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quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

EDITORIAL: Nosso pecado e o peso de um mundo em chamas

Papa Leãp XIV (Vatican Media)

A homilia de Leão XIV na Missa da Quarta-feira de Cinzas e a nossa responsabilidade.

Andrea Tornielli

"Como é raro encontrar adultos que se arrependem, pessoas, empresas e instituições que admitem ter errado!" As palavras pronunciadas pelo Papa Leão XIV na homilia da Missa da Quarta-feira de Cinzas fotografam uma realidade do nosso tempo: vivemos circundados por pessoas, empresas e instituições em todos os níveis que raramente admitem que erraram. Temos enormes dificuldades em admitir que cometemos erros e pedir perdão, reconhecendo o nosso erro.

O início da Quaresma é uma grande oportunidade para os cristãos se reconhecerem como pecadores, necessitados de ajuda e de perdão, e chama a atenção como o Sucessor de Pedro tenha desejado enfatizar a sua dimensão comunitária: "A Igreja também existe como profecia de comunidades que reconhecem os seus pecados". Em vez de buscar sempre o inimigo externo, em vez de olhar para o mundo considerando-nos sempre justos e do lado certo, somos chamados a uma atitude contracorrente e a "um corajoso assumir de responsabilidades", pessoal mas também coletivo.

Porque é verdade que o pecado "é pessoal", como enfatizou o Papa. Mas é igualmente verdade — acrescentou ele, ecoando a Encíclica Sollicitudo rei socialis de São João Paulo II — que isso "ganha forma nos ambientes reais e virtuais que frequentamos, nas atitudes com que nos condicionamos mutuamente, muitas vezes dentro de autênticas “estruturas de pecado” de ordem económica, cultural, política e até religiosas".

Entre estas poder-se-ia incluir, por exemplo, alguns aspectos do atual sistema econômico-financeiro, que produz enormes desequilíbrios e injustiças, definido pelo Papa Francisco em sua primeira exortação apostólica como "uma economia que mata". Ou os enormes interesses econômicos que impulsionam o vasto mercado de armamentos, que precisa ser alimentado por conflitos permanentes.

As cinzas sobre a cabeça de cada indivíduo e da comunidade como um todo nos convidam a sentir, como disse Leão XIV, "o peso de um mundo em chamas, de cidades inteiras destruídas pela guerra: as cinzas do direito internacional e da justiça entre os povos, as cinzas de ecossistemas inteiros e da concórdia entre as pessoas, as cinzas do pensamento crítico e de antigas sabedorias locais, as cinzas daquele sentido do sagrado que habita em cada criatura".

Ao iniciarmos o caminho quaresmal, torna-se assim importante essa coparticipação, na consciência que o pecado pessoal se amplifica e se cristaliza em "estruturas de pecado".

É por isso que, ao recebermos as cinzas sobre a cabeça, somos chamados a um exame de consciência em relação aos nossos próprios erros, mas também àqueles que reverberam em grande escala. E assim, ao sentirmos o peso de um mundo em chamas, podemos nos perguntar, como comunidade, como país, como Europa, como organizações internacionais: fizemos tudo o que era possível para pôr fim à trágica guerra na Ucrânia, que começou com a agressão russa em 2022? Será que tudo foi feito para buscar soluções negociadas, ou o único objetivo real perseguido hoje é apenas uma corrida armamentista insana? Como foi possível testemunhar, após o ataque desumano perpetrado pelo Hamas contra os israelenses, a destruição total de Gaza com suas mais de setenta mil mortes? Por que nada de concreto foi feito para acabar com o massacre? Como é possível aceitar que existam países onde a livre expressão do protesto popular seja brutalmente reprimida, com milhares de vítimas? E ainda, como é possível aceitar, em nome de uma vida pacífica ou de uma pertença política, a perpetuação da ecatombe que ocorre no Mar Mediterrâneo, com migrantes que ali se afogam?

"Reconhecer os nossos pecados para nos convertermos - concluiu o Papa - é já um presságio e um testemunho da ressurreição: significa, efetivamente, não nos determos nas cinzas, mas levantarmo-nos e reconstruir".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

É possível conciliar ciência e fé?

É possível conciliar ciência e fé (Arqyuduocese de Belém)

É POSSÍVEL CONCILIAR CIÊNCIA E FÉ?

19/02/2026

Dom Julio Endi Akamine 
Arcebispo de Belém do Pará (PA)

“Ciência e religião não estão em contradição, mas têm necessidade uma da outra para completar-se na mente do homem que pensa seriamente” (Max Planck). A razão e a fé são distintas, mas não se separam: a ciência se dedica à cena do ser, ao fenômeno, aos dados e aos fatos, ao “como”; a religião se consagra ao “fundamento”, ao sentido último do ser, ao “por quê”. 

Quem crê pensa, e quem pensa pode crer. Para constatar esse fato, basta prestar atenção ao modo como em nossa vida cotidiana conhecemos mais por fé do que por evidência e demonstração. As nossas convicções mais firmes, na realidade, não são baseadas em demonstrações. Por exemplo: a segurança com que o filho, que volta depois de uma longa ausência, reconhece os pais na rodoviária, a certeza com que, num matrimônio bem-sucedido, um cônjuge refuta uma calúnia contra o outro cônjuge, não são precedidas de argumentações, nem implicam dúvidas. 

Tal reconhecimento imediato e intuitivo, embora não sendo fruto de um raciocínio explícito, pode ser explicado e justificado por meio de um raciocínio. Um perito, que, ao primeiro olhar, reconhece numa pintura a obra de um grande mestre, pode em seguida apontar os critérios que demonstram a validez da atribuição: se não for capaz disto, sua intuição se tornará suspeita. 

A razão ajuda a crer melhor, e é uma ajuda indispensável para aprofundar a compreensão da fé e para comunicar o seu conteúdo de maneira razoável, inteligível e dialogal aos outros. Assim o fiel cristão pode refletir sobre a certeza da própria fé e pode prestar contas de sua razoabilidade. Com efeito, a fé deve apresentar-se como um ato racional. Se assim não fosse, o cristão não poderia ser convidado a prestar contas da esperança que está nele (cf. 1Pd 3,15). A verdade revelada por mais sobrenatural que seja nunca é irracional ou absurda no senso forte. 

A fé não é a conclusão de uma pesquisa científica. Se a fé fosse fruto de uma demonstração, já não mais seria uma adesão livre e, portanto, não seria culto a Deus. Por outro lado, nenhuma demonstração científica pode conduzir àquela firmeza que é peculiar da fé: quem crê está pronto a dar a vida pela sua fé. 

O próprio ato de crer consiste exatamente em dar o assentimento refletindo. De fato, quem crê pensa, e crendo pensa e pensando crê. A fé se não é pensada não é nada. Se se tira o assentimento, se elimina a fé, porque sem o assentimento não se dá a fé (Santo Agostino, PL 35,1631.178). Outro adágio de Santo Agostinho é muito apropriado: “creio para compreender, e compreendo para melhor crer”. A fé se volta para si mesma para buscar a inteligência do próprio conteúdo. 

Nesse sentido, a fé não paralisa a razão, antes a impulsiona a penetrar mais profundamente no mistério revelado para que a fé adira ainda mais fortemente. A busca da inteligência daquilo que se crê não é motivada por fatores alheios à própria fé; é pela sua própria natureza que a fé busca compreender, aprofundar e transmitir o seu conteúdo. É a própria fé que exige, portanto, a responsabilidade de um estudo constante dos seus conteúdos, de um crescimento permanente e de um cultivo cuidadoso na vida de fé. 

O testemunho cristão, em nosso tempo, precisa mais do que nunca se motivar, bebendo das fontes da reflexão. Precisa, sobretudo, recuperar o porquê de valer a pena acreditar. Em outras palavras: é preciso pensar a fé. O não pensar a fé pode levar facilmente as pessoas a estranhar-se da fé, a não a acolher em sua dupla valência de dom e de livre aceitação, de dom e responsabilidade. 

A fé não age como um elemento extrínseco ou exógeno na filosofia, na cultura, nas ciências e nas tradições religiosas. Ela age como fermento, a partir de dentro e levando à plenitude a filosofia, as ciências, as culturas e as religiões. 

A fé pensa e dá o que pensar. Ela emancipa a razão humana abrindo-lhe horizontes de pesquisa e descoberta mais amplos, verdadeiros e humanizantes. A fé não bloqueia a razão, antes solicita o ser inteligente a caminhar em busca da verdade sem jamais se cansar, apesar de toda a canseira que essa busca implica. 

A verdade é a meta da busca tanto da fé quanto da ciência. Hoje é muito difícil falar de “verdade” sem ser acusado de autoritarismo e desejo de domínio, mas a verdade não deve ser entendida como instrumento de imposição e de dominação. Ela é que dá sentido e significado genuíno à vida humana. Tanto a ciência quanto a fé estão a serviço da busca e do encontro daquilo que é sumamente significativo e humano. 

A verdade que buscamos, a verdade que dá significado aos nossos passos, ilumina-nos quando somos tocados pelo amor. Quem ama, compreende que o amor é experiência da verdade, compreende que é precisamente ele que abre os nossos olhos para verem a realidade inteira, de maneira nova, em união com a pessoa amada (LF 27). 

Ciência e fé também estão unidas na superação do sofrimento humano. Elas informam e dão forma a um agir autenticamente humano. O agir cristão não se contrapõem ao que é autentica e verdadeiramente humano, pelo contrário procura ser um agir plenamente humano que nos faça mais humanos, nos faça verdadeiramente humanos. 

Ao homem que sofre, Deus não dá um raciocínio que explique tudo, mas oferece a sua resposta sob a forma duma presença que o acompanha, duma história de bem que se une a cada história de sofrimento para nela abrir uma brecha de luz. Em Cristo, o próprio Deus quis partilhar conosco esta estrada e oferecer-nos o seu olhar para nela vermos a luz (LF). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026

Não católicos podem participar da Quarta-feira de Cinzas?

Salouw | Shutterstock

Philip Kosloski - publicado em 18/02/26

Embora os não católicos não possam receber a Sagrada Comunhão, são convidados e bem-vindos a receber as cinzas na testa.

Ao mesmo tempo, é interessante notar que receber cinzas é uma tradição da Igreja Católica que não exige nenhum sacramento prévio. Aliás, mesmo alguém que não é batizado pode recebê-las.

As cinzas são um sacramental.

As cinzas são o que se chama de "sacramental" na Igreja Católica. Em resumo, sacramentais são tudo aquilo que é separado ou abençoado pela Igreja para santificar nossas vidas e nos conduzir aos sacramentos. São sinais sagrados que nos proporcionam graça (ajuda espiritual) por meio da intercessão da Igreja.

Os sacramentais são extensões dos sacramentos. Não são sacramentos em si, mas estão relacionados aos sete sacramentos e deles derivam, conduzindo-nos, em última instância, de volta a eles.

Outros sacramentais comuns incluem o rosário, o crucifixo e os santinhos. As cinzas seguem essa linha de sacramentais, sendo um objeto físico abençoado por um sacerdote.

Além disso, a bênção sobre a pessoa que recebe as cinzas é muito geral: "Arrepende-te e crê no Evangelho" (Marcos 1:15) ou "Lembra-te de que és pó e ao pó voltarás" (Gênesis 3:19).

Uma Vida Cristã

Obviamente, a intenção por trás da imposição das cinzas é encorajar as pessoas a viverem uma vida inspirada por Jesus Cristo e pela Boa Nova do Evangelho. Com isso em mente, aqueles que recebem as cinzas devem estar devidamente dispostos a seguir essa intenção.

Contudo, como não é um dos sete sacramentos, não é necessária nenhuma iniciação para receber as cinzas. Essa é também uma das razões pelas quais bebês podem receber cinzas na cabeça, mesmo que não tenham sido batizados.

As cinzas continuam sendo um símbolo poderoso que pode ser um canal da graça de Deus para qualquer pessoa que esteja disposta a recebê-las.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Papa Leão: Igreja, sinal de reconciliação entre os povos numa humanidade fragmentada

Audiência Geral, 18/02/2026 - Papa Leão XIV (Vatican Media)

Na Audiência Geral, o Papa prosseguiu com o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, refletindo sobre a Constituição Dogmática "Lumen Gentium", sobre a Igreja. Leão XIV recordou que a Lumen Gentium nos ajuda a "compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, e a identidade da Igreja".

https://youtu.be/4BWyIEIYlUE

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Na catequese da Audiência Geral, desta quarta-feira (18/02), realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu sobre a Constituição Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, continuando o ciclo de catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II.

Aprovada em 21 de novembro de 1964, a Constituição Dogmática Lumen Gentium recorreu ao termo "mistério" das Epístolas de São Paulo. "Ao escolher este termo", o Apóstolo dos Gentios "não quis dizer que a Igreja seja algo obscuro ou incompreensível", mas ao usar esta palavra, "sobretudo na Carta aos Efésios", São Paulo "pretende indicar uma realidade que antes estava oculta e que agora foi revelada", frisou o Papa.

Unificar todas as criaturas

"Este é o plano de Deus, que tem um propósito: unificar todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo, ação essa consumada na sua morte na cruz", disse Leão XIV, ressaltando que experimentamos isso "na assembleia reunida para a celebração litúrgica".

“Lá, as diferenças são relativizadas; importa é estarmos juntos porque somos atraídos pelo Amor de Cristo, que derrubou o muro da separação entre pessoas e grupos sociais. Para São Paulo, o mistério é a manifestação daquilo que Deus quis realizar para toda a humanidade e revela-se nas experiências locais, que se expandem gradualmente para incluir todos os seres humanos e até o cosmos.”

Sentir-se chamado por Deus

"A condição da humanidade é uma fragmentação que os seres humanos são incapazes de remediar, embora o anseio pela unidade habite nos seus corações", frisou ainda o Papa. "É nesta condição que entra em ação a obra de Jesus Cristo, que, pelo Espírito Santo, vence as forças da divisão e o próprio Divisor", sublinhou ainda Leão.

“Reunir-se para rezar, tendo acreditado no anúncio do Evangelho, é vivido como uma atração exercida pela cruz de Cristo, que é a manifestação suprema do amor de Deus; é sentir-se chamado por Deus: por isso se usa o termo ekklesia, isto é, uma assembleia de pessoas que se reconhecem como tendo sido chamadas. Assim, há uma certa coincidência entre este mistério e a Igreja: a Igreja é o mistério que se torna percetível.”

A Igreja como sacramento

De acordo com o Papa, "este chamado, por ser realizado por Deus, não pode limitar-se a um grupo de pessoas, mas destina-se a tornar-se uma experiência para todos os seres humanos". Por isso, o Concílio Vaticano II, no início da Constituição Lumen Gentium, afirma: «A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano».

“Com o uso do termo “sacramento” e a consequente explicação, pretende-se indicar que a Igreja é, na história da humanidade, uma expressão daquilo que Deus deseja realizar; por isso, ao contemplá-la, apreende-se, em certa medida, o plano de Deus, o mistério: neste sentido, a Igreja é um sinal.”

"Além disso, acrescenta-se ao termo “sacramento” o termo “instrumento”, para indicar que a Igreja é um sinal ativo. De fato, quando Deus age na história, envolve na sua atividade as pessoas que são receptoras da sua ação. É através da Igreja que Deus alcança o objetivo de unir as pessoas a si e de as reunir entre si", destacou.

"A união com Deus encontra o seu reflexo na união das pessoas humanas. Esta é a experiência da salvação", disse ainda o Papa, ressaltando que não é por acaso que no número 48 do capítulo VII da Lumen Gentium, dedicado à natureza escatológica da Igreja peregrina, se descreve novamente a Igreja "como sacramento, com a especificação de salvação".

Sinal de unidade e reconciliação entre os povos

O Papa finalizou, dizendo que a Lumen Gentium nos ajuda a "compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, e a identidade da Igreja".

“Ao mesmo tempo, faz-nos sentir gratos por pertencermos à Igreja, o corpo de Cristo ressuscitado e o único povo de Deus em peregrinação através da história, que vive como uma presença santificadora no meio de uma humanidade ainda fragmentada, como um sinal efetivo de unidade e reconciliação entre os povos.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/p

terça-feira, 17 de fevereiro de 2026

A Oração Pessoal É Indispensável Para Todos Nós

A oração pessoal (Catequizar)

A oração pessoal é o caminho mais direto para conhecer Jesus de verdade. E isso vai importar mais do que qualquer outra coisa — tanto no final quanto agora, hoje mesmo.

Esta semana, precisei dar um toque na turma de crisma da minha esposa. E olha, esse lembrete sobre a importância da oração pessoal é algo que eu mesmo preciso ouvir com frequência.

Algumas pessoas da turma não estavam levando o desafio da oração muito a sério. Principalmente aquelas que vêm de famílias bem religiosas. E eu entendo completamente o raciocínio. Elas vão aos sacramentos, fazem várias “coisas de católico”, têm bastante contato com Deus. Então por que precisariam de mais uma atividade espiritual?

Mas aqui está o ponto: ao lado dos sacramentos e das obras de misericórdia, conversar sozinho com Jesus é a coisa mais importante que você pode fazer. Entre todas as práticas católicas, essa é a essencial.

Compartilhei seis razões com eles. E essas razões servem para você e para mim também.

Jesus Deixa Claro: Ele Quer Sua Oração Pessoal

Quando Jesus ensinou sobre oração, foi bem direto quanto à oração pessoal. Ele disse: “Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está no segredo; e teu Pai, que vê no segredo, te recompensará.” (Mateus 6, 6)

Não é oração em grupo. É você e Ele.

No Final, Só Importa Se Você Realmente Conhece Jesus

Lá na frente, Jesus vai abraçar aqueles que Ele conhece pessoalmente. Seus amigos. Não apenas quem parece piedoso por fora, como os fariseus.

Em Mateus 7, 21-23, Jesus avisa: “Nem todo aquele que me diz: ‘Senhor, Senhor’, entrará no Reino dos Céus, mas sim aquele que faz a vontade de meu Pai que está nos céus.”

Tem gente que se acha super religiosa e vai levar um susto quando ouvir: “Nunca vos conheci.”

Deus Está Apaixonado Por Você (Sim, Por Você)

Às vezes achamos que somos meio manchados, pouco atraentes para Deus. Mas isso é mentira.

“Nunca se iluda pensando que, se você tiver contrição pelos seus pecados, Deus vai se deixar tocar e mudar de ideia sobre você. Nada disso. Deus nunca muda de ideia sobre você. Ele está simplesmente apaixonado por você. O que Ele faz, repetidamente, é mudar a sua mente sobre Ele.”

Quando você conversar com Ele, esse amor vai ficar óbvio.

Não Tenha Medo De Que Jesus Estrague Sua Vida

Às vezes fugimos de Jesus porque achamos que Ele vai ser chato, exigente demais, e nos transformar em alguém esquisito.

Mas olha o que o Papa Bento XVI disse sobre isso: “Se deixarmos Cristo entrar plenamente em nossas vidas, se nos abrirmos totalmente a Ele, não teremos medo de que Ele possa nos tirar algo? Não! Se deixarmos Cristo entrar em nossas vidas, não perdemos nada do que torna a vida livre, bela e grande. Somente nesta amizade as portas da vida se abrem de par em par.”

É na amizade com Jesus que descobrimos quem realmente somos.

Jesus Dá Exatamente O Que Você Mais Precisa

Em outra ocasião, Bento XVI listou o que a amizade com Jesus oferece: “Uma relação de profunda confiança com Jesus pode dar a um jovem o que ele precisa para enfrentar a vida: serenidade e iluminação interior, aptidão para pensar positivamente, abertura em relação aos outros, prontidão para pagar pessoalmente pelo bem, pela justiça e pela verdade.”

É isso que você encontra na oração.

Jesus Está Te Chamando Hoje

Vou deixar Jesus ter a última palavra. Apenas estar unido a Ele, lado a lado na amizade, torna a vida mais leve.

“Vinde a mim todos vós que estais cansados e carregados, e eu vos aliviarei. Tomai sobre vós o meu jugo e aprendei de mim, porque sou manso e humilde de coração, e encontrareis descanso para as vossas almas. Pois o meu jugo é suave e o meu fardo é leve.” (Mateus 11, 28-30)

Então reserve um tempo com Jesus hoje. Sozinho, em oração. E faça isso todos os dias.

Porque no fim das contas, conhecer Jesus vai importar mais do que qualquer outra coisa.

Fonte: https://catequizar.com.br/

Rádio Vaticano: 95 anos sendo o eco da voz do sucessor de Pedro

Homenagem do Programa Brasileiro, integrante do Vatican News / Rádio Vaticano. (Arte: @phillippereira_) 

Das ondas curtas de Marconi à inovação digital do Vatican News, o Programa Brasileiro celebrará 68 anos de história. Conheça mais sobre este serviço que, atuando de Roma, serve como ponte essencial entre o pulsar do coração da Igreja e a realidade lusófona.

Pe. Rodrigo Rios -  Vatican News

Nesta quinta (12/02), celebramos um marco que une ciência, fé e comunicação: os 95 anos da Rádio Vaticano. Desde que Guglielmo Marconi, prêmio Nobel de Física, entregou ao Papa Pio XI as chaves desta ferramenta de evangelização, a "voz do Papa" nunca mais deixou de ressoar além fronteira. O que começou com o solene discurso de Pio XI em latim, dirigido à "toda a criação", hoje se desdobra em mais de 40 idiomas, alcançando as periferias existenciais e geográficas, das aldeias da África às profundezas da Amazônia.

A ponte brasileira: fé e comunicação

O programa brasileiro nasceu em um momento de efervescência eclesial, em 12 de março de 1958. Naquela época, enquanto o mundo aguardava a transição entre Pio XII e o Papa Bom, João XXIII, o Brasil já se consolidava como o maior país católico do mundo.

Desde o primeiro responsável, o padre Antônio Aquino, até a equipe atual de sete profissionais integrados ao sistema Vatican News, o objetivo permanece inalterado: criar uma ponte entre a Santa Sé a e as dioceses brasileiras.

Silvonei José Protz, coordenador e voz emblemática do Programa Brasileiro, descreve essa missão não apenas como um trabalho, mas como um verdadeiro serviço espiritual: "Eu creio que é um privilégio para mim e também para todos os meus colegas que cada vez que nós realizamos uma crônica ou uma transmissão dos eventos papais, a nossa grande preocupação é fazer com que as pessoas que nos seguem através do rádio, da televisão e das redes sociais, possam rezar com o Santo Padre. Esse é o grande desafio a cada transmissão que a gente faz".

Presença multimídia e marcos históricos

Se na década de 30 operava com ondas curtas experimentais, a Rádio Vaticano hoje possui uma forte presença digital. Através de satélite, portal, YouTube e redes sociais, o conteúdo chega a centenas de emissoras parceiras em todo o território brasileiro.

Para Silvonei, a relação com as rádios locais é o que dá vida ao projeto: "É importante mais uma vez a gente recordar que existimos porque existe uma Igreja no Brasil. Portanto, a nossa especificidade aqui é levar o magistério petrino para a nossa realidade. E essas emissoras de rádio espalhadas em todo o Brasil nos abrem portas e janelas todos os dias para que a gente possa chegar com a mensagem do Papa. Portanto, é um relacionamento em crescimento”.

Ainda conforme o jornalista e doutor em comunicação, olhar a Igreja a partir de Roma oferece uma perspectiva única, mas sem distanciamento afetivo: “trabalhando em sintonia com a CNBB e as dioceses; a equipe brasileira atua como parte integrante do corpo da Igreja. Temos hoje um lugar privilegiado para olharmos a igreja, mas fazemos parte dela também”.

Ao longo de quase um século, a Rádio Vaticano narrou a história da Igreja e dos acontecimentos do mundo. Silvonei José recorda com emoção momentos que marcaram sua trajetória e a de milhões de ouvintes. Ele destaca a intensidade do funeral de São João Paulo II, com quem trabalhou por 16 anos: "Foi um momento muito marcante porque perdíamos um pai. Estivemos na Sala Clementina antes do corpo ser levado à Basílica de São Pedro, foi algo vivido com muita intensidade e emoção, ao lado de pessoas tão caras como o padre Jonas Abib", recorda.

Mais recentemente, a rádio foi o elo que uniu o mundo à oração do Papa Francisco em 27 de março de 2020, durante a pandemia da Covid-19. Silvonei relata: "O Papa subindo a rampa da Basílica, sozinho na praça, rezando pelo fim da pandemia... ali ficou claro o que ele tanto dizia: estamos todos no mesmo barco e precisamos remar juntos”.

Jornalistas do Programa Brasileiro da Rádio Vaticano com o Papa Francisco, em outubro de 2024, durante Assembleia do Dicastério para a Comunicação (Vatican Media)

Equipe atual e grade de programação

 Às vésperas de completar 68 anos de história no próximo mês, o Programa Brasileiro da Rádio Vaticano reafirma seu papel como ponte entre Roma e o Brasil. Sob a coordenação de Silvonei José, a atual redação do Vatican News é composta por sete profissionais: Thulio Fonseca, Andressa Collet, Bianca Fraccalvieri, Jackson Erpen, Mariângela Jaguraba e Raimundo de Lima. Juntos, eles formam o corpo editorial que traduz a comunhão entre o coração da Igreja e as paróquias e comunidades espalhadas pelo imenso Brasil.

A grade de programação é um verdadeiro mosaico de fé, informação e companhia espiritual para o mundo lusófono. Entre os destaques, estão os Boletins de notícias, transmitidos às 11h, 12h e 17h (horários de Roma), que trazem as principais atividades da Santa Sé e da Igreja no mundo, além das transmissões ao vivo dos grandes eventos do Santo Padre, como a Audiência Geral às quartas-feiras e o Angelus aos domingos. O conteúdo se completa com programas temáticos e podcasts como "Em Romaria" e "Porta Aberta", que aprofundam a reflexão cristã e a realidade das dioceses. 

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 16 de fevereiro de 2026

Como reconhecer a voz de Deus, segundo Santo Inácio de Loyola

Jose Melendez | CC BY SA 2.0

Philip Kosloski - publicado em 08/05/22 - atualizado em 16/02/26

Ouça com atenção! Deus pode estar tentando falar com você.

Em seus escritos sobre o discernimento de espíritos, Santo Inácio de Loyola fornece instruções específicas sobre como identificar as vozes que ouvimos em nossa alma, seja quando estamos em oração ou durante nossos deveres diários. Em particular, Loyola detalha os atributos da voz de Deus: 

“É próprio de Deus oferecer a verdadeira alegria espiritual e a felicidade, tirando toda a tristeza e perturbação que o inimigo traz.” 

Ele também diz que

“é próprio de Deus, Nosso Senhor, dar consolo à alma sem causa precedente”. 

Loyola ainda acrescenta: 

"Devemos notar bem o curso dos pensamentos. Se o começo, meio e fim forem inclinados a tudo que é do bem, é um sinal do Anjo Bom.”

Entretanto, antes de identificarmos adequadamente as vozes que tentam falar conosco, é necessário discernirmos o estado de nossa alma. Loyola escreve que, se a alma estiver se movendo de “bom para melhor", o Anjo Bom ajuda “docemente”. Mas, se a alma estiver indo de “mal a pior”, o Anjo Bom pode parecer afiado e nos mandar de volta para a direção correta.

Em geral, se estamos nos esforçando para nos aproximar de Deus, ele nos falará no silêncio de nossos corações com paz e alegria. Provavelmente, não será na forma de um terremoto, raio ou chamas de fogo.

Então, na próxima vez que você estiver tentando descobrir quem está falando diretamente à sua alma, pare e reveja os ensinamentos de Santo Inácio. Pode ser que Deus esteja batendo à porta do seu coração, querendo lhe dar a paz, a alegria e a felicidade que satisfarão a sua sede espiritual.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Ficha quaresmal

Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

Ficha quaresmal

Saiba como se preparar bem através de sete práticas espirituais para estes quarenta dias de oração e penitência

Pe. Rodrigo Rios – Vatican News

A quaresma é um verdadeiro retiro espiritual que a Igreja propõe anualmente como itinerário para a celebração da Páscoa. Como esta é a maior solenidade do cristianismo, preparar-se bem significa dar maior honra ao mistério da ressurreição do Senhor.

Quando jovem, aprendi a fazer uma "ficha quaresmal" com Dom Henrique Soares. Eu sempre a mostrava e pedia sua aprovação. Esse hábito fortalecia meu compromisso de responsabilidade para com a minha vida espiritual. Ele geralmente propunha cinco itens. Como desdobramento, e para tornar o caminho mais claro para os meus paroquianos e a quem acompanho espiritualmente, acrescentei mais dois daquilo que ouvia em suas homilias. Formaram-se, então, sete práticas, representando, de acordo com o simbolismo bíblico acerca dos números, um caminho que leva à perfeição.

Ao buscar compreender essas práticas, veja-as como um caminho de purificação, no qual se busca, durante esse ínterim, estar preparado para a celebração de tão grande festa. Vejamos agora cada uma das práticas da ficha quaresmal:

Jejum de alimento ou líquido (penitência corporal) | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

Existem diversas formas de jejum, mas aqui a proposta é a retirada de um alimento ou alguma bebida durante toda a Quaresma. Para que seja uma penitência corporal válida, deve-se tolher algo de que a pessoa realmente goste, a ponto de sentir falta de sua presença. Exemplos: Açúcar, doces, sorvete, refrigerantes, pizza, bolo, salgados, etc.

Rezar a mais uma oração todo dia | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

Aqui, vale acrescentar uma prática de oração além daquelas que já fazem parte do dia a dia. Essa oração deve ser rezada diariamente. Exemplos: Adoração ao Santíssimo Sacramento (30 minutos ao dia), rezar os Salmos, terço da misericórdia, rosário completo, ofício de Nossa Senhora, via-sacra, terço da libertação, lectio divina, liturgia das horas, etc.

Fazer uma obra de caridade | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

A caridade nos faz olhar para o próximo. Ao escolher uma obra de caridade, abro-me ao outro, vendo-o como um irmão e combatendo a cultura da indiferença. Essa atitude deve ser realizada de forma discreta. Ela pode ser articulada, inclusive, ao longo de todo o período, como, por exemplo, economizar o dinheiro que seria gasto com lanches e doá-lo a uma instituição ou família necessitada. Uma outra boa opção é buscar realizar as obras de misericórdia corporais (dar de comer a quem tem fome, visitar os enfermos, etc.).

Ler um livro de um santo ou da Bíblia | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

É importante iluminar a consciência e estimular nosso intelecto para as realidades do alto. Propõe-se aqui ler sobre a vida e obra dos santos (hagiografia) ou algum livro das Sagradas Escrituras, como o Êxodo, o Deuteronômio ou um dos Evangelhos. Assim, a mente também se ocupa contra as tentações próprias deste tempo de combate espiritual.

Combater um mau hábito | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

Todo jardim, por mais florido que seja, tem ervas daninhas; o vício é aquela que cresce mais rápido no terreno da alma. Identificar o vício principal (como a soberba, a preguiça ou a ira) é o primeiro passo para a vitória. A estratégia não é apenas "parar de errar", mas praticar a virtude oposta. Exemplos: Se o vício é a fofoca, a meta é o silêncio ou o elogio sincero; se é a reclamação, a meta é o louvor diário. Pode ser também aqui proposto o vício do cigarro, da bedida, etc. Nestes casos, combinam-se com o jejum de alimento / líquido.

Abnegação de algo lícito ou procurar fazer um pequeno martírio | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_  

À mortificação é o "pequeno martírio" cotidiano. Não significa tirar algo danoso, mas sim algo considerado lícito e prazeroso, com o objetivo de treinar o espírito para a renúncia. Exemplos: retirar o uso do WhatsApp, abster-se de séries e novelas, evitar redes sociais ou se propor a dormir no chão, sem travesseiro, etc.

Fazer um bom exame de consciência e buscar a confissão sacramental | Práticas espirituais que formam um verdadeiro itinerário espiritual de preparação para a Páscoa. Arte: Phillip Pereira | @phillippereira_ 

À medida que se realizam essas práticas, o espírito sente a necessidade de uma profunda reconciliação com Deus. É o momento de ser liberto e purificado pelo sacramento da Penitência. É mister preparar-se bem. Indico o exame de consciência baseado nos dez mandamentos, assim, o espírito consegue identificar o que não agradou a Deus de forma mais profunda e apresentá-lo no confessionário. A Igreja pede que, ao menos uma vez ao ano, por ocasião da Páscoa, todos os fiéis se confessem. É uma exortação para que todos estejam preparados para o grande Banquete Pascal.

Conselhos do Padre

Escreva sua ficha quaresmal em uma folha de papel e afixe em um local que você diariamente vê. Dessa forma, você não irá esquecer do que se prôpos todos os dias.

Escolha uma meta realista para cada tópico. Muitas vezes, acompanho pessoas que escolhem metas inviáveis. Verifique o que é possível dentro da sua realidade. Se você deseja rezar o Rosário completo (20 mistérios), mas não tem o costume de rezar sequer o Terço diariamente, dificilmente alcançará o objetivo. O ideal seria propor-se a rezar o Terço fielmente durante os quarenta dias e, no futuro, em uma próxima quaresma, avançar para o Rosário. O importante é começar! E, se algum dia falhar, levante a cabeça e continue. Tenho certeza de que Deus se alegrará com todo o seu esforço.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 15 de fevereiro de 2026

O Amor é a Plenitude da Lei

O amorr é a lei em plenitude (Universo Paulinas)

PALAVRA DO PASTOR

O Amor é a Plenitude da Lei

VI Domingo do Tempo Comum (A)

14/02/2026

Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília

Bento XVI nos ajuda a entrarmos no mistério do Evangelho deste domingo (Mt 5, 17-37). Diz ele: “Na Liturgia deste domingo continua a leitura do chamado ‘Sermão da montanha’ de Jesus, que ocupa os capítulos 5, 6 e 7 do Evangelho de Mateus. Depois das ‘Bem-Aventuranças’, que são o seu programa de vida, Jesus proclama a nova Lei, a sua Tora, como lhe chamam os nossos irmãos judeus. Com efeito, com a sua vinda o Messias devia trazer também a revelação definitiva da Lei, e é precisamente isso que Jesus declara: ‘Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os abolir, mas sim para os levar à perfeição’. E, dirigindo-se aos seus discípulos, acrescenta: ‘Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e fariseus, não entrareis no Reino dos Céus’ (Mt 5, 17.20). Em que consiste essa ‘plenitude’ da Lei de Cristo, essa justiça ‘superior’ que Ele exige?

“Jesus explica-o mediante uma série de antíteses entre os mandamentos antigos e o seu modo de os repropor. Cada vez começa: ‘Ouvistes o que foi dito aos antigos…’, e então afirma: ‘Mas Eu vos digo…’. Por exemplo: ‘Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás, mas quem matar será castigado pelo juízo do tribunal’. Mas Eu vos digo: ‘todo aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes’’ (Mt 5, 21-22). E assim por seis vezes. Esse modo de falar causava grande impressão no povo, que permanecia assustado, porque aquele ‘Eu vos digo’ equivalia a reivindicar para si a mesma autoridade de Deus, fonte da Lei. A novidade de Jesus consiste, essencialmente, no fato de que Ele mesmo ‘completa’ os mandamentos com o amor de Deus, com a força do Espírito Santo que habita nele. E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à obra do Espírito Santo, que nos torna capazes de viver o amor divino. Por isso, cada preceito se torna verdadeiro, como exigência de amor, e todos convergem num único mandamento: ama a Deus com todo o coração, e ao teu próximo como a ti mesmo. ‘A caridade é o pleno cumprimento da lei’, escreve são Paulo (Rm 13, 10). […] Caros amigos, talvez não seja ocasional que a primeira grande pregação de Jesus se chame ‘Sermão da montanha’! Moisés subiu ao monte Sinai para receber a Lei de Deus e levá-la ao Povo eleito. Jesus é o Filho do próprio Deus que desceu do Céu para nos levar ao Céu, à altura de Deus, pelo caminho do amor. Aliás, Ele mesmo é esse caminho: só devemos segui-lo, para cumprir a vontade de Deus e entrar no seu Reino, na vida eterna”. (Bento XVI, Angelus de 13 de fevereiro de 2011). 

Jesus nos propõe superar o texto da lei nos colocando numa dinâmica nova do Espírito, onde não se vive o legalismo da lei, vai-se muito além, vive-se na dinâmica do amor. Só o amor pode fazer superar o legalismo. Por isso, a reconciliação com o irmão e os sentimentos contra o irmão são fundamentais. A interioridade, de onde nascem os desejos santos, mas também os atos desordenados, é colocada no centro, pois é a consciência que deve ser boa, bem formada.

Fonte: https://arqbrasilia.com.br/

sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mensagem em uma garrafa revela como um Servo de Deus morreu

Public domain

Daniel R. Esparza - publicado em 13/02/26

Durante o trabalho de restauração perto de Madri, um documento oculto relata a exumação de 1947 de um padre morto nos primeiros dias da Guerra Civil Espanhola.

Quase 90 anos após a eclosão da Guerra Civil Espanhola, uma descoberta dentro de uma pequena igreja paroquial perto de Madri reabriu um capítulo doloroso que muitos acreditavam estar totalmente documentado. Durante o recente trabalho de restauração em Santa María del Castillo, em Campo Real, os trabalhadores descobriram uma garrafa de vidro escondida ao lado de um túmulo. Dentro estava um documento dobrado — um registro oficial detalhando o assassinato de um padre católico nos primeiros dias caóticos da guerra.

A descoberta foi relatada pela primeira vez pelo jornalista espanhol José Melero Campos no COPE, a rede de rádio católica da Espanha, e mais tarde confirmada pelas autoridades diocesanas. Como Melero Campos observa, é um lembrete impressionante de quantos testemunhos pessoais da Guerra Civil permanecem literalmente enterrados.

Para leitores fora da Espanha, o contexto é essencial. A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) não foi apenas uma luta entre visões políticas rivais da nação. Também desencadeou uma intensa onda de perseguição religiosa em zonas controladas pelos republicanos. Grupos seculares e marxistas radicais associaram a Igreja Católica à antiga ordem social da Espanha. No colapso da lei que se seguiu à revolta militar fracassada de julho de 1936, padres, irmãs religiosas e católicos leigos foram presos, expulsos ou sumariamente executados. O culto público foi proibido em muitas regiões, e milhares de igrejas -- e as relíquias e obras de arte que elas continham -- foram saqueadas, queimadas ou destruídas.

Mártires aos milhares

Milhares dos mortos na Guerra Civil da Espanha já foram reconhecidos como mártires e beatificados. Milhares mais estão no processo.
Os martírios eram muitas vezes horríveis, com histórias como a do Pe. Rodríguez sendo apenas um dos muitos.
João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão reconheceram os martírios de grupos inteiros de fiéis.

Campo Real, uma cidade agrícola a sudeste de Madri, ficou sob controle republicano naquelas primeiras semanas. Seu pároco, Valentín Rodríguez Cañas, foi baleado em 29 de julho de 1936. Ele tinha 36 anos. Hoje, a Igreja Católica o reconhece como um Servo de Deus, o primeiro passo para uma possível canonização.

A garrafa descoberta durante a reforma da paróquia havia sido colocada ao lado de seu túmulo em 1947. De acordo com o documento interno — agora sendo estudado por um arqueólogo no Palácio Arquiepiscopal de Alcalá de Henares — registra a exumação formal e a identificação dos restos mortais do Padre Rodríguez mais de uma década após sua morte.

Como Melero Campos relata, o texto é preciso e arrepiante em sua contenção. Lista as testemunhas presentes no cemitério: padres, o juiz municipal, o secretário da cidade, um farmacêutico e o coveiro. Quando o túmulo foi aberto, o documento observa que distúrbios anteriores haviam deslocado alguns ossos. Mesmo assim, restos identificáveis foram encontrados, incluindo partes do crânio, costelas, fragmentos de roupas - e balas e pellets das armas que o mataram.

Em 20 de junho de 1947, os restos mortais foram levados em procissão do cemitério municipal para a igreja paroquial. Seguiu-se uma missa fúnebre solene, com a presença de autoridades civis e uma grande multidão. Só então o padre recebeu o enterro dentro da igreja que ele já serviu.

Em um país onde a memória da Guerra Civil ainda alimenta a tensão política, o documento evita a retórica. Ele simplesmente registra o que aconteceu, quem estava lá e como uma comunidade recuperou seus mortos.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF