Das Homilias sobre o Gênesis, de Orígenes, presbítero
(13, 4) (Séc. III)
Purificados pela sua palavra, Deus fez
brilhar em nós a imagem do homem celestial
Façamos o homem à nossa imagem, como nossa semelhança (Gn 1, 26). o Filho de Deus é o autor desta imagem. E visto que tão grande é o pintor, a sua imagem pode ser obscurecida pela negligência, mas não apagada pela malícia. Permanece, sempre, a imagem de Deus em ti, mesmo se tentas sobrepor a ela a imagem terrena. Para cada tipo de culpa, como que juntando duferentes cores, pintas em ti essa imagem do homem terreno que Deus em ti não criou. Por isso, devemos implorar Àquele que diz, nas palavras do Profeta: Dissipei tuas transgressões como névoa, e os teus pecados como nuvem (Is 44, 22).
E, quando Deus tiver destruído em ti tosas essas cores mescladas pelos enganos do mal, então brilharás a imagem criada por Ele.
Vê, portanto, como as Escrituras Sagradas apresentam formas e figuras através das quais a alma aprende a conhecer ou a purificar a si mesma.
Queres ver outra forma desta imagem? Existem cartas que Deus escreve e cartas que nós escrevemos. Os pecados são as nossas cartas. Escuta, portanto, o que diz o Apóstolo: Apagou, em detrimento das ordens legais, o título da dívida que existia contra nós; e o suprimiu, prefando-o na cruz (Cl 2, 14).
Esta carta é o aval para os nossos pecados. Na realidade, cada um de nós é devedor quando erra e escreve cartas de seu pecado.
De fato, o juízo de Deus, do qual Daniel descreve a visão, fala de livros abertos, que, sem dúvida, contêm os pecados dos homens. Nós mesmos escrevemos esses pecados com as culpas que cometemos. Por isso, é claro que nossas cartas são escritas com o pecado, e aquelas de Deus, no entanto, com a justiça.
Portanto, o Apóstolo afirma: Vós sois uma carta de Cristo, redigida por nosso ministério e escrita, não com tinta, mas com o Espírito de Deus vivo, não em tábuas de pedra, mas em tábuas de carne em vossos corações (2Cor 3, 3).
Tens, então, em ti as cartas de Deus, as cartas do Espírito Santo. Mas, se pecas, tu mesmo assinas o maniscrito do pecado. Nota, porém, que, assim que te aproximaste da cruz de Cristo e da graça do Batismo, o teu manuscrito foi afixado à cruz e cancelado na pia batismal.
Não escrevas novamente sobre o que foi apagado, ou repitas o que foi destruído, guarda apenas as cartas de Deus; que permaneça em ti somente a escritura do Espírito Santo
Fonte: www.liturgiadashoras.org

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