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quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Cardeais exigem justiça por crimes do governo chinês contra minoria muçulmana

Uigures em um mercado em Kasgar. Crédito: Wimmedia - Todenhoff (CC BY-SA 2.0).

PEQUIM, 11 ago. 20 / 01:30 pm (ACI).- Dois Cardeais católicos e mais de 70 líderes religiosos exigiram que parlamentares, governos e juristas investiguem e façam justiça pelos crimes cometidos pelo governo comunista chinês contra o grupo étnico uigur.

Em um comunicado de 8 de agosto, o Arcebispo de Yangon e presidente da Federação das Conferências Episcopais da Ásia, Cardeal Charles Maung Bo; o Arcebispo de Jacarta (Indonésia), Cardeal Ignatius Suharyo, e 74 outros líderes religiosos disseram que o tratamento dado pelo governo chinês aos uigures é "uma das tragédias humanas mais atrozes desde o Holocausto".

Além disso, pediram "oração, solidariedade e ação para acabar com essas atrocidades em massa" contra a minoria muçulmana na China.

“Depois do Holocausto, o mundo disse 'Nunca mais'. Hoje, repetimos essas palavras: 'Nunca mais', uma e outra vez. Apoiamos os uigures. Também apoiamos budistas tibetanos, praticantes do Falun Gong e cristãos em toda a China que estão enfrentando a pior repressão à liberdade de religião ou crença desde a Revolução Cultural”, disseram.

“Fazemos um simples apelo à justiça para investigar esses crimes e fazer com que os responsáveis prestem contas e estabeleçam um caminho para a restauração da dignidade humana”, acrescentaram.

Da mesma forma, assinaram o comunicado o Arcebispo Emérito de Canterbury, Rowan Williams; e outros líderes muçulmanos, judeus, budistas e cristãos, que citaram a prisão de um milhão de muçulmanos na China e a campanha de esterilização forçada, entre as "muitas perseguições e atrocidades em massa".

De acordo com vários relatórios, entre 900 mil e 1,8 milhão de uigures e outras minorias étnicas foram presos em Xinjiang, uma província no extremo noroeste da China. Além disso, o Governo estabeleceu mais de 1.300 campos de detenção, onde sobreviventes informaram ter sido submetidos a doutrinação política e antirreligiosa, tortura, espancamentos e trabalhos forçados.

Em 29 de junho, a agência de notícias norte-americana AP assinalou que muitos uigures também contaram que as autoridades os forçaram a implantar o dispositivo intrauterino DIU e outras formas de controle de natalidade, bem como a fazer abortos e esterilizações para cumprir as políticas de planejamento familiar da China. Um especialista disse à AP que a campanha chinesa é um "genocídio, ponto final".

Além disso, as autoridades estabeleceram um sistema de vigilância em massa na região para rastrear os movimentos das pessoas, que inclui amostragem de DNA e tecnologia de reconhecimento facial, bem como plataformas policiais preventivas.

No documento, os líderes afirmam ainda que a campanha chinesa de esterilização forçada de mulheres uigures em quatro prefeituras poderia elevar essa ação ao nível de genocídio, segundo a Convenção sobre o Genocídio de 1948.

“O objetivo claro das autoridades chinesas é erradicar a identidade uigur. A mídia estatal chinesa afirmou que o objetivo é romper sua linhagem, romper suas raízes, romper suas conexões e suas origens”, assinalaram.

Além disso, os líderes advertiram que “os parlamentares, governos e juristas têm a responsabilidade de investigar” e afirmaram que “como líderes religiosos, não somos ativistas nem formuladores de políticas. Mas temos o dever de chamar nossas comunidades para suas responsabilidades de cuidar de seus semelhantes e agir quando correm perigo".

Outros líderes religiosos que assinaram a declaração foram 20 rabinos, 19 imãs, o representante do Dalai Lama na Europa e o Arcebispo copta ortodoxo de Londres, Dom Angaelos. Além disso, outros líderes católicos, como o Bispo de Clifton (Reino Unido), Dom Declan Lang, e Pe. Nicholas King, capelão da Universidade de Oxford, também assinaram.

Publicado originalmente em CNA. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

ACI Digital

 

CNBB realiza Dia de Oração e Reflexão sobre o Pacto pela Vida e pelo Brasil

 2020.08.11 - CNBB 15 AGOSTO GIORNATA PREGHIERA E RIFLESSIONE

Realiza-se no dia 15 de agosto, o Dia de Oração e Reflexão sobre o Pacto pela Vida e pelo Brasil. Para o arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, a entidade assinou o Pacto pela vida e pelo Brasil impulsionada por sua fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo.

Vatican News

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) realiza, no próximo 15 de agosto, o Dia de Oração e Reflexão sobre o Pacto pela Vida e pelo Brasil. O Pacto foi assinado em 7 de abril, Dia Mundial da Saúde, por seis entidades representativas de diversos setores da sociedade brasileira. O documento foi lançado num período em que o Brasil se deparava com o agravamento da pandemia.

O Pacto começou a ser elaborado cerca de um mês antes, por meio de reuniões entre representantes das entidades signatárias, todas bastante preocupadas com o quadro que se agravava no país. A CNBB, seguindo a trajetória de seis décadas de compromisso evangélico com a realidade nacional, fez parte, desde o primeiro momento, das reflexões e da formulação do texto.

Clarear caminhos e rumos novos

Para o arcebispo de Belo Horizonte (MG), dom Walmor Oliveira de Azevedo, presidente da CNBB, a entidade assinou o Pacto pela vida e pelo Brasil impulsionada por sua fidelidade ao Evangelho de Jesus Cristo, fonte inesgotável da luz da verdade, luz indispensável para clarear caminhos e rumos novos que a sociedade brasileira precisa, com urgência, para construir um novo tempo.

Segundo ele, a missão evangelizadora da Igreja, no rico e interpelante horizonte de sua Doutrina Social, não se exime na tarefa de, em cooperação com segmentos da sociedade civil, no que lhe é próprio e devido, ajudar a superar injustiças e discriminações para com os pobres e vulneráveis, defesa dos direitos e promoção da justiça, apoio à democracia e contribuição na conquista do Bem comum. “A Igreja assim o faz, estando no coração do mundo solidária, na força do testemunho do Reino de Deus, a caminho”, afirmou.

Para o bispo auxiliar do Rio de Janeiro, dom Joel Portella Amado, secretário- geral da CNBB, não se tratava, como continua não se tratando, apenas do aspecto sanitário, ou seja, da doença em si, porém de muitos outros aspectos, entre os quais as consequências econômicas, sociais, políticas e a desinformação.

Quando juntamos tudo isso, explica dom Joel, temos uma situação que exige posicionamento. Conforme o primeiro parágrafo do Pacto, não se trata, portanto, de um único aspecto, mas de uma complexa realidade que exige “de todos, especialmente de governantes e representantes do povo, o exercício de uma cidadania guiada pelos princípios da solidariedade e da dignidade humana, assentada no diálogo maduro, corresponsável”.

Um caminho de diálogo, comunhão e parceria

O Pacto, explica o arcebispo de Porto Alegre (RS), dom Jaime Spengler, primeiro vice-presidente da CNBB, aponta para entendimento, compromisso, concordância, no caso estabelecidos entre diversas entidades da sociedade. “Expressa, pois, desejo, disposição e empenho para, diante da gravidade do momento sócio-econômico-político, colaborar na busca de um novo tempo para o Brasil. Ele é, portanto, expressão do empenho de diversas entidades da sociedade, rumo a um consenso em torno da necessidade de promover os princípios da solidariedade e da dignidade humana”, afirmou.

Lembrando a necessidade da construção de agendas e políticas públicas para o enfrentamento da pandemia sanitária e suas consequências, as entidades signatárias recordam que cabe ao Governo Federal promover, como reforçado em no quarto parágrafo do Pacto, o “diálogo, presidindo o processo de grandes e urgentes mudanças (…) ultrapassando a insensatez das provocações e dos personalismos”, em vista do bem de todo o povo brasileiro.

Enfrentamento solidário das mazelas do povo brasileiro

O vírus colocou às claras inúmeras situações vivenciadas pela maioria do povo brasileiro, desassistido em muitas frentes, das quais se destaca a saúde. Por isso, o Pacto, em seu sexto parágrafo, afirma “não é justo jogar o ônus da imensa crise nos ombros dos mais pobres e trabalhadores”.

Essa realidade, lembra o bispo de Roraima (RR), dom Mario Antônio da Silva, segundo vice-presidente, não é uma etapa casual, mas o produto de determinadas situações e estruturas econômicas, sociais e políticas, com agravantes às populações vulneráveis neste tempo de pandemia. Esse fato, destaca dom Mario, clama o cumprimento das exigências da justiça e nos interpela à prática da solidariedade como sinal de autenticidade evangélica.

Se a pandemia, como o próprio nome indica, é um fenômeno generalizado, assim também deve ser o seu enfrentamento. Por isso, a proposta das entidades signatárias é que o Pacto seja “abraçado por toda a sociedade brasileira em sua diversidade, … fortalecendo nossa democracia, mantendo-nos irredutivelmente unidos”, conforme destaca seu décimo parágrafo. “É hora de entrar em cena no Brasil o coro dos lúcidos, fazendo valer a opção por escolhas científicas, políticas e modelos sociais que coloquem o mundo e a nossa sociedade em um tempo, de fato, novo”, diz trecho documento.

É por isso que o Pacto precisa ser efetivamente colocado em prática, ainda mais quando o Brasil atinge e mesmo ultrapassa a marca dos cem mil mortos, não se vislumbrando soluções a curto prazo. O Pacto, destaca dom Jaime, oferece um leque de oportunidades para que cada entidade, a partir do que lhe é próprio, se engaje de forma determinada na promoção da vida, em especial dos mais vulneráveis.

Não apenas um documento

Dom Joel completa afirmando “não se tratar apenas de um documento a mais em meio a tantos, mas um processo, um conjunto de atitudes que não podem ser adiadas”. Em razão disto, o Conselho Permanente, órgão deliberativo mais importante da CNBB, abaixo apenas da Assembleia Geral da Conferência, aprovou por unanimidade que se faça uma consulta ampla a todos os bispos e, por meio desses, às demais instâncias da ação evangelizadora no Brasil, de modo que, através da colaboração de todos, em clima de fraternidade e comunhão, se possa contribuir para a superação de um quadro tão triste como o atual.

Com o dia de oração e reflexão, informa o secretário-geral da CNBB, inicia-se um processo que deve durar enquanto a pandemia durar. O ideal, destaca dom Joel, seria não precisarmos fazer isso. “Se é necessário fazer, nós o faremos, dialogando continuamente com as demais entidades que assinaram o Pacto e com todas as outras que desejarem unir forças”, disse.

As informações para o aprofundamento do Pacto Pela Vida e Pelo Brasil podem ser obtidas aqui no site da CNBB, que será atualizado continuamente, enquanto durar a pandemia.

Fonte CNBB

Vatican News

Celam: inclusão, respeito e proteção dos povos indígenas

Celam: inclusão, respeito e proteção dos povos indígenas

“A Igreja reitera o seu compromisso com a defesa dos direitos humanos de nossos irmãos e irmãs indígenas de todo o mundo”, para que eles não sejam considerados “simplesmente uma minoria”, mas também se tornem “os principais interlocutores”, afirma o Celam.

Vatican News

As diferentes comunidades indígenas do mundo devem ser incluídas, respeitadas e protegidas em sua cultura.

É o que pede com veemência o Conselho Episcopal Latino-americano (Celam) numa nota assinada pelo presidente do organismo, dom Miguel Cabrejos Vidarte, divulgada neste domingo, 9 de agosto, Dia Internacional dos Povos Indígenas.

“A Igreja reitera o seu compromisso com a defesa dos direitos humanos de nossos irmãos e irmãs indígenas de todo o mundo”, para que eles não sejam considerados “simplesmente uma minoria”, mas também se tornem “os principais interlocutores”.

O Celam destaca as graves dificuldades em que vivem as comunidades indígenas, como por exemplo, as “ameaças à sua terra e estilo de vida, falta de serviços de saúde e educação de qualidade, e várias formas de discriminação”. “Uma dura realidade”, afirma a nota, “agravada pela emergência sanitária causada pela Covid-19 que afetou gravemente a região amazônica”, infectando “mais de 70 mil indígenas no continente americano”, dos quais “23 mil na bacia do Rio Amazonas”.

O CELAM se refere na nota a um dos “sonhos” citados pelo Papa Francisco em sua Exortação Apostólica pós-sinodal “Querida Amazônia”: “Sonho uma Amazônia que luta pelos direitos dos mais pobres, dos povos originários, dos últimos, onde sua voz seja ouvida e sua dignidade seja promovida. Sonho uma Amazônia que defenda a riqueza cultural que a distingue, onde a beleza humana brilha em tantas formas diferentes.” Na esteira destas palavras, os bispos latino-americanos convidam as autoridades do continente a “centralizar menos e descentralizar mais a assistência social e econômica que tem sido prestada durante este difícil período de pandemia”, assegurando que “nossos irmãos indígenas recebam a atenção que merecem e precisam urgentemente”.

Vatican News Service – IP/MJ

Vatican News 

terça-feira, 11 de agosto de 2020

Do Tratado sobre a Encarnação do Senhor, de Teodoreto de Ciro, bispo

Liturgia Diária

(N.28:PG 75,1467-1470)      (Séc.V)

 

Por suas chagas fomos curados

Nosso remédio são os tormentos de nosso Salvador. O profeta no-lo ensina: Ele tomou sobre si nossos pecados e carregou nossas dores; nós, porém, o julgávamos castigado e ferido por Deus e humilhado. Ferido por nossos pecados, esmagado por nossos crimes; o castigo que nos valeu a paz caiu sobre ele; por suas chagas fomos curados. Todos, quais ovelhas, nos desgarramos; por isso como ovelha foi conduzido ao matadouro e, como cordeiro, calou-se diante do tosquiador (Is 53,4-7).  

Igual a um pastor, vendo dispersas as ovelhas, toma em mãos uma delas e a conduz às pastagens escolhidas; as outras, arrasta-as após si por este exemplo. Assim o Deus Verbo, ao ver errante o gênero humano, assumiu a forma de servo, unindo-a a si. E, por ela, atraiu a si toda a natureza humana e conduziu à divina pastagem aqueles que eram mal apascentados e presa dos lobos.  

Foi para isso que nosso Salvador assumiu nossa natureza. Para isso o Cristo Senhor aceitou a paixão salvadora, entregou-se à morte e foi sepultado, posto no sepulcro, para nos libertar da antiga tirania e dar a promessa da incorruptibilidade àqueles que estavam sujeitos à corrupção. Reedificando o templo destruído e ressuscitando dos mortos, mostrou até aos mortos e aos que esperavam sua ressurreição o cumprimento das verdadeiras e sólidas promessas.  

Na verdade, é como se Ele dissesse: “Do mesmo modo como a vossa natureza, assumida por mim, pela inabitação e união da divindade, alcançou a ressurreição e, livre da corrupção e dos sofrimentos, passou para a incorruptibilidade e a imortalidade, assim também vós sereis livres da dura escravidão da morte e, despidas a corrupção e suas perturbações, sereis revestidos de impassibilidade.”   

Por este motivo enviou pelos apóstolos a todo o gênero humano o dom do batismo. Ide, pois, ensinai todas as nações, batizando-as em nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo (Mt 28,19). O batismo é imagem e figura da morte do Senhor. “Pois se estamos completamente unidos a Cristo, como diz Paulo, pela imagem da sua morte, também o estaremos pela imagem da sua ressurreição (Rm 6,5).

https://liturgiadashoras.online/

Quanto é o salário de um papa?

POPE AUDIENCE JUNE 26; 2019
antoine.mekary/ALETEIA/i.Media
por Philip Kosloski

A resposta pode surpreender você.

Como chefe da Igreja Católica em todo o mundo, pode-se supor que o Papa Francisco receba um salário generoso em compensação por seus muitos deveres. No entanto, a verdade é exatamente o oposto.

Em 2001, houve rumores de que João Paulo II tinha um bom salário, mas o New York Times relatou: “Joaquín Navarro-Valls, porta-voz do Vaticano, acabou com as especulações sobre o salário do papa, dizendo: ‘O papa não recebe e nunca recebeu um salário.'”

HOMELESS
                                                 ALBERTO-PIZZOLI-AFP

Isso é ainda mais verdadeiro para Francisco, que, como jesuíta, ou seja, membro da ordem religiosa da Companhia de Jesus, professou o voto de pobreza quando ingressou em sua comunidade religiosa.

No entanto, apesar do Papa Francisco não receber nenhum dinheiro na forma de um salário mensal, ele tem todas as despesas de viagem e necessidades de vida pagas pelo Vaticano. Ele nunca precisa se preocupar com comida ou moradia, mas não tem renda para fazer compras online nem no cartão de crédito.

Ele, não obstante, tem acesso a um grande fundo de dinheiro de caridade que ele distribui gratuitamente para aqueles que precisam, como ele desejar.

POPE FRATELLO

Por exemplo, em 2019, de acordo com Crux, o Papa Francisco doou US $ 500.000 do fundo “Óbolo de São Pedro” para ajudar cerca de 75.000 pessoas no México. Esta é apenas uma das muitas doações que ele faz regularmente, muitas vezes na sequência de catástrofes naturais ou para áreas particularmente necessitadas devido a guerras, secas ou outras calamidades.

Outro exemplo é no âmbito da pandemia da COVID-19, que estendeu sua sombra até atingir fortemente o continente americano e a África, onde em algumas áreas pobres – que para a Igreja são terras de missão – a escassez de meios somada ao coronavírus pode criar situações muito difíceis.

Por isso, o Papa Francisco decidiu ajudar as pessoas que vivem nessas áreas criando especificamente um Fundo de Emergência administrado pelas Pontifícias Obras Missionárias. A contribuição inicial do Santo Padre, partindo do Óbolo de São Pedro, para este fundo foi de 750.000 dólares.

O papa deve viver segundo o exemplo de Jesus, que, da mesma forma, não tinha salário e dependeu da generosidade de outros para suprir suas necessidades durante seu ministério de três anos, como é mencionado nas Escrituras.

Como o próprio Papa Francisco disse em um tweet de 13 de setembro de 2018:

“Quando sou misericordioso, sou um verdadeiro filho do Pai, porque o Pai é misericordioso.”

Aleteia 

A lenda de Abgaro

Patrística e Patrologia
Veritatis Splendor
  • Fonte: “Enciclopédia Católica”
  • Autor: H. Leclercq
  • Tradução: Renata Itimura

O historiador Eusébio registra uma tradição (H.E. LXII) – em que ele acredita firmemente – concernente a uma correspondência trocada entre Nosso Senhor e a autoridade local de Edessa. Três são os documentos associados a esta correspondência:

  • A carta de Abgaro para Nosso Senhor;
  • A resposta de Nosso Senhor; e
  • Um retrato de Nosso Senhor, pintado em vida.

Esta lenda teve grande popularidade tanto no Ocidente como no Oriente durante a Idade Média: a carta de Nosso Senhor foi copiada em pergaminho, mámore e metal, e usada como um talismã ou amuleto.

Na época de Eusébio pensava-se que as cartas originais escritas em siríaco estivessem guardadas nos arquivos de Edessa. Nos dias de hoje, possuímos não apenas o texto siríaco mas também uma versão armênia, bem como duas versões gregas independentes – menores que a siríaca – e várias inscrições em pedra, todas elas discutidas em dois artigos no “Dicitionnaire d’archeólogie chrétienne et de liturgies” col. 88 sq. e 1807 sq. Os únicos dois trabalhos a serem consultados com referência a estes tópicos literários são a “História Eclesiástica” de Eusébio e os “Atos de Tadeu” que professam pertencer à Era Apostólica.

O fato, conforme esses dois trabalhos, ocorreu assim:

Abgaro, rei de Edessa, aflito com uma doença incurável, escutou a fama do poder e dos milagres de Jesus e escreveu para Ele, suplicando para que viesse curá-lo. Jesus recusa a vir, mas promete mandar um mensageiro investido com Seu poder, chamado Tadeu, um dos setenta e dois discípulos.

As cartas de Nosso Senhor e do rei de Edessa variam na versão dada em Eusébio e a dada nos “Atos de Tadeu”. A que segue é retirada dos “Atos de Tadeu”, que é menos acessível do que a da História de Eusébio:

  • Abgaro Ukkama a Jesus, o Bom Médico que apareceu na terra de Jerusalem, saudações: Escutei falar de Ti e de Tuas curas: que Tu não fazes uso de remédios nem raízes; que, por Tua palavra, abriste [os olhos] de um cego, fizeste o aleijado andar, limpaste o leproso, fizeste o surdo ouvir; que por Tua palavra tu [também] expulsaste espíritos daqueles que eram atormentados por demônios imundos; que, outra vez, Tu ressussitaste o morto [trazendo-o] para a vida. E, conhecendo as maravilhas que Tu fazes, concluí que [das duas uma]: ou Tu desceste do céu, ou mais: Tu és o Filho de Deus e por isso fizeste todas essas coisas. Por esse motivo escrevo para Ti, e rezo para que venhas até mim, que Te adoro, e cure toda a doença que carrego, de acordo com a fé que tenho em Ti. Também soube que os judeus murmuram contra Ti e Te perseguem; que buscam crucificar-Te e destruir-Te. Eu não possuo mais que uma pequena cidade, mas é bela e grande o suficiente para que nós dois vivamos em paz.

Quando Jesus recebeu esta carta, na casa de um alto sacerdote dos judeus, ele disse para Hannan, o secretário:

  • “Vá e dize para teu senhor que te enviou para mim: ‘Feliz és tu que acreditaste em Mim não tendo Me visto, porque está escrito sobre Mim que aqueles que me verão não acreditarão em Mim, e aqueles que não me verão acreditarão em Mim’. Quanto ao que escreveste, que eu deveria ir até ti, devo cumprir todas as coisas para as quais fui enviado aqui; quando eu ascender outra vez para o Meu Pai que me enviou, e quando eu tiver ido ter com Ele, Eu te enviarei um dos meus discípulos, que curará todos os teus sofrimentos, e eu te darei saúde outra vez, e converterei todos os que estão contigo para a vida eterna. E tua cidade será abençoada para sempre, e os teus inimigos nunca a dominarão”.

Segundo Eusébio não foi Hannan que escreveu a resposta, mas o próprio Nosso Senhor. Um crescimento legendário curioso originou-se desta ocorrência imaginária. A natureza da doença de Abgaro tem sido  discutida gravemente, para crédito da imaginação de vários escritores, uns sustentando que era gota, outros lepra; os primeiros dizendo que isto tinha durado sete anos, os últimos descobrindo que o doente tinha contraído a doença durante uma estadia na Pérsia. Outros cronistas, por sua vez, sustentam que a carta foi escrita em pergaminho, embora alguns favoreçam o papiro. A passagem crucial na carta de Nosso Senhor, entretanto, é a que promete à cidade de Edessa vitória sobre todos os inimigos. Isto deu à pequena cidade uma popularidade que desapareceu no dia que ela caiu nas mãos dos conquistadores. Foi um rude choque para aqueles que acreditavam na lenda; eles preferiram atribuir a queda da cidade à cólera de Deus contra os habitantes do que admitir a falha da salvaguarda, que não era menos confiante naquele tempo do que no passado.

O fato relacionado correspondente há muito deixou de ter qualquer valor histórico. O texto foi tirado de duas partes do evangelho, o que em si mesmo é o suficiente para provar a não autenticidade da carta. Além disso, as citações são feitas não dos próprios evangelistas, mas da famosa concordância de Taciano, compilada no século II e conhecida como “Diatessaron”, deste modo fixando a data da lenda como aproximadamente da metade do século III. Em adição, entretanto, para a importância que é alcançada no ciclo apócrifo, a correspondência do rei Abgaro também ganha lugar na liturgia . O decreto “De libris non recipiendis”, do psêudo-Gelásio, coloca a carta entre os apócrifos, o que pode, possivelmente, ser uma alusão dela ter sido inserida entre as lições de liturgia oficialmente sancionadas. As liturgias sírias comemoram a correspondência de Abgaro durante a Quaresma. A liturgia celta parece ter acrescentado importância à lenda; o “Liber Hymnorum”, um manuscrito preservado na Universidade Trinity, em Dublin (E. 4,2), apresenta duas compilações nas linhas da carta para Abgaro. Nem, de qualquer maneira, é impossível que esta carta, seguida de muitas orações, possa ter formado um ofício litúrgico menor em certas igrejas.

O relatório dado por Adda contém um detalhe que pode ser brevemente referido aqui. Hannan, que escreveu o ditado por Nosso Senhor, era um arquivista em Edessa e pintor do rei Abgaro. Ele tinha sido encarregado de pintar um retrato de Nosso Senhor – tarefa que ele cumpriu diligentemente – trazendo de volta com ele, para Edessa, uma pintura que veio a ser objeto de veneração geral, mas que, depois de certo tempo, disse-se que foi pintada pelo próprio Nosso Senhor. Como a carta, o retrato estava destinado a ser o núcleo de um crescimento legendário: a “Face Santa de Edessa” era principalmente famosa no mundo Bizantino. Entretanto, uma mera alusão deste fato aqui deve ser suficiente, já que a lenda do retrato de Edessa faz parte de um tema extremamente difícil e obscuro da iconografia de Cristo e de pinturas de origens miraculosas conhecidas como “acheiropoietoe” (=feita sem as mãos).

Veritatis Splendor

Grupo de jovens lança a primeira rádio online católica em Cuba

Imagem referencial. Crédito: Unsplash.

HAVANA, 10 ago. 20 / 10:30 am (ACI).- A Rede Católica Juvenil (RCJ) lançou a primeira rádio online católica em Cuba, que pode ser sintonizada em todo o mundo e pretende ser um espaço de oração e escuta para todos os fiéis.

RCJ Rádio "O Som da Esperança" é a primeira rádio online católica da ilha e conta com transmissão 24 horas por dia, onde informam sobre os acontecimentos da Igreja em Cuba e no mundo.

“Sintonize conosco e mantenha-se informado dos acontecimentos eclesiais nacionais e estrangeiros, ouvindo nosso Suplemento Informativo ‘Em Detalhes’ e outros conteúdos radiofônicos publicados pela RCJ”, indica a rede em seu site.

Em Cuba, a Igreja sofreu restrições à sua liberdade desde que a revolução de Fidel Castro assumiu o poder em 1959, com o confisco de propriedades, a eliminação das escolas católicas, a expulsão de sacerdotes e religiosas, entre outras medidas.

Embora certas restrições tenham sido levantadas à Igreja após a visita de São João Paulo II, em 1998, ainda tem certas limitações, como o acesso aos meios de comunicação.

Apenas em raras ocasiões o Governo permitiu que sacerdotes e bispos dessem uma mensagem pública; no entanto, essas concessões são especiais e limitam sua participação a uma data específica.

Em entrevista à EWTN Notícias, o diácono da congregação da missão em Havana e um dos diretores gerais da RCJ, Rubén de la Trinidad, destacou que a iniciativa de criar uma emissora de rádio para o país nasceu da JMJ Panamá 2019.

Indicou que, depois deste encontro, um grupo de jovens decidiu criar, em fevereiro de 2019, a Rede Católica Juvenil, que "é a comunidade virtual mais ampla" entre os jovens do país, e a partir dela foram criados conteúdos radiofônicos para as redes sociais.

Um desses programas é a "Oração por Cuba" que é transmitido diariamente às 12h (hora local) e reúne jovens de todo o país em “um espaço de oração para que todos possamos escutar”.

Junto com esta iniciativa nasceu também o Boletim Informativo Católico, que é um segmento de notícias sobre os acontecimentos da Igreja em Cuba e no mundo.

Rubén de la Trinidad indicou que em janeiro de 2020, perto das comemorações do primeiro aniversário da RCJ Rádio, nasceu o suplemento informativo "Em Detalhe", que se tornou a "produção radiofônica mais importante" que têm até hoje.

"Começamos a transmitir como uma rádio online 24 horas a partir de 22 de junho", acrescentou.

Afirmou que a rádio teve uma boa recepção dos fiéis de todo o mundo e atingiu uma audiência de “cerca de mil pessoas aproximadamente nas primeiras semanas”.

"Estamos falando que do Canadá ao Chile nos sintonizaram", disse.

RCJ Rádio “O Som da Esperança” está disponível em seu site 24 horas por dia e também pode ser sintonizada pelo aplicativo para celulares que foi lançado esta semana.

Além disso, a rádio possui material adicional, como podcasts, que podem ser encontrados no SpotifyAnchor e Youtube.

Pode fazer sua doação para manutenção da RCJ Rádio através do PayPal AQUI.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

ACI Digital

 

5 coisas que deve saber sobre Santa Clara de Assis

Santa Clara de Assis / Crédito: Enciclopédia Católica

REDAÇÃO CENTRAL, 11 ago. 20 / 06:00 am (ACI).- No dia 11 de agosto, é celebrada a festa de Santa Clara de Assis, cofundadora das Clarissas pobres e primeira abadessa de São Damião.

A seguir, apresentamos 5 coisas que todo católico deve saber sobre a vida desta grande santa.

1. É padroeira da televisão e das telecomunicações

No final dos anos 1950, a televisão estava se tornando uma das formas mais importantes de comunicação da sociedade moderna.

Por isso, o Papa Pio XII quis oferecer a bênção e a proteção da Igreja para essa nova tecnologia. Assim, em 1958, publicou a Carta Apostólica proclamando Santa Clara como Padroeira da Televisão.

Nesta, proclama-se que a Igreja apoia a inovação tecnológica, o progresso e recomenda o uso da tecnologia moderna para a proclamação do Evangelho. Reconhece que a televisão é capaz tanto do bem quanto do mal, por isso precisa de um santo padroeiro para a proteção espiritual.

O Santo Padre escolheu Santa Clara de Assis (do século XIII) pela seguinte razão: conta a história que, em um Natal, Santa Clara estava doente e não conseguia sair de sua cama para assistir à Missa.

No entanto, milagrosamente, Deus lhe deu uma visão da Eucaristia em seu convento em tempo real, algo parecido a uma “televisão espiritual”.

2. Foi grande amiga de São Francisco de Assis

Na audiência geral de 15 de setembro de 2010, o Papa Bento XVI afirmou que "principalmente no início da sua experiência religiosa, Clara encontrou em Francisco de Assis não apenas um mestre cujos ensinamentos devia seguir, mas inclusive um amigo fraterno".

Quando Clara tinha 18 anos, São Francisco foi à igreja de São Giorgio de Assis para pregar durante a Quaresma. Clara, depois de ouvir esta pregação, sentiu dentro de si uma chama que iluminou seu coração e logo a fez implorar a São Francisco para ajudá-la a viver também "segundo o modo do Santo Evangelho".

São Francisco, que depois reconheceu em Clara uma das almas escolhidas destinadas por Deus para grandes coisas, prometeu ajudá-la e tornou-se seu guia espiritual.

Em 1212, Clara fugiu de sua casa e se dirigiu para a Porciúncula (Itália), onde entrou para fazer parte da Ordem dos Irmãos Menores. Clara prometeu obedecer a São Francisco em tudo. Algum tempo depois, ela e suas seguidoras se mudaram para o convento de São Damião, onde a santa permaneceu 41 anos até o dia de sua morte.

Nesse mesmo ano, Santa Clara e São Francisco de Assis fundaram a segunda ordem franciscana ou das irmãs clarissas.

3. É a primeira e única mulher a escrever uma regra de vida religiosa para mulheres

Bento XVI indicou que “Clara foi a primeira mulher na história da Igreja que compôs uma Regra escrita, submetida à aprovação do Papa, para que o carisma de Francisco de Assis fosse conservado em todas as comunidades femininas que se iam estabelecendo em grande número já naquela época e que desejavam se inspirar no exemplo de Francisco e de Clara”.

Sua decisão de escrever uma regra foi uma mudança radical das normas religiosas de seu tempo. Só depois de insistir, o Papa Inocêncio IV a aprovou, dois dias antes da morte de Clara, em 11 de agosto de 1253.

4. Fez milagres surpreendentes com pães

Certo dia, tinham apenas um pão para 50 irmãs clarissas. Santa Clara o abençoou e, rezando todas juntas o Pai Nosso, multiplicou o pão e o repartiu a suas irmãs. 

Depois, enviou a outra metade aos irmãos menores. Diante disso, afirmou: "Aquele que multiplica o pão na Eucaristia, o grande mistério da fé, por acaso lhe faltará o poder para abastecer com pão suas esposas pobres?”.

Em outra ocasião, em uma das visitas do Papa Inocêncio III ao convento, Santa Clara preparou as mesas e colocou nelas o pão para que o Santo Padre os abençoasse.

O Pontífice pediu à santa que o fizesse, mas Clara se opôs rotundamente.

O Papa pediu que ela fizesse o sinal da cruz sobre os pães e os abençoasse em nome de Deus. Santa Clara, como verdadeira filha da obediência, abençoou muito devotamente aqueles pães com o sinal da cruz e, no mesmo instante, apareceu o sinal da cruz marcado em todos os pães.

5. Esteve doente por muitos anos

Santa Clara ficou doente por 27 anos no convento de São Damião, suportando todos os sofrimentos de sua doença. Em seu leito, bordava, fazia costuras e rezava sem cessar.

O Papa a visitou duas vezes e exclamou: "Eu gostaria de ter tão pouquinha necessidade de ser perdoado como a que esta santa tem".

Cardeais e bispos iam visitá-la para pedir seu conselho.

São Francisco já havia morrido, mas três dos discípulos preferidos do santo, Frei Junípero, Frei Ângelo e Frei Leão, leram para Clara a Paixão de Jesus enquanto agonizava.

A santa repetia: “Desde que me dediquei a pensar e meditar sobre a Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, as dores e os sofrimentos não me desencorajam, mas me confortam”.

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ACI Digital

S. CLARA DE ASSIS, FUNDADORA DAS CLARISSAS

Santa Clara, Maestro di Santa Chiara, Assis
Santa Clara, Maestro di Santa Chiara, Assis 

Pobre por escolha nos rastos de Francisco

Domingo de Ramos de 1211. O silêncio da noite, nos campos de Assis, foi quebrado pelos passos rápidos de Clara, dezoito anos. Sabia estar indo contra a sua amada e rica família, mas Deus inspirou nela o desejo de uma verdadeira liberdade: ser pobre. Aquela fuga de toda segurança foi o epílogo de percurso iniciado sete anos antes, quando presenciou a um fato chocante: um jovem rico se despoja das suas roupas, as devolve ao pai e abraça a Senhora Pobreza. É Francisco! Naquela noite, ele estava na Porciúncula aguardando Clara: corta os seus cabelos, entrega-lhe um saio de lã grosseira e lhe encontra abrigo no mosteiro Beneditino de São Paulo, em Bastia Umbra. Seu pai tentou, em vão, convencê-la a voltar para casa.

“Pobres Damas”

O gesto de Clara atrai outras mulheres, entre as quais sua mãe e as irmãs: logo se tornaram cerca de cinquenta. Francisco as chamou “Pobres damas” ou “Pobres reclusas” e colocou-lhes à disposição o pequeno mosteiro de São Damião, que acabara de restaurar e onde recebera o convite “Vai e repara a minha casa”. Entre o Pobrezinho e Clara há plena comunhão: ela se define a “sua plantinha” e acompanha a missão dos Frades no mundo, mediante a sua oração incessante, junto com suas coirmãs.

A primeira mulher a escrever uma Regra

A primeira mulher a escrever uma Regra era forte e determinada; ela obteve a aprovação, por parte de Gregório IX, - sigilada, depois, com a Bula de Inocêncio IV, em 1253, - do “privilégio da pobreza” e do ardente desejo de “observar o Evangelho”.

Incansável adoradora da Eucaristia

A doença assinala seus últimos 30 anos, mas jamais viola seu alegre contrato com o Senhor na oração: “Nada é tão grande – escreve – quanto ao coração do homem, no íntimo do qual Deus reside”. A incansável adoradora da Eucaristia, com a píxide nas mãos, afugentou dos sarracenos de Assis.

Proclamada santa, dois anos depois da morte

Em uma noite de Natal, recolhida em oração, assiste, na parede da sua cela, os ritos que, naquele momento, se realizavam na Porciúncula, coração pulsante da comunidade dos Frades. Por este motivo, foi declarada, por Pio XII, padroeira da Televisão.
Santa Clara faleceu no dia 11 de agosto de 1253 no chão nu do Mosteiro de São Damião. Seus lábios sussurram a última oração de ação de graças: “Senhor, vós que me criastes, sede bendito”.
Uma incontável multidão, jamais vista, participou do seu enterro. Dois anos depois, foi proclamada Santa por Alexandre IV.

Vatican News

 

S. SUSANA, ROMANA, NA IGREJA HOMÔNIMA

S. Susana, Mayenne
S. Susana, Mayenne

A história de Santa Susana foi-nos transmitida pela Passio do seu martírio, que remonta ao século VI, e enriquecida com contos lendários. Não se sabe a data do seu nascimento; provavelmente, era natural da Dalmácia, mas viveu em Roma no século III.
De família nobre, aparentada com o imperador Diocleciano, Susana era filha do presbítero Gabinio (na época, os presbíteros eram os anciãos, que cuidavam da comunidade cristã), irmão do Bispo Caio, que depois se tornou Papa (283-296), e de Cláudio e Máximo, funcionários imperiais.
Susana, jovem culta e de rara beleza, consagrou-se a Deus, oferecendo-lhe a sua virgindade. Por isso, recusou a proposta de Diocleciano de casar com seu filho adotivo, Gaio Galério Valério Maximiano.

O exemplo de Susana converteu seus tios Cláudio e Máximo

Seu tio Cláudio, que havia sido encarregado de fazer-lhe a proposta de casamento, ficou tão impressionado com a determinação da jovem. A ponto de querer saber mais sobre a sua crença. Por isso, converteu-se - e, com ele, sua esposa, os filhos e os servos - e distribuiu seus bens aos pobres.
Não tendo recebido nenhuma resposta, o imperador pediu notícias ao irmão de Cláudio, Máximo. Assim, ele ficou sabendo sobre a decisão de Susana de renunciar ao casamento. Depois, junto com Cláudio, decidiu envolver na questão também Caio e Gabinio. Todos os quatro concordaram em não obrigar a jovem a casar-se. Ao conhecer melhor a sobrinha, também Máximo abraçou o cristianismo.

Decapitada em casa

Ao ser informado sobre a decisão de Susana e sobre a conversão de seus dois oficiais, Diocleciano, furioso, prendeu a jovem e seus familiares.
Submetidos a um interrogatório, nenhum deles abjurou à fé cristã. Assim sendo, o imperador mandou condená-los à morte. Cláudio e Máximo foram queimados vivos; Gabinio foi torturado e Susana decapitada em sua casa, em 11 de agosto de 294.
A esposa do imperador Diocleciano, Serena, que também era cristã, organizou o enterro e conservou seu sangue como relíquia.
O Papa Caio, que morava perto da casa de Gabinio, na manhã do dia seguinte, celebrou Missa no lugar do martírio de Susana e estabeleceu que a santa fosse recordada e venerada em sua própria casa.
Desta forma, começando a aumentar o culto a Santa Susana, foi construída, naquela localidade, uma igreja, conhecida no século IV, com o nome "ad Duas domos" ("às duas casas"), indicando as duas casas, de Gabinio e Caio, pai e tio da mártir.
Os restos mortais de Santa Susana, que foram sepultados no cemitério de Santo Alexandre, na Via Nomentana, foram trasladados, depois, para a igreja a ela dedicada e, várias vezes, modificada, hoje denominada igreja de Santa Susana nas Termas de Diocleciano.
Ali, segundo fontes de 1500, foi encontrada uma lápide, atribuída ao século V – que depois foi perdida, – com a escrita: "Olim presbyteri Gabini Filia Felix / Hic Susana Iacet In Pace Patri Sociata" (“Filha feliz do presbítero Gabinio / aqui jaz Susana, na paz do Senhor).

Vatican News

 

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF