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sábado, 24 de fevereiro de 2018

2º Domingo da Quaresma: Escutar a Jesus para superar a violência

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

A Liturgia da Palavra nos convida a escutar Jesus Cristo nesta Quaresma, tempo especial de conversão em preparação para a Páscoa. No centro da passagem da Transfiguração, hoje proclamada, encontra-se o convite do Pai para escutar a voz de Jesus Cristo. “Este é o meu Filho amado; escutai o que Ele diz!” (Mc 9,7). Esta é a atitude fundamental a ser cultivada nesta Quaresma: escutar a voz do Filho Amado! Este é o caminho para que a “transfiguração” aconteça na vida das pessoas, das famílias e da sociedade, tantas vezes, desfiguradas pelas situações de pecado e violência que se abatem sobre tantos.
Escutar a voz de Jesus implica em viver no amor fraterno. A Quaresma deve ser vivida através da caridade, como nos ensina a Igreja. Dentre os principais meios de vivência do amor ao próximo, na Quaresma, está a Campanha da Fraternidade, promovida pela Igreja no Brasil. Ela é um meio especial para a conversão e a verdadeira caridade. “Vós sois todos irmãos” (cf. Mt 23,8) é o lema que inspira a Campanha deste ano, que pretende contribuir para superar a violência e promover a paz.
É tempo de refletir e rezar considerando a gravidade do problema da violência, com suas múltiplas facetas e suas variadas causas. Muitas iniciativas podem ser desenvolvidas, de cunho pessoal, comunitário e social, com a ação dos órgãos públicos e de organizações da sociedade civil. Cada um pode dar sua contribuição para superar a violência e construir a fraternidade e a paz nos ambientes em que vive: nas famílias, nos locais de trabalho, nas escolas, nas ruas e, de modo especial, nas redes sociais. É lamentável a agressividade crescente compartilhada e alimentada por muitos católicos nas redes sociais. Diga não à violência nas redes sociais! Não compartilhe conteúdos ofensivos e desrespeitosos. Não participe de grupos de whatsapp ou de outras redes sociais que disseminam fofocas, fazem linchamento moral e críticas destrutivas, atingindo até mesmo a própria Igreja. É lamentável que haja pessoas ou grupos que se dizem cristãos ou católicos recorrendo à violência para fazer valer a sua opinião e interesses. É pecado grave usar o nome de Deus ou qualquer religião para praticar ou justificar a violência. Quem escuta a voz de Jesus Cristo não alimenta, nem reproduz a violência disseminada na sociedade. Ao contrário, contribui para a paz, através do respeito e do diálogo, da misericórdia e do perdão. Quem escuta a voz de Jesus testemunha a sua palavra “vós sois todos irmãos”, jamais tratando o outro que pensa diferente como um inimigo a ser combatido, mas como um irmão a ser amado, se necessário com a correção fraterna e o perdão. A paz é dom de Deus a ser compartilhado nesta Quaresma.
Arquidiocese de Brasília

domingo, 18 de fevereiro de 2018

PRIMEIRO DOMINGO DA QUARESMA 2018

PARÓQUIA NOSSA SENHORA DAS GRAÇAS

1º Domingo da Quaresma: Tempo de Conversão e Fraternidade

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília

No início deste tempo litúrgico da Quaresma, a Igreja proclama a Palavra de Jesus: “Convertei-vos e crede no Evangelho” (Mc 1,15). Quaresma é tempo especial de conversão em preparação para a Páscoa da Ressurreição do Senhor. “Conversão” implica em dar novo rumo à vida, voltar o coração para Deus e para o próximo. Por isso, na Quarta Feira de Cinzas já ouvimos o convite de Jesus à conversão, ao receber as cinzas. A conversão deve ser vivida através da oração, da penitência e da caridade. A cor litúrgica roxa utilizada no Tempo Quaresmal tem significado penitencial; quer ser sinal e recordação de penitência e conversão. O esforço para superação do pecado, sustentado pela graça de Deus, e a busca de crescimento na vida cristã exigem renúncias.
Quaresma é tempo de perdão e de reconciliação para alcançar a vida nova em Cristo, dom do Ressuscitado ofertado a todos nós. Por isso, é muito importante, no período quaresmal, buscar o perdão de Deus através do Sacramento da Reconciliação, assim como, oferecer o perdão aos irmãos.
A liturgia dos domingos da Quaresma nos oferece um itinerário de catequese batismal, preparando para o batismo ou para a renovação da vida batismal, na noite pascal. Na liturgia de hoje, a referência ao batismo se encontra especialmente na Primeira Carta de Pedro, que faz alusão à arca de Noé, recordada na primeira leitura (Gn 9,8-15). Assim explica esse escrito do Novo Testamento: “À arca corresponde o batismo, que hoje é a vossa salvação” (1Pd 3,21).
A vida nova batismal exige vigilância e combate contra o pecado. O Evangelho (Mc 1,12-15) nos apresenta o episódio das tentações de Jesus no deserto, fazendo-nos pensar nas tentações presentes no mundo de hoje e trazendo-nos a certeza da vitória de Cristo sobre Satanás.  Jesus venceu; com ele, os que lutam contra as tentações também vencerão.
Uma das principais expressões de vivência do amor fraterno, no Tempo Quaresmal, é a Campanha da Fraternidade, promovida pela Igreja no Brasil. A Campanha da Fraternidade está intimamente relacionada à Quaresma, embora deva ser vivida além dela. Ela é um meio especial para a conversão e o amor fraterno. Neste ano, o tema é “Fraternidade e Superação da Violência” e o lema é: “Vós sois todos irmãos” (cf Mt 23,8). Este tema, iluminado pela Palavra de Deus, interpela a todos nós, motivando-nos a dar a nossa contribuição para construirmos a fraternidade e a paz nos diversos ambientes em que vivemos. 
Arquidiocese de Brasília

quinta-feira, 15 de fevereiro de 2018

Eis o tempo de conversão

Redação (Quinta-feira, 15-02-2018, Gaudium PressPara a Quaresma, o Concílio Ecumênico Vaticano II prescreveu o seguinte: "A dupla índole do tempo quaresmal, que, principalmente pela lembrança ou preparação do batismo e pela penitência, fazendo os fiéis ouvirem com mais frequência a palavra de Deus e entregarem-se à oração, os dispõe à celebração do mistério pascal. Por isso: a) utilizem-se com mais abundância os elementos batismais próprios da liturgia quaresmal; segundo as circunstâncias, restaurem-se certos elementos da tradição anterior; b) o mesmo diga-se dos elementos penitenciais" (SC 109).
O tempo da Quaresma tem por finalidade preparar a Páscoa renovando a vida cristã do povo de Deus: a liturgia quaresmal conduz à celebração do mistério pascal seja os catecúmenos, através dos diversos graus da iniciação cristã, seja os fiéis, mediante a lembrança do batismo e da penitência.
A Quaresma, tempo forte de conversão na perspectiva da Páscoa de Nosso Senhor Jesus Cristo. Como outrora, o povo de Deus caminhou 40 anos no deserto, rumo à Terra prometida (Terra de Canaã) e Jesus que se retirou 40 dias no deserto, preparando sua paixão, morte e ressurreição, assim os cristãos hoje, acompanham os passos do Divino salvador, preparando devotamente a santa Páscoa. Iremos viver os abençoados 40 dias de conversão, penitência, esmola e jejum com sinais concretos de busca do essencial de nossas vidas.
A Quaresma é o tempo da grande convocação de toda a Igreja para que se deixe purificar por Cristo, seu esposo. Nesse sentido, é significativa a leitura do profeta Joel (2,12-18) na Quarta-feira de Cinzas. Enquanto Cristo, santo, inocente, sem mancha (Hb 7,26), não conheceu o pecado (2 Cor 5,21) e veio para expiar os pecados do povo (Hb 2,17), a Igreja, que traz pecadores em seu seio, que é santa, mas sempre necessitada de purificação, nunca deixa, sobretudo neste tempo, de fazer penitência e de se renovar (LG 8).
Durante a Quaresma, toda a Igreja também é chamada, enquanto povo sacerdotal e sacramento de salvação, a empenhar-se, de maneiras diferentes, na obra da reconciliação, que lhe foi confiada pelo Senhor. A Igreja não só chama os homens à penitência mediante o anúncio do evangelho, mas intercede também pelos pecadores. Ela se torna instrumento de conversão e de perdão, sobretudo no sacramento da penitência.
A Espiritualidade Quaresmal é caracterizada pela: Escuta da palavra de Deus: A Palavra de Deus é luz que ilumina nossos passos, chama à conversão e reanima nossa confiança na misericórdia e bondade de Deus. Vamos ouvir o que Deus quer nos dizer nesta quaresma através de Sua Palavra!
Oração: Na quaresma devemos intensificar a vida de oração pessoal e comunitária. Lembramos a via-sacra em família, como momento forte de oração comunitária. Pela oração entramos em sintonia e intimidade com Deus e discernimos sua vontade. Temos também a oportunidade da Lectio divina em nossas pequenas comunidades deixando-nos iluminar e alimentar pela Palavra do Senhor que nos conduz a oração.
Jejum: O jejum e a abstinência são gestos exteriores que expressam nosso esforço de abertura à conversão e mudança interior. Porquanto, a Quaresma é tempo de retomar o caminho do Evangelho, de renovação espiritual, de morte ao pecado e de cultivo da vida nova ou vida da graça.
Caridade: na quaresma somos chamados ao exercício da caridade fraterna e solidariedade com os irmãos. Caridade que se expressa, sobretudo, através da esmola. A esmola é um exercício de libertação do egoísmo. A partilha dos bens materiais é um gesto de caridade cristã que enobrece a alma humana. Porém, dar esmola não é apenas dar dinheiro, roupas e alimentos... É fazer-se doação e entrega aos irmãos no serviço de construção da fraternidade que é expressão do evangelho. Por isso, a Igreja no Brasil promove neste período a Campanha da Fraternidade. A CF é um grande chamamento e mobilização em favor de uma sociedade fraterna, justa e solidária. Neste ano temos como tema: Fraternidade e superação da violência, e como lema: Vós sois todos irmãos. (Mt 23,8)
A pastoral deverá se empenhar antes de tudo na valorização plena da Quaresma litúrgica, que será celebrada "mediante os ritos e orações" em seu significado essencial para vida dos indivíduos e das comunidades. Tal ação pastoral concentrará todo o seu esforço em fazer com que a Quaresma seja orientada à celebração da Páscoa, não reduzida a uma confissão e a uma comunhão, mas como participação no mistério de Cristo morto-sepultado-ressuscitado, que é celebrado no Tríduo pascal, tendo como ápice a vigília do sábado à noite.
Por Cardeal Orani João Tempesta, Arcebispo da Arquidiocese de São Sebastião do Rio de Janeiro.


Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/93159#ixzz57EH7EgTQ
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte. 

segunda-feira, 12 de fevereiro de 2018

Dos Sermões de São Bernardo, abade

(Sermo dediversis15:PL 183,577-579)             (Séc.XII)

A busca da sabedoria
Trabalhemos pelo alimento que não se perde. Trabalhemos na obra de nossa salvação. Trabalhemos na vinha do Senhor, para merecermos receber o salário de cada dia. Trabalhemos na sabedoria, pois esta diz: Quem trabalha em mim, não pecará. O campo é o mundo, diz a Verdade. Cavemos nele, pois aí está um tesouro escondido. Vamos desenterrá-lo! É assim a sabedoria, que se extrai de coisas ocultas. Todos nós a buscamos, todos nós a desejamos.
Foi dito: se quereis procurá-la, procurai. Convertei-vos e vinde! Queres saber do que te converter? Afasta-te de tuas vontades. Mas se não encontro em minhas vontades, onde então encontrarei a sabedoria? Minha alma deseja-a ardentemente; se vier a encontrá-la, isto não me basta. Cumpre pôr em meu seio uma medida boa, apertada, sacudida e transbordante. Tens razão. Feliz é o homem que encontra a sabedoria e que está cheio de prudência. Procura-a, pois, enquanto podes encontrá-la; e enquanto está perto, chama-a!
Queres saber como está perto a sabedoria? Perto está a palavra, no teu coração e na tua boca; mas somente se a procurares de coração reto. No coração encontrarás a sabedoria, e a prudência fluirá de teus lábios. Cuida, porém, de tê-la em abundância e que não te escape como num vômito.
Na verdade, se encontraste a sabedoria, encontraste mel. Não comas demasiado, para que, saciado, não o vomites. Come de modo a sempre teres fome. A própria sabedoria o diz: Aqueles que me comem, ainda têm fome. Não julgues já teres muito. Não te sacies para que não vomites e te seja retirado aquilo que pareces possuir, por teres desistido de procurar antes do tempo. Pelo fato de a sabedoria poder ser encontrada enquanto está perto, não se deve deixar de buscá-la e invocá-la. De outro modo, como disse ainda Salomão: assim como não faz bem a alguém tomar o mel em demasia, assim quem perscruta a majestade, sente-se oprimido pela glória.
Feliz o homem que encontra a sabedoria. Feliz, ou, antes, muito mais feliz quem mora na sabedoria. Talvez Salomão queira aqui significar a superabundância. São três as razões de fluírem em tua boca a sabedoria e a prudência: se houver nos lábios primeiro a confissão da própria iniquidade; segundo a ação de graças e o canto de louvor; terceiro a palavra de edificação. Na verdade pelo coração se crê para a justiça, pela boca se confessa para a salvação. De fato, começando a falar, o justo se acusa. Depois, engrandece ao Senhor. Em terceiro, se até este ponto transborda a sabedoria, deve edificar o próximo.
www.liturgiadashoras.org

Santa Eulália, menina mártir espanhola dos primeiros séculos

REDAÇÃO CENTRAL, 12 Fev. 18 / 04:00 am (ACI).- A Igreja celebra neste dia 12 de fevereiro Santa Eulália, uma mártir da Igreja que nasceu em Mérida (Espanha) no final do século III e que morreu aos 12 anos, depois de ser torturada por se recusar e renegar sua fé cristã.

Naquela época, um decreto emitido pelo imperador Diocleciano proibia os católicos de cultuar Jesus Cristo e exigia que adorassem ídolos pagãos. Precisamente no “Martirológio romano”, onde se encontra uma lista muito antiga dos mártires da Igreja, há uma frase que diz: “em 12 de fevereiro comemora-se Santa Eulália, mártir da Espanha, morta por proclamar sua fé em Jesus Cristo”.
A mártir se tornou prontamente uma das santas mais famosas da Espanha e hoje ostenta o título de prefeita perpétua de Mérida e padroeira desta cidade.
Os dados sobre sua vida e sua morte se encontram em um hino feito em sua honra pelo poeta Prudencio no século IV.
Neste poema, narra como Eulália decidiu protestar ante o governador Daciano contra as leis que proibiam o cristianismo. Do mesmo modo, conta os terríveis métodos de tortura empregados contra ela.
Eulália foi levada à prisão, acorrentaram-na, rasgaram com ganchos seus seios, ombros, todo seu corpo virginal.
Mas, com grande paz e alegria, dizia: “Veja Senhor, que escrevem teu nome em meu corpo. Quão agradável é ler estas letras que assinalam a vitória de Jesus Cristo, que o meu sangue proclame o teu nome!”.
Como último tormento, queimaram-na com tochas acesas. A tradição assinala que seus carrascos viram uma pomba branca sair de sua boca e voar para o céu.
ACI Digital

domingo, 11 de fevereiro de 2018

6º Domingo do Tempo Comum: Jesus e o Leproso

                   + Sergio da Rocha
          Cardeal Arcebispo de Brasília

Temos muito a meditar e a aprender com o episódio da cura do leproso narrado pelo Evangelho segundo Marcos (Mc 1,40-45).  Jesus nos ensina a compaixão e a solidariedade com os que sofrem, a amar os que não são amados, a nos aproximar deles com o coração e os braços abertos, com as mãos solidárias estendidas. Marcos descreve a atitude de Jesus diante do leproso, recorrendo às expressões: “cheio de compaixão”, “estendeu a mão” e “tocou nele” (Mc 1,41). Jesus permite que o leproso se aproxime dele e, em resposta, estende a mão e toca aquele homem. No contexto social e religioso daquele tempo, os leprosos eram intocáveis, totalmente excluídos do convívio social. Com Jesus, um novo tempo começou, uma nova vida chegou para quem era considerado impuro e intocável. A atitude de Jesus Cristo exprime o seu poder de curar o homem por inteiro e, ao mesmo tempo, a sua compaixão pelos que sofrem, trazendo-lhes vida nova.
O leproso nos ensina a caminhar ao encontro de Jesus, com fé, e a buscar a sua misericórdia; a nele crer, confiar e esperar! Com ele, aprendemos também a compartilhar a experiência do encontro com Cristo, fonte de vida nova. A sua atitude, em meio a tanto sofrimento, revela a sua humildade e a sua confiança em Jesus Cristo. Ele “chegou perto” de Jesus, colocou-se “de joelhos”, expressando o reconhecimento de que Jesus poderia libertá-lo daquela triste condição. Ele demonstra a fé em Cristo, confiando no seu poder e na sua misericórdia. Ao divulgar o fato ocorrido, o homem curado leva gente de toda parte a procurar Jesus, mostrando-nos a importância do testemunho cristão.
Na Primeira Carta aos Coríntios, São Paulo nos exorta a “fazer tudo para a glória de Deus” (1Cor 10,32), citando como exemplos, o comer e o beber, atos rotineiros que ficam, muitas vezes, à margem da vida cristã. Além disso, o Apóstolo nos dá o exemplo de tudo fazer em vista do bem de todos, “a fim de que todos sejam salvos” (1Cor 10,33).
Com o Salmo 32, nós reconhecemos a grandeza do amor de Deus, a alegria de ser perdoado e de encontrar nele o nosso refúgio. Nestes dias em que muitos procuram a alegria sem Deus, possamos testemunhar a alegria que vem de Deus!
Estamos para iniciar a Quaresma, tempo privilegiado de oração e penitência, de misericórdia e fraternidade, de perdão e reconciliação. Inicie bem a Quaresma participando da missa da Quarta feira de Cinzas, que continua a ser dia de jejum e abstinência.
Arquidiocese de Brasília

Dia Mundial do Doente

Papa com um enfermo. Foto: Vatican Media
VATICANO, 11 Fev. 18 / 06:00 am (ACI).- Todos os anos, em 11 de fevereiro, festa de Nossa Senhora de Lourdes, a Igreja em todo o mundo celebra o Dia Mundial do Doente, para o qual é publicada uma mensagem pelo Pontífice.
O Dia Mundial do Doente foi estabelecido por São João Paulo II em 1992 e celebrado pela primeira vez em Lourdes, na França, em 11 de fevereiro de 1993. De fato, este Dia é celebrado de forma especial nesse importante santuário mariano.
A mensagem do Papa Francisco para esta 26ª edição da data foi divulgado pela Santa Sé em dezembro de 2017 e tem como tema “Mater Ecclesiae: ‘Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!’ E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua”.
No texto, o Pontífice assegura que “a imagem da Igreja como ‘hospital de campo’, acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, em algumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população”.
Confira a mensagem completa do Papa Francisco para o Dia Mundial do Doente deste ano, divulgada em dezembro:
Mater Ecclesiae: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!”
E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-a como sua» (Jo 19, 26-27)
Queridos irmãos e irmãs!
O serviço da Igreja aos doentes e a quantos cuidam deles deve continuar, com vigor sempre renovado, por fidelidade ao mandato do Senhor (cf. Lc 9, 2-6, Mt 10, 1-8; Mc 6, 7-13) e seguindo o exemplo muito eloquente do seu Fundador e Mestre.
Este ano, o tema do Dia do Doente é tomado das palavras que Jesus, do alto da cruz, dirige a Maria, sua mãe, e a João: «“Eis o teu filho! (…) Eis a tua mãe!” E, desde aquela hora, o discípulo acolheu-A como sua» (Jo 19, 26-27).
1. Estas palavras do Senhor iluminam profundamente o mistério da Cruz. Esta não representa uma tragédia sem esperança, mas o lugar onde Jesus mostra a sua glória e deixa amorosamente as suas últimas vontades, que se tornam regras constitutivas da comunidade cristã e da vida de cada discípulo.
Em primeiro lugar, as palavras de Jesus dão origem à vocação materna de Maria em relação a toda a humanidade. Será, de uma forma particular, a mãe dos discípulos do seu Filho e cuidará deles e do seu caminho. E, como sabemos, o cuidado materno dum filho ou duma filha engloba tanto os aspetos materiais como os espirituais da sua educação.
O sofrimento indescritível da cruz trespassa a alma de Maria (cf. Lc 2, 35), mas não a paralisa. Pelo contrário, lá começa para Ela um novo caminho de doação, como Mãe do Senhor. Na cruz, Jesus preocupa-Se com a Igreja e toda a humanidade, e Maria é chamada a partilhar esta mesma preocupação. Os Atos dos Apóstolos, ao descrever a grande efusão do Espírito Santo no Pentecostes, mostram-nos que Maria começou a desempenhar a sua tarefa na primeira comunidade da Igreja. Uma tarefa que não mais terá fim.
2. O discípulo João, o amado, representa a Igreja, povo messiânico. Ele deve reconhecer Maria como sua própria mãe. E, neste reconhecimento, é chamado a recebê-La, contemplar n’Ela o modelo do discipulado e também a vocação materna que Jesus Lhe confiou incluindo as preocupações e os projetos que isso implica: a Mãe que ama e gera filhos capazes de amar segundo o mandamento de Jesus. Por isso a vocação materna de Maria, a vocação de cuidar dos seus filhos, passa para João e toda a Igreja. Toda a comunidade dos discípulos fica envolvida na vocação materna de Maria.
3. João, como discípulo que partilhou tudo com Jesus, sabe que o Mestre quer conduzir todos os homens ao encontro do Pai. Pode testemunhar que Jesus encontrou muitas pessoas doentes no espírito, porque cheias de orgulho (cf. Jo 8, 31-39), e doentes no corpo (cf. Jo 5, 6). A todos, concedeu misericórdia e perdão e, aos doentes, também a cura física, sinal da vida abundante do Reino, onde se enxugam todas as lágrimas. Como Maria, os discípulos são chamados a cuidar uns dos outros; mas não só: eles sabem que o Coração de Jesus está aberto a todos, sem exclusão. A todos deve ser anunciado o Evangelho do Reino, e a caridade dos cristãos deve estender-se a todos quantos passam necessidade, simplesmente porque são pessoas, filhos de Deus.
4. Esta vocação materna da Igreja para com as pessoas necessitadas e os doentes concretizou-se, ao longo da sua história bimilenária, numa série riquíssima de iniciativas a favor dos enfermos. Esta história de dedicação não deve ser esquecida. Continua ainda hoje, em todo o mundo. Nos países onde existem sistemas de saúde pública suficientes, o trabalho das congregações católicas, das dioceses e dos seus hospitais, além de fornecer cuidados médicos de qualidade, procura colocar a pessoa humana no centro do processo terapêutico e desenvolve a pesquisa científica no respeito da vida e dos valores morais cristãos. Nos países onde os sistemas de saúde são insuficientes ou inexistentes, a Igreja esforça-se por oferecer às pessoas o máximo possível de cuidados da saúde, por eliminar a mortalidade infantil e debelar algumas pandemias. Em todo o lado, ela procura cuidar, mesmo quando não é capaz de curar. A imagem da Igreja como «hospital de campo», acolhedora de todos os que são feridos pela vida, é uma realidade muito concreta, porque, nalgumas partes do mundo, os hospitais dos missionários e das dioceses são os únicos que fornecem os cuidados necessários à população.
5. A memória da longa história de serviço aos doentes é motivo de alegria para a comunidade cristã e, de modo particular, para aqueles que atualmente desempenham esse serviço. Mas é preciso olhar o passado sobretudo para com ele nos enriquecermos. Dele devemos aprender: a generosidade até ao sacrifício total de muitos fundadores de institutos ao serviço dos enfermos; a criatividade, sugerida pela caridade, de muitas iniciativas empreendidas ao longo dos séculos; o empenho na pesquisa científica, para oferecer aos doentes cuidados inovadores e fiáveis. Esta herança do passado ajuda a projetar bem o futuro. Por exemplo, a preservar os hospitais católicos do risco duma mentalidade empresarial, que em todo o mundo quer colocar o tratamento da saúde no contexto do mercado, acabando por descartar os pobres. Ao contrário, a inteligência organizativa e a caridade exigem que a pessoa do doente seja respeitada na sua dignidade e sempre colocada no centro do processo de tratamento. Estas orientações devem ser assumidas também pelos cristãos que trabalham nas estruturas públicas, onde são chamados a dar, através do seu serviço, bom testemunho do Evangelho.
6. Jesus deixou, como dom à Igreja, o seu poder de curar: «Estes sinais acompanharão aqueles que acreditarem: (...) hão de impor as mãos aos doentes e eles ficarão curados» (Mc 16, 17.18). Nos Atos dos Apóstolos, lemos a descrição das curas realizadas por Pedro (cf. At 3, 4-8) e por Paulo (cf. At 14, 8-11). Ao dom de Jesus corresponde o dever da Igreja, bem ciente de que deve pousar, sobre os doentes, o mesmo olhar rico de ternura e compaixão do seu Senhor. A pastoral da saúde permanece e sempre permanecerá um dever necessário e essencial, que se há de viver com um ímpeto renovado começando pelas comunidades paroquiais até aos centros de tratamento de excelência. Não podemos esquecer aqui a ternura e a perseverança com que muitas famílias acompanham os seus filhos, pais e parentes, doentes crónicos ou gravemente incapacitados. Os cuidados prestados em família são um testemunho extraordinário de amor pela pessoa humana e devem ser apoiados com o reconhecimento devido e políticas adequadas. Portanto, médicos e enfermeiros, sacerdotes, consagrados e voluntários, familiares e todos aqueles que se empenham no cuidado dos doentes, participam nesta missão eclesial. É uma responsabilidade compartilhada, que enriquece o valor do serviço diário de cada um.
7. A Maria, Mãe da ternura, queremos confiar todos os doentes no corpo e no espírito, para que os sustente na esperança. A Ela pedimos também que nos ajude a ser acolhedores para com os irmãos enfermos. A Igreja sabe que precisa duma graça especial para conseguir fazer frente ao seu serviço evangélico de cuidar dos doentes. Por isso, unamo-nos todos numa súplica insistente elevada à Mãe do Senhor, para que cada membro da Igreja viva com amor a vocação ao serviço da vida e da saúde. A Virgem Maria interceda por este XXVI Dia Mundial do Doente, ajude as pessoas doentes a viverem o seu sofrimento em comunhão com o Senhor Jesus, e ampare aqueles que cuidam delas. A todos, doentes, agentes de saúde e voluntários, concedo de coração a Bênção Apostólica.
Vaticano, 26 de novembro – Solenidade de Nosso Senhor Jesus Cristo Rei do Universo – de 2017.
Franciscus

ACI Digital

sábado, 10 de fevereiro de 2018

São José Sánchez del Río, o menino cristero que morreu mártir

REDAÇÃO CENTRAL, 10 Fev. 18 / 04:00 am (ACI).- São José Sánchez del Río foi um menino que se alistou nas filas dos cristeros e que morreu mártir na perseguição religiosa que o México sofreu na segunda década do século XX.

Nasceu em 28 de março de 1913, em Sahuayo, Michoacán (México).
Em 1926, quando foi decretada a suspensão do culto público em seu país pelo governo de Plutarco Elías Calles, José tinha apenas 13 anos e 5 meses.
Naquele tempo, como resposta à legislação anticlerical que estava orientada a restringir a liberdade religiosa, leigos, presbíteros e religiosos católicos decidiram se levantar com armas em defesa da fé e lhes foi dado o nome de Cristeros.
Estima-se que 250 mil pessoas as perderam a vida na guerra em ambos os lados.
“Joselito”, como é conhecido o pequeno, pediu permissão a seus pais para se alistar como soldado do general Prudencio Mendoza e defender a causa de Cristo e de sua Igreja.
Sua mãe tentou dissuadi-lo, mas ele lhe disse: “Mamãe, nunca foi tão fácil ganhar o céu como agora e não quero perder a oportunidade”.
São José Sánchez del Río foi torturado e assassinado no dia 10 de fevereiro de 1928, aos 14 aos, por oficiais do governo de Calles, porque se negou a renunciar sua fé.
Cortaram-lhe a sola dos pés e foi conduzido descalço até o seu túmulo. Enquanto caminhava, José rezava e gritava “Viva Cristo Rei e a Virgem de Guadalupe!”.
Diante de seu túmulo, foi pendurado em uma árvore e esfaqueado. Um dos carrascos o desceu e perguntou que mensagem deixava aos seus pais. O menino respondeu: “Que viva Cristo Rei e que nos veremos no céu”. Diante dessa resposta, o homem lhe deu um tiro na cabeça e o matou.
São José Sánchez del Río foi beatificado em Guadalajara (México), em 20 de novembro de 2005, pelo Cardeal José Saraiva Martins, e canonizado em Roma (Itália), pelo Papa Francisco, em 16 de outubro de 2016.
Em 2012, estreou ‘Cristiada’, um filme que conta vários momentos da Guerra Cristera e da vida do Beato Anacleto González, de São José Sánchez del Río e de outros santos mártires.
ACI Digital

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

Santa Josefina Bakhita, exemplo de esperança cristã

REDAÇÃO CENTRAL, 08 Fev. 18 / 04:00 am (ACI).- A irmã morena, assim era carinhosamente chamada Santa Josefina Bakhita, religiosa que sofreu as dores da escravidão, mas conheceu o amor de Deus, a quem decidiu se consagrar. Neste dia 8 de fevereiro, a Igreja recorda a sua memória litúrgica.

Santa Josefina Bakhita nasceu em uma aldeia perto da montanha Agilerei, no Sudão, em 1869.
Tendo sido vendida e comprada por várias vezes, experimentou diversas humilhações e sofrimentos físicos da escravidão. A experiência dolorosa fez com que esquecesse o próprio nome.
Bakhita, que significa afortunada, foi o nome que recebeu de comerciantes de escravos. “Bakhita é um nome formoso; vai te trazer boa sorte”, disse um deles.
Até que foi comprada por um cônsul italiano, que a levou para a Itália e a entregou a uma família amiga de Veneza, o casal Michieli, pois a esposa tinha se afeiçoado a Bakhita. Este casal teve uma filha e a santa passou a ser a babá e amiga da menina.
Por conta dos negócios, esta família teve que retornar para a África. Mas, seguindo conselhos, decidiram deixar a filha e a babá aos cuidados das religiosas de Santa Madalena de Canossa.
Foi então que Bakhita teve seu encontro com o Senhor, conheceu o Evangelho e foi batizada aos 21 anos, recebendo o nome Josefina.
Quando os Michieli retornaram da África e foram buscar a filha e Bakhita, esta, com firme decisão, disse que queria ficar com as Irmãs Canossianas para servir a Deus.
Em 1896, atendendo ao chamado para a vida religiosa, Josefina Bakhita se consagrou para sempre ao seu Deus, que ela chamava com carinho “o meu Patrão”.
“Se eu encontrasse de novo aqueles negreiros que me sequestraram e também aqueles que me torturaram, me ajoelharia para beijar as suas mãos, porque, se não tivesse acontecido isto, eu não seria agora cristã e religiosa”, disse certa vez a santa.
Dedicou-se por mais de cinquenta anos às várias ocupações no convento. Foi cozinheira, responsável pelo guarda-roupa, bordadeira, sacristã, porteira.
Admirada pelas irmãs e pelos moradores do local por sua humildade, simplicidade e alegria, costumava dizer: “Sede bons, amai a Deus, rezai por aqueles que não O conhecem. Se, soubésseis que grande graça é conhecer a Deus!”.
Já na velhice e tomada por longa e dolorosa doença, reviveu a agonia dos terríveis anos de escravidão. Várias vezes suplicava à enfermeira que a assistia: “Solta-me as correntes ... pesam muito!”.
Em 8 de fevereiro de 1947, a “Santa Irmã Morena” partiu para a casa do Pai, tendo proferido suas últimas palavras: “Nossa Senhora! Nossa Senhora!”.
Em 1992, Bakhita foi beatificada por São João Paulo II e canonizada pelo mesmo Pontífice em 1º de outubro de 2000, após o reconhecimento da cura milagrosa de Eva Tobias da Costa, brasileira, moradora de Santos (SP), que havia rezado pela intercessão de Bakhita em 1980.
Por sua espiritualidade e força ante as adversidades, São João Paulo II a chamou “Nossa Irmã Universal” e sua história de vida foi, na realidade, a história de todo um continente.
Bento XVI, a esperança e a Santa
Em 2007, o Papa Bento XVI utilizou o exemplo de vida de Santa Josefina Bakhita em sua encíclica Spe Salvi para falar da esperança.
No texto, o Papa Emérito escreve que Bakhita “só tinha conhecido patrões que a desprezavam e maltratavam ou, na melhor das hipóteses, a consideravam uma escrava útil. Mas agora ouvia dizer que existe um ‘paron’ acima de todos os patrões, o Senhor de todos os senhores, e que este Senhor é bom, a bondade em pessoa. Soube que este Senhor também a conhecia, tinha-a criado; mais ainda, amava-a. Também ela era amada, e precisamente pelo ‘Paron’ supremo, diante do qual todos os outros patrões não passam de miseráveis servos. Ela era conhecida, amada e esperada”.
“Mais ainda, este Patrão tinha enfrentado pessoalmente o destino de ser flagelado e agora estava à espera dela ‘à direita de Deus Pai’. Agora ela tinha « esperança »; já não aquela pequena esperança de achar patrões menos cruéis, mas a grande esperança: eu sou definitivamente amada e aconteça o que acontecer, eu sou esperada por este Amor. Assim a minha vida é boa”.
Bento XVI recorda que “mediante o conhecimento desta esperança, ela estava ‘redimida’, já não se sentia escrava, mas uma livre filha de Deus. Entendia aquilo que Paulo queria dizer quando lembrava aos Efésios que, antes, estavam sem esperança e sem Deus no mundo: sem esperança porque sem Deus”.
ACI Digital

sábado, 3 de fevereiro de 2018

São Brás, padroeiro das enfermidades da garganta e dos laringologistas

REDAÇÃO CENTRAL, 03 Fev. 18 / 04:00 am (ACI).- São Brás, médico e Bispo do Sebaste, Armênia, era conhecido por obter curas milagrosas com sua intercessão. Certo dia, salvou um menino que estava sufocando por um espinho de peixe agarrado na garganta. Foi daí que surgiu o costume de abençoar as gargantas no dia de sua festa, 3 de fevereiro.

São Brás nasceu no seio de uma família pomposa, de pais nobres. Recebeu educação cristã e se consagrou como Bispo quando era ainda muito jovem. Com a perseguição aos cristãos, por inspiração divina, retirou-se a uma cova nas montanhas, frequentada por feras selvagens, às quais o santo atendia e curava quando estavam doentes.
Quando alguns caçadores foram procurar animais para os jogos da areia no bosque do Argeus, encontraram muitos deles que estavam esperando fora da cova onde estava São Brás.
O santo justo se encontrava orando e foi tomado prisioneiro. Agrícola, governador da Capadócia, buscou fazer com que São Brás renegasse a fé, mas não conseguiu. O tempo na prisão serviu ao santo para interceder a Deus e obter curas para alguns detentos.
Ele sofreu muitas ameaças e flagelos para que renunciasse a fé, mas, por amor a Cristo e à Igreja, renunciou à própria vida e foi decapitado no ano de 316.
São Brás foi um Pastor muito querido pelos fiéis. Durante o seu cativeiro, na escuridão do calabouço, obteve de presente de algum de seus amigos um par de velas, com as quais recebia luz e calor. Por isso, na representação iconográfica, o santo aparece portando duas velas.
ACI Digital

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF