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sexta-feira, 3 de abril de 2026

Sexta-feira Santa 03/04/26

Sexta-feira da Paixão do Senhor (cnbb)

SEXTA-FEIRA SANTA 03/04/26 (JO 18,1- 42)

03/04/2026

Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Bispo Emérito de Taubaté (SP)

Texto Referencial: Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui. (Jo 11, 18-36)

1 – Este foi o dia mais lúgubre o mais triste da história! Nele, foi condenado o maior benfeitor da história, o salvador da humanidade: Jesus Cristo. Veio para dar-nos vida e nós lhe oferecemos o madeiro da cruz. Nós o trocamos por Barrabás, que era um bandido. Mas quem mesmo o condenou? Pilatos, os sumos sacerdotes, os homens do templo, a humanidade pois nela, estamos todos nós. Nossos pecados gritaram: matai-o, crucificai-o. E assim foi feito.

2 – Não podia ser pior: Judas o entrega aos inimigos, por patacas, traindo-o com beijo criminoso. O discípulo traindo o mestre. Pedro mente, dizendo que não o conhecia. Os apóstolos todos, menos João, fogem. Repito: O Salvador, o maior benfeitor da humanidade, foi trocado por um bandido: Barrabás. Pilatos, lava suas mãos, pois reconhece que Jesus é inocente, mas o entrega a seus inimigos. Lavou as mãos, mas sujou seu nome e sua consciência. Podia tê-lo salvado, mas covarde temendo perder sua função (emprego) o entregou. Pedro, diante de uma empregada (sem menosprezo) mentiu criminosamente, tanto é verdade que até o célebre galo cantou três vezes de tanta vergonha… Pedro então chorou e nós com ele. Choramos, mas não nos convertemos. Se hoje em dia os galos “cantasse” toda vez que traímos o mestre – ninguém dormia mais.

3 – Deus o criador tudo fez para os homens e mulheres: A natureza, os mares, o solo, simplesmente tudo. Entregou tudo gratuitamente. Jesus, veio como irmão, Salvador: Amou-nos e serviu-nos e nós lhe oferecemos a cruz, depois de flagelá-lo e coroá-lo com uma coroa de espinhos. Jesus, nasceu pobre, viveu pobre e assim morreu. Até sepultura foi preciso ser-lhe emprestada.

4 – Aconselho então ler o capítulo 18 de João, meditando-o. É o mais impressionante. Ele, o apresenta (Jesus) como rei mesmo na cruz, onde nos entregou, ainda sua mãe como nossa. Podia fazer mais por nós? Não.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo (Parte 2/2)

Capitel adornado com o motivo eucarístico do pelicano que alimenta as suas crias. E cordeiro que se encontra num dos fechos das abóbadas | Opus Dei.

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. (Jo 13, 1). Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

26/02/2018

Alguns acréscimos são evidentes, como a construção feita em 1920, na parede central, para a oração islâmica, que tapa uma das três janelas, ou um baldaquino da época turca sobre a escada que conduz ao nível inferior. Este dossel apoia-se numa pequena coluna cujo capitel é cristão, pois está adornada com o motivo eucarístico do pelicano que alimenta as suas crias. A parede da esquerda conserva partes que remontam à era bizantina; através de uma escada e de uma porta, sobe-se à pequena sala onde se recorda a vinda do Espírito Santo. No lado oposto à entrada, há uma saída para outro terraço, que por sua vez comunica com o telhado e dá para o claustro do convento franciscano do século XIV.

Atualmente não é possível o culto no Cenáculo. Somente São João Paulo II teve o privilégio de celebrar a Santa Missa nesta sala, em 23 de Março de 2000. Quando Bento XVI foi à Terra Santa em Maio de 2009, rezou ali o Regina Coeli com os Bispos do país. Devido à existência do sarcófago em honra de Davi, que se venerava como o túmulo do rei bíblico, muitos judeus vão ao piso inferior para rezar diante desse monumento.

A presença cristã no monte Sião sobrevive na basílica da Dormição de Nossa Senhora – que inclui uma abadia beneditina – e o convento de São Francisco. A primeira foi construída em 1910 em terrenos que Guilherme II, imperador da Alemanha conseguiu. A cúpula do santuário, com um capitel muito esbelto, é visível de vários pontos da cidade. No convento franciscano, fundado em 1936, encontra-se o “Cenacolino” ou igreja do Cenáculo, o lugar de culto mais próximo da sala da última Ceia.

Dom Álvaro no Cenáculo | Opus Dei.

Nesta capela, Dom Álvaro celebrou a Santa Missa pela última vez em sua vida, na manhã de 22 de março de 1994. Dom Javier Echevarría recordava depois alguns detalhes desse dia, no qual o primeiro sucessor de São Josemaria esteve intensamente recolhido em oração: “Fiquei impressionado pela unção com a qual ele revestiu: estava concentrado, comovido. Ele beijou o peitoral muito profundamente antes de colocar a casula. Depois, pegou o solidéu, também com autêntica unção, para colocá-lo antes de sair”[8]

Alguns poucos fiéis da Obra participaram da Missa, mas Dom Javier ressaltou que “Dom Álvaro celebrou lá pensando em todos”. E continuava: “Ele estava muito consciente da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, víamos que celebrava com muita devoção. Percebia-se o cansaço, mas talvez também a emoção de estar naquele lugar santo. Posso assegurar que ele viveu esses momentos com verdadeira intensidade, com verdadeira loucura de amor. Também pensou na reunião dos Apóstolos com Nossa Senhora no Cenáculo, e que daí, partiu Pedro para pregar ao povo, depois da vinda do Espírito Santo”[9].

O que distingue esta noite de todas as outras noites?

Reparai agora no Mestre reunido com os seus discípulos, na intimidade do Cenáculo. Aproxima-se o momento da sua Paixão, e o Coração de Cristo, rodeado daqueles a quem ama, estala em labaredas inefáveis[10]. Ardentemente tinha desejado que chegasse esta Páscoa[11], a mais importante das festas anuais de Israel, na qual se revive a libertação da escravidão no Egito. Estava unida a outra celebração, a dos Ázimos, lembrando os pães sem fermento que o povo levou na sua fuga precipitada do país do Nilo. Ainda que a cerimônia principal daquelas festas fosse uma ceia familiar, esta possuía um forte caráter religioso: “era a comemoração do passado, mas, ao mesmo tempo, também memória profética, quer dizer, anúncio da libertação futura”[12].

A sala do Cenáculo conserva a arquitetura gótica com que foi restaurada no séc. XIV. | Opus Dei.

Durante essa celebração, o momento relevante era o relato da Páscoa ou hagadá pascal. Começava com uma pergunta do filho mais novo ao pai:

- O que distingue esta noite de todas as noites?

A resposta era uma oportunidade para narrar detalhadamente a saída do Egito. O chefe da família tomava a palavra na primeira pessoa, para simbolizar que não só se recordavam aqueles fatos, mas que se faziam presentes no ritual. Ao terminar, entoava-se um grande cântico de louvor, composto pelos salmos 113 e 114, e bebia-se uma taça de vinho, chamada hagadá. Depois, abençoava-se a mesa, começando pelo pão ázimo. A pessoa que presidia comia-o e dava um pedaço a cada um com a carne do cordeiro.

Uma vez comida a ceia, retiravam-se os pratos e todos lavavam as mãos para continuar a sobremesa. A conclusão solene começava servindo-se o cálice da bênção, taça que continha vinho misturado com água. Antes de bebê-lo, quem presidia, de pé, recitava uma longa ação de graças.

Ao celebrar a Última Ceia com os Apóstolos no contexto do antigo banquete pascal, o Senhor transformou-o e deu-lhe o seu sentido definitivo: “Com efeito, a passagem de Jesus a seu Pai por sua Morte e sua Ressurreição, a Páscoa nova, é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia que realiza a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino”[13]Quando o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia, na Última Ceia, era de noite(...). Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade se iam realizar plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição[14].

Na intimidade do Cenáculo, Jesus fez algo de surpreendente, totalmente inédito: tomando o pão, deu graças, partiu-o e deu-o dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim[15].

As suas palavras exprimem a profunda novidade desta ceia em relação às celebrações pascais anteriores. Quando deu o pão ázimo aos discípulos, não lhes entregou pão, mas sim uma realidade diferente: isto é o meu Corpo. “No pão repartido, o Senhor distribui-Se a Si próprio (…). Dando graças e abençoando, Jesus transforma o pão: já não dá pão terreno, mas a comunhão consigo mesmo”[16]. E ao mesmo tempo que instituiu a Eucaristia, deu aos Apóstolos o poder de a perpetuar, pelo sacerdócio.

Também com o cálice Jesus fez algo de singular relevância: fez o mesmo com o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós[17].

Diante deste mistério, São João Paulo II dizia: “O que mais Jesus podia fazer por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia mostra-nos um amor que vai ‘ao extremo’ (Jo 13, 1), um amor que não conhece medida. Este aspecto da caridade universal do Sacramento eucarístico fundamenta-se nas mesmas palavras do Salvador. Ao instituí-lo, não se limitou a dizer ‘Este é o meu corpo’, ‘este cálice é a Nova Aliança no meu sangue’, mas sim que acrescentou ‘entregue por vós… derramado por vós’ (Lc 22, 19-20). Não afirmou somente que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas manifestou-lhes o seu valor sacrificial, fazendo presente de modo sacramental o seu sacrifício, que cumpriria depois na cruz algumas horas mais tarde, para a salvação de todos”[18].

Bento XVI, dirigindo-se aos Bispos da Terra Santa no próprio lugar da Última Ceia, ensinava: “No Cenáculo, o mistério de graça e de salvação, do qual somos destinatários e inclusive arautos e ministros, só pode ser manifestado em termos de amor”[19]: o de Deus, que nos amou primeiro e ficou realmente presente na Eucaristia, e o da nossa resposta, que nos leva a entregar-nos generosamente ao Senhor e aos outros.

Não entendo como se pode viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham ido concretizando essa piedade eucarística: umas vezes, com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração.

Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que tem que ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos de continuar depois o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo irreprimível de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor mais outra delicadeza: que não tenha querido limitar a sua presença ao instante do Sacrifício do Altar, mas tenha decidido permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário.

Devo dizer que, para mim, o Sacrário foi sempre Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde lhe podemos contar as nossas preocupações, nossos sofrimentos, nossos anseios e nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que lhe falavam aqueles seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Por isso, ao percorrer as ruas de uma cidade ou de uma aldeia, alegra-me descobrir, mesmo de longe, a silhueta de uma igreja: é um novo Sacrário, uma nova ocasião de deixar que a alma se escape para estar em desejo junto do Senhor Sacramentado[20].

Notas

[8] Javier Echevarría, Palavras publicadas em Crónica, 1994, p. 391 (AGP, biblioteca, P01).

[9] Ibid., pp. 391-392.

[10] Amigos de Deus, 222

[11] Cf. Lc 22, 15.

[12] Bento XVI, Exort.apost Sacramentum caritatis, 10

[13] Catecismo da Igreja Católica, 1340.

[14] É Cristo que passa, 155.

[15] Lc 22, 19.

[16] Bento XVI Homilia da Missa da Ceia do Senhor, 9-IV-2009.

[17] Lc 22, 20

[18] São João Paulo II, Litt. Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, 11-12.

[19] Bento XVI, Recitação da Regina Coeli com os Ordinários da Terra Santa.

[20] É Cristo que passa, 154

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Tríduo Pascal: o mistério que desafia o tempo e propõe um novo sentido ao humano

Tríduo Pascal (Vatican News)

O Papa Francisco, em sua catequese sobre o Tríduo Pascal (Audiência Geral, 31 de março de 2021), nos lembra que este gesto é a própria identidade cristã. ,"É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos".

Vívian Marler - Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

No calendário da fé cristã, o Tríduo Pascal não é apenas uma sequência de datas; é um único evento narrado em três atos que resumem a totalidade da experiência humana. Da mesa compartilhada ao sepulcro vazio, o que se celebra entre a noite de Quinta-feira Santa e o Domingo da Ressurreição é, em última análise, um manifesto sobre o nosso propósito na Terra. Mas o que as sandálias sujas de poeira da Judeia de dois mil anos atrás têm a dizer aos nossos pés cansados em pleno 2026?

A jornada começa com um gesto de ruptura. Na Quinta-feira Santa, Jesus retira o manto e assume o avental. Na época de Cristo, lavar os pés era a tarefa mais baixa de um escravo, um serviço destinado aos "invisíveis" da sociedade.

O Papa Francisco, em sua catequese sobre o Tríduo Pascal (Audiência Geral, 31 de março de 2021), nos lembra que este gesto é a própria identidade cristã. ,"É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos". Em um mundo onde todos buscam o topo, o Tríduo nos interpela, quem ainda se dispõe a abaixar-se? O propósito humano não se encontra no prestígio, mas na coragem de ser útil.

A Sexta-feira Santa nos coloca diante da vulnerabilidade extrema. Jesus crucificado é o retrato da entrega, mas é também o espelho das nossas injustiças atuais, dos feminicídios à exclusão que ainda fere a nossa Amazônia.

Sobre esse "drama de amor", o Papa Bento XVI refletiu com maestria em sua Audiência de 20 de março de 2008, "o Tríduo Pascal nos dá a certeza de que nunca seremos abandonados nas provações da vida". Ele nos ensina que a cruz não é um sinal de derrota, mas o "inestimável dom da salvação" (Audiência, abril de 2009). Em tempos de julgamentos rápidos, o Cristo da Sexta-feira nos ensina a misericórdia, a capacidade de sentir a dor do outro e perdoar, transformando o sofrimento em redenção.

O Sábado Santo é o dia do silêncio, que deságua na explosão de luz da Vigília Pascal. Se o sepulcro parecia o ponto final, a Ressurreição provou que a morte, a opressão e o desânimo, não tem a última palavra.

Neste seu primeiro Tríduo como pontífice, o Papa Leão XIV, em sua mensagem para a Páscoa de 2026, reforça o papel social dessa esperança, "a ressurreição não é um evento do passado para ser admirado, mas a força viva que nos impele a curar as feridas do mundo hoje, transformando cada sepulcro de injustiça em um jardim de nova vida".

O Tríduo Pascal, portanto, não é uma recordação histórica. É um chamado urgente. Ele nos convida a caminhar com Cristo para aprendermos a gramática do amor. 'Lavar os pés' para sermos humildes; 'Partir o pão' para sermos comunhão; 'Abraçar a cruz' para sermos misericordiosos, e 'Ressurgir' para sermos esperança ativa.

No silêncio de cada gesto destes dias, a humanidade é convidada a redescobrir que nosso maior propósito é aprender a amar como Ele amou. Como nos ensinam as vozes dos pastores e a realidade da vida, mesmo após a noite mais escura, a luz sempre renasce. A Páscoa é a prova de que o amor é a única força capaz de transformar o mundo.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

quinta-feira, 2 de abril de 2026

Igreja dá início ao Tríduo Pascal: a culminância de todo o ano litúrgico

Imagem ilustrativa | Pixabay (Domínio público)

Por Redação central*

2 de abr de 2026 às 02:00

Dentro da Semana Santa, um período se torna especial para os católicos nos dias em que recordam a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É o chamado Tríduo Pascal. Conheça a seguir o significado desses dias tão importantes para os cristãos.

A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo de preces de intercessão.

O Tríduo Pascal se considerava como três dias de preparação para a festa de Páscoa; compreendia a Quinta-feira, a Sexta-feira e o Sábado da Semana Santa. Era um tríduo da Paixão.

No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana Santa, o enfoque é diferente. O Tríduo se apresenta não como um tempo de preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da Paixão e Ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no calendário:

Cristo redimiu o gênero humano e deu perfeita glória a Deus principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e ressuscitando restaurou a vida. O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição de Cristo é, portanto, a culminância de todo o ano litúrgico.

O Tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor, alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de Páscoa.

Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo, quando aludia a sua Paixão e Morte, nunca as dissociava de sua Ressurreição. No evangelho da quarta-feira da segunda semana da quaresma (Mt 20,17-28) fala delas em conjunto: “O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia ressuscitará”.

É significativo que os padres da Igreja, tanto santo Ambrósio como santo Agostinho, concebam o Tríduo Pascal como um todo que inclui o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como os três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos que se referiu quando disse: “Destruam este templo e em três dias o reedificarei”. Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como “os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de Cristo”.

Esses três dias, que começam com a missa vespertina da Quinta-feira Santa e concluem com a oração de vésperas do Domingo de Páscoa, formam uma unidade e, como tal, devem ser considerados. Logo, a Páscoa cristã consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam um todo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os outros dois.

Interessa saber que tanto a Sexta-feira como no Sábado Santo, oficialmente, não fazem parte da Quaresma. Segundo o novo calendário, a Quaresma começa na Quarta-feira de Cinza e conclui na Quinta-feira Santa, excluindo a missa da Ceia do Senhor.

*A Agência Católica de Informação - ACI Digital, faz parte das agências de notícias do Grupo ACI, um dos maiores geradores de conteúdo noticioso católico em cinco idiomas e que, desde junho de 2014, pertence à família EWTN Global Catholic Network, a maior rede de televisão católica do mundo, fundada em 1981 por Madre Angélica em Irondale, Alabama (EUA), e que atinge mais de 85 milhões de lares em 110 países e 16 territórios.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo (Parte 1/2)

Jerusalém no ano 70 e Cidade Antiga na atualidade. Gráfico: J. Gil | Opus Dei.

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. (Jo 13, 1). Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

26/02/2018

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim[1]. Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

Onde queres que façamos os preparativos para comeres a Páscoa?[2], tinham perguntado os discípulos. Ide à cidade. Um homem carregando uma bilha de água virá ao vosso encontro. Segui-o e dizei ao dono da casa em que ele entrar: “O Mestre manda perguntar: Onde está a sala em que posso comer a ceia pascal com os meus discípulos?” Ele, então, vos mostrará, no andar de cima, uma grande sala, arrumada. Lá fareis os preparativos para nós![3].

Conhecemos os fatos que aconteceram durante Última Ceia do Senhor com os Seus discípulos: a instituição da Eucaristia e dos Apóstolos como sacerdotes da Nova Aliança; a discussão entre eles sobre quem se considerava o maior; o anúncio da traição de Judas, do abandono dos discípulos e das negações de Pedro: o anúncio do Mandamento Novo e o lava-pés; o discurso de despedida e a oração sacerdotal de Jesus…

O Cenáculo já seria digno de veneração só pelo que aconteceu dentro das suas paredes naquela noite, mas foi também ali que Jesus ressuscitado apareceu em duas ocasiões aos Apóstolos, que tinham se escondido dentro com as portas fechadas com medo dos judeus[4]. Na segunda vez, Tomé retificou a sua incredulidade com um ato de fé na divindade de Jesus: Meu Senhor e meu Deus![5]. Os Atos dos Apóstolos transmitiram-nos também que a Igreja, nas suas origens, se reunia no Cenáculo, onde costumavam permanecer. Eram eles: Pedro e João, Tiago, André, Filipe, Tomé, Bartolomeu, Mateus, Tiago, filho de Alfeu, Simão, o Zelador, e Judas, irmão de Tiago. Todos eles perseveravam unanimemente na oração, juntamente com as mulheres, entre elas Maria, mãe de Jesus, e os irmãos dele[6]. No dia de Pentecostes, receberam o Espírito Santo, que os estimulou a partirem para pregar a Boa Nova.

Os evangelistas não nos fornecem dados que permitam identificar este lugar, mas a Tradição situa-o no extremo sudoeste de Jerusalém, sobre uma colina que começou a chamar-se Sião somente na época cristã. Originalmente, este nome aplicava-se à fortaleza jebuseia que Davi conquistou; depois, ao monte do Templo, onde se guardava a Arca da Aliança; e mais tarde, nos salmos e nos livros proféticos da Bíblia, a toda a cidade e seus habitantes. Depois do desterro da Babilônia, o termo adquiriu um significado escatológico e messiânico, para indicar a origem da nossa salvação. Com base neste sentido espiritual, quando o Templo foi destruído no ano 70, a primeira comunidade cristã aplicou-o ao monte onde se encontrava o Cenáculo, pela sua relação com o nascimento da Igreja.

Recebemos o testemunho desta tradição através de Santo Epifânio de Salamina, que viveu em finais do século IV, foi monge na Palestina e bispo em Chipre. Relata que o imperador Adriano, quando foi ao Oriente no ano de 138, “encontrou Jerusalém completamente arrasada e o Templo de Deus destruído e profanado, com exceção de uns poucos edifícios e da pequena igreja dos cristãos, que se encontrava no lugar do Cenáculo, para onde os discípulos foram depois de regressar do monte das Oliveiras, após a subida aos céus do Salvador. Estava construída na zona de Sião que sobreviveu à cidade, com alguns edifícios perto de Sião e sete sinagogas, que perduraram no monte como cabanas; parece que só uma destas se conservou até à época do bispo Máximo e do imperador Constantino”[7].

Jerusalém | Opus Dei.

Este testemunho coincide com outros do século IV: o que foi transmitido por Eusébio de Cesareia, com um elenco de vinte e nove bispos com sede em Sião desde a era apostólica até ao seu tempo; o peregrino anônimo de Bordeaux, que viu ainda a última das sete sinagogas; São Cirilo de Jerusalém, que se refere à igreja superior em que se recordava a vinda do Espírito Santo; e a peregrina Egéria, que descreve uma liturgia celebrada ali em memória das aparições do Senhor ressuscitado.

Por diversas fontes históricas, litúrgicas e arqueológicas, sabemos que durante a segunda metade do século IV a pequena igreja foi substituída por uma grande basílica, chamada Santa Sião, e considerada a mãe de todas as igrejas. Além do Cenáculo, incluía o lugar da Dormição da Virgem, que a tradição situava numa casa próxima; também conservava a coluna da flagelação e as relíquias de Santo Estevão, e no dia 26 de Dezembro comemorava-se ali o rei Davi e São Tiago, o primeiro bispo de Jerusalém. Conhece-se pouco do traçado deste templo, que foi incendiado pelos persas no século VII, restaurado posteriormente e de novo destruído pelos árabes.

Quando os cruzados chegaram à Terra Santa, no século XII, reconstruíram a basílica e deram-lhe o nome de Santa Maria do Monte Sião. Na nave sul da igreja estava o Cenáculo, que continuava a ter dois andares, cada um dividido em duas capelas: no superior, as dedicadas à instituição da Eucaristia e à vinda do Espírito Santo; no inferior, a do lava-pés e a das aparições de Jesus ressuscitado. Nesse andar colocou-se o sarcófago – monumento funerário no qual não está o cadáver da pessoa a quem é dedicado – em honra de Davi. Reconquistada a Cidade Santa por Saladino em 1187, a basílica não sofreu danos, e inclusive eram permitidas as peregrinações e o culto. Contudo, esta situação não durou muito: em 1244, a igreja foi definitivamente destruída e só se salvou o Cenáculo, cujos restos chegaram até nós.

A sala gótica atual data do século XIV e deve-se à restauração realizada pelos franciscanos, os seus legítimos donos desde 1342. Os freis haviam tomado conta do santuário sete anos antes e edificado um convento junto do lado sul. Na mesma data, por bula papal, ficou constituída a Custódia da Terra Santa e foi-lhes cedida a propriedade do Santo Sepulcro e do Cenáculo pelos reis de Nápoles, que por sua vez a tinham adquirido ao sultão do Egito. Não sem dificuldades, os franciscanos viveram em Sião durante mais de dois séculos, até que foram expulsos pela autoridade turca em 1551. Já antes, em 1524, lhes tinha sido usurpado o Cenáculo, que foi convertido em mesquita com o argumento de que ali se encontraria enterrado o rei Davi, considerado profeta pelos muçulmanos. Assim permaneceu até 1948, quando passou para as mãos do estado de Israel, que o administra desde então.

O acesso ao Cenáculo é através de um edifício anexo, subindo uma escadaria interior e atravessando um terraço a céu aberto. Trata-se de uma sala de uns 15 metros de comprimento e 10 de largura, praticamente sem adornos nem mobiliário. Várias pilastras nas paredes e duas colunas no centro, com capitéis antigos reutilizados, sustentam um teto em abóbada. Nos fechos da abóbada ficaram restos de relevos com figuras de animais; entre os quais é visível um cordeiro.

Notas

[1] Jo 13, 1

[2] Mc 14,12.

[3] Mc 14, 13-15.

[4] Cf. Jo 20, 19-29.

[5] Jo 20, 28.

[6] At 1, 13-14

[7] Santo Epifânio de Salamina, De mensuris et ponderibus, 14.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Qual o sentido do sinal da cruz?

Iermolovich Daria | Shutterstock

Paulo Teixeira - publicado em 23/05/25

O sinal que identifica os cristãos é feito como sinal de bênção sobre os fiéis e se torna um gesto de fé.

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No início da Missa ou do terço, as pessoas iniciam com o sinal da cruz. Ao final das cerimônias também a bênção é invocada traçando o sinal da cruz sobre os fiéis. Um gesto importante para as celebrações da fé e também para o cotidiano. Muitas pessoas fazem o sinal da cruz ao passar diante de uma igreja ou em momentos específicos do dia repetem o sinal com o qual foram marcadas no dia do batismo.

Este gesto inclui duas realidades de nossa doutrina, segundo o professor Padre Antônio Bogaz: “Quando recitamos o gesto da cruz, recordamos o mistério da nossa salvação. Tecendo sobre o rosto o sinal da cruz, fazemos anamnesis deste grande acontecimento que marca a história da salvação”.

Nesse sentido, mais que demarcar o início do ritual, o sinal da cruz é parte da oração.  “Não podem ser gestos imperceptíveis, maltraçados e sem elegância. Este gesto deve recordar o traço entrecortado da cruz, com suas duas hastes, para reviver espiritualmente a paixão e morte do Senhor”, recorda o sacerdote.

Trindade

Também as pessoas divinas recordadas enquanto se traça o sinal da cruz fazem uma referência profunda ao mistério da trindade: “Nas pontas das hastes da cruz, aclamamos o nome de Deus, que é Pai, que é Filho e Espírito Santo, revelando que os três participam e são solidários na entrega do Filho Jesus Cristo, na cruz. A Trindade está presente por inteiro no evento do Calvário”, destaca Padre Bogaz.

Mais além

Na dimensão mística, o sinal da cruz tem o valor de consagração ou santificação, suplicando a proteção divina, bem como se entregando ao Senhor. “Por esta motivação, fazemos sempre este sinal diante das igrejas, no início de nossas atividades e em momentos cruciais da vida. Quem já não observou um goleiro traçando o sinal da cruz na hora do pênalti, ou o artista antes de sua performance? Este sinal significa súplica e entrega a Deus”, explica Padre Bogaz.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

quarta-feira, 1 de abril de 2026

Lava-pés: o mandamento chocante em que Deus se abaixa para nos servir

Jesus lava ospés dos Apóstolos (Aleteia)

Aleteia Brasil - publicado em 13/04/17

O que significa este gesto de Jesus, tão inesperado e espantoso que Pedro nem queria aceitá-lo.
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O rito do Lava-Pés, na Quinta-Feira Santa, contém um duplo significado, à luz do Evangelho de João:

– uma imitação do gesto realizado por Cristo ao lavar os pés dos Apóstolos no Cenáculo;

– a expressão do doar-se a si mesmo, exemplificada com aquele ato.

Não por acaso, o gesto é chamado de “mandatum” (“mandamento”) na antífona recitada na cerimônia: “Mandatum novum do vobis, ut diligatis invicem, sicut dilexi vos, dicit Dominus” (“Um novo mandamento vos dou: que vos ameis uns aos outros como eu vos amei, diz o Senhor“; João 13,34).

De fato, o mandamento do amor fraternal compromete todos os discípulos de Jesus, sem qualquer distinção ou exceção. Em instruções litúrgicas do século VII já lemos a indicação de que o Pontífice e todos os membros do clero devem realizar o rito do lava-pés, o que também pode ser conferido, com variações em diferentes dioceses e abadias, no Pontifical Romano do século XII, no Pontifical da Cúria Romana do século XIII e no Missal Romano do Papa São Pio V, de 1570, que diz:

“Post denudationem altarium (…) conveniunt clerici ad faciendum mandatum. Maior abluit pedes minoribus: tergit et osculatur”

(“Após o desnudamento do altar, os clérigos procedem ao cumprimento do ‘mandatum’. O maior lava os pés dos menores, os enxuga e os beija”).

O “mandatum“, em sua essência, não é reservado ao clero: o seu sentido é o de colocarmos em prática o serviço humilde a todos os nossos irmãos, conforme o exemplo de Jesus a todos os seus discípulos.

Precisamente por isso, o rito do lava-pés, ao longo da história da Igreja, não foi necessariamente reservado a doze clérigos ou a doze homens. No “De Mandato seu lotione pedum” (“Sobre o ‘mandatum’ ou lava-pés“), que consta no Caeremoniale Episcoporum de 1600, é mencionada a tradição de que o bispo deve lavar, enxugar e beijar os pés de “treze” pessoas pobres, após tê-las vestido e alimentado e ter-lhes ofertado esmola em caridade. O ato poderia igualmente ser conduzido com religiosos, de acordo com os costumes locais ou a determinação do bispo, mas não de modo obrigatório.

As mudanças mais recentes no rito estabelecem que quaisquer indivíduos podem ser escolhidos dentre o povo de Deus, já que a significação do rito não se limita a uma imitação exterior do gesto de Jesus; trata-se de expressar o sentido profundo do ato realizado por Ele: doar-se “até o fim” pela salvação da humanidade, ato que assume importância universal.

amor de Cristo, abrangendo toda a humanidade, faz de todas as pessoas irmãos e irmãs pela força do Seu exemplo. O “mandatum” deixado por Ele nos convida a transcender o ato físico de lavar os pés do outro para vivenciar o pleno sentido desse gesto: servir, com amor palpável, ao próximo.

Os 3 verbos do lava-pés, segundo o Papa Francisco

Papa Francisco no Lava-pés (Alentia)

Na audiência geral que antecedeu a Semana Santa de 2016, o Papa Francisco abordou o significado do lava-pés, esse ato de Jesus na Última Ceia que foi “tão inesperado e chocante” a ponto de que “Pedro nem queria aceitá-lo”.

Quando se abaixou até os pés dos discípulos e os lavou, Jesus quis deixar claro que se fez servo e que nós também devemos ser servos uns dos outros: “Também vós deveis lavar os pés uns dos outros”, afirma Ele, explicitamente, em Jo 13,12-14.

SERVIR

Ser “servos” uns dos outros nada tem a ver com “servilismo” ou “escravidão”: trata-se do “mandamento novo” do amor real ao próximo através do “serviço concreto”, e não apenas “de palavra”. O amor é um “serviço humilde”, concretizado “no silêncio”: “Não saiba a tua mão esquerda o que faz a direita”, pede Ele, em Mt 6,3.

PERDOAR

O lava-pés representa o chamado de Jesus a “confessarmos os nossos pecados e a rezarmos uns pelos outros, para saber-nos perdoar de coração”. O papa Francisco evocou neste sentido um texto de Santo Agostinho: “Não desdenhe o cristão fazer aquilo que Cristo fez. Porque quando o corpo se inclina até o pé do irmão, acende-se no coração o sentimento de humildade, ou, já se existisse, é alimentado (…) Perdoemo-nos os nossos erros e rezemos uns pelo perdão dos pecados dos outros. Assim, de algum modo, lavaremos nossos pés mutuamente”.

AJUDAR

O papa recordou as pessoas que vivem a vida inteira “no serviço dos outros” e, como exemplo, contou que recebeu uma carta de uma pessoa agradecida por este ano da misericórdia: a pessoa em questão “me pediu rezar por ela, para que ela esteja mais perto de nosso Senhor. A vida dessa pessoa era cuidar da mãe e do irmão; a mãe está de cama, idosa, lúcida, mas sem poder se mexer; e o irmão é deficiente, numa cadeira de rodas”. Francisco resumiu duas vezes este caso declarando: “Isto é amor!”.

Conclusão

O Papa Francisco encerrou a audiência com uma frase que sintetiza toda a mensagem:

Queridos irmãos e irmãs: ser misericordiosos como o Pai significa seguir Jesus no caminho do serviço”.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa: a Lumen Gentium explica positivamente a natureza e a missão dos leigos

O Papa Leão XIV durante a Audiência Geral na Praça São Pedro (Vatican Media)

Na Audiência Geral desta quarta-feira, Leão XIV falou sobre o quarto capítulo da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativo aos leigos. "Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", frisou o Papa.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Conciliar Lumen Gentium na Audiência Geral, desta quarta-feira (1º/04), realizada na Praça São Pedro que contou com a participação de quinze mil pessoas.

Hoje, o Pontífice abordou o quarto capítulo, "que trata dos leigos". A seguir, recordou as palavras do Papa Francisco na Exortação Apostólica Evangelii Gaudium: «A imensa maioria do povo de Deus é constituída por leigos. Ao seu serviço, está uma minoria: os ministros ordenados».

De acordo com o Papa, essa seção da Constituição Dogmática Lumen Gentium relativa aos leigos "procura explicar positivamente a natureza e a missão dos leigos, depois de séculos em que foram definidos simplesmente como aqueles que não faziam parte do clero ou das pessoas consagradas".

Igualdade de todos os batizados

"Perante qualquer diferença de ministério ou estado de vida, o Concílio afirma a igualdade de todos os batizados", disse Leão XIV, acrescentando:

“A própria descrição dos leigos que o Concílio nos oferece diz: «Por leigos entendem-se aqui todos os cristãos que não são membros da sagrada Ordem ou do estado religioso reconhecido pela Igreja, isto é, os fiéis que, incorporados em Cristo pelo Batismo, constituídos em Povo de Deus e tornados participantes, a seu modo, da função sacerdotal, profética e real de Cristo, exercem, pela parte que lhes toca, a missão de todo o Povo cristão na Igreja e no mundo».”

O povo santo de Deus não é uma massa informe

"O povo santo de Deus, portanto, nunca é uma massa informe, mas o corpo de Cristo ou, como dizia Santo Agostinho, o Christus totusé a comunidade organicamente estruturada, em virtude da relação fecunda entre as duas formas de participação no sacerdócio de Cristo: o sacerdócio comum dos fiéis e o sacerdócio ministerial", disse ainda o Papa.

“Em virtude do Batismo, os fiéis leigos participam no mesmo sacerdócio de Cristo. De fato, «O supremo e eterno sacerdote Cristo Jesus, querendo também por meio dos leigos continuar o Seu testemunho e serviço, vivifica-o pelo Seu Espírito e sem cessar os incita a toda a obra boa e perfeita».”

A seguir, Leão XIV citou a Exortação Apostólica Christifideles laici de São João Paulo II. Nela o Pontífice polonês sublinhou "que «o Concílio, com o seu riquíssimo patrimônio doutrinal, espiritual e pastoral, dedicou páginas maravilhosas à natureza, dignidade, espiritualidade, missão e responsabilidade dos fiéis leigos. E os Padres conciliares, feitos eco do chamamento de Cristo, convidaram todos os fiéis leigos, homens e mulheres, a trabalhar na Sua vinha»".

O vasto campo do apostolado laico estende-se ao mundo

"Desta forma, o meu venerável Predecessor relançou o apostolado dos leigos, ao qual o Concílio tinha dedicado um documento específico, que abordaremos mais adiante", disse o Papa Leão.

“O vasto campo do apostolado laico não se limita à Igreja, mas estende-se ao mundo. A Igreja, de fato, está presente onde quer que os seus filhos professem e testemunhem o Evangelho: no trabalho, na sociedade civil e em todas as relações humanas, onde eles, com as suas escolhas, demonstram a beleza da vida cristã, que antecipa aqui e agora a justiça e a paz que serão plenas no Reino de Deus.”

Uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão

"É preciso que o mundo «seja penetrado pelo espírito de Cristo e, na justiça, na caridade e na paz, atinja mais eficazmente o seu fim». E isso só é possível com o contribuição, o serviço e o testemunho dos leigos", sublinhou o Papa.

“É o convite para sermos aquela Igreja “em saída” de que nos falou o Papa Francisco: uma Igreja encarnada na história, sempre aberta à missão, na qual todos somos chamados a ser discípulos-missionários, apóstolos do Evangelho, testemunhas do Reino de Deus, portadores da alegria de Cristo que encontramos!”

"Irmãos e irmãs, que a Páscoa que nos preparamos para celebrar renove em nós a graça de sermos, como Maria Madalena, como Pedro e João, testemunhas do Ressuscitado", concluiu Leão XIV.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

Paixão de Jesus

Paixão de Cristo (Universo Paulino)

PAIXÃO DE JESUS 

30/03/2026

Dom Geraldo dos Reis Maia
Bispo de Araçuaí (MG)

O grande compositor alemão Johann Sebastian Bach (1685-1750), dentre inumeráveis e belíssimas composições, deixou-nos uma solene interpretação da Paixão de Jesus Cristo segundo João, intitulada simplesmente Johannespassion. O grande músico compôs sua obra à base dos capítulos 18 e 19 do IV Evangelho, extraídos da tradução luterana, introduzindo textos poéticos, em forma de comentários, de Barthold Heinrich Brockes, contidos no hinário luterano. A estreia da obra se deu em grande estilo na igreja de São Nicolau, em Leipzig, na Sexta-feira Santa, 07 de Abril de 1724. 

Além da orquestra, coro e vozes principais, tenor, baixo, soprano e contralto, Bach acrescentou um grande coral para interpretar a participação do povo na trágica narrativa da Paixão de Jesus Cristo. Este exuberante conjunto musical manifesta a grandiosidade do ato cantado em estilo barroco. A musicalidade daí emanada transporta o ouvinte a uma profunda reflexão e espiritualidade. Os textos poéticos, intercalados nas perícopes do IV Evangelho, ajudam nesta reflexão e fazem resplandecer a beleza da narrativa joanina. Apresentaremos, a seguir, três destes textos de Brockes. 

O primeiro deles precede a perícope de Jo 18,1-14. Trata-se de um intróito a toda a narrativa que se segue. Em grande estilo, o coro brada: “Senhor, nosso Redentor, a cuja glória em toda a terra é senhora, mostra-nos, através da tua paixão, que tu, verdadeiro Filho de Deus, por todos os tempos, até na maior humilhação, foste glorificado”. Trata-se de um “aperitivo” ao que se vai ouvir e assistir a seguir: o drama da Paixão, desde o Jardim do Getsêmani, até o Jardim do Gólgota. 

Bem mais à frente, após a apresentação da ária número 30 “Tudo está consumado!”, entra a narrativa do tenor a anunciar “e inclinando a cabeça, entregou o Espírito”. Daí tem início a segunda referência que desejamos apresentar, comentando a morte de Jesus. Dirigindo-se ao crucificado, o baixo lhe interroga, em magnífico monólogo: “Meu amado Salvador, deixa que te pergunte: agora que foste crucificado e disseste ‘Tudo está consumado!’, sou eu livre da morte? Posso, pelo teu sofrimento e morte, herdar o reino dos céus? Todo o mundo foi salvo? Certo, tu não podes responder-me por causa de tuas dores, mas inclina a cabeça e diga em silêncio: ‘Sim’”. E o coro entoa, em grande estilo, com arranjos variados: Consumatum est

Por fim, a última referência que aqui trago é do gran finale da apresentação. Após a recitação do último texto joanino, 19,38-42, o coro entoa uma espécie de réquiem, embalando o descanso do Senhor. Daí entra o coral, que assume a voz de todo o povo, aclamando em oração: “Ah, Senhor, deixa que os teus doces anjos, no último instante da vida, portem ao seio de Abraão o meu espírito; que o corpo, na sua câmara, bem docemente, sem pena e tormento, repouse até o dia novíssimo. Então, acorda-me da morte, que os meus olhos possam contemplar-te na plena glória, ó Filho de Deus, meu Salvador e trono de graça! Senhor Jesus Cristo, ouve-me: eu desejo louvar-te eternamente!” 

A obra retrata a teologia própria que emana de um tempo e uma espiritualidade específicos: o barroco. Mesmo não sendo uma teologia atual, à luz do Concílio Vaticano II, a beleza poética dos comentários de Brockes, alinhavados ao texto joanino, e à riqueza da música de Bach nos fazem vislumbrar a beleza da arte inspirada no cristianismo, que, por sua parte, manifesta a beleza da salvação da humanidade. Dostoievski tinha razão: é a beleza que salva o mundo. Não se trata de uma beleza que segue padrões de visibilidade. Trata-se de uma beleza que une estética com a ética, corpo desfigurado que remete à oblação incondicional à humanidade. 

A Palavra de Deus, unida à arte, nos apresenta esta beleza singular: Deus que passa pela experiência da paixão e morte para gerar vida e vida em abundância (Jo 10,10). Vida que se extingue para gerar vida nova. É o grão de trigo semeado na terra. Se morre, produzirá muito fruto (cf. Jo 12,24). É essa experiência de morte e vida de um Deus apaixonado pela humanidade que celebramos nos dias da Semana Maior de nossa fé cristã, a Semana Santa. Preparemo-nos para nos deparar com a beleza, não somente de nossas liturgias e religiosidade popular, mas da vida doada para a salvação do mundo! 

Não basta ficar somente na admiração da celebração. É preciso unir a fé com a vida. É preciso trazer a celebração para o nosso cotidiano e observar que a Paixão de Jesus continua na Paixão do mundo. É preciso constatar que Jesus continua a ser incompreendido, injuriado e humilhado hoje. Quem procura seguir Jesus nos seus ensinamentos, como seus verdadeiros discípulos-missionários, segue na direção da cruz, acaba bebendo o mesmo cálice de sua paixão e morte (cf. 20,20-28). Os fiéis seguidores do Senhor não conseguem encontrá-lo hoje, nos irmãos e irmãs que sofrem, e ficar indiferentes. Mesmo perseguidos e exterminados, eles poderão ouvir do Rei-Pastor que separa as ovelhas dos cabritos: 

“Vinde, benditos de meu Pai. Recebei em herança o Reino que meu Pai vos preparou desde a criação do mundo, pois eu estava com fome, e me destes de comer; estava com sede, e me destes de beber; eu era forasteiro, e me recebestes em casa; estava nu, e me vestistes; doente, e cuidastes de mim; na prisão, e viestes até mim. (…) Em verdade, vos digo: todas as vezes que fizestes isso a um destes mínimos que são meus irmãos, foi a mim que o fizestes” (Mt 25,34b-36.40b). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

terça-feira, 31 de março de 2026

Leão XIV convida a rezar pelos sacerdotes em crise

Papa Leão XIV em oração (Arquidiocese de Braga - PT)

A intenção de oração do Papa para o mês de abril enfatiza o acompanhamento humano e espiritual dos presbíteros que atravessam momentos de dificuldades..

Vatican News

Foi divulgada, nesta terça-feira (31/03), a mensagem de vídeo com a intenção de oração do Papa Leão XIV para o mês de abril, em que o Pontífice convida a rezar pelos sacerdotes em crise.

Através da Rede Mundial de Oração do Papa - com a campanha “Reza com o Papa” – o Santo Padre convida os cristãos e as pessoas de boa vontade a um breve tempo de oração, para reconhecer e aprofundar que por trás de cada ministério há uma vida que também necessita de cuidado, proximidade e escuta.

“Senhor Jesus, Bom Pastor e companheiro de caminhada, hoje colocamos nas tuas mãos todos os sacerdotes, especialmente os que atravessam momentos de crise, quando a solidão pesa, as dúvidas obscurecem o coração e o cansaço parece mais forte do que a esperança.”

O Papa pede ao Senhor "que conhece as suas lutas e feridas", para que renove nos sacerdotes em crise "a certeza do seu amor incondicional".

Leão XIV afirma que os presbíteros "não são funcionários nem heróis solitários, mas filhos amados, discípulos humildes e estimados, e pastores amparados pela oração de seu povo".

Além disso, o Pontífice destaca a importância de redescobrir a dimensão comunitária do ministério sacerdotal.

“Pai bom, ensina-nos, como comunidade, a cuidar dos nossos presbíteros: a escutá-los sem julgar, a agradecer sem exigir perfeição, a partilhar com eles a missão batismal de anunciar o Reino com gestos e palavras, e a acompanhá-los com proximidade e oração sincera. Que saibamos amparar aqueles que tantas vezes nos amparam.”

O Papa reconhece que o cuidado dos sacerdotes é uma responsabilidade partilhada entre todo o Povo de Deus.

Em sua oração, o Papa pede ao Espírito Santo para reacender "nos nossos sacerdotes a alegria do Evangelho" e que eles possam contar com amizades saudáveis, "redes de apoio fraterno, sentido de humor quando as coisas não acontecem como esperavam, e com a graça de redescobrir sempre a beleza de sua vocação". Que eles não percam a confiança em Deusnem a alegria de servir à "Igreja com um coração humilde e generoso".

Sustentar fraternalmente aos que sustentam

O diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa, pe. Cristóbal Fones, destaca que esta intenção de oração é algo particularmente importante: “O Papa nos recorda que temos que sustentar fraternalmente aos que nos sustentam. Eu mesmo sinto isto em minha experiência, convivendo com tantos companheiros e amigos sacerdotes que atravessam momentos difíceis. É fundamental recordar a importância do acompanhamento humano, da amizade sincera e, sobretudo, da força da oração que sustenta. Os sacerdotes precisam saber que não estão sozinhos”.

À luz do recente magistério da Igreja — desde o Concílio Vaticano II até os ensinamentos dos últimos pontífices — se evidencia que o sacerdote é um homem frágil que necessita de misericórdia, proximidade e compreensão. Por isso, a insistência para que não enfrentem sozinhos os momentos de desânimo, mas se deixem acompanhar e sustentar pela comunidade. A fraternidade sacerdotal, a vida partilhada e a oração do Povo de Deus são como fontes essenciais de graça, capaz de renovar sua vocação e sustentá-los em sua missão de cada dia.

“O Senhor não busca sacerdotes perfeitos”

Uma Igreja sinodal é também uma Igreja que cuida e sustenta a vocação dos sacerdotes, ajudando os presbíteros a serem pastores, irmãos e pessoas melhores. O Papa Francisco, em “O Vídeo do Papa” de julho de 2018, mostrou preocupação por seus irmãos sacerdotes, e disse: “O cansaço dos sacerdotes… Sabem quantas vezes penso nisso?”

Em 27 de junho de 2025, por ocasião do Dia Mundial de Oração pela Santificação dos Sacerdotes, o Papa Leão XIV dirigiu-se aos presbíteros com estas palavras: “Não tenham medo de sua fragilidade: o Senhor não procura sacerdotes perfeitos, mas corações humildes, abertos à conversão e prontos a amar como Ele mesmo nos amou”. Um dia antes, em 26 de junho de 2025, Leão XIV interpelou os participantes do encontro internacional “Sacerdotes felizes - «Eu vos chamo amigos», promovido pelo Dicastério para o Clero durante o Jubileu dos Sacerdotes, dizendo: “No coração do Ano Santo, queremos testemunhar juntos que é possível ser sacerdotes felizes, porque Cristo nos chamou, Cristo fez de nós seus amigos: é uma graça que queremos acolher com gratidão e responsabilidade”.

Como Rede Mundial de Oração do Papa queremos destacar que esta intenção não é somente um convite a rezar, mais também a agir: promover espaços de escuta, fomentar comunidades acolhedoras, evitar críticas destrutivas, e fortalecer vínculos como comunidade.

Sobre a Rede Mundial de Oração do Papa

A Rede Mundial de Oração do Papa é uma Obra Pontifícia confiada à Companhia de Jesus. Está presente em mais de 90 países e reúne uma comunidade espiritual de mais de 22 milhões de pessoas que procuram viver cada dia com disponibilidade para colaborar na missão de Cristo. No centro desta missão estão as intenções mensais de oração do Papa, que convidam a centrar-se nos desafios da humanidade e na missão da Igreja.

Foi fundada em 1844 como Apostolado da Oração. Em dezembro de 2020, o Papa Francisco instituiu esta Obra Pontifícia como Fundação Vaticana e aprovou os seus estatutos definitivos em julho de 2024.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF