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sábado, 4 de abril de 2026

Por que será que Jesus perguntou a Pedro três vezes se ele o amava?

São Pedro | Antoine Mekary | ALETEIA

Prof. Felipe Aquino - publicado em 14/04/16 - atualizado em 02/04/26

Veja que lição podemos tirar dessa passagem para a nossa vida….

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Após a Ressurreição, Jesus confirmou Pedro como o Pastor universal de todo o Seu Rebanho, a Igreja. Conta o evangelista São João que: “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? “Respondeu ele: “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus. “Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21, 15-17)”.

Além da negação...

Por três vezes o Senhor repetiu esta pergunta a Pedro, e por três vezes lhe disse: “Apascenta as minha ovelhas”. A nenhum outro Apóstolo isto foi dito.

Alguns Padres da Igreja viram nesta tríplice confirmação de Pedro como “Pastor do rebanho”, como que uma maneira de apagar aquelas três vezes que Pedro negou tristemente o Senhor dizendo: “Não conheço este homem” (Jo 18,17.25-27, Mt 26,70-75). Mas, por outro lado, essa repetição tríplice era também a forma solene que o hebreu usava na confirmação de uma missão. Ali, Cristo dava a Pedro uma missão especial, chefiar na Terra o Rebanho “que Ele conquistou com o seu Sangue” (At 20,28). Ali Jesus instituía o Primado de Pedro, o “múnus petrino”, a missão do Papa de confirmar a fé dos cristãos.

É importante notar que, mesmo após Pedro ter negado Jesus, por três vezes, ainda assim o Senhor não tirou dele a chefia do Seu rebanho, pois já o tinha escolhido para isso desde que André, seu irmão, o apresentou pela primeira vez: “Tu és Simão, filho de João, serás chamado Kefas”, que quer dizer Pedra” (Jo 1,40). Na Bíblia, quando Deus muda o nome de alguém, é para lhe dar uma missão sagrada.

Sempre me impressionou muito o fato de Jesus manter Pedro na chefia da Igreja, mesmo depois deste vexame de traí-lo três vezes, no momento em que Jesus mais precisou dele. Por que Ele não colocou João na chefia da Igreja, se João foi o único que ficou ali aos pés de sua cruz com as mulheres? Talvez João não fosse o líder necessário.

Isto mostra como é bom o Coração de Jesus, como é diferente de nós. Certamente qualquer um de nós diria a Pedro: “Não te quero mais, você me traiu…”. Mas Jesus é diferente, Ele conhece cada alma humana e sabe que a carne é fraca. Mesmo diante de nosso pecado Ele não nos abandona, não nos anula e não nos rejeita. Seu amor por nós é irrevogável. Ele compreende a nossa miséria. São João Paulo II disse que “seremos julgados por um Deus que tem um coração humano”. Deus confia em nós sem sequelas, ou seja, Ele confia em nós e não fica olhando para o que passou. Isto é um grande consolo para mim diante de minha miséria. Ele sabe que não sou um “super-homem”, que eu luto para superar as minhas falhas com a Sua indispensável graça. Penso que diante disso tudo, também devemos tomar uma atitude de fé: não podemos ficar só olhando para a nossa miséria, precisamos entregá-la a Jesus.

Jesus deixou Pedro cair vergonhosamente porque precisava tirar o orgulho e a arrogância do coração do seu Apóstolo, e esse foi o meio. Como sabemos disso? São Lucas diz que na noite de Quinta-feira santa, a noite da traição, Jesus orou por Pedro. “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo, mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,31). Jesus sabia que Pedro seria tentado fortemente e cairia, mas Jesus rezou por ele, para que ele não se desesperasse como Judas. Por isso ele teve a graça de chorar copiosamente seu pecado e ser perdoado pelo Mestre.

“Digo-te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces” (v. 34).

Quando Jesus começou a dizer aos Apóstolos que naquela noite ele seria traído, Pedro retrucou orgulhosamente: “Senhor, estou pronto a ir contigo até a prisão e a morte” (Lc 22,33). Ao que Jesus lhe respondeu: “Digo-te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces” (v. 34). E aconteceu a negação tríplice de Pedro. Diz São Lucas que na casa de Caifás, “voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: “hoje, antes que o galo cante, negar-me-às três vezes. Saiu dali e chorou amargamente” (Lc 22, 61-62). Bastou o olhar de Jesus para Pedro!…

Sem duvida esta humilhação de Pedro diante do seu pecado, do seu vexame, curou o seu orgulho e o preparou para ser um digno “humilde servo do Senhor”, como disse Bento XVI ao ser eleito Papa. Sem a humildade não podemos servir a Deus como Ele deseja, pois Jesus disse que “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5); e o orgulho nos impede de fazer tudo com Jesus, nos faz esquecer Dele e passamos a agir por nossa conta apenas.

Assim, Jesus quebrou a prepotência de Pedro e o preparou para a grande missão. Ele sabe fazer de nossas fraquezas e quedas, um meio de fazer em nós as correções necessárias. Vi isso muitas vezes na minha vida, e ainda vejo, graças a Deus. A Carta aos hebreus diz que “o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho. Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos… para nos comunicar a Sua santidade” (Heb 12,6-10).

Nossos pecados são como adubo que Deus sabe usar para fazer crescer em nós as virtudes, de modo especial a humildade. Todos os que exercem uma liderança na Igreja, seja bispo, padre, diácono, leigo ou religioso, precisa refletir muito sobre isso. Às vezes somos autossuficientes e massacramos os outros sem perceber, como se nunca tivéssemos caído. Todos os santos aprenderam a humildade, e nós aprenderemos também como os Apóstolos aprenderam. Eles venceram e nós podemos vencer também. Todos nós carregamos um pouco dos Apóstolos em nós. Deixemos que o Senhor nos corrija; não desanimemos.

(via Felipe Aquino)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

DEBATE: Reinhold Niebuhr e o Realismo Político de Santo Agostinho

Acima, Santo Agostinho em um afresco do século VI, Latrão, Roma; abaixo, Reinhold Niebuhr | 30Giorni.

DEBATE

retirado do nº 04 – 2003, Revista 30Dias.

Reinhold Niebuhr e o Realismo Político de Santo Agostinho

Luigi Giussani escreve em Teologia Protestante Americana: "Em Niebuhr, as principais ênfases do discurso teológico protestante americano emergem em uma síntese muito nova e equilibrada. Significativamente, ele desmistifica a ideia da América como um lugar onde o Reino de Deus se manifesta, um conceito que, em várias inflexões e tons, influenciou o espírito de toda a história americana."

Por Gianni Dessì

Barbara Spinelli, em seu artigo "Bush e o Destino Manifesto" ( La Stampa , 9 de março de 2003), contrapôs uma religiosidade apocalíptica – o elemento que confere a esta guerra o sentido de inevitabilidade que a caracteriza – da qual Bush é o intérprete, com o realismo cristão, sempre presente na cultura religiosa e política dos Estados Unidos. O expoente mais conhecido desta segunda posição, lembrado por Spinelli, foi Reinhold Niebuhr, o pensador religioso mais influente da cultura americana do século XX. Na Itália, pouco se sabe sobre este pastor protestante, que chamou a atenção da opinião pública americana com seu livro " Homem Moral e Sociedade Imoral " (1932). Nele, referindo-se a Santo Agostinho, Niebuhr afirmou que a cidade terrena era inevitavelmente marcada pelo choque entre interesses conflitantes e que pretender resolver definitivamente essa complexidade levava a uma "má religião" e a uma "má política".

Como escreveu Luigi Giussani, que lhe dedicou vários escritos na década de 1960, “em Niebuhr, as principais ênfases do discurso teológico protestante americano emergem numa síntese muito nova e equilibrada... significativamente, ele é o desmistificador daquela ideia da América como um lugar onde o Reino de Deus se manifesta, que, em várias inflexões e tons, influenciou o espírito de toda a história americana”.¹ Niebuhr confrontou explicitamente esse elemento altamente complexo, cuja origem reside precisamente no papel decisivo que a religiosidade desempenhou desde o início da história americana. Em um livro de 1958, *Pious and Secular America* , ele analisou essa questão em profundidade, partindo precisamente da observação de que “no século XX, somos simultaneamente a nação mais religiosa e a mais secularizada do Ocidente”.²

Os pressupostos para essa análise, no entanto, são anteriores. Em 1953, tendo passado de uma posição politicamente próxima ao socialismo para uma crítica decisiva ao comunismo, ele publicou * O Realismo Político de Agostinho* . Este é um longo ensaio no qual o teólogo protestante se aprofunda no estudo do santo católico, reconhecendo essencialmente a sua influência decisiva em sua trajetória intelectual. Em uma entrevista autobiográfica de 1956, ele afirmou: "Surpreende-me, em retrospectiva, notar quão tarde comecei meu estudo aprofundado de Agostinho: isso é ainda mais surpreendente considerando que o pensamento desse teólogo respondeu a muitas das minhas perguntas não resolvidas e finalmente me libertou da noção de que a fé cristã era de alguma forma idêntica ao idealismo moral do século passado."

O ensaio sobre Santo Agostinho começa com uma tentativa de definir o realismo na política: Niebuhr propõe que, no campo da política, "o realismo denota a disposição de levar em conta todos os fatores que, em uma situação política e social, oferecem resistência às normas estabelecidas, particularmente os fatores de interesse próprio e poder". Precisamente nesse sentido, Agostinho "foi, por reconhecimento universal, o primeiro grande realista da história ocidental".⁴ Ele, especifica Niebuhr, levou em conta as tensões e os conflitos que caracterizam toda comunidade humana. A força que lhe permitiu adotar essa abordagem foi a concepção da natureza humana típica da tradição bíblica e cristã. Niebuhr recorda como "essa diferença entre o ponto de vista de Agostinho e o dos filósofos clássicos reside na concepção bíblica, e não racional, da subjetividade humana de Agostinho, com a noção associada de que a sede do mal se encontra no próprio indivíduo". O mal, como consequência do mau uso da liberdade — isto é, como consequência do pecado original — permitiu a Santo Agostinho, segundo Niebuhr, compreender a realidade da política em seu sentido mais amplo. A descrição que Agostinho faz da cidade terrena, marcada por conflitos insolúveis, dilacerada por interesses conflitantes, incapaz de alcançar justiça autêntica e paz duradoura, é totalmente compartilhada pelo pensador protestante. Ele escreve que "comparadas a um realismo cristão, baseado na interpretação agostiniana da fé bíblica, muitas teorias sociais e psicológicas modernas, que se consideram antiplatônicas ou mesmo antiaristotélicas e que valorizam muito seu suposto realismo, na realidade não são mais realistas do que as formulações dos filósofos clássicos".⁶

Ele enfatiza, contudo, outro aspecto do realismo agostiniano, ligado à ideia de que a cidade de Deus, neste mundo, está, ao longo de sua peregrinação, conectada e entrelaçada com a terrena. A questão é que o realismo de Santo Agostinho não é um realismo que possa levar à aprovação incondicional do poder. Partindo das diferentes posições de Lutero e Hobbes, unidos por uma visão pessimista da natureza humana e pelo desejo de impedir que a sociedade se tornasse presa de conflitos perpétuos e da anarquia, Niebuhr escreve que "o realismo pessimista de fato levou tanto Hobbes quanto Lutero a uma aprovação indizível do Estado de poder: mas isso ocorreu apenas porque eles não eram realistas o suficiente".7 Eles tentaram evitar o perigo da anarquia, mas "erraram ao perceber o perigo da tirania no egoísmo dos governantes. Portanto, ocultaram a consequente necessidade de impor limites à vontade dos governantes".8

Em suma, Niebuhr critica o realismo político que, em nome da corrupção ou maldade da ntureza humana, afirma a necessidade do poder, sem considerar que os homens que detêm o poder são marcados pela mesma corrupção ou maldade que todos os outros. A necessidade de controlar o poder, e a escolha de Niebuhr pela democracia, surgem precisamente desse realismo radical, que sustenta que todos os homens compartilham a mesma capacidade para o bem e para o mal. Controlar o poder certamente representa uma ferramenta para conter a tendência ao despotismo. Por outro lado, uma sociedade que oscila continuamente entre o despotismo e a anarquia, resultante da pressão de vários grupos sobre aqueles que detêm o poder, só pode levar a uma visão cínica da política. Agostinho, no entanto, permite-nos superar esse impasse. Ele compreendeu que "embora o egoísmo seja universal, não é natural no sentido de que não se conforma à natureza humana... Um realismo torna-se moralmente cínico ou niilista quando assume que uma característica universal do comportamento humano deve também ser considerada normativa."⁹

George W. Bush e sua equipe oram. Todas as reuniões do governo americano começam com uma oração | 30Giorni.

Concluindo esta breve reconstrução das lições que Niebuhr extraiu de seu encontro com Santo Agostinho, gostaríamos de recordar pelo menos três aspectos de sua perspectiva que parecem merecer atenção.

O primeiro é o antiperfeccionismo, entendido precisamente como a consciência da inevitável aproximação imperfeita à bondade de qualquer regime político. Niebuhr criticou veementemente a pretensão dos Estados Unidos de ser o país escolhido por Deus para estabelecer seu reino na Terra.

O segundo aspecto diz respeito ao apelo ao necessário controle de todo o poder, que Niebuhr esclareceu em sua crítica ao pessimismo político de Hobbes e Lutero, que ele considerava insuficientemente radical, pois se abstinha de se expressar até mesmo contra aqueles que detinham o poder. Ele afirmou a presença do pecado, da autoafirmação desordenada, em todos os níveis da experiência humana.

O último aspecto, que resume os anteriores, é aquele que Christopher Lasch, em um interessante capítulo dedicado a Niebuhr, descreveu ao escrever sobre a "disciplina moral contra o ressentimento".¹⁰ Trata-se essencialmente da afirmação prática de que o pecado age não apenas nos outros, mas também em nós mesmos. Essa consciência nos impede de julgar posições diferentes das nossas como imorais, contrastando-as com a nossa como morais. A afirmação da própria superioridade moral como justificativa para uma opção político-prática específica, a condenação do mal exclusivamente nos outros, ignora precisamente a verdadeira natureza do homem após o pecado original. Essa dinâmica leva, como afirma Niebuhr, à "santificação da própria posição"¹¹, conferindo uma aura de sacralidade a interesses específicos e particulares, que se arrogam o direito à universalidade. Ela produz violência porque nega a presença da própria natureza humana em nós mesmos e nos outros e nos leva a tratar aqueles que defendem opções práticas diferentes das nossas como o próprio mal.

Notas
¹ L. Giussani, American Protestant Theology , La Scuola Cattolica, Venegono Inferiore 1969, p. 141.
² R. Niebuhr, Pious and Secular America , Scribners, New York 1958, p. 1.
3 R. Niebuhr, tradução italiana, Uma Teologia para a Práxis , Queriniana, Brescia 1977, p. 55.
4 R. Niebuhr, tradução italiana , O Realismo Político de Agostinho , em G. Dessì, Niebuhr. Antropologia Cristã e Democracia , Studium, Roma 1993, pp. 77-78.
Ibidem , p. 79.
Ibidem , p. 82.
Ibidem , p. 85. 8
Ibidem.
Ibidem , p. 88.
10 C. Lasch, tradução italiana, O Céu na Terra: Progresso e sua Crítica , Feltrinelli, Milão, 1992, p. 356.
11 Este tema está continuamente presente nos escritos de Niebuhr. Veja, entre muitas outras passagens, sua recusa em "dar sanção moral aos próprios interesses", que ele expressa em Os Filhos da Luz e Os Filhos das Trevas , Scribners, Nova York, 1944, p. 16.

Fonte: https://www.30giorni.it/

O grande silêncio: o valor do Sábado Santo para o cristão

Icone de Nossa Senhora do Silêncio, título com especial devoção neste Sábado Santo  (Vatican News)

Entre a dor da Paixão e a esperança da Ressurreição, o Sábado Santo nos convida a mergulhar no silêncio de Maria para redescobrir o sentido da espera cristã.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

Após a entrega derradeira de Jesus no Calvário, o mundo mergulha em um silêncio sepulcral. Celebrar a Paixão é sempre um exercício de intensidade mística, pois nela tocamos as chagas do Redentor e contemplamos o preço inefável de sua oferta na cruz. Com o cosmos envolto em trevas, resta-nos a vigília: aguardamos a Luz que, ao romper a aurora, não surgirá tímida, mas manifestará todo o seu fulgor. A morte já não detém a última palavra; nisto reside a beleza da Páscoa, a passagem definitiva para uma realidade infinitamente superior e profunda.

Além do silêncio, este dia convida-nos à pedagogia da espera. Em tempos marcados pelo imediatismo, o aguardar é tido como angústia ou finitude. Contudo, o Sábado Santo nos ensina que a espera cristã é prenhe de esperança. Trata-se de uma prontidão ativa: não nos paralisamos diante do que aconteceu. Há um impulso que nos move para a frente e nos faz encontrar o tão esperado.

Neste horizonte, recordo-me daqueles que atravessam o vale do luto. A ausência de um ente querido pode apequenar o coração, povoando-o de inseguranças. Todavia, sob a luz da fé, sabemos que o cristão jamais se separa verdadeiramente dos seus. Pela comunhão dos santos, permanecemos unidos em um vínculo que o tempo não corrói, na certeza de que o Céu nos reserva o abraço do reencontro.

Enquanto peregrinamos aqui, na Igreja Militante, antes de nos unirmos às fileiras da Igreja Padecente ou Triunfante, cabe-nos a pergunta: como viver o agora? A resposta está na espera digna, manifestando a fé inabalável na ressurreição. O dia de hoje nos faz compreender isso; o olhar do cristão não se detém no sorrateiro, mas volta-se, esperançoso, para o porvir.

Neste dia, a Igreja volta seus olhos para a figura de Maria, o arquétipo da fé. Ela nos evangeliza com seu silêncio, a ser visto nas Sagradas Escrituras pelas poucas frases ditas, e também pela espera, pois nem a cruz a separou do seu Filho.

Maria experimentou uma solidão profunda, pois era viúva de José e agora testemunha da morte cruenta do único filho crucificado. No entanto, sua dor não se transformou em desespero. Ela permaneceu com a Igreja, em oração e expectativa, mantendo-se fiel em cada pulsar de seu coração materno.

Ao cair da noite, seremos conduzidos à "mãe de todas as vigílias". Como desconhecemos a hora exata em que o Senhor rompeu os grilhões da morte, fazemo-nos sentinelas. A Vigília Pascal é uma efusão de alegria: o fogo novo, o Círio aceso, o canto do Precônio, o ressoar dos sinos e as águas batismais proclamam que a noite se fez clara como o dia. Cristo venceu! A Páscoa já brilha entre nós.

Vivamos estas horas com o coração mariano e um silêncio meditativo. Toda espera tem seu termo, e o encontro com o Ressuscitado logo nos inundará de luz. Por que temer as sombras da existência? A vitória de Cristo é a nossa força para crer.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Sexta-feira Santa 03/04/26

Sexta-feira da Paixão do Senhor (cnbb)

SEXTA-FEIRA SANTA 03/04/26 (JO 18,1- 42)

03/04/2026

Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Bispo Emérito de Taubaté (SP)

Texto Referencial: Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui. (Jo 11, 18-36)

1 – Este foi o dia mais lúgubre o mais triste da história! Nele, foi condenado o maior benfeitor da história, o salvador da humanidade: Jesus Cristo. Veio para dar-nos vida e nós lhe oferecemos o madeiro da cruz. Nós o trocamos por Barrabás, que era um bandido. Mas quem mesmo o condenou? Pilatos, os sumos sacerdotes, os homens do templo, a humanidade pois nela, estamos todos nós. Nossos pecados gritaram: matai-o, crucificai-o. E assim foi feito.

2 – Não podia ser pior: Judas o entrega aos inimigos, por patacas, traindo-o com beijo criminoso. O discípulo traindo o mestre. Pedro mente, dizendo que não o conhecia. Os apóstolos todos, menos João, fogem. Repito: O Salvador, o maior benfeitor da humanidade, foi trocado por um bandido: Barrabás. Pilatos, lava suas mãos, pois reconhece que Jesus é inocente, mas o entrega a seus inimigos. Lavou as mãos, mas sujou seu nome e sua consciência. Podia tê-lo salvado, mas covarde temendo perder sua função (emprego) o entregou. Pedro, diante de uma empregada (sem menosprezo) mentiu criminosamente, tanto é verdade que até o célebre galo cantou três vezes de tanta vergonha… Pedro então chorou e nós com ele. Choramos, mas não nos convertemos. Se hoje em dia os galos “cantasse” toda vez que traímos o mestre – ninguém dormia mais.

3 – Deus o criador tudo fez para os homens e mulheres: A natureza, os mares, o solo, simplesmente tudo. Entregou tudo gratuitamente. Jesus, veio como irmão, Salvador: Amou-nos e serviu-nos e nós lhe oferecemos a cruz, depois de flagelá-lo e coroá-lo com uma coroa de espinhos. Jesus, nasceu pobre, viveu pobre e assim morreu. Até sepultura foi preciso ser-lhe emprestada.

4 – Aconselho então ler o capítulo 18 de João, meditando-o. É o mais impressionante. Ele, o apresenta (Jesus) como rei mesmo na cruz, onde nos entregou, ainda sua mãe como nossa. Podia fazer mais por nós? Não.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo (Parte 2/2)

Capitel adornado com o motivo eucarístico do pelicano que alimenta as suas crias. E cordeiro que se encontra num dos fechos das abóbadas | Opus Dei.

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. (Jo 13, 1). Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

26/02/2018

Alguns acréscimos são evidentes, como a construção feita em 1920, na parede central, para a oração islâmica, que tapa uma das três janelas, ou um baldaquino da época turca sobre a escada que conduz ao nível inferior. Este dossel apoia-se numa pequena coluna cujo capitel é cristão, pois está adornada com o motivo eucarístico do pelicano que alimenta as suas crias. A parede da esquerda conserva partes que remontam à era bizantina; através de uma escada e de uma porta, sobe-se à pequena sala onde se recorda a vinda do Espírito Santo. No lado oposto à entrada, há uma saída para outro terraço, que por sua vez comunica com o telhado e dá para o claustro do convento franciscano do século XIV.

Atualmente não é possível o culto no Cenáculo. Somente São João Paulo II teve o privilégio de celebrar a Santa Missa nesta sala, em 23 de Março de 2000. Quando Bento XVI foi à Terra Santa em Maio de 2009, rezou ali o Regina Coeli com os Bispos do país. Devido à existência do sarcófago em honra de Davi, que se venerava como o túmulo do rei bíblico, muitos judeus vão ao piso inferior para rezar diante desse monumento.

A presença cristã no monte Sião sobrevive na basílica da Dormição de Nossa Senhora – que inclui uma abadia beneditina – e o convento de São Francisco. A primeira foi construída em 1910 em terrenos que Guilherme II, imperador da Alemanha conseguiu. A cúpula do santuário, com um capitel muito esbelto, é visível de vários pontos da cidade. No convento franciscano, fundado em 1936, encontra-se o “Cenacolino” ou igreja do Cenáculo, o lugar de culto mais próximo da sala da última Ceia.

Dom Álvaro no Cenáculo | Opus Dei.

Nesta capela, Dom Álvaro celebrou a Santa Missa pela última vez em sua vida, na manhã de 22 de março de 1994. Dom Javier Echevarría recordava depois alguns detalhes desse dia, no qual o primeiro sucessor de São Josemaria esteve intensamente recolhido em oração: “Fiquei impressionado pela unção com a qual ele revestiu: estava concentrado, comovido. Ele beijou o peitoral muito profundamente antes de colocar a casula. Depois, pegou o solidéu, também com autêntica unção, para colocá-lo antes de sair”[8]

Alguns poucos fiéis da Obra participaram da Missa, mas Dom Javier ressaltou que “Dom Álvaro celebrou lá pensando em todos”. E continuava: “Ele estava muito consciente da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, víamos que celebrava com muita devoção. Percebia-se o cansaço, mas talvez também a emoção de estar naquele lugar santo. Posso assegurar que ele viveu esses momentos com verdadeira intensidade, com verdadeira loucura de amor. Também pensou na reunião dos Apóstolos com Nossa Senhora no Cenáculo, e que daí, partiu Pedro para pregar ao povo, depois da vinda do Espírito Santo”[9].

O que distingue esta noite de todas as outras noites?

Reparai agora no Mestre reunido com os seus discípulos, na intimidade do Cenáculo. Aproxima-se o momento da sua Paixão, e o Coração de Cristo, rodeado daqueles a quem ama, estala em labaredas inefáveis[10]. Ardentemente tinha desejado que chegasse esta Páscoa[11], a mais importante das festas anuais de Israel, na qual se revive a libertação da escravidão no Egito. Estava unida a outra celebração, a dos Ázimos, lembrando os pães sem fermento que o povo levou na sua fuga precipitada do país do Nilo. Ainda que a cerimônia principal daquelas festas fosse uma ceia familiar, esta possuía um forte caráter religioso: “era a comemoração do passado, mas, ao mesmo tempo, também memória profética, quer dizer, anúncio da libertação futura”[12].

A sala do Cenáculo conserva a arquitetura gótica com que foi restaurada no séc. XIV. | Opus Dei.

Durante essa celebração, o momento relevante era o relato da Páscoa ou hagadá pascal. Começava com uma pergunta do filho mais novo ao pai:

- O que distingue esta noite de todas as noites?

A resposta era uma oportunidade para narrar detalhadamente a saída do Egito. O chefe da família tomava a palavra na primeira pessoa, para simbolizar que não só se recordavam aqueles fatos, mas que se faziam presentes no ritual. Ao terminar, entoava-se um grande cântico de louvor, composto pelos salmos 113 e 114, e bebia-se uma taça de vinho, chamada hagadá. Depois, abençoava-se a mesa, começando pelo pão ázimo. A pessoa que presidia comia-o e dava um pedaço a cada um com a carne do cordeiro.

Uma vez comida a ceia, retiravam-se os pratos e todos lavavam as mãos para continuar a sobremesa. A conclusão solene começava servindo-se o cálice da bênção, taça que continha vinho misturado com água. Antes de bebê-lo, quem presidia, de pé, recitava uma longa ação de graças.

Ao celebrar a Última Ceia com os Apóstolos no contexto do antigo banquete pascal, o Senhor transformou-o e deu-lhe o seu sentido definitivo: “Com efeito, a passagem de Jesus a seu Pai por sua Morte e sua Ressurreição, a Páscoa nova, é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia que realiza a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino”[13]Quando o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia, na Última Ceia, era de noite(...). Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade se iam realizar plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição[14].

Na intimidade do Cenáculo, Jesus fez algo de surpreendente, totalmente inédito: tomando o pão, deu graças, partiu-o e deu-o dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim[15].

As suas palavras exprimem a profunda novidade desta ceia em relação às celebrações pascais anteriores. Quando deu o pão ázimo aos discípulos, não lhes entregou pão, mas sim uma realidade diferente: isto é o meu Corpo. “No pão repartido, o Senhor distribui-Se a Si próprio (…). Dando graças e abençoando, Jesus transforma o pão: já não dá pão terreno, mas a comunhão consigo mesmo”[16]. E ao mesmo tempo que instituiu a Eucaristia, deu aos Apóstolos o poder de a perpetuar, pelo sacerdócio.

Também com o cálice Jesus fez algo de singular relevância: fez o mesmo com o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós[17].

Diante deste mistério, São João Paulo II dizia: “O que mais Jesus podia fazer por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia mostra-nos um amor que vai ‘ao extremo’ (Jo 13, 1), um amor que não conhece medida. Este aspecto da caridade universal do Sacramento eucarístico fundamenta-se nas mesmas palavras do Salvador. Ao instituí-lo, não se limitou a dizer ‘Este é o meu corpo’, ‘este cálice é a Nova Aliança no meu sangue’, mas sim que acrescentou ‘entregue por vós… derramado por vós’ (Lc 22, 19-20). Não afirmou somente que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas manifestou-lhes o seu valor sacrificial, fazendo presente de modo sacramental o seu sacrifício, que cumpriria depois na cruz algumas horas mais tarde, para a salvação de todos”[18].

Bento XVI, dirigindo-se aos Bispos da Terra Santa no próprio lugar da Última Ceia, ensinava: “No Cenáculo, o mistério de graça e de salvação, do qual somos destinatários e inclusive arautos e ministros, só pode ser manifestado em termos de amor”[19]: o de Deus, que nos amou primeiro e ficou realmente presente na Eucaristia, e o da nossa resposta, que nos leva a entregar-nos generosamente ao Senhor e aos outros.

Não entendo como se pode viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham ido concretizando essa piedade eucarística: umas vezes, com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração.

Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que tem que ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos de continuar depois o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo irreprimível de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor mais outra delicadeza: que não tenha querido limitar a sua presença ao instante do Sacrifício do Altar, mas tenha decidido permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário.

Devo dizer que, para mim, o Sacrário foi sempre Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde lhe podemos contar as nossas preocupações, nossos sofrimentos, nossos anseios e nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que lhe falavam aqueles seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Por isso, ao percorrer as ruas de uma cidade ou de uma aldeia, alegra-me descobrir, mesmo de longe, a silhueta de uma igreja: é um novo Sacrário, uma nova ocasião de deixar que a alma se escape para estar em desejo junto do Senhor Sacramentado[20].

Notas

[8] Javier Echevarría, Palavras publicadas em Crónica, 1994, p. 391 (AGP, biblioteca, P01).

[9] Ibid., pp. 391-392.

[10] Amigos de Deus, 222

[11] Cf. Lc 22, 15.

[12] Bento XVI, Exort.apost Sacramentum caritatis, 10

[13] Catecismo da Igreja Católica, 1340.

[14] É Cristo que passa, 155.

[15] Lc 22, 19.

[16] Bento XVI Homilia da Missa da Ceia do Senhor, 9-IV-2009.

[17] Lc 22, 20

[18] São João Paulo II, Litt. Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, 11-12.

[19] Bento XVI, Recitação da Regina Coeli com os Ordinários da Terra Santa.

[20] É Cristo que passa, 154

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Tríduo Pascal: o mistério que desafia o tempo e propõe um novo sentido ao humano

Tríduo Pascal (Vatican News)

O Papa Francisco, em sua catequese sobre o Tríduo Pascal (Audiência Geral, 31 de março de 2021), nos lembra que este gesto é a própria identidade cristã. ,"É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos".

Vívian Marler - Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

No calendário da fé cristã, o Tríduo Pascal não é apenas uma sequência de datas; é um único evento narrado em três atos que resumem a totalidade da experiência humana. Da mesa compartilhada ao sepulcro vazio, o que se celebra entre a noite de Quinta-feira Santa e o Domingo da Ressurreição é, em última análise, um manifesto sobre o nosso propósito na Terra. Mas o que as sandálias sujas de poeira da Judeia de dois mil anos atrás têm a dizer aos nossos pés cansados em pleno 2026?

A jornada começa com um gesto de ruptura. Na Quinta-feira Santa, Jesus retira o manto e assume o avental. Na época de Cristo, lavar os pés era a tarefa mais baixa de um escravo, um serviço destinado aos "invisíveis" da sociedade.

O Papa Francisco, em sua catequese sobre o Tríduo Pascal (Audiência Geral, 31 de março de 2021), nos lembra que este gesto é a própria identidade cristã. ,"É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos". Em um mundo onde todos buscam o topo, o Tríduo nos interpela, quem ainda se dispõe a abaixar-se? O propósito humano não se encontra no prestígio, mas na coragem de ser útil.

A Sexta-feira Santa nos coloca diante da vulnerabilidade extrema. Jesus crucificado é o retrato da entrega, mas é também o espelho das nossas injustiças atuais, dos feminicídios à exclusão que ainda fere a nossa Amazônia.

Sobre esse "drama de amor", o Papa Bento XVI refletiu com maestria em sua Audiência de 20 de março de 2008, "o Tríduo Pascal nos dá a certeza de que nunca seremos abandonados nas provações da vida". Ele nos ensina que a cruz não é um sinal de derrota, mas o "inestimável dom da salvação" (Audiência, abril de 2009). Em tempos de julgamentos rápidos, o Cristo da Sexta-feira nos ensina a misericórdia, a capacidade de sentir a dor do outro e perdoar, transformando o sofrimento em redenção.

O Sábado Santo é o dia do silêncio, que deságua na explosão de luz da Vigília Pascal. Se o sepulcro parecia o ponto final, a Ressurreição provou que a morte, a opressão e o desânimo, não tem a última palavra.

Neste seu primeiro Tríduo como pontífice, o Papa Leão XIV, em sua mensagem para a Páscoa de 2026, reforça o papel social dessa esperança, "a ressurreição não é um evento do passado para ser admirado, mas a força viva que nos impele a curar as feridas do mundo hoje, transformando cada sepulcro de injustiça em um jardim de nova vida".

O Tríduo Pascal, portanto, não é uma recordação histórica. É um chamado urgente. Ele nos convida a caminhar com Cristo para aprendermos a gramática do amor. 'Lavar os pés' para sermos humildes; 'Partir o pão' para sermos comunhão; 'Abraçar a cruz' para sermos misericordiosos, e 'Ressurgir' para sermos esperança ativa.

No silêncio de cada gesto destes dias, a humanidade é convidada a redescobrir que nosso maior propósito é aprender a amar como Ele amou. Como nos ensinam as vozes dos pastores e a realidade da vida, mesmo após a noite mais escura, a luz sempre renasce. A Páscoa é a prova de que o amor é a única força capaz de transformar o mundo.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Igreja dá início ao Tríduo Pascal: a culminância de todo o ano litúrgico

Imagem ilustrativa | Pixabay (Domínio público)

Por Redação central*

2 de abr de 2026 às 02:00

Dentro da Semana Santa, um período se torna especial para os católicos nos dias em que recordam a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É o chamado Tríduo Pascal. Conheça a seguir o significado desses dias tão importantes para os cristãos.

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O Tríduo Pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a Quinta-feira, a Sexta-feira e o Sábado da Semana Santa. Era um tríduo da Paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O Tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da Paixão e Ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:

Cristo redimiu o gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição de Cristo é, portanto, a culminância de todo o ano litúrgico.

O Tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua Paixão e Morte, nunca as dissociava de sua Ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana da quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: “O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará”.

É significativo que os padres da Igreja, tanto santo Ambrósio como santo Agostinho, concebam o Tríduo Pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como os três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: “Destruam este templo e em três dias o reedificarei”. Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como “os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo”.

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e concluem com a oração de vésperas do Domingo de Páscoa, formam uma unidade e, como tal, devem ser considerados. Logo, a Páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um todo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto a Sexta-feira como no Sábado Santo, oficialmente, não fazem parte da Quaresma. Segundo o novo calendário, a Quaresma começa na Quarta-feira de Cinza e conclui na Quinta-feira Santa, excluindo a missa da Ceia do Senhor.

*A Agência Católica de Informação - ACI Digital, faz parte das agências de notícias do Grupo ACI, um dos maiores geradores de conteúdo noticioso católico em cinco idiomas e que, desde junho de 2014, pertence à família EWTN Global Catholic Network, a maior rede de televisão católica do mundo, fundada em 1981 por Madre Angélica em Irondale, Alabama (EUA), e que atinge mais de 85 milhões de lares em 110 países e 16 territórios.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo (Parte 1/2)

Jerusalém no ano 70 e Cidade Antiga na atualidade. Gráfico: J. Gil | Opus Dei.

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. (Jo 13, 1). Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

26/02/2018

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim[1]. Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?[2], tinham perguntado os discípulos. Ide à cidade. Um homem carregando uma bilha de água virá ao vosso encontro. Segui-o e dizei ao dono da casa em que ele entrar: “O Mestre manda perguntar: Onde está a sala em que posso comer a ceia pascal com os meus discípulos?” Ele, então, vos mostrará, no andar de cima, uma grande sala, arrumada. Lá fareis os preparativos para nós![3].

Conhecemos os fatos que aconteceram durante Última Ceia do Senhor com os Seus discípulos: a instituição da Eucaristia e dos Apóstolos como sacerdotes da Nova Aliança; a discussão entre eles sobre quem se considerava o maior; o anúncio da traição de Judas, do abandono dos discípulos e das negações de Pedro: o anúncio do Mandamento Novo e o lava-pés; o discurso de despedida e a oração sacerdotal de Jesus…

O Cenáculo já seria digno de veneração só pelo que aconteceu dentro das suas paredes naquela noite, mas foi também ali que Jesus ressuscitado apareceu em duas ocasiões aos Apóstolos, que tinham se escondido dentro com as portas fechadas com medo dos judeus[4]. Na segunda vez, Tomé retificou a sua incredulidade com um ato de fé na divindade de Jesus: Meu Senhor e meu Deus![5]. Os Atos dos Apóstolos transmitiram-nos também que a Igreja, nas suas origens, se reunia no Cenáculo, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele[6]. No dia de Pentecostes, receberam o Espírito Santo, que os estimulou a partirem para pregar a Boa Nova.

Os evangelistas não nos fornecem dados que permitam identificar este lugar, mas a Tradição situa-o no extremo sudoeste de Jerusalém, sobre uma colina que começou a chamar-se Sião somente na época cristã. Originalmente, este nome aplicava-se à fortaleza jebuseia que Davi conquistou; depois, ao monte do Templo, onde se guardava a Arca da Aliança; e mais tarde, nos salmos e nos livros proféticos da Bíblia, a toda a cidade e seus habitantes. Depois do desterro da Babilônia, o termo adquiriu um significado escatológico e messiânico, para indicar a origem da nossa salvação. Com base neste sentido espiritual, quando o Templo foi destruído no ano 70, a primeira comunidade cristã aplicou-o ao monte onde se encontrava o Cenáculo, pela sua relação com o nascimento da Igreja.

Recebemos o testemunho desta tradição através de Santo Epifânio de Salamina, que viveu em finais do século IV, foi monge na Palestina e bispo em Chipre. Relata que o imperador Adriano, quando foi ao Oriente no ano de 138, “encontrou Jerusalém completamente arrasada e o Templo de Deus destruído e profanado, com exceção de uns poucos edifícios e da pequena igreja dos cristãos, que se encontrava no lugar do Cenáculo, para onde os discípulos foram depois de regressar do monte das Oliveiras, após a subida aos céus do Salvador. Estava construída na zona de Sião que sobreviveu à cidade, com alguns edifícios perto de Sião e sete sinagogas, que perduraram no monte como cabanas; parece que só uma destas se conservou até à época do bispo Máximo e do imperador Constantino”[7].

Jerusalém | Opus Dei.

Este testemunho coincide com outros do século IV: o que foi transmitido por Eusébio de Cesareia, com um elenco de vinte e nove bispos com sede em Sião desde a era apostólica até ao seu tempo; o peregrino anônimo de Bordeaux, que viu ainda a última das sete sinagogas; São Cirilo de Jerusalém, que se refere à igreja superior em que se recordava a vinda do Espírito Santo; e a peregrina Egéria, que descreve uma liturgia celebrada ali em memória das aparições do Senhor ressuscitado.

Por diversas fontes históricas, litúrgicas e arqueológicas, sabemos que durante a segunda metade do século IV a pequena igreja foi substituída por uma grande basílica, chamada Santa Sião, e considerada a mãe de todas as igrejas. Além do Cenáculo, incluía o lugar da Dormição da Virgem, que a tradição situava numa casa próxima; também conservava a coluna da flagelação e as relíquias de Santo Estevão, e no dia 26 de Dezembro comemorava-se ali o rei Davi e São Tiago, o primeiro bispo de Jerusalém. Conhece-se pouco do traçado deste templo, que foi incendiado pelos persas no século VII, restaurado posteriormente e de novo destruído pelos árabes.

Quando os cruzados chegaram à Terra Santa, no século XII, reconstruíram a basílica e deram-lhe o nome de Santa Maria do Monte Sião. Na nave sul da igreja estava o Cenáculo, que continuava a ter dois andares, cada um dividido em duas capelas: no superior, as dedicadas à instituição da Eucaristia e à vinda do Espírito Santo; no inferior, a do lava-pés e a das aparições de Jesus ressuscitado. Nesse andar colocou-se o sarcófago – monumento funerário no qual não está o cadáver da pessoa a quem é dedicado – em honra de Davi. Reconquistada a Cidade Santa por Saladino em 1187, a basílica não sofreu danos, e inclusive eram permitidas as peregrinações e o culto. Contudo, esta situação não durou muito: em 1244, a igreja foi definitivamente destruída e só se salvou o Cenáculo, cujos restos chegaram até nós.

A sala gótica atual data do século XIV e deve-se à restauração realizada pelos franciscanos, os seus legítimos donos desde 1342. Os freis haviam tomado conta do santuário sete anos antes e edificado um convento junto do lado sul. Na mesma data, por bula papal, ficou constituída a Custódia da Terra Santa e foi-lhes cedida a propriedade do Santo Sepulcro e do Cenáculo pelos reis de Nápoles, que por sua vez a tinham adquirido ao sultão do Egito. Não sem dificuldades, os franciscanos viveram em Sião durante mais de dois séculos, até que foram expulsos pela autoridade turca em 1551. Já antes, em 1524, lhes tinha sido usurpado o Cenáculo, que foi convertido em mesquita com o argumento de que ali se encontraria enterrado o rei Davi, considerado profeta pelos muçulmanos. Assim permaneceu até 1948, quando passou para as mãos do estado de Israel, que o administra desde então.

O acesso ao Cenáculo é através de um edifício anexo, subindo uma escadaria interior e atravessando um terraço a céu aberto. Trata-se de uma sala de uns 15 metros de comprimento e 10 de largura, praticamente sem adornos nem mobiliário. Várias pilastras nas paredes e duas colunas no centro, com capitéis antigos reutilizados, sustentam um teto em abóbada. Nos fechos da abóbada ficaram restos de relevos com figuras de animais; entre os quais é visível um cordeiro.

Notas

[1] Jo 13, 1

[2] Mc 14,12.

[3] Mc 14, 13-15.

[4] Cf. Jo 20, 19-29.

[5] Jo 20, 28.

[6] At 1, 13-14

[7] Santo Epifânio de Salamina, De mensuris et ponderibus, 14.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Qual o sentido do sinal da cruz?

Iermolovich Daria | Shutterstock

Paulo Teixeira - publicado em 23/05/25

O sinal que identifica os cristãos é feito como sinal de bênção sobre os fiéis e se torna um gesto de fé.

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No início da Missa ou do terço, as pessoas iniciam com o sinal da cruz. Ao final das cerimônias também a bênção é invocada traçando o sinal da cruz sobre os fiéis. Um gesto importante para as celebrações da fé e também para o cotidiano. Muitas pessoas fazem o sinal da cruz ao passar diante de uma igreja ou em momentos específicos do dia repetem o sinal com o qual foram marcadas no dia do batismo.

Este gesto inclui duas realidades de nossa doutrina, segundo o professor Padre Antônio Bogaz: “Quando recitamos o gesto da cruz, recordamos o mistério da nossa salvação. Tecendo sobre o rosto o sinal da cruz, fazemos anamnesis deste grande acontecimento que marca a história da salvação”.

Nesse sentido, mais que demarcar o início do ritual, o sinal da cruz é parte da oração.  “Não podem ser gestos imperceptíveis, maltraçados e sem elegância. Este gesto deve recordar o traço entrecortado da cruz, com suas duas hastes, para reviver espiritualmente a paixão e morte do Senhor”, recorda o sacerdote.

Trindade

Também as pessoas divinas recordadas enquanto se traça o sinal da cruz fazem uma referência profunda ao mistério da trindade: “Nas pontas das hastes da cruz, aclamamos o nome de Deus, que é Pai, que é Filho e Espírito Santo, revelando que os três participam e são solidários na entrega do Filho Jesus Cristo, na cruz. A Trindade está presente por inteiro no evento do Calvário”, destaca Padre Bogaz.

Mais além

Na dimensão mística, o sinal da cruz tem o valor de consagração ou santificação, suplicando a proteção divina, bem como se entregando ao Senhor. “Por esta motivação, fazemos sempre este sinal diante das igrejas, no início de nossas atividades e em momentos cruciais da vida. Quem já não observou um goleiro traçando o sinal da cruz na hora do pênalti, ou o artista antes de sua performance? Este sinal significa súplica e entrega a Deus”, explica Padre Bogaz.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lava-pés: o mandamento chocante em que Deus se abaixa para nos servir

Jesus lava ospés dos Apóstolos (Aleteia)

Aleteia Brasil - publicado em 13/04/17

O que significa este gesto de Jesus, tão inesperado e espantoso que Pedro nem queria aceitá-lo.
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O rito do Lava-Pés, na Quinta-Feira Santa, contém um duplo significado, à luz do Evangelho de João:

– uma imitação do gesto realizado por Cristo ao lavar os pés dos Apóstolos no Cenáculo;

– a expressão do doar-se a si mesmo, exemplificada com aquele ato.

Não por acaso, o gesto é chamado de “mandatum” (“mandamento”) na antífona recitada na cerimônia: “Mandatum novum do vobis, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos, dicit Dominus” (“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei, diz o Senhor“; João 13,34).

De fato, o mandamento do amor fraternal compromete todos os discípulos de Jesus, sem qualquer distinção ou exceção. Em instruções litúrgicas do século VII já lemos a indicação de que o Pontífice e todos os membros do clero devem realizar o rito do lava-pés, o que também pode ser conferido, com variações em diferentes dioceses e abadias, no Pontifical Romano do século XII, no Pontifical da Cúria Romana do século XIII e no Missal Romano do Papa São Pio V, de 1570, que diz:

“Post denudationem altarium (…) conveniunt clerici ad faciendum mandatum. Maior abluit pedes minoribus: tergit et osculatur”

(“Após o desnudamento do altar, os clérigos procedem ao cumprimento do ‘mandatum’. O maior lava os pés dos menores, os enxuga e os beija”).

O “mandatum“, em sua essência, não é reservado ao clero: o seu sentido é o de colocarmos em prática o serviço humilde a todos os nossos irmãos, conforme o exemplo de Jesus a todos os seus discípulos.

Precisamente por isso, o rito do lava-pés, ao longo da história da Igreja, não foi necessariamente reservado a doze clérigos ou a doze homens. No “De Mandato seu lotione pedum” (“Sobre o ‘mandatum’ ou lava-pés“), que consta no Caeremoniale Episcoporum de 1600, é mencionada a tradição de que o bispo deve lavar, enxugar e beijar os pés de “treze” pessoas pobres, após tê-las vestido e alimentado e ter-lhes ofertado esmola em caridade. O ato poderia igualmente ser conduzido com religiosos, de acordo com os costumes locais ou a determinação do bispo, mas não de modo obrigatório.

As mudanças mais recentes no rito estabelecem que quaisquer indivíduos podem ser escolhidos dentre o povo de Deus, já que a significação do rito não se limita a uma imitação exterior do gesto de Jesus; trata-se de expressar o sentido profundo do ato realizado por Ele: doar-se “até o fim” pela salvação da humanidade, ato que assume importância universal.

amor de Cristo, abrangendo toda a humanidade, faz de todas as pessoas irmãos e irmãs pela força do Seu exemplo. O “mandatum” deixado por Ele nos convida a transcender o ato físico de lavar os pés do outro para vivenciar o pleno sentido desse gesto: servir, com amor palpável, ao próximo.

Os 3 verbos do lava-pés, segundo o Papa Francisco

Papa Francisco no Lava-pés (Alentia)

Na audiência geral que antecedeu a Semana Santa de 2016, o Papa Francisco abordou o significado do lava-pés, esse ato de Jesus na Última Ceia que foi “tão inesperado e chocante” a ponto de que “Pedro nem queria aceitá-lo”.

Quando se abaixou até os pés dos discípulos e os lavou, Jesus quis deixar claro que se fez servo e que nós também devemos ser servos uns dos outros: “Também vós deveis lavar os pés uns dos outros”, afirma Ele, explicitamente, em Jo 13,12-14.

SERVIR

Ser “servos” uns dos outros nada tem a ver com “servilismo” ou “escravidão”: trata-se do “mandamento novo” do amor real ao próximo através do “serviço concreto”, e não apenas “de palavra”. O amor é um “serviço humilde”, concretizado “no silêncio”: “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”, pede Ele, em Mt 6,3.

PERDOAR

O lava-pés representa o chamado de Jesus a “confessarmos os nossos pecados e a rezarmos uns pelos outros, para saber-nos perdoar de coração”. O papa Francisco evocou neste sentido um texto de Santo Agostinho: “Não desdenhe o cristão fazer aquilo que Cristo fez. Porque quando o corpo se inclina até o pé do irmão, acende-se no coração o sentimento de humildade, ou, já se existisse, é alimentado (…) Perdoemo-nos os nossos erros e rezemos uns pelo perdão dos pecados dos outros. Assim, de algum modo, lavaremos nossos pés mutuamente”.

AJUDAR

O papa recordou as pessoas que vivem a vida inteira “no serviço dos outros” e, como exemplo, contou que recebeu uma carta de uma pessoa agradecida por este ano da misericórdia: a pessoa em questão “me pediu rezar por ela, para que ela esteja mais perto de nosso Senhor. A vida dessa pessoa era cuidar da mãe e do irmão; a mãe está de cama, idosa, lúcida, mas sem poder se mexer; e o irmão é deficiente, numa cadeira de rodas”. Francisco resumiu duas vezes este caso declarando: “Isto é amor!”.

Conclusão

O Papa Francisco encerrou a audiência com uma frase que sintetiza toda a mensagem:

Queridos irmãos e irmãs: ser misericordiosos como o Pai significa seguir Jesus no caminho do serviço”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF