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quinta-feira, 30 de março de 2017

Dos Sermões de São Leão Magno, papa

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(Sermo 15, De passione Domini,3-4: PL 54,366-367)

(Séc.V)

Contemplemos a paixão do Senhor
Quem venera realmente a paixão do Senhor deve contemplar de tal modo, com os olhos do coração, Jesus crucificado, que reconheça na carne do Senhor a sua própria carne.
Trema a criatura perante o suplício do seu Redentor, quebrem-se as pedras dos corações infiéis e saiam para fora, vencendo todos os obstáculos, aqueles que jaziam debaixo de seus túmulos. Apareçam também agora na cidade santa, isto é, na Igreja de Deus, como sinais da ressurreição futura e realize-se nos corações o que um dia se realizará nos corpos.
A nenhum pecador é negada a vitória da cruz e não há homem a quem a oração de Cristo não ajude. Se ela foi útil para muitos dos que o perseguiam, quanto mais não ajudará os que a ele se convertem?
Foi eliminada a ignorância da incredulidade, foi suavizada a aspereza do caminho, e o sangue sagrado de Cristo extinguiu o fogo daquela espada que impedia o acesso ao reino da vida. A escuridão da antiga noite cedeu lugar à verdadeira luz.
O povo cristão é convidado a gozar as riquezas do paraíso, e para todos os batizados está aberto o caminho de volta à pátria perdida, desde que ninguém queira fechar para si próprio aquele caminho que se abriu também à fé do ladrão arrependido.
Evitemos que as preocupações desta vida nos envolvam na ansiedade e no orgulho, de tal modo que não procuremos, com todo o afeto do coração, conformar-nos a nosso Redentor na perfeita imitação de seus exemplos. Tudo o que ele fez ou sofreu foi para a nossa salvação, a fim de que todo o Corpo pudesse participar da virtude da Cabeça.
Aquela sublime união da nossa natureza com a sua divindade, pela qual o Verbo se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14), não exclui ninguém da sua misericórdia senão aquele que recusa acreditar. Como poderá ficar fora da comunhão com Cristo quem recebe aquele que assumiu a sua própria natureza e é regenerado pelo mesmo Espírito por obra do qual nasceu Jesus? Quem não reconhece nele as fraquezas próprias da condição humana? Quem não vê que alimentar-se, buscar o repouso do sono, sofrer angústia e tristeza, derramar lágrimas de compaixão, eram próprios da condição de servo?
Foi precisamente para curar a nossa natureza das antigas feridas e purificá-la das manchas do pecado, que o Filho Unigênito de Deus se fez também Filho do Homem, de modo que não lhe faltasse nem a humanidade em toda a sua realidade, nem a divindade em sua plenitude.
É nosso, portanto, o que esteve morto no sepulcro, o que ressuscitou ao terceiro dia e o que subiu para a glória do Pai, no mais alto dos céus. Se andarmos pelos caminhos de seus mandamentos e não nos envergonharmos de proclamar tudo o que ele fez pela nossa salvação na humildade do seu corpo, também nós teremos parte na sua glória. Então se cumprirá claramente o que prometeu: Portanto, todo aquele que se declarar a meu favor diante dos homens, também eu me declararei em favor dele diante do meu Pai que está nos céus (Mt 10,32).
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Bispo convoca católicos a erguer a voz contra ideologia de gênero e aborto no Brasil

Dom Antônio Augusto Dias Duarte. Foto: Arquidiocese do Rio de Janeiro
RIO DE JANEIRO, 28 Mar. 17 / 08:00 am (ACI).- O Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro, Dom Antônio Augusto Dias Duarte, fez um chamado aos católicos e às “pessoas de boa vontade que queiram ser os sentinelas do bem e da verdade” a levantarem suas vozes contra uma estratégia que está sendo colocada em prática no Brasil “em favor da descriminalização do aborto e da manipulação ideológica”.
Em um artigo intitulado “Custos, quid de nocte”, publicado no site da Arquidiocese do Rio de Janeiro, o Prelado lamentou que embora a vigilância seja “uma atitude tão recomendada nas páginas bíblicas”, o que se vê é “o avanço perigoso e veloz das mais variadas expressões do mal no mundo de hoje”.
“A Igreja Católica, nos tempos atuais da história da humanidade, deve assumir cada vez mais a atitude do sentinela do bem e ficar mais atenta aos perigos que ameaçam o nosso país”, alertou.
Tais perigos estão marcados pelo “marxismo político-partidário, a ideologia do gênero, o relativismo moral e sua destruição dos costumes, o consumismo materialista-capitalista, e tantas outras ondas de mentiras, maldades, violências, drogas, etc.”.
Dom Antônio Augusto explicou que “a vigilância é uma das mais expressivas provas da caridade cristã” e, portanto, não prevenir, proteger ou esclarecer as pessoas “dessas estratégias perversas, passa a ser uma das mais graves omissões presentes no seio da Igreja Católica nesses tempos últimos”.
Para mostrar como tais realidades estão sendo infiltradas na sociedade brasileira, cita alguns casos concretos. Primeiramente, através dos meios de comunicação, especialmente a televisão.
De acordo com o Bispo, “a Rede Globo de Televisão tornou-se um depósito poluído dessa sujeira moral, pois ao estar presente nos lares do povo brasileiro, derrama nele, gota a gota, por exemplo, a Ideologia do Gênero”, a qual contribuiu para a “destruição da família, da integridade moral das crianças e jovens”.
Esta ideologia, esclareceu, “é um falso feminismo de matriz marxista, que destrói a dignidade das mulheres, tirando-lhes toda a beleza do gênio feminino, já que enquanto mulheres, esposas, mães, educadoras dos filhos, profissionais atuantes e não adversárias dos homens, elas são as verdadeiras construtoras de um mundo mais humanizado”.
O segundo fato diz respeito à Ação de Descumprimento de Preceito Fundamental (ADPF) protocolada pelo PSOL no Supremo Tribunal Federal (STF), solicitando a descriminalização do aborto até doze semanas de gestação.
“Segundo esse partido ‘missionário do mal’ em matéria de aborto, a criminalização desse ato ‘afeta desproporcionalmente mulheres negras e indígenas pobres, de baixa escolaridade e que vivem distantes de centros urbanos, onde os métodos para a realização do aborto são mais inseguros do que aqueles utilizados por mulheres com maior acesso à informação e poder econômico, resultando em uma grave afronta ao princípio da não discriminação”, assinalou.
Em seguida, informou que a relatora do caso será a ministra Rosa Weber, “mulher branca, rica, bem informada e bem escolarizada”, já deu sinais de ser “a favor da descriminalização do aborto, sendo, portanto, contrária à maioria do povo brasileiro, constituído por brancos, negros, pardos, ricos e pobres, indígenas e mamelucos, imigrantes e estrangeiros com cidadania adquirida há anos e, sobretudo, por mulheres e homens que sonham com um Brasil mais justo e mais protetor dos mais frágeis, como são as crianças em gestação no seio materno”.
Por fim, o terceiro caso citado é especificamente da cidade do Rio de Janeiro, onde a vereadora Marielle Franco entrou com um projeto de lei para instituir nos hospitais municipais o “Programa de Atenção Humanizada ao Aborto Legal e Juridicamente Autorizado no Âmbito do Município do Rio de Janeiro”.
Entretanto, trata-se de algo “contrário à realidade”, visto que “não há aborto legal, e esse programa proposto por essa vereadora é tão irreal e manipulador da inteligência do povo, pois não se deve falar de atenção humanizada para uma ação tão desumana”.
Diante de tudo isso, exortou, “é chegada a hora do povo brasileiro não só de ir às ruas, demonstrando civilidade e defesa do patrimônio público e privado, e protestando contra a corrupção, contra medidas políticas que prejudicarão as famílias e o emprego”.
“Chegou a hora de sair da frente da televisão ou até desligá-la, quando ela faz proselitismo da ideologia marxista-gramscista do gênero; chegou a hora de denunciar partidos, políticos, ministros e instituições que só se interessam pela cultura da morte e não pela construção de um futuro melhor para as crianças e doentes”.
Por isso, convocou “os sentinelas do amanhã” a “sair na hora certa da passividade, para que aconteça hoje e agora um ‘tsunami’ de e-mails para o STF, para a TV Globo e para a Câmara Municipal de Vereadores carioca, protestando diante de tantas arbitrariedades contra a vida humana nascente, contra a dignidade das crianças e jovens, contra a violação da Constituição Federal, fazendo novelistas, políticos e ministros descerem dos seus pedestais, onde se sentem donos da verdade e do bem e do mal, para pisarem na realidade do povo, e enxergarem, assim, as verdadeiras necessidades humanas”.
Acidigital


quarta-feira, 29 de março de 2017

“Nightfever” em Brasília pretende atrair pessoas em situação de rua à oração

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Brasília (Quarta-feira, 29-03-2017, Gaudium PressA Capital Federal acolhe mais uma edição do "Nightfever", encontro de oração e fé que, desta vez, terá o intuito de levar Jesus Cristo aos irmãos em situação de rua.
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte. 

Promovido pelo Setor de Juventude da Arquidiocese de Brasília, em parceria com a Pastoral do Povo de Rua, o evento será realizado em 1º de abril, na Praça dos Artistas (Setor Comercial Sul).
O encontro, inspirado no tema "Como Maria eu quero me entregar!", contará com a montagem de um altar e toda a estrutura, a fim de proporcionar um ambiente de oração e adoração para todos.
O "Nightfever" terá início às 18h30 com uma acolhida. Em seguida, às 19h, será celebrada a Santa Missa. Mais tarde, haverá a exposição do Santíssimo Sacramento até as 23h, além de momentos de oração.
Já a programação social começa às 17h, com corte de cabelo e distribuição de alimentação e roupas a população de rua. Durante todo o evento, serão realizados atendimentos de confissão aos participantes. (LMI)
Da redação GaudiumPress, com informações Arquidiocese de Brasília

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/86308--ldquo-Nightfever-rdquo--em-Brasilia-pretende-atrair-pessoas-em-situacao-de-rua-a-oracao#ixzz4clSGYTIF
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte. 

segunda-feira, 27 de março de 2017

Brasil é o segundo país que mais rechaça o aborto, indica pesquisa

Imagem referencial. Foto: Pixabay / Domínio público
REDAÇÃO CENTRAL, 27 Mar. 17 / 07:00 am (ACI).- Apenas 13% dos brasileiros apoiam o aborto quando a mulher desejar, conforme indica recente pesquisa divulgada nesta semana, a qual mostra que o Brasil fica atrás somente do Peru quanto ao rechaço da população a esta prática.
A pesquisa Ipsos foi divulgada nesta semana à imprensa e afirma que o Brasil “está em penúltimo lugar entre os 24 países participantes do estudo sobre apoio ao direito à interrupção de gravidez”.
O levantamento foi feito entre os dias 20 de janeiro e 3 de fevereiro nos seguintes países: África do Sul, Alemanha, Argentina, Austrália, Bélgica, Brasil, Canadá, China, Coreia do Sul, Espanha, Estados Unidos, França, Grã-Bretanha, Hungria, Índia, Itália, Japão, México, Peru, Polônia, Rússia, Servia, Suécia e Turquia.
Os dados mostram como os brasileiros reverteram uma tendência de aumento do apoio ao aborto e este percentual voltou a cair. Em 2014 esse número era de 13%, tendo passado a 16% em 2016 e agora, em 2017, voltou aos 13%.
Entre os países pesquisados por Ipsos, os peruanos são os que mais rejeitam o aborto, pois apenas 12% concordam com tal prática, a qual é apoiada somente por 22% dos mexicanos, que estão atrás do Brasil.
Quando a questão é a aprovação ao aborto, os países europeus lideram o ranking. De acordo com a pesquisa, 77% dos suecos apoiam a prática abortista, seguidos pelos húngaros, com 67%, e franceses, com 65%.
A pesquisa sinalizou ainda que, no Brasil, 17% são totalmente contra o aborto, independente do cenário; e 21% afirmam que o aborto não deve ser realizado, exceto em casos em que a vida da mãe esteja em perigo.
Para o levantamento foram entrevistadas 17.551 pessoas, sendo adultos de 18 a 64 anos nos Estados Unidos e no Canadá e de 16 e 64 anos nos demais países. A margem de erro é de 3,5%.
Acidigital

domingo, 26 de março de 2017

Quarto Domingo da Quaresma

REDAÇÃO CENTRAL, 26 Mar. 17 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 26 de março, a Igreja celebra o quarto Domingo da Quaresma. O Evangelho de hoje, retirado de João 9,1.6-9.13-17.34-38, traz a história do cego de nascença, ao qual Jesus recuperou a visão e que, assim, passou das trevas à luz.

A seguir, leia e reflita o Evangelho deste quarto Domingo da Quaresma:
Jo 9,1.6-9.13-17.34-38
Naquele tempo, ao passar, Jesus viu um homem cego de nascença. E cuspiu no chão, fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego. E disse-lhe: “Vai lavar-te na piscina de Siloé” (que quer dizer: Enviado). O cego foi, lavou-se e voltou enxergando.
Os vizinhos e os que costumavam ver o cego — pois ele era mendigo — diziam: “Não é aquele que ficava pedindo esmola?” Uns diziam: “Sim, é ele!” Outros afirmavam: “Não é ele, mas alguém parecido com ele”.
Ele, porém, dizia: “Sou eu mesmo!”
Levaram então aos fariseus o homem que tinha sido cego. Ora, era sábado, o dia em que Jesus tinha feito lama e aberto os olhos do cego. Novamente, então, lhe perguntaram os fariseus como tinha recuperado a vista. Respondeu-lhes: “Colocou lama sobre os meus olhos, fui lavar-me e agora vejo!”
Disseram, então, alguns dos fariseus: “Esse homem não vem de Deus, pois não guarda o sábado”. Mas outros diziam: “Como pode um pecador fazer tais sinais?”
E havia divergência entre eles. Perguntaram outra vez ao cego: “E tu, que dizes daquele que te abriu os olhos?” Respondeu: “É um profeta”
Os fariseus disseram-lhe: “Tu nasceste todo em pecado e estás nos ensinando?” E expulsaram-no da comunidade.
Jesus soube que o tinham expulsado. Encontrando-o, perguntou-lhe: “Acreditas no Filho do Homem?” Respondeu ele: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. Exclamou ele: “Eu creio, Senhor!” E prostrou-se diante de Jesus.
Acidigital

Dos Tratados sobre o Evangelho de São João,de Santo Agostinho, bispo


(Tract. 34,8-9:CCL36,315-316)            (Séc.V)

Cristo é o caminho para a luz, a verdade para a vida
Diz o Senhor: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas, mas terá a luz da vida (Jo 8,12). Estas breves palavras contêm um preceito e uma promessa. Façamos o que o Senhor mandou, para esperarmos sem receio receber o que prometeu, e não nos vir ele a dizer no dia do Juízo: “Fizeste o que mandei para esperares agora alcançar o que prometi?” Responder-te-á: “Disse quem e seguisses”. Pediste um conselho de vida. De que vida, senão daquela sobre a qual foi dito: Em vós está a fonte da vida? (Sl 35,10). Por conseguinte, façamos agora o que nos manda, sigamos o Senhor, e quebremos os grilhões que nos impedem de segui-lo. Mas quem é capaz de romper tais amaras se não for ajudado por aquele de quem se disse: Quebrastes os meus grilhões? (Sl 115,7). E também noutro salmo: É o Senhor quem liberta os cativos, o Senhor faz erguer-se o caído (Sl 145,7.8).
Somente os que assim são libertados e erguidos poderão seguir aquela luz que proclama: Eu sou a luz do mundo. Quem me segue, não andará nas trevas. Realmente o Senhor faz os cegos verem. Os nossos olhos, irmãos, são agora iluminados pelo colírio da fé. Para restituir a vista ao cego de nascença, o Senhor começou por ungir-lhe os olhos com sua saliva misturada com terra. Cegos também nós nascemos de Adão, e precisamos de ser iluminados pelo Senhor. Ele misturou sua saliva com a terra: E a Palavra se fez carne e habitou entre nós (Jo 1,14). Misturou sua saliva com a terra, como fora predito: A verdade brotou da terra (cf. Sl 84,12). E ele próprio disse: Eu sou o caminho, a verdade e a vida (Jo 14,6).
A verdade nos saciará quando o virmos face a face, porque também isso nos foi prometido. Pois quem ousaria esperar, se Deus não tivesse prometido ou dado?
Veremos face a face, como diz o Apóstolo: Agora, conheço apenas de modo imperfeito; agora, nós vemos num espelho, confusamente, mas, então, veremos face a face (1Cor 13,12). E o apóstolo João diz numa de suas cartas: Caríssimos, desde já somos filhos de Deus, mas nem sequer se manifestou o que seremos! Sabemos que, quando Jesus se manifestar, seremos semelhantes a ele, porque o veremos tal como ele é (1Jo 3,2). Eis a grande promessa!
Se o amas, segue-o! “Eu o amo, dizes tu, mas por onde o seguirei?” Se o Senhor te houvesse dito: “Eu sou a verdade e a vida”, tu que desejas a verdade e aspiras à vida, certamente procurarias o caminho para alcançá-la e dirias a ti mesmo: “Grande coisa é a verdade, grande coisa é a vida! Ah, se fosse possível à minha alma encontrar o caminho para lá chegar!”
Queres conhecer o caminho? Ouve o que o Senhor diz em primeiro lugar: Eu sou o caminho. Antes de dizer aonde deves ir, mostrou por onde deves seguir. Eu sou, diz ele, o caminho. O caminho para onde? A verdade e a vida. Disse primeiro por onde deves seguir e logo depois indicou para onde deves ir. Eu sou o caminho, eu sou a verdade, eu sou a vida. Permanecendo junto do Pai, é verdade e vida; revestindo-se de nossa carne, tornou-se o caminho.
Não te é dito: “Esforça-te por encontrar o caminho, para que possas chegar à verdade e à vida”. Decerto não é isso que te dizem. Levanta-te, preguiçoso! O próprio caminho veio ao teu encontro e te despertou do sono em que dormias, se é que chegou a despertar-te; levanta-te e anda!
Talvez tentes andar e não consigas, porque te doemos pés. Por que estão doendo? Não será pela dureza dos caminhos que a avareza te levou a percorrer? Mas o Verbo de Deus curou também os coxos. “Eu tenho os pés sadios, respondes, mas não vejo o caminho”. Lembra-te que ele também deu a vista aos cegos.
www.liturgiadashoras.org

4º Domingo da Quaresma: A Luz do Mundo



+ Sergio da Rocha

Cardeal Arcebispo de Brasília


A cura do cego de nascença, narrada pelo Evangelho segundo João (9,1-41), ocorre no contexto da festa das Tendas ou dos Tabernáculos, uma das maiores festas em que o povo peregrinava para Jerusalém, recordando o modo como Israel viveu no deserto após a libertação da escravidão no Egito. Durante a festa, os sacerdotes tiravam a água da piscina de Siloé para derramá-la sobre o altar e Jerusalém era iluminada por tochas acesas, especialmente no átrio do templo.

A narrativa joanina ressalta a água e a luz, que são símbolos batismais. O homem cego foi lavar-se nas águas da piscina de Siloé, cujo nome significa “Enviado”, um dos títulos messiânicos de Jesus. Na fonte batismal, somos lavados e recebemos a vida nova em Cristo. Para curar aquele homem, Jesus utiliza a terra e a saliva, formando o barro, que nos recorda a criação do ser humano, descrita pelo Gênesis. Mediante o batismo, somos recriados, pois nele ocorre um novo nascimento, uma nova criação.
A figura daquele cego representa cada um de nós. Somos levados à fonte batismal; nela, somos purificados e passamos a enxergar com a luz da fé, ao aceitar Jesus como “a luz do mundo” (Jo 8,12). O que foi curado da cegueira, ao encontrar-se com Jesus, exclamou: “Eu creio, Senhor!” (Jo 9,38). O texto nos mostra que para chegar a esta atitude, ele percorreu um itinerário de crescimento e purificação na fé, que se repete na vida de quem é conduzido à fonte batismal. Quando questionado sobre quem o havia curado, ele se referiu primeiramente “àquele homem chamado Jesus”, chamando-o depois de “profeta”, para finalmente prostrar-se diante dele numa atitude de fé e adoração, reconhecendo-o como o “Senhor”. 
O que se passa na celebração do batismo se estende ao longo da vida batismal. Renascidos pelo batismo e iluminados por Cristo, somos chamados a viver como “luz no Senhor”, como “filhos da luz”, renunciando às “obras das trevas” e produzindo os “frutos da luz” indicados por São Paulo: “bondade, justiça e verdade” (Ef 5,8-9). Para tanto, aproveite esta Quaresma para acolher a luz, que é Cristo, dedicando-se mais à oração e à escuta da Palavra. Busque o perdão e a reconciliação pelo sacramento da Penitência. Procure saber os horários das Confissões na sua Paróquia, especialmente os “mutirões” de atendimento programados para este Tempo Quaresmal.
Continuemos a vivenciar a Campanha da Fraternidade! Louvemos ao Criador pela beleza dos diversos biomas brasileiros, defendendo e preservando a natureza. No Distrito Federal, é necessário dar especial atenção ao Cerrado, nossa “casa comum”, dom do Criador a ser acolhido com gratidão e corresponsabilidade!

Folheto: O Povo de Deus - Arquidiocese de Brasília

sábado, 25 de março de 2017

Anunciação do Senhor, o “sim” de uma mulher que mudou a história

REDAÇÃO CENTRAL, 25 Mar. 17 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 25 de março, a Igreja celebra a Solenidade da Anunciação, recordando um fato que mudou a história da humanidade, quando Maria deu seu “sim” corajoso a Deus, concebendo desde aquele momento Jesus e tornando-se a protetora do Menino que um dia nasceria e salvaria o mundo.

“Disse-lhe o anjo: O Espírito Santo descerá sobre ti, e a força do Altíssimo te envolverá com a sua sombra. Por isso o ente santo que nascer de ti será chamado Filho de Deus. Também Isabel, tua parenta, até ela concebeu um filho na sua velhice; e já está no sexto mês aquela que é tida por estéril, porque a Deus nenhuma coisa é impossível. Então disse Maria: Eis aqui a serva do Senhor. Faça-se em mim segundo a tua palavra. E o anjo afastou-se dela” (Lc 1,35-38).
A Solenidade da Anunciação é celebrada nove meses antes do Natal. Ao analisar a história, pode-se perceber que não foi fácil para Maria. Ela estava comprometida com José e certamente esta decisão de conceber o Filho de Deus trouxe instabilidade.
Tanto que o justo José decidiu repudiá-la em segredo para que os dois não tivessem muitos problemas. Além disso, Maria era jovem e pobre, mas confiava na Providência de Deus.
Por isso, o Senhor interveio e o anjo falou a José em sonho e ele aceitou o plano de Deus, obtendo o privilégio de ser pai de Jesus na terra e de formar a Sagrada Família com Maria.
No Evangelho de hoje (Lc 1,26-38) se aprecia o diálogo do mensageiro de Deus com a Virgem. Não foi uma imposição, mas uma proposta à qual Maria poderia ter dito não. Mas, a “bendita entre todas as mulheres” aceitou e realizou-se o milagre da Encarnação do Filho de Deus.
Desde aquele momento, Maria teve Jesus em seu ventre, não aos três meses ou quando o embrião tinha forma humana, mas desde a concepção. Por isso, este é mais uma razão pela qual a Igreja defende o bebê desde o primeiro instante de vida.
Acidigital

sexta-feira, 24 de março de 2017

Protomártires de Natal serão canonizados: Igreja no Brasil em festa



Cidade do Vaticano (RV) - A Igreja no Brasil começou o dia 23 de março, recebendo uma grande notícia: em audiência concedida ao prefeito da Congregação das Causas dos Santos, Cardeal Angelo Amato, o Papa Francisco aprovou os votos favoráveis da Sessão Ordinária dos Cardeais e Bispos Membros da Congregação sobre a canonização dos protomártires do Brasil.
Trata-se dos seguintes Beatos: André de Soveral e Ambrósio Francisco Ferro, sacerdotes diocesanos, e Mateus Moreira e seus vinte e sete companheiros leigos, que em 1645, no Rio Grande do Norte, derramaram seu sangue por amor a Cristo.
Os chamados mártires de Cunhaú e Uruaçu foram beatificados no ano 2000. “Desde então o processo se intensificou e agora com esta aprovação do Santo Padre temos como certa a canonização”, disse, em entrevista concedida à colega Cristiane Murray, o arcebispo de Natal, Dom Jaime Vieira Rocha, que nos fala da alegria e júbilo com os quais a Igreja no Brasil, particularmente, a Igreja destes filhos do Rio Grande Norte, recebeu a alvissareira notícia:
“Devemos render graças a Deus e proclamar o belíssimo refrão do hino dos mártires: Mártires da fé, filhos do Rio Grande, homens e mulheres, jovens e meninos, pelo Bom Pastor deram o seu sangue. Nossa Igreja, em festa, canta os seus hinos. Então, nós estamos em festa com esta notícia, de muitas graças para a nossa Igreja. Podemos nos alegrar, render graças a Deus e convocar toda a nossa Igreja de Natal, do Brasil e do Rio Grande do Norte para esta grande ação de graças pela canonização dos nossos mártires. Desde 2000, quando foram beatificados, o processo se intensificou e agora, o Papa Francisco certamente, com muitas alegria, aprovando os votos da Congregação, teremos como certa a canonização. Isto para nós é motivo de alegria; que a intercessão dos nossos mártires pela nossa Igreja no Brasil, pela nossa Arquidiocese e por todo o povo de Deus seja um sinal de esperança, de testemunho, de convicção na vivencia da nossa fé. Eles são um exemplo porque deram a vida, derramaram o sangue, na vivência de sua fé”.
Em 16 de julho de 1645, o Pe. André de Soveral e outros 70 fiéis foram cruelmente mortos por 200 soldados holandeses e índios potiguares. Os fiéis estavam participando da missa dominical, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, no Engenho Cunhaú – no município de Canguaretama (RN). Em 03 de outubro de 1645, três meses depois, houve o massacre de Uruaçú. Padre Ambrósio Francisco Ferro foi torturado e o camoponês Mateus Moreira, morto.
Os invasores calvinistas não admitiam a prática da religião católica. 
(RL/CM)
Rádio Vaticano

quinta-feira, 23 de março de 2017

Do Tratado sobre a oração, de Tertuliano, presbítero

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(Cap.28-29: CCL 1,273-274)             (Séc. III)


O sacrifício espiritual
A oração é o sacrifício espiritual que aboliu os antigos sacrifícios. Que me importa a abundância de vossos sacrifícios? – diz o Senhor. Estou farto de holocaustos de carneiros e de gordura de animais cevados; do sangue de touros, de cordeiros e de bodes, não me agrado. Quem vos pediu estas coisas? (Is 1,11).
O Evangelho nos ensina o que pede o Senhor: Está chegando a hora, diz ele,em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. Deus é espírito (Jo 4,23.24), e por isso procura tais adoradores.
Nós somos verdadeiros adoradores e verdadeiros sacerdotes, quando, orando em espírito, oferecemos o sacrifício espiritual da oração, como oferenda digna e agradável a Deus, aquela que ele mesmo pediu e preparou.
Esta oferenda, apresentada de coração sincero, alimentada pela fé, preparada pela verdade, íntegra e inocente, casta e sem mancha, coroada pelo amor, é a que devemos levar ao altar de Deus, acompanhada pelo solene cortejo das boas obras, entre salmos e hinos; ela nos alcançará de Deus tudo o que pedimos.
Que poderia Deus negar à oração que procede do espírito e da verdade, se foi ele mesmo que assim exigiu? Todos nós lemos, ouvimos e acreditamos como são grandes os testemunhos da sua eficácia!
Nos tempos passados, a oração livrava do fogo, das feras e da fome; e no entanto ainda não havia recebido de Cristo toda a sua eficácia.
Quanto maior não será, portanto, a eficácia da oração cristã! Talvez não faça descer sobre as chamas o orvalho do Anjo, não feche a boca dos leões, não leve a refeição aos camponeses famintos, não impeça milagrosamente o sofrimento; mas vem em auxílio dos que suportam a dor com paciência, aumenta a graça aos que sofrem com fortaleza, para que vejam com os olhos da fé a recompensa do Senhor, reservada aos que sofrem pelo nome de Deus.
Outrora a oração fazia vir as pragas, derrotava os exércitos inimigos, impedia a chuva necessária. Agora, porém, a oração autêntica afasta a ira de Deus, vela pelo bem dos inimigos e roga pelos perseguidores. Será para admirar que faça cair do céu as águas, se conseguiu que de lá descessem as línguas de fogo? Só a oração vence a Deus. Mas Cristo não quis que ela servisse para fazer mal algum; quis antes que toda a eficácia que lhe deu fosse apenas para servir o bem.
Consequentemente, ela não tem outra finalidade senão tirar do caminho da morte as almas dos defuntos, robustecer os fracos, curar os enfermos, libertar os possessos, abrir as portas das prisões, romper os grilhões dos inocentes. Ela perdoa os pecados, afasta as tentações, faz cessar as perseguições, reconforta os de ânimo abatido, enche de alegria os generosos, conduz os peregrinos, acalma as tempestades, detém os ladrões, dá alimento aos pobres, ensina os ricos, levanta os que caíram, sustenta os que vacilam, confirma os que estão de pé.
Oram todos os anjos, ora toda criatura. Oram à sua maneira os animais domésticos e as feras, que dobramos joelhos. Saindo de seus estábulos ou de suas tocas, levantam os olhos para o céu e não abrem a boca em vão, fazendo vibrar o ar com seus gritos. Mesmo as aves quando levantam voo, elevam-se para o céu e, em lugar de mãos, estendem as asas em forma de cruz, dizendo algo semelhante a uma prece.
Que dizer ainda a respeito da oração? O próprio Senhor também orou; a ele honra e poder pelos séculos dos séculos.
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segunda-feira, 20 de março de 2017

São José, modelo de pai e esposo

REDAÇÃO CENTRAL, 19 Mar. 17 / 06:00 am (ACI).- São José teve o privilégio de ser esposo de Nossa Senhora, de criar o Filho de Deus e de ser a cabeça da Sagrada Família. É considerado patrono da Igreja Universal, de uma infinidade de comunidades religiosas e também da boa morte. A festa do santo mais próximo de Jesus e Maria se celebra neste dia 19 de março.

“José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo. Ela dará à luz um filho, a quem porás o nome de Jesus, porque ele salvará o seu povo de seus pecados” (Mt 1, 20-21), disse o anjo em sonhos ao “justo” São José.
São José é conhecido como o “santo do silêncio” porque não é conhecido por palavras pronunciadas por ele, mas sim por suas obras, sua fé e seu amor por Jesus e em seu santo matrimônio.
Conta a tradição que doze jovens pretendiam se casar com Maria e que cada um levava um bastão de madeira muito seca na mão. De repente, quando a Virgem tinha que escolher entre todos eles, o bastão de José milagrosamente floresceu. Por isso é representado com um ramo florescido.
Junto a Maria, São José também teve que sofrer a falta de pousada em Belém, ver o amor de sua vida dar à luz em um estábulo e ter de fugir ao Egito, como se fossem delinquentes, para que Herodes não matasse o menino. Mas, soube enfrentar tudo isto confiando na Providência de Deus.
Com seu ofício de carpinteiro, não pôde comprar os melhores presentes para seu filho Jesus ou garantir que recebesse a melhor educação, mas o tempo que dedicou para atendê-lo e ensinar-lhe sua profissão foram mais que suficientes para que o Senhor conhecesse o carinho de um pai, que também é capaz de deixar tudo para ir em busca do filho perdido.
O casto esposo de Maria é considerado também Patrono da boa morte porque teve a sorte de morrer acompanhado e consolado por Jesus e Nossa Senhora. Foi declarado Patrono da Igreja Universal pelo Papa Pio IX em 1847.
Uma das que mais propagou a devoção a São José foi Santa Teresa D’Ávila, que foi curada por sua intercessão de uma terrível enfermidade que quase a deixou paralisada e que era considerada incurável. A santa rezou com fé a São José e obteve a cura. Logo costumava repetir:
“Parece que outros santos têm especial poder para solucionar certos problemas. Mas, a São José, Deus concedeu um grande poder para ajudar em tudo”.
No final de sua vida, a santa carmelita ressaltou: “Durante 40 anos, a cada ano, na festa de São José, pedi uma graça ou favor especial e não me falhou nenhuma só vez. Eu digo aos que me escutam que façam o ensaio de rezar com fé a este grande santo e verão quão grandes frutos vão conseguir”.
Acidigital

Dos Sermões de São Bernardino de Sena, presbítero

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(Sermo 2, de S.Ioseph:Opera7,16.27-30)            (Séc.XV)


Guarda fiel e providente
É esta a regra geral de todas as graças especiais concedidas a qualquer criatura racional: quando a providência divina escolhe alguém para uma graça particular ou estado superior, também dá à pessoa assim escolhida todos os carismas necessários para o exercício de sua missão.
Isto verificou-se de forma eminente em São José, pai adotivo do Senhor Jesus Cristo e verdadeiro esposo da rainha do mundo e senhora dos anjos. Com efeito, ele foi escolhido pelo Pai eterno para ser o guarda fiel e providente dos seus maiores tesouros: o Filho de Deus e a Virgem Maria. E cumpriu com a máxima fidelidade sua missão. Eis por que o Senhor lhe disse:Servo bom e fiel! Vem participar da alegria do teu Senhor! (Mt 25,21).
Consideremos São José diante de toda a Igreja de Cristo: acaso não é ele o homem especialmente escolhido,por quem e sob cuja proteção se realizou a entrada de Cristo no mundo de modo digno e honesto? Se, portanto, toda a santa Igreja tem uma dívida para com a Virgem Mãe, por ter recebido a Cristo por meio dela, assim também, depois dela, deve a São José uma singular graça e reverência.
Ele encerra o Antigo Testamento; nele a dignidade dos patriarcas e dos profetas obtém o fruto prometido. Mas ele foi o único que realmente possuiu aquilo que a bondade divina lhes tinha prometido.
E não duvidemos que a familiaridade, o respeito e a sublimíssima dignidade que Cristo lhe tributou, enquanto procedeu na terra como um filho para com seu pai, certamente também nada disso lhe negou no céu, mas antes, completou e aperfeiçoou. Por isso, não é sem razão que o Senhor lhe declara: Vem participar da alegria do teu Senhor! Embora a alegria da felicidade eterna penetre no coração do homem, o Senhor preferiu dizer: Vem participar da alegria. Quis assim insinuar misteriosamente que a alegria não está só dentro dele, mas o envolve de todos os lados e o absorve e submerge como um abismo sem fim.
Lembrai-vos de nós, São José, e intercedei com vossas orações junto de vosso Filho adotivo; tornai-nos também propícia vossa Esposa, a santíssima Virgem, mãe daquele que vive e reina com o Pai e o Espírito Santo pelos séculos sem fim. Amém.
www.liturgiadashoras.org

domingo, 19 de março de 2017

Vida no Seminário R. Mater

Terceiro Domingo da Quaresma

REDAÇÃO CENTRAL, 19 Mar. 17 / 05:00 am (ACI).- Neste dia 19 de março, a Igreja celebra o terceiro Domingo da Quaresma. O Evangelho de hoje corresponde à leitura de João 4,5-15.19b-26.39a.40-42, que traz a passagem da samaritana, a quem o próprio Jesus se mostra como fonte de água viva.

A seguir, leia e reflita o Evangelho deste terceiro domingo da Quaresma:
Jo 4,5-15.19b-26.39a.40-42
Naquele tempo, Jesus chegou a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto do terreno que Jacó tinha dado ao seu filho José. Era aí que ficava o poço de Jacó. Cansado da viagem, Jesus sentou-se junto ao poço. Era por volta de meio-dia. Chegou uma mulher de Samaria para tirar água. Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”.
Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato, os judeus não se dão com os samaritanos.
Respondeu-lhe Jesus: “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva”.
A mulher disse a Jesus: “Senhor, nem sequer tens balde e o poço é fundo. De onde vais tirar água viva? Por acaso, és maior que nosso pai Jacó, que nos deu o poço e que dele bebeu, como também seus filhos e seus animais?”
Respondeu Jesus: “Todo aquele que bebe desta água terá sede de novo. 
Mas quem beber da água que eu lhe darei, esse nunca mais terá sede. E a água que eu lhe der se tornará nele uma fonte de água que jorra para a vida eterna”.
A mulher disse a Jesus: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la”. “Senhor, vejo que és um profeta!” Os nossos pais adoraram neste monte, mas vós dizeis que em Jerusalém é que se deve adorar”.
Disse-lhe Jesus: “Acredita-me, mulher: está chegando a hora em que nem neste monte, nem em Jerusalém adorareis o Pai. Vós adorais o que não conheceis. Nós adoramos o que conhecemos, pois a salvação vem dos judeus.
Mas está chegando a hora, e é agora, em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade. De fato, estes são os adoradores que o Pai procura. Deus é espírito, e aqueles que o adoram devem adorá-lo em espírito e verdade”.
A mulher disse a Jesus: “Sei que o Messias (que se chama Cristo) vai chegar. Quando ele vier, vai nos fazer conhecer todas as coisas”. Disse-lhe Jesus: “Sou eu, que estou falando contigo”.
Muitos samaritanos daquela cidade abraçaram a fé em Jesus. Por isso, os samaritanos vieram ao encontro de Jesus e pediram que permanecesse com eles. Jesus permaneceu aí dois dias. E muitos outros creram por causa da sua palavra. E disseram à mulher: “Já não cremos por causa das tuas palavras, pois nós mesmos ouvimos e sabemos que este é verdadeiramente o salvador do mundo”.
Acidigital

Dos Tratados sobre o Evangelho de São João, de Santo Agostinho, bispo


(Tract.15,10-12.16-17:CCL 36,154-156)            (Séc.V)

Veio uma mulher da Samaria para tirar água
Veio uma mulher. Esta mulher é figura da Igreja, ainda não justificada, mas já a caminho da justificação. É disso que iremos tratar.
A mulher veio sem saber o que ali a esperava; encontrou Jesus, e Jesus dirigiu-lhe a palavra. Vejamos o fato e a razão por que veio uma mulher da Samaria para tirar água (Jo 4,7). Os samaritanos não pertenciam ao povo judeu; não eram do povo escolhido. Faz parte do simbolismo da narração que esta mulher, figura da Igreja, tenha vindo de um povo estrangeiro; porque a Igreja viria dos pagãos, dos que não pertenciam à raça judaica.
Ouçamos, portanto, a nós mesmos nas palavras desta mulher, reconheçamo-nos nela e nela demos graças a Deus por nós. Ela era uma figura, não a realidade; começou por ser figura, e tornou-se realidade. Pois acreditou naquele que queria torná-la uma figura de nós mesmos. Veio para tirar água. Viera simplesmente para tirar água, como costumam fazer os homens e as mulheres.
Jesus lhe disse: “Dá-me de beber”. Os discípulos tinham ido à cidade para comprar alimentos. A mulher samaritana disse então a Jesus: “Como é que tu, sendo judeu, pedes de beber a mim, que sou uma mulher samaritana?” De fato os judeus não se dão com os samaritanos (Jo 4,7-9.)
Estais vendo que são estrangeiros. Os judeus de modo algum se serviam dos cântaros dos samaritanos. Como a mulher trazia consigo um cântaro para tirar água, admirou-se que um judeu lhe pedisse de beber, pois os judeus não costumavam fazer isso. Mas aquele que pedia de beber tinha sede da fé daquela mulher.
Escuta agora quem pede de beber. Respondeu-lhe Jesus? “Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’, tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva (Jo 4,10).
Pede de beber e promete dar de beber. Apresenta-se como necessitado que espera receber, mas possui em abundância para saciar os outros. Se tu conhecesses o dom de Deus, diz ele. O dom de Deus é o Espírito Santo. Jesus fala ainda veladamente à mulher, mas pouco a pouco entra em seu coração, e vai lhe ensinando. Que haverá de mais suave e bondoso que esta exortação? Se tu conhecesses o dom de Deus e quem é que te pede: ‘Dá-me de beber’,tu mesma lhe pedirias a ele, e ele te daria água viva.
Que água lhe daria ele, senão aquela da qual está escrito: Em vós está a fonte da vida? (Sl 35,10). Pois como podem ter sede os que vêm saciar-se na abundância de vossa morada? (Sl 35,9).
O Senhor prometia à mulher um alimento forte, prometia saciá-la com o Espírito Santo. Mas ela ainda não compreendia. E, na sua incompreensão, que respondeu? Disse-lhe então a mulher: “Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede e nem tenha de vir aqui para tirá-la” (Jo 4,15). A necessidade a obrigava a trabalhar, mas sua fraqueza recusava o trabalho. Se ao menos ela tivesse ouvido aquelas palavras: Vinde a mim todos vós que estais cansados e fatigados sob o peso dos vossos fardos e eu vos darei descanso! (Mt 11,28). Jesus dizia-lhe tudo aquilo para que não se cansasse mais; ela, porém, ainda não compreendia.
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3° Domingo da Quaresma: Jesus, Água Viva!


+ Sergio da Rocha

Cardeal Arcebispo de Brasília

A Quaresma tem sido, desde as origens, um tempo batismal por excelência, marcado pela preparação dos catecúmenos para o Batismo e pela renovação das promessas batismais de toda a Igreja na Páscoa. A Liturgia da Palavra dos domingos da Quaresma serve de itinerário catequético para os que se preparam para o Batismo e para os que renovam a vida batismal. Por isso, o tema da água, proposto pela Liturgia deste domingo, adquire um sentido ainda maior pelo seu caráter batismal.

O Êxodo fala da água que Moisés fez brotar da rocha, na difícil travessia do povo pelo deserto rumo à nova terra. O povo purificou e amadureceu a sua fé atravessando o deserto. No deserto, chegou a duvidar da presença de Deus, conforme o final do texto proclamado: “O Senhor está no meio de nós ou não?” (Ex 17,7). Entretanto, no deserto, o povo experimentou a misericórdia e o poder de Deus, como demonstra o episódio da água que brota da rocha. Deus caminha com o seu povo na travessia do deserto, saciando a sua sede.
Nós somos o novo Povo de Deus que necessita de água para saciar a sede, especialmente quando passamos por situações de deserto representadas por provações, pelo cansaço e pela aridez. A falta d’água, enquanto recurso natural, já traz transtornos e sofrimento. A falta da água viva, que é Jesus, traz problemas ainda maiores. Contudo, se os recursos naturais se esgotam pelo descaso, destruição e desperdício, a fonte sobrenatural de água permanece abundante para saciar a nossa sede de vida. O diálogo de Jesus com a mulher samaritana ocorre à beira do poço, que foi do patriarca Jacó, por volta do meio dia, sob o sol forte e o calor. Jesus aproveita aquele momento para falar de outra sede e de outra água: “quem beber da água que eu lhe der, nunca mais terá sede” (Jo 4,14). No diálogo, Jesus se revela como a fonte da água viva. Mais tarde, ele dirá: “se alguém tiver sede, venha a mim e beba” (Jo 7,37). Assim como a samaritana, nós também somos convidados a pedir a Jesus, nesta Quaresma: “Senhor, dá-me dessa água” (Jo 4,15).
Uma vez saciados, não podemos reter essa água. Quem a recebe deve ser portador dessa boa nova, a fim de que outros também possam abraçar a fé em Cristo, como ocorreu com a samaritana. “Muitos creram por causa da sua palavra”, afirma o texto joanino. Por isso, nesta Quaresma, beba da fonte da água que sacia a nossa sede de vida plena, que é Cristo, e ajude outros a fazerem a mesma experiência.
Recordo a todos que a solenidade de S. José, por coincidir com um domingo da Quaresma, neste ano, é transferida para o dia seguinte, em toda a Igreja; portanto, será celebrada na segunda feira, dia 20.

Folheto: O Povo de Deus - Arquidiocese de Brasília

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF