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quarta-feira, 22 de maio de 2024

Baby Boomers, gerações X, Y e Z: como lidar com a diversidade geracional no trabalho

Conflito de gerações requer estratégias específicas de liderança. Foto: Shutterstock

Escrito por Delania Santos / 22 de Maio de 2024.

Delania Santos

Atualmente, o mercado de trabalho é um verdadeiro caldeirão de diversidade geracional, com profissionais das gerações Baby Boomers, X, Y (ou Millennials) e Z convivendo lado a lado. Essa variedade traz à tona uma série de diferenças, mas também muitas oportunidades de aprendizado e inovação. Embora desafiador, é possível e benéfico lidar com essa diversidade e transformá-la em vantagem competitiva.

A convivência dessas gerações no ambiente corporativo pode, por vezes, trazer desafios de comunicação e entendimento, devido a diferentes perspectivas e modos de trabalho. No entanto, as empresas que conseguem harmonizar essas diferenças se beneficiam de uma força de trabalho diversificada e dinâmica.

Ao fomentar a colaboração intergeracional, líderes podem adaptar estratégias de gestão e comunicação que atendam às necessidades e expectativas de cada grupo, criando um ambiente de trabalho colaborativo e inclusivo, onde a excelência dos Baby Boomers, a experiência dos profissionais da Geração X, a adaptabilidade dos Millennials e a fluência tecnológica da Geração Z se complementem, resultando em uma força de trabalho mais inovadora e resiliente.

Baby Boomers: fazer o essencial com excelência

Os Baby Boomers, nascidos entre 1946 e 1964, viveram em um período de escassez e foram criados com muita rigidez e disciplina. No ambiente de trabalho, isso se manifesta em sua forte ética de trabalho, dedicação e lealdade às empresas.

Eles valorizam estabilidade e tendem a preferir estruturas hierárquicas bem definidas. Exemplos específicos incluem sua preferência por reuniões presenciais e bem estruturadas, além de valorizarem um feedback formal e reconhecimentos públicos pela sua longa experiência e contribuições.

Geração X: experiência e estabilidade

Nascidos entre 1965 e 1980, os profissionais da Geração X valorizam a estabilidade no emprego e tendem a ser mais leais às empresas. Eles têm uma abordagem pragmática e orientada para resultados, com habilidades de resolução de problemas adquiridas ao longo de carreiras diversificadas.

No ambiente de trabalho, isso se traduz em uma maior adaptabilidade a mudanças organizacionais e em serem vistos como mentores naturais. Eles frequentemente assumem papéis de liderança intermediária e atuam como ponte entre as gerações mais antigas e as mais novas, promovendo a continuidade e a tradição nas organizações.

Geração Y (Millennials): adaptabilidade e inovação

A Geração Y (Millennials), nascida entre 1981 e 1996, cresceu em um período de rápidas mudanças tecnológicas, o que os torna proficientes em novas tecnologias e ferramentas digitais.

Eles valorizam a flexibilidade no trabalho e priorizam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. No ambiente de trabalho, isso se manifesta em sua preferência por horários flexíveis e a possibilidade de trabalho remoto.

Além disso, a busca por propósito e impacto social se reflete em sua tendência a escolher empregadores que adotam práticas sustentáveis e socialmente responsáveis. Exemplos incluem sua iniciativa em implementar soluções tecnológicas inovadoras e sua participação em projetos de responsabilidade social corporativa.

Geração Z: nativos digitais e diversidade

A Geração Z, composta por indivíduos nascidos entre 1997 e 2010, é a primeira a crescer completamente imersa no mundo digital. Como nativos digitais, eles trazem uma fluência tecnológica inata, favorecendo o uso de plataformas e ferramentas inovadoras.

No ambiente de trabalho, isso se manifesta em sua facilidade com tecnologias emergentes e sua expectativa de que as comunicações e processos sejam rápidos e eficientes. Eles também valorizam muito a diversidade e a inclusão, buscando ambientes de trabalho que reflitam essas prioridades. Exemplos específicos incluem o uso intensivo de ferramentas de colaboração online e a demanda por políticas claras de diversidade e inclusão.

Estratégias para liderar a diversidade geracional

Com um cenário que mistura excelência, experiência, inovação e nativos digitais, o que um líder pode fazer na prática para potencializar o melhor de cada grupo e, ao mesmo tempo, integrar harmonicamente essas gerações? Considerando que o líder pertence a uma geração específica, reconhecer e aceitar suas próprias limitações é o primeiro passo.

Em seguida, é fundamental identificar as diferenças fundamentais entre sua própria geração e as que compõem a equipe. Com essa compreensão em mente, o líder pode adotar um modelo de gestão consciente e flexível, visando a criar um ambiente de trabalho inclusivo e dinâmico. Algumas estratégias-chave incluem:

·         Personalizar a comunicação: adapte seu estilo de comunicação para atender às preferências de cada geração. Por exemplo, os Baby Boomers podem preferir uma reunião bem estruturada com pauta e registro de encaminhamentos, enquanto a Geração X pode preferir e-mails e reuniões presenciais. Já os Millennials e a Geração Z podem responder melhor a mensagens instantâneas e ferramentas de colaboração online. Para assuntos que envolvam toda a equipe, intercale momentos presenciais e remotos, atendendo a todos. Deixe claro o seu modelo de gestão para o time, assim eles entenderão que também precisam flexibilizar suas preferências em prol dos colegas.

·         Promover a mentoria cruzada: incentive a troca de conhecimentos entre as gerações, criando programas de mentoria nos quais os profissionais mais experientes podem compartilhar sua sabedoria e os mais jovens podem introduzir novas tecnologias e práticas inovadoras. Valorize publicamente o que cada geração pode contribuir com a outra.

·         Oferecer flexibilidade: reconheça a importância da flexibilidade no local de trabalho, especialmente para Millennials e a Geração Z, que valorizam o equilíbrio entre vida profissional e pessoal. Considere horários flexíveis e a possibilidade de trabalho remoto.

·         Valorizar a diversidade e a inclusão: crie um ambiente inclusivo onde todos os funcionários, independentemente de sua geração, se sintam valorizados e respeitados. Isso é particularmente importante para a Geração Z, que prioriza esses valores.

·         Fomentar o desenvolvimento contínuo: programas de capacitação, workshops e acesso a novos conhecimentos são essenciais para manter todas as gerações engajadas e atualizadas. Por exemplo, os Baby Boomers podem valorizar treinamentos relacionados a tecnologia no formato presencial, enquanto os Millennials e a Geração Z podem preferir cursos online e workshops interativos.

·         Reconhecer e recompensar diferentemente: entenda o que motiva cada geração e adapte seus programas de reconhecimento e recompensa. Enquanto Baby Boomers e Geração X valorizam recompensas financeiras e segurança no emprego, Millennials e a Geração Z podem se sentir mais valorizados com reconhecimento público, oportunidades de crescimento e projetos significativos.

A cultura organizacional pode ser um grande facilitador para a atuação do líder ou o principal gargalo. Se a empresa optou por ter um ambiente diverso, é imprescindível criar políticas e estratégias que facilitem a atuação eficaz do líder. Com uma liderança adaptativa, as empresas podem transformar a diversidade geracional em uma poderosa vantagem competitiva.

Nesta coluna, trarei para você assuntos relacionados a carreira, liderança, coaching e tendências sobre esses temas. Contribua deixando sua pergunta ou sugerindo um tema de sua preferência, comentando este post ou enviando mensagem para o meu Instagram: @delaniasantosds. Inscreva-se no canal do YouTube: @delaniasantosds.

Será maravilhoso ter você comigo nesta jornada. Até a próxima!

*Este texto reflete, exclusivamente, a opinião da autora.

Fonte: https://diariodonordeste.verdesmares.com.br/

Enquanto Papa e Vaticano trabalham pela paz, o mundo atinge recorde em vendas de armas

Os Países Mais Proeminentes No Mercado De Armas São Os Estados Unidos E Outros Membros Da OTAN. Foto: Terceira Via 

A investigação do SIPRI sobre armas e despesas militares também monitoriza o progresso das despesas militares em todo o mundo, com dados muito completos e consistentes e uma extensa base de informações publicamente disponíveis sobre despesas militares.

Compartilhe esta entrada (ZENIT News / Roma, 20/05/2024).- Os gastos com armas aumentaram em todo o mundo, segundo o relatório do Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI). Destaca que os aumentos significativos ocorrem na Europa, Ásia, Oceania e Médio Oriente. Os países mais proeminentes no mercado de armas são os Estados Unidos e outros membros da OTAN.

O SIPRI é um instituto de estudos estratégicos fundado em 1966 a pedido de Tager Erlander, primeiro-ministro da Suécia, para comemorar 150 anos de paz ininterrupta no seu país. Desde então, o SIPRI tem realizado estudos científicos sobre cooperação e conflitos armados para contribuir para a criação das condições necessárias à sua resolução e melhorar a paz.

No relatório publicado em Estocolmo em 22 de abril de 2024, o crescimento dos gastos com armamento é observado pelo nono ano consecutivo. Os 2.443 biliões de dólares marcam o valor mais elevado alguma vez alcançado, o que representa 2,3% do produto interno bruto (PIB) mundial.

A OTAN investiu 55% da despesa total. O crescimento foi realizado em cinco regiões geográficas do mundo, com os maiores gastos por parte dos Estados Unidos e da OTAN. A guerra é um negócio muito lucrativo com grandes investimentos.

A investigação do SIPRI sobre armas e despesas militares também monitoriza o progresso das despesas militares em todo o mundo, com dados muito completos e consistentes e uma extensa base de informações publicamente disponíveis sobre despesas militares.

O aumento dos armamentos provém da guerra na Ucrânia, segundo o relatório, que “alterou radicalmente as perspectivas de segurança dos Estados europeus”. Muitos membros da União Europeia aumentaram os seus gastos com armas, mesmo em estados onde governam partidos anti-guerra, como a Espanha ou a Alemanha.

Há também um crescimento significativo de armas em países da Ásia, da Oceania e do Médio Oriente. O documento aponta que “infelizmente, em nenhum lugar do mundo houve qualquer melhoria”.

Os dados do SIPRI colocam a Rússia em terceiro lugar em termos de gastos no mundo: alocou 102 mil milhões de euros, 4,5% do seu PIB global, 24% mais que no ano anterior. A Ucrânia, o oitavo maior investidor mundial em armas, aumentou os gastos em 51%, 60 mil milhões de euros, um terço do seu PIB. Kiev recebeu 32 mil milhões de euros em ajuda militar, aproximando-se dos gastos de Moscovo.

Os 31 membros da NATO investiram 1,341 mil milhões de dólares, 55% dos gastos militares globais em 2023. Os Estados Unidos aumentaram 2,3%, atingindo 916 mil milhões de dólares no ano passado: 68% dos gastos totais da NATO em armas. A maioria dos membros europeus da NATO aumentou os gastos militares em 28%. Os 4% restantes vieram do Canadá e da Turquia.

Lorenzo Scarazzato, investigador do SIPRI, comentou: “Para os estados europeus da NATO, os últimos dois anos de guerra na Ucrânia mudaram fundamentalmente as perspectivas de segurança. Esta mudança na percepção da ameaça reflete-se numa proporção crescente do PIB destinada a despesas militares. E a meta de 2% da OTAN é cada vez mais vista como uma base e não como um limiar a atingir.

Os gastos com armas no Médio Oriente cresceram 9% numa década. A Arábia Saudita é o país que mais investiu, seguida por Israel, com aumentos de gastos superiores a 24%. A ofensiva na Faixa de Gaza após os ataques do Hamas em Outubro passado teve influência, segundo o SIPRI: “O grande aumento dos gastos militares no Médio Oriente em 2023 reflete a rápida evolução da situação na região, desde a melhoria da situação diplomática relações entre Israel e vários países árabes nos últimos anos, até à eclosão de uma grande guerra em Gaza e ao medo de um conflito regional.

Outro crescimento notável nas despesas militares verifica-se no Extremo Oriente: China com 278 mil milhões de euros, crescendo 6%; Japão com 50,2 mil milhões de dólares com um aumento de 11%; e Taiwan com 16,6 mil milhões de dólares, um aumento de 11%.

A Índia foi o quarto maior gastador militar do mundo, com 83,6 mil milhões de dólares, crescendo 4,2% em 2023. A República Democrática do Congo gastou 105% mais e o Sudão do Sul 78%.

É oportuno recordar a mensagem de Natal de 2023 do Papa Francisco, onde denunciou o escândalo dos gastos com armas num mundo onde as pessoas morrem de fome: As pessoas “não querem armas, mas pão”. O apelo à paz tem sido uma constante nestes últimos anos do Pontificado de Francisco. E a diplomacia do Vaticano também seguiu nessa direção.

Fonte: https://es.zenit.org/

CNBB lança campanha "É Tempo de Cuidar do Rio Grande do Sul"

É tempo de cuidar do RS (cnbb)

CNBB LANÇA CAMPANHA “É TEMPO DE CUIDAR DO RS” COM AÇÕES DE ORAÇÃO, SOLIDARIEDADE E INFORMAÇÃO

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) lança a campanha “É Tempo de Cuidar do Rio Grande do Sul”, com iniciativas de oração, solidariedade e informação da Igreja no Brasil (CNBB) pelo povo do RS.

É tempo de cuidar do RS (CNBB)

A identidade visual resgata a campanha “É tempo de cuidar”, que aconteceu durante a pandemia de Covid-19 e tornou-se um grande momento de envolvimento da Igreja no Brasil na oração e na solidariedade. Agora leva as cores do Rio Grande do Sul.  O desenho de uma pessoa com o coração representa um coração que é sempre repleto da caridade de Cristo.

O  bispo auxiliar de Brasília e secretário-geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), dom Ricardo Hoepers, no vídeo, abaixo, apresenta a Campanha e faz um apelo para a Igreja no Brasil se unir no cuidado ao Rio Grande do Sul.

Veja o vídeo na íntegra:

 https://youtu.be/iaP9nPrZPzI

Eixos da Campanha

Oração – Este eixo buscará incentivar e promover momentos permanentes de oração na CNBB e na Igreja no Brasil na intenção do irmãos e irmãs que vivem no Rio Grande do Sul, compreendendo que a oração é sustento espiritual. A campanha vai estimular as pessoas a compartilharem suas inciativas de oração por meio da hashtag #EuRezoPeloRS.

Solidariedade – Neste eixo, a Campanha buscará incentivar gestos concretos de solidariedade como a doação para o PIX do Sul 3 da CNBB e também a divulgação do AJUDARS uma importante ferramenta construída pelas Igrejas do Sul que canalizam e ajudam a integrar as diferentes formas de cooperação e solidariedade do Brasil e no sul do país.

Informação – O eixo da informação buscará produzir e organizar conteúdos e informações corretas, com base na visão de parceiros locais que estão vivendo a realidade de perto; A informação, neste momento, é importantíssima para ajudar a perceber o que está sendo feito e o que pode ser feito para atenuar o sofrimento e a dor dos irmãos e irmãs do RS. É objetivo da campanha também dar visibilidade para as boas práticas e inciativas em curso pela Igreja no Brasil.

Conteúdos para diferentes plataformas

A Assessoria de Comunicação da CNBB está coordenando as ações da Campanha junto a um grupo de comunicadores do Brasil, incluindo a Comissão Episcopal para Comunicação e os 19 regionais da CNBB, a Signis Brasil, a Pascom Brasil e arquidioceses e dioceses com vistas à produção de conteúdos voltados para as televisões e rádios de inspiração católica e redes sociais. O conteúdo será publicado no hot site da Campanha: É tempo de cuidar do RS – CNBB

Pe. Arnaldo Rodrigues, Assessor de Comunicação da CNBB (cnbb)

De acordo com o Assessor de Comunicação da CNBB, padre Arnaldo Rodrigues, a campanha deseja ser coração e mãos solidárias para com a população do Rio Grande do Sul neste tempo de inimagináveis desafios. “Como CNBB queremos apresentar esta campanha, que está baseada num tripé: oração e solidariedade, informação e esperança”.

Padre Arnaldo reforça que a oração e a solidariedade significam duas ações que estão intimamente ligadas (“A fé sem obras é morta” (Tg 2, 17). O segundo item, reflete, faz pensar que existem muitos pontos de informações, e em alguns lugares elas podem dispersar, diluir ou causar insegurança para os que querem colaborar a distância.

Deste modo, por meio da CNBB, uma instituição de credibilidade, o Assessor de Comunicação da Conferência explica que a Campanha quer ser um ponto de referência, unindo informações de diversos lugares do RS, especialmente do Regional Sul 3, para compartilhar com os que procuram

“A esperança significa todo esse caminho de sustento psicológico e espiritual. Devemos ajudar a população do RS com iniciativas e mensagens de esperança e ânimo e com todas as iniciativas que precisam manter-se vivas, pois temos muito ainda por fazer”, motiva padre Arnaldo.

O hot site organizado pela ASCOM CNBB se propõe a ser uma ferramenta de integração e divulgação da campanha na crença de que a oração, a solidariedade e a informação corretas  possam gerar Esperança para quem, neste momento, encontra-se marcado pela dor e desalento.

Como doar?

ASCOM (cnbb)

 Fonte: https://www.cnbb.org.br/

A Bem-Aventurada Virgem Maria e a Busca da Unidade (4)

A Bem-Aventurada Virgem Maria (Opus Dei)

A Bem-Aventurada Virgem Maria e a Busca da Unidade

Ervino Schmidt

Teólogo*

5. Dois novos dogmas marianos: imaculada conceição e assunção ao céu

Surgem novos dogmas marianos. Entende-se que todos eles são desenvolvimento das afirmações contidas no Novo Testamento e nas confissões da igreja antiga a respeito da concepção pelo Espírito Santo e do nascimento virginal. O nascimento virginal já havia sido ampliado no sentido de Maria semper virgo. Um passo além e então a afirmação da imaculata conceptio. Em 1854 o Papa Pio IX proclama: por singular privilégio da graça de Deus Todo-Poderoso, com vistas aos méritos de Jesus Cristo, salvador do gênero humano, desde o primeiro instante da sua conceição, foi preservada imune do labéu do pecado original… (7)  Maria é totalmente sem pecado. Ela está livre de qualquer mancha do pecado original. Isto para ouvidos protestantes soa como de difícil conciliação com a Sagrada Escritura, pois são muito habituados com a teologia paulina e, sobretudo, com a constatação em Rm 3.10: Não ha justo, nem sequer um. Não ha distinção, pois todos pecaram e carecem da glória de Deus (v.23). Tem-se a impressão que, no fundo, Maria não fazia parte do gênero humano.

Cem anos mais tarde, já no nosso século, surgiu o quarto dogma mariano. Em 1950 o Papa Pio XII proclama a glorificação de Maria: no fim de sua vida terrena, a imaculada Mãe de Deus e sempre Virgem Maria foi levada com corpo e alma para a celeste glória. (8)

Para as igrejas da Reforma essa doutrina é estranha ao Evangelho. Ela espelha uma indevida glorificação da natureza humana. Maria é destacada da comunhão dos santos, é elevada para a celeste glória e colocada junto ao Filho. Desta forma ela é co-redentora e mediadora de todas as graças.

Estes dois novos dogmas são realmente problemáticos e são um empecilho para o diálogo ecumênico sobre o papel de Maria na história da salvação. Ulrich Wilckens, renomado professor de teologia evangélica diz: Ambos os dogmas baseiam-se exclusivamente em uma tradição constitutiva extra e pós-biblica. Isso ainda pode passar como fundamentação de uma piedade mariana do alvitre de cada um. Porém, ao elevá-los a dogma, o magistério eclesiástico pôs-se acima da Escritura e exerceu coação sobre as consciências. Com isso, o magistério impulsionou uma piedade mariana que (…) obscurece a visão sobre Cristo, mediador único entre Deus e o homem. (9)

Na concepção evangélica Maria é exemplo do agir gracioso de Deus. Como tal ilumina a existência cristã, mas não a fundamenta. Ela é ilustração, mas jamais norma da fé. (10)

6. O lugar de Maria na espiritualidade das igrejas evangélicas, hoje

É difícil pintar um quatro preciso. A mesma igreja, em países e culturas diversas, assume atitudes e práticas diferentes quanto ao cultivo da memória de Maria. Mesmo no Brasil, há diferentes ênfases nas diversas igrejas. De modo geral, porém, pode-se dizer que as igrejas da Reforma assumiram as críticas feitas pelos reformadores quanto a invocação dos santos.

Muitas vezes, porém, assumiram somente as críticas e deixaram de perceber a valorização do exemplo dos santos que também faz parte do pensamento da Reforma. Não se recorda os santos que nos antecederam na fé, também são esquecidos os exemplos de fé e os mártires de hoje. Mas o povo que ignora os exemplos verdadeiros de seu passado, torna-se sem raízes, sem identidade. Não se respeita o que se diz em Hebreus (13.7): Lembrai-vos dos vossos guias que vos pregaram a palavra de Deus, considerando atentamente a sua maneira de viver e imitando a fé que tiveram. Em datas especiais são lembradas unicamente as figuras dos próprios Reformadores.

Quanto a Maria, ela é mencionada quando se recita os credos (Apostólico e Niceno) e na época de Natal. A Igreja Luterana tem belas canções natalinas nas quais se destaca o nascimento virginal de Jesus. Eis alguns exemplos: Menino lindo vos nasceu, Maria foi que à luz o deu;… (HPD, 16) ou ainda: Louvado sejas, O Jesus! Resplandece o céu em luz. Da Virgem nasceu em Belém; os anjos cantam: Cristo vem! Aleluia (HPD, 18). Mas a Igreja Luterana não tem hinos mariológicos. Maria não aparece no calendário litúrgico e no lecionário. Uma posição especial, neste particular, ocupa a Igreja Anglicana. Luiz Caetano Grecco Teixeira, teólogo anglicano, a meu pedido, escreveu um artigo com o titulo: A Bem-Aventurada Virgem Maria no Anglicanismo. Basicamente passo a reproduzir aqui, alguns pensamentos expressos neste seu artigo.

O Livro de Oração Comum da Igreja Episcopal Anglicana do Brasil, aprovado pelo Sínodo Geral em 1984, registra as seguintes festas marianas: Anunciação (25 de março); Visitação (31 de maio); Bem-Aventurada Virgem Maria, Mãe de nosso Senhor Jesus Cristo (15 de agosto) e Natividade da Bem-Aventurada Virgem Maria (8 de setembro). Todas as festas têm seus próprios ordinários para a Eucaristia. No Hinário Episcopal, há mesmo um hino mariano.

A Bem-Aventurada Virgem Maria (Opus Dei)

Virgem Maria

1. Honra demos a Maria
Virgem bem-aventurada;
Adoremos a seu filho,
Luz do céu a nós mandada.
Deus Menino veio a Terra,
Virgem-mãe lhe deu beleza,
Fez-se carne o eterno Verbo
Nossa é dele a natureza.

2. Honra ao filho de Maria!
Em seu lar de piedade,
Nem pobreza nem fadiga
Nele impedem a bondade.
Seu amor à mãe bendita
é constante, puro e forte;
Se deveres os separam,
Nela pensa até na morte.

3. Toda a glória ao Pai se oferta
Toda glória ao Filho seja,
Toda glória ao Paracleto
Cante sempre a santa Igreja.
Essa mesma trilogia,
Lá no Céu, Maria entoa,
Repetida pelos santos,
Pela terra inteira ecoa!

(Hino 107 – Hinário Episcopal)

Mas, Caetano esclarece: Embora o calendário e o lecionário incluam festas marianas, não há culto mariano na Igreja Anglicana; o culto anglicano é exclusivamente cristocêntrico e dirigido a Santíssima Trindade. Maria não ocupa nenhum lugar de destaque na liturgia anglicana, tampouco é invocada ou honrada nos altares. Maria é reverenciada e reconhecida como Mãe de Deus e, como os demais Santos do calendário, como testemunha do Cristo e referência para a vida dos cristãos. Os próprios para as festas marianas estão centrados no Cristo, único Senhor, único Mediador e único Intercessor diante do Pai. Não se dirigem orações nem louvores à Virgem, como não se dirigem orações aos demais Santos. Isso é praticamente uma regra geral.

Podemos concluir que na Igreja Anglicana a Virgem Maria ocupa um lugar de destaque. Mas de modo algum é entendida como mediadora da graça. e tida, como nas demais Igrejas, herdeiras da Reforma como exemplo e modelo de fé, mas não como advogada ou co-operadora na graça.

Bibliografia:

·         ALTHAUS, Paul. Die Chistliche Wahrheit. Gütersloh, 1969, p. 440-443.

·         ALTMAM, Walter. O segundo artigo. In: Proclamar Libertação (Catecismo). São Leopoldo, Sinodal, 1982, p. 99-106.

·         CONFISSÃO DE AUGSBURGO. São Leopoldo, Sinodal, 1980.

·         KIESSIG, Manfred (ed.). Maria, die Mutter unseres Herrn. Lahr, Ernest Kaufmam, 1991.

·         MISSÃO PRESBITERIANA DO BRASIL CENTRAL. O LIVRO DAS CONFISSÕES. São Paulo, 1969.

·         NAVARRO, Juan B. Para compreender o ecumenismo. São Paulo, Loyola, 1995, p. 173-176.

·         PRENTER, Regin. In: Van der Gemeinschaft der Kinder Gottes (uma interpretação do artigo 21). Das Bekenntnis un Augsburg. Erlangen, Martin Luther, 1980.

·         RITSCHL, Dietrich. Berlegungen zur gegenewdrtigen Diskussion über Mariologie. In Ökumenische Rundschau, 31 (1982/4) Frankfurt a Main, Otto Lembeck.

·         STROHL, Henri. In ASTE – Associação dos Seminários Teológicos Evangélicos. O pensamento da Reforma. São Paulo, ASTE, 1993.

·         TAKATSU, Sumio. Dogmas mariológicos e suas implicações. In: ASTE – Associação de Seminários Teológicos Evangélicos (ed.). O Catolicismo Romano: um simpósio protestante. São Paulo, ASTE, s.d.

·         TEIXEIRA, Luís Caetano G. A Bem-aventurada Virgem Maria no Anglicanismo. Policopiado, 1996.

·         WILCKENS, Ulrich. Maria. In: Feiner, Johannes – Vischer, Lucas (eds.). O novo livro da fé. Petrópolis, Vozes, 1976.

Notas:

7. Palestra proferida no Encontro Latino-Americano de Estudos – Curso para Bispos, Ibiuna-SP, 15 a 24/10/96.

8. Walter ALTMANN, Proclamar libertação, Catecismo p. 101.

9. O novo livro da fé, p. 390.

10. Catecismo maior, interpretação do 1º Mandamento

*Mestre em Teologia pela Universidade de Hamburgo (Alemanha), Pastor da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB). Secretário Executivo do Conselho Nacional de Igrejas Cristãs do Brasil (CONIC), em Brasília. Publicado in: (ESPAÇOS 4/2 (1996), p. 119-130)

Fonte: https://ecclesia.org.br/

Papa: a humildade é tudo, a virtude que nos salva do mal

Audiência Geral de 22/05/2024 com o Papa Francisco (Vatican Media)

Na conclusão do ciclo de catequeses sobre os vícios e as virtudes, Francisco dedicou sua reflexão à humildade. Aos fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro para a Audiência Geral desta quarta-feira (22/05), o Pontífice enfatizou: “onde não há humildade, há guerras, discórdias e divisões”.

https://youtu.be/44gWV12CD14

Thulio Fonseca – Vatican News

A reflexão do Papa Francisco nesta quarta-feira, 22 de maio, foi dedicada à humildade. Esta foi a vigésima e última catequese do ciclo sobre os vícios e as virtudes, iniciado na Audiência Geral de 27 de dezembro de 2023. O Santo Padre disse que "a humildade não faz parte das sete virtudes cardeais e teologais, mas está na base da vida cristã”, e enfatizou: 

“Esta virtude é a grande antagonista do mais mortal dos vícios, a soberba. Enquanto o orgulho e a soberba incham o coração humano, fazendo-nos parecer mais do que somos, a humildade traz tudo de volta à dimensão certa: somos criaturas maravilhosas, mas limitadas, com pontos fortes e fracos.”

Bem-aventurados os humildes

Ao recordar das palavras de Jesus, presentes no sermão das bem-aventuranças, o Papa sublinhou: “bem-aventuradas as pessoas que guardam no coração esta percepção da própria pequenez, elas são preservadas de um vício muito feio, a arrogância”.

“Bem-aventurados os que têm um coração pobre, porque deles é o Reino dos céus! Esta é a primeira bem-aventurança apresentada por Jesus, porque é a base das seguintes: de fato, a mansidão, a misericórdia e a pureza de coração surgem daquele sentimento interno de pequenez. A humildade é a porta de entrada para todas as virtudes.”

Fiéis durante a Audiência Geral com o Papa Francisco (Vatican Media)

Maria: exemplo de humildade

Francisco também faz menção às primeiras páginas dos Evangelhos, onde “a humildade e a pobreza de espírito são a fonte de tudo”. E ao recordar o anúncio do Anjo a Maria, o Santo Padre enfatiza que é precisamente de uma jovem pobre e desconhecida que o mundo renasce:

“Deus é atraído pela pequenez de Maria, a qual é antes de tudo uma pequenez interior, e Ele também é atraído pela nossa pequenez, quando a aceitamos.”

De agora em diante, Maria tomará cuidado para não subir ao palco, continua o Papa. “Sua primeira decisão depois do anúncio evangélico é ajudar sua prima. As pessoas humildes não querem sair jamais do seu escondimento.”

Uma virtude sólida 

Segundo o Santo Padre, podemos imaginar que também Maria tenha vivido momentos difíceis, dias em que a sua fé avançava na escuridão, "mas isso não fez vacilar a sua humildade, que era uma virtude granítica", e destacou:

"Quero sublinhar isso, a humildade é uma virtude resistente. A pequenez nos leva à humildade, e também pensamos em Maria, em sua força invencível: é ela quem permanece aos pés da cruz, enquanto se desfaz a ilusão de um Messias triunfante."

Fonte de paz no mundo e na Igreja

Na conclusão da catequese, o Papa reforçou: a humildade é tudo. É o que nos salva do Maligno e do perigo de nos tornarmos seus cúmplices. E a humildade é a fonte da paz no mundo e na Igreja.

"Onde não há humildade, há guerra, há discórdia, há divisão. Deus nos deu um exemplo disso em Jesus e Maria, porque eles são a nossa salvação e felicidade. E a humildade é exatamente a via, o caminho para a salvação."

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Santa Rita de Cássia

Santa Rita de Cássia (A12)
22 de maio
Santa Rita de Cássia

Margarita Lotti nasceu em 1381 na periferia de Roccaporena, perto de Cássia, região da Úmbria na Itália. Era filha única, e foi apelidada de “Rita”. Seus pais eram humildes camponeses, iletrados, mas ensinaram-lhe a Fé e lhe proporcionaram uma boa educação num colégio dos agostinianos, em Cássia. Ela ouvia histórias dos santos, e desenvolveu a devoção à Nossa Senhora, São João Batista, Santo Agostinho e São Tolentino, aos quais escolheu como protetores.

Criança, manifestou vocação religiosa, mas obedecendo aos pais casou-se em 1385. Seu marido, Paolo Ferdinando de Mancino, revelou-se agressivo, violento, alcoólatra e infiel. Mas sua paciência, resignação, caridade e orações acabaram por convertê-lo ao longo do tempo, e de tal forma que outras mulheres casadas vinham se aconselhar com ela.

Mas os desmandos da vida anterior de Paolo deixaram inimizades sérias, e ele foi assassinado. Rita perdoou os culpados – chegando a abrigá-los em casa, para que não fossem presos. Os dois filhos do casal, porém, tinham desejos de vingança. Rita pediu a Deus que desistissem, mas que se isto fosse impossível, os levasse antes de matarem alguém. De fato, ambos ficaram gravemente doentes, incuráveis, e neste período ela conseguiu que se convertessem e perdoassem o assassino paterno. Dentro de um ano, ambos faleceram, sem cometer o crime.

Viúva, Rita, aos 36 anos, pediu admissão no Mosteiro de Santa Maria Madalena de Cássia, das agostinianas. Mas foi recusada, pois as religiosas temiam por sua segurança, sendo Rita viúva de um homem assassinado, e assim talvez perseguida. Rita rezou aos seus protetores, e afinal as famílias envolvidas na morte de Paolo fizeram as pazes, e enfim ela conseguiu entrar na vida consagrada.

Durante o noviciado, a superiora, testando a humildade de Rita, deu-lhe a incumbência de regar um tronco seco de videira. Milagrosamente, esta planta, ainda hoje, produz uvas que de sabor especial, amadurecidas em novembro.

Rita tornou-se uma monja exemplar, de obediência humilde e total às regras da Ordem, dedicando-se à oração, penitências, jejuns, e zelo nos trabalhos. E não deixou de cuidar dos enfermos, assistir aos pobres e visitar os idosos, o que a levou, junto com algumas outras religiosas, a ser conhecida pela caridade também fora do mosteiro. D

Durante a Quaresma de 1443, ouvindo um sermão magnífico sobre a Paixão de Jesus, que enfatizava a Sua coroação de espinhos, Rita desejou participar dos Seus sofrimentos. Em oração diante de um crucifixo, um espinho da coroa da imagem desprendeu-se e cravou-se na sua testa: esta ferida ali permaneceu até a sua morte, 14 anos depois. O estigma lhe provocava muitas enfermidades e exalava mau odor, de modo que ela tinha que ficar isolada das irmãs.

Já muito enferma, ela pediu a Jesus um sinal de que seus filhos estavam no Céu. Recebeu então primeiro uma rosa, depois um figo, de sua antiga casa em Roccaporana, em pleno e rigoroso inverno. Por fim, faleceu em 22 de maio de 1457, aos 76 anos, desaparecendo o estigma na sua testa; os sinos começaram a repicar sozinhos. Uma irmã, Catarina Mancini, paralítica de um braço, ficou curada ao abraçá-la no leito de morte. Seu corpo passou a exalar um perfume de rosas, que perdura até hoje, na urna em que está depositado, incorrupto, na igreja do mosteiro.

Santa Rita de Cássia é invocada como Advogada dos impossíveis, e protetora das esposas e mães maltratadas pelos maridos. Também é padroeira das cidades de Cássia, em Minas Gerais, e de Santa Cruz, no Rio Grande do Norte, Brasil (onde há uma estátua sua de 56 metros de altura, uma das maiores estátuas católicas do mundo); é igualmente considerada Madrinha dos Sertões no país.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

Não é importante, nesta vida, que tenhamos o corpo incorrupto, mas sim a alma. Alma incorrupta é quela que ama a Deus e ao próximo por amor a Ele. E para isso não há limites, pois, parafraseando Santo Agostinho, o limite do amor é amar sem limites. Santa Rita não mediu esforços: para obedecer, uma das mais difíceis virtudes, pois obediência significa fazer a vontade de outro contrariamente à própria, o que mortifica a natureza humana que recebeu de Deus a liberdade; perdoou as violências do marido e contra ele, incluindo o assassinato; preferiu, por verdadeiro amor, a morte física dos próprios filhos, a que se perdessem no inferno – e perder um filho é tão grande dor que Nossa Senhora dela não foi poupada; perseverou diante de todos os obstáculos que o mundo e o diabo colocaram diante da sua vocação religiosa; praticou de modo iminente a caridade para com todos os necessitados; e por tudo isso, fez florir o que era estéril, na Comunhão com Cristo. Não à toa foram uvas de sabor especial que brotaram “impossivelmente” por seu trabalho, pois é o vinho da parreira que se transforma, na ação divina, no Sangue Eucarístico de Jesus. A que ponto desejamos participar, como ela, da Paixão do Senhor? Em cada vocação particular, está a potencialidade para a santidade, já que esta é a vontade de Deus para cada um de nós.

Oração:

Senhor Deus, que sacias a nossa sede de vida infinita através do Vosso próprio Sangue, concedei-nos pela intercessão de Santa Rita de Cássia transformarmos com a Vossa graça os espinhos desta vida em frutos de amor e imensa caridade, para que o bom odor das nossas obras apague o fedor das chagas que produzem os nossos pecados. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.


Fonte: https://www.a12.com/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF