Translate

quinta-feira, 4 de março de 2021

Quais são as raízes do pecado?

Editora Cléofas
POR PROF. FELIPE AQUINO

É fácil dizer se tal ou qual ação é pecaminosa. Não o é tanto dizer se tal ou qual pessoa pecou. Se alguém se esquece, por exemplo, de que hoje é festa de preceito e não vai à missa, o seu pecado é apenas externo. Interiormente, não teve intenção de comportar-se mal. Neste caso, dizemos que cometeu um pecado material, mas não um pecado formal. Existe aí uma obra má, mas não má intenção. Seria supérfluo e inútil mencioná-lo na confissão.

Mas também é verdade o contrário. Uma pessoa pode cometer interiormente um pecado sem realizar um ato pecaminoso. Usando o mesmo exemplo, se alguém pensa que hoje é dia de preceito e voluntariamente decide não ir à missa sem razão suficiente, é culpado do pecado da omissão dessa missa, mesmo que esteja enganado e não seja dia de preceito. Ou, para dar outro exemplo, se um homem rouba uma grande quantia de dinheiro e depois percebe que roubou o seu próprio dinheiro, interiormente cometeu um pecado de roubo, ainda que realmente não tenha roubado. Em ambos os casos dizemos que não houve pecado material, mas formal. E, naturalmente, esses dois pecados têm que ser confessados.

Vemos, pois, que é a intenção na mente e na vontade de uma pessoa o que determina em última análise a malícia de um pecado. Há pecado quando a intenção quer alguma coisa contra o que Deus quer.

Com efeito, é a intenção o que determina a malícia; mas o novo Catecismo precisa: “É errado […] julgar a moralidade dos atos humanos considerando apenas a intenção que os inspira […]. Existem atos que, por si mesmo e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos em virtude do seu objetivo: por exemplo, a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem” (n. 1756).

Por esta razão, sou culpado de pecado no momento em que decido cometê-lo, mesmo que não tenha oportunidade de praticá-lo ou mesmo que depois mude de opinião. Se decido mentir sobre um assunto quando me perguntarem, e a ninguém ocorre fazer a pergunta, continuo a ser culpado de uma mentira por causa da minha má intenção. Se decido roubar umas ferramentas da oficina em que trabalho, mas me despedem antes de poder fazê-lo, interiormente já cometi o roubo, ainda que não tenha tido ocasião de praticá-lo, e sou culpado disso. Estes pecados seriam reais, e, se a matéria fosse grave, teria que confessá-los.

Mesmo uma mudança de decisão não pode apagar o pecado. Se um homem decide hoje que amanhã irá fornicar e amanhã muda de ideia, continuará a ter sobre a sua consciência o pecado de ontem, a boa decisão de hoje não pode apagar o mau propósito de ontem.

É evidente que aqui falamos de uma pessoa cuja vontade tenha tomado essa decisão. Não nos referimos à pessoa em grave tentação, que luta consigo mesma, talvez durante horas ou até dias. Se essa pessoa alcança, por fim, a vitória sobre si mesma e diz um “não” decidido à tentação, não cometeu pecado. Antes pelo contrário, mostrou grande virtude e adquiriu grande mérito diante de Deus. Não há motiva para sentir-se culpada, ainda que a tentação tenha sido violenta ou persistente. Não. A pessoa de quem falávamos antes é a que resolve cometer um pecado, mas é impedida de fazê-lo por falta de ocasião ou por ter mudado de ideia.

Isto não quer dizer que o ato exterior não tenha importância. Seria um grande erro inferir que, já que alguém tomou a decisão de cometer um pecado, tanto faz leva-la à prática ou não. Muito pelo contrário, realizar a má intenção e praticar o ato aumenta a gravidade desse pecado, intensifica a sua malícia. E isto é especialmente assim quando esse pecado externo prejudica um terceiro, como no roubo; ou causa o pecado de outrem, como nas relações sexuais ilícitas.

E já que estamos falando de “intenção”, vale a pena mencionar que não podemos tornar boa ou indiferente uma ação má com uma boa intenção. Se roubo de um rico para dar a um pobre, isso continua a ser um roubo e é pecado. Se digo uma mentira para tirar um amigo de apuros, isso continua a ser uma mentira, e eu peco. Se uns ais usam anticoncepcionais para que os filhos que já têm disponham de mais meios, esse ato continua a ser pecaminoso. Em resumo, um fim bom nunca justifica meios maus. Não podemos forçar e retorcer a vontade de Deus para fazê-la coincidir com a nossa.

“Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom em justo um comportamento desordenado em si mesmo (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação de um inocente como meio legítimo de salvar o povo. Por sua vez, acrescentada uma intenção má (Como, por exemplo, a vanglória), o ato em si bom (como a esmola) pode tornar-se mau” (n. 1753).

Da mesma maneira que o pecado consiste em opormos a nossa vontade à de Deus, a virtude não é senão o esforço sincero por identificarmos a nossa vontade com a de Deus. Não é difícil consegui-lo a não ser que confiemos somente nas nossas próprias forças, em vez de confiarmos na graça de Deus. Assim o diz um velho axioma teológico: “Deus não nega a sua graça a quem faz o que pode”.

Se fazermos “o que podemos” – rezamos cada dia regularmente; confessando-nos e comungando com frequência; considerando uma e outra vez que o próprio Deus habita na nossa alma em graça (que alegria saber que, seja qual for o momento em que Ele nos chame, estaremos preparados para contemplá-lo por toda a eternidade!, mesmo que tenhamos de passar previamente pelo purgatório); ocupando-nos num trabalho útil e em diversões sadias, evitando as pessoas e lugares que possam pôr à prova a nossa humana debilidade -, então não há dúvida da nossa vitória.

É também muito útil conhecermos as nossas fraquezas. Você se conhece bem? Ou, para dizê-lo uma forma negativa, sabe qual é o seu principal defeito?

Pode ser que você tenha muitos defeitos; a maioria de nós os tem. Mas fique certo de que há um que se destaca mais que os outros e que é o seu maior obstáculo para o crescimento espiritual. Os autores espirituais descrevem esse defeito como defeito dominante.

Antes de mais nada, convém esclarecer a diferença entre um defeito e um pecado. Um defeito é o que poderíamos chamar “o ponto fraco” que nos faz facilmente cometer certos pecados e tornar mias difícil praticar certas virtudes. Um defeito é (até que o eliminemos) uma fraqueza do nosso caráter, mais ou menos permanente, ao passo que o pecado é algo eventual, um fato isolado que deriva do nosso defeito. Se comprarmos o pecado a uma planta nociva, o defeito será a raiz que o sustenta.

Todos sabemos que, quando se cultiva um jardim, dá pouco resultado aparar as plantas daninhas rente ao chão. Se não se arrancam as raízes, crescerão outra vez. O mesmo ocorre na nossa vida com certos pecados: continuarão a aparecer continuamente se não arrancarmos as suas raízes, esse defeito do qual nascem.

Os teólogos estabelecem uma lista de sete defeitos ou fraquezas principais, que estão na base de quase todos os pecados atuais. Chamam-se ordinariamente, os sete vícios ou pecados capitais. A palavra “capital” neste contexto significa que esses defeitos são os mais relevantes ou os mais frequentes, não necessariamente os maiores ou os piores.

“Os vícios podem ser classificados segundo as virtudes a que se opõem, ou ainda ligados aos pecados capitais que a experiência cristã distinguiu seguindo S. João Cassiano e S. Gregório Magno. São chamados <<capitais>> porque geram outros pecados, outros vícios” (n. 1866).

Bem, e quais são esses sete vícios dominantes da natureza humana? O primeiro é a soberba, que poderíamos definir como a procura desordenada da nossa própria honra e excelência, ou como um amor-próprio desordenado que leva a preferir-nos sempre a Deus e aos outros, ou ainda, a largos traços, como aquilo a que hoje chamamos egoísmo. Seria muito longa a lista de todos os pecados que nascem da soberba: a ambição excessiva, a jactância em relação às nossas forças espirituais, a vaidade, o orgulho, eis aí uns poucos. Ou, para usar expressões contemporâneas, a soberba é a causa dessa atitude cheia de amor-próprio que nos leva a “manter o status, para que os vizinhos não falem mal de nós”, à ostentação, à ambição de escalar postos e brilhar socialmente, de estar na “crista da onda”, e outras coisas do mesmo jaez.

O segundo pecado capital é a avareza ou o desejo imoderado de bens temporais. Daqui nascem não só os pecados de roubo e fraude, como também os menos reconhecidos de injustiça entre patrões e empregados, práticas abusivas nos negócios, mesquinhez e indiferença ante as necessidades dos pobres, e isso para mencionar só uns poucos exemplos.

O seguinte na lista é a luxúria ou impureza. É fácil perceber que os pecados evidentes contra a castidade têm a sua origem na luxúria; mas esta também produz outros: há muitos atos desonestos, falsidade e injustiças que se podem atribuir à luxúria; a perda da fé e o desespero da misericórdia divina são frutos frequentes da luxúria.

Depois vem a ira, que é um estado emocional desordenado que nos incita a desforrar-nos dos outros, a opor-nos insensatamente a pessoas ou coisas. Os homicídios, as desavenças e as injúrias são consequências evidentes da ira, como também o ódio, a murmuração e o dano à propriedade alheia.

A gula é outro pecado capital. É a atração desordenada pela comida ou bebida. Parece o mais ignóbil dos vícios; no glutão, há algo de animal. Prejudica a saúde, produz o linguajar soez e blasfemo, injustiças contra a própria família e outras pessoas, e uma legião de males demasiados evidente para necessitarem de enumerações.

A inveja é também um vício dominante. É necessário sermos muito humildes e sinceros conosco próprios para admitir que a temos. A inveja consiste em desejar o nível de vida dos outros: esse é um sentimento perfeitamente natural, a não ser que nos leve a extremos de cobiça. Não, a inveja é antes a tristeza causada pelo fato de haver quem esteja numa situação melhor que a nossa, é o sofrimento pela melhor sorte dos outros. Desejamos ter aquilo que um outro tem, e desejamos que ele não o tenha; pelo menos, desejaríamos que não o tivesse, se nós não podemos tê-lo também. A inveja leva-nos ao estado mental do clássico “cachorro do hortelão”, que nem aproveita o que tem nem deixa que os outros o aproveitem, e produz o ódio, a calúnia, a difamação, o ressentimento e outros males semelhantes.

Finalmente, temos a preguiça ou acedia, que não é o simples desagrado perante o trabalho; á muita gente que não acha agradável o seu trabalho. A preguiça consiste, antes de tudo, em fugir do trabalho pelo esforço que implica. É o desgosto – e a recusa – causado pela necessidade de cumprirmos os nossos deveres, especialmente se nos conformamos com a mediocridade espiritual, é quase certo que a sua causa é a preguiça. Omitir a assistência à missa aos domingos e dias de preceito, desleixar-se na oração, fugir das obrigações familiares e profissionais, tudo isso são consequências da preguiça.

Estes são, pois, os sete pecados capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Nos, que temos sem dúvida o louvável costume de examinar a nossa consciência antes de nos deitarmos e – evidentemente – antes de nos confessarmos, lucraríamos muito se de hoje em diante nos perguntássemos não só “que pecados cometi e quantas vezes”, mas também “por quê”, isto é, qual foi a raiz – o pecado capital – que esteve na origem de cada uma dessas nossas faltas.

Retirado do livro: “A Fé Explicada”. Leo J. Trese.

https://cleofas.com.br/

Cardeal brasileiro Sérgio da Rocha nomeado para a Congregação para os bispos no Vaticano

Cardeal Sérgio da Rocha. Foto: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 04 mar. 21 / 01:00 pm (ACI).- Nesta quinta-feira, 04, a Santa Sé anunciou que o Para Francisco nomeou dois novos membros para a Congregação para os bispos. São eles os cardeais William J. Tobin (nascido nos Estados Unidos) e Dom Sergio da Rocha, Arcebispo de Salvador (BA) e Primaz do Brasil.

O Cardeal Tobin, foi Superior Geral da Congregação do Santíssimo Redentor durante doze anos e Secretário da Congregação para Institutos de Vida Consagrada e Sociedades de Vida Apostólica no Vaticano. Atualmente é Arcebispo de Newark, nos EUA.

Dom Sergio, que já era membro da Congregação para o Clero, assume agora uma nova responsabilidade junto à Santa Sé, como membro da Congregação para os bispos. Este dicastério é comandado pelo Cardeal canadense Marc Ouellet, de 76 anos, que já apresentou sua renúncia por motivo de idade conforme o Código de Direito, mas teve seu mandato estendido.

Dom Sérgio é brasileiro, nascido em Dobrada, no interior de São Paulo, e tem 62 anos de idade. Foi ordenado padre na Diocese de São Carlos (SP) em 1984 e posteriormente nomeado bispo auxiliar da Arquidiocese de Fortaleza (CE) em 13 de junho de 2001 por São João Paulo II. Em 2007 Bento XVI o transferiu a Teresina (PI) como coadjutor, assumindo o cargo de Arcebispo Metropolitano um ano depois.

Bento XVI o nomeou Arcebispo Metropolitano de Brasília em 2011 e foi criado cardeal pelo Papa Francisco no Consistório de 19 de novembro de 2016, recebendo o título da Basílica de Santa Cruz na Via Flaminia, em Roma. O cardeal foi presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) de 2015 a 2019 e relator geral da XV Assembleia dos Bispos em 2018, ano em que o Sínodo tratou do tema da juventude.

Além de membro das Congregações para o Clero e para os Bispos, Dom Sergio faz parte do Conselho da Secretaria Geral do Sínodo dos Bispos e da Pontifícia Comissão para a América Latina (CAL). Desde março de 2020 é Arcebispo de Salvador na Bahia e Primaz do Brasil.

ACI Digital

Esperando o Papa: como crianças que se preparam para uma festa

O Papa parte na sexta-feira, 5 de março, para o Iraque,
onde permanecerá até segunda-feira, dia 8  (AFP or licensors)

Nas palavras do Patriarca Sako a consciência de que o destino dos cristãos não deve ser separado do de outros iraquianos, porque todos sofreram as consequências das guerras e do terrorismo.

Andrea Tornielli - Vatican News

"Esta visita é como um sonho que se torna real. E nós somos como crianças que se preparam para uma festa. Do maior até o menor entre nós." As palavras do cardeal Luis Raphael I Sako, Patriarca de Babilônia dos Caldeus, confiadas à agência Fides, descrevem simplesmente a realidade de uma viagem há muito sonhada por João Paulo II e hoje realizada por Francisco. Os rostos alegres e agradecidos dos que esperam o Bispo de Roma documentam que esta viagem há muito tempo está no coração do Papa e no coração dos iraquianos, não apenas dos cristãos.

Muitas vezes durante os anos de seu pontificado, Francisco falou das comunidades cristãs que sofrem em várias partes do mundo, e sua peregrinação na terra de Abraão, apesar da pandemia e das preocupações pela segurança, testemunha a elas a proximidade do Sucessor de Pedro. Mas o destino dos cristãos no Iraque, assim como seus sofrimentos, não deve ser separado dos de membros de outros credos religiosos, num país onde todos sofreram as consequências de guerras, terrorismo, violências, divisões e abuso do nome de Deus para justificar o ódio.

"Nós decoramos nossas igrejas - disse Sako -, mas todos os iraquianos decoraram todas as suas cidades.... Há bandeiras vaticanas e cartazes de boas-vindas em toda parte, inclusive em Najaf, também em Nasiriyah... E em Mosul, a cidade que ainda mostra todas as suas feridas. Os muçulmanos compuseram cantos para acolher o Papa." Há uma frase do Aiatolá Ali al Sistani que se destaca nos cartazes em que a foto da mais alta autoridade xiita do país está ao lado da do Papa: "Sois uma parte de nós, e nós somos uma parte de vós". Outra forma para se dizer fratelli tutti. As palavras do cardeal que guia a antiga Igreja caldeia ajudam a compreender que a esperança pelo futuro do Iraque não virá do fortalecimento de uma comunidade religiosa em detrimento das outras, nem da criação de "reservas" protegidas e separadas onde as chamadas minorias podem ser colocadas com segurança, mas da redescoberta das raízes profundas de uma coexistência que coincide com a identidade de um país. Uma esperança que se reacende em Ur, nas pegadas de Abraão: vós sois uma parte de nós, e nós somos uma parte de vós.

Vatican News

Pe. Ricardo Maria assume a Paróquia Nossa Sra. do Rosário de Fátima em Sobradinho

Arquidiocese de Brasília
Em uma missa solene realizada no dia 28/02, Pe. Ricardo Maria toma posse como pároco na  paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima, em Sobradinho. Dom Paulo Cezar, arcebispo de Brasília presidiu a celebração e concelebrou Pe. Iran Preusse, chanceler de Brasília, Pe. João Firmino, pároco da cátedra e chefe de gabinete e diáconos.

Ao final de sua homilia, dom Paulo Cezar fala ao novo pároco que “faça com essa igreja seja cada vez mais evangelizadora, mais missionária. Faça com que a túnica de Cristo aqui brilhe com beleza”.

Vida sacerdotal

Pe Ricardo Maria Lustosa foi ordenado presbítero no dia 03.12.2011 (pelo Cardeal Sergio da Rocha). Em 05.12.2011 foi nomeado vigário paroquial da Paróquia São Sebastião, Planaltina. No dia 16 de janeiro de 2021, nomeado primeiro pároco da Paróquia Santa Luzia, Planaltina (criada paróquia no dia 16.01.2012 e instalada aos 28.02.2012).  Pe. Ricardo foi nomeado coordenador do Setor XV, Vicariato Norte, 08.04.2019 (por dois anos)

A paróquia

Ligada à paróquia de Planaltina, com Pe. Eugênio Balzonello como pároco, dos padres missionários da Consolata, a Igreja inicia sua presença e ação na nascente Sobradinho em 1960. A primeira missa foi celebrada no dia 13 de março de 1960 na pensão do Sr. Francisco das Chagas Ribeiro, “com a participação do Sub-prefeito, dos funcionários e bom número de fiéis, que ocasionaram o reconhecimento oficial da vida cívica e religiosa”i (sic). A partir de então, a missa era celebrada aos domingos na Farmácia Rivetti.  “Em julho de 1960, o Arcebispo veio pessoalmente orientar os primeiros marianos, reunidos na incipiente capelinha feita com 4 folhas de duratex até que construíssem a Igreja debaixo das diretrizes do Pároco, Padre Eugênio Balzonello.

Passou-se então a celebra a Santa Missa nesta capelinha aos domingos”ii (sic).  “Passando a imagem peregrina de Portugal em visita à Brasília, esteve também em Sobradinho nos dias 17, 18 e 19 de outubro, na qual ocasião o Exmo. Sr. Arcebispo Dom José Newton de Almeida celebrou a missa vespertina, e atendendo aos pedidos, concedeu como Padroeira de Sobradinho “Nossa Senhora do Rosário de Fátima”iii  Concluindo-se o ano de 1960 o Pároco de Planaltina Padre Eugênio Balzonello, IMC e seu vigário coadjutor Pe. Ademar Serafim de Medeiros, IMC, concluíram a construção da capela de madeira, coberta de folhas de zinco; recebemos algumas folhas, presente do nosso querido arcebispo de Brasília. A capela mede 9×20 na área especial concedida pelo Prefeito, na quadra 9. Começaram a celebrar duas missas, às 10h e às 14h, administrando os sacramentos aos números fieis, imigrados especialmente do Nordeste”iv (sic).  No dia 07 de outubro de 1961, deu-se a criação da primeira paróquia de Sobradinho, Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima. No dia seguinte, D. Newton veio benzer o novo sino e administrou o sacramento da crisma a 190 fieis.

A instalação da Paróquia e a posse do primeiro pároco, Pe. José Monticone, IMC, se deram a 10 de dezembro do mesmo ano. Pe. José Monticone, da congregação religiosa dos padres missionários da Consolata, esteve à frente de nossa paróquia de 10 de dezembro de 1961 a dez de julho de 1966. Eram tempos de importantes acontecimentos, tanto na vida da Igreja como na história política e social do Brasil e do mundo, que ele registra no Livro Tombo (livro em que se registra a história da Paróquia), tais como a abertura e a realização do Concílio Vaticano II, com a participação do então bispo de Brasília, Dom José Newton; a morte do Papa João XXIII e a eleição do Papa Paulo VI; a reviravolta política e social com a tomada do poder pelos militares em 1964, entre outros.  Ao assumir a sua missão na Paróquia Nossa Senhora do Rosário de Fátima declarou ser seu único programa: “servir e trabalhar para a glória de Deus e santificação das almas”[i]. Era a única paróquia de Sobradinho e a extensão de sua ação pastoral abrangia também as pequenas comunidades rurais já existentes.

A exigência da evangelização é tantas vezes testemunhada em seus escritos; preocupou-se particularmente em incentivar as missões como “tempo de graças extraordinárias, arrependimento, perdão e salvação”, para anunciar o Evangelho e promover na incipiente comunidade católica “uma renovação espiritual, um despertar da vida cristã pela consideração das verdades eternas”[ii].  Verdadeiro pioneiro na cidade nascente de Sobradinho,  promoveu a construção da comunidade paroquial, tanto material como espiritualmente: apoiou a Congregação Mariana, o Círculo Operário Católico e o Apostolado da Oração, já bastante atuantes nesse tempo, além das Filhas de Maria, dos Vicentinos  e dos Cruzados; fundou aqui o Praesidium Nossa Senhora do Rosário, da Legião de Maria e a Obra das Vocações Sacerdotais;  promoveu intensamente a catequese e a educação escolar das crianças e jovens, sobretudo por meio da Escola Paroquial de Santa Filomena, que depois se tornou a Escola do Círculo Operário Brasiliense São José, que funcionava de início no espaço da própria capela, com seus modestos 9×18 metros.

Nesse imenso trabalho tanto religioso como social e cultural, Pe. Monticone contava com a preciosa ajuda das Irmãs de Nossa Senhora da Piedade. Muita vida entregue por tantos homens e mulheres na edificação de nossa Paróquia em seus inícios: celebrações cheias de piedade, cruzadas de adoração ao Santíssimo Sacramento, concursos de “Rainha do Natal”, teatros populares (como o Auto de Natal), procissões luminosas, semanas bíblicas, festas da Padroeira! Somos gratos ao querido pe. Monticone e aos irmãos e irmãs católicos  pioneiros, que lançaram as raízes da nossa vida cristã e cidadã de nossa querida Sobradinho. (Livro tomo da paróquia)

Arquidiocese de Brasília

O demônio existe sim, lembram constantemente os papas

Shutterstock

É um tema recorrente no Magistério da Igreja. Em uma memorável Audiência Geral de 1972, o Papa Paulo VI falou com clareza sobre a realidade pessoal do Maligno.

“O demônio existe sim, é verdade, ele é o nosso maior inimigo”, disse o Papa Francisco em um encontro com as crianças da paróquia romana de São Crispim de Viterbo (3/03/2019).

O diabo “é aquele que procura nos derrotar na vida. É o que coloca nos nossos corações desejos maus, pensamentos feios e nos leva a fazer coisas ruins, as muitas coisas ruins que têm a vida, chegando até às guerras”, afirmou o Papa.

Mas como podemos nos comportar para nos defendermos destas agressões do demônio?

Segundo o Papa Francisco, antes de tudo com a oração.

Por isso é preciso rezar a Jesus para que afaste o diabo de nós, para que não deixe que ele se aproxime de nós. Vocês sabem qual é a maior qualidade do diabo? Porque ele tem qualidade: é muito inteligente, mais inteligente do que os teólogos! É inteligente e essa é uma qualidade. Mas a qualidade que mais aparece no diabo e melhor se exprime é que é um mentiroso. No Evangelho é chamado de pai da mentira.

A Quaresma é o período ideal para não se esquecer do demônio, com o pensamento a Jesus que no deserto pôde enfrentá-lo. João Paulo II, em 26 de fevereiro de 2004, por ocasião do encontro com os párocos romanos disse:

Enquanto empreendemos o itinerário quaresmal, olhemos a Cristo que jejua e luta contra o diabo. Nós também, como Cristo, somos chamados a uma luta forte e decidida contra o demônio.

Histórica catequese de Paulo VI

Uma das coisas que faz do diabo um grande perigo é o seu poder enganador.

Na memorável audiência de 15 de novembro de 1972, Paulo VI alude ao demônio de forma clara:

O mal não é apenas uma deficiência, mas uma eficiência, um ser vivo, espiritual, pervertido e perversor. Realidade terrível. Misterioso e assustador. Quem se recusa a reconhecer sua existência deixa de lado o ensino bíblico e eclesiástico; ou faz dele um princípio que existe por si mesmo e não tem, como qualquer outra criatura, sua origem em Deus; ou então o explica como uma pseudo-realidade, uma personificação fantástica e conceitual das causas desconhecidas de nossos infortúnios. O problema do mal, visto em sua complexidade e em seu absurdo em relação à nossa racionalidade unilateral, torna-se gritante: constitui a maior dificuldade para nossa compreensão religiosa do cosmos. Não sem razão, Santo Agostinho sofreu por isso durante anos: “Quaerebam unde malum, et non erat exitus”, procurou saber de onde vinha o mal e não encontrou explicação (Confissões, VII, 5, 7, 11, etc., PL ., 22, 736, 739).

“Príncipe do mundo”

Prossegue o Papa Paulo VI:

Eis aqui, então, a importância que o conhecimento do mal adquire para nossa justa concepção cristã do mundo, da vida, da salvação. Em primeiro lugar, no desenvolvimento da história evangélica, quem não se lembra, no início de sua vida pública, da página muito densa de significados da tripla tentação de Cristo? E depois, nos múltiplos episódios evangélicos, nos quais o Diabo atravessa o caminho do Senhor e figura nos seus ensinamentos (cf Mt 12, 43). E como não lembrar que Cristo, referindo-se ao Diabo três vezes como seu adversário, o chama-o de “príncipe deste mundo”? (Jo 12, 31; 14, 30; 16, 11). E a tarefa dessa presença nefasta é indicada em muitas, muitas passagens do Novo Testamento. São Paulo o chama de “deus deste mundo” (2 Co 4, 4), e nos adverte sobre a luta às escuras que nós, cristãos, devemos manter não com um só diabo, mas com uma pluralidade aterrorizante: “Pois não é contra homens de carne e sangue que temos de lutar, mas contra os principados e potestades, contra os príncipes deste mundo tenebroso, contra as forças espirituais do mal (espalhadas) nos ares” (Ef 6, 12).

Inimigo oculto

O demônio, continua o Papa Paulo VI:

é o inimigo número um, é o tentador por excelência. Também sabemos que esse ser sombrio e perturbador realmente existe e que ainda age com astúcia traiçoeira; é o inimigo oculto que semeia erros e infortúnios na história humana. Devemos recordar a parábola reveladora da boa semente e do joio, síntese e explicação da falta de lógica que parece presidir às nossas surpreendentes vicissitudes: “Inimicus homo hoc fecit” (Mt 13, 28). O inimigo fez isso. Ele é “o homicida desde o princípio… e o pai de todas as mentiras”, tal como definido por Cristo (cf. Jo 8, 44); é o enganador sofístico do equilíbrio moral do homem. Ele é o encantador pérfido e astuto, que sabe como se insinuar em nós através dos sentidos, da fantasia, da luxúria, da lógica utópica ou dos contatos sociais desordenados no curso de nossas ações, para introduzir nele desvios, tanto mais prejudiciais porque parecem estar em conformidade com nossas estruturas físicas ou mentais ou com nossas aspirações instintivas e profundas.

Este capítulo sobre o Diabo e sobre a influência que ele pode exercer, tanto em pessoas individuais quanto em comunidades, sociedades inteiras ou eventos, é “um capítulo muito importante da doutrina católica que deveria ser estudado novamente”, diz o Papa Paulo VI, reconhecendo que hoje se dá pouca atenção ao tema.

Alguns pensam encontrar nos estudos psicanalíticos e psiquiátricos ou nas experiências espíritas, hoje excessivamente difundidas em muitos países, compensação suficiente. Teme-se cair nas velhas teorias maniqueístas ou nas terríveis divagações fantásticas e supersticiosas. Nossa doutrina se torna incerta, pois se torna como que obscurecida pela própria escuridão que cerca o Diabo. Mas a nossa curiosidade, estimulada pela certeza da sua múltipla existência, torna-se legítima com duas questões: Existem sinais, e quais, da presença da ação diabólica? E quais são os meios de defesa contra um perigo tão insidioso?

Sinais da presença da ação diabólica

A resposta à primeira pergunta requer muita cautela, embora os sinais do Maligno pareçam tornar-se evidentes (Cf. TERTULL. Apol. 23). Poderemos supor sua ação sinistra onde a mentira se afirma hipócrita e poderosa contra a verdade evidente; onde o amor é eliminado por um egoísmo frio e cruel; onde o nome de Cristo é contestado com ódio consciente e rebelde (cf 1Co 16, 22; 12, 3); onde o espírito do Evangelho é mistificado e negado; onde o desespero se afirma como a última palavra etc. O problema do mal continua a ser um dos maiores e mais permanentes problemas do espírito humano, mesmo depois da resposta vitoriosa do próprio Jesus Cristo. “Sabemos – escreve o evangelista João – que somos de Deus, e que o mundo todo jaz sob o Maligno” (1Jo 5, 19).

Meios de defesa contra um perigo tão insidioso

À outra pergunta sobre qual defesa, sobre qual remédio usar para se opor à ação do Diabo, a resposta é mais fácil de formular, embora continue difícil de atualizá-la. Podemos dizer que tudo o que nos defende do pecado nos defende do inimigo invisível. A graça é a defesa decisiva. A inocência assume um aspecto de fortaleza. E, igualmente, cada um lembra em que medida a pedagogia apostólica simbolizou na armadura do soldado as virtudes que podem tornar o cristão invulnerável (cf. Rm 13, 12; Ef 5, 11; 1Ts 5, 8). O cristão deve ser militante; deve ser vigilante e forte (1P 5, 8); e às vezes ele deve recorrer a algum exercício ascético especial para evitar certas incursões diabólicas. Jesus o ensina indicando o remédio “na oração e no jejum” (Mc 9, 29). E o apóstolo sugere a linha principal a seguir: “Não te deixes vencer pelo mal, mas triunfa do mal com o bem.” (Rm 12, 21; Mt 13, 29). Conhecendo, portanto, as adversidades atuais em que hoje se encontram as almas, a Igreja e o mundo, procuraremos dar sentido e eficácia à costumeira invocação da nossa oração principal: «Pai Nosso… livrai-nos do mal!”. A nossa Bênção Apostólica também vos ajude em tudo isso.

(Veja também Vatican News e Vatican.va)

Aleteia

Para o Papa Francisco, a oração, “o diálogo com Deus é uma graça”

Guadium Press

Jesus nos abriu o Céu e nos projetou para uma relação com Deus: a Santa Humanidade de Jesus é o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai.

Cidade do Vaticano (03/03/2021, 11:25, Gaudium PressO Papa Francisco iniciou sua catequese na Audiência Geral desta quarta-feira (03/03), realizada na Biblioteca do Palácio, no Vaticano, prometendo suas reflexões sobre a oração, discorrendo sobre a oração e a Trindade:

“No nosso caminho de catequeses sobre a oração, hoje e na próxima semana queremos ver como, graças a Jesus Cristo, a oração nos abre à Trindade, ao imenso mar de Deus-Amor”, disse o Pontífice.

Para Francisco, foi Jesus que nos abriu o Céu e nos projetou para uma relação com Deus e é isto que o apóstolo São João afirma na conclusão do prólogo do seu Evangelho: “Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está no seio do Pai, é que O deu a conhecer” (1, 18), sublinhou ele.

O Papa destacou também que realmente não sabíamos como se pudesse rezar: que palavras, que sentimentos e que linguagem eram apropriados para Deus. Por isso, o pedido feito pelos discípulos a Jesus: ‘Senhor, ensina-nos a rezar’ (Lc 11, 1).

Nessa catequese sobre a oração, o Papa afirmou que nem todas as orações são iguais e que nem todas são convenientes:

“A própria Bíblia atesta o mau resultado de muitas orações, que são rejeitadas. Talvez por vezes Deus não esteja satisfeito com as nossas orações e nós nem sequer nos apercebemos disso. Deus olha para as mãos daqueles que rezam: para as purificar não é necessário lavá-las, quando muito é preciso abster-se de ações malignas.”

O pedido do centurião nos faz reconhecer a pobreza de nossa oração: dialogar com Deus é uma graça

Francisco ponderou que “talvez o reconhecimento mais tocante da pobreza da nossa oração tenha vindo dos lábios do centurião romano que um dia implorou Jesus que curasse o seu servo doente (cf. Mt 8, 5-13).

O centurião sentia-se totalmente inadequado, descreveu o Pontífice:

“não era judeu, era um oficial do odiado exército de ocupação. Mas a sua preocupação com o seu servo o faz ousar, e ele diz: ‘Senhor… eu não sou digno que entreis em minha morada, mas dizei uma só palavra e o meu servo será curado’ (v. 8)”.

Essa é também a frase que nos repetimos em todas as liturgias eucarísticas, –recordou Francisco–  o que evidencia que dialogar com Deus é uma graça: “não somos dignos dela, não temos o direito de a reivindicar, “claudicamos” com cada palavra e pensamento… Mas Jesus é uma porta que se abre”.

Por que deveria o homem ser amado por Deus? Não há razões óbvias, não há proporção

Nunca teríamos acreditado que Deus ama o homem se não tivéssemos conhecido Jesus, afirmou Francisco:

“É o escândalo que encontramos esculpido na parábola do pai misericordioso, ou na parábola do pastor que vai em busca da ovelha perdida (cf. Lc 15). Histórias como estas não poderiam ter sido concebidas, nem sequer compreendidas, se não tivéssemos encontrado Jesus”.

Depois de fazer estas afirmações, o Pontífice fez algumas perguntas:

“Que tipo de Deus está disposto a morrer pelas pessoas? Que tipo de Deus ama sempre e pacientemente, sem pretender por sua vez ser amado? Que Deus aceita a tremenda falta de gratidão de um filho que pede antecipadamente a sua herança e sai de casa a esbanjar tudo? (cf. Lc 15, 12-13)”.

Segundo Francisco, com sua vida, com suas atitudes, Jesus nos diz e nos ensina até que ponto Deus é Pai.

Em seguida o Papa caminhou para a conclusão de sua reflexão na qual mostrou seu pensamento sobre a oração e a Trindade:

“É difícil para nós imaginar de longe o amor com que a Santíssima Trindade está repleta, e que abismo de benevolência recíproca existe entre Pai, Filho e Espírito Santo. Os ícones orientais deixam-nos intuir algo deste mistério que é a origem e alegria de todo o universo. ”

A santa humanidade de Jesus é o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai

Por fim, o Papa Francisco disse que acima de tudo, tínhamos dificuldade em acreditar que este amor divino se dilatasse, chegando até ao humano. Para ele, somos o termo de um amor que não encontra igual na terra.

Citando o Catecismo, Francisco encerrou a Audiência Geral:
A santa humanidade de Jesus é, pois, o caminho pelo qual o Espírito Santo nos ensina a orar a Deus nosso Pai” (n. 2664).

“É a graça da nossa fé. Verdadeiramente não podíamos esperar uma vocação mais excelsa: a humanidade de Jesus pôs à nossa disposição a própria vida da Trindade”. (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com informações e fotos VaticanMedia)

 https://gaudiumpress.org/

Papa Francisco em novo livro: se não confrontarmos as mudanças climáticas poderá haver um novo dilúvio

Papa Francisco na Audiencia Geral. Foto: Lucia Ballester /
ACI Prensa

Vaticano, 03 mar. 21 / 06:00 pm (ACI).- Em um novo livro lançado nesta terça-feira, 2, na Itália, o Papa Francisco afirma que o mundo poderia enfrentar uma catástrofe da proporção do dilúvio se os seres humanos não começarem a confrontar as mudanças climáticas.

O Santo Padre fez esta observação no livro-entrevista "Dei Vizzi e dele virtù” (Sobre os vícios e virtudes, em tradução livre), que transcreve o diálogo com o sacerdote Marco Pozza, publicado em italiano pela editora Rizzoli, no qual, entre outros temas, trataram o relato do dilúvio no Livro do Gênesis.

De acordo com um trecho do livro publicado pelo jornal Corriere delle Sera, o Papa afirma em relação ao acontecimento narrado no livro do Gênesis: "Uma grande enchente, talvez devido ao aumento das temperaturas e ao derretimento das geleiras: é isso que acontecerá se continuarmos no mesmo caminho".

No livro, o padre e o Papa refletem sobre as sete virtudes e vícios, inspirados nas pinturas da Capela Scrovegni em Pádua. A capela contém 14 imagens monocromáticas do artista renascentista Giotto, nas quais o italiano personificou as virtudes e os vícios.

Na parede norte estão os vícios: a estultícia, a pusilanimidade, a cólera, a injustiça, a infidelidade, a inveja e o desespero. Na parede sul estão as virtudes: prudência, justiça, temperança, fortaleza, fé, caridade e esperança.

Os comentários do Papa sobre o dilúvio vieram durante uma conversa sobre a ira de Deus, que ele disse ter sido dirigida contra o mal que emana de Satanás no mundo.

"A ira de Deus busca trazer justiça e 'purificar'. O Dilúvio é o resultado da ira de Deus, de acordo com a Bíblia", disse o Papa no livro-entrevisa.

O Papa Francisco observou que alguns especialistas consideram o dilúvio, ou a grande enchente, como uma história mítica e ressaltou que não gostaria de ser mal interpretado, acusado de dizer que a Bíblia é um mito, mas sugeriu que o mito era uma forma de conhecimento da época dos autores das Sagradas Escrituras. No entanto, o Papa sustenta a historicidade do relato bíblico. 

"O dilúvio é sim um relato histórico, e isto dizem os arqueólogos, porque encontraram evidências de uma grande inundação em suas escavações", afirmou o pontífice.

Depois de se referir a uma possível nova grande enchente, o Santo Padre disse: "Deus libertou sua ira, mas viu um homem justo, o levou e o salvou."

"A história de Noé mostra que a ira de Deus também é uma salvação", pontuou.

Pe. Pozza é capelão de uma prisão na cidade de Pádua, no norte da Itália, realizou três entrevistas anteriormente com o Papa Francisco, dedicadas respectivamente ao Pai-Nosso, à Ave Maria e ao Credo, que foram exibidas na televisão italiana e publicadas como livros.

O padre de 41 anos, que frequentemente aparece vestido casualmente, é considerado uma estrela em ascensão na mídia italiana. No início de sua vida sacerdotal, ele ganhou o apelido de Padre "Spritz", que é o nome de um popular coquetel italiano à base de vinho. O padre ficou conhecido assim pelo costume de realizar discussões com jovens católicos em bares.

Pozza chamou a atenção do Papa pela primeira vez em 2016, quando trouxe um grupo de detentos para visitar Francisco em sua residência, a Casa Santa Marta, no Jubileu de Prisioneiros no Ano da Misericórdia.

Ele ajudou a compilar as meditações para o Via Crucis papal no ano passado, realizadas em uma deserta praça de São Pedro na Sexta-feira Santa, devido ao surto de Covid-19 na Itália.

No novo livro, o Papa também discutiu a relação entre fé e dúvida. Ele argumentou que, embora o diabo semeie dúvidas, um acerto de contas honesto com as nossas dúvidas pode levar ao crescimento espiritual.

De acordo com o Vatican News, o Papa disse: "O pensamento de ser abandonado por Deus é uma experiência de fé que muitos santos experimentaram, juntamente com muitas pessoas hoje que se sentem abandonadas por Deus, mas não perdem a fé. Eles tomam o cuidado de cuidar do presente: 'Agora eu não sinto nada, mas eu guardo o dom da fé'".  

"O cristão que nunca passou por esses estados mentais não tem nada, porque significa que eles se estabeleceram por menos. Crises de fé não são faltas contra a fé. Pelo contrário, elas revelam a necessidade e o desejo de entrar mais plenamente nas profundezas do mistério de Deus. Uma fé sem esses provações me leva a duvidar que é fé verdadeira".

ACI Digital

Papa aos iraquianos: “sou peregrino penitente, de paz e de esperança"

Papa Francisco | VaticanMedia

Na sua mensagem ao povo iraquiano antes da sua Viagem Apostólica o Santo Padre se apresenta como peregrino de paz e de esperança. E recordando o pai Abraão, afirma “confiando em Deus, deu vida a uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu”. E faz um convite a todos os irmãos e irmãs: “caminhem com esperança e nunca deixem de olhar para as estrelas. Ali está a nossa promessa”.

Jane Nogara - Vatican News

O Papa Francisco enviou uma mensagem em vídeo ao povo iraquiano poucos dias antes de sua partida. O Papa fará sua Viagem Apostólica ao país de 5 a 8 de março. Na saudação inicial o Santo Padre se apresenta como peregrino penitente e de paz:

Peregrino penitente e de paz

Desejo muito encontrar todos vocês, ver seus rostos e visitar sua terra, antigo e extraordinário berço da civilização. Venho como peregrino, como peregrino penitente, para implorar perdão e reconciliação do Senhor depois de anos de guerra e terrorismo, para pedir a Deus consolo para os corações e cura para as feridas. E venho até vocês como peregrino de paz, para repetir: "Sois todos irmãos" (Mt 23,8). Sim, venho como peregrino da paz em busca de fraternidade, animado pelo desejo de rezar juntos e caminhar juntos, também com irmãos e irmãs de outras tradições religiosas, unidos pelo pai Abraão, que reúne em uma só família muçulmanos, judeus e cristãos”.

Aos irmãos cristãos

Francisco afirma que se sente honrado em conhecer uma Igreja mártir: "Obrigado pelo seu testemunho. Que os muitos, demasiados mártires que vocês conheceram nos ajudem a perseverar na humilde força do amor."  E oferece o amor da Igreja de todo o mundo: 

Gostaria de lhes trazer a carícia afetuosa de toda a Igreja, que está próxima de vocês e ao mortificado Oriente Médio e os encoraja a seguir em frente. Não permitamos que prevaleçam os terríveis sofrimentos que vocês sofreram e que tanto me afligem. Não desistamos diante da propagação do mal: as antigas fontes de sabedoria de suas terras nos guiam para outro lugar, para fazer como Abraão que, embora tenha deixado tudo, nunca perdeu a esperança (cf. Rm 4,18); e, confiando em Deus, deu vida a uma descendência tão numerosa quanto as estrelas do céu. Caros irmãos e irmãs, vamos olhar para as estrelas. Ali está a nossa promessa”.

Peregrino de esperança

Recordando os sofrimentos do povo iraquiano todos, cristãos, muçulmanos e povos Yazidi pelas guerras e também da força de vontade de não desistirem o Papa os anima:  "Agora venho à sua terra abençoada e ferida como peregrino de esperança. Da sua terra, Nínive, ressoou a profecia de Jonas, que impediu a destruição e trouxe uma nova esperança, a esperança de Deus”.

Por fim o Santo Padre encoraja todos os irmãos: “Deixemo-nos contagiar por esta esperança, que nos encoraja a reconstruir e a recomeçar". "Irmãos e irmãs de todas as tradições religiosas. Desta terra, há milênios, Abraão começou a sua viagem. Hoje cabe a nós continuá-la, com o mesmo espírito, caminhando juntos pelos caminhos da paz! Por esta razão, invoco sobre vocês toda a paz e a bênção do Altíssimo. E peço a todos vocês que façam o mesmo que Abraão: caminhem com esperança e nunca deixem de olhar para as estrelas. E peço a todos vocês, por favor, me acompanhem com a oração. Shukran! [Obrigado!]

https://youtu.be/PdKdTgSaxyM

Vatican News

São Casimiro

S. Casimiro | ArqSP
04 de março
Casimiro nasceu na Croácia no dia 03 de outubro de 1458 e era o décimo terceiro filho do rei da Polônia, Casimiro IV, e da rainha Elisabete d'Asburgo. Ele poderia muito bem colocar sobre a cabeça uma coroa e reinar sobre um território, como todos os seus doze irmãos o fizeram. Porém, apesar de possuir os títulos de príncipe da Polônia e grão-duque da Lituânia, não seguiu esse caminho. Desde pequeno abriu mão do luxo da corte, suas ricas festas e todas as facilidades que a nobreza proporcionava. Fez voto de castidade e vivia na simplicidade do seu quarto, que transformou numa cela como a de um eremita, dedicando-se à oração, disciplina, penitência e solidão.

Quando os húngaros se rebelaram contra o seu rei, Mateus Corvino, e ofereceram ao jovem príncipe Casimiro, então com treze anos, a coroa, ele a renunciou tão logo soube que seu pai havia se declarado contra a deposição daquele rei e a imposição pela força de outro, no caso ele. O príncipe tinha de fato apenas uma ambição, se é que assim pode ser chamada, dedicar-se ao ideal da vida monástica.

Entretanto não fugia dos deveres políticos, tendo ajudado o pai nos negócios do reino desde os dezessete anos, principalmente nos problemas referentes à Lituânia, onde era muito querido pelo povo. Com a conversão do rei da Hungria que abdicou para entrar num mosteiro, o rei Casimiro IV, seu pai, herdou esses domínios que incluíam além da Hungria a Prússia. Porém, isso também não entusiasmou o jovem príncipe a se coroar. Desde a infância levava uma vida ascética, muito humilde, jejuando continuamente e dormindo no chão, por isso sua saúde nunca foi perfeita.

Dessa forma, jovem príncipe acabou contraiu a tuberculose. Mesmo assim seu pai lhe cofiou a regência do reino, por um breve período. O rei desejando ampliar ainda mais os domínios do já imenso império, pretendia firmar um contrato de matrimonio para o filho com a bela e rica herdeira de Frederico III, cujas fronteiras passariam as ser mar Báltico e o mar Negro, realizando seu velho sonho. Por isso precisava se ausentar, pois queria tratar pessoalmente de tão delicado assunto.

Casimiro, como príncipe regente, não se furtou às obrigações junto ao seu amado povo. Cumpriu a função com inteligente política, todavia sem se deixar seduzir pelo poder. Depois, o rei teve de se conformar, porque Casimiro preferiu o celibato e o tratado do matrimônio foi desfeito. Ele preferiu ser lembrado por ficar entre os pobres de espírito, entre aqueles que receberam o reino de Deus, do que ser recordado entre os homens famosos e poderosos que governaram o mundo.

Morreu aos vinte e cinco anos de idade e foi sepultado em Vilnius, capital da Lituânia, em 04 de março de 1484. Logo passou a ser venerado por todo o povo polonês, lituano, húngaro, russo. Seu culto acabou sendo introduzido na Europa ocidental através dos peregrinos que visitavam sua sepultura. Menos de quarenta anos após sua morte já era canonizado pelo Papa Leão X. São Casimiro foi declarado padroeiro da Lituânia e da juventude lituana; também da Polônia, onde até hoje é considerado um símbolo para os cristãos, que o veneram como o protetor dos pobres.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

Arquidiocese de São Paulo

quarta-feira, 3 de março de 2021

Cidade alemã instala “ninhos” para abrigar moradores de rua

@ulmernest
por Dolors Massot

Mais um exemplo de que os avanços da ciência e da engenharia podem ajudar os mais vulneráveis.

Autoridades de Ulm, no sul da Alemanha, estavam preocupados com os muitos moradores de rua da cidade durante seus invernos gelados. Mas, felizmente, eles encontraram uma solução brilhante para ajudar os sem-teto.

Para se ter uma ideia, de dezembro a fevereiro, a temperatura máxima em Ulm fica abaixo de 4ºC, enquanto a mínima fica sempre abaixo de zero. Com este frio, tanto a Câmara Municipal de Ulm quanto a Caritas (uma federação católica internacional de organizações de caridade) pensaram em uma forma de ajudar os desabrigados.

Os “ninhos” de Ulm

A solução? Instalar, nas ruas, abrigos futuristas que parecem cápsulas espaciais. De fato, os abrigos foram batizados de “ninhos”. Em cada um deles, há espaço para uma pessoa deitar e dormir protegida do frio.

Um caminhão da prefeitura ajudou na instalação dos primeiros “ninhos” em 8 de janeiro deste ano. Era um projeto planejado por Ulm no ano passado, mas a pandemia o atrasou.

Os “ninhos” estão sendo colocados em parques e praças públicas. Quem precisa pode usá-los, para que ninguém fique ao ar livre à noite. Eles fornecem isolamento, privacidade e proteção contra condições climáticas adversas.

A Caritas Ulm-Alb-Donau (parte da associação diocesana Caritas Rottemburg-Stuttgart) utiliza um sensor de movimento para detectar quando alguém está usando uma cabine. Um voluntário, então, verifica quando ela está livre novamente e a deixa pronto (com medidas anti-Covid) para a próxima pessoa.

As cápsulas, feitas de madeira e aço, estão equipadas com painéis solares que garantem o aquecimento.

Ninguém deve ficar de fora

Trata-se, portanto, de um sistema complementar de ajuda aos moradores de rua que não querem (ou não podem) pernoitar num abrigo partilhado, conforme explicam a Caritas e o município de Ulm.

De fato, no inverno de 2019/2020, antes de serem instalados, eles foram testados e o feedback foi positivo tanto entre moradores de rua quanto entre moradores da cidade.

A Caritas, neste sentido, tem aplicado a política de não descartar absolutamente nem um morador de rua, um princípio de que frequentemente fala o Papa Francisco.

Em suma: na cidade onde Albert Einstein nasceu, eles encontraram uma maneira de aplicar os avanços da arquitetura e da engenharia a serviço dos mais vulneráveis.


Aleteia


Espanha perde um terço de seus seminaristas em apenas duas décadas

Guadium Press
Dia São José, Dia do Seminário. Os bispos espanhóis têm pouco a comemorar, muito a pensar, bastante a rezar: no país, os seminaristas talvez não chegam a mil.

Redação (02/03/2021, 17:10, Gaudium Press) No dia 19 de março, Solenidade de São José, é comemorado o Dia do Seminário. Este ano sob o lema “Pai e irmão, como São José”.

O objetivo desta jornada é refletir a figura de São José, pelos sacerdotes, em um ano em que, como se sabe, este santo assumiu um protagonismo maior, depois que o Papa declarou o Ano de São José.

Dados referentes a 2019-2020, indicam queda no número de seminaristas

Os dados não convidam ao otimismo.
Depois de semanas de solicitá-los, a Conferência Episcopal publicou os dados correspondentes ao ano letivo 2019-20, onde se verifica uma queda acentuada do número de seminaristas. Hoje eles são apenas 1.128.

Ou seja, um terço a menos do que no início do século, quando os seminaristas espanhóis eram 1.736. E que, então, já se sentia o declínio, mitigado alguns anos depois pela última visita de João Paulo II.

Chegamos a mil seminaristas na Espanha?

A crise não para por aí.
Diante do impacto do coronavírus e das dificuldades que estão sendo observadas, alguns responsáveis ​​pelos seminários, em privado, se perguntam: Chegamos a mil seminaristas na Espanha?

A Conferência Episcopal ainda não publicou os dados relativos ao presente ano letivo, mas informações vindas de diferentes fontes, sugerem que, pela primeira vez na história, o número de seminaristas poderia ter diminuído para mil, ou menos que isso.

O assunto foi abordado na última Comissão Permanente do Episcopado Espanhol, quando os bispos conheceram em primeira mão os novos e preocupantes dados.

Haverá meios para solucionar essa situação?

A CEE lançou o Plano de Formação Sacerdotal “Formando Pastores Missionários”, com o qual a Comissão Episcopal para o Clero e os Seminários quer realizar uma profunda renovação formativa nos seminários.

Soluções? Elas não aparecem à vista e nem existe algum debate sobre isso, embora alguns bispos tenham a esperança de que, depois da pandemia, haja um retorno à religiosidade e as vocações ao sacerdócio voltem a surgir. (JSG)

(Da Redação Gaudium Press, com informações e foto Religión Digital)

https://gaudiumpress.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF