Aleteia
Vaticano - publicado em 11/12/13 - atualizado em
08/04/26
No caminho para Emaús, Jesus encontra os dois discípulos
numa situação de medo e dispersão, de descrença e desespero.
No Evangelho de Lucas, encontramos uma das passagens mais
significativas quando queremos fazer uma reflexão sobre a importância da
Escritura em nossas vidas. Frei Carlos Mesters em diversas oportunidades
recorda a sua pertinência e inspiração, na criação dos círculos bíblicos. Por
outro lado, a cada passo dado por Jesus em direção dos discípulos de Emaús,
vamos encontrando uma verdadeira metodologia de trabalho pastoral.
Nesta reflexão portanto, vamos voltar nossa atenção para as ações de Jesus,
verdadeiro intérprete das Escrituras e agente de pastoral.
PRIMEIRO
MOMENTO - LC 24,13-24 – NO
CAMINHO PARA EMAÚS...
... Jesus encontra os dois discípulos numa situação de medo
e dispersão, de descrença e desespero. A primeira atitude de Jesus é de
aproximação, caminha ao lado deles, escuta a conversa e num segundo momento
pergunta: “De que vocês estão falando? Por que estão tristes?” Não se trata de
pergunta retórica, mas de pergunta concreta, que toca a vida dos dois. Em
seguida se estabelece um diálogo por meio de perguntas e respostas. A realidade
está sendo clareada. Através de um olhar mais crítico, afinal, os discípulos
olhavam, mas com o olhar das autoridades: “Nossos chefes dos sacerdotes e
nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte, e o crucificaram. Nós
esperávamos que fosse ele o libertador de Israel, mas, apesar de tudo isso, já
faz três dias que tudo isso aconteceu!”
SEGUNDO
MOMENTO - LC 24,25-27 – DEPOIS
DE DIALOGAR E OLHAR BEM A REALIDADE...
....Jesus percebe que a visão que os dois
tinham, não era das melhores. Como diz Frei Carlos Mesters, no trabalho
pastoral, é preciso conhecer o tamanho da cabeça das pessoas para colocar o
chapéu ideal, caso contrário, ou tapa a visão ou no primeiro ventinho vai
embora… “Como vocês custam para entender, e como demoram para acreditar em tudo
o que os profetas falaram! Será que o Messias não devia sofrer tudo isso, para
entrar na sua glória?” Jesus dá uma chacoalhada nos dois,
procurando acordá-los desta realidade em que se encontram, afinal não se trata
de recusa em perceber a realidade. Eles não custaram para “saber”, mas para
“entender e acreditar”. O seu problema era que embora conhecessem o livro da
Bíblia, e também o livro da vida, eles não conseguiam ligar as duas coisas.
Então Jesus “explica” as Escrituras, isto é, Ele não dá uma aula de exegese,
mas faz a ligação entre a vida deles e a Bíblia, iluminando a sua realidade com
a Palavra de Deus. Com a ajuda da Bíblia, ilumina os fatos e situa-os dentro do
conjunto do projeto de Deus, transformando a cruz, sinal de morte, em sinal de
vida e de esperança. Assim, aquilo que os impedia de caminhar, tornou-se a
força principal na caminhada, a nova luz no caminho.
TERCEIRO
MOMENTO - LC 24,28-32 - JESUS
SE DESPEDE DOS DOIS...
Depois deste novo diálogo, onde a Palavra de
Deus iluminou o realidade da vida, Momento tenso! Se nada adiantou este
trabalho, o resultado seria um mero “até breve!” ou “foi bom conhecê-lo!”. Aqui
Jesus faz uma avaliação de seu trabalho. A Bíblia, ela por si, sozinha, não
abriu os olhos dos dois, mas a sua leitura e interpretação fizeram arder neles
o coração (Lc 24,32), e isto é muito importante. O que faz enxergar mesmo, é a
fração do pão, o gesto comunitário da hospitalidade, da oração em comum, da
partilha do pão ao redor da mesa. No momento em que é reconhecido, Jesus
desaparece. Pois eles mesmos experimentam a ressurreição. Ressuscitam e
renascem.
QUARTO
MOMENTO - LC 24,33-35 - IMEDIATAMENTE, ELES LEVANTAM E VOLTAM PARA JERUSALÉM.
Tudo mudou: coragem, em vez de medo; retorno, em vez de
fuga; fé, em vez de descrença; esperança, em vez de desespero; consciência
crítica, em vez de fatalismo frente ao poder; liberdade, em vez de opressão! Em
vez da má noticia da morte, a Boa Notícia da Ressurreição!
Por Prof. Dr. Carlos Frederico Schlaepfer














