Tom
Hoopes - publicado em 03/03/26
Assim como Maria nos ensina a viver o Advento, José é um
símbolo e um companheiro para a Quaresma.
Na tradição da Igreja, março é dedicado a São José — e no
calendário litúrgico, a Quaresma ocorre principalmente em março. Isso faz de
José o nosso guia quaresmal a cada ano. Faz todo o sentido. Ele é um guia
quaresmal da mesma forma que a Virgem Maria é a “Mulher do Advento”.
Maria nos mostra como receber Cristo no Advento
O Advento é sobre receptividade, e isso faz de Maria “a
Virgem do Advento”, como disse São João Paulo II.
Enquanto aguardamos a vinda de Cristo, a Igreja nos
direciona repetidamente às virtudes marianas: a Imaculada Conceição, que
celebra sua impecabilidade em 8 de dezembro; a (nova) festa de Nossa Senhora de
Loreto, em 10 de dezembro, que celebra o lar que ela preparou para Jesus; e a
Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, em 12 de dezembro, que celebra como ela
preparou o Novo Mundo para Cristo em 1531.
Maria nos mostra como preparar um lugar para Jesus em nossas
vidas, assim como ela fez no mundo.
Mas se o Advento é sobre a “ausência de Cristo”, quando
lemos sobre o anseio dos profetas por Cristo, a Quaresma é sobre a “plenitude
de Cristo”, quando esperamos com Jesus Cristo no deserto, caminhamos com Ele
pelo Caminho da Cruz e nos preparamos para a Sua vitória final na Páscoa.
Da mesma forma, São José nos mostra como manter Cristo
na Quaresma.
Enquanto o Advento é o tempo da receptividade, a Quaresma é
o tempo da custódia — onde cuidamos, guardamos e protegemos o grande dom de
Cristo em nossas vidas. Esperamos por Cristo no Advento, mas esperamos com
Cristo na Quaresma. Cristo veio e nos pediu que permanecêssemos com Ele até o
fim.
Não há modelo melhor para isso do que São José. A festa de
São José, em 19 de março, é a de Esposo de Maria, quando celebramos o
construtor de Nazaré que primeiro teve que mudar sua vida porque Jesus havia
vindo ao mundo.
Quando o Evangelho diz “O Verbo se fez carne e habitou entre
nós”, o grego na verdade diz que ele “tabernaculou entre nós”. Em outras
palavras, o Verbo entrou na família de José, viveu na casa de José e se confiou
aos seus cuidados. No Antigo Testamento, Davi se ofereceu para construir uma
casa para Deus, mas Deus recusou. Mas José, da casa de Davi, construiu uma casa
para Jesus, e sua própria casa se tornou um Santo dos Santos, abrigando o
próprio Deus.
Essa é a nossa tarefa na Quaresma: sermos melhores guardiões
do dom de Cristo, moldando nossa casa de acordo com as suas necessidades.
José também foi o modelo do sacrifício de Cristo
O outro foco principal da Quaresma é a Paixão de Cristo. Ao
tomarmos a nossa cruz e seguirmos Jesus, São José é, mais uma vez, o nosso
modelo. Toda a sua vida foi dedicada ao sacrifício, à oração e à doação de si,
enquanto vivia um casamento celibatário literalmente centrado em Cristo e
respondia obedientemente ao Senhor que o chamava repetidamente.
Mas ele também foi um modelo da Paixão de outra forma,
segundo Madre Teresa. “São José é o exemplo mais maravilhoso!”, disse ela.
“Quando ele percebeu que Maria estava grávida, ele só precisava fazer uma
coisa: ir até o sacerdote e dizer: ‘Minha esposa teve um filho, não é meu.’…
Eles a teriam apedrejado; essa era a regra.” Em vez disso, segundo Madre
Teresa, “ele decidiu: ‘Vou fugir.’ E a regra era que… se ele fugisse e deixasse
sua esposa grávida, eles o apedrejariam.”
Se era isso que José tinha em mente — e faz sentido —,
então, a cada março, comemoramos o homem na vida de Jesus que foi um modelo de
assumir os pecados de seus entes queridos.
Por fim, São José é o modelo do homem virtuoso que a
Quaresma existe para nos ajudar a nos tornarmos.
O Evangelho de Mateus identifica José como um homem “justo”
ou “íntegro”. O Papa Bento XVI destacou que o público judeu de Mateus saberia
como um “homem justo” é definido — pelo Salmo 1.
Diz: “Bem-aventurado o homem que não anda segundo o conselho
dos ímpios… cujo prazer é a lei do Senhor, e que medita na sua lei dia e
noite”. Pense nisso como uma descrição de São José, um homem forte, silencioso
e firme, que não diminuiu Maria e Jesus, mas os complementou, “como uma árvore
plantada junto a ribeiros de águas, que dá o seu fruto no tempo certo”.
A carta do Papa Francisco sobre São José celebra todos
aqueles que, como José, são: “pessoas comuns, pessoas muitas vezes esquecidas.
Pessoas que não aparecem nas manchetes dos jornais e revistas, ou no último
programa de televisão, mas que, nestes mesmos dias, certamente estão moldando
os eventos decisivos da nossa história”.
A Quaresma é o tempo de moldar os nossos corações nas
virtudes de José, moldando o futuro sem alarde, para Cristo.









