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Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição SOBRADINHO (DF)
quinta-feira, 29 de janeiro de 2026
Pe. Ramón Sevillano: Início do discernimento sobre sua vida e testemunho cristão
segunda-feira, 26 de janeiro de 2026
A atualidade da Evangelii Gaudium e o horizonte missionário do pontificado de Leão XIV
sábado, 24 de janeiro de 2026
Os mártires de Palomeras
quinta-feira, 22 de janeiro de 2026
Caminho Neocatecumenal: Uma preciosa contribuição para a vida da Igreja
quarta-feira, 21 de janeiro de 2026
Papa ao Caminho Neocatecumenal: evangeçizar em comunhão com a Igreja
segunda-feira, 12 de janeiro de 2026
Das Homilias sobre o Gênesis, de Orígenes, presbítero
sábado, 10 de janeiro de 2026
Tente outra vez
Tente outra vez
Dom João Santos Cardoso
Arcebispo de Natal (RN)
Recebi, há poucos dias, uma mensagem de um amigo. Era uma partilha simples, nascida do impacto provocado por um vídeo igualmente singelo: uma idosa pede que toque a música “Tente outra vez”, de Raul Seixas, convida o neto a escutá-la e, com ternura firme, o exorta a jamais desistir dos seus ideais. Nada de discursos elaborados. Apenas a sabedoria silenciosa de quem viveu, caiu, levantou-se e aprendeu a confiar.
O vídeo, de fato, comove e desperta muitas lembranças. Mas percebi algo ainda mais profundo na reflexão que recebi: ela ia além do impacto imediato. Convertia sentimento em sentido, memória em esperança, saudade em fé. Confesso que fiquei profundamente tocado por essa partilha. Ela me acompanhou em silêncio e me provocou interiormente, como fazem as experiências verdadeiramente espirituais: não se impõem, mas permanecem; não gritam, mas insistem.
Fui, então, ouvir “Tente outra vez”. Sempre apreciei a arte de Raul Seixas pela densidade existencial e pela coragem de pensar a vida sem superficialidade. Nessa canção, há algo que ultrapassa o tempo e o gênero musical: uma sabedoria que toca o coração humano em sua fragilidade e, ao mesmo tempo, em sua força. Ao afirmar que “a canção não está perdida”, que “a água viva ainda está na fonte” e que “há dois pés para cruzar a ponte”, o autor fala diretamente à condição humana, tantas vezes ferida e cansada, mas nunca definitivamente derrotada.
Essa canção soa, no limiar deste novo ano, como um sussurro de Deus que infunde esperança no meio do cansaço da alma. “Ela nos lembra que, quando tudo parece perdido, a última palavra nunca é o fracasso; que a fé é justamente isso: acreditar que ainda existe um caminho, mesmo quando os olhos já não conseguem enxergar. De fato, a fé não é a negação da dor, mas a confiança perseverante de que a vida continua aberta à graça”.
Tente outra vez, de Raul Seixas, é um convite a recomeçar sempre com confiança. Assim é a vida nas mãos de Deus: às vezes o silêncio dói, às vezes a queda é real, mas o Senhor nos chama a levantar, afinar o coração e lutar novamente. Quem confia em Deus aprende que o impossível não é um muro, mas um apelo à perseverança.
A reflexão toca precisamente esse ponto: tentar outra vez é um ato de fé; é dizer “eu confio”, mesmo sem compreender plenamente; é acreditar que Deus age naquele intervalo invisível entre a dor e a esperança. Por isso, vale a pena não desistir, porque Deus nunca desiste de nós.
Aquela avó, que diz ao neto “tente outra vez!”, evoca experiências e recordações desses mestres da vida cujos conselhos, simples e cheios de sabedoria, despertam saudades, não uma saudade vaga ou indiferenciada, mas uma saudade que tem nome, rosto e lugar. Uma saudade que não paralisa, mas sustenta; que dói, mas também ensina. Nas palavras e nos gestos desses mestres, que marcaram profundamente a nossa história, ressoa algo de muito profundo, quase como um eco do próprio amor de Deus. Ali se revela algo essencial: a fé não nasce apenas de conceitos, mas de vínculos; não se aprende apenas nos livros, mas na escuta atenta daqueles que nos precederam no caminho da vida.
Talvez seja assim que Deus nos educa: por meio da memória que aquece, da palavra que insiste, da canção que se recusa a terminar. Cada vez que a vida nos pedir coragem, que a fé em Deus e as vozes que nos ensinaram a amar se unam para repetir ao nosso coração: a canção não acabou… tente outra vez!
Santo Agostinho, mestre da interioridade, ajuda-nos a compreender esse dinamismo ao ensinar que a esperança gera duas atitudes fundamentais: a indignação diante do que fere a vida e a coragem para não se render ao desânimo. Perseverar, portanto, não é ingenuidade, mas maturidade espiritual; é um gesto profundamente humano e, ao mesmo tempo, autenticamente cristão. Porque, no fim, a fé não elimina as quedas, mas nos ensina a levantar, e cada recomeço, ainda que frágil, já é sinal de que Deus continua a escrever a nossa história.
Fonte: https://www.cnbb.org.br/
Tente outra vez
Dom João Santos Cardoso
Arcebispo de Natal (RN)
Recebi, há poucos dias, uma mensagem de um amigo. Era uma partilha simples, nascida do impacto provocado por um vídeo igualmente singelo: uma idosa pede que toque a música “Tente outra vez”, de Raul Seixas, convida o neto a escutá-la e, com ternura firme, o exorta a jamais desistir dos seus ideais. Nada de discursos elaborados. Apenas a sabedoria silenciosa de quem viveu, caiu, levantou-se e aprendeu a confiar.
O vídeo, de fato, comove e desperta muitas lembranças. Mas percebi algo ainda mais profundo na reflexão que recebi: ela ia além do impacto imediato. Convertia sentimento em sentido, memória em esperança, saudade em fé. Confesso que fiquei profundamente tocado por essa partilha. Ela me acompanhou em silêncio e me provocou interiormente, como fazem as experiências verdadeiramente espirituais: não se impõem, mas permanecem; não gritam, mas insistem.
Fui, então, ouvir “Tente outra vez”. Sempre apreciei a arte de Raul Seixas pela densidade existencial e pela coragem de pensar a vida sem superficialidade. Nessa canção, há algo que ultrapassa o tempo e o gênero musical: uma sabedoria que toca o coração humano em sua fragilidade e, ao mesmo tempo, em sua força. Ao afirmar que “a canção não está perdida”, que “a água viva ainda está na fonte” e que “há dois pés para cruzar a ponte”, o autor fala diretamente à condição humana, tantas vezes ferida e cansada, mas nunca definitivamente derrotada.
Essa canção soa, no limiar deste novo ano, como um sussurro de Deus que infunde esperança no meio do cansaço da alma. “Ela nos lembra que, quando tudo parece perdido, a última palavra nunca é o fracasso; que a fé é justamente isso: acreditar que ainda existe um caminho, mesmo quando os olhos já não conseguem enxergar. De fato, a fé não é a negação da dor, mas a confiança perseverante de que a vida continua aberta à graça”.
Tente outra vez, de Raul Seixas, é um convite a recomeçar sempre com confiança. Assim é a vida nas mãos de Deus: às vezes o silêncio dói, às vezes a queda é real, mas o Senhor nos chama a levantar, afinar o coração e lutar novamente. Quem confia em Deus aprende que o impossível não é um muro, mas um apelo à perseverança.
A reflexão toca precisamente esse ponto: tentar outra vez é um ato de fé; é dizer “eu confio”, mesmo sem compreender plenamente; é acreditar que Deus age naquele intervalo invisível entre a dor e a esperança. Por isso, vale a pena não desistir, porque Deus nunca desiste de nós.
Aquela avó, que diz ao neto “tente outra vez!”, evoca experiências e recordações desses mestres da vida cujos conselhos, simples e cheios de sabedoria, despertam saudades, não uma saudade vaga ou indiferenciada, mas uma saudade que tem nome, rosto e lugar. Uma saudade que não paralisa, mas sustenta; que dói, mas também ensina. Nas palavras e nos gestos desses mestres, que marcaram profundamente a nossa história, ressoa algo de muito profundo, quase como um eco do próprio amor de Deus. Ali se revela algo essencial: a fé não nasce apenas de conceitos, mas de vínculos; não se aprende apenas nos livros, mas na escuta atenta daqueles que nos precederam no caminho da vida.
Talvez seja assim que Deus nos educa: por meio da memória que aquece, da palavra que insiste, da canção que se recusa a terminar. Cada vez que a vida nos pedir coragem, que a fé em Deus e as vozes que nos ensinaram a amar se unam para repetir ao nosso coração: a canção não acabou… tente outra vez!
Santo Agostinho, mestre da interioridade, ajuda-nos a compreender esse dinamismo ao ensinar que a esperança gera duas atitudes fundamentais: a indignação diante do que fere a vida e a coragem para não se render ao desânimo. Perseverar, portanto, não é ingenuidade, mas maturidade espiritual; é um gesto profundamente humano e, ao mesmo tempo, autenticamente cristão. Porque, no fim, a fé não elimina as quedas, mas nos ensina a levantar, e cada recomeço, ainda que frágil, já é sinal de que Deus continua a escrever a nossa história.
Fonte: https://www.cnbb.org.br/
quinta-feira, 1 de janeiro de 2026
Você sabia que São José também teve uma anunciação?
Valdemar
De Vaux - publicado em 01/01/26
A liturgia inclui o anúncio feito a José do nascimento de Jesus. Uma Anunciação paralela à da Virgem Maria que mostra como Deus coopera com o homem.
Anunciação é sinônimo da Virgem Maria. A Igreja usa este
termo, cunhado com este propósito, para se referir ao evento bíblico (cf. Lucas
1,26-38 ) em que o anjo Gabriel anuncia a Maria que será a mãe do
Salvador, ao que a jovem de Nazaré responde com o famoso "fiat":
"Assim seja". Mas este relato, que só se encontra no terceiro
Evangelho, o de Lucas, encontra um paralelo em Mateus, que alguns chamam de
"Anunciação a José", nos versículos 18 a 26 de seu primeiro capítulo.
Esta passagem é lida na missa de 18 de dezembro de cada ano,
como preparação para a solenidade da Natividade do Senhor.
O Papa João Paulo II, em sua exortação apostólica Redemptoris Custos sobre o marido de Maria,
publicada em 1989, fala de uma estreita analogia (§3) entre os dois relatos
evangélicos:
"'O mensageiro divino introduz José no mistério da
maternidade de Maria'. Assim como a mãe de Jesus, um anjo se aproxima do justo
quando ele decide repudiar secretamente Maria porque ela está grávida. Esta é
uma forma de respeitar a lei, mas também a reputação de Maria.
'Eis que um anjo do Senhor lhe apareceu em sonhos e lhe
disse: José, filho de Davi, não temas receber Maria como sua esposa,
porque o que nela é gerado vem do Espírito Santo. Ele dará à luz um filho, e
você o chamará de Jesus (que significa: O Senhor salva), porque ele salvará seu
povo de seus pecados'" (Mt
20-21).
A irrupção da graça
Assim como a Virgem Maria, José experimenta assim a irrupção
da graça em sua vida. Embora seu plano esteja completo, o homem de Nazaré
permite que Deus o perturbe. Por sua determinação de seguir a vontade do Pai,
ele deposita sua fé no cumprimento das promessas recebidas de seus ancestrais,
listadas anteriormente em uma genealogia bastante tediosa: "Ao despertar
José, ele fez o que o anjo do Senhor lhe havia ordenado" (v. 24).
João Paulo II pode então dizer que José "manifesta assim uma disposição de
vontade semelhante à de Maria a respeito do que Deus lhe pediu através de seu
mensageiro".
Mais amplamente, explica a biblista Agnès de Lamarzelle em um artigo
na Nouvelle Revue théologique, há em ambos os textos, o de Lucas e
o de Mateus, as diferentes características do "gênero literário das
anunciações" relativamente comum no universo bíblico: uma situação
bloqueada de uma perspectiva humana, uma intervenção divina - perturbadora na
maioria das vezes -, a revelação do plano divino, a objeção e o sinal humano, e
o cumprimento pela obediência do servo de Deus que recebe o anúncio.
Ao destacar José, o evangelista Mateus permite que o leitor
veja a vinda do Salvador de uma nova perspectiva, identifique-se com o justo e
entenda melhor como Deus age neste mundo. Não pela onipotência, exceto talvez
pelo poder do amor, mas pela cooperação da graça, que é a primeira, e da
vontade humana. Enquanto o próprio Jesus está prestes a nascer, um sinal
preeminente da presença do Pai em nossas vidas, como podemos participar cada
um, à nossa maneira, no desenvolvimento do plano de Deus para a humanidade?
Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF






























