Por Redação central
1 de jan de 2026 às 00:01
A solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus (Theotokos) é a
mais antiga que se conhece no Ocidente. Nas Catacumbas ou antiquíssimos
subterrâneos de Roma, onde se reuniam os primeiros cristãos para celebrar a
Santa Missa, encontram-se pinturas com esta inscrição.
Segundo um antigo testemunho escrito no século III, os
cristãos do Egito se dirigiam a Maria com a seguinte oração: “Sob seu amparo
nos acolhemos, Santa Mãe de Deus: não desprezeis a oração de seus filhos
necessitados; livra-nos de todo perigo, oh sempre Virgem gloriosa e bendita”
(Liturgia das Horas).
No século IV, o termo Theotokos era usado frequentemente no
Oriente e Ocidente porque já fazia parte do patrimônio da fé da Igreja.
Entretanto, no século V, o herege Nestório se atreveu a
dizer que Maria não era Mãe de Deus, afirmando: “Então Deus tem uma mãe? Pois
então não condenemos a mitologia grega, que atribui uma mãe aos deuses”.
Nestório havia caído em um engano devido a sua dificuldade
para admitir a unidade da pessoa de Cristo e sua interpretação errônea da
distinção entre as duas naturezas – divina e humana – presentes Nele.
Os bispos, por sua parte, reunidos no Concílio de Éfeso (ano
431), afirmaram a subsistência da natureza divina e da natureza humana na única
pessoa do Filho. Por sua vez, declararam: “A Virgem Maria sim é Mãe de Deus
porque seu Filho, Cristo, é Deus”.
Logo, acompanhados pelo povo e levando tochas acesas,
fizeram uma grande procissão cantando: “Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós
pecadores agora e na hora de nossa morte. Amém”.
São João Paulo II, em novembro de 1996, refletiu sobre as
objeções expostas por Nestório para que se compreenda melhor o título “Maria,
Mãe de Deus”.
“A expressão Theotokos, que literalmente significa ‘aquela
que gerou Deus’, à primeira vista pode resultar surpreendente; suscita, com
efeito, a questão sobre como é possível que uma criatura humana gere Deus. A
resposta da fé da Igreja é clara: a maternidade divina de Maria refere-se só a
geração humana do Filho de Deus e não, ao contrário, à sua geração divina”,
disse o papa.
“O Filho de Deus foi desde sempre gerado por Deus Pai e
é-Lhe consubstancial. Nesta geração eterna Maria não desempenha, evidentemente,
nenhum papel. O Filho de Deus, porém, há dois mil anos, assumiu a nossa
natureza humana e foi então concebido e dado à luz por Maria”, acrescentou.
Do mesmo modo, afirmou que a maternidade da Maria “não se
refere a toda a Trindade, mas unicamente à segunda Pessoa, ao Filho que, ao
encarnar-se, assumiu dela a natureza humana”. Além disso, “uma mãe não é Mãe
apenas do corpo ou da criatura física saída do seu seio, mas da pessoa que ela
gera”, disse são João Paulo II.
Por fim, é importante recordar que Maria não é só Mãe de
Deus, mas também nossa porque assim quis Jesus Cristo na cruz, quando a confiou
a São João. Por isso, ao começar o novo ano, peçamos a Maria que nos ajude a
ser cada vez mais como seu Filho e iniciemos o ano saudando a Virgem Maria.
Saudação à Mãe de Deus
Salve, ó Senhora santa, Rainha santíssima,
Mãe de Deus, ó Maria, que sois Virgem feita igreja,
eleita pelo santíssimo Pai celestial,
que vos consagrou por seu santíssimo
e dileto Filho e o Espírito Santo Paráclito!
Em vós residiu e reside toda a plenitude
da graça e todo o bem!
Salve, ó palácio do Senhor! Salve,
ó tabernáculo do Senhor!
Salve, ó morada do Senhor!
Salve, ó manto do Senhor!
Salve, ó serva do Senhor!
Salve, ó Mãe do Senhor,
e salve vós todas, ó santas virtudes
derramadas, pela graça e iluminação
do Espírito Santo,
nos corações dos fiéis
transformando-os de infiéis
em servos fiéis de Deus!

Nenhum comentário:
Postar um comentário