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segunda-feira, 6 de abril de 2026

Vida de Maria (17): Ressurreição e Ascensão do Senhor

Ressurreição e Ascensão do Senhor (Opis Dei)

Vida de Maria (17): Ressurreição e Ascensão do Senhor

Os evangelhos não incluem Nossa Senhora no grupo de mulheres que no domingo foram lavar o corpo do Senhor. Sua ausência mostra a esperança na vitória de Cristo.

18/04/2017

Ao amanhecer do terceiro dia, uma vez passado o sábado, Maria Madalena, Maria a mãe de Tiago e Salomé puseram-se a caminho para o sepulcro de Jesus. O amor as impulsionava a prestar os últimos serviços ao corpo morto do Senhor, que não puderam fazer na tarde de sexta-feira. Enquanto caminhavam, se perguntavam umas às outras: Quem vai remover para nós a pedra da entrada do túmulo? (Mc 16, 3). Era, de fato, uma espécie de roda de moinho que vários homens haviam colocado para fechar a sepultura.

Chama a atenção que os evangelhos não mencionem a Santíssima Virgem. Depois de ter anotado a sua presença ao pé da Cruz, a figura de Nossa Senhora não volta a aparecer até depois da Ascenção, quando São Lucas, no começo do livro dos Atos dos Apóstolos, assinala que Maria se encontrava no Cenáculo de Jerusalém, com os Apóstolos, as outras mulheres que haviam seguido Jesus desde a Galileia e vários de seus parentes (cfr. Atos 1, 12-14).

Este silêncio é muito eloquente. Maria, ao contrário de todos os outros, acreditava firmemente na palavra de seu Filho, que havia predito a sua ressurreição dos mortos ao terceiro dia. Por isso, desde a mais remota antiguidade, os cristãos pensaram que deve ter passado em vigília a noite do sábado para o domingo, esperando o momento em que Jesus iria cumprir sua promessa. Podemos pensar que, com a ajuda de João – que não se separava dela desde que a havia recebido por mãe ao pé da cruz -, dedicou as horas anteriores a reunir os discípulos do Mestre, tratando de fortalecê-los na fé e na esperança, especialmente os que tinham sido covardes naqueles momentos dolorosos.

Enquanto despontava o novo dia – que logo começaria a chamar-se dies dominica, dia do Senhor –, a Virgem se entregava mais e mais à oração. A fé e a esperança da Igreja nascente estavam concentradas nEla. E esse sentir comum que a primeira aparição do Senhor ressuscitado foi para sua Mãe: não para que tivesse fé, mas como prêmio da sua fidelidade e consolo em sua dor. Depois, com o passar das horas, a notícia correu de boca em boca: primeiro entre os discípulos, a quem as mulheres que foram ao sepulcro comunicaram; e depois a círculos cada vez mais amplos.

No entanto, em Jerusalém os ânimos estavam exaltados; a crucificação de Cristo não havia acalmado o ódio dos príncipes dos sacerdotes e dos anciãos. Sobre os Apóstolos pendia um sério perigo: o de serem acusados de roubo e ocultação do cadáver. Talvez por esta razão, os anjos recordaram às mulheres – para que comunicassem aos discípulos – o que o próprio Jesus lhes havia dito antes da paixão: que fossem para a Galileia (cfr. Lc 24, 8).

Aquele primeiro domingo esteve cheio de idas e vindas ao sepulcro vazio. Finalizou com a aparição de Jesus aos Apóstolos no Cenáculo, à que se seguiria outra no mesmo lugar, uma semana depois (cfr. Jo 20, 19 ss). Logo deveriam empreender a viagem à Galileia, com Maria entre eles, pelos caminhos percorridos outras vezes com Jesus em alegre companhia.

À espera das manifestações do Mestre, os Apóstolos voltaram a seu trabalho de pesca (cfr. Jo 21, 1 ss) enquanto a Virgem, provavelmente alojada na casa de Cafarnaum onde antes havia vivido, seguia fortalecendo a todos na fé e no amor.

Pouco a pouco os ânimos hostis se aplacaram, os Apóstolos e os discípulos viram fortalecida sua fé na ressurreição: de cada encontro com o Senhor – os evangelhos nos relatam só alguns – saiam eufóricos, alegres, otimistas, voltados para o futuro. Até que, num momento determinado, Jesus reuniu os mais íntimos em Jerusalém para dar-lhes os últimos ensinamentos e recomendações, porque a partida definitiva se aproximava.

Foi numa tarde, depois de tomar juntos a última refeição. No cimo ou nas ladeiras do Monte das Oliveiras, com Jerusalém a seus pés, tiveram a última reunião em família com o Mestre. Talvez os seus corações se encolhessem um pouco, pensando que já não o veriam mais. Porém o próprio Senhor adiantando-se, lhes assegurou que continuaria com eles de um novo modo (cfr. Mt 28, 20).

Disse-lhes que não se afastassem de Jerusalém, mas esperai a promessa do Pai (At 1, 4), e logo subiu aos Céus para participar do senhorio de Deus em sua Humanidade Santíssima. São Lucas conta a cena com detalhes: Então Jesus levou-os para fora da cidade, até perto de Betânia. Ali ergueu as mãos e abençoou-os. E enquanto os abençoava, afastou-se deles e foi elevado ao céu. Eles o adoraram. Em seguida voltaram para Jerusalém, com grande alegria (Lc 24, 50-52). Tinham consigo a Mãe de Jesus, que era também Mãe de cada um deles. E, rodeados em volta dEla, aguardaram a chegada do Espírito Santo prometido.

J. A. Loarte

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/

O Papa: façamos ouvir o grito de paz que brota do coração.

Mensagem e Bênção "URBI ET ORBO" (Vatican News)

O Papa: façamos ouvir o grito de paz que brota do coração. Em 11 de abril, uma vigília de oração

Após celebrar a Missa da Ressurreição na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV dirigiu à Cidade de Roma e ao Mundo a sua Mensagem de Páscoa. Disse a "quem tem armas nas mãos, que as deponha"! " A quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz"! Convidou todos a unirem-se a ele na vigília de oração pela paz que será realizada, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.

Mariangela Jaguraba – Vatican News

Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo, proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, neste domingo pascal (05/04), o Papa Leão XIV recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".

"Uma vitória a um preço muito alto", disse ele, pois "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz, depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do domínio do mal, e conosco também a criação".

Jesus percorreu até o fim o caminho do diálogo

"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o Pai"? Perguntou o Papa.

"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", disse Leão XIV, lembrando que assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo, não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz".

Força que traz a paz à humanidade

"A força com que Cristo ressuscitou é completamente não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o ofendeu", disse ainda Leão XIV, acrescentando:

“Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz à      humanidade, porque gera relações respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar em conjunto com os outros.”

"Sim, a ressurreição de Cristo é o princípio da nova humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai que é Amor, Vida e Luz", sublinhou.

Quem tem armas nas mãos, que as deponha

Segundo o Papa, com a sua ressurreição, "o Senhor coloca-nos ainda mais intensamente perante o drama da nossa liberdade. Diante do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado tinha realmente ressuscitado"!

“À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo! Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”

 Tornamo-nos indiferentes

Leão XIV disse que nos habituamos "à violência, resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que produzem e que todos sentimos".

"Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais acentuada", frisou o Papa Leão, retomando uma expressão querida ao Papa Francisco, que um ano atrás, da Praça São Pedro, dirigiu ao mundo as suas últimas palavras, recordando-nos: «Quanto desejo de morte vemos todos os dias em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo!»

Vigília de oração pela paz, em 11 de abril

"A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal! Santo Agostinho ensina: «Se tens medo da morte, ama a ressurreição!». Amemos também nós a ressurreição, que nos recorda que o mal não é a última palavra, porque foi derrotado pelo Ressuscitado", disse ainda Leão XIV, lembrando que Jesus "atravessou a morte para nos dar vida e paz": «Deixo-vos a paz; dou-vos a minha paz. A paz que eu dou não é como a dá o mundo».

“A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a calar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós! Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do coração! Por isso, convido todos a unirem-se a mim na vigília de oração pela paz que celebraremos aqui, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.”

Saudações em dez idiomas

"Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença, que nos fazem sentir impotentes perante o mal", disse o Pontífice, confiando ao Senhor "todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira paz que só Ele pode dar".

O cardeal protodiácono Dominique Mamberti anunciou a concessão de indulgência plenária a todos os fiéis presentes e aos que receberem a sua bênção. Por fim, Leão XIV, como fez no Natal, pronunciou as saudações pascais em dez idiomas: italiano, francês, inglês, alemão, espanhol, português, polonês, árabe, chinês e latim.

Em português, disse:

“Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor Ressuscitado e presente entre nós.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

domingo, 5 de abril de 2026

Mensagem para a Páscoa:

Mensagem de Páscoa (cnbb)

MENSAGEM PARA A PÁSCOA: A VITÓRIA DE CRISTO SOBRE A MORTE É LUZ PARA AS TREVAS DO MUNDO

05/04/2026

A presidência da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) divulgou, neste domingo, 5 de abril, um vídeo com a mensagem da Conferência para a Páscoa. Os membros da presidência reforçam a centralidade da Páscoa para os que professam a fé católica: “A celebração da Páscoa do Senhor é o centro da nossa fé! Proclamamos com alegria: Cristo ressuscitou! Ele é a nossa Páscoa e a nossa paz. Sua vitória sobre a morte ilumina as trevas do mundo e renova em nós a esperança de uma vida nova”.

Recordando os apelos do Papa Leão XIV, a mensagem aponta, em tom de Esperança, a celebração da Páscoa como um momento oportuno de conversão dos corações rumo à busca pela paz e à superação dos conflitos, violência e guerras. “A experiência do Ressuscitado não nos fecha em nós mesmos, mas nos envia ao encontro dos irmãos, especialmente dos que sofrem, para testemunhar que o amor é mais forte que o ódio e que a vida vence a morte”.

Veja, no vídeo abaixo, a íntegra da mensagem:

https://www.youtube.com/watch?v=0FizCIhjS88

A ressurreição de Cristo: uma nova existência

A Páscoa de Cristo transfigura a nossa realidade. Como nos ensina Bento XVI, Jesus entra em um 'novo gênero de existência'. |Vatican News

A partir das reflexões de Bento XVI, exploramos como o evento pascal inaugura uma nova dimensão do ser e exige de nós um olhar profundo para reconhecer o divino

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

A Páscoa é o evento central da fé cristã, mas frequentemente corre o risco de ser mal compreendida em uma visão simplória, como por exemplo, uma simples reanimação de um cadáver. Bento XVI, na obra “Jesus de Nazaré: Da entrada em Jerusalém até a Ressurreição”, convida-nos a olhar para este mistério não como um evento do passado, mas como uma “mutação decisiva” na história da humanidade. Baseados nesse livro, aprofundemo-nos nesse mistério.

O escândalo do testemunho feminino

Um dos pontos mais intrigantes das “novidades” da ressurreição é a escolha de Maria Madalena como a primeira testemunha. Na tradição jurídica judaica da época, o testemunho das mulheres não era aceito em tribunais; era considerado irrelevante e pouco confiável.

Se a ressurreição fosse uma invenção dos discípulos para convencer o mundo, eles jamais teriam escolhido uma mulher como porta-voz inicial. No entanto, há uma coerência profunda aqui: as mulheres, que permaneceram ao pé da cruz com João enquanto os outros apóstolos fugiam, foram as mesmas que receberam o privilégio do encontro. A fidelidade no sofrimento abriu as portas para a primazia no reconhecimento da Glória. Como os evangelhos narram fatos reais, eles não deixaram de colocar o que era estranho à sociedade da época.

A natureza do corpo ressuscitado

As narrativas evangélicas apresentam uma tensão fascinante entre a corporeidade e a transcendência.

  • A corporeidade real: Jesus não é um fantasma. Ele caminha com os discípulos de Emaús, convida Tomé a tocar Suas chagas e come peixe diante dos Apóstolos. Isso afirma que a matéria é boa e que a nossa identidade corporal é redimida, não descartada. Um exemplo dessa continuidade é que o Ressuscitado carrega as marcas da crucificação.
  • A nova existência: Ao mesmo tempo, Jesus atravessa portas fechadas e não é imediatamente reconhecido. Ele não está mais sujeito às leis da física biológica (espaço e tempo) da mesma forma que nós.

Bento XVI enfatiza que Jesus entrou em um “novo gênero de existência”. Ele é o mesmo, mas de uma forma totalmente diversa. Ele agora tem um corpo glorioso, primícias do que teremos também. Esse é um “novo”, difícil de explicar, mas certo em sua composição nas Escrituras.

As teofanias: reconhecer “a partir de dentro”

Para compreender como os discípulos viam o Ressuscitado, podemos olhar para algumas Teofanias (manifestações de Deus) no Antigo Testamento.

  1. Abraão em Mambré: Vê três homens, mas dirige-se a eles como “Meu Senhor”. Há um saber interior que vai além do olhar físico (Gn 18, 1-33).
  2. Josué e o Chefe do Exército: A figura parece um homem comum até que sua identidade divina é revelada pela sua autoridade. Josué vê um homem com uma espada desembainhada na mão. “És tu um dos nossos, ou dos nossos inimigos?”. “Não, mas sou chefe do exército do Senhor” (Js 5, 13-15).
  3. Gedeão e Sansão: Para Gedeão (Jz 6, 11-24) e Sansão (Jz 13), o anjo do Senhor lhes aparece com aspecto de homem, mas é reconhecido como tal quando se esquiva.

Estas foram manifestações que reconheceram o caráter divino de quem ali se apresentava. Mas também havia medo, pois na teologia do Antigo Testamento, acreditava-se que ninguém poderia ver a face de Deus e sobreviver. Com Cristo, foi possível ir mais adiante. Ao olhar para Ele, fazia-se mister ver o Deus e homem, em uma única pessoa. Com Ele era possível ver o próprio Deus frente à frente! Contudo, para isso, a visão externa não bastava. O Ressuscitado exige um reconhecimento a partir de dentro. Só quem tem familiaridade com Ele, quem “sabe quem Ele realmente é”, conseguia vê-Lo. Vejamos o Novo Testamento: assim como os discípulos de Emaús só O reconheceram no “partir do pão”, nós também somos chamados a um encontro que transcende os sentidos físicos.

Proximidade e mistério

A Ressurreição nos deixa duas grandes certezas. Primeiro, a proximidade: Deus não é um motor imóvel distante, mas Alguém que quer ser nosso hóspede, que caminha conosco e partilha da nossa mesa. Deus quer se fazer próximo de mim e de você. Segundo, a necessidade de conversão do olhar: para ver o Ressuscitado, é preciso que o nosso coração esteja iluminado por Ele, para conseguir reconhecer quem Ele é em sua totalidade.

A Ressurreição não é o final de uma história, mas a abertura de um novo horizonte para o que significa ser humano: uma vida que, embora toque a terra, já não pertence mais à morte. Cristo ressuscitou, e com Ele, somos chamados a esse novo também.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sábado, 4 de abril de 2026

Por que será que Jesus perguntou a Pedro três vezes se ele o amava?

São Pedro | Antoine Mekary | ALETEIA

Prof. Felipe Aquino - publicado em 14/04/16 - atualizado em 02/04/26

Veja que lição podemos tirar dessa passagem para a nossa vida….

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Após a Ressurreição, Jesus confirmou Pedro como o Pastor universal de todo o Seu Rebanho, a Igreja. Conta o evangelista São João que: “Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João, amas-me mais do que estes? “Respondeu ele: “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo”. Disse-lhe Jesus. “Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21, 15-17)”.

Além da negação...

Por três vezes o Senhor repetiu esta pergunta a Pedro, e por três vezes lhe disse: “Apascenta as minha ovelhas”. A nenhum outro Apóstolo isto foi dito.

Alguns Padres da Igreja viram nesta tríplice confirmação de Pedro como “Pastor do rebanho”, como que uma maneira de apagar aquelas três vezes que Pedro negou tristemente o Senhor dizendo: “Não conheço este homem” (Jo 18,17.25-27, Mt 26,70-75). Mas, por outro lado, essa repetição tríplice era também a forma solene que o hebreu usava na confirmação de uma missão. Ali, Cristo dava a Pedro uma missão especial, chefiar na Terra o Rebanho “que Ele conquistou com o seu Sangue” (At 20,28). Ali Jesus instituía o Primado de Pedro, o “múnus petrino”, a missão do Papa de confirmar a fé dos cristãos.

É importante notar que, mesmo após Pedro ter negado Jesus, por três vezes, ainda assim o Senhor não tirou dele a chefia do Seu rebanho, pois já o tinha escolhido para isso desde que André, seu irmão, o apresentou pela primeira vez: “Tu és Simão, filho de João, serás chamado Kefas”, que quer dizer Pedra” (Jo 1,40). Na Bíblia, quando Deus muda o nome de alguém, é para lhe dar uma missão sagrada.

Sempre me impressionou muito o fato de Jesus manter Pedro na chefia da Igreja, mesmo depois deste vexame de traí-lo três vezes, no momento em que Jesus mais precisou dele. Por que Ele não colocou João na chefia da Igreja, se João foi o único que ficou ali aos pés de sua cruz com as mulheres? Talvez João não fosse o líder necessário.

Isto mostra como é bom o Coração de Jesus, como é diferente de nós. Certamente qualquer um de nós diria a Pedro: “Não te quero mais, você me traiu…”. Mas Jesus é diferente, Ele conhece cada alma humana e sabe que a carne é fraca. Mesmo diante de nosso pecado Ele não nos abandona, não nos anula e não nos rejeita. Seu amor por nós é irrevogável. Ele compreende a nossa miséria. São João Paulo II disse que “seremos julgados por um Deus que tem um coração humano”. Deus confia em nós sem sequelas, ou seja, Ele confia em nós e não fica olhando para o que passou. Isto é um grande consolo para mim diante de minha miséria. Ele sabe que não sou um “super-homem”, que eu luto para superar as minhas falhas com a Sua indispensável graça. Penso que diante disso tudo, também devemos tomar uma atitude de fé: não podemos ficar só olhando para a nossa miséria, precisamos entregá-la a Jesus.

Jesus deixou Pedro cair vergonhosamente porque precisava tirar o orgulho e a arrogância do coração do seu Apóstolo, e esse foi o meio. Como sabemos disso? São Lucas diz que na noite de Quinta-feira santa, a noite da traição, Jesus orou por Pedro. “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou para vos peneirar como o trigo, mas eu roguei por ti, para que a tua confiança não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,31). Jesus sabia que Pedro seria tentado fortemente e cairia, mas Jesus rezou por ele, para que ele não se desesperasse como Judas. Por isso ele teve a graça de chorar copiosamente seu pecado e ser perdoado pelo Mestre.

“Digo-te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces” (v. 34).

Quando Jesus começou a dizer aos Apóstolos que naquela noite ele seria traído, Pedro retrucou orgulhosamente: “Senhor, estou pronto a ir contigo até a prisão e a morte” (Lc 22,33). Ao que Jesus lhe respondeu: “Digo-te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado que me conheces” (v. 34). E aconteceu a negação tríplice de Pedro. Diz São Lucas que na casa de Caifás, “voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então Pedro se lembrou da palavra do Senhor: “hoje, antes que o galo cante, negar-me-às três vezes. Saiu dali e chorou amargamente” (Lc 22, 61-62). Bastou o olhar de Jesus para Pedro!…

Sem duvida esta humilhação de Pedro diante do seu pecado, do seu vexame, curou o seu orgulho e o preparou para ser um digno “humilde servo do Senhor”, como disse Bento XVI ao ser eleito Papa. Sem a humildade não podemos servir a Deus como Ele deseja, pois Jesus disse que “Sem Mim nada podeis fazer” (Jo 15,5); e o orgulho nos impede de fazer tudo com Jesus, nos faz esquecer Dele e passamos a agir por nossa conta apenas.

Assim, Jesus quebrou a prepotência de Pedro e o preparou para a grande missão. Ele sabe fazer de nossas fraquezas e quedas, um meio de fazer em nós as correções necessárias. Vi isso muitas vezes na minha vida, e ainda vejo, graças a Deus. A Carta aos hebreus diz que “o Senhor corrige a quem ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho. Estais sendo provados para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos… para nos comunicar a Sua santidade” (Heb 12,6-10).

Nossos pecados são como adubo que Deus sabe usar para fazer crescer em nós as virtudes, de modo especial a humildade. Todos os que exercem uma liderança na Igreja, seja bispo, padre, diácono, leigo ou religioso, precisa refletir muito sobre isso. Às vezes somos autossuficientes e massacramos os outros sem perceber, como se nunca tivéssemos caído. Todos os santos aprenderam a humildade, e nós aprenderemos também como os Apóstolos aprenderam. Eles venceram e nós podemos vencer também. Todos nós carregamos um pouco dos Apóstolos em nós. Deixemos que o Senhor nos corrija; não desanimemos.

(via Felipe Aquino)

Fonte: https://pt.aleteia.org/

DEBATE: Reinhold Niebuhr e o Realismo Político de Santo Agostinho

Acima, Santo Agostinho em um afresco do século VI, Latrão, Roma; abaixo, Reinhold Niebuhr | 30Giorni.

DEBATE

retirado do nº 04 – 2003, Revista 30Dias.

Reinhold Niebuhr e o Realismo Político de Santo Agostinho

Luigi Giussani escreve em Teologia Protestante Americana: "Em Niebuhr, as principais ênfases do discurso teológico protestante americano emergem em uma síntese muito nova e equilibrada. Significativamente, ele desmistifica a ideia da América como um lugar onde o Reino de Deus se manifesta, um conceito que, em várias inflexões e tons, influenciou o espírito de toda a história americana."

Por Gianni Dessì

Barbara Spinelli, em seu artigo "Bush e o Destino Manifesto" ( La Stampa , 9 de março de 2003), contrapôs uma religiosidade apocalíptica – o elemento que confere a esta guerra o sentido de inevitabilidade que a caracteriza – da qual Bush é o intérprete, com o realismo cristão, sempre presente na cultura religiosa e política dos Estados Unidos. O expoente mais conhecido desta segunda posição, lembrado por Spinelli, foi Reinhold Niebuhr, o pensador religioso mais influente da cultura americana do século XX. Na Itália, pouco se sabe sobre este pastor protestante, que chamou a atenção da opinião pública americana com seu livro " Homem Moral e Sociedade Imoral " (1932). Nele, referindo-se a Santo Agostinho, Niebuhr afirmou que a cidade terrena era inevitavelmente marcada pelo choque entre interesses conflitantes e que pretender resolver definitivamente essa complexidade levava a uma "má religião" e a uma "má política".

Como escreveu Luigi Giussani, que lhe dedicou vários escritos na década de 1960, “em Niebuhr, as principais ênfases do discurso teológico protestante americano emergem numa síntese muito nova e equilibrada... significativamente, ele é o desmistificador daquela ideia da América como um lugar onde o Reino de Deus se manifesta, que, em várias inflexões e tons, influenciou o espírito de toda a história americana”.¹ Niebuhr confrontou explicitamente esse elemento altamente complexo, cuja origem reside precisamente no papel decisivo que a religiosidade desempenhou desde o início da história americana. Em um livro de 1958, *Pious and Secular America* , ele analisou essa questão em profundidade, partindo precisamente da observação de que “no século XX, somos simultaneamente a nação mais religiosa e a mais secularizada do Ocidente”.²

Os pressupostos para essa análise, no entanto, são anteriores. Em 1953, tendo passado de uma posição politicamente próxima ao socialismo para uma crítica decisiva ao comunismo, ele publicou * O Realismo Político de Agostinho* . Este é um longo ensaio no qual o teólogo protestante se aprofunda no estudo do santo católico, reconhecendo essencialmente a sua influência decisiva em sua trajetória intelectual. Em uma entrevista autobiográfica de 1956, ele afirmou: "Surpreende-me, em retrospectiva, notar quão tarde comecei meu estudo aprofundado de Agostinho: isso é ainda mais surpreendente considerando que o pensamento desse teólogo respondeu a muitas das minhas perguntas não resolvidas e finalmente me libertou da noção de que a fé cristã era de alguma forma idêntica ao idealismo moral do século passado."

O ensaio sobre Santo Agostinho começa com uma tentativa de definir o realismo na política: Niebuhr propõe que, no campo da política, "o realismo denota a disposição de levar em conta todos os fatores que, em uma situação política e social, oferecem resistência às normas estabelecidas, particularmente os fatores de interesse próprio e poder". Precisamente nesse sentido, Agostinho "foi, por reconhecimento universal, o primeiro grande realista da história ocidental".⁴ Ele, especifica Niebuhr, levou em conta as tensões e os conflitos que caracterizam toda comunidade humana. A força que lhe permitiu adotar essa abordagem foi a concepção da natureza humana típica da tradição bíblica e cristã. Niebuhr recorda como "essa diferença entre o ponto de vista de Agostinho e o dos filósofos clássicos reside na concepção bíblica, e não racional, da subjetividade humana de Agostinho, com a noção associada de que a sede do mal se encontra no próprio indivíduo". O mal, como consequência do mau uso da liberdade — isto é, como consequência do pecado original — permitiu a Santo Agostinho, segundo Niebuhr, compreender a realidade da política em seu sentido mais amplo. A descrição que Agostinho faz da cidade terrena, marcada por conflitos insolúveis, dilacerada por interesses conflitantes, incapaz de alcançar justiça autêntica e paz duradoura, é totalmente compartilhada pelo pensador protestante. Ele escreve que "comparadas a um realismo cristão, baseado na interpretação agostiniana da fé bíblica, muitas teorias sociais e psicológicas modernas, que se consideram antiplatônicas ou mesmo antiaristotélicas e que valorizam muito seu suposto realismo, na realidade não são mais realistas do que as formulações dos filósofos clássicos".⁶

Ele enfatiza, contudo, outro aspecto do realismo agostiniano, ligado à ideia de que a cidade de Deus, neste mundo, está, ao longo de sua peregrinação, conectada e entrelaçada com a terrena. A questão é que o realismo de Santo Agostinho não é um realismo que possa levar à aprovação incondicional do poder. Partindo das diferentes posições de Lutero e Hobbes, unidos por uma visão pessimista da natureza humana e pelo desejo de impedir que a sociedade se tornasse presa de conflitos perpétuos e da anarquia, Niebuhr escreve que "o realismo pessimista de fato levou tanto Hobbes quanto Lutero a uma aprovação indizível do Estado de poder: mas isso ocorreu apenas porque eles não eram realistas o suficiente".7 Eles tentaram evitar o perigo da anarquia, mas "erraram ao perceber o perigo da tirania no egoísmo dos governantes. Portanto, ocultaram a consequente necessidade de impor limites à vontade dos governantes".8

Em suma, Niebuhr critica o realismo político que, em nome da corrupção ou maldade da ntureza humana, afirma a necessidade do poder, sem considerar que os homens que detêm o poder são marcados pela mesma corrupção ou maldade que todos os outros. A necessidade de controlar o poder, e a escolha de Niebuhr pela democracia, surgem precisamente desse realismo radical, que sustenta que todos os homens compartilham a mesma capacidade para o bem e para o mal. Controlar o poder certamente representa uma ferramenta para conter a tendência ao despotismo. Por outro lado, uma sociedade que oscila continuamente entre o despotismo e a anarquia, resultante da pressão de vários grupos sobre aqueles que detêm o poder, só pode levar a uma visão cínica da política. Agostinho, no entanto, permite-nos superar esse impasse. Ele compreendeu que "embora o egoísmo seja universal, não é natural no sentido de que não se conforma à natureza humana... Um realismo torna-se moralmente cínico ou niilista quando assume que uma característica universal do comportamento humano deve também ser considerada normativa."⁹

George W. Bush e sua equipe oram. Todas as reuniões do governo americano começam com uma oração | 30Giorni.

Concluindo esta breve reconstrução das lições que Niebuhr extraiu de seu encontro com Santo Agostinho, gostaríamos de recordar pelo menos três aspectos de sua perspectiva que parecem merecer atenção.

O primeiro é o antiperfeccionismo, entendido precisamente como a consciência da inevitável aproximação imperfeita à bondade de qualquer regime político. Niebuhr criticou veementemente a pretensão dos Estados Unidos de ser o país escolhido por Deus para estabelecer seu reino na Terra.

O segundo aspecto diz respeito ao apelo ao necessário controle de todo o poder, que Niebuhr esclareceu em sua crítica ao pessimismo político de Hobbes e Lutero, que ele considerava insuficientemente radical, pois se abstinha de se expressar até mesmo contra aqueles que detinham o poder. Ele afirmou a presença do pecado, da autoafirmação desordenada, em todos os níveis da experiência humana.

O último aspecto, que resume os anteriores, é aquele que Christopher Lasch, em um interessante capítulo dedicado a Niebuhr, descreveu ao escrever sobre a "disciplina moral contra o ressentimento".¹⁰ Trata-se essencialmente da afirmação prática de que o pecado age não apenas nos outros, mas também em nós mesmos. Essa consciência nos impede de julgar posições diferentes das nossas como imorais, contrastando-as com a nossa como morais. A afirmação da própria superioridade moral como justificativa para uma opção político-prática específica, a condenação do mal exclusivamente nos outros, ignora precisamente a verdadeira natureza do homem após o pecado original. Essa dinâmica leva, como afirma Niebuhr, à "santificação da própria posição"¹¹, conferindo uma aura de sacralidade a interesses específicos e particulares, que se arrogam o direito à universalidade. Ela produz violência porque nega a presença da própria natureza humana em nós mesmos e nos outros e nos leva a tratar aqueles que defendem opções práticas diferentes das nossas como o próprio mal.

Notas
¹ L. Giussani, American Protestant Theology , La Scuola Cattolica, Venegono Inferiore 1969, p. 141.
² R. Niebuhr, Pious and Secular America , Scribners, New York 1958, p. 1.
3 R. Niebuhr, tradução italiana, Uma Teologia para a Práxis , Queriniana, Brescia 1977, p. 55.
4 R. Niebuhr, tradução italiana , O Realismo Político de Agostinho , em G. Dessì, Niebuhr. Antropologia Cristã e Democracia , Studium, Roma 1993, pp. 77-78.
Ibidem , p. 79.
Ibidem , p. 82.
Ibidem , p. 85. 8
Ibidem.
Ibidem , p. 88.
10 C. Lasch, tradução italiana, O Céu na Terra: Progresso e sua Crítica , Feltrinelli, Milão, 1992, p. 356.
11 Este tema está continuamente presente nos escritos de Niebuhr. Veja, entre muitas outras passagens, sua recusa em "dar sanção moral aos próprios interesses", que ele expressa em Os Filhos da Luz e Os Filhos das Trevas , Scribners, Nova York, 1944, p. 16.

Fonte: https://www.30giorni.it/

O grande silêncio: o valor do Sábado Santo para o cristão

Icone de Nossa Senhora do Silêncio, título com especial devoção neste Sábado Santo  (Vatican News)

Entre a dor da Paixão e a esperança da Ressurreição, o Sábado Santo nos convida a mergulhar no silêncio de Maria para redescobrir o sentido da espera cristã.

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

Após a entrega derradeira de Jesus no Calvário, o mundo mergulha em um silêncio sepulcral. Celebrar a Paixão é sempre um exercício de intensidade mística, pois nela tocamos as chagas do Redentor e contemplamos o preço inefável de sua oferta na cruz. Com o cosmos envolto em trevas, resta-nos a vigília: aguardamos a Luz que, ao romper a aurora, não surgirá tímida, mas manifestará todo o seu fulgor. A morte já não detém a última palavra; nisto reside a beleza da Páscoa, a passagem definitiva para uma realidade infinitamente superior e profunda.

Além do silêncio, este dia convida-nos à pedagogia da espera. Em tempos marcados pelo imediatismo, o aguardar é tido como angústia ou finitude. Contudo, o Sábado Santo nos ensina que a espera cristã é prenhe de esperança. Trata-se de uma prontidão ativa: não nos paralisamos diante do que aconteceu. Há um impulso que nos move para a frente e nos faz encontrar o tão esperado.

Neste horizonte, recordo-me daqueles que atravessam o vale do luto. A ausência de um ente querido pode apequenar o coração, povoando-o de inseguranças. Todavia, sob a luz da fé, sabemos que o cristão jamais se separa verdadeiramente dos seus. Pela comunhão dos santos, permanecemos unidos em um vínculo que o tempo não corrói, na certeza de que o Céu nos reserva o abraço do reencontro.

Enquanto peregrinamos aqui, na Igreja Militante, antes de nos unirmos às fileiras da Igreja Padecente ou Triunfante, cabe-nos a pergunta: como viver o agora? A resposta está na espera digna, manifestando a fé inabalável na ressurreição. O dia de hoje nos faz compreender isso; o olhar do cristão não se detém no sorrateiro, mas volta-se, esperançoso, para o porvir.

Neste dia, a Igreja volta seus olhos para a figura de Maria, o arquétipo da fé. Ela nos evangeliza com seu silêncio, a ser visto nas Sagradas Escrituras pelas poucas frases ditas, e também pela espera, pois nem a cruz a separou do seu Filho.

Maria experimentou uma solidão profunda, pois era viúva de José e agora testemunha da morte cruenta do único filho crucificado. No entanto, sua dor não se transformou em desespero. Ela permaneceu com a Igreja, em oração e expectativa, mantendo-se fiel em cada pulsar de seu coração materno.

Ao cair da noite, seremos conduzidos à "mãe de todas as vigílias". Como desconhecemos a hora exata em que o Senhor rompeu os grilhões da morte, fazemo-nos sentinelas. A Vigília Pascal é uma efusão de alegria: o fogo novo, o Círio aceso, o canto do Precônio, o ressoar dos sinos e as águas batismais proclamam que a noite se fez clara como o dia. Cristo venceu! A Páscoa já brilha entre nós.

Vivamos estas horas com o coração mariano e um silêncio meditativo. Toda espera tem seu termo, e o encontro com o Ressuscitado logo nos inundará de luz. Por que temer as sombras da existência? A vitória de Cristo é a nossa força para crer.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sexta-feira, 3 de abril de 2026

Sexta-feira Santa 03/04/26

Sexta-feira da Paixão do Senhor (cnbb)

SEXTA-FEIRA SANTA 03/04/26 (JO 18,1- 42)

03/04/2026

Dom Carmo João Rhoden, SCJ
Bispo Emérito de Taubaté (SP)

Texto Referencial: Jesus respondeu: O meu reino não é deste mundo. Se meu reino fosse deste mundo, meus súditos teriam combatido para que eu não fosse entregue aos judeus. Mas meu reino não é daqui. (Jo 11, 18-36)

1 – Este foi o dia mais lúgubre o mais triste da história! Nele, foi condenado o maior benfeitor da história, o salvador da humanidade: Jesus Cristo. Veio para dar-nos vida e nós lhe oferecemos o madeiro da cruz. Nós o trocamos por Barrabás, que era um bandido. Mas quem mesmo o condenou? Pilatos, os sumos sacerdotes, os homens do templo, a humanidade pois nela, estamos todos nós. Nossos pecados gritaram: matai-o, crucificai-o. E assim foi feito.

2 – Não podia ser pior: Judas o entrega aos inimigos, por patacas, traindo-o com beijo criminoso. O discípulo traindo o mestre. Pedro mente, dizendo que não o conhecia. Os apóstolos todos, menos João, fogem. Repito: O Salvador, o maior benfeitor da humanidade, foi trocado por um bandido: Barrabás. Pilatos, lava suas mãos, pois reconhece que Jesus é inocente, mas o entrega a seus inimigos. Lavou as mãos, mas sujou seu nome e sua consciência. Podia tê-lo salvado, mas covarde temendo perder sua função (emprego) o entregou. Pedro, diante de uma empregada (sem menosprezo) mentiu criminosamente, tanto é verdade que até o célebre galo cantou três vezes de tanta vergonha… Pedro então chorou e nós com ele. Choramos, mas não nos convertemos. Se hoje em dia os galos “cantasse” toda vez que traímos o mestre – ninguém dormia mais.

3 – Deus o criador tudo fez para os homens e mulheres: A natureza, os mares, o solo, simplesmente tudo. Entregou tudo gratuitamente. Jesus, veio como irmão, Salvador: Amou-nos e serviu-nos e nós lhe oferecemos a cruz, depois de flagelá-lo e coroá-lo com uma coroa de espinhos. Jesus, nasceu pobre, viveu pobre e assim morreu. Até sepultura foi preciso ser-lhe emprestada.

4 – Aconselho então ler o capítulo 18 de João, meditando-o. É o mais impressionante. Ele, o apresenta (Jesus) como rei mesmo na cruz, onde nos entregou, ainda sua mãe como nossa. Podia fazer mais por nós? Não.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo (Parte 2/2)

Capitel adornado com o motivo eucarístico do pelicano que alimenta as suas crias. E cordeiro que se encontra num dos fechos das abóbadas | Opus Dei.

Jerusalém: na intimidade do Cenáculo

Antes da festa da Páscoa, sabendo Jesus que tinha chegado a sua hora, hora de passar deste mundo para o Pai, tendo amado os seus que estavam no mundo, amou-os até o fim. (Jo 13, 1). Estas palavras solenes de São João, que são familiares aos nossos ouvidos, introduzem-nos na intimidade do Cenáculo.

26/02/2018

Alguns acréscimos são evidentes, como a construção feita em 1920, na parede central, para a oração islâmica, que tapa uma das três janelas, ou um baldaquino da época turca sobre a escada que conduz ao nível inferior. Este dossel apoia-se numa pequena coluna cujo capitel é cristão, pois está adornada com o motivo eucarístico do pelicano que alimenta as suas crias. A parede da esquerda conserva partes que remontam à era bizantina; através de uma escada e de uma porta, sobe-se à pequena sala onde se recorda a vinda do Espírito Santo. No lado oposto à entrada, há uma saída para outro terraço, que por sua vez comunica com o telhado e dá para o claustro do convento franciscano do século XIV.

Atualmente não é possível o culto no Cenáculo. Somente São João Paulo II teve o privilégio de celebrar a Santa Missa nesta sala, em 23 de Março de 2000. Quando Bento XVI foi à Terra Santa em Maio de 2009, rezou ali o Regina Coeli com os Bispos do país. Devido à existência do sarcófago em honra de Davi, que se venerava como o túmulo do rei bíblico, muitos judeus vão ao piso inferior para rezar diante desse monumento.

A presença cristã no monte Sião sobrevive na basílica da Dormição de Nossa Senhora – que inclui uma abadia beneditina – e o convento de São Francisco. A primeira foi construída em 1910 em terrenos que Guilherme II, imperador da Alemanha conseguiu. A cúpula do santuário, com um capitel muito esbelto, é visível de vários pontos da cidade. No convento franciscano, fundado em 1936, encontra-se o “Cenacolino” ou igreja do Cenáculo, o lugar de culto mais próximo da sala da última Ceia.

Dom Álvaro no Cenáculo | Opus Dei.

Nesta capela, Dom Álvaro celebrou a Santa Missa pela última vez em sua vida, na manhã de 22 de março de 1994. Dom Javier Echevarría recordava depois alguns detalhes desse dia, no qual o primeiro sucessor de São Josemaria esteve intensamente recolhido em oração: “Fiquei impressionado pela unção com a qual ele revestiu: estava concentrado, comovido. Ele beijou o peitoral muito profundamente antes de colocar a casula. Depois, pegou o solidéu, também com autêntica unção, para colocá-lo antes de sair”[8]

Alguns poucos fiéis da Obra participaram da Missa, mas Dom Javier ressaltou que “Dom Álvaro celebrou lá pensando em todos”. E continuava: “Ele estava muito consciente da instituição da Eucaristia e do sacerdócio, víamos que celebrava com muita devoção. Percebia-se o cansaço, mas talvez também a emoção de estar naquele lugar santo. Posso assegurar que ele viveu esses momentos com verdadeira intensidade, com verdadeira loucura de amor. Também pensou na reunião dos Apóstolos com Nossa Senhora no Cenáculo, e que daí, partiu Pedro para pregar ao povo, depois da vinda do Espírito Santo”[9].

O que distingue esta noite de todas as outras noites?

Reparai agora no Mestre reunido com os seus discípulos, na intimidade do Cenáculo. Aproxima-se o momento da sua Paixão, e o Coração de Cristo, rodeado daqueles a quem ama, estala em labaredas inefáveis[10]. Ardentemente tinha desejado que chegasse esta Páscoa[11], a mais importante das festas anuais de Israel, na qual se revive a libertação da escravidão no Egito. Estava unida a outra celebração, a dos Ázimos, lembrando os pães sem fermento que o povo levou na sua fuga precipitada do país do Nilo. Ainda que a cerimônia principal daquelas festas fosse uma ceia familiar, esta possuía um forte caráter religioso: “era a comemoração do passado, mas, ao mesmo tempo, também memória profética, quer dizer, anúncio da libertação futura”[12].

A sala do Cenáculo conserva a arquitetura gótica com que foi restaurada no séc. XIV. | Opus Dei.

Durante essa celebração, o momento relevante era o relato da Páscoa ou hagadá pascal. Começava com uma pergunta do filho mais novo ao pai:

- O que distingue esta noite de todas as noites?

A resposta era uma oportunidade para narrar detalhadamente a saída do Egito. O chefe da família tomava a palavra na primeira pessoa, para simbolizar que não só se recordavam aqueles fatos, mas que se faziam presentes no ritual. Ao terminar, entoava-se um grande cântico de louvor, composto pelos salmos 113 e 114, e bebia-se uma taça de vinho, chamada hagadá. Depois, abençoava-se a mesa, começando pelo pão ázimo. A pessoa que presidia comia-o e dava um pedaço a cada um com a carne do cordeiro.

Uma vez comida a ceia, retiravam-se os pratos e todos lavavam as mãos para continuar a sobremesa. A conclusão solene começava servindo-se o cálice da bênção, taça que continha vinho misturado com água. Antes de bebê-lo, quem presidia, de pé, recitava uma longa ação de graças.

Ao celebrar a Última Ceia com os Apóstolos no contexto do antigo banquete pascal, o Senhor transformou-o e deu-lhe o seu sentido definitivo: “Com efeito, a passagem de Jesus a seu Pai por sua Morte e sua Ressurreição, a Páscoa nova, é antecipada na ceia e celebrada na Eucaristia que realiza a Páscoa judaica e antecipa a Páscoa final da Igreja na glória do Reino”[13]Quando o Senhor instituiu a Sagrada Eucaristia, na Última Ceia, era de noite(...). Caía a noite sobre o mundo, porque os velhos ritos, os antigos sinais da misericórdia infinita de Deus para com a humanidade se iam realizar plenamente, abrindo caminho a um verdadeiro amanhecer: a nova Páscoa. A Eucaristia foi instituída durante a noite, preparando de antemão a manhã da Ressurreição[14].

Na intimidade do Cenáculo, Jesus fez algo de surpreendente, totalmente inédito: tomando o pão, deu graças, partiu-o e deu-o dizendo: Isto é o meu corpo, que é dado por vós. Fazei isto em memória de mim[15].

As suas palavras exprimem a profunda novidade desta ceia em relação às celebrações pascais anteriores. Quando deu o pão ázimo aos discípulos, não lhes entregou pão, mas sim uma realidade diferente: isto é o meu Corpo. “No pão repartido, o Senhor distribui-Se a Si próprio (…). Dando graças e abençoando, Jesus transforma o pão: já não dá pão terreno, mas a comunhão consigo mesmo”[16]. E ao mesmo tempo que instituiu a Eucaristia, deu aos Apóstolos o poder de a perpetuar, pelo sacerdócio.

Também com o cálice Jesus fez algo de singular relevância: fez o mesmo com o cálice, dizendo: Este cálice é a nova aliança no meu sangue, que é derramado por vós[17].

Diante deste mistério, São João Paulo II dizia: “O que mais Jesus podia fazer por nós? Verdadeiramente, na Eucaristia mostra-nos um amor que vai ‘ao extremo’ (Jo 13, 1), um amor que não conhece medida. Este aspecto da caridade universal do Sacramento eucarístico fundamenta-se nas mesmas palavras do Salvador. Ao instituí-lo, não se limitou a dizer ‘Este é o meu corpo’, ‘este cálice é a Nova Aliança no meu sangue’, mas sim que acrescentou ‘entregue por vós… derramado por vós’ (Lc 22, 19-20). Não afirmou somente que o que lhes dava a comer e a beber era o seu corpo e o seu sangue, mas manifestou-lhes o seu valor sacrificial, fazendo presente de modo sacramental o seu sacrifício, que cumpriria depois na cruz algumas horas mais tarde, para a salvação de todos”[18].

Bento XVI, dirigindo-se aos Bispos da Terra Santa no próprio lugar da Última Ceia, ensinava: “No Cenáculo, o mistério de graça e de salvação, do qual somos destinatários e inclusive arautos e ministros, só pode ser manifestado em termos de amor”[19]: o de Deus, que nos amou primeiro e ficou realmente presente na Eucaristia, e o da nossa resposta, que nos leva a entregar-nos generosamente ao Senhor e aos outros.

Não entendo como se pode viver cristãmente sem sentir a necessidade de uma amizade constante com Jesus na Palavra e no Pão, na oração e na Eucaristia. E entendo perfeitamente que, ao longo dos séculos, as sucessivas gerações de fiéis tenham ido concretizando essa piedade eucarística: umas vezes, com práticas multitudinárias, professando publicamente a sua fé; outras, com gestos silenciosos e calados, na sagrada paz do templo ou na intimidade do coração.

Antes de mais, devemos amar a Santa Missa, que tem que ser o centro do nosso dia. Se vivemos bem a Missa, como não havemos de continuar depois o resto da jornada com o pensamento no Senhor, com o desejo irreprimível de não nos afastarmos da sua presença, para trabalhar como Ele trabalhava e amar como Ele amava? Aprendemos então a agradecer ao Senhor mais outra delicadeza: que não tenha querido limitar a sua presença ao instante do Sacrifício do Altar, mas tenha decidido permanecer na Hóstia Santa que se reserva no Tabernáculo, no Sacrário.

Devo dizer que, para mim, o Sacrário foi sempre Betânia, o lugar tranquilo e aprazível onde está Cristo, onde lhe podemos contar as nossas preocupações, nossos sofrimentos, nossos anseios e nossas alegrias, com a mesma simplicidade e naturalidade com que lhe falavam aqueles seus amigos Marta, Maria e Lázaro. Por isso, ao percorrer as ruas de uma cidade ou de uma aldeia, alegra-me descobrir, mesmo de longe, a silhueta de uma igreja: é um novo Sacrário, uma nova ocasião de deixar que a alma se escape para estar em desejo junto do Senhor Sacramentado[20].

Notas

[8] Javier Echevarría, Palavras publicadas em Crónica, 1994, p. 391 (AGP, biblioteca, P01).

[9] Ibid., pp. 391-392.

[10] Amigos de Deus, 222

[11] Cf. Lc 22, 15.

[12] Bento XVI, Exort.apost Sacramentum caritatis, 10

[13] Catecismo da Igreja Católica, 1340.

[14] É Cristo que passa, 155.

[15] Lc 22, 19.

[16] Bento XVI Homilia da Missa da Ceia do Senhor, 9-IV-2009.

[17] Lc 22, 20

[18] São João Paulo II, Litt. Enc. Ecclesia de Eucharistia, 17-IV-2003, 11-12.

[19] Bento XVI, Recitação da Regina Coeli com os Ordinários da Terra Santa.

[20] É Cristo que passa, 154

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Tríduo Pascal: o mistério que desafia o tempo e propõe um novo sentido ao humano

Tríduo Pascal (Vatican News)

O Papa Francisco, em sua catequese sobre o Tríduo Pascal (Audiência Geral, 31 de março de 2021), nos lembra que este gesto é a própria identidade cristã. ,"É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos".

Vívian Marler - Assessora de Comunicação CNBB Regional Norte 2

No calendário da fé cristã, o Tríduo Pascal não é apenas uma sequência de datas; é um único evento narrado em três atos que resumem a totalidade da experiência humana. Da mesa compartilhada ao sepulcro vazio, o que se celebra entre a noite de Quinta-feira Santa e o Domingo da Ressurreição é, em última análise, um manifesto sobre o nosso propósito na Terra. Mas o que as sandálias sujas de poeira da Judeia de dois mil anos atrás têm a dizer aos nossos pés cansados em pleno 2026?

A jornada começa com um gesto de ruptura. Na Quinta-feira Santa, Jesus retira o manto e assume o avental. Na época de Cristo, lavar os pés era a tarefa mais baixa de um escravo, um serviço destinado aos "invisíveis" da sociedade.

O Papa Francisco, em sua catequese sobre o Tríduo Pascal (Audiência Geral, 31 de março de 2021), nos lembra que este gesto é a própria identidade cristã. ,"É a noite em que Ele nos pede para nos amarmos, tornando-nos servos uns dos outros, como Ele fez ao lavar os pés dos discípulos". Em um mundo onde todos buscam o topo, o Tríduo nos interpela, quem ainda se dispõe a abaixar-se? O propósito humano não se encontra no prestígio, mas na coragem de ser útil.

A Sexta-feira Santa nos coloca diante da vulnerabilidade extrema. Jesus crucificado é o retrato da entrega, mas é também o espelho das nossas injustiças atuais, dos feminicídios à exclusão que ainda fere a nossa Amazônia.

Sobre esse "drama de amor", o Papa Bento XVI refletiu com maestria em sua Audiência de 20 de março de 2008, "o Tríduo Pascal nos dá a certeza de que nunca seremos abandonados nas provações da vida". Ele nos ensina que a cruz não é um sinal de derrota, mas o "inestimável dom da salvação" (Audiência, abril de 2009). Em tempos de julgamentos rápidos, o Cristo da Sexta-feira nos ensina a misericórdia, a capacidade de sentir a dor do outro e perdoar, transformando o sofrimento em redenção.

O Sábado Santo é o dia do silêncio, que deságua na explosão de luz da Vigília Pascal. Se o sepulcro parecia o ponto final, a Ressurreição provou que a morte, a opressão e o desânimo, não tem a última palavra.

Neste seu primeiro Tríduo como pontífice, o Papa Leão XIV, em sua mensagem para a Páscoa de 2026, reforça o papel social dessa esperança, "a ressurreição não é um evento do passado para ser admirado, mas a força viva que nos impele a curar as feridas do mundo hoje, transformando cada sepulcro de injustiça em um jardim de nova vida".

O Tríduo Pascal, portanto, não é uma recordação histórica. É um chamado urgente. Ele nos convida a caminhar com Cristo para aprendermos a gramática do amor. 'Lavar os pés' para sermos humildes; 'Partir o pão' para sermos comunhão; 'Abraçar a cruz' para sermos misericordiosos, e 'Ressurgir' para sermos esperança ativa.

No silêncio de cada gesto destes dias, a humanidade é convidada a redescobrir que nosso maior propósito é aprender a amar como Ele amou. Como nos ensinam as vozes dos pastores e a realidade da vida, mesmo após a noite mais escura, a luz sempre renasce. A Páscoa é a prova de que o amor é a única força capaz de transformar o mundo.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF