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sábado, 2 de março de 2024

Henrique Suso

Henrique Suso (arquisp)
02 de março

Henrique Suso

Nascido na ilha de Constança, na Alemanha, no dia 21 de março de 1295, foi um dos principais representantes do movimento religioso, que floresceu na região do rio Reno, no início do século XIV. Religioso dominicano, escritor e místico, se tornou um dos teólogos alemães mais conhecidos, pela característica da singular doçura de sua espiritualidade e pela clareza do conceito transmitido de que a vida interior é acessível a todas as almas seguidoras da Paixão de Jesus Cristo.

Seu pai era um rico comerciante, não muito religioso, da nobre dinastia dos Berg, e sua mãe, uma senhora muito pia, era da tradicional família cristã dos Suese ou Suso, forma latina do nome. Henrique preferiu manter o sobrenome da mãe. Desde a infância foi educado pelos dominicanos, demonstrando sua vocação religiosa já nesta época. Aos treze anos, ingressou como noviço no convento de São Nicolau, desta Ordem, em Constança, período em que desenvolveu muito, sua espiritualidade.

Aos dezesseis anos, viveu um período de fé incerta, o qual superou através da somatória das penitências rigorosas com as orações contemplativas. Dois anos depois, coroou sua completa conversão, marcando com ferro em brasa o nome de Jesus, no lado esquerdo do peito. Isto ocorreu, após uma experiência mística, na qual, viu um anjo unindo o seu coração ao do Cristo. A partir de então, seu zelo se traduziu numa entrega espiritual mais prudente; Deus o fez compreender que a melhor mortificação consistia em aceitar com resignação as provas enviadas por Ele.

No convento dominicano em Constança, fez os estudos preparatórios, filosóficos e teológicos. Depois foi enviado para o Colégio Geral de Estrasburgo e finalmente para a universidade de Colônia, diplomando-se com destaque. Ao invés de uma carreira brilhante eclesiástica, preferiu retornar para Constança, em 1329, como professor de Teologia no colégio dos dominicanos. Alí, durante os sete anos seguintes, escreveu suas obras mais importantes: o Livro da Sabedoria Eterna e o Livro da Verdade. Narrou com simplicidade e clareza os mistérios da alma, que desvendava através dos seus colóquios íntimos com Cristo, veiculados pelas orações silenciosas e experiências contemplativas.

Em 1336, Henrique sentiu que era hora de partir para o apostolado peregrino. Viajou por toda Alemanha, passando pela Suíça e Países Baixos, tornando-se um incansável pregador itinerante do nome de Cristo. Durante quatro anos, até 1943 foi o diretor geral do convento alemão de Turgovia. Depois foi transferido para o de Ulm, no qual permaneceu até morrer, em 25 de fevereiro de 1366.

Ele não foi sepultado no cemitério comum aos padres dominicanos, mas na cripta da igreja daquele convento. Até o final de 1531, sobre a sua lápide ardia uma chama atestando o seu culto. Depois seus restos mortais foram destruídos pelos protestantes, mas a sua lembrança se manteve e foram muitos os Santos que se inspiraram no seu exemplo para a busca da espiritualidade eleita. O Papa Gregório XVI, beatificou Henrique Suso em 1831, determinando a sua festa litúrgica para o dia 2 de março.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

https://arquisp.org.br/

sexta-feira, 1 de março de 2024

A Segunda Pregação da Quaresma do cardeal Cantalamessa - Parte 1

2ª Pregação da Quaresma 2024 - Cardeal Cantalamessa

A Segunda Pregação da Quaresma do cardeal Cantalamessa

"O espírito do mundo age de modo análogo. Penetra em nós por mil e um canais, como o ar que respiramos, e, uma vez dentro, muda os nossos modelos operacionais: ao modelo “Cristo”, entra no lugar o modelo “mundo”. O mundo também tem a sua “trindade”, os seus três deuses, ou ídolos para se adorar: prazer, poder, dinheiro. Todos depreciamos os desastres que eles provocam na sociedade, mas estamos certos de que, em nossa pequenez, nós mesmos não somos completamente imunes a eles?"

Fr. Raniero Card. Cantalamessa, OFMCap
“EU SOU A LUZ DO MUNDO”
Segunda Pregação da Quaresma de 2024

Nestas pregações de Quaresma, propomo-nos a meditar sobre os grandes “Eu Sou” (Ego eimi) pronunciados por Jesus no Evangelho de João. Há, porém, uma pergunta que se põe, a propósito deles: foram realmente pronunciados por Jesus, ou são devidos à reflexão posterior do Evangelista, como tantas partes do Quarto Evangelho? A resposta que hoje praticamente todos os exegetas dariam a esta pergunta é a segunda. Estou convencido, porém, de que tais afirmações são “de Jesus”, e procuro explicar porque.

Há uma verdade histórica e uma verdade que podemos chamar de real ou ontológica. Tomemos um desses “Eu Sou” de Jesus, por exemplo, o que diz: “Eu sou o caminho, a verdade e a vida” (Jo 14,6). Se, por alguma improvável nova descoberta, se viesse a conhecer que a frase foi, de fato e historicamente, pronunciada pelo Jesus terreno, não é isto que a tornaria “verdadeira”. Pode-se sempre pensar, de fato, que quem a pronuncia seja um iludido e se engane! (Muitos acreditaram ser a luz do mundo antes e depois dele!). O que a torna “verdadeira” é o fato de que – na realidade e acima de toda contingência histórica – ele é o caminho, a verdade e a vida.

Neste sentido mais profundo e mais importante, todas e cada uma das afirmações que Jesus faz no Evangelho de João são “verdadeiras”, também aquela em que diz: “Antes que Abraão existisse, eu sou” (Jo 8,58). A definição clássica de verdade é “correspondência entre a coisa e a ideia que se tem dela” (adaequatio rei et intellectus); a verdade revelada é correspondência entre a realidade e a palavra inspirada que a proclama. As grandes palavras que meditaremos são, portanto, de Jesus: não do Jesus histórico, mas do Jesus que – como tinha prometido aos discípulos (Jo 16,12-15) – nos fala com a autoridade do Ressuscitado, mediante o seu Espírito.

*    *    *

Da sinagoga de Cafarnaum na Galileia, passemos hoje ao templo de Jerusalém, na Judeia, onde Jesus se dirigiu por ocasião da festa das Tendas. Aqui se desenvolve o debate com “os judeus”, no qual está inserida a autoproclamação de Jesus, que, nesta meditação, queremos acolher:

Eu sou a luz do mundo.
Quem me segue, não caminha na escuridão,
mas terá a luz da vida 
(Jo 8,12).

Esta palavra é tão impregnante e tão bela, que os cristãos, de imediato, escolheram-na como uma das designações preferidas de Cristo. em muitas basílicas antigas – como nas catedrais de Cefalù e de Monreale, na Sicília – no mosaico da ábside, Jesus é representado como o Pantocrator, ou Senhor do universo. Segura um livro aberto diante de si e mostra a página onde estão escritas, em grego e latim, justamente aquelas palavras: “Egô eimi to phôs tou cosmou – Ego sum lux mundi”.

Para nós, hoje, Jesus “luz do mundo” se tornou uma verdade acreditada e proclamada, mas houve um tempo em que ela não era somente isso; era uma experiência vivida, como nos acontece às vezes, quando, após um blackout, a luz volta improvisamente, ou quando, pela manhã, ao abrir a janela, somos inundados da luz do dia. A Primeira Carta de Pedro o define um passar “das trevas para a sua luz maravilhosa” (1Pd 2,9; Col 1,12ss). Evocando o momento da sua conversão e do seu batismo, Tertuliano o descreve com a imagem da criança que sai do útero escuro da mãe e se assusta ao contato com o ar e com a luz. “Saindo – escreve – do ventre comum de uma mesma ignorância, [nós, cristãos,] sobressaltamos à luz da verdade”: ad lucem expa­vescentes véritatis”[1].

*    *    *

Pomo-nos imediatamente a pergunta: o que significa para nós, aqui e agora, aquela palavra de Jesus: “Eu sou a luz do mundo”? A expressão “luz do mundo” tem dois significados fundamentais. O primeiro significado é que Jesus é a luz do mundo, pois a sua é a suprema e definitiva revelação de Deus à humanidade. Afirma-o de modo mais claro e em tom solene o início da Carta aos Hebreus:

Muitas vezes e de muitos modos, Deus falou outrora aos nossos pais, pelos profetas. Nestes dias, que são os últimos, falou-nos por meio do Filho, a quem constituiu herdeiro de todas as coisas e pelo qual também criou o universo (Hb 1,1-2).

A novidade consiste no fato único e irrepetível que o revelador é, ele próprio, a revelação! “Eu sou a luz”, não eu trago a luz ao mundo. Os profetas falavam em terceira pessoa: “Assis diz o Senhor!”, Jesus fala em primeira pessoa: “Eu vos digo!”. Em 1964, Marshall McLuhan lançou o famoso slogan: “O meio é a mensagem”, significando com isto que o meio pelo qual uma mensagem é difundida condiciona a própria mensagem. Este ditado se aplica única e transcendentemente a Cristo. Nele o meio de transmissão é verdadeiramente a mensagem; o próprio mensageiro é a mensagem!

Este, eu dizia, é o primeiro significado da expressão “luz do mundo”. O segundo significado é que Jesus é a luz do mundo dado que lança luz sobre o mundo, isto é, revela o mundo a si mesmo; faz ver cada coisa na sua verdade, pelo que é diante de Deus. Reflitamos sobre cada um dos dois significados, partindo do primeiro, isto é, de Jesus como suprema revelação da verdade de Deus.

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Tradução Frei Ricardo Farias, OFMCap

[1] Cf. Tertuliano, Apologeticum, 39,9.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

A Liturgia no mistério da Igreja

Liturgia (Paróquia São Miguel)

A LITURGIA NO MISTÉRIO DA IGREJA

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)
 

Cadernos do Concílio – Volume 6 

Dando continuidade à reflexão sobre a Coleção “Cadernos do Concílio” em preparação ao jubileu do próximo ano, hoje nos debruçaremos no volume seis (6) dessa coleção que traz como tema: “A liturgia no mistério da Igreja”. O autor é Arturo Elberti da coleção realizada pelo Dicastério para a Evangelização, Seção para as questões fundamentais da Evangelização no mundo, traduzida e publicada pelas Edições CNBB. A liturgia sempre foi uma preocupação da Igreja logo no alvorecer do Concílio Ecumênico Vaticano II (um dos primeiros documentos aprovado e publicado), possibilitando uma maneira com que os fiéis participassem melhor da liturgia e do mistério pascal de Cristo.  

A liturgia é o centro da Igreja, com uma liturgia bem participada e bem-preparada é possível chegar ao ápice do mistério pascal de Cristo. Antes do Concilio Vaticano II os fiéis não entendiam muito bem o que acontecia durante a missa e com isso não chegavam ao ápice do mistério Pascal. Inclusive a sineta que toca até hoje na celebração Eucarística na hora da consagração, era tocada no momento da consagração para que os fiéis voltassem a atenção ao altar naquele momento.  

Por isso, os padres conciliares resolvem atualizar a forma de celebrar a Santa Missa e a liturgia passa a ser possível ser celebrada na língua vernácula. A missa passou a contar com uma maior participação dos fiéis. Houve o que o Concílio chama de “uma celebração Eucarística renovada”.  

Com a reforma litúrgica mudou-se apenas a maneira de celebrar, mas não se perdeu a essência do mistério celebrado. Desde o início da Igreja primitiva, com os apóstolos nos primeiros séculos já se celebrava a Eucaristia, que consistia no essencial que conhecemos até hoje que é: Anúncio da Palavra e Partilha do Pão. Até hoje, quando vamos à missa, participamos de duas grandes mesas: a da Palavra e a da Eucaristia. Isso não mudou, o que ocorreu é que desde os primeiros séculos da Igreja a celebração da Missa foi se adaptando às novas realidades.  

Santo Agostinho fala o seguinte sobre a Santa Missa: “Sendo Deus onipotente, não pôde dar mais; sendo sapientíssimo, não soube dar mais; e sendo riquíssimo, não teve mais o que dar”. A Eucaristia é o pão de cada dia que se toma como remédio para a nossa fraqueza de cada dia”. (Santo Agostinho 354 -430). Essa frase de Santo Agostinho nos ajuda a compreender que não importa a maneira que a missa é celebrada, não devemos nos distanciar do essencial. 

Houve uma mudança também na celebração dos rituais de alguns sacramentos, pois além de atualizar a maneira de celebrar a Santa Missa, foi necessário repassar também todos os sacramentos, colocando em destaque o rito e o conteúdo teológico de cada um deles. Também foram revistos os ritos de ordenação, a benção dos óleos, a benção do Abade e das Abadessas, a consagração das virgens, a profissão religiosa, a dedicação de uma Igreja e a bênção do altar e o ritual de Exéquias.  

Ainda em 1970, o Papa Paulo VI no mês de novembro, introduziu na Igreja a nova edição da liturgia das horas. Ela tornou-se uma oração pública da Igreja, povo de Deus, não apenas reservada ao clero somente ou a algumas ordens religiosas, mas podendo ser rezada também pelos fiéis leigos.  

Podemos observar que a liturgia como um todo não é somente a celebração Eucarística, mas engloba todos os sacramentos e todas as orações da Igreja. Muitas vezes limitamos a liturgia à celebração da missa, mas até mesmo para celebrar os sacramentos, ou a liturgia das horas, é necessário ter uma preparação litúrgica. A liturgia ajuda a reger o rito celebrado, para que tudo saia dentro dos conformes.  

A liturgia tem uma ligação estreita com a história da salvação, pois remete aos textos sagrados do Antigo Testamento, até chegar aos textos que falam da paixão, morte e ressurreição do Senhor e ao ápice do mistério pascal de Cristo. A palavra “mistério” sempre esteve presente, desde o Antigo Testamento, mistério é aquilo que não conseguimos ver aqui, mas contemplaremos de maneira definitiva na vida eterna. Por isso, ao final da consagração o sacerdote diz: Mistério da fé, pois aquilo que aconteceu ali naquele momento só contemplaremos verdadeiramente no céu.  

Um documento que retrata toda essa riqueza litúrgica, e que foi publicado ao longo do Concílio Vaticano II, é a Constituição Conciliar Sacrosanctum Concilium: recomendo que todos façam a leitura desse documento. Essa mesma Constituição Conciliar diz que Cristo continua presente na Igreja por meio da Liturgia. Uma liturgia bem celebrada e bem-organizada nos conduz para o mistério de Cristo. É claro que além de bem celebrada e organizada para que que cheguemos ao ápice do mistério de Cristo é preciso que todos participem atentamente.  

A presença de Cristo na liturgia se dá nas seguintes formas: a) no sacrifício e precisamente no presbítero; b) nos “Sacramentos”, porque Cristo está presente neles; c) na Palavra proclamada na assembleia. Temos a presença real de Cristo na Eucaristia, que é uma presença perpétua, pois mesmo após a consagração Ele permanece presente e real no sacrário. Nos demais sacramentos Ele está presente enquanto acontece aquele sacramento. Bem sabemos que Jesus instituiu todos os sacramentos, por isso, de maneira evidente Ele está presente em todos.  

Em tudo isso, celebramos aqui na terra aquilo vivenciaremos de maneira definitiva no céu. Como dizemos após a oração do Pai Nosso no rito da comunhão: “Enquanto vivendo a esperança, aguardamos a vinda gloriosa de Nosso Senhor Jesus Cristo”. Somos a Igreja peregrina a caminho da Igreja celeste, caminhamos ao encontro do Senhor.  

Como já dissemos a celebração do mistério acontece desde o tempo apostólico, pois os discípulos já anunciavam a paixão, morte e ressurreição do Senhor. A cada celebração da missa é atualizado o mistério Pascal de Cristo, na hora da consagração não é apenas uma repetição de palavras, mas é como se acontecesse novamente ali a última ceia.  

Ao longo do tempo a Igreja foi personificando a maneira de celebrar a liturgia, mas não perdendo a essência do mistério e da liturgia que é Cristo. Durante a missa devemos nos esquecer de tudo o que acontece do lado de fora e deixar para trás os nossos problemas, e nos concentrar em tudo o que acontece ao longo da celebração. Para que o mistério aconteça verdadeiramente em nossas vidas devemos estar concentrados.  

Todas as ações litúrgicas são para todo o povo, como já reportamos acima, a liturgia não é do bispo ou do padre, ela é da Igreja, e toda a ação litúrgica é direcionada a todo o corpo da Igreja. “As ações litúrgicas não são pessoais, mas celebrações da Igreja que é sacramento da unidade, isto é, povo santo reunido e orientado pelos Bispos” (SC, n.26).  

Recomendo que para uma melhor compreensão da liturgia e para que possamos nos aprofundar no tema leiamos a “Sacrosanctum Concilium”. Ao ler o documento que possamos entender que a reforma litúrgica foi necessária, e ainda compreender o mistério que é celebrado. Lembremos sempre que a liturgia está no coração da Igreja.


Fonte: https://www.cnbb.org

O Papa: o perigo mais feio é a ideologia de gênero, que anula as diferenças

Papa Francisco e o cardeal Ouellet (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Francisco recebeu os participantes da conferência “"Homem-Mulher, imagem de Deus. Por uma antropologia das vocações", promovida pelo Centro de Pesquisa e Antropologia das Vocações. Devido a um resfriado, o Papa pediu ao seu colaborador mons. Ciampanelli para ler o texto preparado, mas numa breve saudação improvisada, volta a estigmatizar a ideologia de gênero que cancela as diferenças: "Cancela a humanidade".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco recebeu em audiência, nesta sexta-feira (1°/03), no Vaticano, os participantes do encontro internacional "Homem-Mulher, imagem de Deus. Por uma antropologia das vocações", promovido pelo Centro de Pesquisa e Antropologia das Vocações (CRAV) e coordenado pelo prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, cardeal Marc Ouellet. O encontro se realiza, no Vaticano, neste 1° de março e no sábado, dia 2, e reúne vários estudiosos, filósofos, teólogos e pedagogos para refletir sobre a antropologia cristã, o pluralismo, o diálogo entre culturas, e o futuro do cristianismo.

Antes de seu discurso, lido pelo seu colaborador o mons. Filippo Ciampanelli, porque o Papa ainda está resfriado e se cansa quando lê, Francisco proferiu algumas breves palavras.

Encontro importante entre homens e mulheres

Gostaria de sublinhar uma coisa: é muito importante que haja este encontro, este encontro entre homens e mulheres, porque hoje o perigo mais feio é a ideologia de gênero, que anula as diferenças. Pedi para fazer estudos sobre essa ideologia ruim do nosso tempo, que apaga as diferenças e torna tudo igual; cancelar a diferença é cancelar a humanidade. Homem e mulher, porém, vivem uma "tensão" fecunda.

A seguir, o Papa disse que leu um romance do início do século XX, escrito pelo filho do arcebispo de Cantuária intitulado: "O Senhor do Mundo". Segundo Francisco, "o romance fala do futurismo e é profético, pois mostra essa tendência de cancelar todas as diferenças". "É interessante lê-lo, porque há esses problemas de hoje. Aquele homem era um profeta", sublinhou.

Um momento da audiência na Sala Nova do Sínodo (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

A seguir, o mons. Ciampanelli leu o discurso do Papa, que destaca que "o objetivo desta conferência é, primeiramente, considerar e valorizar a dimensão antropológica de cada vocação. Isto remete-nos para uma verdade elementar e fundamental, que hoje precisamos redescobrir em toda a sua beleza: a vida do ser humano é uma vocação. Não nos esqueçamos: a dimensão antropológica, subjacente a cada chamado no âmbito da comunidade, tem a ver com uma característica essencial do ser humano como tal: isto é, que o próprio homem é vocação".

Em seu discurso, o Pontífice ressalta que "cada um de nós, tanto nas grandes escolhas que dizem respeito a um estado de vida quanto nas muitas ocasiões e situações em que elas se encarnam e tomam forma, descobre e se expressa como chamado, como uma pessoa que se realiza na escuta e na resposta, compartilhando seu ser e seus dons com os outros para o bem comum".

Identidade em relação

Segundo o Papa, "esta descoberta nos tira do isolamento de um eu autorreferencial e nos faz olhar para nós mesmos como uma identidade em relação: eu existo e vivo em relação a quem me gerou, à realidade que me transcende, aos outros e ao mundo que me circunda, em relação ao qual sou chamado a abraçar com alegria e responsabilidade uma missão específica e pessoal".

De acordo com Francisco, "essa verdade antropológica é fundamental porque responde plenamente ao desejo de realização humana e de felicidade que habita em nosso coração".

No contexto cultural atual, às vezes há uma tendência a esquecer ou obscurecer essa realidade, com o risco de reduzir o ser humano apenas às suas necessidades materiais ou exigências primárias, como se fosse um objeto sem consciência ou vontade, simplesmente arrastado pela vida como parte de uma engrenagem mecânica.

Alguns dos participantes da conferência no Vaticano (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Neste sentido, o Papa recomenda não sufocar a "saudável tensão interior" que cada um carrega dentro de si, ou seja, o chamado "à felicidade, à plenitude da vida, a algo grande a que Deus nos destinou".

A vida de cada um não é um acidente de percurso

A vida de cada um de nós, sem exceção, não é um acidente de percurso; a nossa existência no mundo não é mero fruto do acaso, mas fazemos parte de um plano de amor e somos convidados a sair de nós mesmos e realizá-lo, para nós e para os outros.

Segundo o Papa, "cada um de nós tem uma missão, ou seja, é chamado a dar a sua contribuição para melhorar o mundo e moldar a sociedade". Francisco encoraja as pesquisas, os estudos e as oportunidades de debates sobre as vocações, os diferentes estados de vida e a multiplicidade de carismas: "São também úteis para nos questionar sobre os desafios de hoje, sobre a crise antropológica em andamento e sobre a necessária promoção das vocações humanas e cristãs." É importante também que se desenvolva "uma circularidade cada vez mais eficaz entre as diferentes vocações", para que as obras que surgem do estado de vida laical a serviço da sociedade e da Igreja, junto com o dom do ministério ordenado e da vida consagrada, possam contribuir para gerar esperança num mundo sobre o qual pairam pesadas experiências de morte".

Por fim, o Papa desejou a todos um bom trabalho e disse-lhes "para não terem medo nestes momentos tão ricos na vida da Igreja".

O Espírito Santo nos pede algo importante: fidelidade. Mas a fidelidade está a caminho e muitas vezes a fidelidade nos leva a arriscar. A “fidelidade de museu” não é fidelidade. Sigam em frente com a coragem de discernir e se arriscar, buscando a vontade de Deus. Coragem e sigam em frente, sem perder o senso de humor!

Papa Francisco, cardeal Ouellet e mons. Ciampanelli (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Santo Albino

01 de março
Santo Albino

Santo Albino nasceu no ano de 469 em Vannes, na Bretanha, França, filho de uma nobre família inglesa e cristã que ali se estabeleceu. Desde criança, destacou-se pela inteligência, piedade e generosidade. Jovem, manifestava já a vocação religiosa.

Aos 20 anos, tornou-se monge no mosteiro de Timcillac, perto de Angers (depois nomeado Saint-Aubin em sua honra); para isso renunciou a títulos e a uma rica herança. Com apenas 25 anos foi escolhido abade, e mais tarde feito bispo de Angers.

Sua atuação no bispado destacou-se pela moralização dos costumes, o combate aos casamentos incestuosos comuns à sua época na região, motivados em essência por interesses sucessórios. Condenou este e outros vícios morais em dois concílios regionais em Órleans, de 538 e 541, deles participando ativamente, e arriscando a vida, por causa da oposição de pessoas poderosas interessadas nestes costumes. Seus esforços tiveram sucesso e tal barbaridade diminuiu de forma drástica.

As narrações populares atribuem para Dom Albino a realização de grandes milagres. Assim, uma mulher chamada Etheria que estava na prisão, por dívidas ao Estado no tempo do rei Childebert, recebeu sua visita, e atirou-se-lhe aos pés, implorando ajuda; um guarda ameaçou bater nela, mas Albino, com apenas um sopro, teria feito com que ele caísse no chão, como morto. Depois disso, ela foi solta.

Em outra ocasião, ao passar perto da torre da prisão de Angers, Dom Albino ouviu gritos e gemidos dos presos, muito maltratados. Recorreu então ao juiz local, intercedendo pela libertação dos que podiam ser soltos e pelo tratamento mais caridoso aos que não podiam. Seu pedido sendo negado, voltou à torre e ali rezou por horas. Em seguida, um grande deslocamento de terra derrubou a torre, libertando os prisioneiros, que o seguiram até a igreja de São Maurício, onde se estabeleceram. E, sob sua orientação, tornaram-se fiéis exemplares.

Noutra situação, um homem que sofria horrivelmente de dores nos rins o procurou, ajoelhou-se e pediu-lhe a bênção. Albino, tocado de misericórdia, impôs-lhe as mãos, e imediatamente o cálculo renal foi expelido e o homem curado.

Santo Albino faleceu no dia 1º de março de 549. Seu túmulo tornou-se logo um local de peregrinação, e muitos milagres lhe foram atribuídos.

 Ele é protetor dos que sofrem de doenças renais.

Colaboração: José Duarte de Barros Filho

Reflexão:

As depravações humanas sempre existiram, mas após a irradiação do Catolicismo, inicialmente na cultura europeia e ocidental e posteriormente no mundo todo, em muito foram mitigados os comportamentos aberrantes e antinaturais que o pecado oferece. Hoje em dia, muito da cultura cristã foi esquecida, perdida ou rejeitada, em vários setores – moral, arte, educação… não à toa, mesmo nos países tradicionalmente católicos do Ocidente, vê-se o retorno ou o surgimento de vícios e erros que ofendem a Deus e desorganizam a sociedade de forma alarmantemente prejudicial. Necessária é a retomada da postura de São Albino, de fidelidade aos ensinamentos e Mandamentos de Cristo, para corrigir estes desvios, e assim, como que por milagre, certamente as nações, a partir das suas famílias bem estruturadas, poderão ter paz e progresso verdadeiro: primeiro o do espírito, para conduzir correta e beneficamente o material.

Oração:

Senhor Deus de Misericórdia, que não Vos esqueceis das necessidades e sofrimentos dos Vossos filhos, concedei-nos pela intercessão de Santo Albino a Fé para renunciar às pobres riquezas deste mundo, e seguir o seu exemplo de firmeza moral e espiritual a fim de derrubar as torres de vícios e erros do nosso tempo, de modo a termos a verdadeira libertação das almas, das pessoas e dos países. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, Vosso Filho, e Nossa Senhora. Amém.


Fonte: https://www.a12.com/

quinta-feira, 29 de fevereiro de 2024

Quando o trabalho prejudica sua saúde mental

voronaman | Obturador
Por Javier Fiz Pérez publicado em 11/09/18 atualizado em 28/02/24
O trabalho pode ficar complicado após dias exaustivos, causando uma grande carga mental que leva a transtornos de ansiedade e depressão.

Mais de 300 milhões de pessoas no mundo sofrem de ansiedade , levando-as posteriormente a sofrer de um transtorno depressivo , que é a principal causa de incapacidade. Tudo isso devido ao trabalho excessivo ou inadequado.

De acordo com um estudo liderado pela OMS, a depressão e os transtornos de ansiedade custam à economia global 1 bilião de dólares por ano em perda de produtividade.

Por outro lado, é sabido que o desemprego é um factor de risco para a saúde mental, ao passo que a obtenção de um emprego ou o regresso ao trabalho tem efeitos positivos no humor das pessoas.

Por outro lado, voltar ao trabalho depois das férias cria um clima nem sempre positivo. É difícil voltar ao ritmo. Em qualquer caso, devemos saber distinguir entre o cansaço e a fadiga que normalmente se sente no regresso a ritmos de trabalho pouco saudáveis ​​e a contextos onde, apesar da boa vontade dos trabalhadores, muitos sofrem de problemas mentais.

A promoção da saúde mental no local de trabalho e o apoio às pessoas que sofrem de perturbações psiquiátricas reduzem o absentismo no trabalho, aumentam a produtividade e aumentam os benefícios económicos.

PeopleImages.com – Yuri A | Obturador

Riscos para a saúde relacionados com o trabalho

Existem muitos fatores no ambiente de trabalho que podem afetar a saúde mental.

  • Organização de trabalho inadequada
  • A má direção
  • Falha na definição das funções de cada trabalho
  • As habilidades e competências da equipe
  • As facilidades oferecidas aos funcionários para realizarem seu trabalho.

Por exemplo, uma pessoa pode ter as competências necessárias para desempenhar as suas tarefas, mas pode não ter recursos suficientes ou não receber o apoio de que necessita devido às práticas de gestão e administração da empresa.

Por outro lado, os riscos podem ser maiores em situações em que a equipa não é coesa ou o apoio social não está disponível.

Por último, o assédio psicológico e a intimidação no trabalho ( mobbing ) causam stress laboral e outros danos à saúde física e psicológica dos trabalhadores.

Em suma, estes efeitos para a saúde têm consequências para as empresas e afetam negativamente as interações familiares e sociais dos funcionários.

Faça uma doação à Aleteia:

https://es.aleteia.org/apoya-a-aleteia/?utm_campaign=easter2024&utm_content=cta&utm_medium=inread_box&utm_source=es_aleteia

Fonte: https://es.aleteia.org/

Simpósio no Vaticano sobre antropologia das vocações e o futuro do cristianismo

Palácio Apostólico - Vaticano (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Nos dias 1º e 2 de março, na Sala Nova do Sínodo, a iniciativa acadêmica intitulada "Homem-Mulher: imagem de Deus", organizada pelo “Centre de Recherche et d'Anthropologie des Vocations” (CRAV), que contará com a presença do Papa Francisco e do cardeal Ouellet, juntamente com especialistas em Sagrada Escritura, filosofia, teologia, pedagogia.

Vatican News

O simpósio Homem-Mulher: imagem de Deus, para uma antropologia das vocações será realizado no Vaticano nos dias 1º e 2 de março e contará com a presença do Papa Francisco e de especialistas internacionais em Sagrada Escritura, filosofia e teologia, ciências humanas e pedagogia. O cardeal Marc Ouellet, prefeito emérito do Dicastério para os Bispos, fará as honras da casa. O objetivo do evento de dois dias, organizado pelo CRAV (Centre de Recerche et d'Anthropologie des Vocations), é oferecer uma visão atualizada da antropologia cristã em uma era de pluralismo e diálogo entre culturas, a fim de sustentar o significado da vida como vocação.

Foco em tópicos como casamento, sacerdócio e vida consagrada

O evento é aberto a um público amplo e o programa contará com a participação de vários especialistas que também responderão à pergunta: "a quem é dirigido o chamado de Deus?". Um simpósio para explorar a antropologia cristã, abordando tópicos como o matrimônio, o sacerdócio e a vida consagrada. Para descobrir a beleza de cada vocação. O cardeal Ouellet explica: "a era do cristianismo terminou e uma nova era na transmissão do patrimônio cultural e espiritual dos cristãos exige que os crentes de todo o mundo se reposicionem diante de um ambiente que se tornou estranho, indiferente ou até mesmo hostil, mesmo em países tradicionalmente católicos. Uma das áreas mais marcantes dessa mudança de época é a antropologia, onde o eclipse das referências religiosas e a crescente autoridade das ciências humanas estão dando origem a um panorama de visões contrastantes do ser humano.

Elas oscilam entre um espiritualismo desvinculado da condição corpórea e um materialismo que reduz todas as aspirações transcendentes a dados biopsíquicos tecnicamente controláveis. Não podemos mais sonhar com um retorno a um estado anterior de coisas, após uma "trégua" e uma superação da atual "crise"; devemos pensar em outros termos sobre o futuro do cristianismo, em um contexto que espera que os cristãos encontrem um novo paradigma para dar testemunho de sua identidade".

"É por isso", continua explicando o cardeal, "que devemos escolher uma abordagem da diversidade cultural e religiosa que permita o diálogo e a proposta da visão cristã com toda a gratuidade e com uma preocupação pela fraternidade humana. A questão antropológica, por exemplo, cujos aspectos mais diversos são frequentemente debatidos nas esferas científica, universitária, escolar e familiar, deve ser abordada com esse espírito. Será que estamos no alvorecer de um salto qualitativo para a espécie humana, à beira de uma mutação transhumanista, possibilitada pela tecnociência e pelo excesso de comunicação, e estimulada pela proliferação de experimentos biomoleculares, transgêneros e espaciais? Todas as hipóteses parecem abertas, não fosse o fato que é muito fácil esquecer que a grande maioria dos seres humanos vive em condições sub-humanas, que multidões são lançadas em rotas migratórias por pressões climáticas ou outras causas, que a eclosão de múltiplos conflitos e o rearmamento geral desafiam a razão ética para conter uma corrida louca para a frente, para evitar que os recursos que deveriam, antes de mais nada, garantir um mínimo de bem-estar para toda a humanidade sejam lançados aos quatro ventos”.

Espaço para a Palavra de Deus

"Qual futuro para a humanidade? Que tipo de defesa da humanidade temos que inventar para enfrentar os desafios de hoje? Que esperança podemos oferecer àqueles que buscam um sentido? Todas essas são perguntas que a Igreja Católica tem em mente ao proclamar o Evangelho da salvação. A nova situação antropológica exige diálogo, respeito pela diversidade e solidariedade com os mais pobres e vulneráveis. Isso não impede que a visão cristã do homem e da mulher seja apresentada em sua originalidade e especificidade. Pelo contrário, a situação atual oferece uma oportunidade imperdível para reafirmar as coordenadas da pessoa humana segundo a revelação cristã e para oferecer ao diálogo uma antropologia das vocações enraizada no sentido da vida como vocação. Na cacofonia de hoje, há mais espaço do que nunca para ouvir a Palavra de Deus e extrair da Sabedoria divina as coordenadas de significado para a vida humana presente e futura".

Uma continuação do simpósio de 2022 sobre o sacerdócio

A iniciativa acadêmica é uma continuação do simpósio de fevereiro de 2022 For a Fundamental Theology of the Priesthood (Por uma teologia fundamental do sacerdócio), que estudou a relação entre o sacerdócio comum dos batizados e o ministério ordenado em seus três graus. O Comitê Científico do Centre de Recherche et d'Anthropologie des Vocations (CRAV), que organizou o simpósio sobre o Sacerdócio", enfatiza uma nota, "vê a questão antropológica como um seguimento natural dessa pesquisa, que explora o significado eclesial das vocações a partir da perspectiva de uma antropologia fundamental. Essa perspectiva pastoral indica que a pesquisa é de interesse de um público amplo, não apenas de especialistas.

Uma visão global da resposta cristã aos problemas antropológicos

"Pastores, formadores e educadores de todos os níveis", enfatiza o comunicado, "poderão encontrar aqui uma visão global da resposta cristã aos problemas antropológicos atuais, sem polêmicas ou recuos identitários, uma visão desenvolvida no horizonte da fé e oferecida com serenidade como forma de apropriação do sentido cristão da vida para todos aqueles que buscam a verdade". O lugar escolhido e a qualidade dos participantes são suficientes para confirmar a importância do tema, a urgência de tal reflexão diante de uma certa confusão e perplexidade, e o desejo de lançar uma luz que seja ao mesmo tempo energizante e pacificadora para as pessoas que estão fazendo pesquisa ou que têm responsabilidades pastorais".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF