Translate

sexta-feira, 13 de fevereiro de 2026

Como enxergar redenção no sofrimento?

Como nxergar redenção no sofrimento? (Catequizar)

Como enxergar redenção no sofrimento?

“Era desprezado, era a escória da humanidade, homem das dores, experimentado nos sofrimentos; como aqueles, diante dos quais se cobre o rosto, era amaldiçoado e não fazíamos caso dele.” (Is 53,3) É assim que Isaías descreve a figura de Cristo. Sua aparência não O tornava atrativo. Para muitos, parecia sofrimento demais; para outros, era tido como vítima de um castigo: ferido por Deus e humilhado. Contudo, eram as nossas dores que Ele carregava, eram os nossos sofrimentos que levava sobre Ele.

Mesmo em meio à dor, ao desprezo e sofrimento, em nenhum momento Cristo se via como vítima, mas como quem se abaixa, faz-se homem para fazer a vontade do Pai. Sabia bem qual era Sua missão, conhecia a finalidade de Sua vida e, por isso, soube oferecê-la livremente. Ofereceu-se para que o desígnio do Pai se cumprisse. Bendito amor redentor!

Na cruz, Ele ensina que o verdadeiro amor é exigente, mas ao mesmo tempo libertador. Tudo vai depender da forma como olhamos para o sofrimento.

Em Cristo, o sofrimento ganha novo sentido

Muitas vezes, por não compreendermos tão grande amor, ainda nos é tão difícil enxergar redenção no sofrimento. Acabamos por nos colocar diante da vida e dos acontecimentos como vítimas, tornando-nos prisioneiros das nossas dores e do nosso passado. Nessa hora, precisamos deixar que a redenção de Cristo alcance o nosso coração. N’Ele, o sofrimento ganha um novo sentido, torna-se capaz de gerar vida. Em Cristo, a morte vem sempre acompanhada de alguma ressurreição. Também em nossa vida o sofrimento pode ser tão redentor quanto o de Cristo na cruz, sendo capaz de nos salvar, de trazer luz a toda escuridão que ainda habita em nós.

É a partir dessa entrega que precisamos viver. É para a vida de Cristo que somos convidados a olhar e não para nós mesmos. Quanto mais olhamos para nós, tanto mais ficamos tristes, descontentes e desanimados com as sombras e trevas que encontramos em nosso coração. Sim, somos fracos, imperfeitos, frágeis, somos inclinados para o mal e, olhando para essa realidade, não podemos ser felizes. Por isso devemos olhar para Cristo, pois Ele é bom, é amor, é luz, é fiel, é bondoso. Não nos ama por merecimento algum, não nos culpa nem nos faz sentir o peso de Sua cruz, mas, em Sua misericórdia, Ele nos acolhe.

Para onde você tem olhado?

Tornar toda entrega de Cristo redentora só é possível quando conseguimos, a partir do Amor, tirar o olhar de nós mesmos e lançá-lo para Cristo. Assim, já não mais olhamos para nossa impotência, mas confiamos no poder d’Ele; não olhamos nossa pequenez, mas nos alegramos com a grandeza d’Ele; não olhamos se merecemos ser amados ou não, mas acolhemos o Seu amor e a Sua salvação.

Para onde temos olhado? É tempo de levantarmos os olhos, de olharmos para Cristo. Ele quer nos ajudar, quer nos levantar. Aceitemos, a cada dia, os nossos sofrimentos e deixemos que eles nos conduzam a Cristo. Há beleza no sofrimento quando permitimos que, a partir d’Ele, a luz entre em nosso coração e atraia o amor e a graça de Cristo.

Marcela Cunha
www.cancaonova.com

Fonte: https://catequizar.com.br/

quinta-feira, 12 de fevereiro de 2026

A Santa Sé à Fraternidade São Pio X: Iniciemos um diálogo, mas sejam suspensas as ordenações episcopais

Cardeal Víctor Manuel Fernández, prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, com o Pe. Davide Pagliarani, superior da FSSPX (Vatican Media)

Na manhã desta quinta-feira, o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé reuniu-se no Vaticano com o superior da FSSPX, na sequência de contatos iniciados após o anúncio da Fraternidade, no início de fevereiro, de que iria consagrar novos bispos. Uma nota, assinada pelo cardeal, faz referência à proposta de "um caminho de diálogo especificamente teológico" e ao pedido de suspensão das ordenações, o que implicaria "uma ruptura decisiva da comunhão eclesial".

Salvatore Cernuzio – Cidade do Vaticano

Um encontro "cordial" e "sincero", realizado com o "beneplácito" do Papa Leão XIV, caracterizado pela proposta de iniciar "um diálogo especificamente teológico" e concluído com uma recomendação clara: que a Fraternidade São Pio X suspenda a decisão das ordenações episcopais anunciadas, pois isso "implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma) com graves consequências para a Fraternidade como um todo".

Realizou-se nesta quinta-feira, 12 de fevereiro, o diálogo entre o prefeito do Dicastério para a Doutrina da Fé, cardeal Víctor Manuel Fernández, e padre Davide Pagliarani, superior geral da FSSPX, a fraternidade sacerdotal mais conhecida como lefebvrianos, que remete a bispo Marcel Lefebvre, que fundou a associação na década de 1970 em oposição às reformas do Concílio Vaticano II.

LEIA AQUI O TEXTO COMPLETO DA DECLARAÇÃO DO DICASTERIO PARA A DOUTRINA DA FÉ

O encontro com o cardeal argentino foi anunciado em 4 de fevereiro como o primeiro resultado concreto dos "contatos" entre a Santa Sé e a FSSPX, com o objetivo de "evitar desentendimentos ou soluções unilaterais para as questões que surgiram".

Este último ponto foi enfatizado em um comunicado da Sala de Imprensa da Santa Sé, publicado em 3 de fevereiro, um dia após a Fraternidade anunciar consagrações episcopais. Foi o próprio Pagliarani, durante uma cerimônia realizada no seminário da FSSPX em Flavigny-sur-Ozerain, na França, a anunciar que confiaria aos dois bispos da comunidade, o espanhol Alfonso de Gallareta e o suíço Bernard Fellay, a tarefa de "prosseguir com novas consagrações episcopais" em 1º de julho, sem a aprovação do Papa.

Um gesto que repetiria aquele de 30 de junho de 1988, quando o arcebispo Lefebvre ordenou quatro bispos, incorrendo em excomunhão latae sententiae. Dois dos quatro eram os próprios Fellay e de Gallareta.

No comunicado do superior geral de início de fevereiro, era feita referência a uma carta enviada à Santa Sé expressando "a particular necessidade da Fraternidade de assegurar a continuidade do ministério dos próprios bispos" e era enfatizado que até aquele momento que nenhuma resposta havia chegado de Roma.

Nesta quinta-feira, no entanto, o encontro entre o prefeito da Doutrina da Fé e o superior da FSSPX foi realizado no prédio do Santo Ofício. Os detalhes do encontro constam de um comunicado assinado pelo cardeal Víctor Manuel Fernández que afirma que, "depois de ter esclarecido alguns pontos apresentados pela FSSPX em diversas cartas, enviadas principalmente entre 2017 e 2019 — discutiu-se, entre outras, sobre a questão da vontade divina em relação à pluralidade das religiões —, o prefeito propôs um caminho de diálogo especificamente teológico, com uma metodologia muito precisa, sobre questões que ainda não foram suficientemente esclarecidas".

Entre esses temas: "A diferença entre ato de fé e 'religioso obséquio de mente e da vontade'" ou  "os diferentes graus de adesão que requerem os vários textos do Concílio Ecumênico Vaticano II e sua interpretação". Ao mesmo tempo, foi proposto de "tratar uma série de questões listadas pela FSSPX em uma carta datada de 17 de janeiro de 2019".

"Este percurso - continua ainda o comunicado - terá como objetivo destacar, nos tópicos discutidos, os mínimos necessários para a plena comunhão com a Igreja Católica e, consequentemente, para delinear um estatuto canônico para a Fraternidade, juntamente com outros aspectos a serem explorados mais a fundo".

Da parte da Santa Sé, foi também reiterado que "a ordenação de bispos sem o mandato do Santo Padre, que detém o supremo poder ordinário, pleno, universal, imediato e direto, implicaria uma ruptura decisiva da comunhão eclesial (cisma), com graves consequências para a Fraternidade como um todo". Portanto, "a possibilidade de se realizar este diálogo pressupõe que a Fraternidade suspenda a decisão sobre as ordenações episcopais anunciadas".

O superior geral da FSSPX "apresentará a proposta ao seu Conselho e dará a sua resposta ao Dicastério para a Doutrina da Fé". "Em caso de resposta positiva, os passos, etapas e procedimentos a seguir serão estabelecidos de comum acordo", enfatiza o documento.

Na conclusão do documento, é feito um pedido de oração "a toda a Igreja" para que acompanhe "esta caminhada, especialmente nos tempos vindouros, com orações ao Espírito Santo", o "principal arquiteto da verdadeira comunhão eclesial desejada por Cristo".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

HISTÓRIA DA IGREJA: «Ambrogio fiel à tradição política de Roma»

Santo Ambrósio, detalhe dos mosaicos na capela de San Vittore, Basílica de Santo Ambrósio, Milão. | 30Giorni

HISTÓRIA DA IGREJA

retirado do nº 02 – 2002, Revista 30Dias

«Ambrogio fiel à tradição política de Roma»

Assim, Marta Sordi, ao examinar a relação entre a Igreja e o poder civil no século IV em seu livro mais recente, fala do bispo de Milão: "Mesmo quando se trata de hereges, ele não quer que o Estado intervenha como um braço secular contra eles."

por Giovanni Ricciardi

Em seu livro mais recente, O Império Romano-Cristão na Época de Ambrósio , publicado pela Medusa, Marta Sordi oferece um panorama do complexo período histórico da segunda metade do século IV, no qual Ambrósio foi bispo de Milão, cidade então escolhida pelo imperador Valentiniano I como capital do Império. Após o breve reinado de Juliano, o Apóstata (361-363), que tentou sem sucesso reviver as antigas glórias de um paganismo em declínio, Roma viu uma sucessão de príncipes cristãos no trono imperial. Isso, contudo, nem sempre facilitou a relação entre Igreja e Império. As tensões que o bispo Ambrósio teve que administrar não eram mais as dos séculos de perseguição, mas sim as decorrentes da interferência mútua entre as esferas civil e eclesiástica. A própria eleição de Ambrósio para o episcopado, argumenta a professora Sordi em seu livro, é um exemplo disso. Fizemos algumas perguntas a ela.

Ambrósio ascendeu ao episcopado após ocupar importantes cargos civis no Império. Será que essa formação "secular" influenciou sua atitude em relação ao poder?
MARTA SORDI: Ambrósio era membro de uma família senatorial que já havia fornecido ao Império prefeitos e cônsules no século III. Ele ascendeu ao episcopado por aclamação popular, mas talvez também por meio de uma manobra política do prefeito pretoriano Probo. Probo aproveitou-se da turbulência que se seguiu à morte do bispo pró-ariano de Milão para substituí-lo por um católico, embora ainda catecúmeno, que tinha experiência política (ele era cônsul da Emília e Ligúria, com sede em Milão). A força com que Ambrósio, uma vez bispo, afirmou a independência da Igreja em relação ao poder temporal e resistiu à interferência política em nome da libertas dicendi ( liberdade de expressão ), sem dúvida derivou em parte de sua formação secular, mas talvez também da consciência da interferência que ocorreu em sua eleição.

Qual era, por outro lado, a atitude dos imperadores cristãos em relação a assuntos religiosos?
SORDI: Os problemas religiosos que o imperador cristão enfrentou — e que Ambrósio aborda em suas obras — eram complexos. De um lado, havia a religião oficial, o paganismo tradicional, que ainda permanecia, de certa forma, a religio publica populi Romani.Tanto Constantino quanto seus sucessores, até Graciano, de fato ocuparam o Pontificado Máximo, o mais alto cargo religioso no estado pagão. Do outro lado estava o Cristianismo, religião pessoal do imperador; a Igreja, à qual o próprio imperador pertencia; e os hereges, condenados pela Igreja. Quanto ao paganismo oficial, Constantino já havia começado a condenar certos aspectos (especialmente as práticas divinatórias dos arúspices), e Constâncio havia imposto muitas proibições aos sacrifícios. Após o interlúdio juliano, Valentiniano I (Joviano governou por tempo insuficiente para manifestar suas intenções) mostrou-se tolerante, enquanto Teodósio, na parte oriental do Império, reviveu e endureceu as proibições de Constâncio aos sacrifícios e práticas pagãs.

Ambrósio teve alguma influência sobre as limitações às práticas pagãs impostas pelos imperadores?
SORDI: Creio que Ambrósio não teve influência nessas proibições; creio, ao contrário, que desempenhou um papel decisivo tanto na decisão de Graciano, filho de Valentiniano I, de renunciar ao Pontificado, quanto na luta contra a pretensão dos pagãos de ainda representarem a religião pública do povo romano. O conflito em torno do Altar da Vitória se dá nesse sentido. Nesse sentido , Ambrósio foi um inimigo implacável do paganismo e, sobretudo, repito, de sua pretensão de representar a religião pública do Império. Não é por acaso que o Bispo de Milão valoriza a grande tradição civil de Roma, mantendo-a, porém, claramente distinta da religiosa. Ele exalta as disciplinas pelas quais Roma se tornou grande, as virtudes de Camilo, Régulo e Cipião; preocupa-se com os problemas da defesa militar do Império; abomina os bárbaros que ameaçam suas fronteiras e devastam suas terras. Mas é precisamente essa fidelidade inabalável à tradição política de Roma que leva Ambrósio a uma rejeição intransigente de qualquer vestígio de paganismo que ameace a unidade do Império Romano-Cristão.

E quanto aos hereges?
SORDI: Mesmo em relação aos hereges, Ambrósio, que é extremamente severo com os arianos, não quer que o Estado intervenha como um braço secular contra eles. A controvérsia com os bispos da Gália que, contra os priscilianistas, apelaram a Magno Máximo, é extremamente significativa. Nesse sentido, ele elogia a atitude de Valentiniano I, que renuncia a qualquer interferência nos assuntos internos da Igreja e em assuntos religiosos em geral.
De fato, enquanto Constantino e Constâncio mostraram uma tendência a interferir, Valentiniano I, ao contrário, sancionou, como Ambrósio recorda com satisfação em uma de suas cartas, que in causa fideiE em assuntos concernentes à Igreja, a própria Igreja deveria ser a juíza. Ambrósio apelou a esses princípios quando, sob a influência de sua mãe pró-ariana, Justina, Valentiniano II tentou confiscar algumas basílicas católicas em Milão e entregá-las aos arianos.

A atitude imparcial de Valentiniano I também era apreciada pelos pagãos?
SORDI: O historiador pagão Amiano Marcelino elogia Valentiniano por ter se mostrado tolerante. E o define como * inter religionum diversitates medius* , isto é, "imparcial" em assuntos religiosos. O elogio de Amiano Marcelino à tolerância de Valentiniano I encontra eco na carta de Ambrósio a Valentiniano II que citei, e é confirmado por uma constituição do próprio Valentiniano I, presente no Código Teodosiano, que atribuía a cada pessoa a "livre faculdade" de venerar a divindade à qual havia aderido em sua alma. Trata-se de uma retomada do chamado Édito de Milão de Constantino, e Valentiniano é elogiado por Amiano por não ter forçado seus súditos a adorar a divindade que ele próprio venerava. A figura de Valentiniano I é muito interessante e foi recentemente tema de uma excelente monografia de Milena Raimondi ( Valentiniano e a Escolha do Ocidente , Ed. dell'Orso, Alessandria, 2001).

Santo Ambrósio celebra a missa em sufrágio de São Martinho, detalhe do mosaico da abside da Basílica de Santo Ambrósio em Milão. | 30Giorni

Em que sentido podemos falar de um Império "Romano-Cristão" na época de Ambrósio?
SORDI: Em primeiro lugar, porque os imperadores aderiram à fé cristã. Desta perspectiva , o Romanum imperium que, com a graça de Deus, é cristão ( Romanum imperium quod, Deo propitio, christianum est , Agostinho, De gratia Christi II, 17-18) é aquele que começa com Constantino. Ambrósio, em De obitu Theodosii , diz que Constantino foi o primeiro imperador a crer e que deixou aos seus sucessores o legado da fé ( primus imperatorum credidit et post se hereditatem fidei principibus dereliquit ). Dele, diz Ambrósio, vêm os outros principes Christiani , com a única exceção de Juliano. Deste Império Romano-Cristão, que, após a queda do Império Ocidental, continuou com Bizâncio, discuti apenas o período abrangido pelo episcopado de Ambrósio, do reinado de Valentiniano I à morte de Teodósio em 395. É o período em que, pela última vez após a fundação de Constantinopla e a campanha persa de Juliano, que havia inclinado a balança do Império para o Oriente, o Ocidente foi escolhido pelo mais importante Augusto, Valentiniano, que estabeleceu Milão como sua capital efetiva e confirmou sua investidura com novos símbolos de poder. E é talvez precisamente durante essa fase, em minha opinião, que Valentiniano fez uma escolha clara por um simbolismo de poder distintamente cristão: os pregos da cruz redescoberta, usados ​​para a coroa (a "ancestral" da famosa Coroa de Ferro) e para o freio do cavalo imperial.

Como explicar a escolha de Valentiniano?
SORDI: A coroa e o freio já eram símbolos de poder na Grécia Antiga. E o motivo do poder "coroado" e "contido" subjaz a toda a narrativa ambrosiana da inventio crucis , isto é, da descoberta da cruz por Helena. Para Ambrósio, isso estabelece a nova "teologia" do poder: " In vertice corona, in manibus habena. Corona de cruce ut fides luceat, habena quae de cruce ut potestas regat " (a coroa na cabeça, as rédeas nas mãos. A coroa da cruz para que a fé brilhe, as rédeas também da cruz para que o poder governe, De obitu , 48). Contudo, para Ambrósio, a nova relação com Deus, que esses símbolos transfigurados representam, também estabelece uma nova relação entre o imperador e seus súditos e deve salvar os imperadores cristãos da tentação tirânica que havia dominado muitos de seus predecessores pagãos.

Fonte: https://www.30giorni.it/

quarta-feira, 11 de fevereiro de 2026

O que é TOC? Veja como reconhecer os sinais

Dmytro Zinkevych - Shutterstock

Javier Fiz Pérez - publicado em 05/08/18

Buscando diagnóstico e tratamento do transtorno obsessivo-compulsivo.

O transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) é um tipo de transtorno de ansiedade que leva as pessoas a ter pensamentos, sentimentos, ideias, sensações (obsessões) e comportamentos repetitivos e indesejáveis ​​(compulsões).

As pessoas com TOC costumam se comportar de certa forma para libertar-se de pensamentos obsessivos, mas isso só lhes traz alívio no curto prazo, uma vez que não realizar seus rituais obsessivos pode causar enorme ansiedade e sofrimento.

Causas

A causa exata do TOC permanece desconhecida. Os antecedentes podem ser lesões na cabeça, infecções ou funcionamento anormal em algumas partes do cérebro. Os genes parecem desempenhar um papel forte.

Os pais e professores podem reconhecer os sintomas do TOC em crianças. A maioria das pessoas é diagnosticada aos 19 ou 20 anos, mas algumas não apresentam sintomas até atingir a idade de 30 anos.

Sintomas

Pessoas com TOC têm pensamentos, impulsos ou imagens mentais repetitivos que causam ansiedade. Estes são chamados de obsessões.

Alguns exemplos são:

  • Recorrentes pensamentos “proibidos” relacionados a sexo, religião ou dano a outros ou a si mesmos.
  • A necessidade de uma ordem constante e um medo excessivo da sujeira.
  • Comportamentos repetitivos em reação a seus pensamentos e obsessões: verificar suas ações repetidas vezes, organizar as coisas de certa maneira, lavar as mãos repetidamente para evitar uma infecção.
  • Dedicar pelo menos uma hora por dia a esses pensamentos ou comportamentos, o que cria problemas na vida diária.
  • Tiques, como piscar repetidamente, tiques faciais, encolher os ombros, sacudir a cabeça, limpar a garganta.

Testes de diagnóstico

A maneira recomendada de identificar este tipo de desordem é entrevistando a pessoa e os membros da sua família para fazer um diagnóstico.

Também é recomendado fazer um exame físico para descartar causas físicas e uma avaliação psiquiátrica para descartar outros distúrbios mentais.

Tratamento e terapia

O TOC é tratado com uma combinação de medicamentos e terapia comportamental.

Os medicamentos utilizados incluem antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores do humor. A psicoterapia (terapia comportamental cognitiva ou TCC) provou ser efetiva para essa desordem.

Durante a terapia, a pessoa é repetidamente exposta a uma situação que desencadeia os pensamentos obsessivos, e ele ou ela gradualmente aprende a tolerar a ansiedade e resiste ao impulso de realizar o ato compulsivo.

A terapia também pode ser usada para reduzir o estresse e a ansiedade, e para resolver os conflitos internos.

Prognóstico e expectativas

O TOC é uma doença prolongada (crônica) com períodos de sintomas graves seguidos de períodos de melhora. É incomum ver um período completamente livre de sintomas. Por outro lado, a maioria das pessoas melhora com o tratamento.

Quando entrar em contato com um profissional médico

No campo da medicina, é sempre melhor agir o mais rápido possível. Se os problemas são físicos ou mentais, quanto mais cedo a anomalia for detectada, mais fácil será gerenciá-la durante toda a vida. Uma consulta com um profissional de saúde mental é muito recomendada antes que todos os sintomas interfiram na vida diária, no trabalho e nos relacionamentos.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa: a Palavra de Deus sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas

Angelus, 11/02/2026 - Paapa Francisco (Vatican Media)
Leão XIV prosseguiu com o ciclo de catequeses soa)bre a Constituição Conciliar Dei Verbum. "A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus", disse o Papa, ressaltando que toda a Escritura proclama Jesus Cristo e "a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade". "Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja", sublinhou.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Leão XIV deu continuidade ao ciclo de catequeses sobre a Constituição Dogmática Dei Verbum sobre a Revelação Divina na Audiência Geral, desta quarta-feira (11/02), realizada na Sala Paulo VI.

Na catequese de hoje, o Pontífice se deteve no capítulo sexto da Constituição conciliar a propósito da "profunda e vital ligação entre a Palavra de Deus e a Igreja".

A Igreja é o lugar próprio da Sagrada Escritura. Sob a inspiração do Espírito Santo, a Bíblia nasceu do povo de Deus e é destinada ao povo de Deus. Na comunidade cristã, por assim dizer, tem o seu habitat: na vida e na fé da Igreja, encontra o espaço para revelar o seu sentido e manifestar a sua força.

O Papa recordou que "a Igreja nunca deixa de refletir sobre o valor da Sagrada Escritura" e que "após o Concílio, um momento muito importante a este respeito foi a Assembleia Geral Ordinária do Sínodo dos Bispos sobre o tema 'A Palavra de Deus na Vida e na Missão da Igreja', em outubro de 2008".

De acordo com Leão XIV, "na comunidade eclesial, a Escritura encontra o contexto necessário para cumprir a sua tarefa específica e alcançar o seu objetivo: dar a conhecer Cristo e abrir ao diálogo com Deus".

A seguir, o Papa citou esta expressão de São Jerônimo: «A ignorância da Escritura é, de fato, a ignorância de Cristo». Ela nos lembra "o propósito último da leitura e da meditação das Escrituras: conhecer Cristo e, por meio d’Ele, entrar em comunhão com Deus, comunhão que pode ser entendida como uma conversa, um diálogo".

Leão XIV disse ainda que "a Constituição Dei Verbum nos apresentou a Revelação como um diálogo, em que Deus fala aos homens como amigos. Isto acontece quando lemos a Bíblia numa atitude interior de oração: então Deus vem ao nosso encontro e entra em diálogo conosco".

A Sagrada Escritura, confiada à Igreja, por ela guardada e explicada, desempenha um papel ativo: com efeito, com a sua eficácia e poder, dá sustento e força à comunidade cristã. Todos os fiéis são chamados a beber desta fonte, sobretudo na celebração da Eucaristia e dos outros Sacramentos.

Segundo o Papa, "o amor pela Sagrada Escritura e a familiaridade com ela devem guiar aqueles que exercem o ministério da Palavra: bispos, sacerdotes, diáconos, catequistas. O trabalho dos exegetas e dos que praticam a ciência bíblica é precioso; e a Escritura ocupa um lugar central na teologia, que encontra o seu fundamento e a sua alma na Palavra de Deus".

Leão XIV sublinhou que "o que a Igreja ardentemente deseja é que a Palavra de Deus chegue a cada membro e alimente a sua caminhada de fé. Mas a Palavra de Deus também impele a Igreja para além de si mesma, abrindo-a continuamente à missão de chegar a todos".

De fato, vivemos rodeados de tantas palavras, mas quantas delas são vazias! Por vezes, ouvimos até palavras sábias que, no entanto, não tocam o nosso destino final. A Palavra de Deus, pelo contrário, sacia a nossa sede de sentido, de verdade sobre as nossas vidas. É a única Palavra que é sempre nova: revelando-nos o mistério de Deus, é inesgotável, nunca deixa de oferecer as suas riquezas.

O Papa concluiu, dizendo que "vivendo na Igreja, aprendemos que a Sagrada Escritura está totalmente relacionada com Jesus Cristo e experimentamos que esta é a razão profunda do seu valor e do seu poder. Cristo é o Verbo vivo do Pai, o Verbo de Deus feito carne. Toda a Escritura proclama a sua Pessoa e a sua presença salvadora, para cada um de nós e para toda a humanidade. Abramos, pois, os nossos corações e mentes para acolher este dom, na escola de Maria, Mãe da Igreja".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

terça-feira, 10 de fevereiro de 2026

Igreja no Brasil: Desafio no combate ao feminicídio

Shutterstock

Paulo Teixeira - publicado em 15/01/26

Somente em 2024, foram registrados 1.450 feminicídios no país, um aumento de 12% em relação ao ano anterior, e o <strong>maior número já registrado desde a criação da lei Maria da Penha </strong>que endurece as penas para quem comete esse crime brutal.

Padre Rodolfo, assessor da Comissão Episcopal Vida e Família da CNBB, provoca uma reflexão interna nas comunidades religiosas. O segundo nível da justiça é moral e teológico. O sacerdote argumenta que o feminicídio é um escândalo que fere o plano de Deus. Para ele, a Igreja não pode ser conivente com discursos que justifiquem a submissão ou a posse da mulher pelo homem, pois tais deformações educativas são o berço da violência.

O padre é direto ao apontar a responsabilidade da formação cristã nesse processo. "O feminicídio não surge 'do nada', mas é fruto de uma longa cadeia de omissões, conivências e deformações educativas", destaca o sacerdote. Ele reforça que a verdadeira justiça divina exige que o Evangelho seja usado para libertar e não para oprimir, transformando a cultura do descarte em uma cultura do cuidado e da igualdade fundamental.

Uma missão para o novo ano

Ao iniciar 2026, o desafio é transformar os protestos e as reflexões em ações concretas. A união entre a pressão popular e o despertar da consciência religiosa aponta para um caminho de esperança. A justiça que as mulheres buscam passa pela educação das novas gerações, pelo acolhimento nas paróquias e pela fiscalização rigorosa das leis.

O Padre Rodolfo considera que reconhecer os erros do passado é o que permitirá à sociedade avançar. "Esses erros, entre outros, são, em grande parte, fruto de ignorância, medo, insegurança e de uma cultura patriarcal que ainda não foi suficientemente convertida pelo Evangelho", afirma. O compromisso de 2026, portanto, é fazer com que a justiça deixe de ser uma palavra em cartazes ou sermões para se tornar a garantia real de que nenhuma mulher a mais terá sua vida interrompida pelo ódio.

Educar a consciência

Superar este cenário exige mais do que leis; exige uma transformação na base da formação humana. O Padre Rodolfo destaca o papel crucial da família e da Igreja na criação de uma nova consciência que rejeite a violência masculina. Educar filhos e filhas para a não-violência é um imperativo cristão que começa no lar e se estende às catequeses e comunidades.

Ação pastoral

Por fim, a Igreja é convocada a um desafio prático: o acolhimento e a proteção. A Pastoral Familiar e outras instâncias eclesiais precisam de estar equipadas para identificar vulnerabilidades e oferecer suporte real às vítimas. Não se pode falar de "Reino de Deus" ignorando a "covardia" e a "degradação" — termos usados pelo Papa Francisco e reforçados pelo Padre Rodolfo — que o feminicídio representa.

O Padre Rodolfo conclui que o compromisso da fé exige que todos se tornem parte de uma "grande onda contra a violência masculina". "Somente assim poderemos, progressivamente, deixar de contar feminicídios e começar a contar histórias de libertação e de reconciliação, sinais do Reino que já está em meio a nós", afirma. O escândalo da morte de mulheres deve, portanto, despertar uma fé que não se cala e que trabalha incansavelmente pela justiça e pela dignidade humana.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Prática social

Ação Social da Igreja (CNBB)

PRÁTICA SOCIAL 

09/02/2026

Dom Geraldo dos Reis Maia
Bispo de Araçuaí (MG)

A Igreja nasce com uma missão especial: o serviço do Reino de Deus, anunciado e inaugurado por Jesus Cristo. Por isso, ela persiste na prática dos valores evangélicos, na busca de ser “luz do mundo” e “sal da terra” (Mt 5,12.14). Já nos seus primórdios, a Igreja se preocupava com os necessitados, organizando-se como comunidade de partilha e solidariedade (cf. At 2,42-47; 4,32-35). Para o melhor atendimento dos empobrecidos, especialmente as viúvas, foi instituído o ministério do diaconato (cf. At 6,1-7). Sabendo das dificuldades dos cristãos de Jerusalém, Paulo promoveu uma grande campanha nas diversas Igrejas para socorrer os cristãos em penúria (cf. Rm 15,26-28; Gl 2,10; 2 Cor 8-9). 

O cuidado com os empobrecidos e com os doentes é atestado por vários Padres da Igreja. Sabemos que São Basílio construiu um grande abrigo para acolher os pobres. Tão grande que era, foi considerado uma nova cidade junto a Cesareia da Capadócia, recebendo o nome de “Basilíada”. Muitos outros bispos mantinham, em suas Igrejas, abrigos para acolher os andarilhos e empobrecidos em geral. Tantos outros Padres denunciavam o poder opressor que explorava a classe baixa. É importante notar que esses valorosos Padres da Igreja não somente denunciavam a opulência dos ricos, que não tinham abertura para a partilha, mas realizavam ações concretas e emergenciais para não deixar os pobres desamparados. Assim é que surgem os hospitais e abrigos para crianças e idosos desamparados. 

No período medieval, houve grandes esforços da Igreja na acolhida dos empobrecidos, mas o sinal marcante de radicalidade no serviço aos empobrecidos nos foi dado por São Francisco de Assis, que acolhia empobrecidos, mendigos e leprosos para cuidar deles com imenso amor. O santo de Assis foi um verdadeiro sinal dos tempos para apontar que o cuidado com a pobreza é missão da Igreja. Tanto os franciscanos quanto outras variadas ordens e congregações religiosas que foram surgindo se dedicaram ao serviço dos empobrecidos, dos desamparados, de crianças, idosos, viúvos e enfermos. A mão misericordiosa do Senhor era estendida aos marginalizados por meio de pessoas consagradas. Quanto bem esses consagrados fizeram e fazem para os excluídos da sociedade. 

As transformações do mundo moderno, especialmente após a Revolução Burguesa na França e a Revolução Industrial na Inglaterra, levaram a Igreja a assumir outros tipos de ação concreta de caridade. A pura assistência aos desvalidos já não era suficiente. Havia que apoiar os sindicatos, as associações de classe e os trabalhadores em geral para fazer cumprir seus direitos, numa sociedade materialista e capitalista, que tinha como meta o lucro fácil. Foi nesse contexto que Leão XIII ergueu sua voz profética por meio da encíclica Rerum Novarum (1891), anunciando um quadro de coisas novas que exigiam posturas novas da Igreja, a serviço dos direitos dos trabalhadores. Essa encíclica foi um divisor de águas na prática evangélica. 

O trabalho de assistência social da Igreja é abrangente. Há um número sem fim de creches, abrigos para idosos, para adolescentes e jovens, escolas profissionalizantes, oferecimento de sopas e refeições, acolhida aos empobrecidos e abandonados, entrega de cestas básicas, enxovais para crianças, farmácias e hospitais populares, remédios caseiros, alimentação alternativa, cuidado com gestantes e crianças, assistência e apoio a pessoas privadas de liberdade e a suas famílias, campanhas de agasalho, de roupas em geral e de alimentação, as celebrações da partilha ou o Domingo da Caridade. Como Igreja, fazemos muito pelos pobres, mas é necessário que nossa ação cresça, pois cresce o número dos empobrecidos. Deve-se sempre ter cuidado para não alimentar a situação estrutural de miséria que aí está, mas propor saídas para a superação da miséria e da fome. 

A Igreja se preocupa com a transformação social. O trabalho das pastorais sociais vem trazendo bons resultados: apoio aos movimentos sociais, aos sindicatos, à luta pela moradia, pela reforma agrária etc. As Campanhas da Fraternidade, com conteúdo social, vêm despertando os cristãos para a necessidade de concentrar esforços na busca de uma nova sociedade. As semanas sociais, os projetos de lei de iniciativa popular, os fóruns sobre reforma agrária, reforma urbana etc., refletindo temas que envolvem os desafios que enfrentamos, são grandes meios de conscientização. É preciso assumir mais atividades políticas, como a participação em Conselhos Municipais e outros tipos de engajamento que promovam políticas públicas, para garantir maior respeito à dignidade do ser humano. Os projetos de pastoral contemplam temas que comprometem a ação social dos cristãos. Percebemos que nosso compromisso de engajamento nessa área ainda é insuficiente.  

Precisamos assumir mais as grandes opções pastorais de nossa Igreja, especialmente a opção pelos pobres. Cada vez mais nos conscientizamos de que não podemos ser uma Igreja voltada somente para a instituição. O Papa Francisco nos falou de uma Igreja em saída para as periferias. É preciso abrir nosso campo de atuação para sermos testemunhas de Jesus Cristo no meio do mundo. Ser Igreja supõe muito mais do que realizar liturgias bonitas. Essas liturgias serão mais belas se expressarem nossa vivência do Evangelho, no seguimento de Jesus Cristo, que viveu pobre, evangelizou os pobres e morreu completamente despojado, até mesmo de suas vestes. 

O Papa Leão XIV dedicou sua primeira Exortação Apostólica “Sobre o Amor para com os Pobres”. Ele faz um resgate da Tradição da Igreja, desde o Evangelho até os dias atuais, sobre a opção pelos pobres: “O cuidado com os pobres faz parte da grande Tradição da Igreja, como um farol que, a partir do Evangelho, iluminou os corações e os passos dos cristãos de todos os tempos. Portanto, devemos sentir a urgência de convidar todos a entrar neste rio de luz e vida que provém do reconhecimento de Cristo no rosto dos necessitados e sofredores. O amor pelos pobres é um elemento essencial da história de Deus conosco e irrompe do próprio coração da Igreja como um apelo contínuo ao coração dos cristãos, tanto das suas comunidades como de cada um individualmente. Enquanto Corpo de Cristo, a Igreja sente como sua própria ‘carne’ a vida dos pobres, que são parte privilegiada do povo a caminho. Por isso, o amor aos pobres – seja qual for a forma dessa pobreza – é garantia evangélica de uma Igreja fiel ao coração de Deus” (Dilexi Te, 103). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

10 Leituras para conhecer melhor a Sagrada Escritura

Foto/Crédito: Opus Dei.

Ao instituir o Domingo da Palavra de Deus, o Papa Francisco nos lembrou da centralidade da Bíblia na fé, na liturgia e na missão, convidando-nos a uma escuta mais atenta e amorosa da Palavra.

20/01/2026

Todos precisamos crescer no conhecimento e a compreensão da palavra de Deus, para que os ensinamentos bíblicos alimentem nossa vida espiritual. Para avançar nesse caminho, são de grande ajuda as leituras de livros que nos orientem, apresentem o contexto histórico em que os diversos livros foram escritos, introduzam noções de teologia bíblica e nos ajudem a meditar podem ser de grande ajuda.

A seguir, oferecemos uma breve seleção de leituras disponíveis em português.


Textos do site sobre a Sagrada Escritura


Bíblia de Navarra (Novo Testamento)
São Josemaria Escrivá, fundador do Opus Dei pediu à Faculdade de Teologia da Universidade de Navarra uma nova tradução da Bíblia para o espanhol a partir das línguas originais, com abundantes introduções e notas. Em 2004 o trabalho foi publicado em cinco volumes pela EUNSA, com o título Sagrada Bíblia. Contém introduções a cada livro, comentários a todas as passagens, índice de assuntos, apêndices, anexos, mapas, índices, etc. Em resumo, um estudo exaustivo e completo. Nos comentários, cita numerosos autores de renome, santos, padres, doutores, papas, concílios e documentos do Magistério da Igreja.

Verbum Domini (Exortação Apostólica “A Palavra do Senhor”)
Bento XVI

Os temas principais são: a centralidade da Palavra de Deus, a Sagrada Escritura como alimento espiritual, a relação entre Escritura e Tradição, o papel da Igreja na interpretação da Escritura, a importância da liturgia, o impulso missionário da Palavra e o estudo e a meditação da Escritura.

Dei Verbum
Concílio Vaticano II
“A Constituição dogmática Dei Verbum (...) abre-se com uma frase profundamente significativa: ‘O sagrado Concilio, ouvindo religiosamente a Palavra de Deus...’. São palavras com as quais o Concílio indica um aspecto qualificante da Igreja: ela é uma comunidade que escuta e anuncia a Palavra de Deus. A Igreja não vive de si mesma mas do Evangelho e dele tira sempre de novo a orientação para o seu caminho”, Papa Bento XVI.

Jesus de Nazaré
Joseph Ratzinger
Os três volumes desta obra de Bento XVI dispensam apresentações. Conforme o autor explica, ela pode ser descrita como uma “vida de Jesus”...

A Bíblia explicada
John Bergsma
Pequeno, original, atraente e instrutivo, este volume propõe um passeio pela Bíblia usando um vocabulário simples e acessível.

O Banquete do Cordeiro
Scott Hahn
João Paulo II chamou a Missa de “o céu na terra”, explicando que “a liturgia que celebramos na terra é uma misteriosa participação na liturgia

Consumindo a palavra
Scott Han
O autor parte de uma observação histórica surpreendente: muito antes de designar os últimos livros da Bíblia, a expressão “Novo Testamento” referia-se originalmente ao sacramento eucarístico. Essa constatação ilumina a maneira como os primeiros cristãos entendiam a relação entre a Palavra de Deus e a celebração litúrgica.

A Arte de Recomeçar
Fabio Rosini
Com o relato bíblico do início do mundo criado, e apoiando-se em todos os momentos na vida de Cristo tal como é contada nos Evangelhos, Fabio Rosini percorre diferentes etapas

História sagrada do povo de Deus
Daniel-Rops
De forma acessível a qualquer leitor com conhecimentos básicos de História Sagrada, descreve a história, os costumes, as leis, os dados arqueológicos e inúmeros pequenos detalhes que ajudam a contextualizar os relatos do Antigo Testamento.

Jesus Cristo Segundo os Evangelhos
Louis-Claude Fillion
Esta obra de L. C. Fillion é considerada uma das melhores biografias de Jesus Cristo. Oferece uma visão apaixonada, atraente e serena da figura do Senhor, descrita com rigor científico e exposta a partir da fé de um grande exegeta.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Papa aos sacerdotes: “Não é tempo de retraimento, mas de presença fiel e disponibilidade generosa”

Assembleia sacerdotal em Madrid (Vatican Media)

A mensagem de Leão XIV enviada à Assembleia Presbiteral da arquidiocese de Madri convida o clero ao discernimento, à comunhão fraterna e a um ministério centrado em Cristo diante dos desafios culturais do tempo presente.

Thulio Fonseca - Vatican News 

“Queridos filhos, alegra-me poder dirigir-lhes esta carta por ocasião de sua Assembleia Presbiteral e fazê-lo a partir de um sincero desejo de fraternidade e unidade”. Com estas palavras de tom paterno, o Papa Leão XIV se dirigiu, nesta segunda-feira, 9 de fevereiro, por meio de uma mensagem, aos sacerdotes da arquidiocese de Madri, reunidos no CONVIVIUM, a assembleia presbiteral convocada pelo arcebispo da capital espanhola, o cardeal José Cobo.

A peculiaridade deste momento reside no fato de estarmos falando de uma arquidiocese com mais ou menos 2.600 presbíteros vivendo no seu território. Dentre eles, foram convocados os ...

O encontro reúne representantes da diversidade do clero madrilenho — cerca de 1.585 presbíteros com encargos pastorais, entre os aproximadamente 2.600 sacerdotes que vivem no território arquidiocesano — e se apresenta como uma oportunidade de comunhão e discernimento sobre “que tipo de sacerdote Madri precisa hoje”.

No texto, o Papa expressa gratidão pela dedicação cotidiana dos presbíteros e reconhece as dificuldades do ministério. “Sei que muitas vezes este ministério se desenvolve em meio ao cansaço, a situações complexas e a uma entrega silenciosa da qual só Deus é testemunha”, escreve, desejando que suas palavras cheguem como “um gesto de proximidade e de ânimo”.

Discernir o tempo presente

O Pontífice convida os sacerdotes a uma leitura profunda da realidade atual, marcada por processos de secularização e polarização cultural. “A fé corre o risco de ser instrumentalizada, banalizada ou relegada ao âmbito do irrelevante”, adverte, recordando também a perda de referências comuns que durante séculos favoreceram a transmissão da mensagem cristã. Apesar disso, Leão XIV identifica sinais de esperança, sobretudo entre os jovens. “No coração de muitas pessoas abre-se hoje uma nova inquietação”, observa, afirmando que a absolutização do bem-estar, uma liberdade desvinculada da verdade e o progresso material não conseguiram responder ao desejo profundo do ser humano.

Nesse contexto, o Papa sublinha que o tempo atual não é de fechamento nem de desalento. “Para o sacerdote, não é tempo de retraimento nem de resignação, mas de presença fiel e de disponibilidade generosa”, escreve, lembrando que “a iniciativa é sempre do Senhor, que já está agindo e nos precede com a sua graça”.

Sacerdotes configurados com Cristo

Indicando o perfil de sacerdote de que a Igreja necessita hoje, o Papa afirma que não se trata de multiplicar tarefas ou buscar resultados imediatos. “Não homens definidos pela pressão dos resultados, mas homens configurados com Cristo”, capazes de sustentar o ministério a partir de uma relação viva com Ele, nutrida pela Eucaristia e expressa numa caridade pastoral marcada pelo dom de si:

"Não se trata de inventar novos modelos nem de redefinir a identidade que recebemos, mas de voltar a propor, com renovada intensidade, o sacerdócio em seu núcleo mais autêntico — ser alter Christus —, deixando que seja Ele quem configure a nossa vida, unifique o nosso coração e dê forma a um ministério vivido a partir da intimidade com Deus, da entrega fiel à Igreja e do serviço concreto às pessoas que nos foram confiadas."

Uma Igreja que é casa

Servindo-se da imagem da catedral, o Papa recorda que a Igreja é chamada a ser casa para seus sacerdotes e espaço de comunhão. Leão XIV também sublinha que "o sacerdote não vive para se exibir, mas tampouco para se esconder. Sua vida é chamada a ser visível, coerente e reconhecível, ainda que nem sempre seja compreendida". Toda a vida do padre é chamada a remeter a Deus e a acompanhar o passo em direção ao Mistério, sem usurpar o seu lugar:

“Filhos meus, ninguém deveria sentir-se exposto ou sozinho no exercício do ministério: resisti juntos ao individualismo que empobrece o coração e enfraquece a missão!”

Ao final da mensagem, Leão XIV retoma as palavras de São João de Ávila como síntese do caminho sacerdotal: “Sejam totalmente d’Ele”. E conclui com um apelo direto: “Sejam santos!”, confiando os sacerdotes à intercessão de Santa Maria da Almudena e concedendo a Bênção Apostólica a todos os que lhes foram confiados pastoralmente.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 8 de fevereiro de 2026

Controle parental: quanto tempo de tela na adolescência?

fast-stock I Shutterstock

Mathilde de Robien - publicado em 06/02/26

Em um momento em que médicos e autoridades públicas se preocupam com a invasão dos smartphones no cotidiano dos jovens, a Dra. Anne-Lise Ducanda recomenda limitar a uma hora por dia o tempo de tela para um adolescente de 15 anos e insiste: "adicionar tempo deve ser algo excepcional".

"Mãe, você pode me dar mais tempo?" Uma pergunta que pareceria totalmente incongruente há alguns anos, mas que se impõe hoje no dia a dia de muitos pais preocupados em controlar o uso do telefone dos filhos na adolescência. Para os não iniciados, ela significa: "Pode me liberar mais tempo para eu usar meu celular?". De fato, os softwares de controle parental permitem monitorar o uso do smartphone da criança, limitando a duração diária do tempo de tela e o acesso a certos sites e aplicativos. Em teoria, um consenso ideal. Na prática, uma atividade que exige ajustes regulares... ou não!

Em muitas famílias, os pedidos de tempo extra dependem do contexto (período escolar ou férias, saídas à noite, responsabilidade em um acampamento escoteiro...) e das intenções da criança. As filhas de Jessica têm direito a uma hora por dia durante a semana e três horas por dia nos fins de semana e feriados. "Usamos o Family Link, nossas filhas ouvem muita música pelo celular, elas não têm redes sociais, eu monitoro o tempo gasto em cada aplicativo e o telefone delas fica bloqueado das 21h30 às 7h", explica a mãe. "Às vezes pedem tempo extra para ouvir música ou ligar para uma amiga. Eu aceito ou recuso, dependendo do comportamento no dia, se estamos em família, se os deveres foram feitos..."

Os tempos de tela na adolescência

De acordo com o relatório da Anses (Agência Nacional de Segurança Sanitária da França) publicado em 13 de janeiro, fruto de cinco anos de trabalho de um comitê de especialistas, na França, um em cada dois adolescentes passa entre duas e cinco horas por dia em um smartphone, a maior parte do tempo conectado a redes sociais. O uso é considerado excessivo pela agência, que aponta diversos efeitos nocivos à saúde: alteração do sono, desvalorização de si mesmo, comportamentos de risco e ciberviolência.

Para a Dra. Anne-Lise Ducanda, médica do desenvolvimento infantil e cofundadora do CoSE (Coletivo sobre a Superexposição às Telas), as limitações de tempo e conteúdo são indispensáveis. O coletivo recomenda durações máximas para cada faixa etária:

  • Até 3 anos: nada de telas.
  • Até 6 anos: o mínimo possível.
  • 6 a 10 anos: 1 hora por dia nos fins de semana.
  • 10 a 14 anos: 2 horas por dia nos fins de semana.

"Se a criança puder se conectar todos os dias, ela pedirá sua 'dose' todos os dias", explica a médica. "Limitar as telas aos fins de semana permite que a criança se reconecte com a vida real, com os outros e com sua família."

"O controle parental é indispensável porque a criança não consegue se autorregular."

Quanto aos mais velhos, o coletivo recomenda não dar um smartphone antes dos 15 anos e, após essa idade, instalar controle parental e limitações rígidas. "O cérebro só amadurece aos 25 anos, assim como a capacidade de autorregulação. Portanto, a criança precisa dos pais!", destaca a Dra. Ducanda à Aleteia. "Não se pode deixar o tempo ilimitado dizendo 'você só tem direito a duas horas', é impossível! A criança não consegue se proteger sozinha."

Aguentar firme

Essa vigilância necessária por parte dos pais não é tarefa fácil. "Um adolescente vai, inevitavelmente, pedir para adicionar tempo", previne a Dra. Ducanda. "Ele vai tentar burlar o controle parental, mas os pais precisam resistir, no interesse do próprio filho."

Muitos pais relatam dificuldades. "Aos 16 anos, nossa filha tinha 2 horas por dia e recolhíamos o celular às 21h30", conta Louise, mãe de cinco filhos. "Mas tínhamos muita dificuldade em resistir aos pedidos de tempo extra que ela justificava com argumentos convincentes, até que ela acabou hackeando os sistemas de controle."

Élise viveu uma experiência semelhante: "Nosso filho de 14 anos tem uma hora de tela por dia e não tem redes sociais. Fiquei surpresa que ele nunca pedia mais tempo, até descobrir que, apesar do limite, ele conseguia acessar mais tempo". Nesses casos, o diálogo é necessário para explicar o motivo das limitações e restaurar a confiança.

A regra de ouro

Então, quanto tempo para quem tem mais de 15 anos? Para Anne-Lise Ducanda, "o ideal é não ultrapassar uma hora por dia", já que estudos mostram efeitos prejudiciais a partir de uma hora de consumo diário (fora o uso para fins escolares). "É importante explicar que é para o bem dele e manter a palavra! Quando o filho pedir mais tempo, a resposta é não. Adicionar tempo deve ser algo excepcional."

Além do tempo, a médica reforça a "regra dos quatro nãos", elaborada pela psicóloga Sabine Duflo:

  1. Não de manhã (para preservar a atenção).
  2. Não durante as refeições (para preservar a interação).
  3. Não antes de dormir (para preservar a qualidade do sono).
  4. Não dentro do quarto.
Fonte: https://pt.aleteia.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF