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terça-feira, 28 de fevereiro de 2017

Ester é coroada como rainha

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Redação (Sexta-feira, 24-02-2017, Gaudium Press) A grande maioria dos exilados hebreus procedentes de Judá se estabeleceram na Babilônia. Entretanto, certo número deles fixaram suas moradas em outras cidades do vasto império medo-persa, entre as quais Susa, onde vivia a israelita Ester, que se tornou esposa do Rei Xerxes e exerceu um heroico papel em defesa de seu povo e, portanto, da verdadeira Religião.
Guerras médicas

Xerxes, que no Livro de Ester (cf. 1, 1) é chamado Assuero, reinou de 485 a 465 a. C. Era neto de Ciro, o Grande, e seu império abrangia desde a Índia até a Etiópia, contendo 127 províncias.
Para termos ideia do paganismo de Assuero, narra a História que certa vez ele mandou construir uma ponte de navios, no estreito de Dardanelos - que liga o Mar Egeu ao Mar de Mármara -, para a passagem de seus batalhões. Entretanto, uma tempestade arrastou a ponte; furioso, Assuero condenou à morte o construtor e mandou que o mar fosse chicoteado...
Seu pai Dario quis também conquistar a Grécia. Mas quatro cidades gregas, entre as quais Atenas e Esparta, resolveram resistir, dando assim origem às guerras médicas, assim denominadas porque um dos contendores eram os medos.

A desproporção de forças era tremenda, mas os gregos, apesar de seu pequeno número, acabaram vencendo. Dario sofreu uma derrota na batalha de Maratona; Assuero continuou a guerra e conseguiu chegar até Atenas, onde destruiu monumentos da Acrópole. Mas sua frota foi destroçada pelo grego Temístocles, na batalha de Salamina, em 480 a. C. Assuero, "que assistira à batalha do alto da costa, sentado em um trono, voltou à Ásia". Vencendo os medo-persas, os gregos passaram a ter importante papel na História Universal.
Tendo em vista esse fundo de quadro, passaremos a recordar a vida da Rainha Ester.
Deposição da Rainha Vasti
Pouco antes da derrota de Salamina, Assuero, querendo mostrar "as riquezas da glória do seu reino, e o esplendor e a magnificência da sua grandeza" (Est 1, 4), ofereceu em Susa um grande banquete aos príncipes, nobres, prefeitos de províncias e pessoas de destaque entre os medos e persas, o qual durou 180 dias. O historiador grego Heródoto, contemporâneo de Assuero, faz descrições dos costumes dos persas que indicam analogia marcante com a narração da Bíblia.
Depois promoveu outro festim nos jardins do palácio real para todo o povo que se encontrava em Susa, o qual teve a duração de sete dias.
Por toda parte havia cortinas de linho e musselina, divãs de ouro e de prata, esmeraldas e outras pedras incrustadas nos pavimentos; os convidados bebiam em copos de ouro de formas e tamanhos diferentes (cf. Est 1, 6-7).
Nessa mesma ocasião, a Rainha Vasti - antecessora de Ester - também realizou no palácio real um banquete para as mulheres. Em determinado momento, Assuero ordenou que Vasti se apresentasse no salão principal com o diadema real, pois queria exibir a todos a beleza da rainha. Mas ela recusou-se a comparecer e por isso foi deposta.

Assuero, então, enviou cartas a todas as províncias de seu reino, "recordando que os maridos são os príncipes e chefes em suas casas, e que devem manter submissas as suas mulheres" (Est 1, 22). Aliás, esse princípio - que exprime a ordem natural das coisas - está consignado por São Paulo: "As mulheres sejam [submissas] aos maridos, como ao Senhor. Pois o marido é a cabeça da mulher, como Cristo também é a cabeça da Igreja, seu Corpo, do qual Ele é o Salvador. Por outro lado, como a Igreja se submete a Cristo, que as mulheres também se submetam, em tudo, a seus maridos" (Ef 5, 22-24).
Então o Rei mandou que se procurassem moças virgens e formosas, que deveriam ser trazidas ao palácio, para que uma delas fosse escolhida como rainha.
Ester em tudo obedecia a Mardoqueu
Vivia em Susa um destemido israelita chamado Mardoqueu, cujo bisavô fora deportado de Jerusalém com o Rei Jeconias, de Judá.
Tornara-se tutor da jovem Ester, órfã de pai e mãe, e que era extraordinariamente bela. Também ela foi levada ao palácio real, e, instruída por Mardoqueu, não declarara ser judia.
Quando Ester foi apresentada a Assuero, este lhe colocou o diadema real sobre a cabeça e a fez rainha, em lugar de Vasti. E mandou preparar um banquete magnífico para os príncipes e seus servos, em homenagem a Ester.
Mardoqueu, entretanto, permanecia sempre junto à porta do palácio real. E Ester, agora rainha, "continuava a obedecer ao que ele mandasse, como costumava fazer no tempo em que, ainda pequenina, fora por ele adotada" (Est 2, 20).

Certo dia, dois porteiros revoltaram-se e planejaram um atentado contra o Rei. Mardoqueu soube disso e logo avisou Ester, pedindo-lhe que, em nome dele, comunicasse o fato a Assuero. O Rei mandou fazer as investigações e, comprovada a trama criminosa, os dois culpados foram enforcados, e o acontecimento foi consignado no livro dos anais do Rei, destacando-se a fidelidade de Mardoqueu.

Por Paulo Francisco Martos
(in Noções de História Sagrada - 104)


Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/85627-Ester-e-coroada-como-rainha#ixzz4ZzmXC7Si
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte. 
 

Dos Livros das Confissões, de Santo Agostinho, bispo

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(Lib. 10,1,1-2,2;5.7: CCL 27,155.158)            (Séc.V)


Seja eu quem for, sou a ti manifesto, Senhor
            Que eu te conheça, ó conhecedor meu! Que eu também te conheça como sou conhecido! Tu, ó força de minha alma, entra dentro dela, ajusta-a a ti, para a teres e possuíres sem mancha nem ruga. Esta é a minha esperança e por isso falo. Nesta esperança, alegro-me quando sensatamente me alegro. Tudo o mais nesta vida tanto menos merece ser chorado quanto mais é chorado, e tanto mais seria de chorar quanto menos é chorado. Eis que amas a verdade, pois quem a faz, chega-se à luz. Quero fazê-la no meu coração, diante de ti, em confissão, com minha pena, diante de muitas testemunhas.
            A ti, Senhor, a cujos olhos está a nu o abismo da consciência humana, que haveria de oculto em mim, mesmo que não quisesse confessá-lo a ti? Eu te esconderia a mim mesmo, e nunca a mim diante de ti. Agora, porém, quando os meus gemidos testemunham que eu me desagrado de mim mesmo, enquanto tu refulges e agradas, és amado e desejado, que eu me envergonhe de mim mesmo, rejeite-me e te escolha! Nem a ti nem a mim seja eu agradável, anão ser por ti.
            Seja eu quem for, sou a ti manifesto e declarei com que proveito o fiz. Não o faço por palavras e vozes corporais, mas com palavras da alma e clamor do pensamento. A tudo o teu ouvido escuta. Quando sou mau, confessá-lo a ti nada mais é do que não o atribuir a mim. Quando sou bom, confessá-lo a ti nada mais é do que não o atribuir a mim. Porque tu, Senhor, abençoas o justo, antes, porém, o justificas quando ímpio. Na verdade minha confissão, ó meu Deus, faz-se diante de ti em silêncio e não em silêncio porque cala-se o ruído, clama o afeto.
            Tu me julgas, Senhor, porque nenhum dos homens conhece o que há no homem a não ser o espírito do homem que nele está. Há, contudo, no homem algo que nem o próprio espírito do homem, que nele está, conhece. Tu, porém, Senhor, conheces tudo dele, pois tu o fizeste. Eu, na verdade, embora diante de ti me despreze e me considere pó e cinza, conheço algo de ti que ignoro de mim.
            É certo que agora vemos como em espelho e obscuramente, ainda não face a face. Por isto enquanto eu peregrino longe de ti, estou mais presente a mim do que a ti e, no entanto, sei que és totalmente impenetrável, ao passo que ignoro a que tentações posso ou não resistir. Mas aí está a esperança, porque és fiel e não permites sermos tentados acima de nossas forças e dás, com a tentação, a força para suportá-la.
            Confessarei aquilo que de mim conheço, confessarei o que desconheço. Porque o que sei de mim, por tua luz o sei; e o que de mim não sei, continuarei a ignorá-lo até que minhas trevas se mudem em meio-dia diante de tua face.
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segunda-feira, 27 de fevereiro de 2017

Dos Livros “Moralia” sobre Jó, de São Gregório Magno, papa

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(Lib. 3,15-16: PL75,606-608)              (Séc.VI)

Se da mão de Deus recebemos os bens,
por que não suportaremos os males?
         Paulo, considerando em seu íntimo as riquezas da sabedoria e vendo-se externamente um corpo corruptível, exclama: Temos este tesouro em vasos de barro! No santo Jó, o vaso de barro sofre no exterior as rupturas das úlceras. Por dentro, porém, continua íntegro o tesouro. Por fora é ferido de chagas. Por dentro, a perene nascente do tesouro da sabedoria derrama-se em palavras santas: Se da mão de Deus recebemos os bens, por que não suportaremos os males? Para ele, os bens são os dons de Deus, tanto os temporais quanto os eternos, enquanto que os males são os flagelos do momento. Diz o Senhor pelo Profeta: Eu, o Senhor, e não há outro, faço a luz e crio as trevas, produzo a paz e crio os males.
        Faço a luz e crio as trevas: quando, pelos flagelos, são criadas exteriormente as trevas do sofrimento, no íntimo, pela correção, acende-se a luz do espírito. Produzo a paz e crio os males. Voltamos à paz com Deus quando os bens criados, porém, mal desejados, por serem males para nós, se transformam em flagelos. Pela culpa, estamos em discórdia com Deus. Portanto, é justo que, pelos flagelos, retornemos à paz com ele. Quando os bens criados começam a causar-nos sofrimento, o espírito assim castigado procura humildemente a paz com o Criador.
        É preciso considerar com muita atenção, nas palavras de Jó, contra a opinião de sua mulher, a justeza do seu raciocínio. Se recebemos da mão do Senhor os bens, por que não suportaremos os males? Grande conforto na tribulação é, em meio às contrariedades, lembrarmo-nos dos dons concedidos por nosso Criador. E não nos abatemos, em face da dor, se logo nos ocorrer à mente o dom que a reanima. Sobre isto está escrito: Nos dias bons, não te esqueças dos maus, e nos dias maus lembra-te dos bons.
        Quem recebe os bens da vida, mas durante os bons tempos deixa inteiramente de temer os flagelos, cai na soberba através da alegria. Quem é atormentado pelos flagelos e nestes dias maus não se consola com os dons recebidos, perde, com o mais profundo desespero, o equilíbrio do espírito.
        Assim sendo, é necessário unir os dois, de modo que um sempre se apoie no outro: que a lembrança dos bens modere o sofrimento dos flagelos e que a suspeita e o medo dos flagelos estejam a mordiscar a alegria dos bens.
        O santo homem com suas chagas, para aliviar o espírito oprimido em meio às dores dos flagelos, pensa na doçura dos dons: Se recebemos da mão do Senhor os bens, por que não haveremos de suportar os males?
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11 coisas que todo católico deve saber sobre a Quarta-feira de Cinzas

REDAÇÃO CENTRAL, 27 Fev. 17 / 08:00 am (ACI).- No próximo dia 1º de março, a Igreja celebra a Quarta-feira de Cinzas, dando início à Quaresma, tempo de preparação para a Páscoa. Recordamos algumas coisas essenciais que todo católico precisa saber para poder viver intensamente este tempo.

1. O que é a Quarta-feira de Cinzas?
É o primeiro dia da Quaresma, ou seja, dos 40 dias nos quais a Igreja chama os fiéis a se converterem e a se prepararem verdadeiramente para viver os mistérios da Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo durante a Semana Santa.
A Quarta-feira de Cinzas é uma celebração que está no Missal Romano, o qual explica que no final da Missa, abençoa-se e impõe-se as cinzas obtidas da queima dos ramos usados no Domingo de Ramos do ano anterior.
2. Como nasceu a tradição de impor as cinzas?
A tradição de impor a cinza é da Igreja primitiva. Naquela época, as pessoas colocavam as cinzas na cabeça e se apresentavam ante a comunidade com um “hábito penitencial” para receber o Sacramento da Reconciliação na Quinta-feira Santa.
A Quaresma adquiriu um sentido penitencial para todos os cristãos por volta do ano 400 d.C. e, a partir do século XI, a Igreja de Roma passou a impor as cinzas no início deste tempo.
3. Por que se impõe as cinzas?
A cinza é um símbolo. Sua função está descrita em um importante documento da Igreja, mais precisamente no artigo 125 do Diretório sobre a piedade popular e a liturgia:
“O começo dos quarenta dias de penitência, no Rito romano, caracteriza-se pelo austero símbolo das Cinzas, que caracteriza a Liturgia da Quarta-feira de Cinzas. Próprio dos antigos ritos nos quais os pecadores convertidos se submetiam à penitência canônica, o gesto de cobrir-se com cinza tem o sentido de reconhecer a própria fragilidade e mortalidade, que precisa ser redimida pela misericórdia de Deus. Este não era um gesto puramente exterior, a Igreja o conservou como sinal da atitude do coração penitente que cada batizado é chamado a assumir no itinerário quaresmal. Deve-se ajudar os fiéis, que vão receber as Cinzas, para que aprendam o significado interior que este gesto tem, que abre a cada pessoa a conversão e ao esforço da renovação pascal”.
4. O que simbolizam e o que recordam as cinzas?
A palavra cinza, que provém do latim “cinis”, representa o produto da combustão de algo pelo fogo. Esta adotou desde muito cedo um sentido simbólico de morte, expiração, mas também de humildade e penitência.
A cinza, como sinal de humildade, recorda ao cristão a sua origem e o seu fim: “E formou o Senhor Deus o homem do pó da terra” (Gn 2,7); “até que te tornes à terra; porque dela foste tomado; porquanto és pó e em pó te tornarás” (Gn 3,19).
5. Onde podemos conseguir as cinzas?
Para a cerimônia devem ser queimados os restos dos ramos abençoados no Domingo de Ramos do ano anterior. Estes recebem água benta e logo são aromatizados com incenso.
6. Como se impõe as cinzas?
Este ato acontece durante a Missa, depois da homilia e está permitido que os leigos ajudem o sacerdote. As cinzas são impostas na fronte, em forma de cruz, enquanto o ministro pronuncia as palavras Bíblicas: “Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás” ou “Convertei-vos e crede no Evangelho”.
7. O que devem fazer quando não há sacerdote?
Quando não há sacerdote, a imposição das cinzas pode ser realizada sem Missa, de forma extraordinária. Entretanto, é recomendável que antes do ato participem da liturgia da palavra.
É importante recordar que a bênção das cinzas, como todo sacramental, somente pode ser feita por um sacerdote ou um diácono.
8. Quem pode receber as cinzas?
Qualquer pessoa pode receber este sacramental, inclusive os não católicos. Como explica o Catecismo (1670 ss.), “sacramentais não conferem a graça do Espírito Santo à maneira dos sacramentos; mas, pela oração da Igreja, preparam para receber a graça e dispõem para cooperar com ela”.
9. A imposição das cinzas é obrigatória?
A Quarta-feira de Cinzas não é dia de preceito e, portanto, não é obrigatória. Não obstante, nesse dia muitas pessoas costumam participar da Santa Missa, algo que sempre é recomendável.
0. Quanto tempo é necessário permanecer com a cinza na fronte?
Quanto tempo a pessoa quiser. Não existe um tempo determinado.
11. O jejum e a abstinência são necessários?
O jejum e a abstinência são obrigatórios durante a Quarta-feira de Cinzas, como também na Sexta-feira Santa, para as pessoas maiores de 18 e menores de 60 anos. Fora desses limites, é opcional. Nesse dia, os fiéis podem ter uma refeição “principal” uma vez durante o dia.
A abstinência de comer carne é obrigatória a partir dos 14 anos. Todas as sextas-feiras da Quaresma também são de abstinência obrigatória. As sextas-feiras do ano também são dias de abstinência. O gesto, dependendo da determinação da Conferência Episcopal de cada país, pode ser substituído por outro tipo de mortificação ou oferecimento como a oração do terço.
Acidigital

domingo, 26 de fevereiro de 2017

Dos Livros “Moralia” sobre Jó, de São Gregório Magno, papa

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(Lib. 1,2.36:PL75,529-530.543-544)                    (Séc.VI)


Homem simples e reto, temente a Deus
Há quem seja simples demais, a ponto de não saber o que é reto. Afasta-se, porém, da pura simplicidade quem não se eleva à virtude da retidão, pois, enquanto não aprende a ser precavido pela retidão, não consegue permanecer na inocência pela simplicidade. Daí a exortação de Paulo aos discípulos: Quero que sejais sábios no bem, simples no mal. E ainda: Não vos façais crianças pelo entendimento, mas sede pequeninos na malícia.
Daí que a mesma Verdade preceitue aos discípulos: Sede prudentes como serpentes e simples como pombas. Ela uniu estas duas coisas indispensáveis na advertência: por um lado a astúcia da serpente previna a simplicidade da pomba e por outro lado a simplicidade da pomba tempere a astúcia da serpente.
Daí não manifestar o Espírito Santo sua presença apenas pela figura da pomba, mas também pela do fogo. Pela figura da pomba mostrou a simplicidade, pela figura do fogo, o zelo. Manifesta-se pela pomba e pelo fogo, porque aqueles que dele estão cheios, guardam a mansidão da simplicidade e, assim, não impedem que se acenda o zelo da retidão contra as culpas dos delinquentes.
Simples e reto, temendo a Deus e afastando-se do mal. Quem deseja chegar à pátria eterna, mantém-se, sem dúvida alguma, simples e reto: simples nas obras e reto na fé; simples nas boas obras que realiza em plano inferior, e reto nas superiores, que sente no íntimo. Existem ainda alguns que não são simples no bem que praticam, buscando não uma retribuição interior, mas o aplauso exterior. Deles bem falou certo sábio: Ai do pecador que entra no país por dois caminhos. Entra por dois caminhos o pecador quando a obra que pratica é de Deus; a sua intenção, porém, é mundana.
Com razão se diz: Temendo a Deus e afastando-se do mal, porque a Santa Igreja dos eleitos começa com temor os caminhos da simplicidade e da retidão e consuma-os na caridade. Afastar-se totalmente do mal é começar a não mais pecar por amor de Deus. De fato, enquanto algum faz o bem por temor, ainda não se afastou completamente do mal, pois peca justamente porque quereria pecar, se o pudesse fazer impunemente.
Por conseguinte, quando se diz que Jó teme a Deus, também se afirma que se afasta do mal. Se o amor segue o temor, é esmagada toda a culpa na consciência pelo firme propósito da vontade.
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sábado, 25 de fevereiro de 2017

Do Comentário sobre o Eclesiastes, de São Gregório de Agrigento, bispo

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São Gregório de Agrigento (Ecclesia.org.br)
(Lib. 10, 2:PG98,1138-1139)                        (Séc.VI)

Aproximai-vos de Deus e ficareis luminosos
        Suave, diz o Eclesiastes, é esta luz e extremamente bom, para nossos olhos penetrantes, é contemplar o sol esplêndido. Pois sem a luz o mundo não teria beleza, a vida não seria vida. Por isto, já de antemão, o grande contemplador de Deus, Moisés, disse: E Deus viu a luz e declarou-a boa. Porém é conveniente para nós pensar naquela grande, verdadeira e eterna luz que ilumina a todo homem que vem a este mundo, quer dizer, Cristo, salvador e redentor do mundo, que, feito homem, quis assumir ao máximo a condição humana. Dele fala o profeta Davi: Cantai a Deus, salmodiai a seu nome, preparai o caminho para aquele que se dirige para o ocaso; Senhor é seu nome; e exultai em sua presença.
        Suave declarou o Sábio ser a luz e prenunciou ser bom ver com seus olhos o sol da glória, aquele sol que no tempo da divina encarnação disse: Eu sou a luz do mundo; quem me segue não caminha nas trevas, mas terá a luz da vida. E outra vez: Este o juízo: a luz veio ao mundo. Desta maneira, pela luz do sol, gozo de nossos olhos corporais, anunciou o Sol da justiça espiritual, tão suave àqueles que foram encontrados dignos de conhecê-lo. Viam-no com seus próprios olhos, com ele viviam e conversavam, como um homem qualquer, embora não fosse um qualquer. Era, de fato, verdadeiro Deus que deu vista aos cegos, fez os coxos andar, os surdos ouvir, limpou os leprosos, aos mortos devolveu a vida.
        Todavia, mesmo agora é realmente delicioso vê-lo com olhos espirituais e contemplar demoradamente sua simples e divina beleza. Além disso, é delicioso, pela união e comunicação com ele, tornar-se luminoso, ter o espírito banhado de doçura e revestido de santidade, adquirir o entendimento e vibrar de uma alegria divina que se estenda a todos os dias da presente vida. O sábio Eclesiastes bem o indicou quando disse: Por muitos anos que viva o homem, em todos eles se alegrará. É evidente que o Autor de toda alegria o é para os que veem o Sol de justiça. Dele disse o profeta Davi: Exultem diante da face de Deus, gozem na alegria; e também: Exultai, ó justos, no Senhor; aos retos convém o louvor.
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Igreja comemora hoje dois santos mártires salesianos

REDAÇÃO CENTRAL, 25 Fev. 17 / 04:00 am (ACI).- Neste dia 25 de fevereiro, é celebrada a festa dos Santos Luís Versiglia e Calisto Caravario, mártires salesianos assassinados por comunistas na China. Eles defenderam a honra e a dignidade de três jovens que escaparam de ser violadas e escravizadas.

“O missionário que reza muito alcança muito”, costumava dizer o Bispo São Versiglia, enquanto o presbítero São Caravario, dias antes de morrer, escreveu à sua mãe: “Passará a vida e acabarão as dores: no Paraíso seremos felizes. Nada te perturbe, minha boa mãe; se levas tua cruz na companhia de Jesus, será muito mais leve e agradável...”,
Luís Versiglia nasceu na Itália em 1873. Aos 12 anos ficou fascinado por Dom Bosco. Depois da morte do santo, decidiu se tornar salesiano para sair em missão.
Em 1895, foi ordenado sacerdote. Foi nomeado diretor de noviços em Roma pelo Beato Miguel Rua e, posteriormente, liderou um grupo de salesianos que chegaram à China em 1906. Instalaram-se com uma obra em Macau e com uma frente missionária em Heungchow.
São Luís Versiglia abriu orfanatos e oratórios salesianos e, em 1921, foi consagrado Bispo do Vicariato Apostólico de Shiuchow. Sob seu impulso, multiplicaram-se as casas missionárias, institutos, asilos, orfanatos e teve início o seminário de nativos.
São Calisto Caravario, por sua vez, nasceu em Turim (Itália), em 1903. Quando o jovem salesiano se encontrou com Luís Versiglia em 1921, disse-lhe: “Encontrarei vocês na China”. Anos depois, cumpriu sua promessa, recebendo a ordenação sacerdotal das mãos do Bispo São Versiglia. Em seguida, foi enviado à missão de Lin-chow.
Nessa época, a situação política na China havia se tornado tensa, especialmente contra os cristãos e os missionários estrangeiros. Até as Igrejas eras incendiadas. Dessa forma, começaram as perseguições.
O Bispo Versiglia realizou uma visita pastoral a Lin-Chow e o Pe. Caravario saiu para recebê-lo no caminho.
Em 25 de fevereiro, os dois celebraram a Missa em Ling Kong-how e, em seguida, pegaram uma barca junto com dois professores e três jovens da missão (Maria, de 21 anos, Paula, de 16, e Clara, de 22). Na viagem, juntaram-se a eles uma catequista idosa e um menino.
Um grupo de piratas comunistas mandou que parassem a barca e, com fuzis e pistolas, pediram que os missionários pagassem 500 dólares para que pudessem passar. O Bispo disse a Caravario: “Diga-lhes que somos missionários e, portanto, não levamos dinheiro conosco”.
Os bandidos revistaram a barca, encontraram as meninas, que se escondiam rezando, e gritaram que iriam leva-las. Queriam violá-las e escravizá-las.
Os santos tentaram detê-los e foram muito agredidos. Os dois acabaram ensanguentados e presos com as jovens. Os piratas ordenaram aos outros que estavam na barca que regressassem para Lin-Kong-How, os quais alertaram as autoridades.
Sobre os missionários, a jovem Maria testemunhou: “Vi dom Caravario, com a cabeça inclinada, falava em voz baixa com o Bispo”. Estavam se confessando mutuamente. “O Bispo e dom Caravario nos olhavam, mostravam-nos o céu com os olhos e rezavam. Seu aspecto era amável e sorridente e rezavam em voz alta”.
Enquanto as meninas era transladadas, ouviram-se cinco disparos. Mais adiante, os bandidos comentavam: “Todos têm medo da morte. Pelo contrário, esses dois morreram felizes”.
Dias depois, os soldados regulares chegaram ao esconderijo dos bandidos, os quais fugiram abandonando as jovens. Em seguida, elas, de joelhos, rezaram diante dos corpos dos dois santos, que tinham dado sua vida para defendê-las.
São João Bosco sempre teve o desejo de ser missionário e, em um de seus sonhos, viu um cálice cheio de sangue que fervia e se derramava. Assim, compreendeu que os salesianos também teriam mártires. Por isso, São Versiglia e São Caravario, primeiros mártires salesianos, são representados com um cálice que derrama sangue.
O Beato Paulo VI os declarou mártires em 1976. Foram beatificados em 1983 e canonizados em 2000, por São João Paulo II.
Acidigital

Papa Francisco nunca disse que é melhor ser ateu do que um católico hipócrita

Papa Francisco / Foto: L'Osservatore Romano
VATICANO, 24 Fev. 17 / 11:00 am (ACI).- O Papa Francisco disse que é melhor ser ateu do que um católico hipócrita? Essa é a pergunta que milhares de pessoas fizeram a partir de uma informação divulgada em vários meios de comunicação, que mal interpretaram a homilia de ontem do Pontífice na Casa Santa Marta.
Na última quinta-feira, ao meditar sobre o Evangelho do dia, o Papa Francisco condenou o escândalo causado pelos cristãos com uma vida dupla, ou seja, aqueles fiéis que, embora vão à Missa e pertencem a movimentos ou grupos católicos, não vivem de acordo com o Evangelho.
Entretanto, a mídia internacional publicou: “O Papa Francisco sugere que é melhor ser ateu do que católico hipócrita”, manchete que tirou de contexto o exemplo usado pelo Santo Padre para denunciar o escândalo que a falta de testemunho cristão gera nos nã- crentes.
“Quantas vezes ouvimos dizer, nos bairros e outras partes: ‘Ser católico como aquele, melhor ser ateu’. O escândalo é isso. Destrói. Joga você no chão. Isso acontece todos os dias, basta ver os telejornais e ler os jornais. Os jornais noticiam vários escândalos e fazem publicidade de escândalos. Com os escândalos se destrói”, estas foram as palavras de Francisco.
O Santo Padre explicou que “a vida dupla provém do seguir as paixões do coração, os pecados mortais que são as feridas do pecado original”, além disso, criticou os fiéis que adiam a sua conversão dizendo: “O Senhor me perdoará tudo" e continuam pecando.
"O escândalo destrói", advertiu o Papa e concluiu a sua homilia exortando os fiéis a tomar uma decisão de se converter e viver o cristianismo com coerência.
Acidigital

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2017

Há 16 anos, São João Paulo II criou Cardeal o agora Papa Francisco

São João Paulo II e o Cardeal Jorge Mario Bergoglio
VATICANO, 21 Fev. 17 / 02:00 pm (ACI).- No dia 21 de fevereiro de 2001, há 16 anos, São João Paulo II criou Cardeal o então Arcebispo de Buenos Aires, Jorge Mario Bergoglio, que fazia parte do primeiro grupo de 43 novos cardeais do terceiro milênio.
Alguns anos depois, em 27 de abril de 2014, o Papa Francisco declarou santos São João Paulo II e São João XXIII, em uma cerimônia histórica e sem precedentes, na qual reuniu os quatro Pontífices, com a participação do Papa Emérito Bento XVI.
João Paulo II, que criou 231 cardeais durante aproximadamente 27 anos de pontificado, assinalou em 2001 que estes eram “os primeiros cardeais criados no novo milênio” e destacou que, “após ter bebido em abundância nas fontes da misericórdia divina durante o Ano Santo”, a barca mística da Igreja se preparava para “’novamente para navegar", para transmitir ao mundo a mensagem da salvação”.
Naquela ocasião, o Papa Wojtyla disse aos novos cardeais que "o mundo está se tornando cada vez mais complexo e mutável, e a consciência viva de discrepâncias existentes gera ou aumenta as contradições e os desequilíbrios".
"O enorme potencial do progresso científico e técnico, assim como o fenômeno da globalização, que ampliam continuamente novas áreas, nos exigem estar abertos ao diálogo com toda pessoa e com toda instância social a fim de dar a todos uma razão da esperança que levamos em nossos corações", expressou.
"A fim de responder adequadamente às novas tarefas, é necessário cultivar uma comunhão cada vez mais íntima com o Senhor. A própria cor púrpura de vossas vestes recorda- vos essa urgência. Essa cor não é o símbolo do amor apaixonado a Cristo? Nesse vermelho rutilante não está o fogo ardente do amor à Igreja que deve igualmente alimentar em vós a disponibilidade, se necessário, até o supremo testemunho do sangue?”.
"Ao contemplá-los, o povo de Deus deve poder encontrar um ponto de referência concreto e luminoso que o estimule a ser verdadeiramente luz do mundo e sal da terra", encorajou São João Paulo II.
Acidigital

domingo, 19 de fevereiro de 2017

Papa Francisco: A autêntica revolução cristã é amar o inimigo

Papa durante o Ângelus. Foto: Lucia Ballester
VATICANO, 19 Fev. 17 (ACI).- Antes da oração do Ângelus de hoje, o Papa Francisco convidou a não retribuir o mal com o mal aos nossos inimigos, mas para responder com o amor, como Jesus ensinou, porque esta é a autêntica "revolução cristã".
"Inimigos são também aqueles que falam mal de nós, que nos caluniam e nos enganam. Não é fácil digerir isso. A todos eles, somos chamados a responder com o bem, que também tem as suas estratégias, inspiradas pelo amor", disse o Papa.
O Evangelho deste domingo “é uma das páginas que expressam melhor a revolução cristã. Jesus mostra o caminho da verdadeira justiça através da lei do amor que supera a de talião, ou seja, olho por olho e dente por dente”.
“O que Jesus quer nos ensinar é a distinção clara que devemos fazer entre justiça e vingança”. “É nosso dever praticar a justiça”, mas “somos proibidos de nos vingar ou fomentar de nenhuma forma a vingança, pois é expressão de ódio e violência”.
Em seguida, o Santo Padre recordou o primeiro mandamento de cada cristão: “Amem os seus inimigos" e explicou que "inimigo também é uma pessoa humana, criada como tal à imagem de Deus, embora no presente esta imagem seja ofuscada por uma má conduta”.
“Quando falamos de ‘inimigos’ não devemos pensar nas pessoas diferentes e distantes de nós; falamos também de nós mesmos, que podemos entrar em conflito com o nosso próximo, às vezes com os nossos familiares”.
Mas no Evangelho de hoje, Jesus também convida a “oferecer a outra face, ceder também o manto ou o próprio dinheiro, aceitar outros sacrifícios”.
“Essa renúncia esta renúncia não significa dizer que as exigências da justiça são ignoradas ou contrariadas, pelo contrário, o amor cristão, que se manifesta de modo especial na misericórdia, representa uma realização superior da justiça”.
A respeito da “Lei do Talião”, Francisco explicou que obrigava a “infligir aos transgressores penas equivalentes aos danos causados: a morte a quem tinha matado, a amputação de quem tinha ferido alguém, e assim por diante”.
"Jesus não pede aos seus discípulos para sofrerem o mal, ao contrário, pede para reagir, porém não causando outro mal, mas com o bem”, pois “somente assim, se quebra a cadeia do mal, um mal causa outro mal. Quebra-se esta cadeira do mal e mudam-se realmente as coisas”.
O bispo de Roma explicou que o mal é um “vazio, um vazio do bem, e um vazio não pode ser preenchido com outro vazio, mas somente com um cheio, ou seja, com o bem. A retaliação nunca leva à resolução de conflitos”, acrescentou.
Acidigital

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2017

Dos Tratados sobre a Primeira Carta de São João, de Santo Agostinho, bispo

(Tract.4,6: PL 35,2008-2009)                (Séc.V)

Tende para Deus o desejo do coração
O que nos foi prometido? Seremos semelhantes a ele porque nós o veremos como é. A língua o disse como pôde. O coração imagine o restante.O que pôde dizer, até mesmo João, em comparação daquele que é? O que poderíamos nós dizer, homens tão longe do valor do próprio João?
Recorramos por isso, para sua unção, para aquela unção que ensina no íntimo o que não conseguimos falar. Já que não podeis ver agora, prenda-vos o desejo. A vida inteira do bom cristão é desejo santo. Aquilo que desejas, ainda não o vês. Mas, desejando, adquires a capacidade de ser saciado ao chegar a visão.
Se queres, por exemplo, encher um recipiente e sabes ser muito o que tens a derramar, alargas o bojo seja da bolsa, do odre, ou de outra coisa qualquer. Sabes a quantidade que ali porás e vês ser apertado o bojo. Se o alargares ele ficará com maior capacidade.
Deste mesmo modo Deus, com o adiar, amplia o desejo. Por desejar, alarga-se o espírito. Alargando-se, torna-se capaz. Desejemos pois, irmãos, porque havemos de ser saciados.
Vede Paulo como alarga o coração, para poder conter o que vem depois: Não que já tenha recebido ou já seja perfeito; irmãos, não julgo ter conseguido o prêmio.
Que fazes então nesta vida, se ainda não conseguiste? Uma coisa só, esquecido do que ficou para trás, lanço-me para a frente, para a meta, corro para a palma da vocação suprema. Diz lançar-se e correr para a meta. Sentia-se incapaz de captar o que os olhos não viram, os ouvidos não ouviram, nem subiu ao coração do homem.
É esta a nossa vida: exercitamo-nos pelo desejo. O santo desejo nos exercita, na medida em que cortamos nosso desejo do amor do mundo. Já falamos algumas vezes do vazio que deve ser cheio. Vais ficar repleto de bem, esvazia-te do mal.
Imagina que Deus te quer encher de mel. Se estás cheio de vinagre, onde pôr o mel? É preciso jogar fora o conteúdo do jarro e limpá-lo, ainda que com esforço, esfregando-o, para servir a outro fim. 
Digamos mel, digamos ouro, digamos vinho, digamos tudo quanto dissermos e quanto quisermos dizer, há uma realidade indizível: chama-se Deus. Dizendo Deus, o que dissemos? Esta única sílaba é toda a nossa expectativa. Tudo o que conseguimos dizer, fica sempre aquém da realidade. Dilatemo-nos para ele, e ele, quando vier, encher-nos- á. Seremos semelhantes a ele; porque o veremos como é.

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quinta-feira, 16 de fevereiro de 2017

Dos Comentários sobre os Salmos, de Santo Ambrósio, bispo


(Ps.36,65-66: CSEL64,123-125)                (Séc.IV)

Abre tua boca à palavra de Deus
Esteja sempre em nosso coração e em nossos lábios a meditação da sabedoria! Proclame
a tua língua o direito, e a lei de Deus more em teu coração. Assim te diz a Escritura:
Falarás sobre eles assentado em casa, andando pelos caminhos, dormindo, levantando-
te. Falemos do Senhor Jesus, porque ele é a sabedoria e a palavra, pois é o Verbo de
Deus.
Também está escrito: Abre tua boca à palavra de Deus. Exala-a quem faz ressoar seus
ditos e medita suas palavras. Dele falemos sempre. Falamos sobre a sabedoria, é ele!
Falamos da virtude: é ele! Falamos de justiça, ainda é ele! Falamos de paz, é ele
também! Falamos sobre a verdade, a vida, a redenção, sempre ele!
Está escrito: Abre tua boca à palavra de Deus. Abre tu, ele fala. Por esta razão, diz
Davi: Ouvirei o que falará em mim o Senhor, e o próprio Filho de Deus: Abre tua boca,
eu a encherei. Nem todos, porém, como Salomão, podem alcançar a perfeição da
sabedoria. Nem todos, como Daniel. Em todos, no entanto, segundo suas possibilidades
se infunde o espírito da sabedoria, em todos os que são fiéis. Se crês, tens o espírito da
sabedoria. Por isso medita sempre, fala das realidades de Deus, sentado em casa.
Dizendo “casa”, podemos entender a Igreja; ou “casa”, o mais íntimo em nós, onde
falamos dentro de nós. Fala com prudência, para te livrares do pecado, não caias por
falar demais. Assentado, fala contigo mesmo como um juiz. Fala em caminho, não
fiques à toa nunca. Falas no caminho, se em Cristo falas, Cristo é o caminho. No
caminho fala a ti, fala a Cristo. Escuta de que modo lhe falarás: Quero que os homens
orem em todo lugar, levantando mãos puras, sem cólera nem disputas. Fala, ó homem,
dormindo, e que não te surpreenda o sono da morte. Ouve como falarás dormindo: Não
entregarei ao sono meus olhos e minhas pálpebras à sonolência, enquanto não
encontrar um lugar para o Senhor, uma tenda para o Deus de Jacó.

Quando te ergues ou te reergues fala-lhe para cumprir o que te foi ordenado. Ouve como
Cristo te desperta. Tua alma diz: A voz de meu irmão faz-me ouvir à porta e Cristo diz:
Abre-me, minha irmã esposa. Escuta como despertas a Cristo. Diz a alma: Eu vos
conjuro, filhas de Jerusalém, a despertar e ressuscitar a caridade. A caridade é Cristo.
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quarta-feira, 15 de fevereiro de 2017

Do Comentário sobre o Livro dos Provérbios, de Procópio de Gaza, bispo

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(Cap.9:PG 87-1,1299-1303)                 (Séc.VI)


A Sabedoria de Deus misturou o vinho e pôs a mesa para nós
A Sabedoria construiu para si uma casa. O poder por si subsistente de nosso Deus e Pai preparou para si próprio uma casa: o universo onde ele habita por sua virtude. No universo colocou também o homem que ele criou à sua imagem e semelhança, composto de natureza visível e invisível.
Ergueu, então, sete colunas. O Espírito Santo deu os seus sete dons ao homem depois de criado e conformado a Cristo, para que cresse em Cristo e observasse seus mandamentos. Por estes dons, o homem espiritual chega à perfeição e se fortalece, pelo enraizamento na fé, na participação da vida sobrenatural. Sua fortaleza é dinamizada pela ciência, enquanto que sua ciência se manifesta pela fortaleza.
Assim, a natural nobreza do espírito humano é elevada pelo dom da fortaleza, e predisposta a procurar com fervor e a desejar inteiramente as vontades divinas, pelas quais tudo foi criado. Pelo dom do conselho, torna-se capaz de distinguir, entre o que é falso e as santíssimas vontades de Deus, incriadas e imortais. Deste modo tornamo-nos capazes de as meditar, ensinar e cumprir. Pelo dom da prudência, enfim, somos levados a aprovar e aceitar estas mesmas vontades e não outras. Estas três virtudes exaltam o natural esplendor do espírito.
Misturou em sua taça o vinho e preparou a mesa. Neste homem, em quem, como em uma taça, mesclam-se a natureza espiritual e a corpórea, Deus uniu à ciência das coisas o conhecimento dele próprio como o criador de tudo. Este dom da inteligência, tal qual o vinho, faz o homem embriagar-se de tudo quanto se refere a Deus. Sendo assim, graças a ele,que é o pão celeste, nutrindo as almas pela virtude e inebriando e deleitando pela doutrina, a Sabedoria dispõe tudo como as iguarias do celeste banquete para os que dele desejam participar.
Enviou os seus servos, chamando-os em alta voz à sua mesa, dizendo. Enviou os apóstolos, a serviço de sua divina vontade na proclamação do Evangelho, que provindo do Espírito está acima de toda a lei, quer escrita, quer natural, a fim de chamar todos a si. Nele próprio, como numa taça, mediante o mistério da encarnação, fez-se a mistura admirável das naturezas divina e humana, de maneira pessoal, isto é hipostática, sem confusão. Enfim, pelos apóstolos ele proclama: Quem é insensato, venha a mim. Quem é insensato, porque julga em seu coração que Deus não existe, abandone a impiedade, venha a mim pela fé, e saiba que sou eu o criador de tudo e Senhor.
Aos carentes de sabedoria ele diz: Vinde, comei comigo o meu pão e bebei o vinho que misturei para vós. Tanto àqueles que não têm obras da fé quanto aos mais perfeitos em sua doutrina ele chama: “Vinde, comei o meu corpo que à semelhança do pão dos fortes vos nutre; e bebei o meu sangue, que como vinho de doutrina celeste vos deleita e conduz à deificação; pois de modo admirável misturei o sangue à divindade para vossa salvação”.
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Hoje é celebrado São Cláudio de la Colombiere

REDAÇÃO CENTRAL, 15 Fev. 17 / 04:00 am (ACI).- Neste dia 15 de fevereiro, a Igreja Católica comemora São Cláudio de la Colombiere, sacerdote jesuíta francês do século XVII, que escreveu sobre as visões do Sagrado Coração de Jesus de outra grande santa, Margarida Maria Alacoque.

Quando canonizou Cláudio em 1992, o Papa São João Paulo II o apresentou como modelo de jesuíta, recordando como “se entregou por completo ao Sagrado Coração, ‘sempre abrasado de amor’. Inclusive, praticou o esquecimento de si mesmo a fim de alcançar a pureza do amor e de elevar o mundo a Deus”.
Nascido no sul da França durante 1641, São Cláudio fazia parte de uma família de sete filhos, dos quais quatro entraram no sacerdócio ou na vida religiosa. Frequentou uma escola da Companhia de Jesus em sua juventude e ingressou na ordem aos 17 anos.
Depois de completar os períodos de estudo, Cláudio foi ordenado sacerdote em 1669. Conhecido como um grande pregador, também ensinou na universidade e serviu como tutor dos filhos do ministro de finanças do rei Luís XIV.
Em 1974, foi eleito superior de uma casa dos jesuítas na cidade de Paray-le-Monial. Nessa época, quando também foi confessor em um convento de religiosas da localidade, Cláudio fez parte de diversos acontecimentos que mudariam sua própria vida e a história da Igreja no Ocidente.
Uma dessas religiosas era Santa Margarida Maria Alacoque, que dizia ter experimentado revelações privadas de Cristo, solicitando a devoção ao Seu coração. Entretanto, dentro do convento esta notícia – que o tempo e a Igreja se encarregariam de mostrar que era verdadeira – foi recebida com certo desprezo.
Durante seu tempo em Paray-le-Monial, o Padre Cláudio se tornou o diretor espiritual desta grande santa e escutou cuidadosamente seu testemunho sobre as revelações, chegando à conclusão de que a Irmã Margarida Maria as tinha recebido, efetivamente, de maneira extraordinária.
Os escritos de Cláudio de la Colombiere e seu testemunho da realidade das experiências da santa ajudaram a estabelecer o Sagrado Coração como um dos pilares da devoção católica. Isto, por sua vez, ajudou a combater a heresia jansenista, que afirmava que Deus não quer a salvação de algumas pessoas.
Em 1678, um falso rumor se estendeu sobre um suposto complô católico contra a monarquia inglesa. A mentira levou à execução de 35 pessoas inocentes, entre eles, oito jesuítas. O Pe. Cláudio não foi assassinado, mas foi acusado, detido e preso em um calabouço durante várias semanas.
O jesuíta francês suportou heroicamente a provação, mas as condições na prisão maltrataram muito sua saúde antes de sua expulsão da Inglaterra. Voltou para a França em 1679 e retomou seu trabalho como professor e sacerdote, fomentando o amor pelo Sagrado Coração de Jesus entre os fiéis.
Em 1681, Cláudio de la Colombiere voltou a Paray-le-Monial, o local das revelações de Santa Margarida Maria Alacoque.
Lá, em 1682, quando tinha apenas 41 anos, o sacerdote morreu de uma hemorragia interna no primeiro domingo da Quaresma, no dia 15 de fevereiro.
Foi beatificado em 1929 – nove anos depois da canonização de Santa Margarida Maria Alacoque – e canonizado 63 anos depois, por São João Paulo II.
Acidigital (Partes).

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Da Vida eslava de Constantino

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 Cirilo e Metódio - os fundadores do alfabeto russo - lingua da Rússia (RUSSOBRAS)

Cirilo, natural de Tessalônica, recebeu uma excelente formação em Constantinopla. Juntamente com seu irmão, Metódio, dirigiu-se para a Morávia, a fim de pregar a fé católica. Ambos compuseram os textos litúrgicos em língua eslava, escritos em letras que depois se chamaram “cirílicas”. Chamados a Roma, ali morreu Cirilo, a 14 de fevereiro de 869. Metódio foi então ordenado bispo e partiu para a Panônia, onde exerceu intensa atividade evangelizadora. Muito sofreu por causa de pessoas invejosas, mas sempre contou com o apoio dos Pontífices Romanos. Morreu no dia 6 de abril de 885 em Velehrad (República Tcheca). O Papa João Paulo II proclamou-os patronos da Europa junto com São Bento.
(Cap.18: Denkschriften der kaiserl. Akademie der Wissenschaften, 19, Wien 1970, p. 246)

Fazei crescer a vossa Igreja e a todos reuni na unidade
Constantino Cirilo, fatigado por muitos trabalhos, caiu doente; e quando já havia muitos dias que suportava a enfermidade, teve uma visão de Deus e começou a cantar: “O meu espírito alegrou-se e o meu coração exultou, quando me disseram: Vamos para a casa do Senhor”.
Depois de ter revestido as vestes de cerimônia, assim permaneceu todo aquele dia, cheio de alegria e dizendo: “A partir de agora, já não sou servo nem do imperador nem de homem algum na terra, mas unicamente do Deus todo-poderoso. Eu não existia, mas agora existo e existirei para sempre. Amém”. No dia seguinte, vestiu o santo hábito monástico e, acrescentando luz à luz, impôs-se o nome de Cirilo. E assim permaneceu durante cinquenta dias.
Chegada a hora de encontrar repouso e de emigrar para as moradas eternas, erguendo as mãos para Deus, orava com lágrimas: “Senhor meu Deus, que criastes todos os anjos e os espíritos incorpóreos, estendestes o céu, fixastes a terra e formastes do nada todas as coisas que existem; vós que sempre ouvis aqueles que fazem vossa vontade, vos temem e observam vossos preceitos, atendei a minha oração e conservai na fidelidade o vosso rebanho, a cuja frente me colocastes, apesar de incompetente e indigno servo.
Livrai-o da malícia ímpia e pagã dos que blasfemam contra vós; fazei crescer a vossa Igreja e a todos reuni na unidade. Tornai o povo perfeito, concorde na verdadeira fé e no reto testemunho; inspirai aos seus corações a palavra da vossa doutrina; porque é dom que vem de vós ter-nos escolhido para pregar o Evangelho de vosso Cristo, encorajando-nos a praticar as boas obras e a fazer o que é de vosso agrado. Aqueles que me destes, a vós entrego, porque são vossos; governai-os com vossa mão poderosa e protegei-os à sombra de vossas asas, para que todos louvem e glorifiquem o vosso nome, Pai, Filho e Espírito Santo. Amém”.
Depois de ter beijado a todos com o ósculo santo, disse: “Bendito seja Deus que não nos entregou como presa aos dentes de nossos invisíveis adversários, mas rompeu suas armadilhas e nos libertou do mal que tramavam contra nós”. E assim adormeceu no Senhor, com quarenta e dois anos de idade.
O Sumo Pontífice ordenou que todos os gregos que estavam em Roma, juntamente com os romanos, se reunissem junto de seu corpo com velas acesas e cantando; e que suas exéquias fossem celebradas do mesmo modo como se celebram as do próprio Papa. E assim foi feito.
www.liturgiadashoras.org

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF