às pessoas, curar as pessoas, ajudar as pessoas, ensinar as pessoas e não tinha tempo nem para comer”.
Então, os familiares de Jesus “decidiram levá-lo a Nazaré. Chegaram ao lugar onde Jesus estava pregando e mandam chamá-lo. Assim, disseram-lhe: ‘Tua mãe e teus irmãos estão lá fora e te esperam’. Ele lhes responde: ‘Quem é minha mãe e e quem são meus irmãos?’. E olhando para as pessoas que estavam ao seu redor para escutá-lo, acrescentou: ‘Eia aqui minha mãe e meus irmãos. Porque quem faz a vontade de Deus é para mim minha mãe e meus irmãos’”.
“Jesus – explicou Francisco – formou uma nova família, não é mais fundada nos vínculos naturais, mas é baseada na fé no Senhor, em seu amor que acolhe e que nos une entre nós no Espírito Santo. Todos os que acolhem a palavra de Jesus são filhos de Deus e irmãos entre eles”.
Aquela resposta de Jesus “não é uma falta de respeito com sua mãe e seus familiares. Ao contrário, para Maria, é o maior reconhecimento, porque precisamente ela é a discípula perfeita que obedeceu em tudo a vontade de Deus. Que a Virgem Maria nos ajude a viver sempre em comunhão com Jesus, reconhecendo a obra do Espírito Santo que age nele e na Igreja, regenerando o mundo para uma vida nova”.
ACI Digital

terça-feira, 5 de junho de 2018

Artigo do arcebispo de Passo Fundo fala sobre “jeitinho brasileiro”

Artigo do arcebispo de Passo Fundo fala sobre “jeitinho brasileiro”
Dom Luís Weber - Arcebispo de Passo Fundo (RS) (CNBB)
A primeira edição do livro “Crítica da Razão Tupiniquim” do professor Roberto Gomes chegou ao público em 1977. Segundo o arcebispo de Passo Fundo (RS), dom Rodolfo Luís Weber, o projeto do livro é pensar a “Razão Brasileira”, isto é “pensar o que se é, como se é”. Dom Luís Weber aponta que, desde a primeira edição do livro até hoje, houve alterações no modo de pensar brasileiro, porém muitas das instituições permanecem atuais.
O livro foi inclusive o ponto de partida para o arcebispo escrever o artigo intitulado “A gente dá um jeito”, baseado no mito da concórdia do brasileiro de que tudo “se dá um jeito”. No texto, o bispo afirma que a sociedade tem leis e normas que regulamentam a convivência e o funcionamento social, mas que isso soa como formalismo, legalismo: “Eu sei que esta é a regra, mas não dá para dar um jeito”? “Seu guarda, eu sei que infringi a norma de trânsito, mas porque me multar”?
Destes pequenos jeitos, dom Luís Weber afirma que se chega aos milionários que resultam em grandes corrupções. “As normas são estas, mas para mim ou para aquele grupo são diferentes”, diz em um trecho. O arcebispo também comenta que hoje em dia temos inúmeras regras de fiscalização, seja por legislação ou norma interna, nos processos licitatórios com objetivo de prevenir desvios. Ele cita ainda que vários tribunais analisam os contratos e seu cumprimento e que múltiplos documentos são exigidos. “Com todo o aparato burocrático, a corrupção não diminuiu”, acrescenta.
Em seu artigo, dom Luís Weber concorda com o que diz o professor Roberto Gomes em seu livro – de que o “jeitinho brasileiro” traz efeitos colaterais sérios. Um deles seria a desconfiança. “Quem está falando comigo está sendo transparente? É isto mesmo que quer dizer?”, diz em um trecho.
“Da desconfiança nasce a burocracia”, afirma o bispo. Para ele, múltiplas exigências, muitas descabidas, acrescidas de morosidade, para impedir a transgressão da regra, para controlar o jeitinho. “Para provar que ‘eu sou eu’ preciso de uma série de documentos, repetidos, carimbados para dizer a mesma coisa. Constantemente é preciso provar a minha veracidade e que sou eu mesmo”, garante no artigo.
“Ouvimos com frequência as pessoas reconhecerem que temos muitas e boas leis. Se fossem cumpridas a vida seria mais fácil e tudo funcionaria melhor. O cumprimento das leis, portanto, não pode ser compreendido como formalismo ou legalismo. Seu cumprimento é o respeito aos valores fundamentais da sociedade. O jeito é uma maneira marota de desrespeito aos valores maiores”, finaliza o bispo no artigo.
CNBB

domingo, 3 de junho de 2018

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

(Lib. 1,1.1-2.2; 5,5: CCL 27,1-3)    (Séc.V)

Inquieto está o nosso coração,
enquanto não repousa em ti
        Grande és tu, Senhor, e sumamente louvável: grande é a tua força, e a tua sabedoria não tem limites! Ora, o homem, esta parcela da criação, quer te louvar, este mesmo homem carregado com sua condição mortal, carregado com o testemunho de seu pecado e como testemunho de que resistes aos soberbos. Ainda assim, quer louvar-te o homem, esta parcela de tua criação! Tu próprio o incitas para que sinta prazer em louvar-te. Fizeste-nos para ti e inquieto está nosso coração, enquanto não repousa em ti.  
        Dá-me, Senhor, saber e compreender o que vem primeiro: o invocar-te ou o louvar-te? Começar por conhecer-te ou por invocar-te? Mas quem te invocará sem te conhecer? Por ignorância, poderá invocar alguém em lugar de outro. Será que é melhor seres invocado, para seres conhecido? Como, porém, invocarão aquele em quem não creem? ou como terão fé, sem anunciante?
        Louvarão o Senhor aqueles que o procuram. Quem o procura encontra-o e tendo-o encontrado, louva-o. Buscar-te-ei, Senhor, invocando-te; e invocar-te-ei, crendo em ti. Tu nos foste anunciado; invoca-te, Senhor, a minha fé, aquela que me deste, que me inspiraste pela humanidade de teu Filho, pelo ministério de teu pregador. Invocarei o meu Deus, o meu Deus e Senhor: mas como? Porque ao invocá-lo eu o chamarei para dentro de mim. Que lugar haverá em mim, aonde o meu Deus possa vir? Aonde virá Deus em mim, o Deus que fez o céu e a terra? Há, então, Senhor, meu Deus, algo em mim que te possa conter? O céu e a terra, que fizeste e nos quais me fizeste, são eles capazes de te conter? Ou, se sem ti nada existiria de quanto existe, é porque tudo quanto existe te contém?
            Portanto eu, que também existo, que tenho de pedir tua vinda em mim, em mim que não existiria se não estivesses em mim? Ainda não estou nas profundezas da terra e, no entanto, ali também estás. Pois, mesmo que desça às profundezas da terra, ali estás. Não existiria, pois, meu Deus, de forma alguma existiria, se não estivesses em mim. Ou melhor, não existiria eu se não existisse em ti, de quem tudo, por quem tudo, em quem todas as coisas existem? É assim, Senhor, é assim mesmo. Para onde te chamo, se já estou em ti? Ou donde virás para mim? Para onde me afastarei, fora do céu e da terra, para que lá venha a mim o meu Deus, que disse: Eu encho o céu e a terra?
        Quem me dera descansar em ti! Quem me dera vires a meu coração, inebriá-lo a ponto de esquecer os meus males, e abraçar-te a ti, meu único bem! Que és para mim? Perdoa-me, se falo. Que sou eu a teus olhos, para que me ordenes amar-te e, se não o fizer, te indignares e ameaçares com imensas desventuras? É acaso pequena desventura não te amar?
           Ai de mim! Dize-me, por compaixão, Senhor meu Deus, o que és tu para mim. Dize à minha alma: Sou tua salvação. Dize de forma a que ela te escute. Os ouvidos de meu coração estão diante de ti, Senhor. Abre-os e dize à minha alma: Sou tua salvação. Correrei atrás destas palavras e segurar-te-ei. Não escondas de mim tua face. Morra eu, para que não morra, e assim possa contemplá-la!

9º Domingo do Tempo Comum: Jesus é o Senhor!

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
Tendo sido concluído o Tempo Pascal e celebrada a solenidade da Santíssima Trindade, retomamos a leitura do Evangelho segundo Marcos, proposto pela Igreja para os Domingos do Tempo Comum deste Ano Litúrgico.

Para o povo de Israel, o sábado recordava a libertação da escravidão do Egito e a passagem para uma nova terra e uma vida nova. Contudo, uma interpretação legalista fez prevalecer observâncias rituais e outros preceitos, deixando em segundo plano as exigências maiores da Palavra de Deus, como a caridade com os enfermos e sofredores.  Jesus vem resgatar o sentido genuíno do dia do Senhor realizando, no sábado, gestos de misericórdia, como a cura do homem de mão atrofiada narrada por Marcos. Jesus declara que “o sábado foi feito para o homem e não o homem para o sábado”, colocando em primeiro lugar a pessoa humana, sua vida e dignidade.

As comunidades cristãs passaram a celebrar o dia do Senhor no domingo, dia da ressurreição de Jesus. Contudo, também hoje há o perigo de perder ou desvirtuar o sentido do domingo, dia do Senhor. Por isso, é importante refletir a respeito do sentido que temos dado ao domingo e o modo como temos vivido o Dia do Senhor. É preciso resgatar o sentido genuinamente cristão do domingo que inclui a participação na celebração eucarística, a missa dominical, assim como o amor ao próximo, dentre outras atitudes. O dia do descanso, o repouso dominical, não deve ser concebido de modo consumista. O domingo deve ser uma ocasião privilegiada para participação na comunidade, para a convivência em família e para a caridade voltada para os irmãos que mais sofrem.  Deve ser o dia da família e o dia da comunidade. O fato de tantas familías estarem fragilizadas não deve ser desculpa para não se aproveitar as ocasiões e criar momentos de convivência fraterna e de oração conjunta. O domingo não pode ser tempo para instalar-se comodamente no “Egito”, mas ocasião de passagem para uma vida nova, onde continuam a ter sentido a convivência em família, a amizade, o estar juntos com os irmãos, o serviço à comunidade e a caridade com os pobres e enfermos.  É dia para santificação e não para o pecado; dia para restaurar relacionamentos baseados no amor fraterno, na misericórdia e no diálogo; dia de louvor a Deus na Eucaristia e na vida.

Para tanto, necessitamos reconhecer Jesus como Senhor: Senhor do sábado, do trabalho e do descanso,  Senhor da vida e da família, Senhor nas alegrias e dores.

O Povo de Deus/Arquidiocese de Brasília

São Carlos Lwanga e companheiros mártires de Uganda

REDAÇÃO CENTRAL, 03 Jun. 18 / 05:00 am (ACI).- Carlos Lwanga e José Mkasa, junto com 20 companheiros, foram martirizados entre os anos 1885 e 1887 em Uganda, por ter formado a sociedade dos Missionários da África, conhecida como os Padres Brancos, que se encarregou da evangelização desse continente durante o século XIX.

Em 3 de junho de 1886, doze deles foram queimados vivos juntos a outros 20 anglicanos, porque se negaram a renunciar a sua fé. Os outros 10 mártires foram esquartejados.
No começo do apostolado, os Padres Brancos se encarregaram da região de Uganda como parte do Vicariato do Nilo superior (1878). Conseguiram entrar na região e obter muitos neófitos.
O próprio rei, chamado Mtesa, a princípio, favoreceu os missionários, mas depois, por medo de que a nova religião fosse um obstáculo para o comércio de escravos que ele mantinha, obrigou-os a se afastar.
Tempos depois, foi sucedido no trono por seu filho Muanga, que foi amigo dos cristãos. Entretanto, aquele panorama se complicaria novamente.
O líder da comunidade católica, que na época tinha 200 membros, era um jovem de 25 anos chamado José Mkasa (Mukasa), que trabalhava como mordomo da corte de Muanga. O rei mandou mata-lo por confrontar uma decisão sua.
José disse aos carrascos: “Um cristão que entrega sua vida por Deus não tem medo de morrer”. Foi queimado em 15 de novembro de 1885.
Os cristãos, longe de ficarem com medo, continuaram com suas atividades. Por sua parte, Carlos Lwanga, favorito do rei, substituiu José como chefe da comunidade cristã e suas orações conseguiram com que Muanga desistisse das perseguições por 6 meses.
Em maio do ano seguinte, a violência se desencadeou. Os cristãos foram capturados e chamados diante do rei. Este lhes perguntou se tinham a intenção de seguir sendo cristãos. “Até a morte!”, responderam. O rei ordenou que fossem executados em um lugar chamado Namugongo, a 60 quilômetros de distância.
Carlos Lwanga, Andrés Kagwa e outros 20 jovens foram beatificados em 6 de junho de 1920 pelo Papa Bento XV. Posteriormente, foram canonizados por Paulo VI em 18 de outubro de 1964.
ACI Digital

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF