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sábado, 21 de fevereiro de 2026

Este mandamento tem uma promessa de vida para quem o cumpre

PeopleImages | Shutterstock

Mónica Muñoz - publicado em 16/01/26

Existem dez mandamentos da lei de Deus e cinco da Igreja, mas este aqui contém uma promessa de vida para quem o segue.

O católico comum sabe que, desde o Antigo Testamento, Deus deixou escritos os Dez Mandamentos nas Tábuas da Lei. Depois, a Igreja nos deu cinco mandamentos para fortalecer nossa fé e auxiliar em suas necessidades. No entanto, apenas um mandamento contém uma grande promessa para quem o observa de maneira pontual.

Mandamento sobre os pais

Certamente, é na Sagrada Escritura que encontramos este belo mandamento. Mais especificamente, é no livro do Eclesiástico (também chamado de Sirácida ou Sirácides) — onde se preservou a sabedoria do homem que teme a Deus — que podemos lê-lo.

Mas, do que trata este mandamento? Do respeito que os filhos devem aos seus pais:

Filho, ampara a velhice de teu pai e não o tragas em tristeza durante a sua vida; mesmo que sua inteligência desfaleça, sê compreensivo e não o desprezes, estando tu em pleno vigor. Pois a caridade feita ao pai não será esquecida, mas servirá para reparar os teus pecados." (Eclo 3, 3-7. 14-17a)

A promessa de vida

É fácil entender por que Deus prometeu bênçãos e vida longa àqueles que honram seus pais. Digamos que, na ordem dos mandamentos da Lei de Deus, este é o mais importante após os que ordenam servi-Lo e honrá-Lo. O quarto mandamento nos exige respeitar nossos pais porque eles representam a autoridade de Deus.

O próprio Senhor Jesus, sendo Deus, "lhes era submisso" (Lc 2, 51).

Além disso, é com eles que aprendemos a viver a fé e a ser pessoas de bem. Ambos são encarregados de oferecer ao mundo cristãos responsáveis e úteis. Naturalmente, os pais não são perfeitos e, em certas ocasiões, não cumprem seu dever. É nesses momentos que nós, filhos, devemos orar por eles, pois nunca encontraremos na Bíblia uma linha sequer contra os pais que falham com seus filhos — nem mesmo se tiverem sido ruins.

Por esses motivos, olhemos com os olhos de Deus para aqueles que nos deram a vida e busquemos alcançar as promessas que o Senhor fez a que

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Papa pede a padres que usem o cérebro, não IA, para preparar homilias

Papa Leão XIV discursa ontem (19) para padres da diocese de Roma na Aula Paulo VI, no Vaticano. | Vatican Media

Por Marco Mancini*

20 de fev de 2026

Numa conversa particular ontem (19) com padres da diocese de Roma, o papa Leão XIV respondeu a quatro perguntas, aconselhando-os sobre oração, estudo e fraternidade sacerdotal.

O momento, que não foi filmado, ocorreu depois que Leão XIV fez um discurso público aos padres, exortando-os a "reacender a chama" de seu ministério.

“O primeiro padre a falar foi um jovem que perguntou ao papa como o Evangelho pode ser vivido no mundo dos jovens”, segundo um padre presente na reunião de ontem na Aula Paulo VI, no Vaticano.

O padre disse à ACI Stampa, agência em italiano da EWTN, que a resposta do papa a essa pergunta foi: “Antes de tudo, o que é necessário é o testemunho do padre; e depois, encontrando jovens, eles devem ampliar seus horizontes para alcançar o maior número possível de jovens. Para isso, é necessário redescobrir o valor da comunhão”.

Respondendo a uma segunda pergunta, Leão XIV recomendou conhecer bem “a comunidade em que se vive e trabalha”.

“É necessário conhecer bem a realidade”, disse ele. “Para amar a sua comunidade, é preciso conhecê-la. Portanto, é necessário um verdadeiro esforço conjunto para compreendê-la melhor e, assim, enfrentar juntos todos os desafios que surgirem”.

“O papa também nos exortou a usar mais o nosso intelecto e não a inteligência artificial [IA] para preparar as homilias, como ele tem visto e ouvido acontecer”, disse o padre. “E aqui o papa fez uma forte recomendação em relação à oração: nós, sacerdotes, devemos rezar — permanecer com o Senhor, ou seja — não reduzir tudo ao breviário ou a alguns breves momentos de oração, mas aprender verdadeiramente a escutar o Senhor novamente”.

A terceira pergunta foi mais reflexiva: Hoje, como sacerdotes, somos incapazes de nos alegrar com o sucesso de outro sacerdote.

Leão XIV disse que “todos somos humanos, mas devemos dar um bom exemplo, especialmente o exemplo da fraternidade sacerdotal”.

Ele falou longamente sobre como cultivar a amizade sacerdotal. O papa também os exortou a continuar estudando. “Deve ser um estudo contínuo; devemos sempre nos manter atualizados”, disse o sacerdote de Roma. “Mas o fundamental é cultivar a amizade sacerdotal, a fraternidade sacerdotal”.

A última pergunta foi sobre aos padres idosos e à sua solidão. Segundo o padre, a resposta de Leão XIV “reafirmou a necessidade de fraternidade, da alegria de estarmos juntos”.

“Devemos dar graças, viver verdadeiramente a gratidão pelo fato de sermos padres, desde o dia da nossa ordenação, todos os dias, e agradecer a Deus por esse grande dom, e viver o sacerdócio com gratidão. E aqui, também se exige muita humildade”.

“Pessoalmente, fiquei feliz”, concluiu o padre. “Agradecemos muito ao papa por um discurso muito, muito concreto”.

*Jornalista baseado em Roma, trabalhou para a agência de imprensa 'Area', lidando com políticas internas, economia, mas acima de tudo com o Vaticano. Jornalista profissional desde 2008 e credenciado na sala de imprensa na Santa Sé, acompanhou os conclaves de 2005 e 2013. Trabalha atualmente para a ACI Stampa, agência de notícias do grupo EWTN em italiano. Ao lado de seu colega Andrea Gagliarducci, é autor de "La Quaresima dela Chiesa" e "Benedetto XVI, a total Pope".

Fonte: https://www.acidigital.com/

sexta-feira, 20 de fevereiro de 2026

O que, exatamente, se fez carne no Evangelho de João?

Blessed Virgin Mary with baby Jesus Byzantine mosaic art on the Hagia Sophia apse in Istanbul, Turkey | Artur Bogacki | Shutterstock

Daniel R. Esparza - publicado em 29/01/26

O que se fez carne é chamado de λόγος — o Logos — e João trata esse Logos como alguém, não como algo. E quanto a <em>Verbum</em>? E "Palavra"?

Quando os cristãos falam da Encarnação, surge uma pergunta enganosamente simples: o que foi encarnado? Um conceito? Uma palavra dita em voz alta? Um princípio filosófico? O Prólogo do Evangelho de João responde com cuidado gramatical e ousadia teológica. O que quer que tenha se feito carne é chamado de λόγος — o Logos — e João trata esse Logos como alguém, e não como algo.

Logos: Um termo com profundidade e direção

João abre seu evangelho dizendo: ν ρχ ν λόγος” (“No princípio era o Logos”).

A palavra grega logos possui um campo semântico vastíssimo. Pode significar palavra, discurso, relato, explicação, argumento ou razão. Seu verbo de origem, legein, significava originalmente “reunir” ou “coletar”.

Um logos é aquilo que reúne a realidade em uma ordem inteligível: uma narrativa montada a partir de eventos, uma lógica extraída de causas, um padrão que dá sentido às coisas.

Na filosofia grega, o logos podia até designar a estrutura racional do cosmos. João se apropria dessa riqueza e a reformula. Ele atribui relacionamentos ao Logos.

O Logos está “com” Deus (pros ton theon), uma expressão que sugere orientação e presença, e “era Deus” (theos ēn ho logos). A sintaxe é fundamental aqui: o Logos compartilha a natureza de Deus sem ser idêntico ao Pai. Desde a primeira linha, o Logos de João se relaciona.

Por que “Palavra” ainda funciona — com cautela

As Bíblias em português (e inglês) traduzem logos como “Palavra” (ou "Verbo"), uma escolha herdada de séculos de leitura cristã. Nas Escrituras, “palavra” frequentemente significa uma expressão eficaz — um discurso que realiza aquilo que declara. A própria Criação se desenrola por meio de tal fala: Faça-se... A “Palavra” no Evangelho de João é a autoexpressão de Deus, a vida divina comunicada para fora.

Isso se torna explícito em João 1, 14: “κα λόγος σρξ γένετο” — “e o Logos se fez carne”. O verbo egeneto (“tornou-se” ou “fez-se”) sinaliza uma mudança real na história, e sarx (“carne”) aponta para a condição plena da vida humana: mortalidade, vulnerabilidade, existência corporal. Ao usar "carne", João escolhe deliberadamente um termo que resiste à espiritualização. O que entra na história compartilha nossos limites materiais.

Verbum: A herança latina no Evangelho

Quando o cristianismo latino traduziu logos como verbum, utilizou uma palavra que combina fala com ação. Este é o gênio da tradução de São Jerônimo. Verbum pode significar uma palavra falada, mas é também a raiz de “verbo”, a palavra do fazer, da ação. Existiam outras opções em latim — ratio (razão) ou sermo (discurso) — mas verbum preservou o sentido de uma expressão que age.

Essa escolha moldou a teologia.

Santo Agostinho falava do Verbum como o autoconhecimento do Pai, eternamente gerado, pessoal, vivo. O termo latino sustentou a reflexão sobre o Filho como a própria expressão de Deus, sem dissolvê-lo em um princípio abstrato. A Igreja mais tarde insistiria, com precisão, que o Filho eterno assumiu uma natureza humana completa. Como afirma o Catecismo, o Filho “tornou-se verdadeiramente homem, permanecendo verdadeiramente Deus” (CIC 464).

A gramática, não a metáfora, resolve a questão

A linguagem de João é concreta. Ele escreve sobre o Logos — definido, pessoal — que entra no tempo. O cristianismo começa com a afirmação de que a própria autoexpressão de Deus tem uma história humana, um corpo humano e um nome humano. A Encarnação, no relato de João, não é a chegada de uma ideia, mas o advento de uma pessoa que pode ser vista, ouvida e tocada.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

A Fraternidade São Pio X rejeita o diálogo com a Santa Sé. Ordenações confirmadas

Basílica de São Pedro (Vatican News)

Em uma carta dirigida ao cardeal Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, o superior geral Pagliarani afirma não vislumbrar a possibilidade de iniciar um diálogo “teológico” como proposto pela Santa Sé, visto que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada”. Não sendo possível chegar a um acordo sobre a doutrina, confirma-se, portanto, a decisão de consagrar novos bispos em 1º de julho.

Salvatore Cernuzio – Vatican News

Não à proposta de um diálogo “especificamente teológico” apresentada pela Santa Sé, porque, de qualquer forma, nunca se colocariam em dúvida os textos do Concílio nem a legitimidade da reforma litúrgica. Sim às consagrações de novos bispos previstas para o próximo dia 1º de julho. A Fraternidade São Pio X responde com uma carta do superior geral, padre Davide Pagliarani, ao cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé, após o encontro entre os dois ocorrido no dia 12 de fevereiro último, no Vaticano. Encontro que Fernández definiu em um comunicado posterior como “cordial” e “sincero” e após o qual informou ter proposto aos membros da Fraternidade iniciar “um diálogo especificamente teológico” com “uma metodologia bem precisa, sobre temas que ainda não tiveram uma suficiente precisão”. A proposta foi acompanhada pelo pedido de suspensão das ordenações episcopais anunciadas no dia 2 de fevereiro, pois isso “implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo”.

Pagliarani, há uma semana, havia informado que apresentaria a proposta do Vaticano aos membros do Conselho Geral da Fraternidade e confirma que foi “dedicado o tempo necessário para avaliá-la”. Nesta terça-feira, 18 de fevereiro, chegou a resposta ao cardeal assinada pelos cinco membros do Conselho Geral.

A proposta de diálogo

Na carta dirigida ao cardeal Fernández, o superior dos chamados lefebvrianos (do nome do bispo Marcel Lefebvre, que fundou a associação na década de 1970 em oposição às reformas do Concílio Vaticano II) diz alegrar-se, por um lado, com a “nova abertura ao diálogo”, como “resposta positiva” à sugestão de “uma discussão” doutrinária já avançada por ele mesmo em janeiro de 2019, em “um momento sereno e pacífico, sem a pressão ou a ameaça de uma eventual excomunhão”. Por outro lado, Pagliarani rejeita a proposta da Santa Sé porque um caminho de diálogo comum não poderia, de qualquer forma, “chegar a determinar em conjunto o que constituiria ‘o mínimo necessário para a plena comunhão com a Igreja Católica’”, uma vez que “os textos do Concílio não podem ser corrigidos, nem a legitimidade da Reforma litúrgica questionada”.

“O Concílio – sublinha Pagliarani – não constitui um conjunto de textos livremente interpretáveis: ele foi recebido, desenvolvido e aplicado ao longo de sessenta anos pelos Papas que se sucederam, segundo orientações doutrinárias e pastorais precisas. Essa leitura oficial se expressa, por exemplo, em textos importantes como Redemptor hominisUt unum sintEvangelii gaudium ou Amoris lætitia. Ela também se manifesta na reforma litúrgica, compreendida à luz dos princípios reafirmados em Traditionis custodes. Todos esses documentos mostram que o quadro doutrinário e pastoral no qual a Santa Sé pretende situar qualquer discussão já está determinado”.

Ordenações confirmadas

“Por estas razões – acrescenta Pagliarani –, na consciência partilhada de que não podemos chegar a um acordo sobre a doutrina, parece-me que o único ponto em que podemos concordar é o da caridade para com as almas e para com a Igreja”.

O responsável da FSSPX - que de fato não admite a legitimidade do rito litúrgico resultante da reforma litúrgica - afirma, portanto, não poder aceitar “a perspectiva e os objetivos em nome dos quais o Dicastério propõe uma retomada do diálogo no momento atual; nem, concomitantemente, o adiamento da data de 1º de julho”. As ordenações de novos bispos são, portanto, confirmadas como “necessidade concreta a curto prazo para a sobrevivência da Tradição”.

O comunicado do cardeal Fernández

Como se recordará, no comunicado do último dia 12 de fevereiro, o cardeal Fernández declarou: “foi reiterado pela Santa Sé que a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre, que detém um poder ordinário supremo, que é pleno, universal, imediato e direto (cf. CDC, cân. 331; Cost. Dogm. Pastor aeternus, cap. I e III) implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo (João Paulo II, Lett. Ap. Ecclesia Dei, 2 de julho de 1988, nn. 3 e 5c; Pontifício Conselho para os Textos Legislativos, Nota explicativa, 24 de agosto de 1966, n. 1)”.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

EDITORIAL: Nosso pecado e o peso de um mundo em chamas

Papa Leãp XIV (Vatican Media)

A homilia de Leão XIV na Missa da Quarta-feira de Cinzas e a nossa responsabilidade.

Andrea Tornielli

"Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!" As palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV na homilia da Missa da Quarta-feira de Cinzas fotografam uma realidade do nosso tempo: vivemos circundados por pessoas, empresas e instituições em todos os níveis que raramente admitem que erraram. Temos enormes dificuldades em admitir que cometemos erros e pedir perdão, reconhecendo o nosso erro.

O início da Quaresma é uma grande oportunidade para os cristãos se reconhecerem como pecadores, necessitados de ajuda e de perdão, e chama a atenção como o Sucessor de Pedro tenha desejado enfatizar a sua dimensão comunitária: "A Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados". Em vez de buscar sempre o inimigo externo, em vez de olhar para o mundo considerando-nos sempre justos e do lado certo, somos chamados a uma atitude contracorrente e a "um corajoso assumir de responsabilidades", pessoal mas também coletivo.

Porque é verdade que o pecado "é pessoal", como enfatizou o Papa. Mas é igualmente verdade — acrescentou ele, ecoando a Encíclica Sollicitudo rei socialis de São João Paulo II — que isso "ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que nos condicionamos mutuamente, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem económica, cultural, política e até religiosas".

Entre estas poder-se-ia incluir, por exemplo, alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro, que produz enormes desequilíbrios e injustiças, definido pelo Papa Francisco em sua primeira exortação apostólica como "uma economia que mata". Ou os enormes interesses econômicos que impulsionam o vasto mercado de armamentos, que precisa ser alimentado por conflitos permanentes.

As cinzas sobre a cabeça de cada indivíduo e da comunidade como um todo nos convidam a sentir, como disse Leão XIV, "o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura".

Ao iniciarmos o caminho quaresmal, torna-se assim importante essa coparticipação, na consciência que o pecado pessoal se amplifica e se cristaliza em "estruturas de pecado".

É por isso que, ao recebermos as cinzas sobre a cabeça, somos chamados a um exame de consciência em relação aos nossos próprios erros, mas também àqueles que reverberam em grande escala. E assim, ao sentirmos o peso de um mundo em chamas, podemos nos perguntar, como comunidade, como país, como Europa, como organizações internacionais: fizemos tudo o que era possível para pôr fim à trágica guerra na Ucrânia, que começou com a agressão russa em 2022? Será que tudo foi feito para buscar soluções negociadas, ou o único objetivo real perseguido hoje é apenas uma corrida armamentista insana? Como foi possível testemunhar, após o ataque desumano perpetrado pelo Hamas contra os israelenses, a destruição total de Gaza com suas mais de setenta mil mortes? Por que nada de concreto foi feito para acabar com o massacre? Como é possível aceitar que existam países onde a livre expressão do protesto popular seja brutalmente reprimida, com milhares de vítimas? E ainda, como é possível aceitar, em nome de uma vida pacífica ou de uma pertença política, a perpetuação da ecatombe que ocorre no Mar Mediterrâneo, com migrantes que ali se afogam?

"Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos - concluiu o Papa - é já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruir".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

É possível conciliar ciência e fé?

É possível conciliar ciência e fé (Arqyuduocese de Belém)

É POSSÍVEL CONCILIAR CIÊNCIA E FÉ?

19/02/2026

Dom Julio Endi Akamine 
Arcebispo de Belém do Pará (PA)

“Ciência e religião não estão em contradição, mas têm necessidade uma da outra para completar-se na mente do homem que pensa seriamente” (Max Planck). A razão e a fé são distintas, mas não se separam: a ciência se dedica à cena do ser, ao fenômeno, aos dados e aos fatos, ao “como”; a religião se consagra ao “fundamento”, ao sentido último do ser, ao “por quê”. 

Quem crê pensa, e quem pensa pode crer. Para constatar esse fato, basta prestar atenção ao modo como em nossa vida cotidiana conhecemos mais por fé do que por evidência e demonstração. As nossas convicções mais firmes, na realidade, não são baseadas em demonstrações. Por exemplo: a segurança com que o filho, que volta depois de uma longa ausência, reconhece os pais na rodoviária, a certeza com que, num matrimônio bem-sucedido, um cônjuge refuta uma calúnia contra o outro cônjuge, não são precedidas de argumentações, nem implicam dúvidas. 

Tal reconhecimento imediato e intuitivo, embora não sendo fruto de um raciocínio explícito, pode ser explicado e justificado por meio de um raciocínio. Um perito, que, ao primeiro olhar, reconhece numa pintura a obra de um grande mestre, pode em seguida apontar os critérios que demonstram a validez da atribuição: se não for capaz disto, sua intuição se tornará suspeita. 

A razão ajuda a crer melhor, e é uma ajuda indispensável para aprofundar a compreensão da fé e para comunicar o seu conteúdo de maneira razoável, inteligível e dialogal aos outros. Assim o fiel cristão pode refletir sobre a certeza da própria fé e pode prestar contas de sua razoabilidade. Com efeito, a fé deve apresentar-se como um ato racional. Se assim não fosse, o cristão não poderia ser convidado a prestar contas da esperança que está nele (cf. 1Pd 3,15). A verdade revelada por mais sobrenatural que seja nunca é irracional ou absurda no senso forte. 

A fé não é a conclusão de uma pesquisa científica. Se a fé fosse fruto de uma demonstração, já não mais seria uma adesão livre e, portanto, não seria culto a Deus. Por outro lado, nenhuma demonstração científica pode conduzir àquela firmeza que é peculiar da fé: quem crê está pronto a dar a vida pela sua fé. 

O próprio ato de crer consiste exatamente em dar o assentimento refletindo. De fato, quem crê pensa, e crendo pensa e pensando crê. A fé se não é pensada não é nada. Se se tira o assentimento, se elimina a fé, porque sem o assentimento não se dá a fé (Santo Agostino, PL 35,1631.178). Outro adágio de Santo Agostinho é muito apropriado: “creio para compreender, e compreendo para melhor crer”. A fé se volta para si mesma para buscar a inteligência do próprio conteúdo. 

Nesse sentido, a fé não paralisa a razão, antes a impulsiona a penetrar mais profundamente no mistério revelado para que a fé adira ainda mais fortemente. A busca da inteligência daquilo que se crê não é motivada por fatores alheios à própria fé; é pela sua própria natureza que a fé busca compreender, aprofundar e transmitir o seu conteúdo. É a própria fé que exige, portanto, a responsabilidade de um estudo constante dos seus conteúdos, de um crescimento permanente e de um cultivo cuidadoso na vida de fé. 

O testemunho cristão, em nosso tempo, precisa mais do que nunca se motivar, bebendo das fontes da reflexão. Precisa, sobretudo, recuperar o porquê de valer a pena acreditar. Em outras palavras: é preciso pensar a fé. O não pensar a fé pode levar facilmente as pessoas a estranhar-se da fé, a não a acolher em sua dupla valência de dom e de livre aceitação, de dom e responsabilidade. 

A fé não age como um elemento extrínseco ou exógeno na filosofia, na cultura, nas ciências e nas tradições religiosas. Ela age como fermento, a partir de dentro e levando à plenitude a filosofia, as ciências, as culturas e as religiões. 

A fé pensa e dá o que pensar. Ela emancipa a razão humana abrindo-lhe horizontes de pesquisa e descoberta mais amplos, verdadeiros e humanizantes. A fé não bloqueia a razão, antes solicita o ser inteligente a caminhar em busca da verdade sem jamais se cansar, apesar de toda a canseira que essa busca implica. 

A verdade é a meta da busca tanto da fé quanto da ciência. Hoje é muito difícil falar de “verdade” sem ser acusado de autoritarismo e desejo de domínio, mas a verdade não deve ser entendida como instrumento de imposição e de dominação. Ela é que dá sentido e significado genuíno à vida humana. Tanto a ciência quanto a fé estão a serviço da busca e do encontro daquilo que é sumamente significativo e humano. 

A verdade que buscamos, a verdade que dá significado aos nossos passos, ilumina-nos quando somos tocados pelo amor. Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com a pessoa amada (LF 27). 

Ciência e fé também estão unidas na superação do sofrimento humano. Elas informam e dão forma a um agir autenticamente humano. O agir cristão não se contrapõem ao que é autentica e verdadeiramente humano, pelo contrário procura ser um agir plenamente humano que nos faça mais humanos, nos faça verdadeiramente humanos. 

Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar conosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz (LF). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Não católicos podem participar da Quarta-feira de Cinzas?

Salouw | Shutterstock

Philip Kosloski - publicado em 18/02/26

Embora os não católicos não possam receber a Sagrada Comunhão, são convidados e bem-vindos a receber as cinzas na testa.

Ao mesmo tempo, é interessante notar que receber cinzas é uma tradição da Igreja Católica que não exige nenhum sacramento prévio. Aliás, mesmo alguém que não é batizado pode recebê-las.

As cinzas são um sacramental.

As cinzas são o que se chama de "sacramental" na Igreja Católica. Em resumo, sacramentais são tudo aquilo que é separado ou abençoado pela Igreja para santificar nossas vidas e nos conduzir aos sacramentos. São sinais sagrados que nos proporcionam graça (ajuda espiritual) por meio da intercessão da Igreja.

Os sacramentais são extensões dos sacramentos. Não são sacramentos em si, mas estão relacionados aos sete sacramentos e deles derivam, conduzindo-nos, em última instância, de volta a eles.

Outros sacramentais comuns incluem o rosário, o crucifixo e os santinhos. As cinzas seguem essa linha de sacramentais, sendo um objeto físico abençoado por um sacerdote.

Além disso, a bênção sobre a pessoa que recebe as cinzas é muito geral: "Arrepende-te e crê no Evangelho" (Marcos 1:15) ou "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás" (Gênesis 3:19).

Uma Vida Cristã

Obviamente, a intenção por trás da imposição das cinzas é encorajar as pessoas a viverem uma vida inspirada por Jesus Cristo e pela Boa Nova do Evangelho. Com isso em mente, aqueles que recebem as cinzas devem estar devidamente dispostos a seguir essa intenção.

Contudo, como não é um dos sete sacramentos, não é necessária nenhuma iniciação para receber as cinzas. Essa é também uma das razões pelas quais bebês podem receber cinzas na cabeça, mesmo que não tenham sido batizados.

As cinzas continuam sendo um símbolo poderoso que pode ser um canal da graça de Deus para qualquer pessoa que esteja disposta a recebê-las.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Papa Leão: Igreja, sinal de reconciliação entre os povos numa humanidade fragmentada

Audiência Geral, 18/02/2026 - Papa Leão XIV (Vatican Media)

Na Audiência Geral, o Papa prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, refletindo sobre a Constituição Dogmática "Lumen Gentium", sobre a Igreja. Leão XIV recordou que a Lumen Gentium nos ajuda a "compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, e a identidade da Igreja".

https://youtu.be/4BWyIEIYlUE

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Na catequese da Audiência Geral, desta quarta-feira (18/02), realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, continuando o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II.

Aprovada em 21 de novembro de 1964, a Constituição Dogmática Lumen Gentium recorreu ao termo "mistério" das Epístolas de São Paulo. "Ao escolher este termo", o Apóstolo dos Gentios "não quis dizer que a Igreja seja algo obscuro ou incompreensível", mas ao usar esta palavra, "sobretudo na Carta aos Efésios", São Paulo "pretende indicar uma realidade que antes estava oculta e que agora foi revelada", frisou o Papa.

Unificar todas as criaturas

"Este é o plano de Deus, que tem um propósito: unificar todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo, ação essa consumada na sua morte na cruz", disse Leão XIV, ressaltando que experimentamos isso "na assembleia reunida para a celebração litúrgica".

“Lá, as diferenças são relativizadas; importa é estarmos juntos porque somos atraídos pelo Amor de Cristo, que derrubou o muro da separação entre pessoas e grupos sociais. Para São Paulo, o mistério é a manifestação daquilo que Deus quis realizar para toda a humanidade e revela-se nas experiências locais, que se expandem gradualmente para incluir todos os seres humanos e até o cosmos.”

Sentir-se chamado por Deus

"A condição da humanidade é uma fragmentação que os seres humanos são incapazes de remediar, embora o anseio pela unidade habite nos seus corações", frisou ainda o Papa. "É nesta condição que entra em ação a obra de Jesus Cristo, que, pelo Espírito Santo, vence as forças da divisão e o próprio Divisor", sublinhou ainda Leão.

“Reunir-se para rezar, tendo acreditado no anúncio do Evangelho, é vivido como uma atração exercida pela cruz de Cristo, que é a manifestação suprema do amor de Deus; é sentir-se chamado por Deus: por isso se usa o termo ekklesia, isto é, uma assembleia de pessoas que se reconhecem como tendo sido chamadas. Assim, há uma certa coincidência entre este mistério e a Igreja: a Igreja é o mistério que se torna percetível.”

A Igreja como sacramento

De acordo com o Papa, "este chamado, por ser realizado por Deus, não pode limitar-se a um grupo de pessoas, mas destina-se a tornar-se uma experiência para todos os seres humanos". Por isso, o Concílio Vaticano II, no início da Constituição Lumen Gentium, afirma: «A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano».

“Com o uso do termo “sacramento” e a consequente explicação, pretende-se indicar que a Igreja é, na história da humanidade, uma expressão daquilo que Deus deseja realizar; por isso, ao contemplá-la, apreende-se, em certa medida, o plano de Deus, o mistério: neste sentido, a Igreja é um sinal.”

"Além disso, acrescenta-se ao termo “sacramento” o termo “instrumento”, para indicar que a Igreja é um sinal ativo. De fato, quando Deus age na história, envolve na sua atividade as pessoas que são receptoras da sua ação. É através da Igreja que Deus alcança o objetivo de unir as pessoas a si e de as reunir entre si", destacou.

"A união com Deus encontra o seu reflexo na união das pessoas humanas. Esta é a experiência da salvação", disse ainda o Papa, ressaltando que não é por acaso que no número 48 do capítulo VII da Lumen Gentium, dedicado à natureza escatológica da Igreja peregrina, se descreve novamente a Igreja "como sacramento, com a especificação de salvação".

Sinal de unidade e reconciliação entre os povos

O Papa finalizou, dizendo que a Lumen Gentium nos ajuda a "compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, e a identidade da Igreja".

“Ao mesmo tempo, faz-nos sentir gratos por pertencermos à Igreja, o corpo de Cristo ressuscitado e o único povo de Deus em peregrinação através da história, que vive como uma presença santificadora no meio de uma humanidade ainda fragmentada, como um sinal efetivo de unidade e reconciliação entre os povos.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/p

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Oração Pessoal É Indispensável Para Todos Nós

A oração pessoal (Catequizar)

A oração pessoal é o caminho mais direto para conhecer Jesus de verdade. E isso vai importar mais do que qualquer outra coisa — tanto no final quanto agora, hoje mesmo.

Esta semana, precisei dar um toque na turma de crisma da minha esposa. E olha, esse lembrete sobre a importância da oração pessoal é algo que eu mesmo preciso ouvir com frequência.

Algumas pessoas da turma não estavam levando o desafio da oração muito a sério. Principalmente aquelas que vêm de famílias bem religiosas. E eu entendo completamente o raciocínio. Elas vão aos sacramentos, fazem várias “coisas de católico”, têm bastante contato com Deus. Então por que precisariam de mais uma atividade espiritual?

Mas aqui está o ponto: ao lado dos sacramentos e das obras de misericórdia, conversar sozinho com Jesus é a coisa mais importante que você pode fazer. Entre todas as práticas católicas, essa é a essencial.

Compartilhei seis razões com eles. E essas razões servem para você e para mim também.

Jesus Deixa Claro: Ele Quer Sua Oração Pessoal

Quando Jesus ensinou sobre oração, foi bem direto quanto à oração pessoal. Ele disse: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.” (Mateus 6, 6)

Não é oração em grupo. É você e Ele.

No Final, Só Importa Se Você Realmente Conhece Jesus

Lá na frente, Jesus vai abraçar aqueles que Ele conhece pessoalmente. Seus amigos. Não apenas quem parece piedoso por fora, como os fariseus.

Em Mateus 7, 21-23, Jesus avisa: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

Tem gente que se acha super religiosa e vai levar um susto quando ouvir: “Nunca vos conheci.”

Deus Está Apaixonado Por Você (Sim, Por Você)

Às vezes achamos que somos meio manchados, pouco atraentes para Deus. Mas isso é mentira.

“Nunca se iluda pensando que, se você tiver contrição pelos seus pecados, Deus vai se deixar tocar e mudar de ideia sobre você. Nada disso. Deus nunca muda de ideia sobre você. Ele está simplesmente apaixonado por você. O que Ele faz, repetidamente, é mudar a sua mente sobre Ele.”

Quando você conversar com Ele, esse amor vai ficar óbvio.

Não Tenha Medo De Que Jesus Estrague Sua Vida

Às vezes fugimos de Jesus porque achamos que Ele vai ser chato, exigente demais, e nos transformar em alguém esquisito.

Mas olha o que o Papa Bento XVI disse sobre isso: “Se deixarmos Cristo entrar plenamente em nossas vidas, se nos abrirmos totalmente a Ele, não teremos medo de que Ele possa nos tirar algo? Não! Se deixarmos Cristo entrar em nossas vidas, não perdemos nada do que torna a vida livre, bela e grande. Somente nesta amizade as portas da vida se abrem de par em par.”

É na amizade com Jesus que descobrimos quem realmente somos.

Jesus Dá Exatamente O Que Você Mais Precisa

Em outra ocasião, Bento XVI listou o que a amizade com Jesus oferece: “Uma relação de profunda confiança com Jesus pode dar a um jovem o que ele precisa para enfrentar a vida: serenidade e iluminação interior, aptidão para pensar positivamente, abertura em relação aos outros, prontidão para pagar pessoalmente pelo bem, pela justiça e pela verdade.”

É isso que você encontra na oração.

Jesus Está Te Chamando Hoje

Vou deixar Jesus ter a última palavra. Apenas estar unido a Ele, lado a lado na amizade, torna a vida mais leve.

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11, 28-30)

Então reserve um tempo com Jesus hoje. Sozinho, em oração. E faça isso todos os dias.

Porque no fim das contas, conhecer Jesus vai importar mais do que qualquer outra coisa.

Fonte: https://catequizar.com.br/

Rádio Vaticano: 95 anos sendo o eco da voz do sucessor de Pedro

Homenagem do Programa Brasileiro, integrante do Vatican News / Rádio Vaticano. (Arte: @phillippereira_) 

Das ondas curtas de Marconi à inovação digital do Vatican News, o Programa Brasileiro celebrará 68 anos de história. Conheça mais sobre este serviço que, atuando de Roma, serve como ponte essencial entre o pulsar do coração da Igreja e a realidade lusófona.

Pe. Rodrigo Rios -  Vatican News

Nesta quinta (12/02), celebramos um marco que une ciência, fé e comunicação: os 95 anos da Rádio Vaticano. Desde que Guglielmo Marconi, prêmio Nobel de Física, entregou ao Papa Pio XI as chaves desta ferramenta de evangelização, a "voz do Papa" nunca mais deixou de ressoar além fronteira. O que começou com o solene discurso de Pio XI em latim, dirigido à "toda a criação", hoje se desdobra em mais de 40 idiomas, alcançando as periferias existenciais e geográficas, das aldeias da África às profundezas da Amazônia.

A ponte brasileira: fé e comunicação

O programa brasileiro nasceu em um momento de efervescência eclesial, em 12 de março de 1958. Naquela época, enquanto o mundo aguardava a transição entre Pio XII e o Papa Bom, João XXIII, o Brasil já se consolidava como o maior país católico do mundo.

Desde o primeiro responsável, o padre Antônio Aquino, até a equipe atual de sete profissionais integrados ao sistema Vatican News, o objetivo permanece inalterado: criar uma ponte entre a Santa Sé a e as dioceses brasileiras.

Silvonei José Protz, coordenador e voz emblemática do Programa Brasileiro, descreve essa missão não apenas como um trabalho, mas como um verdadeiro serviço espiritual: "Eu creio que é um privilégio para mim e também para todos os meus colegas que cada vez que nós realizamos uma crônica ou uma transmissão dos eventos papais, a nossa grande preocupação é fazer com que as pessoas que nos seguem através do rádio, da televisão e das redes sociais, possam rezar com o Santo Padre. Esse é o grande desafio a cada transmissão que a gente faz".

Presença multimídia e marcos históricos

Se na década de 30 operava com ondas curtas experimentais, a Rádio Vaticano hoje possui uma forte presença digital. Através de satélite, portal, YouTube e redes sociais, o conteúdo chega a centenas de emissoras parceiras em todo o território brasileiro.

Para Silvonei, a relação com as rádios locais é o que dá vida ao projeto: "É importante mais uma vez a gente recordar que existimos porque existe uma Igreja no Brasil. Portanto, a nossa especificidade aqui é levar o magistério petrino para a nossa realidade. E essas emissoras de rádio espalhadas em todo o Brasil nos abrem portas e janelas todos os dias para que a gente possa chegar com a mensagem do Papa. Portanto, é um relacionamento em crescimento”.

Ainda conforme o jornalista e doutor em comunicação, olhar a Igreja a partir de Roma oferece uma perspectiva única, mas sem distanciamento afetivo: “trabalhando em sintonia com a CNBB e as dioceses; a equipe brasileira atua como parte integrante do corpo da Igreja. Temos hoje um lugar privilegiado para olharmos a igreja, mas fazemos parte dela também”.

Ao longo de quase um século, a Rádio Vaticano narrou a história da Igreja e dos acontecimentos do mundo. Silvonei José recorda com emoção momentos que marcaram sua trajetória e a de milhões de ouvintes. Ele destaca a intensidade do funeral de São João Paulo II, com quem trabalhou por 16 anos: "Foi um momento muito marcante porque perdíamos um pai. Estivemos na Sala Clementina antes do corpo ser levado à Basílica de São Pedro, foi algo vivido com muita intensidade e emoção, ao lado de pessoas tão caras como o padre Jonas Abib", recorda.

Mais recentemente, a rádio foi o elo que uniu o mundo à oração do Papa Francisco em 27 de março de 2020, durante a pandemia da Covid-19. Silvonei relata: "O Papa subindo a rampa da Basílica, sozinho na praça, rezando pelo fim da pandemia... ali ficou claro o que ele tanto dizia: estamos todos no mesmo barco e precisamos remar juntos”.

Jornalistas do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano com o Papa Francisco, em outubro de 2024, durante Assembleia do Dicastério para a Comunicação (Vatican Media)

Equipe atual e grade de programação

 Às vésperas de completar 68 anos de história no próximo mês, o Programa Brasileiro da Rádio Vaticano reafirma seu papel como ponte entre Roma e o Brasil. Sob a coordenação de Silvonei José, a atual redação do Vatican News é composta por sete profissionais: Thulio Fonseca, Andressa Collet, Bianca Fraccalvieri, Jackson Erpen, Mariângela Jaguraba e Raimundo de Lima. Juntos, eles formam o corpo editorial que traduz a comunhão entre o coração da Igreja e as paróquias e comunidades espalhadas pelo imenso Brasil.

A grade de programação é um verdadeiro mosaico de fé, informação e companhia espiritual para o mundo lusófono. Entre os destaques, estão os Boletins de notícias, transmitidos às 11h, 12h e 17h (horários de Roma), que trazem as principais atividades da Santa Sé e da Igreja no mundo, além das transmissões ao vivo dos grandes eventos do Santo Padre, como a Audiência Geral às quartas-feiras e o Angelus aos domingos. O conteúdo se completa com programas temáticos e podcasts como "Em Romaria" e "Porta Aberta", que aprofundam a reflexão cristã e a realidade das dioceses. 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF