Karen
Hutch - publicado em 06/04/26
"Quero me casar e formar uma família". Uma
frase controversa para o mundo atual. Cada vez mais jovens adiam ou descartam o
matrimônio.
Em uma época na qual o romance costuma ser objeto de ironia
e o compromisso permanente desperta estranheza, dizer "quero me
casar" pode parecer quase uma declaração contracultural. As redes sociais
estão repletas de discursos que questionam o valor do casamento relações
estáveis e celebram a autossuficiência absoluta.
No entanto, apesar desse clima cultural, o desejo de amar e
construir uma vida com alguém continua vivo em muitas pessoas. Talvez por isso
valha a pena perguntar: por que algo tão humano como querer se casar parece
hoje, para alguns, uma ideia polêmica?
No México, o INEGI e o Xataka apontam que
as novas gerações já não veem o matrimônio como parte essencial para uma vida
plena; em vez disso, as gerações Z e Millennial agora priorizam o
desenvolvimento profissional, os estudos, as viagens e o crescimento pessoal
antes do compromisso do casamento.
O auge do cinismo romântico
As marcas de roupas, assim como as redes sociais,
encarregaram-se de nos vender um cinismo romântico que nos impulsiona a ver os
homens como inimigos e até a compartilhar a ideia de que ter um namorado pode
ser vergonhoso — desde a ideia de postar fotos com ele até o fato de não querer
ter um compromisso real com a pessoa e se casar.
E embora nessa busca controversa por um amor verdadeiro a
jornalista Megan Dillon tenha analisado a dura realidade de ser um otimista
romântico, o cenário dos encontros pode chegar a ser sombrio devido à falta de
um vínculo real e à fragilidade nas relações.
Ela argumenta que "a fadiga dos aplicativos de namoro
nos faz desejar conexões na vida real, mas é difícil ter um encontro casual na
fila de um café quando todos estão grudados em seus telefones".
Casamento e a própria independência
A narrativa atual nos apresenta a ideia de que o matrimônio
acaba com a independência individual, apresentando ambos como incompatíveis,
debatendo que o casamento encerra os projetos pessoais e a liberdade da pessoa.
No entanto, não se trata de acabar com os projetos pessoais, mas de uni-los a
um projeto de casal, onde ambos possam continuar crescendo juntos.
Megan Dillon expressa em um de seus artigos que "querer
um parceiro não cancela a independência, mas pode enriquecer a vida
pessoal". Enquanto isso, a visão cristã nos comprova que "o
matrimônio não anula a pessoa, mas a chama a um amor mais pleno e maduro".
Amar em tempos líquidos
Mesmo quando enfrentamos a dificuldade de encontrar um amor
para toda a vida e diante da ideia contracultural de querer casar, o anseio de
amar e ser amado permanece no coração do ser humano. Vemos isso nos encontros
através dos aplicativos e no entusiasmo por encontros espontâneos, na busca por
encontrar alguém interessante que compartilhe as mesmas metas; o desejo de amar
e ser amado não desaparece, mesmo quando a cultura o ridiculariza.
Amar é a melhor decisão
Em uma cultura que muitas vezes desconfia do compromisso e
zomba do romantismo, querer amar uma pessoa para sempre pode parecer ingênuo.
No entanto, talvez seja o contrário. Apostar no matrimônio implica entregar-se
e saber que a cada dia o amor pode crescer, amadurecer e sustentar-se no tempo.
Talvez por isso, em meio a uma época marcada pelo
descartável, escolher o matrimônio não seja uma ideia fora de moda, mas sim uma
das decisões mais corajosas e esperançosas que uma pessoa pode tomar.















