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terça-feira, 15 de dezembro de 2020

Santa Nina

Santa Nina | rs21

No século IV, vivia, nas terras pagãs entre o mar Negro e o mar Cáspio, hoje território da Geórgia, uma jovem escrava cristã chamada Nina ou Nuné. Era o tempo do imperador Constantino e ela havia nascido na Capadócia, atual Turquia, e fora aprisionada por ocasião da invasão dos bárbaros aos confins orientais do Império Romano. Nina era uma escrava que demonstrava toda sua fé em Cristo, na alegria com que enfrentava as dificuldades e os sofrimentos.

 

Esse fato chamou a atenção dos pagãos com quem convivia. Assim, teve a oportunidade de ensinar a palavra de Cristo a todos os que a cercavam. Tornou-se tão conhecida que passaram a chamá-la de “Cristiana”, a serva cristã.

 

A antiga tradição russa narra que, certa vez, uma senhora procurou-a, pedindo que solicitasse a intervenção de Deus para que seu filho, gravemente enfermo, não morresse. Nina se ajoelhou aos pés da cama onde estava a criança e rezou com tanto fervor que o menino abriu os olhos, sorriu e levantou-se na frente de todos. Foi o bastante para que toda a região mostrasse interesse pela religião da serva de Cristo. Quanto mais prodígios ela promovia, mais catequizava e convertia os pagãos.

 

Até que, um dia, a rainha desse povo, chamada Nana, adoeceu gravemente e nenhum remédio conseguia fazê-la melhorar. Tentaram de tudo. Nada parecia possível. Então, alguém se lembrou dos chamados “poderes” da serva cristã. Como último recurso, foram sugeridos à rainha, que mandou chamá-la. Assim, essa humilde escrava foi ao palácio atender a rainha, levando consigo apenas a certeza de sua fé e a confiança de suas orações. Logo conseguiu curar a soberana.

 

Enquanto ela se recuperava, seu marido, o rei Mirian, certo dia, saiu em comitiva para uma caçada. Mas o grupo acabou isolado no bosque devido a uma violentíssima tempestade. A situação era crítica, com trovões e raios incendiando árvores, pedras rolando ao vento e atingindo pessoas. O pavor tomou conta de todos, clamaram por seus deuses, mas nada acontecia. Lembrando-se da rainha, o rei decidiu rezar para o Deus de Cristiana. Uma luz, então, foi vista saindo do céu, a tempestade cessou e todos puderam regressar sãos e salvos à Corte. Nesse instante, o rei sentiu a fé invadir seu coração.

 

Ao voltar, procurou a escrava Nina e lhe pediu que falasse tudo o que sabia sobre sua religião. Acabou catequizado e convertido. Entretanto os reis Mirian e Nana não podiam ser batizados, pois na Corte não havia nenhum bispo. Seguindo a orientação de Cristiana, o rei enviou esse pedido ao imperador Constantino. Nesse meio tempo, mandou construir a primeira igreja cristã, de acordo com uma planta feita sob orientação de Nina, já liberta. Quando chegou o primeiro bispo da Geórgia acompanhado de um grupo de sacerdotes missionários, encontraram o povo já abraçando a doutrina de santa Nina, como os fiéis a chamavam por força de sua piedade e prodígios de fé. Com facilidade, converteram a nação inteira, a partir da grande solenidade do batismo do casal real.

 

Depois, junto com o bispo, o rei Mirian e a rainha Nana construíram o Mosteiro Samtavro, anexo àquela igreja, onde mais tarde foram sepultados. Nele também viveu alguns anos santa Nina, que morreu no ano 330.

 

Venerada pelos fiéis como padroeira da Geórgia, suas relíquias estão guardadas na Catedral da Metiskreta, antiga capital do país. Seu culto foi confirmado, sendo realizado, no Oriente, em 14 de janeiro, enquanto a Igreja de Roma a comemora no dia 15 de dezembro.


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Santa Maria Crucificada de Rosa

S. Maria Crucificada | rs21

Santa Maria Crucificada de Rosa nasceu em 1813, em Bréscia, Itália, com o nome de Paula Francisca Maria. De família nobre, muito cedo ela perdeu a mãe, e como a família era numerosa, ela teve que assumir a administração da casa. Mas, ao lado dos trabalhos e preocupações domésticas, ela começou a envolver-se com os problemas sociais, principalmente aqueles que diziam respeito às operárias pobres e aos empregados da indústria de seu pai, que tentou casá-la com um rapaz pertencente à nobreza, mas seu orientador espiritual, padre Francisco Pinzoni, um sacerdote equilibrado e prudente, conseguiu demovê-lo da idéia.

 

A vida de Maria Francisca mudou radicalmente, quando no ano 1836 uma grande epidemia de peste assolou a Itália, e ela resolveu entregar-se de corpo e alma aos cuidados com os doentes. Os estragos causados pela epidemia fizeram-na dar o passo definitivo. Enfrentou a resistência do pai, até conseguir autorização para seguir sua vocação. Ajudada por Gabriela Bernati, também de família nobre, ela fundou a Congregação das Servas da Caridade. Depois da peste veio a guerra contra a Áustria, e ambos os acontecimentos deixaram um rastro de morte e desolação na Itália. A cidade de Bréscia que já havia sofrido os efeitos da peste, passou agora a sentir os efeitos da guerra conta os austríacos. Maria Crucificada e suas companheiras trabalharam incansavelmente cuidando dos doentes e feridos.

 

A consolidação da Congregação foi difícil, mas pouco a pouco ela foi se firmando e se expandindo, e o trabalho das irmãs passou a ser reconhecido. Em 1850 ela solicitou do Papa a aprovação do novo Instituto, e no ano 1542, ela e mais 25 irmãs fizeram os votos religiosos de pobreza, castidade e obediência. A esses votos as Servas da Caridade acrescentaram o voto de dedicar a vida ao cuidado com os doentes e portadores de peste. Hoje a Congregação se encontra espalhada por todos os continentes. Maria Crucificada faleceu em 15 de dezembro e foi canonizada por Pio XII em 1954.

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segunda-feira, 14 de dezembro de 2020

ANO DE SÃO JOSÉ

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ)

O Papa Francisco – devoto ardoroso de São José e responsável por incluir esse grande santo nas Orações Eucarísticas II, III e IV do Missal Romano, conforme Decreto da Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos emitido em 1º de maio de 2013 – decretou que de 8 de dezembro deste ano a 8 de dezembro de 2021 é o Ano de São José. Além das indulgências deste tempo santo, somos convidados a conhecer mais e melhor a São José venerado com o culto de protodulia.

         De início, notamos que a Escritura fala pouco de São José. Algumas de suas passagens nos parecem, porém, suficientes para compreender aquele que a Igreja chama de “homem justo”. Vejamos: Mt 1,16: “Jacó gerou José, esposo de Maria, da qual nasceu Jesus, que é chamado Cristo”; Mt 1,18-20: “Eis como nasceu Jesus Cristo: Maria, sua mãe, estava desposada com José. Antes de coabitarem, aconteceu que ela concebeu por virtude do Espírito Santo. José, seu esposo, que era homem de bem, não querendo difamá-la, resolveu rejeitá-la secretamente. Enquanto assim pensava, eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe disse: ‘José, filho de Davi, não temas receber Maria por esposa, pois o que nela foi concebido vem do Espírito Santo’” e continua, no versículo 24, como conclusão dos fatos: “Despertando, José fez como o anjo do Senhor lhe havia mandado e recebeu em sua casa sua esposa”.

         Mateus narra também a fuga de Maria e José com o Menino Jesus para o Egito por medo do rei Herodes, após a partida dos magos, segundo Mt 2,13-15: “Depois de sua partida, um anjo do Senhor apareceu em sonhos a José e disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e foge para o Egito; fica lá até que eu te avise, porque Herodes vai procurar o menino para o matar’. José levantou-se durante a noite, tomou o menino e sua mãe e partiu para o Egito. Ali permaneceu até a morte de Herodes para que se cumprisse o que o Senhor dissera pelo profeta: Do Egito chamei meu filho”. Ainda em Mt 2,19-23: “Com a morte de Herodes, o anjo do Senhor apareceu em sonhos a José, no Egito, e disse: ‘Levanta-te, toma o menino e sua mãe e retorna à terra de Israel, porque morreram os que atentavam contra a vida do menino’. José levantou-se, tomou o menino e sua mãe e foi para a terra de Israel. Ao ouvir, porém, que Arquelau reinava na Judeia, em lugar de seu pai Herodes, não ousou ir para lá. Avisado divinamente em sonhos, retirou-se para a província da Galileia e veio habitar na cidade de Nazaré, para que se cumprisse o que foi dito pelos profetas: Será chamado Nazareno”.

Já Lucas, 2,1-5, assim diz: “Naqueles tempos, apareceu um decreto de César Augusto, ordenando o recenseamento de toda a terra. Esse recenseamento foi feito antes do governo de Quirino, na Síria. Todos iam alistar-se, cada um na sua cidade. Também José subiu da Galileia, da cidade de Nazaré, à Judeia, à Cidade de Davi, chamada Belém, porque era da casa e família de Davi, para se alistar com a sua esposa, Maria, que estava grávida”. Dando um passo além, o mesmo evangelista diz – em 2,16 – que, no nascimento de Jesus numa manjedoura, os pastores, avisados pelos anjos, “Foram com grande pressa e acharam Maria e José, e o menino deitado na manjedoura”. No mesmo capítulo, Lucas aponta indiretamente para a presença de São José ao lado de Maria e do Menino Jesus (cf. vers. 22. 27. 33. 39. 41. 42-43. 48. 51). Formam, assim, a Sagrada Família, modelo às famílias de todos os tempos.

Estas poucas citações demonstram São José como homem justo, temente a Deus e protetor valioso de Jesus-Menino e de Maria, sua mãe. Deus escolhe para fazer acontecer seu grande projeto divino os meios humanos mais simples. Como ensina a Igreja, sem ter de precisar de nós, Deus quer precisar de nós para realizar o seu grandioso projeto de amor e salvação. Projeto do qual São José participa com seu modo discreto, quase anônimo, e com poucas palavras…, mas é venerado, na Igreja, com o culto de protodulia, como afirmamos; ou seja, dentre todos os santos e santas, o primeiro (prõtos) a merecer deferência, depois da grande veneração (hiperdulia) à Mãe de Deus, Maria Santíssima, é São José, o pai adotivo de Jesus. Dentre as várias devoções populares a esse grande santo temos o de ser ele o Padroeiro da boa morte, por ter expirado nos braços de Jesus e Maria, São José de botas, demonstrando estar sempre pronto a proteger a família e a Igreja, São José dormindo, a apresentar a serenidade nascida da confiança inabalável em Deus etc.

Levando em consideração tudo isso – além do que diz a Tradição – a Congregação para o Culto Divino e a Disciplina dos Sacramentos por um Decreto, emitido em 1º de maio de 2013, diz: “em virtude das faculdades concedidas pelo Sumo Pontífice Francisco, de bom grado decreta que o nome de São José, esposo da Bem-aventurada Virgem Maria, seja, a partir de agora, acrescentado na Oração Eucarística II, III e IV da terceira edição típica do Missal Romano. O mesmo deve ser colocado depois do nome da Bem-aventurada Virgem Maria como se segue: na Oração Eucarística II: ‘ut cum beata Dei Genetrice Virgine Maria, beato Ioseph, eius Sponso, beatis Apostolis’, na Oração Eucarística III: ‘cum beatissima Virgine, Dei Genetrice, Maria, cum beato Ioseph, eius Sponso, cum beatis Apostolis’; na Oração Eucarística IV: ‘cum beata Virgine, Dei Genetrice, Maria, cum beato Ioseph, eius Sponso, cum Apostolis’. Para os textos redigidos em língua latina utilizam-se as fórmulas agora apresentadas como típicas. Esta Congregação ocupar-se-á em prover à tradução nas línguas ocidentais mais difundidas; para as outras línguas a tradução deverá ser preparada, segundo as normas do Direito, pelas respectivas Conferências Episcopais e confirmadas pela Sé Apostólica através deste Dicastério”.

         Surge agora a pergunta: por que o Santo Padre, o Papa Francisco, escolheu 8 de dezembro, Solenidade da Imaculada Conceição, para o início do Ano Josefino? – Porque ele marca o 150º aniversário da promulgação do decreto da Sagrada Congregação dos Ritos, intitulado Quaemadmodum Deus, com o qual o Beato Pio IX, em 1870, declarou São José, padroeiro da Igreja universal. Aquele Papa, no tempo histórico conturbado da unificação da Itália, recorreu ao casto esposo da Virgem Maria e pai adotivo do Salvador, de modo que, no citado documento, se pode ler o seguinte: “Decreto de Sua Santidade o Papa Pio IX. À Cidade [de Roma] e ao Mundo. Da mesma maneira que Deus [Quaemadmodum Deus] havia constituído José, gerado do patriarca Jacó, superintendente de toda a terra do Egito para guardar o trigo para o povo, assim, chegando a plenitude dos tempos, estando para enviar à Terra o Seu Filho Unigênito, Salvador do Mundo, escolheu outro José, do qual o primeiro era figura, fê-lo Senhor e Príncipe de sua casa e propriedade e elegeu-o guarda dos seus tesouros mais preciosos”.

“De fato, ele teve como esposa a Imaculada Virgem Maria, da qual nasceu, pelo Espírito Santo, Nosso Senhor Jesus Cristo, que perante os homens dignou-se ter sido considerado filho de José e lhe foi submisso. E Aquele que tantos reis e profetas desejaram ver José não só viu, mas com Ele conviveu e com paterno afeto abraçou e beijou; e além disso, nutriu cuidadosamente Aquele que o povo fiel comeria como Pão descido dos Céus para conseguir a vida eterna. Por esta sublime dignidade, que Deus conferiu a este fidelíssimo servo seu, a Igreja teve sempre em alta honra e glória o Beatíssimo José, depois da Virgem Mãe de Deus, sua esposa, implorando a sua intercessão em momentos difíceis”. Feito este belo resumo da devoção a São José, quis Pio IX “confiar a si mesmo e os fiéis ao potentíssimo patrocínio do Santo Patriarca José, quis satisfazer os desejos dos Excelentíssimos Bispos e solenemente declarou-o Patrono da Igreja Católica”.

Eis que, em 2020, Francisco comemora os 150 anos do Decreto Quaemadmodum Deus com a publicação da Carta Apostólica Patris Corde [Coração de Pai], de 8 de dezembro de 2020, que deve ser lida na íntegra. Volto-me, agora, às indulgências concedidas para este Ano Josefino, de acordo com a fala de Dom Krzysztof Józef Nykiel, regente da Penitenciaria Apostólica. Explica ele que “o decreto da Penitenciaria Apostólica pretende especificar a forma como o dom da indulgência plenária é concedido aos fiéis por ocasião do Ano de São José, em virtude do que o próprio Papa Francisco estabeleceu. Portanto, a Penitenciaria concede a indulgência plenária aos fiéis que, além das condições habituais previstas pela Igreja – confissão sacramental, comunhão eucarística e a oração segundo com as intenções do Santo Padre – pratiquem cinco atos particulares de piedade ou obras de caridade ligadas ao modelo representado pelo pai putativo de Jesus. As obras indulgenciais consistem em abrir-se à vontade de Deus, em tomar tempo para a meditação pessoal ou para participar de um retiro espiritual, seguindo o exemplo de José, sempre pronto a aceitar a vontade de Deus; em fazer-se instrumento de justiça e misericórdia do Pai através da realização de obras de misericórdia corporais e espirituais, como José, o ‘homem justo’ (Mateus 1,19); na renovação da comunhão com Deus dentro da própria família e entre os noivos, através da recitação do Santo Terço; na santificação do próprio trabalho confiando-o à intercessão de São José ou rezar por aqueles que são privados de uma ocupação digna; na intercessão pelos cristãos que sofrem formas de perseguição através da oração das ladainhas a São José ou outras fórmulas de oração próprias dos ritos das Igrejas Orientais”.

Perguntado se o Ano Josefino leva em conta o contexto de pandemia, Dom Nykiel respondeu: “Certamente. Invocar o patrocínio de São José à Igreja universal significa, antes de tudo, elevar a ele pedidos de intercessão para pôr um fim a esta pandemia, que está causando tanto sofrimento e dor em todo o mundo, tanto em termos de vítimas como de doentes, assim como em suas pesadas consequências sociais e econômicas. Além disso, no texto do decreto é feita menção especial àqueles que, devido às consequências do contágio, estão impossibilitados de preencher as condições para receber indulgência (os idosos, os doentes, os moribundos). Confiando na intercessão de São José, no conforto dos doentes e do santo padroeiro da boa morte, a indulgência se estende a todos eles se, com espírito desapegado de qualquer pecado e com a intenção de cumprir as condições o mais rápido possível, recitarem um ato de misericórdia em honra do Santo” (Cinco gestos para assemelhar a São José. Vatican.va, 10/12/2020).

Gostaria de terminar com a indicação de um livro e da transcrição de um ensinamento sobre o pai adotivo de Jesus. O livro é São José na vida de Cristo e da Igreja, do Pe. Maurício Meschler, SJ (Cultor de Livros). Obra preciosa que na primeira parte, traça o perfil modesto e humilde do patriarca de Nazaré, para a seguir apresentar a vida de São José na Igreja, o culto que os fiéis lhe prestam e as múltiplas graças que decorrem das suas virtudes. O ensinamento se deve a Santa Teresa d’Ávila, mística carmelita e doutora da Igreja, que diz: “E tomei por advogado e senhor ao glorioso São José e me encomendei muito a ele […] Não me lembro até hoje de haver-lhe suplicado nada que não me tenha concedido. É coisa que espanta as grandes mercês que me fez Deus por meio deste bem-aventurado santo, e dos perigos de que me livrou, tanto de corpo como de alma; que a outros santos parece que lhes deu o Senhor graça para socorrer em uma necessidade; mas a este glorioso santo tenho experiência de que socorre em todas, e quer o Senhor nos dar a entender, que assim como a ele esteve submetido na terra, pois como tinha nome de pai, sendo guardião, nele podia mandar, assim no céu faz o quanto lhe pede”.

Aprendamos também nós, neste Ano Josefino, a recorrer, ainda com mais fervor, a São José e peçamos a ele que alcance de Deus a graça de imitarmos suas virtudes. Amém!

CNBB

Dom Paulo Cezar Costa toma posse como o 5º arcebispo da arquidiocese de Brasília.

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A arquidiocese de Brasília está em festa!

Nomeado pelo papa Francisco no último dia 21 de outubro, Dom Paulo Cezar tomou posse da arquidiocese de Brasília neste sábado (12), em cerimônia restrita na Catedral de Brasília, na Capital Federal. Dom Paulo Cezar sucede a Dom Sergio, que em junho deste ano, assumiu a arquidiocese de São Salvador, BA.

Na celebração de posse estiveram presentes familiares de Dom Paulo, amigos, bispos, cardeais, o clero, representantes de pastorais e movimentos arquidiocesanos e autoridades.

Pascom | ArqBrasília

Em sua homilia, o arcebispo fala que “só o amor de Deus pode nos ajudar a construirmos uma sociedade brasileira mais a altura da grandeza de Deus e da dignidade do ser humano, criado a imagem e semelhança de Deus.”

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Ao final da celebração, em meios as homenagens, a equipe de liturgia leram uma mensagem saudando o novo arcebispo. Leia na íntegra:

“Bendito o que vem em Nome do Senhor!” (Lc 13, 35). Estamos aqui reunidos na Igreja Mãe de nossa Arquidiocese, a Catedral Metropolitana de Nossa Senhora da Conceição Aparecida, a Padroeira do Brasil e de Brasília, um lugar de grandes celebrações, de encontros significativos na fé e de inúmeros envios missionários, para acolher, com entusiasmo e esperança, nosso novo pastor, o Exmo. Revmo. Dom Paulo Cezar Costa.

Dom Paulo Cezar, quando lemos a sua primeira carta a nossa Arquidiocese, começamos a perceber os sinais de sua paternidade, a sua sabedoria, a sua ternura, cuidado e firmeza que são a garantia de que o rebanho do Povo de Deus que habita no Distrito Federal será conduzido na direção indicada o santo Evangelho. Neste intuito, cremos que o seu lema episcopal: “Tudo suporto pelos eleitos” (2 Tm 2, 10) é uma clara demonstração de que alegrias e tristezas, sombras e luzes, dias e noites fazem parte do sim nosso cotidiano, mas, em Cristo, temos tudo o que é necessário para permanecermos firmes no testemunho da alegria do Evangelho.

Quis o bom Deus que hoje no dia a Igreja em que a igreja celebra a Festa de Nossa Senhora de Guadalupe, a Padroeira da América Latina, nós o acolhêssemos como nosso pastor. Inspirados por Maria, também nós cantássemos, afinal nossa alma rejubila de alegria crendo que o Senhor fez grandes coisas em nosso favor nesses 60 anos de arquidiocese, e também agora, quando ele acolhe as nossas súplicas.

Dom Paulo, sinta-se abraçado, acolhido em cada um dos recantos de nossa arquidiocese que é extensa nos seus territórios, assim como é também grande em generosidade alegria e no amor no servir

Amados irmãos e irmãs, o tempo da espera terminou. Deus ouviu as nossas preces e agora é o tempo de realizarmos uma nova semeadura, caminhando com dom Paulo. Seja bem-vindo, Dom Paulo Cezar. Que a sua presença à frente da Arquidiocese de Brasília cumule-a ainda mais de alegria por tê-lo como pastor! Hoje o recebemos como o nosso arcebispo, nosso pai espiritual, nosso irmão, para ser nosso amigo, para ser nosso Pastor. E queremos dizer: “muito obrigado por vir, obrigado pelo sim a Deus, obrigado pela sua generosidade em ser nosso bispo

Louvado seja nosso Senhor Jesus Cristo!

Pascom | ArqBrasília

Arquidiocese de Brasília

Como manter acesa a chama da nossa fé?

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por Prof. Felipe Aquino

Sem fé é impossível agradar a Deus.

“Sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6). A Igreja ensina que a fé é a virtude (teologal), “dada por Deus”, que nos leva a crer em Deus e em tudo o que nos disse e revelou, e que a Santa Igreja nos propõe para crer. Pela fé, “o homem livremente se entrega todo a Deus”. O cristão procura conhecer e fazer a vontade de Deus, já que “o justo viverá da fé” (Rm 1,17) e “sem fé é impossível agradar a Deus” (Hb 11,6). A fé em Deus nos leva a voltar só para Ele como nossa origem e nosso fim, e a nada preferir a Ele e nem substituí-lo por nada.

A fé é como uma chama que precisa de combustível para se manter acessa. É como uma plantinha que precisa de água todo dia, sol e adubo, para crescer a cada dia.

Para a fé viver e crescer é necessário uma vida de oração diária, de intimidade com Deus, de amizade com o “divino Amigo”, partilhando com Ele todos os sofrimentos e alegrias.

A fé se torna forte quando meditamos as Suas Palavras e obedecemos o que Ele ordena, sem medo e sem dissimulação. “Corramos com perseverança ao combate proposto, com o olhar fixo no autor e consumador de nossa fé, Jesus” (Hb 12,1).

Nossa fé se fortalece quando O recebemos na Eucaristia onde Ele se dá no Pão para ser “alimento e remédio” para a nossa vida. Ele disse que quem come a Sua carne e bebe o Seu Sangue “permanece Nele”, “viverá por Ele” e será ressuscitado no último dia.

A fé cresce e se fortalece quando se ama a Deus e ao próximo, pois, a fé viva “age pela caridade” (Gl 5,6). “É morta a fé sem obras” (Tg 2,26); sem a esperança e o amor a fé não une plenamente o cristão a Cristo e não faz dele um membro vivo de seu Corpo.

Igreja

A fé não é apenas algo individual, mas coletivo, é da Igreja. Muitos fraquejam na fé porque vivem na “sua” fé; pobre e fraca. Temos de viver na fé “da Igreja”, tudo o que ela recebeu de Cristo e nos ensina. Jesus disse a Igreja: “Quem vos ouve a Mim ouve, quem vos rejeita a Mim rejeita…”(Lc 10,16). Só tem fé inabalável aquele que crê e vive o que ensina a Santa Igreja, Esposa do Senhor, pois ela é o Seu “braço estendido em nossa história”. A Igreja nunca teve crise de fé.

O que pode apagar a nossa fé? Os nossos pecados. Então, lutar contra os pecados é o melhor meio de manter acesa a fé. Uma vida de tibieza (relaxamento espiritual), mata a fé. Dai a importância da Confissão, sem demora, sempre que o pecado assaltar nossa alma. Nada de auto piedade e de falso orgulho, corramos depressa ao sacerdote Daquele que derramou seu Sangue para nos perdoar em qualquer momento. Não permita que a erva daninha do pecado vá matando a planta da fé no jardim da sua alma.

Para manter a fé acesa é preciso renovar a cada dia a nossa confiança em Deus, abandonar a vida em suas mãos como a criança que se abandona no colo da mãe e não se preocupa. Viver na fé significa conhecer a grandeza e a majestade de Deus, e então, viver em ação de graças por tudo o que somos e que Dele recebemos. “Que é que possuís que não tenhas recebido?” (1 Cor 4,7). “Como retribuirei ao Senhor todo o bem que me fez?” (Sl 116,12)

Viver na fé significa confiar em Deus em qualquer circunstância, mesmo na adversidade. Como dizia Santa Teresa: “Nada te perturbe, nada te assuste, Deus não muda, a paciência tudo alcança, quem a Deus tem nada falta. Só Deus basta!” “Tudo concorre para o bem dos que amam a Deus” (Rom 8,28).

A fé exige também dar testemunho de Cristo. “Todo aquele que se declarar por mim diante dos homens também eu me declararei por ele diante de meu Pai que está nos céus. Aquele, porém, que me renegar diante dos homens também o renegarei diante de meu Pai que está nos céus” (Mt 10,32-33).

Quanto mais se exercita a fé, mais ela cresce em nós e se fortalece; quanto menos a exercitamos, mais se torna raquítica.

Aleteia

Domingo Gaudete: alegria, onde está ela?

Guadium Press
Como explicar que numa vida permeada de sofrimentos e contrariedades se encontre alegria? Isso é incompreensível ao homem de hoje, acostumado desde a mais tenra idade a buscá-la onde ela não se encontra.

Redação (13/12/2020 08:05Gaudium Press“Alegrai-vos sempre no Senhor. De novo eu vos digo, alegrai-vos! O Senhor está perto” (Fl 4,4s).

Da Antífona de entrada, a Igreja recolhe o característico nome do III Domingo do Advento: “Gaudete”.

Passagens como: “Se alegra o meu espírito em Deus, meu salvador” (Lc 1, 47) “Exulto de alegria no Senhor” (Is 60, 10). “Irmãos, estai sempre alegres!” (I Ts 5, 16) e compõem o belo quadro da Liturgia deste dia. Até mesmo a cor litúrgica – o róseo – nos fala de alegria.

A alegria – a verdadeira alegria – sempre foi sinal distintivo da Santa Igreja Católica. Com o coração repleto deste nobre sentimento, os mártires entregaram suas vidas pelo nome de Jesus; e as virgens, os doutores, os religiosos e os ascetas de todos os tempos com ela imolaram sua existência terrena a Deus.

Como explicar que numa vida permeada de sofrimentos e contrariedades se encontre alegria? Isso é incompreensível ao homem de hoje, acostumado desde a mais tenra idade a buscá-la onde ela não está.

Afastai-vos de toda espécie de maldade

A alegria cristã – a verdadeira – é indissociável das virtudes. Na segunda leitura (1 Ts 5, 16-24), o Apóstolo, depois de recomendar a santa alegria, nos incita a “afastarmos de toda espécie de maldade”, pois deseja que “o próprio Deus da paz nos santifique totalmente, a fim de sermos conservados sem mancha alguma para a vinda de Nosso Senhor Jesus Cristo”.

Tomemos e analisemos, então, dois dos vícios funestos que mais arrastam o homem contemporâneo à obtenção de falsas alegrias: a luxúria e a soberba.

Prometem alegria, conduzem à frustração. Afastemo-nos, pois, dessas “espécies” funestas de maldade.

A falsa alegria da impureza e do orgulho

O horror e a vergonha acompanham visivelmente o pecado da incontinência. A decepção e a má tristeza também.

Por que trocar uma consciência tranquila e, mais do que isso, a amizade com Deus e a posse do Reino Celeste por míseros instantes de um prazer ilícito, que escraviza a vontade e faz definhar a inteligência? Mísero simulacro de alegria, tão apregoado e seguido, infelizmente, em nossos dias!

Por outro lado, o pecado da vanglória não traz consigo aquela repulsa e rejeição próprias à impureza; nem por isso deixa de ser gravíssimo pecado.

Todo soberbo é, de certa forma, um ladrão, pois levanta-se com a glória e a honra que são próprias de Deus, e que o Senhor reserva unicamente para Si: “a minha glória não darei a outro” (Is 42, 8). Porque o soberbo quer usurpar essa glória de Deus, e levantar-se com ela, atribuindo-a a si.[1]

E se, sob o pretexto de sermos alegres, falamos ou agimos com vanglória, lembremo-nos destes conselhos de São Felipe Néri, conhecido como “Santo da alegria”: “Mantenham-se longe dos lugares de diversões mundanas, pois estes nos põe sempre em perigo de pecar” e “Nunca digais uma palavra em louvor próprio, nem sequer por brincadeira”[2].

Sirvam-nos, enfim, de exemplo, as palavras repletas de profunda humildade saídas dos lábios de São João Batista, e que figuram no Evangelho de hoje (Jo 1, 6-8.19-28):

“Eu batizo com água; mas no meio de vós está aquele que vós não conheceis e que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias.

            A Liturgia deste Domingo Gaudete nos convida a buscarmos a alegria em sua única e verdadeira fonte: Nosso Senhor Jesus Cristo, cujo Coração é a Fons totius consolationis. Quem cumpre seus Mandamentos e sua vontade, com verdadeira alegria e entusiasmo, não ficará sem a devida recompensa.

Por Afonso Costa

https://gaudiumpress.org/

"Francisco é Pedro. E Pedro nós amamos." Card. Braz de Aviz fala da proximidade do Papa aos consagrados

DomTotal

https://youtu.be/aFg48aX3nYc

“Para nós, Francisco é Pedro. Pedro nós não criticamos, Pedro nós não avaliamos, Pedro nós obedecemos, nós amamos”: palavras do Card. João Braz de Aviz, prefeito da Congregação para a Vida Consagrada. Em entrevista ao Vatican News, o cardeal brasileiro fala da coragem e da presença de religiosos e religiosas nas áreas de risco e faz seus votos de feliz aniversário para o Papa Francisco, que em 17 de dezembro completará 84 anos.

Bianca Fraccalvieri – Cidade do Vaticano

“Um ano muito frutuoso”: este é o balanço que o prefeito da Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica, Card. João Braz de Aviz, faz do ano de 2020 para a vida consagrada.

Para Dom João, o drama causado pela Covid-19 demonstrou a coragem e a disponibilidade de religiosos e religiosas de servir nos lugares e situações mais difíceis.

Um empenho por parte dos consagrados que foi acompanhado de perto pelo Papa. Do Pontífice, aliás, o cardeal brasileiro ressalta o seu lado paternal, sempre próximo e pronto a dialogar, e citou como exemplo os comprimidos enviados por Francisco para evitar gripe.

“Eu vejo os religiosos, os consagrados, as consagradas num caminho de muita disponibilidade. Normalmente, existe até uma coragem muito grande de ir às áreas de risco, de não deixar de servir onde é possível servir, de partir para os lugares mais difíceis. Por exemplo, no Brasil nós temos algumas congregações que têm missões na África. Eu vi agora a disponibilidade de irmãs e de padres de irem para esta área de Cabo Delgado (Diocese de Pemba – Moçambique, ndr), que tem tantos problemas e tantas ameaças de vida. E estão indo com naturalidade servir e testemunhar. Neste sentido, me parece um ano muito frutuoso.”

O senhor teve a oportunidade de falar com o Papa Francisco sobre o empenho dos religiosos?

“Nós o atualizamos constantemente. Ele segue tudo, estamos sempre também tomando decisões juntos. A gente fica impressionado de como ele é pai, como ele busca estar próximo. Dias atrás, recebemos aqui até uns comprimidinhos para prevenir gripe. Isso comove a gente: é alguém que está ali, que está à disposição, a serviço. Essa nova carta sobre São José, que deixa a gente também tão feliz, porque ele pega pelo lado da cotidianidade, da simplicidade. Talvez a figura de São José seja a mais bonita neste tempo agora da Covid.

"Para nós é fundamental a nossa comunhão com o Santo Padre, nós repetimos isso constantemente. Para nós, Francisco é Pedro. Pedro nós não criticamos, Pedro nós não avaliamos, Pedro nós obedecemos, nós amamos, nós dialogamos com ele e ainda mais Pedro quando ele procura por si mesmo este diálogo com a gente. O Dicastério tem se beneficiado muito disso."

Dia 17 de dezembro, o Papa celebrará 84 anos. Quais são seus votos antecipados ao Pontífice?

"Sinto-me muito perto do Papa, seja pela experiência de fé, seja pelo ministério, seja também por esta missão de cardeal que tenho aqui em Roma. Realmente para mim o Papa é um ponto central do meu caminho e do meu caminho como missão na Igreja. Quero desejar ao Papa que Deus possa conceder a ele muita saúde. O Papa tem sido admirável com 83, 84 anos com esta disposição de trabalho e com esta capacidade de criar coisas novas que sinalizem a presença de Deus. Então o que a gente quer desejar é que o Papa seja protegido fortemente por Deus e seja amado fortemente pela Igreja. Nós sabemos que Deus dá a cada tempo o Papa que é necessário. Nós damos graças a Deus porque Francisco está à frente da Igreja."

Por fim, Dom João recorda uma das imagens marcantes deste ano de 2020: o Papa sozinho na Praça São Pedro em 27 de março para a bênção Urbi et Orbi:

"Ficou para mim sobretudo aquela imagem do crucifixo que salvou Roma da peste, que eu nem sabia que existia, aquela chuva pingando no crucifixo, o Papa sem nenhuma proteção embaixo do crucifixo, olhando, e esta Praça totalmente vazia e o Papa caminhando perto de Cristo. O Papa Francisco nos ajuda muito a compreender as coisas não só pelas palavras que ele diz, mas pelas imagens que ele permite a gente de observar. Esta figura da Praça vazia, esta Praça que estamos sempre acostumados a ver cheia, uma Praça colorida com as pessoas do mundo inteirinho e com todos os tipos de tendência, e agora a gente sente que a Praça não tem mais ninguém, mas tem um coração que está ali, que é fiel a Cristo e conduz a Igreja a Cristo."

Vatican News

Papa Francisco: A felicidade não é fácil de alcançar, é preciso trabalhar

Papa Francisco no Ângelus | Vatican News

Vaticano, 13 dez. 20 / 09:50 am (ACI).- O Papa Francisco assinalou, durante a oração do Ângelus deste domingo, 13 de dezembro, no Vaticano, que a alegria é uma característica inerente ao cristianismo. A felicidade, explicou, mostra a proximidade do cristão com Deus: "Quanto mais perto de nós o Senhor está, maior é a alegria".

No entanto, também destacou que ser feliz não é fácil: “O caminho da alegria não é fácil, não é um passeio. É preciso trabalhar para ser feliz". E citou como exemplo João Batista, que "percorreu um longo caminho para chegar a testemunhar Jesus". “Deixou tudo, desde jovem, para colocar Deus em primeiro lugar, para escutar com todo seu coração e com todas as suas forças a Palavra”.

O Santo Padre sublinhou que “o convite à alegria é característico do tempo do Advento: a espera do nascimento de Jesus, a espera que vivemos é alegre, um pouco como quando esperamos a visita de uma pessoa que amamos muito, por exemplo, um bom amigo que não vemos há muito tempo, um parente”.

“Estamos em alegre espera. E esta dimensão da alegria emerge especialmente hoje, terceiro domingo, que se abre com a exortação de São Paulo: ‘Alegrai-vos sempre no Senhor’. Alegrai-vos. A alegria cristã”.

O Papa indicou que o motivo da alegria cristã é a proximidade do Senhor: “Quanto mais perto de nós está o Senhor, mais estamos na alegria; quanto mais longe está, mais estamos na tristeza. Esta é uma regra para os cristãos”.

O Pontífice enfatizou que “a primeira condição da alegria cristã: descentralizar-se de si e colocar Jesus no centro”, e novamente citou o exemplo de João Batista.

“João foi um líder em sua época. Sua fama se espalhou por toda a Judeia e além, até a Galileia. Mas não cedeu nem mesmo por um instante à tentação de atrair a atenção sobre si: ele sempre orientava para Aquele que estava por vir. Dizia: ‘Ele é aquele que vem depois de mim. Eu não mereço desamarrar a correia de suas sandálias’. Sempre apontando para o Senhor, como a Virgem, sempre aponta para o Senhor: ‘Fazei o que Ele disser’. O Senhor está sempre no centro, os santos, inclusive, estão fora, apontando o Senhor. E quem não aponta o Senhor, não é santo”.

Colocar Cristo no centro, continuou o Papa Francisco, “não é alienação, porque Jesus é efetivamente o centro, é a luz que dá sentido pleno à vida de cada homem e mulher que vem a este mundo. É o mesmo dinamismo do amor que me leva a sair de mim mesmo não para me perder, mas para me reencontrar enquanto me dou, enquanto busco o bem do outro”.

De modo especial, “o Batista é modelo para os que na Igreja são chamados a anunciar Cristo aos outros: podem fazê-lo somente no distanciamento de si mesmos e da mundanidade, não atraindo as pessoas a si, mas orientando-as a Jesus”.

“A alegria é isto”, insistiu o Papa, “orientar a Jesus. E a alegria deve ser a característica da nossa fé. Também nos momentos mais ruins, saber que o Senhor está comigo, que o Senhor está conosco, que o Senhor ressuscitou”.

“O Senhor é o centro da nossa vida. É o centro da nossa alegria. Pense bem hoje: como me comporto? Sou uma pessoa feliz que sabe transmitir a alegria de ser cristão? Ou sou sempre como aqueles tristes que parecem estar no velório? Se não tenho a alegria da minha fé, não poderei dar testemunho e os outros dirão: 'Mas se a fé é assim triste, melhor não tê-la'.”, concluiu o Papa Francisco.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Natalia Zimbrão.

ACI Digital

S. JOÃO DA CRUZ, PRESBÍTERO E DOUTOR DA IGREJA, CARMELITA DESCALÇO

S. João da Cruz  (© Ordine dei Carmelitani Scalzi)

“Hoje, vou recitar o Ofício divino no céu”!

A vida religiosa e a vocação Carmelita foram evidentes no final da formação de João – no civil Juan de Yepes Álvarez – filho de um casal muito pobre da antiga Castela, perto de Ávila.

Em 1563, com 18 anos, saiu do Colégio dos Jesuítas de Medina do Campo, onde havia estudado ciências humanas, retórica e línguas clássicas. Logo a seguir, o encontro com Teresa de Ávila mudou suas vidas. João a conheceu, quando era sacerdote, e ficou imediatamente envolvido e fascinado pelo plano de Reforma de Teresa, também no ramo masculino da Ordem. Trabalharam juntos, partilhando ideais e propostas e, em 1568, inauguraram a primeira Casa para os Carmelitas Descalços, em Duruelo, província de Ávila. Naquela ocasião, ao criar com outros a primeira comunidade masculina reformada, João acrescentou ao seu nome “da Cruz”, com o qual ficou universalmente conhecido.

Em fins de 1572, a pedido de Santa Teresa, João da Cruz tornou-se confessor e vigário do Mosteiro da Encarnação, em Ávila, onde a santa era priora. Mas, nem tudo foi um mar de rosas: a adesão à reforma comportou para João diversos meses de prisão por acusações injustas. Conseguiu fugir, correndo risco, com a ajuda de Santa Teresa. Ao retomar as forças, começou um caminho de grandes incumbências, até à morte, em consequência de uma longa doença e enormes sofrimentos.

São João da Cruz despediu-se de seus coirmãos, que recitavam as Laudas matutinas, em um Convento, próximo a Jaén, entre os dias 13 e 14 de dezembro de 1951. Suas últimas palavras foram: “Hoje, vou recitar o Ofício divino no céu!”. Seus restos mortais foram transladados para Segóvia.

São João da Cruz foi beatificado, em 1675, pelo Papa Clemente X e canonizado, em 1726, pelo Papa Bento XIII.

Vatican News

domingo, 13 de dezembro de 2020

Santo Efrém, o Sírio sobre a Bem-Aventurada Virgem Maria - 306-373 D.C.

Apologista da Fé Católica

Santo Efrém [ܡܪܝ ܐܦܪܝܡ ܣܘܪܝܝܐ, literalmente “frutífero”] foi um diácono, hinógrafo, poeta e teólogo do século IV, cujos belos louveres à Bem-Aventurada Virgem Maria continuam a atrair a admiração dos cristãos católicos em todo o mundo. Ele é venerado pelos ortodoxos coptas, cristãos siríacos, Igreja Nestoriana do Oriente, Igreja Ortodoxa Calcedônia, Igreja Católica Romana e até atrai a veneração da Comunhão Anglicana. O Papa Bento XV (1914-1922) elevou Santo Efrém à honra de ser um Doutor da Igreja Universal. O Papa fez uma notável descrição deste amado santo: “Esta harpa do Espírito Santo [Efrém] nunca cantou canções mais belas do que quando ele estabeleceu suas cordas para cantar os louvores de Maria” (Acta Apostolicae Sedis, 1920, p. 467). Embora muitos estejam perdidos, conta-se que ele escreveu mais de 400 hinos. O historiador grego do século 5, Sozomeno, em sua famosa “História Eclesiástica” (Livro III) fala muito eloquentemente de Santo Efrém, e sua breve descrição deste Santo maravilhoso vale a pena compartilhar, embora um pouco longa. Ele escreve:

“Efrém, o sírio, tinha direito às mais altas honras e foi o maior ornamento da Igreja Católica. Ele era nativo de Nisibis, ou sua família era do território vizinho. Ele dedicou sua vida à filosofia monástica; e embora não recebesse nenhuma instrução, tornou-se, contrariando todas as expectativas, tão proficiente no aprendizado e na linguagem dos sírios, que compreendeu com facilidade os teoremas mais obscuros da filosofia. Seu estilo de escrita era tão repleto de oratória esplêndida e com riqueza e temperança de pensamento que ele ultrapassou os escritores mais aprovados da Grécia. Se as obras desses escritores fossem traduzidas para o siríaco, ou qualquer outra língua, e fossem despojadas, por assim dizer, das belezas da língua grega, elas reteriam pouco de sua elegância e valor originais. As produções de Efrém não têm essa desvantagem: foram traduzidas para o grego durante sua vida, e até mesmo traduções estão sendo feitas, e ainda preservam muito de sua força original, de modo que suas obras não são menos admiradas quando lidas em grego do que quando lidas em Siríaco. Basílio, que posteriormente foi bispo da metrópole da Capadócia, era um grande admirador de Efrém e ficou surpreso com sua erudição. A opinião de Basílio, que é universalmente confessada como tendo sido o homem mais eloquente de sua época, é um testemunho mais forte, penso eu, do mérito de Efrém, do que qualquer coisa que pudesse ser incluída em seu louvor. Dizem que ele escreveu trezentos mil versos, e que ele tinha muitos discípulos que estavam zelosamente ligados às suas doutrinas. Os mais célebres de seus discípulos foram Abbas, Zenóbio, Abraão, Maras e Simeão, em quem os sírios e quem quer que fosse buscar um aprendizado preciso se orgulhavam. Paulanas e Aranad são elogiados por seu discurso terminado, embora tenham se desviado da sã doutrina ”(cap. 16).

Assim, não apenas seus escritos eram amplamente conhecidos, eles também foram traduzidos para o grego, e São Basílio de Cesaréia o considerava em alta consideração. Não há exagero na confiabilidade desse magnífico escritor cristão primitivo. Sua Hinográfia da Abençoada Mãe abrange uma ampla gama de testemunhos em nome de sua Divina Maternidade, seu nascimento como uma Virgem, seu papel de mediação salvífica, seu ofício como Segunda Eva e sua absoluta impecabilidade. Isto é extremamente importante, pois neste ponto da história cristã, se fosse uma heresia considerar a Virgem Maria como declarado, então deveríamos ter ouvido falar de certa resistência e rebelião contra ela. No entanto, só vemos elogios e admiração por autores que consideravam a Mãe de Deus em alta estima.

Abaixo estão algumas citações selecionadas de suas Homilias que testemunham a universalidade da devoção mariana e o respeito que ela foi tão agraciada a receber por estar no centro da história da salvação. Santo Efrém era um escritor exclusivamente siríaco, e eu trouxe o inglês de “Maria nos Documentos da Igreja”, de pe. Paul Palmer, S.J., S.T.D., que puxa a maior parte de suas fontes do padre. Thomas J. Lamy, o estudioso bíblico belga e orientalista.

“Despertai, ó minha harpa, teus acordes, em louvor de Maria, a Virgem. Levanta a tua voz e canta a geração absolutamente maravilhosa desta Virgem, a filha de Davi, que deu vida ao mundo … (2) O amante com admiração se maravilha com ela; enquanto o curioso buscador é impregnado de vergonha e seu ouvido é detido, para que não ouse intrometer-se na Mãe que gerou em virgindade inviolada. (12) No ventre de Maria, tornou-se uma criança. Aquele que desde a eternidade é igual ao Pai. Ele nos deu parte em Sua própria grandeza e Ele mesmo fez a aquisição de nossa fraqueza. Mortal foi Ele feito conosco, que infundindo em nós Sua vida, poderíamos não morrer mais … (16) Maria é o Jardim sobre o qual desceu do Pai a chuva de bênçãos. Daquela chuva ela mesma borrifou no rosto de Adão. Ao que ele voltou à vida, e surgiu a partir do sepulcro – ele que tinha sido enterrado por seus inimigos no inferno … (20) Lo, uma virgem se tornou uma mãe, preservando a virgindade com seus selos ininterruptos … Ela é feita a mãe de Deus e está ao mesmo tempo em servitude e a obra de Sua sabedoria … (24) No Éden Eva tornou-se devedora, e a dívida pela qual sua posteridade em sua geração estava condenada à morte foi escrita em letras grandes. A Serpente, aquela perversa escrivã, escreveu, assinou e deu força com o selo de sua fraude … (26) Eva era uma devedora do pecado. Mas para Maria a dívida estava reservada para que a filha pagasse as dívidas de sua mãe e rasgasse a caligrafia que foi passada nas lágrimas de sua mãe como um legado para todas as gerações … (30) Maria era a Virgem inviolada – prefigurada pela terra abençoada do Éden antes de sua superfície ser rasgada por sulcos – floresceu de seu seio a Árvore da Vida, cujo sabor … dá vida às almas … ”(Hinos sobre a Maria Santíssima, 18 – Maria nos Documentos da Igreja, pe. Paul Palmer SJ, STD, páginas 15-23)

“Desde que meu filho és, com minhas rimas, eu te acalmarei. E, por sedes a tua mãe, vou honrá-lo. Meu Filho, a quem eu dei à luz, mais velho que eu Tu és. Meu Senhor, embora eu Te levasse, é Tu quem me sustenta … (11) Que o céu me abrace em seus abraços; porque acima eu sou honrada. Pois o céu, na verdade, não era a vossa mãe, mas tu fizeste o vosso trono. Quão mais honrosa e venerável é a mãe do rei do que o trono dele. Eu te darei graças, ó Senhor, porque queres que eu seja Tua Mãe. Em hinos delicados celebrarei o Teu louvor … (19) Que Eva, nossa primeira mãe, agora ouça e venha a mim … Deixe-a descobrir seu rosto e Te dê graças, porque Você tirou sua confusão. Deixe-a ouvir a voz da paz perfeita, porque sua filha pagou sua dívida. A Serpente, sua sedutora, foi esmagada por Ti, o Tiro que surgiu do meu peito. Por Ti os Querubins e a Espada foram levados embora, para que Adão pudesse retornar ao paraíso de onde foi expulso ”(Hinos sobre a Bem-Aventurada Maria, 19 – Maria nos Documentos da Igreja, Pe. Paul Palmer SJ, STD, páginas 15-23)

“Eva escreveu no Éden a grande caligrafia da dívida pela qual sua posteridade deveria transmitir a morte a todas as gerações; a Serpente assinou o livro fatal, selou-o e firmou-o com o sinete da fraude … Eva trouxe o pecado, e a dívida foi reservada para a Virgem Maria, para que ela pagasse a dívida de sua mãe, e rasgasse a caligrafia sob a qual estavam gemendo todas as gerações …. Duas virgens havia, mas destas duas muito diferente era a conduta: a primeira colocou prostrado seu marido, a outro ergueu seu pai. Através de Eva, o homem encontrou seu túmulo, através de Maria, ele foi chamado para o céu … O Éden de Deus é Maria; nela não há árvore de conhecimento, nenhuma serpente que prejudique, nenhuma Eva que mate, mas dela brota a Árvore da Vida que restaura os exilados ao Éden ”(Sobre a Anunciação da Mãe de Deus, Hino 3 – Maria nos Documentos da Igreja, Pe. Paul Palmer SJ, STD, páginas 15-23)

A Palavra do Pai saiu do seu seio e em outro seio [Maria] Ele colocou um corpo. De um seio veio ao seio. Esses seios puros estavam cheios dele. Bendito seja Aquele que habita em nós. ”(Hino sobre a ressurreição de Cristo, 7)

“Tu e Tua Mãe são os únicos que são perfeitos em todos os aspectos; porque não há lugar em ti, ó Senhor, nem mácula na tua mãe ”(O hino de Nisibis, 27).“

“… Como poderia ser que ela, que era a morada e habitação do Espírito e a quem o poder de Deus ofuscara, se tornasse depois a esposa de um homem mortal e, em conformidade com a maldição anterior, produzisse dor? Pois desde que Maria é abençoada entre as mulheres, através dela foi revogada a maldição original pela qual as crianças nascem com dor e maldição … Pois esta Virgem, sem experimentar as dores do parto, realmente e verdadeiramente deu à luz. Se, além disso, o fato de que certos discípulos foram chamados os irmãos do Senhor deve levar alguns a acreditar que eles eram os filhos de Maria, que eles saibam que até o próprio Cristo foi chamado o filho de José, e isto não é apenas pelo Judeus, mas pela própria Mãe Maria ”(Esta é uma tradução em inglês de“ Maria nos Documentos da Igreja ”(Palmer, p. 23), que é retirada de uma reconstrução latina de Mosinger [Veneza, 1876], pp. 23-24, reproduzido por J. Rendel Harris em Fragmentos dos comentários de Efrém, o Sírio sobre o Diatesseron [Londres, 1895], pp. 31-32]

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF