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domingo, 18 de abril de 2021

O Papa no Regina Coeli: não existe um cristianismo à distância

Papa Francisco no Regina Coeli  (Vatican Media)

Francisco recordou que o Evangelho deste domingo é caracterizado por três verbos muito concretos, que em certo sentido refletem nossa vida pessoal e comunitária: olhar, tocar e comer. O Santo Padre voltou à janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça São Pedro de onde rezou com fiéis a oração do Regina Coeli.

Silvonei José - Vatican News

Jesus não é um "fantasma", mas uma Pessoa viva. Ser cristãos não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: foi o que disse o Papa Francisco na alocução que precedeu o Regina Coeli, a oração do tempo pascal. Neste 18 de abril, Francisco voltou à janela do Palácio Apostólico com vista para a Praça São Pedro de onde rezou com fiéis a oração mariana.

No terceiro domingo da Páscoa, o Santo Padre recordou que voltamos a Jerusalém, ao Cenáculo, como se guiados pelos dois discípulos de Emaús, que haviam escutado com grande emoção as palavras de Jesus no caminho e depois o reconheceram "no partir do pão". Agora, no Cenáculo, o Cristo ressuscitado aparece no meio do grupo de discípulos e os saúda, dizendo: "A paz esteja convosco"!  Mas eles estão assustados – disse o Papa - e acreditam "que veem um fantasma". Então Jesus lhes mostra as feridas em seu corpo e diz: "Olhem para minhas mãos e meus pés: sou eu mesmo! Toquem em mim! E para convencê-los, ele pede comida e a come sob o olhar atônito deles.

Há um detalhe aqui nesta descrição, disse o Papa. O Evangelho diz que os apóstolos, pela grande alegria, ainda não acreditavam.

"Tal era a alegria que eles tinham que não podiam acreditar que era verdade. E um segundo detalhe: eles ficaram atônitos, espantados, espantados porque o encontro com Deus sempre os leva ao estupor. Vai além do entusiasmo, além da alegria, é outra experiência. E eles estavam alegres, mas uma alegria que os fazia pensar: mas não, isto não pode ser verdade, não, não pode...(?) assim... É o estupor da presença de Deus. Não se esqueça deste estado de espírito, que é tão bonito".

Esta página do Evangelho – continuou Francisco - é caracterizada por três verbos muito concretos, que em certo sentido refletem nossa vida pessoal e comunitária: olhar, tocar e comer. Três ações que podem dar a alegria de um verdadeiro encontro com Jesus vivo.:

"Olhem para minhas mãos e meus pés" - diz Jesus. Olhar não é apenas ver, é mais, envolve também intenção, vontade. É por isso que é um dos verbos do amor. Mães e pais olham para seus filhos; os apaixonados se olham um para o outro; um bom médico olha atentamente para seu paciente... Olhar é um primeiro passo contra a indiferença, contra a tentação de virar nosso rosto diante das dificuldades e sofrimentos dos outros. Olhar. Eu vejo ou olho Jesus?".

Em seguida o Santo Padre falou do segundo verbo, tocar:

“Ao convidar os discípulos a tocá-lo, para constatar que ele não é um fantasma, toque-me, Jesus indica a eles e a nós que a relação com Ele e com os nossos irmãos não pode permanecer "à distância", não existe um cristianismo à distância, não existe somente um cristianismo no nível do olhar. O amor pede para olhar e também a proximidade, pede contato, a partilha da vida. O bom samaritano não se limitou a olhar para o homem que encontrou meio morto ao longo da estrada: inclinou-se, curou suas feridas, e o carregou em seu cavalo e o levou para a pousada. E assim com o próprio Jesus: amá-lo significa entrar numa comunhão de vida, uma comunhão com Ele”.

Falando depois do terceiro verbo, comer, disse que o mesmo expressa bem a nossa humanidade na sua mais natural indigência, ou seja, nossa necessidade de nos alimentarmos para poder viver:

“Mas comer, quando o fazemos juntos, em família ou entre amigos, torna-se também uma expressão de amor, de comunhão, de festa... Quantas vezes os Evangelhos nos mostram Jesus que vive esta dimensão de convivência! Também ressuscitado, com seus discípulos. Ao ponto de o Banquete eucarístico se tornar o sinal emblemático da comunidade cristã. Alimentar-se juntos com o corpo de Cristo. Este é o centro da vida cristã”.

O Papa Francisco recordou que esta página do Evangelho nos diz que Jesus não é um "fantasma", mas uma Pessoa viva, que Jesus quando se aproxima de nós nos enche de alegria até ao ponto de não acreditarmos e nos deixa atônitos com aquele estupor que somente a presença de Deus nos dá, porque Jesus é uma pessoa viva.

Ser cristãos - continuou o Santo Padre - não é antes de tudo uma doutrina ou um ideal moral, é uma relação viva com Ele, com o Senhor Ressuscitado: “olhamos para Ele, tocamos n’Ele, nos alimentamos d’Ele e, transformados por Seu Amor, olhamos, tocamos e alimentamos os outros como irmãos e irmãs. Que a Virgem Maria – concluiu - nos ajude a viver esta experiência de graça”.

O Papa na janela do Palácio Apostólico

Nas últimas semanas, a janela do Palácio Apostólico permaneceu fechada em 21 de março e 5 de abril, enquanto a recitação do Angelus em 28 de março, Domingo de Ramos na Basílica de São Pedro, e o Regina Coeli do domingo passado - com o Papa na Igreja do Santo Espírito, in Sássia, para a Festa da Divina Misericórdia - foram conduzidos pelo Santo Padre ao término das duas celebrações.

O primeiro lockdown do ano passado tinha mantido os fiéis distantes da Praça São Pedro de 8 de março a 24 de maio, com o Papa conduzindo as orações dominicais transmitidas ao vivo diretamente da Biblioteca do Palácio Apostólico. Depois disso, o Pontífice havia retornado por alguns meses, até 20 de dezembro, a recitar a oração dominical da janela de seu escritório que dá para a Praça São Pedro. Depois, foi suspensa novamente a recitação com os fiéis na Praça até 7 de fevereiro, sendo novamente retomada até 14 de março e, por fim, como mencionado, o último fechamento em 21 de março passado.

https://youtu.be/ayH3ZRp5doI

Vatican News

III Domingo da Páscoa – Ano B

Diocese de Uruguaiana RS

III Domingo da Páscoa – Ano B

Introdução ao espírito da Celebração

A alegria pascal é a atitude de profunda paz pelo encontro com Jesus Cristo Vivo e Ressuscitado.

A minha vida é celebrada no mistério do amor infinito de Deus que venceu o mal e a morte. A minha fragilidade toca os sinais da sua doação e vive da fé no amor incondicional de Deus.

Saiba eu louvar, agradecer e sentir a urgência do compromisso com Jesus Cristo que dá a vida por mim. Saiba fazer Igreja na comunhão que dimana da presença de Cristo Ressuscitado.

Primeira Leitura: Atos dos Apóstolos 3, 13-15.17-19

A leitura é extraída do segundo discurso de Pedro em Atos, após a cura do coxo que mendigava na Porta Formosa do Templo. O discurso obedece ao molde kerigmático do primeiro anúncio aos judeus, mas, na perspectiva de Lucas, visa também os seus leitores e também continua a falar-nos a nós.

13 «O seu Servo Jesus». O termo original grego é ambíguo – «pais» –, e tanto pode significar filho, como servo. A nossa tradução preferiu «servo» pela referência que parece haver a Jesus enquanto cumpre a figura messiânica do Servo de Yahwéh (cf. Is 42 – 53). Trata-se de um título cristológico de sabor primitivo, que se enquadra bem num discurso a ouvintes judeus.

15 «Autor». É mais outro título cristológico, raro no N. T. (em grego, arkhêgós; assim também em 5, 31; cf. Hebr 2, 10; 12, 2). Jesus não é apenas o chefe que conduz à vida, mas é quem comunica a vida aos que nele crêem. O paradoxo é impressionante: matar o Autor da vida, uma vez que Jesus é Deus. Nas traduções, como a primitiva litúrgica, «príncipe da Vida», deixa-se ver mais claramente o contraste estabelecido com «assassino» (v 14), isto é, aquele que tira a vida.

«E nós somos testemunhas disso» (da ressurreição). A Ressurreição de Jesus é um facto real que se comprova por testemunhas altissimamente verídicas! É certo que não é um simples facto histórico natural que tenha entrado no âmbito duma observação experimental comum, pois Jesus só Se manifestou ressuscitado quando quis, como quis e a quem quis e com um corpo glorioso (não como um cadáver reanimado); isto, porém, em nada diminui o valor histórico da sua Ressurreição. É um facto sobrenatural, mas um facto, embora não encaixe em acanhadas perspectivas historicistas.

Segunda Leitura: São João 2, 1-5a

Nestes domingos pascais continuamos a ler extratos da 1ª Carta de S. João. Prestam-se a apelar para os ensinamentos da encíclica de Bento XVI, Deus caritas est. Não presidiu à selecção litúrgica dos textos joaninos a ideia de pôr em evidência a estrutura da obra e todo o seu maravilhoso conteúdo, por isso algumas palavras-chave, como «comunhão», «vida eterna» e «luz/trevas» não chegam a aparecer nos versículos respigados para estes domingos. A escolha parece privilegiar as noções de «cumprir os mandamentos», «amor fraterno», «nascer de Deus», «filiação divina», «libertação do pecado», «conhecer/saber», «verdade», «permanecer em…»

1 «Mas, se alguém pecar…». Se bem que «todo aquele que nasceu de Deus não comete pecado (…) não peca, mas o Filho de Deus o guarda, e o maligno não oapanha» (1 Jo 3, 9; 5, 18), a verdade é que a pecabilidade não está excluída, devido à nossa limitada liberdade. Mas, se alguém pecar, que não desespere da sua desgraçada situação, pois Jesus – como vítima de expiação – dá-nos a possibilidade de obter o perdão, «se confessamos os nossos pecados» (1, 9). Estas afirmações aparentemente contraditórias (confrontar 1, 8 – 2, 1; 3, 3; 5, 16-17 com 3, 6.9; 5, 18) não são um obstáculo para a unidade da Carta (negada por Bultmann), pois a contradição é apenas aparente, devendo-se ao estilo semítico do autor que gosta de afirmações absolutas e contundentes, sem se preocupar de as matizar devidamente; assim, «o cristão não pode pecar», corresponde a: «o cristão não deve pecar». De qualquer maneira, há autores que consideram que, assim como sucedeu no IV Evangelho, pode ter havido uma redacção sucessiva com a intervenção de um redactor final, discípulo e continuador fiel do Apóstolo (tendo em conta o pronome plural nósjoanino), assim também poderia ter acontecido com esta epístola.

1-2 «Jesus Cristo, o Justo, como advogado… vítima de expiação…»: a insistência em que Jesus é justo (cf. 1, 9: justo e fiel) facilita compreender como Ele pode libertar do pecado os pecadores. Ele é intercessor perante Deus (paráklêtos, advogado, conselheiro, um termo exclusivo da tradição joanina: cf. Jo 14, 16), na linha da teologia desenvolvida na Epístola aos Hebreus (Hebr 9 – 10), onde Cristo aparece à direita de Deus, continuando a purificar-nos com o seu sangue derramado como num sacrifício expiatório oferecido pelos pecados (cf. Hebr 9, 14-28). Vítima de expiação corresponde à linguagem sacrificial do AT (cf. Ex 29, 36-37) e apresenta a morte de Jesus como um sacrifício voluntário, revelador do seu imenso amor (cf. 1 Jo 4, 19; Rm 3, 25; 5, 8-9; 2 Cor 5, 19; Ef 2, 4-5; Apoc 5, 9).

4 «Aquele que diz: Eu conheço-o, mas não guarda…». Esta linguagem parece ser uma crítica aos gnósticos que se ufanavam de possuir um conhecimento superior de Deus, que garantia a salvação e eximia do pecado, sem cuidar de «guardar os seus mandamentos»; quem assim fala é «mentiroso e a verdade não está nele».

Evangelho: São Lucas 24, 35-48

O trecho evangélico de hoje contém uma primeira parte (vv. 35-43), que poderíamos chamar demonstrativa do facto da Ressurreição, centrada na afirmação de Jesus «Sou Eu mesmo (em pessoa)» (v. 39), e outra mais catequética (vv. 44-48): «Depois disse-lhes…».

35-43 A aparição aqui descrita corresponde à do Evangelho do Domingo passado, descrita em S. João (Jo 20, 19-23), mas a verdade é que nós temos dificuldade em estabelecer uma cronologia exacta das aparições, pois não era essa a preocupação dos evangelistas; o que acima de tudo lhes interessava a eles (e aos crentes) era mostrar que Jesus apareceu realmente aos seus, isto é, se deixou ver, muito cedo, logo a partir do terceiro dia, e não a todo o povo, mas às testemunhas anteriormente designadas por Deus (Act 10, 41). No referido relato paralelo, João fixou-se sobretudo no dom do Espírito Santa em ordem à absolvição dos pecados; Lucas fixa-se na dificuldade que os Onze – Tomé especialmente (cf Jo 20, 24-29) – tiveram em acreditar na Ressurreição, apesar dos testemunhos que já havia naquele momento. Em ambos os Evangelistas se refere o pormenor surpreendente da entrada de Jesus com as portas fechadas: «apresentou-Se no meio deles» (v. 36), mas aqui também se mostra Jesus a tomar alimento, uma forma gráfica de pôr em evidência que não se tratava de uma alucinação, mas de verdadeiros encontros pessoais. Lucas, como bom observador psicológico, gosta de sublinhar aquilo que não podiam deixar de ser os sentimentos de uns discípulos que, tendo admirado e amado apaixonadamente o Mestre, vieram a abandoná-lo e a negá-lo miseravelmente; como podiam eles enfrentar-se com um encontro destes tão inesperado, sem experimentarem umas emoções extraordinariamente fortes, estonteantes e contraditórias? Por isso, Lucas não se limita a referir o sentimento de alegria, como João, mas fala de que ficaram «espantados e cheios de medo» (v. 37), «perturbados» (v. 38), e dominados por um misto de alegria, admiração e dúvida (cf. v. 41).

44-48 Estes vv. constituem uma densa síntese catequética, em se salientam elementos básicos da pregação primitiva, centrados no cumprimento das Escrituras, a desembocar na missão universal dos discípulos «a todas as nações» (v. 47), em ordem a pregar «o arrependimento e o perdão dos pecados». Note-se o valor dado ao testemunho dos discípulos (v. 48), «vós sois as testemunhas»: «o homem contemporâneo crê mais nas testemunhas do que nos mestres; crê mais na experiência do que na doutrina; na vida e nas acções, do que em teorias. O testemunho de vida cristã é a primeira e insubstituível forma de missão» (João Paulo II). E, para que o crente alcance uma correcta compreensão das Escrituras, é preciso que o Senhor lhe abra o entendimento (cf. v. 45).

https://www.presbiteros.org.br/

Papa: Satanás quer lutar contra a Igreja impedindo a oração

MONTEFORTE / POOL / AFP

"Sem fé, tudo desmorona; e sem a oração, a fé extingue-se. Fé e oração, juntas. Não há outro caminho."

O Papa Francisco afirmou hoje que quando o Inimigo quer lutar contra a Igreja, o que ele tenta fazer em primeiro lugar é secar suas fontes, impedindo a oração.

Em sua catequese semanal, o Papa falou sobre o tema “A Igreja, mestra em oração”.

Se a oração cessar, por algum tempo parece que tudo pode continuar como habitualmente – por inércia – mas depois de pouco tempo a Igreja compreende que se torna como que um invólucro vazio, que perdeu o seu eixo central, que já não possui a nascente do calor e do amor.

Segundo Francisco, a Igreja é uma grande escola de oração.

Muitos de nós aprendemos a silabar as primeiras orações enquanto estávamos no colo dos pais ou dos avós. Talvez conservemos a memória da mãe e do pai que nos ensinavam a recitar as orações antes de dormir. Estes momentos de recolhimento são frequentemente aqueles em que os pais ouvem algumas confidências íntimas dos filhos e podem dar os seus conselhos inspirados pelo Evangelho. Depois, no caminho do crescimento, há outros encontros, com outras testemunhas e mestres de oração. É bom recordá-los.

Crise e ressurreição

O hábito da fé – prosseguiu o Papa – “não é engomado; desenvolve-se conosco; não é rígido, cresce, até através dos momentos de crise e ressurreição; aliás, não se pode crescer sem momentos de crise, porque a crise te faz crescer: entrar em crise é um modo necessário para crescer”.

E o sopro da fé é a oração: crescemos na fé tanto quanto aprendemos a rezar. Depois de certas passagens da vida, compreendemos que sem fé não poderíamos ter bom êxito e que a oração foi a nossa força. Não só a oração pessoal, mas também a dos irmãos e irmãs, da comunidade que nos acompanhou e apoiou, das pessoas que nos conhecem, das pessoas às quais pedimos que rezem por nós.

O Papa explicou que também por este motivo na Igreja florescem continuamente comunidades e grupos dedicados à oração.

Alguns cristãos sentem até a chamada de fazer da oração a ação principal dos seus dias. Na Igreja existem mosteiros, conventos e eremitérios onde vivem pessoas consagradas a Deus e que muitas vezes se tornam centros de irradiação espiritual. São comunidades de oração que irradiam espiritualidade. São pequenos oásis nos quais se partilha uma oração intensa e se constrói a comunhão fraterna dia após dia. Trata-se de células vitais, não apenas para o tecido da Igreja, mas para a própria sociedade. Pensemos, por exemplo, no papel que o monaquismo desempenhou no nascimento e no crescimento da civilização europeia, e também noutras culturas. Rezar e trabalhar em comunidade faz progredir o mundo. É um motor.

Satanás contra a oração

O Papa explicou falou em seguida sobre a ação do demônio contra a oração.

Quando o Inimigo, o Maligno, quer combater contra a Igreja, fá-lo primeiro procurando secar as suas fontes, impedindo-as de rezar.  Por exemplo, vemos isto em certos grupos que concordam em levar a cabo reformas eclesiais, mudanças na vida da Igreja… Há muitas organizações, há os meios de comunicação que informam todos… Mas a oração não se vê, não se reza. “Devemos mudar isto, temos de tomar esta decisão que é um pouco forte…”. É interessante a proposta, é interessante, apenas com o debate, apenas com os meios de comunicação, mas onde está a oração? A oração é aquela que abre a porta ao Espírito Santo, o qual inspira a ir em frente. As mudanças na Igreja sem oração não são mudanças da Igreja, são mudanças de grupo. E quando o Inimigo – como já disse – quer lutar contra a Igreja, fá-lo primeiro procurando secar as suas fontes, impedindo-as de rezar, e [induzindo-as a] fazer estas outras propostas. Se a oração cessar, por algum tempo parece que tudo pode continuar como habitualmente – por inércia – mas depois de pouco tempo a Igreja compreende que se torna como que um invólucro vazio, que perdeu o seu eixo central, que já não possui a nascente do calor e do amor.

O Papa reconheceu que as mulheres e os homens santos não têm uma vida mais fácil do que os outros, pelo contrário, também eles têm os próprios problemas para enfrentar e, além disso, são frequentemente objeto de oposições.

Mas a sua força é a oração, que haurem sempre do “poço” inesgotável da mãe Igreja. Com a oração alimentam a chama da sua fé, como se fazia com o óleo das lâmpadas. E assim vão em frente, caminhando na fé e na esperança. Os santos, que muitas vezes contam pouco aos olhos do mundo, na realidade são aqueles que o sustentam, não com as armas do dinheiro e do poder, dos meios de comunicação e assim por diante, mas com as armas da oração.

O Papa concluiu dizendo que a lâmpada da fé estará sempre acesa na terra, enquanto houver o óleo da oração.

A lâmpada da verdadeira fé da Igreja estará sempre acesa na terra enquanto houver o óleo da oração. É o que leva em frente a fé e a nossa vida pobre, débil e pecadora, mas a oração leva-a em frente com segurança. Uma pergunta que nós cristãos devemos fazer a nós mesmos: rezo? Rezamos? Como rezo? Como papagaios ou rezo com o coração? Como rezo? Será que rezo com a certeza de que estou na Igreja e rezo com a Igreja, ou rezo um pouco de acordo com as minhas ideias e deixo que as minhas ideias se tornem oração? Isto é oração pagã, não oração cristã. Repito: podemos concluir que a lâmpada da fé estará sempre acesa na terra enquanto houver o óleo da oração.

“Sem fé, tudo desmorona; e sem a oração, a fé extingue-se. Fé e oração, juntas. Não há outro caminho. Por isso a Igreja, que é casa e escola de comunhão, é casa e escola de fé e de oração”, disse o Papa.

Aleteia

“Caminhar na Esperança”- indicam Bispos, a propósito da situação em Moçambique

Guadium Press
Bispos pedem ajuda de todos para a pacificação e recomendam que ninguém perca a esperança: ela é algo ousado e sabe olhar para além das dificuldades e catástrofes.

Maputo – Moçaambique (17/04/2021, 11:40, Gaudium Press) Na sexta-feira, 16 de abril, a Conferência Episcopal de Moçambique (CEM) alertou para o crescente surgimento de “interesses de várias naturezas” por trás dos conflitos em Cabo Delgado e lamenta a violência, insegurança e sofrimentos das populações provocados por constantes “atos de barbárie”.

É “trágica a situação” provocada na população por “atos de barbárie” perpetrados na região de Cabo Delgado 

Em um comunicado distribuído para a imprensa os Bispos moçambicanos, desde a última quarta-feira reunidos em Sessão Plenária em Maputo, afirmam: “Deploramos e condenamos todos os atos de barbárie cometidos”.

Ainda no comunicado de imprensa, os bispos moçambicanos lastimam a “trágica situação que vive a população de Cabo Delgado” onde –acusam os Prelados- as “pessoas indefesas são mortas, feridas e abusadas”; veem os “seus bens pilhados, a intimidade dos seus lares violada, suas casas destruídas e cadáveres de seus familiares profanados” e, além disso, as pessoas são “obrigadas a abandonarem a terra que os viu nascer e onde estão sepultados os seus antepassados”.

A Conferência Episcopal de Moçambique faz um alerta a propósito do crescente entendimento que “por de trás deste conflito há interesses de várias naturezas e origens, sobretudo –afirmam– interesses de certos grupos de se apoderarem da nação e dos seus recursos”.

O que vem acontecendo só serve para alimentar revolta e rancor no coração dos jovens

Os bispos moçambicanos advertem também que aquilo que vem acontecendo na região só serve para alimentar “a revolta e o rancor”, sobretudo “no coração dos jovens” e tornam-se “fonte de descontentamento, de divisão e de luto”.

O episcopado, ainda reunido em Sessão Plenária, destaca:
“Reconhecemos que um dos motivos fortes que move os nossos jovens a se deixarem aliciar e a juntarem-se às várias formas de insurgência, desde a criminalidade ao terrorismo, ou também aquela outra insurgência, não menos nociva, do extremismo político ou religioso, assenta na experiência de ausência de esperança num futuro favorável por parte dos nossos jovens”.

Nada justifica a violência e a religião tem uma grande contribuição a oferecer

Continuando suas declarações, os bispos de Moçambique reafirmam que “nada justifica a violência”, manifestam a “total solidariedade com os mais fracos e com os jovens que anseiam uma vida digna” e lembram ainda que “as religiões têm uma grande contribuição a dar na resiliência das comunidades e perseguir um ideal de sociedade unida e solidária”.

Em sua declaração, o episcopado católico, reunido em Assembleia afirma: “Como missão da Igreja Católica, tem sido sempre nosso compromisso colaborar para o bem da nação, apontando os perigos e esperando sempre que quem tem responsabilidades busque as devidas soluções”, para se alcançar o bem comum no campo material e no espiritual.

Os bispos afirmam que além do campo espiritual, “Sempre demos nossa colaboração concreta no campo do bem-estar do nosso povo na educação, na saúde e no desenvolvimento humano”, sempre com a intenção de “colaborar na reconstrução do tecido social ferido por traumas antigos e recentes”.

A situação atual em Cabo Delgado é trágica, contudo, precisamos caminhar na esperança, recomendam os Bispos

Por fim, os Bispos apelam para que todos contribuam para a pacificação e recomendam que ninguém perca a esperança: a esperança é algo ousado, porém, sabe olhar para além das dificuldades e catástrofes, abre-se para os grandes ideais que tornam a vida mais bela e digna.

Os Prelados terminam suas palavras recomendando: “Caminhemos na esperança!”. (JSG)

https://gaudiumpress.org/

A tristeza do Papa pelas notícias provenientes da Ucrânia oriental

Regina Coeli  (Vatican Media)

Após a oração do Regina Coeli Francisco o Papa recordou as beatificações neste sábado em Casamari e expressou alegria por reencontrar os fiéis na Praça São Pedro.

Silvonei José – Vatican News

Após a oração do Regina Coeli o Francisco disse que neste sábado na Abadia de Casamari, (Itália) Simeone Cardon e cinco mártires companheiros, monges cistercienses daquela abadia, foram proclamados bem-aventurados. Em 1799, quando os soldados franceses que se retiravam de Nápoles saquearam igrejas e mosteiros, e estes mansos discípulos de Cristo resistiram com coragem heroica, até a morte, para defender a Eucaristia da profanação.

“Que seu exemplo nos estimule a um maior compromisso de fidelidade a Deus, capaz também de transformar a sociedade e torná-la mais justa e fraterna. Um aplauso aos novos beatos!"

Conflito na Ucrânia

Francisco também demonstrou a sua tristeza com as notícias provenientes da Ucrânia oriental. O Santo Padre disse que acompanha “com profunda preocupação os acontecimentos em certas áreas da Ucrânia oriental, onde as violações do cessar-fogo se multiplicaram nos últimos meses, e observo com grande inquietação o aumento das atividades militares. Em seguida fez apelo:

"Por favor, faço votos sinceramente que se evite o aumento das tensões e, ao contrário, que sejam feitos gestos que promovam a confiança recíproca e favoreçam a reconciliação e a paz que são tão necessárias e tão desejadas. Sigamos também com atenção a grave situação humanitária em que se encontra aquela população, à qual expresso minha proximidade e pela qual convido todos a rezarem. Ave Maria...”

Universidade Católica 

O Papa Francisco continuou dizendo que neste domingo estamos celebrando na Itália o Dia da Universidade Católica do Sagrado Coração, que há cem anos realiza um valioso serviço para a formação das novas gerações. Que ela continue a cumprir sua missão educacional para ajudar os jovens a serem protagonistas de um futuro rico em esperança, foi o desejo do Papa e abençoou cordialmente os funcionários, professores e estudantes da Universidade Católica.

Enfim o Papa fez uma saudação cordial a todos os presentes na Praça São Pedro, romanos e peregrinos..., brasileiros, poloneses, espanhóis...

“Graças a Deus, podemos nos encontrar novamente nesta Praça para o encontro dominical e festivo. Digo-lhes uma coisa: sinto falta da Praça quando tenho que fazer o Angelus na Biblioteca. Estou feliz, graças a Deus! E obrigado a vocês por sua presença...”

Vatican News

Basílica atingida por terremoto na Croácia recebe relíquias de Santa Faustina

Relíquias de Santa Faustina Kowalska. Foto: Diocese de Sisak

ZAGREB, 16 abr. 21 / 10:00 am (ACI).- A Basílica de São Quirino em Sisak (Croácia), atingida por um forte terremoto no final de 2020, recebeu duas relíquias de Santa Faustina Kowalska, apóstola da Divina Misericórdia, e do beato Michal Sopocko, que ajudou Santa Faustina a difundir esta devoção

As relíquias foram depositadas nesta Basílica da Croácia no dia 11 de abril, domingo da Divina Misericórdia, durante uma missa presidida pelo bispo emérito de Parenzo e Pola, dom Ivan Millivan.

A partir desse momento, a Basílica também pode ser considerada um Santuário da Divina Misericórdia.

Na homilia, dom Milovan ressaltou que “a Páscoa é a nossa esperança”, que permite enfrentar as dificuldades e as provações vividas pelo povo croata atingido pela pandemia, mas também pelos recentes terremotos ocorridos em Zagreb e Sisak.

Além disso, o bispo lembrou que a festa da Divina Misericórdia foi instituída por São João Paulo II em 2000 e acrescentou que "ele é o Papa da família, mas também o Papa da misericórdia de Deus".

As duas relíquias foram doadas à Basílica de Sisak pelas Irmãs de Jesus Misericordioso, congregação religiosa fundada em 1942 pelo beato Sopocko, em Vilna (Lituânia), e que trabalham pastoralmente nessa paróquia desde janeiro de 2021.

No final da Eucaristia, o reitor da Basílica, padre Robert Jakica, leu o documento que certifica a autenticidade das relíquias e fez um breve discurso no qual recordou “o catastrófico terremoto que destruiu milhares de casas, mais de 30 igrejas e o centro histórico de Sisak, Petrinja e Glina” e que causou a morte de sete pessoas, incluindo uma menina de 12 anos.

Nesse sentido, padre Jakica reconheceu que “todos nos sentimos desamparados e muitos ainda se sentem assim diante da força da natureza que nos lembra quase diariamente daqueles dias difíceis que ocorreram no final de 2020” e acrescentou que “a Festa da Divina Misericórdia nos diz muito: a misericórdia de Deus é inesgotável, testemunha-nos que Deus é vivo e misericordioso, que ama cada homem, cada um de nós, independentemente da nossa pertença religiosa ou nacional”.

ACI Digital

São Galdino

S. Galdino | Franciscanos
18 de abril

Milão honra São Galdino, cujo nome aparece associado aos de S. Ambrósio e São Carlos Borromeu, como um de seus principais padroeiros, no final da ladainha do rito milanês.

Galdino nasceu em 1096 e cresceu em Milão, na Porta Oriental, no início do século XII, e ali também se tornou religioso, passando logo a auxiliar diretamente o arcebispo Oberto de Pirovano. Juntos enfrentaram um inimigo pesado, o antipapa Vitor IV, que, apoiado pelo imperador Frederico, o Barbaroxa, oprimia violentamente para dominar o mundo.

Como Milão fazia oposição, a cidade foi simplesmente arrasada em 1162. O arcebispo e Galdino só não morreram porque procuraram abrigo junto ao papa oficial, Alexandre III.

Mas logo depois Oberto morreu, e o arcebispado precisava de alguém que continuasse sua luta. O papa não teve nenhuma dúvida em nomear o próprio Galdino e consagrou-o bispo, pessoalmente, em 1166.

Galdino não decepcionou sua diocese católica. Praticava a caridade e instigava todos a fazê-lo igualmente. Pregava contra os hereges, convertia multidões e socorria também os pobres que se encontravam presos por causa de dívidas, geralmente vítimas de agiotagem.

A esses serviu tanto que suas visitas de apoio receberam até um apelido: “o pão de são Galdino”. Uma espécie de “cesta básica” material e espiritual, pois dava pão para o corpo e orações, que eram o pão para o espírito. Foi uma fonte de força e fé para lutar contra os opressores.

Mas tudo isso era feito paralelamente ao trabalho político, pois no plano da diplomacia defendia seu povo e sua terra em tudo o que fosse preciso. Morreu no dia 18 de abril de 1176, justamente no instante em que fazia, no púlpito, um sermão inflamado contra os pecadores, os hereges, inimigos da Igreja, e os políticos, inimigos da cidade. Quando terminou o sermão emocionado, diante de um grande número de fiéis e religiosos, caiu morto de repente.

A Igreja também celebra hoje a memória dos santos: Faustino e Maria da Encarnação (B.Av.)

https://franciscanos.org.br/

sábado, 17 de abril de 2021

Da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II

Crédito: Estudos da Família Clemente

Da Constituição Sacrosanctum Concilium sobre a Sagrada Liturgia, do Concílio Vaticano II

(N.5-6)     (Séc.XX)

O plano da salvação

Deus quer que todos os homens sejam salvos e cheguem ao conhecimento da verdade (1Tm 2,4); por isso muitas vezes e de muitos modos falou outrora aos nossos pais, pelos profetas (Hb 1,1). Quando se completou o tempo previsto, enviou o seu Filho (Gl 4,4), a Palavra que se fez carne, ungido pelo Espírito Santo, para anunciar a boa-nova aos pobres e curar os contritos de coração, como médico dos corpos e das almas, mediador entre Deus e os homens. Sua humanidade, na unidade da pessoa do Verbo, foi o instrumento de nossa salvação. Deste modo, em Cristo realizou-se perfeitamente a nossa reconciliação com Deus e nos foi dada a plenitude do culto divino. 

Esta obra da redenção humana e da perfeita glorificação de Deus, prefiguradas pelas obras maravilhosas que ele operou no povo da Antiga Aliança, foi realizada por Cristo, principalmente pelo mistério pascal de sua bem-aventurada paixão, ressurreição dos mortos e gloriosa ascensão. Por este mistério, morrendo destruiu nossa morte e, ressuscitando,restituiu-nos a vida. Foi do lado de Cristo adormecido na cruz, que nasceu o admirável sacramento de toda a Igreja.

Assim como Cristo foi enviado pelo Pai, da mesma forma enviou os apóstolos, repletos do Espírito Santo, não apenas para pregarem o evangelho a toda criatura, anunciando que o Filho de Deus, por sua morte e ressurreição, nos libertou da morte e do poder de Satanás e nos introduziu no reino do Pai, mas também para realizarem a obra da salvação que anunciavam, por meio do sacrifício e dos sacramentos, ao redor dos quais se desenvolve toda a vida litúrgica.

Pelo batismo, os homens são incorporados no mistério pascal de Cristo: mortos com ele, sepultados com ele e com ele ressuscitados, recebem o Espírito de adoção filial no qual todos nós clamamos: Abá – ó Pai! (Rm 8,15), transformando-nos assim nos verdadeiros adoradores que o Pai procura.

Do mesmo modo, todas as vezes que comem a ceia do Senhor, anunciam a sua morte até que ele venha. Por isso, no próprio dia de Pentecostes, quando a Igreja se manifestou ao mundo, os que aceitaram as palavras de Pedro receberam o batismo (At 2,41). Eles eram perseverantes em ouvir o ensinamento dos apóstolos, na comunhão fraterna, na fração do pão e nas orações. Louvavam a Deus e eram estimados por todo o povo.(At 2,42.47).

Desde então, nunca mais a Igreja deixou de se reunir para celebrar o mistério pascal lendo todas as passagens da Escritura que falavam dele (Lc 24,27), celebrando a Eucaristia na qual se tornam presentes a vitória e o triunfo de sua morte e, ao mesmo tempo, dando graças a Deus, pelo seu dom inefável (2Cor 9,15) em Cristo Jesus, para o louvor de sua glória (Ef 1,12).

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A SOLIDARIEDADE E A PANDEMIA

Brasil de Fato RS
Dom Vital Corbellini
Bispo de Marabá (PA)

A solidariedade é uma atitude humana e cristã de ajudar o próximo nas necessidades físicas, econômicas e espirituais. Ela diz respeito ao amor que se demonstra à outra pessoa, pois não há nada melhor ao ser humanos para ser feliz do que praticar o bem enquanto vive (cfr. Eclo 3,12). Jesus mesmo disse que se identificará com os mais necessitados no dia do julgamento final: “foi a mim que o fizestes ou foi a mim que não o fizestes” (cfr. Mt 25, 40; 45). Estamos vivenciando o tempo pascal, onde Cristo venceu o pecado, a morte e ressuscitou. Nós também estamos vivendo o tempo da pandemia, que exige solidariedade para com as pessoas necessitadas. A fome está batendo às nossas portas. O Papa Francisco pede a toda a pessoa de boa vontade a solidariedade para com os sofredores. Muitas são as perdas e muitas são as pessoas que pedem ajuda.

A pandemia e a questão da fome

            A pandemia está acarretando milhares de mortes, muitas entre nossos familiares, amigos e amigas. Nesta atual fase da pandemia, observa-se que o vírus atinge fortemente pessoas jovens e de meia idade, com grande número de internações entre indivíduos com menos de 40 anos, segundo os meios de comunicação social. Noticia-se também a falta de insumos para tratamento das pessoas acometidas pelo vírus da covid 19, de modo que os pacientes poderão sofrer mais ainda durante o processo de recuperação ou poderão vir a falecer. Há o colapso da rede hospitalar pública e privada, com mortes de pacientes aguardando na fila por um leito.

O sofrimento causado pela covid 19 é agravado pelo crescimento exponencial de famílias que passam fome, pois o país passou a figurar na geopolítica da miséria. A pandemia resultou em quase vinte milhões de brasileiros e de brasileiras em situação de fome, o que significa quase dez por cento da população. Estes dados são preocupantes e apontam para a necessidade de ações em favor dos muitos necessitados. É preciso ter cuidado para não se contaminar com o vírus, através de medidas sanitárias, mas é também imprescindível realizar ações em prol da vida do próximo, porque o amor a Ele leva ao amor a Deus.

No ano passado: a solidariedade e a pandemia

            No ano passado, quando do início da pandemia, tivemos momentos de solidariedade muito fortes em nossas comunidades cristãs e sociais. Muitas organizações doaram alimentos para as pessoas pobres e desempregadas. Em Marabá, os agricultores acampados ajudaram os povos indígenas com a doação de alimentos. As organizações eclesiais auxiliaram na compra de cestas básicas. Muitas famílias carentes e organizações sociais receberam cestas básicas. Sociedades empresariais de nossa região doaram mais de seis mil cestas para as famílias carentes, acompanhadas de álcool gel, máscaras e material de limpeza.

A ajuda emergencial e a alta dos preços

            Milhares de famílias foram ajudadas no ano passado pelo auxílio emergencial do governo federal. Esse auxílio se destinava aos trabalhadores informais, microempreendedores individuais, autônomos e desempregados, e tinha por objetivo fornecer proteção emergencial no período de enfrentamento à crise causada pela pandemia do corona vírus – COVID 19. Acreditamos que tal ajuda possibilitou a retomada de vida para milhares de pessoas em relação à alimentação e ao sustento da própria vida familiar e social. Este ano, uma nova ajuda emergencial está sendo proporcionada pelo governo federal, menor que aquela do ano passado, mas que certamente ajudará milhares de famílias que se encontram em situação de fome e de miséria.

            Diante da alta dos preços como, por exemplo, do botijão de gás liquefeito de petróleo (GLP) de cozinha, muitas famílias estão preferindo a lenha para cozinhar os alimentos. Havia a promessa do governo federal quanto à diminuição do preço do gás, mas ocorreu o contrário. Por isso, as pessoas vão à busca de pedaços de madeiras, muitas vezes perdidos, para a preparação dos alimentos. Para algumas famílias, há também a economia com a substituição do uso de carro por bicicletas porque o preço dos combustíveis está ficando sempre mais caro. Diante dessas situações e outras, estamos unidos aos milhares de sofredores nesta pandemia, a qual deixou milhares de famílias em situação crítica. Contudo, não perdemos a esperança de uma situação melhor com o avanço da vacinação por todo o país.

As paróquias e a solidariedade

            As paróquias arrecadaram alimentos para ajudar os pobres nas diversas cidades do Brasil, o que também ocorreu na Diocese de Marabá. Essa ajuda ameniza a fome de muitas pessoas. Equipes paroquiais se mobilizaram em busca de alimentos para serem distribuídos às pessoas e famílias carentes, pois a pandemia reduziu a circulação de bens e serviços, modo que essa ajuda deu novo vigor na caminhada de fé, de esperança e de caridade.

O momento atual: Cansaço pela solidariedade?

O momento atual clama pela solidariedade, o amor para com o próximo. Os sofrimentos causados pela pandemia já se estendem por mais de 01 (um) ano e constata-se uma redução nas ações de solidariedade para com os mais necessitados. É certo que todos estão estafados e, provavelmente, esse cansaço pode ter afetado a mobilização social. Como dito acima, nos primeiros meses de pandemia no país, as contribuições para projetos e iniciativas sociais eram robustas e freqüentes, porém agora, no momento mais crítico e delicado da doença no Brasil, as doações diminuíram significativamente. Mesmo nesse atual terreno árido para a solidariedade, é preciso renovar nosso espírito e ações de doação para o próximo e, nesse sentido, diversas instituições e meios de comunicação social buscam motivar a sociedade para que a corrente de boas ações não se rompa. A Igreja pede para as pessoas e órgãos competentes pela volta da solidariedade, para que as doações aumentem e, assim, um maior número de pessoas que passam fome ou necessidades possa receber auxílio alimentar.

Domingo da misericórdia, domingo da solidariedade

A CNBB lançou há um ano a Ação Solidária Emergencial, no domingo da misericórdia de 2020. “É tempo de Cuidar”, que apontou centenas de ações registradas em diversas dioceses brasileiras com a arrecadação e doação de toneladas de alimentos e de recursos financeiros. Na primeira fase, a campanha distribuiu alimentos, roupas, calçados e equipamentos de proteção individual para as populações mais vulneráveis. Neste ano, o domingo da misericórdia foi no dia 11 de abril, onde ocorreu o relançamento desta Ação. As igrejas foram convidadas a repicar os sinos às 15h, com o propósito de fazer lembrar a mensagem de que todas as vidas humanas são importantes, frente aos números alarmantes de mortes em conseqüência da pandemia.

Solidariedade aos moradores de rua

            A Diocese de Marabá mantém um programa de solidariedade aos moradores de rua, desde o início de pandemia, distribuindo marmitas para os mesmos. Esta ajuda é dada também para os povos indígenas venezuelanos. Ações como esta são importantes para amenizar o problema crescente da fome no país, de modo que o menor auxílio, desde que feito com amor, ajudará muitas pessoas em suas necessidades alimentares e espirituais. Tais ações são gestos concretos realizados por aqueles que acreditam em Jesus Cristo, caminho, verdade e vida.

O amor ao próximo

            A solidariedade não é feita por palavras, mas por ações efetivas que objetivem salvar vidas neste tempo de pandemia. Estamos ajudando com a doação de máscaras para a população carente, contribuindo para a redução da disseminação do vírus, evitando que as gotículas de umas pessoas sejam transmitidas para outra. O Senhor nos ajude nesta caminhada para sermos solidários com os outros e realizarmos boas ações que enalteçam o Deus Uno e Trino.

CNBB

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF