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sábado, 15 de agosto de 2020

S. ESTANISLAU KOSTKA, JESUÍTA

S. Estanislau Kostka, Liubliana, Eslovénia
S. Estanislau Kostka, Liubliana, Eslovénia 

“Santo Estanislau ensina-lhes a liberdade, que não é uma corrida às cegas, mas a capacidade de discernir a meta e seguir os melhores caminhos de comportamento e de vida. Ensina-lhes sempre a buscar, antes de tudo, a amizade com Jesus; a ler e a meditar a sua Palavra; a acolher a sua presença misericordiosa e poderosa na Eucaristia, a fim de resistir aos condicionamentos da mentalidade mundana” (Mensagem do Papa Francisco, por ocasião do 450º aniversário da morte do Santo, 15 de agosto de 2018).

Estanislau nasceu perto de Cracóvia, em 1550. Filho do príncipe Kotska, líder militar e Senador do reino de Sigismundo Augusto, foi enviado a Viena, aos 14 anos, para estudar no Colégio da Companhia de Jesus, que ainda estava no seu início. Santo Inácio havia falecido de recente, mas os Jesuítas já se distinguiam como profundos teólogos, os primeiros a propor uma verdadeira renovação no âmbito da Igreja.

“Ad Maiora natus sum”

Após uma breve permanência em Czestochowa, Estanislau chegou a Viena e ficou hospedado em um Colégio da Companhia de Jesus. Ele estava acompanhado pelo seu tutor e o irmão mais velho, Paulo. No entanto, a convivência tornou-se logo difícil, por causa das inclinações mundanas do seu irmão, que se opunham ao estilo sóbrio de Estanislau, que sentia "ter nascido para coisas maiores".
Naquele período, estudou sem cessar e viver, intensamente, o espírito do Evangelho e a devoção a Maria, dos quais dera testemunho com a sua vida e o seu trabalho. Começou a delinear-se nele a chamada do Senhor, que a sentia, de modo sensível, nos diversos momentos, que dedicava à oração, à participação da Missa e às Vésperas, aos Exercícios Espirituais, que frequentava conforme a insigne obra de Santo Inácio de Loyola.

Duas noites "prodigiosas"

Certo dia, Estanislau foi acometido por uma doença grave. Durante a sua enfermidade ocorreram prodígios extraordinários, sinais evidentes da obra da graça divina.
Enquanto dormia de noite, recebeu a visita de Santa Bárbara, acompanhada por dois anjos, que lhe ofereceu, finalmente, a santa Comunhão, que ele tanto queria receber durante a febre. Mas, não a pôde receber porque, junto com seu irmão e o tutor, teve que se transferir para um apartamento alugado, por causa da requisição do Colégio dos Jesuítas, por parte dos Habsburgos. O dono do apartamento era luterano e não gostava dos católicos.
Em outra noite, Estanislau recebeu a visita de Nossa Senhora com o Menino no colo: ao pegá-Lo em seus braços, ficou completamente curado, contrariamente ao parecer de todos os médicos, que não lhe davam muitos dias de vida. Ao despedir-se, a Virgem revelou-lhe que seu destino era na Companhia de Jesus.

A fuga vocacional

Estanislau estava ciente da sua escolha, mas sabia que seu pai jamais a aprovaria. Então, fugiu e, após vinte dias de caminho a pé, chegou a Dillingen, na Alemanha, onde foi acolhido na casa dos Jesuítas. Ali, conheceu o Padre Pedro Canísio, que, na época, era Provincial do norte da Alemanha. Os Jesuítas ficaram impressionados com aquele jovem extraordinário.
Estanislau foi enviado em peregrinação a Roma, junto com dois companheiros e, finalmente, ali, pôde começar o Noviciado e emitir os votos de pobreza, castidade e obediência.
Certo dia, alguns Noviços pediram-lhe para definir a figura do missionário. Então, expôs assim a sua bagagem espiritual: “Um homem com grandes sapatos de mortificação, amplo manto de amor a Deus e ao próximo e com chapéu de paciência, para se defender nas adversidades".
Logo a seguir, Estanislau adoeceu e faleceu, aos 18 anos, no dia da Assunção, em 1568. Foi sepultado na igreja, recém construída, ao lado do Noviciado, hoje chamada Santo André no Quirinal.
Santo Estanislau Kotska foi proclamado Santo pelo Papa Bento XIII, em 1726, junto com Luiz Gonzaga e João Berchmans, e escolhido como Padroeiro dos Noviços e de toda a Juventude.

Vatican News

sexta-feira, 14 de agosto de 2020

Ordenações Presbiterais em Brasília

 

Arquidiocese de Brasília

“Eu sou o Bom Pastor. O Bom Pastor dá a vida por suas ovelhas” (Jo 10,11)

É com esperança e gratidão, que a Arquidiocese de Brasília ordenará 13 diáconos transitórios neste sábado, 15 agosto, às 10h, no Santuário Menino Jesus Brasilândia.

A Cerimônia de Ordenação Presbiteral, acontecerá sem a presença dos fiéis. Devido à pandemia de coronavírus, os muitos abraços, demonstrações de carinho e felicitações comuns a essas cerimônias ficarão para outro momento. Porém, todo o povo fiel de Brasília é convidado a participar através dos meios de comunicações on-line.

A ordenação será transmitida pelo YouTube e FaceBook da Arquidiocese de Brasília e pela rádio e TV da Canção Nova.

O bispo ordenante da cerimônia será Dom José Aparecido, Administrador Diocesano da Arquidocese de Brasília.

Os candidatos ao Sacerdócio são:

– Diácono André marinho de Souza / Seminário Nossa Senhora de Fátima

– Diácono Daniel Campos Sevillano / Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Danny Miguel Cuenca Cajamarca /Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Felipe Ferreira de Souza / Seminário Nossa Senhora de Fátima

– Diácono Gustavo Santana Xavier Costa / Seminário Nossa Senhora de Fátima

– Diácono Jesús Enrique Sterling Achipiz / Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Lucas Carvalho de Medeiros / Seminário Nossa Senhora de Fátima

– Diácono Lucas da Silva Mariano Meneses /Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Paulo Henrique Ribeiro dos Santos /Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Pawel Sobczak /Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Rafael Enrique Macedo /Seminário Redemptoris Mater

– Diácono Silas César dos Reis /Seminário Nossa Senhora de Fátima

– Diácono Thaisson da Silva Santarém / Seminário Nossa Senhora de Fátima

Entenda a cerimônia

A ordenação presbiteral, realizada anualmente, é uma celebração sacramental cheia de significados e composta por várias partes. O presbiterado é o segundo grau do sacramento da Ordem Sagrada.

Como descrito no Pontificale Romanum (livro que contém todas as orações e orientações para a celebração dos sacramentos e sacramentais), a ordenação presbiteral segue as seguintes etapas:

– Eleição do candidato;
– Homilia;
– Propósito do eleito;
– Ladainha;
– Imposição das mãos e prece de ordenação (iniciada após a Liturgia da palavra. A imposição das mãos de Dom Aparecido bendirá a Deus e invocará o dom do Espírito Santo para a realização do ministério.
– Unção das mãos e entrega da patena e do cálice.

Após a ordenação, cada neo-sacerdote estará apto a atuar nas paróquias e comunidades da Arquidiocese de Brasília e do Brasil.

Informações:
Seminário Maior Arquidiocesano Nossa Senhora de Fátima
 Lago Sul Fone: 3366-9900

Seminário Missionário Arquidiocesano Redemptoris Mater
Lago Sul – 71675-200 Fone: 3251-1818

Arquidiocese de Brasília

China prende ativistas católicos que apoiam democracia em Hong Kong

Protestos em Hong Kong 2020. Crédito: Studio Incendo (CC BY 2.0)

HONG KONG, 13 ago. 20 / 09:36 am (ACI).- As autoridades chinesas prenderam ativistas pró-democracia de Hong Kong e impuseram novas sanções aos legisladores dos Estados Unidos, como parte de uma aparente repressão às liberdades civis na cidade.

Na segunda-feira, 10 de agosto, a ativista católica pela democracia Agnes Chow, de 23 anos, e outras figuras proeminentes foram presas e acusadas de violar a nova lei de segurança nacional de Hong Kong, que entrou em vigor em 1º de julho, sem aprovação pelo legislativo municipal.

Segundo a nova lei, uma pessoa que seja condenada por secessão, subversão, terrorismo ou conspiração com forças estrangeiras receberá um mínimo de 10 anos de prisão, com possibilidade de prisão perpétua.

A definição de terrorismo contemplada neste novo regulamento inclui incêndio criminoso e atos de vandalismo em transporte público "que visem intimidar o governo de Hong Kong ou o governo chinês para fins políticos". Além disso, podem ser acusados de secessão por exibir ou anunciar slogans como "Hong Kong Livre".

A lei foi duramente criticada por líderes de vários países ocidentais, bem como por líderes católicos, que a descreveram como o fim da política de "um país, dois sistemas" acordada entre a China e a Grã-Bretanha no momento da transferência de Hong Kong.

A prisão de Chow foi informada pela primeira vez na segunda-feira por Nathan Law, um ex-líder do Demosisto, partido político pró-democracia criado pela ativista católica e que foi dissolvido pouco antes da nova lei entrar em vigor.

Hong Kong Standard informou mais tarde que Chow havia sido presa por "incitar a secessão".

Também foi preso Jimmy Lai, editor do Apple Daily, jornal chinês de Hong Kong conhecido por suas críticas abertas à ação do governo. Lai foi acusado de "conspiração estrangeira".

As prisões aconteceram no mesmo dia em que a China anunciou novas sanções contra os legisladores dos EUA, depois que o governo Donald Trump emitiu sanções contra a diretora executiva de Hong Kong, Carrie Lam, na semana passada.

Os senadores Marco Rubio, Ted Cruz, Tom Cotton, Josh Hawley e Pat Toomey, bem como o deputado Chris Smith, foram sujeitos a novas proibições após mostrarem apoio aberto à democracia em Hong Kong e se manifestarem contra o internamento massivo de uigures em uma rede de campos de concentração na província chinesa de Xinjiang.

Além disso, foram anunciadas sanções adicionais contra várias ONGs, incluindo os líderes do National Endowment for Democracy; National Democratic Institute for International Affairs; International Republican Institute; Freedom House; e Human Rights Watch.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

ACI Digital

 

Do Sermão sobre o batismo, de São Paciano, bispo

Portal Paulinas
Portal Paulinas

(Nn.5-6: PL 13,1092-1093)        (Séc.IV)

 

Pelo Espírito sigamos o novo modo de viver em Cristo

O pecado de Adão passara para toda a raça: Por um homem, assim diz o apóstolo, entrou o delito e pelo delito, a morte; assim também a morte passou para todos os homens (Rm 5,12). Portanto é necessário que a justiça de Cristo também passe para o gênero humano. Como aquele, pelo pecado fez perecer sua raça, assim Cristo pela justiça vivificará todo o seu povo. O Apóstolo insiste: Como pela desobediência de um só muitos foram constituídos pecadores, assim pela obediência de um só muitos se constituem justos. Como reinou o delito para a morte, de igual modo reinará a graça pela justiça para a vida eterna (Rm 5,19.21).  

Dirá alguém: “Mas havia motivo para o pecado de Adão passar aos seus descendentes, pois foram gerados por ele; e nós, será que somos gerados por Cristo para podermos ser salvos por ele?” Nada de pensamentos carnais. Já diremos de que modo somos gerados, tendo Cristo por pai. Nos últimos tempos, assumiu Cristo de Maria a alma com a carne. A ela veio salvar, não a abandonou nos infernos, uniu-a a seu Espírito, fazendo-a sua. São estas as núpcias do Senhor, a união a uma carne, para formarem, conforme o grande sacramento, de dois uma só carne, Cristo e a Igreja.  

 Destas núpcias nasce o povo cristão, com a vinda do alto do Espírito do Senhor. À substância de nossas almas une-se logo a semente celeste descida do céu e brotamos nas entranhas da mãe e, postos em seu seio, somos vivificados em Cristo. Daí dizer o Apóstolo: O primeiro Adão, alma vivente; o último Adão, espírito vivificante (1Cor 15,45). Assim gera Cristo, na Igreja, por meio de seus sacerdotes. O mesmo Apóstolo: Em Cristo eu vos gerei (1Cor 4,15). A semente de Cristo, o Espírito de Deus, suscitando o novo homem no seio da mãe e dando-o à luz pelo parto da fonte, é dada pelas mãos do sacerdote; a madrinha do casamento é a fé.  

É preciso receber a Cristo para nascer, pois assim diz o apóstolo João: A todos aqueles que o receberam, deu-lhes o poder de se tornarem filhos de Deus (Jo 1,12). Não há possibilidade de se cumprir isto a não ser pelo sacramento do batismo, da crisma e do sacerdócio. O batismo purifica os pecados. Pela crisma é infundido o Espírito Santo. Solicitamos ambos das mãos e das palavras do bispo. Deste modo o homem todo renasce e se renova em Cristo. Da forma como Cristo ressuscitou dos mortos, assim também nós caminhemos com vida (Rm6,4). Quer dizer, despojados dos erros da vida antiga, sigamos pelo Espírito o novo modo de viver em Cristo.

https://liturgiadashoras.online/ 

A Igreja proibiu a leitura da Bíblia?

 A Igreja proibiu a leitura da Bíblia?
  • Autor: d. Estevão Bettencourt
  • Fonte: Lista “Tradição Católica”

Diz-se por vezes que a Igreja Católica teria proibido aos fiéis a leitura da Bíblia. A afirmação, porém, costuma ser vaga ou destituída de documentos de modo que não se sabe até que ponto possa ser verídica. Eis por que se impõe o estudo deste assunto:

1. Até o século XVI

Por toda a Antigüidade o Livro Sagrado era recomendado à leitura dos cristãos. São Jerônimo (+420) é um dos mestres que melhor representam esta atitude pastoral, escrevendo a Eustóquio, filha de Santa Paula:

  • “Lê com freqüência e aprende o melhor que possas. Que o sono te encontre com o livro nas mãos e que a página sagrada acolha o teu rosto vencido pelo sono” (PL 22,404).

Na Idade Média apareceram correntes dualistas e heréticas que se valiam da Bíblia para apoiar suas concepções errôneas. Tal foi, por exemplo, o caso dos cátaros, avessos à matéria como se esta fosse, por si mesma, má. Em conseqüência, o Concílio de Tolosa (França) em 1229 proibiu o uso de traduções vernáculas da Bíblia. Esta disposição foi retirada pelo Concílio de Tarragona (Espanha) em 1233. A mesma proibição aparece num decreto do rei Jaime I da Espanha em 1235: “Ninguém possua em vernáculo os livros do Antigo e do Novo Testamento”.

No século anterior, os Valdenses (de Pedro Valdo, Pierre de Vaux) apoiavam-se na Bíblia traduzida para o provençal a fim de negar o purgatório, o culto dos Santos, o serviço militar, o juramento…; só admitiam os sacramentos do Batismo, da Penitência e da Eucaristia.

No século XIV, John Wichef (1320-84) em Oxford estabeleceu como única norma de fé a Escritura traduzida para o inglês; interpretando subjetivamente a Bíblia, negava a autoridade do Papa, a confissão auricular, a transubstanciação eucarística, o culto dos Santos…; provocava assim grande agitação entre os fiéis. Por isso o Sínodo de Oxford (1408) proibiu a publicação e a leitura de textos vernáculos da Bíblia não autorizados. O mesmo se deu no Sínodo dos Bispos alemães em Mogúncia (1485).

2. Do século XVI ao século XIX

As novas idéias que surgiram no decorrer da Idade Média, chegaram ao seu auge na Reforma protestante no século XVI. Esta proclamou a Bíblia como única autoridade decisiva em matéria de fé e de costumes; cada crente é livre para interpretá-la segundo “o livre exame” ou a sua intuição subjetiva. Tais princípios haviam de esfacelar o Cristianismo; logo três reformadores (Lutero, Zvínglio e Calvino) fundaram três novas modalidades de Cristianismo no século XVI; por sua vez, as comunidades reformadas foram reformadas e reformadas sucessivamente, derivando-se deste processo centenas de denominações protestantes independentes umas das outras, porque dependentes da inspiração subjetiva do respectivo fundador. Ademais os princípios da Reforma protestante fazem violência à própria Escritura, porque a desligam da Tradição oral, que lhe é anterior e sem a qual a Bíblia não pode ser devidamente entendida; conforme II Tessalonisense 2,5s.15; II Tessalonisense 3,6…

Eis por que o Concílio de Trento (1543-65) tomou medidas que preservassem os fiéis católicos dos males acarretados pelas proposições dos reformadores; assim:

  • Declarou autêntica (isenta de erros teológicos) a Vulgata latina, tradução devida a São Jerônimo (+420) e muito difundida entre os cristãos. Assim se dissiparia a confusão existente entre clérigos e leigos, que, em meio a múltiplas traduções, já não sabiam encontrar a pura mensagem bíblica. O Concílio não quis afirmar que a tradução da Vulgata é lingüisticamente perfeita, mas tomou uma providência necessária no século XVI;
  • Rejeitou o princípio do livre exame da Bíblia. Esta só pode ser entendida se iluminada por instâncias objetivas, especialmente pela Tradição, que o magistério da Igreja formula com a assistência do Espírito Santo;
  • Proibiu edições da Bíblia sem o nome do autor responsável pela edição. Proibiu também a difusão do texto bíblico sem a autorização do Bispo diocesano;
  • Estimulou o reflorescimento dos estudos bíblicos nos colégios, conventos e mosteiros.

O Concílio de Trento definiu mais uma vez o Cânon Bíblico incluindo o deuterocanônicos (Tobias, Judite, Sabedoria, Baruc, Eclesiástico, I e II Macabeus), como já o tinham feito os Concílios do século IV. A prova de que o Concílio nada inovou é que o próprio Lutero traduziu os deuterocanônicos para o alemão; com efeito, na sua edição da Bíblia datada de 1534 encontra-se o texto dos sete deuterocanônicos, assim como os fragmentos de Ester 10,4-16,24, de Daniel 3,24-90; 13,1-14,42 e ainda a “Oração de Manasses” (Oração que a Tradição cristã não incluiu no seu cânon). A persistência desses livros nas edições protestantes bem mostra que não foi o Concílio de Trento que os introduziu no catálogo bíblico, mas Lutero e a Tradição protestante os receberam na Tradição cristã medieval e antiga ou mesmo dos judeus de Alexandria. Foi somente no século XIX que as Sociedades Bíblicas protestantes deixaram de incluir nos seus exemplares da Bíblia os livros deuterocanônicos.

A Sociedade Bíblica de Londres, combatida na Inglaterra por estar publicando os livros deuterocanônicos, insistiu em seu procedimento e, para assegurá-lo, fundou a “Sociedade Bíblica Francesa e Estrangeira”, que continuou a editar os sete livros impugnados pelos protestantes, mas que finalmente cedeu às pressões contrárias.

No tocante às traduções da Bíblia, o Papa Paulo V em 1564 aprovou as seguintes normas:

  • Regra III: “… (o uso) das traduções dos livros do Antigo Testamento poderá ser concedido, a juízo do Bispo, unicamente a homens doutos e piedosos sob a condição de que tais traduções sejam usadas apenas para esclarecer a Vulgata e melhor entender a Sagrada Escritura… O uso das traduções do Novo Testamento realizadas por autores da primeira classe (trata-se de autores mencionados nominalmente em outro documento) a ninguém será concedido, porque sua leitura costuma acarretar para a leitores pouca utilidade e grande perigo”.
  • Regra IV: “Tendo-se evidenciado pela experiência que, se se permite a leitura da Sagrada Escritura em língua vernácula de maneira ordinária e indiscriminada, costuma originar-se, em virtude de temeridade dos homens, mais detrimento do que utilidade; é necessário neste particular seguir o juízo do Bispo ou do Inquisidor, a fim de que, ouvido o pároco ou confessor, se conceda a leitura da Bíblia em língua vernácula àqueles que se possa prever retirarão de tal leitura aumento de fé e de piedade sem prejuízo algum espiritual” (D. S. Enquirídio 1853s).

Estas disposições hão de ser entendidas dentro das circunstâncias históricas em que foram promulgadas; visavam à preservação da fé ameaçada pelo uso capcioso da Bíblia no século XVI. Tiveram por conseqüência a pouca difusão do texto sagrado entre os católicos e a falta de contato da piedade posterior com as suas fontes bíblicas; tornaram-se, por isto, ponto nevrálgico na disciplina da Igreja, de tal modo que os jansenistas dos século XVII/XVIII as impugnaram.

No século XIX multiplicaram-se as Sociedades Bíblicas protestantes, cuja finalidade era difundir a Bíblia em traduções vernáculas. Compreende-se que, na base dos princípios adotados no século XVI, a Igreja se opusesse a tais iniciativas, consideradas como perigosas para a reta fé.

A primeira advertência deu-se em 1816. Ao arcebispo católico que recomendava aos seus fiéis a Sociedade Bíblica fundada em São Peterburgo na Rússia, escrevia o Papa Pio VII:

  • “A Igreja Romana, segundo as prescrições do Concílio de Trento, reconhece a edição Vulgata da Bíblia e rejeita traduções feitas para outros idiomas, se não estiverem acompanhados de notas provenientes dos escritos dos Padres e dos doutores católicos, a fim de que tão grande tesouro não seja exposto às corruptelas das novidades… Se não poucas vezes lamentamos que tenham falhado na interpretação das Escrituras homens piedosos e sábios, como não deveremos recear grandes riscos se entregarem as Escrituras traduzidas em vernáculo ao povo ignorante, que, na maioria dos casos, carece de discernimento e julga com temeridade?” (D. S. Enquirídio 2710s).

Em 1844 o Papa Gregório XVI escrevia:

  • “Não ignorais quanta diligência e sabedoria são necessárias para se traduzir fielmente a Palavra de Deus; em conseqüência, nada há de mais fácil do que nas traduções vernáculas, multiplicadas pelas Sociedades Bíblicas, se introduzirem erros gravíssimos, seja por imprudência, seja por fraude de tantos tradutores; tais erros, aliás, permanecem ocultos, para a perdição de muitos, dada a multidão e a variedade de tais Sociedades. Às Sociedades Bíblicas pouco ou nada interessa o fato de que os homens que lêem a Bíblia em vernáculo, caiam em um ou outro erro; mais lhes importa que acostumem aos poucos a exercer o livre exame a respeito do sentido das Escrituras e a menosprezar as tradições divinas contidas na doutrina dos Padres e guardadas na Igreja católica, repudiando assim o próprio magistério da Igreja” (D. S. Enquirídio nº 2771).

Declaração semelhante foi proferida pelo Papa Pio IX em 1846. Tal posição da Igreja manteve-se até o começo do século XX. Era motivada por circunstâncias contingentes e se revestia de caráter disciplinar, não dogmático. Era, pois, reformável desde que desaparecessem as razões que inspiraram as apreensões decorrentes da difusão do texto sagrado em língua vernácula. Ora, realmente no século XX foi-se alterando o contexto histórico. O Papa São Pio X (1903-14) deu início a uma renovação da piedade da Igreja, que fora profundamente marcada pela réplica ao protestantismo, ao jansenismo e a heresias dos últimos séculos; a atitude defensiva ou preservadora não podia deixar de empobrecer a piedade católica; fora necessária, mas não se podia manter por muito tempo; nem havia no século XX razões para mantê-la. A volta às fontes, que deve sua inspiração remota a São Pio X, compreenderia a restauração do espírito litúrgico, o recurso freqüente à Santa Escritura e a renovação da catequese. Conscientes disto, entramos na história do século XX.

3. No século XX

Em 1920, o Papa Bento XV quis comemorar o 15º centenário da morte de São Jerônimo publicando a encíclica Spiritus Paraclitus, na qual escreveu:

  • “Pelo que Nos toca, Veneráveis Irmãos, à imitação de São Jerônimo jamais deixaremos de exortar todos os fiéis cristãos a que leiam todos os dias principalmente os Santos Evangelhos de Nosso Senhor, os Atos e as epístolas dos Apóstolos, tratando de convertê-los em seiva do seu espírito e em sangue de suas veias” (Enquirídio Bíblico nº 477).

Quanto às disposições para bem aproveitar a leitura bíblica, o Pontífice as resumia nestes termos:

  • “Todo aquele que se aproxima da Bíblia com espírito piedoso, fé firme, ânimo humilde e sincero desejo de aproveitar, nela encontrará e poderá degustar o pão que desce dos céus”.

A atitude de Bento XV representava algo de novo na Igreja posterior ao Concílio de Trento, mas estava na linha de conduta pastoral do Papa anterior, São Pio X. Pouco mais de dois decênios decorridos, o Papa Pio XII, na sua encíclica Divino Afflante Spiritu, recomendava por sua vez a difusão da Bíblia entre os fiéis:

  • “Os prelados favoreçam e prestem ajuda às piedosas associações cuja finalidade é difundir entre os fiéis os exemplares das Sagradas Letras, principalmente dos Evangelhos, e procurem que nas famílias cristãs se faça ordenada e santamente a leitura diária das mesmas; recomendem eficazmente a Santa Escritura traduzida para as línguas vernáculas com a aprovação da Igreja”

A orientação dos Pontífices foi assumida pelo Concílio do Vaticano II (1962-65), especialmente em sua Constituição Dei Verbum, c.6, que trata da Sagrada Escritura na vida da Igreja: um forte estímulo aí é dado à frequentação cotidiana da Escritura por parte dos fiéis, como também à difusão do texto sagrado em línguas vernáculas:

  • “Este Sagrado Concílio exorta com ardor e insistência todos os fiéis, mormente os Religiosos, a que aprendam a eminente ciência de Jesus Cristo (Filipenses 3,8) mediante a leitura freqüente das Divinas Escrituras, porque a ignorância das Escrituras é ignorância de Cristo. Debrucem-se, pois, gostosamente sobre o texto sagrado, quer através da Sagrada Liturgia, rica de palavras divinas, quer pela leitura espiritual, quer por outros meios que se vão espalhando…, com a aprovação e o estímulo dos pastores da Igreja. Lembrem-se, porém, de que a leitura da Sagrada Escritura deve ser acompanhada da oração, para que seja possível o colóquio entre Deus e o homem; com Ele falamos quando rezamos; a Ele ouvimos quando lemos os divinos oráculos. Compete aos sagrados pastores, depositários da doutrina apostólica, instruir oportunamente os fiéis que lhes foram confiados, no reto uso dos livros divinos, de modo particular do Novo Testamento, e sobretudo nos Evangelhos. E isto por meio de traduções dos textos sagrados, que devem ser acompanhados de notas necessárias e verdadeiramente suficientes para que os filhos da Igreja se familiarizem de modo seguro e útil com a Sagrada Escritura e se embebam do seu Espírito” (nº 25).

Com se vê, não poderia ser mais favorável ao uso da Sagrada Escritura a atitude da Igreja contemporânea. As palavras de São Jerônimo (+420) tornaram-se norma da autoridade eclesiástica. As restrições foram impostas não ao texto latino, mas às traduções vernáculas, em virtude de fatores contingentes; a Igreja, como Mãe e Mestra, sente o dever de zelar pela conservação incólume da fé a Ela entregue por Cristo e ameaçada pelas interpretações pessoais de inovadores da pregação; eis por que lhe pareceu oportuno reservar o uso da Bíblia a pessoas de sólida formação cristã nos séculos em que as heresias pretendiam apoiar no texto sagrado as suas proposições perturbadoras. É, pois, para desejar que os estudiosos entendam os porquês da atitude da Igreja no século XVI-XIX e hoje se sintam convidados a difundir a Sagrada Escritura em comunhão com a Igreja e a Santa Tradição.

Fonte: Veritatis Splendor

5 dados curiosos sobre a vida de São Maximiliano Kolbe, mártir do século XX

ACI Digital

REDAÇÃO CENTRAL, 14 ago. 20 / 06:00 am (ACI).- Neste dia 14 de agosto, é celebrado São Maximiliano Maria Kolbe, sacerdote membro da ordem dos frades menores conventuais, que morreu mártir nos campos de concentração nazistas, ao oferecer a sua vida em troca pela de um pai de família condenado à morte.

A seguir, alguns dados curiosos da vida deste santo do século XX.

1. A Virgem Maria apareceu a ele quando era criança

Ainda criança, realizou uma travessura que sua mãe reprovou. Tempos depois, a mãe viu que Kolbe tinha mudado de atitude e que, frequentemente, rezava chorando diante de um pequeno altar.

O menino lhe disse: “Quando a senhora me perguntou, mamãe, o que iria ser de mim, rezei muito a Nossa Senhora para Ela me dizer o que seria de mim. Em seguida, indo à igreja, rezei novamente. Então Ela me apareceu, tendo nas mãos duas coroas, uma branca e outra vermelha”.

“A branca significava que perseveraria na prática da pureza; a vermelha, que eu seria mártir. Respondi que as queria. Então a Virgem me olhou docemente e desapareceu”.

2. Foi condenado a morrer de fome em uma cela e sobreviveu

Durante a Segunda Guerra Mundial, foi preso e enviado aos campos de concentração. No tempo em que esteve ali, condenaram a morrer de fome em uma cela 10 prisioneiros que tentaram escapar.

São Maximiliano trocou sua vida pela do sargento polonês Franciszek Gajowniczek, que tinha explicado: “Meu Deus, eu tenho esposa e filhos”.

Nessa cela, o sacerdote seguiu incentivando seus companheiros na fé, com orações e cantos. Após duas semanas, somente São Maximiliano continuava vivo. Necessitando da cela para outros réus, os nazistas decidiram acabar com sua vida injetando-lhe ácido carbônico na veia.

3. Foi muito devoto à Imaculada Conceição

Maximiliano sempre foi muito devoto à Imaculada Conceição. Em 1917, fundou um movimento chamado “A Milícia da Imaculada”, o qual se consagrou à Virgem para lutar com todos os meios pela construção do Reino de Deus em todo o mundo.

Também iniciou a publicação de uma revista mensal chamada “Cavaleiros da Imaculada”, orientada a promover o conhecimento, o amor e o serviço à Virgem Maria.

4. Papa Francisco visitou seu túmulo

Durante sua visita ao campo de concentração nazista de Auschwitz, no marco de sua viagem apostólica à Polônia pela Jornada Mundial da Juventude Cracóvia 2016, o Papa Francisco conheceu a “cela da fome”, onde São Maximiliano foi preso até o dia de sua morte, em 14 de agosto de 1941.

No recinto escuro, em cujas paredes há uma placa de recordação e estão gravadas as vítimas com três velas ao centro, o Santo Padre se sentou e rezou sozinho e em silêncio por cerca de seis minutos.

5. Na Polônia existem os frades bombeiros de São Maximiliano

Em 1927, o santo fundou a “Cidade da Imaculada” no convento franciscano de Niepokalanów, há 40 quilômetros de Varsóvia.

Há mais de 80 anos, aquele lugar conta com um Corpo de Bombeiros Frades de São Maximiliano Maria Kolbe.

Em 1928, Kolbe reuniu e disse aos frades: “Recebemos isso das pessoas, não é nosso, por isso, temos que nos assegurarmos de que não se destrua”. Logo colocaram mãos à obra e organizaram uma guarda contra incêndios.

ACI Digital 

S. MAXIMILIANO M. KOLBE, PRESBÍTERO DA ORDEM DOS FRADES MENORES CONVENTUAIS E MÁRTIR

S. Maximiliano M. Kolbe, 1936
S. Maximiliano M. Kolbe, 1936

Os primeiros anos de vida

Maximiliano Kolbe nasceu em 7 de janeiro de 1894, em Zduńska-Wola, na região polonesa controlada pela Rússia. Seu pai, tecelão, e sua mãe, parteira, eram cristãos fervorosos: no Batismo, escolheram para ele o nome de Raimundo.
Frequentou a escola dos franciscanos em Leópolis. Em 1910, entrou para a Ordem dos Frades Menores Conventuais, onde recebeu o nome de Maximiliano; sendo enviado primeiro a Cracóvia e, depois, para Roma, onde permaneceu seis anos, estudou Filosofia, na Pontifícia Universidade Gregoriana, e Teologia no Colégio Seráfico. Foi ordenado sacerdote em 28 de abril de 1918.

A Milícia da Imaculada

Em Roma, enquanto jogava bola em um campo ao aberto, Maximiliano começou a cuspir sangue: era tuberculose, uma doença que o acompanhou pelo resto da sua vida.
Com a autorização dos Superiores, fundou a "Milícia da Imaculada", uma Associação religiosa, cujo objetivo era a conversão de todos os homens, por meio de Maria.
Ao regressar a Cracóvia, na Polônia, não obstante tenha se formado com notas altas, não pôde lecionar o pregar, por causa do seu estado de saúde, pois não podia falar muito. Ainda com a permissão dos Superiores, dedicou-se à promoção da "Milícia da Imaculada", contando com numerosas adesões entre professores e estudantes da Universidade, profissionais e camponeses, e até com religiosos da sua própria Ordem.

Sucesso da revista "O Cavaleiro da Imaculada"

Durante o Natal de 1921, Padre Maximiliano Kolbe fundou, em Cracóvia, uma revista de poucas páginas intitulada "O Cavaleiro da Imaculada", para difundir o espírito da "Milícia".
Tendo-se transferido para Grodno, a 600 quilômetros de Cracóvia, criou uma pequena tipografia para imprimir a revista, com máquinas antigas. Com esta iniciativa conseguiu atrair muitos jovens, desejosos de compartilhar do estilo de vida franciscano inspirado em Maria. A revista propagou-se cada vez mais.
Em Varsóvia, graças à doação de um terreno pelo Conde Lubecki, Maximiliano fundou "Niepokalanów", "Cidade de Maria". O centro desenvolveu-se rapidamente: das primeiras cabanas, passou-se a construções verdadeiras; a antiga impressora foi substituída por novas técnicas de redação e imprensa.
Em pouco tempo, "O Cavaleiro da Imaculada" atingiu rapidamente uma tiragem de milhões de cópias, enquanto eram criados outros sete periódicos.

A “Cidade de Maria” na Polônia e no Japão

Com o ardente desejo de expandir seu Movimento mariano para além das fronteiras da Polônia, Maximiliano Kolbe partiu para o Japão, onde fundou a "Cidade de Maria" em Nagasaki. Ali, após a explosão da primeira bomba atômica, os órfãos de Nagasaki encontraram abrigo.
Padre Maximiliano colaborou com judeus, protestantes e budistas, certo de que Deus lança a semente da verdade em todas as religiões.
Enfim, abriu ainda uma Casa em Ernakulam, no litoral oeste da Índia.
Para se tratar da tuberculose, voltou para a sua “Niepokalanów”, na Polônia.

Niepokalanów, abrigo para refugiados e judeus

Após a invasão da Polônia, em 1° de setembro de 1939, os nazistas mandaram destruir a Niepokalanów. Os religiosos foram obrigados a deixar o centro. A eles o Padre Kolbe recomendou apenas uma coisa: "Não se esqueçam do amor".
Ali permaneceram cerca de quarenta Frades, que transformaram a “Cidade de Maria” em lugar de acolhida para feridos, doentes e refugiados.
Em 19 de setembro de 1939, os alemães prenderam o Padre Maximiliano Kolbe e os outros frades e os levaram para o Campo de Extermínio, de onde foram, inesperadamente, libertados no dia 8 de dezembro. Assim, retornaram para a Niepokalanów e retomaram sua atividade de assistência de cerca de 3500 refugiados, dos quais 1500 judeus.
No entanto, depois de alguns meses, os refugiados foram expulsos ou presos. Por sua vez, o Padre Kolbe, ao recusar a naturalização alemã, para se salvar, foi preso em 17 de fevereiro de 1941, junto com quatro frades. Ao ser maltratado pelos guardas da prisão, foi obrigado a usar um hábito civil, porque o saio franciscano "perturbava" os nazistas.
Em 28 de maio, Padre Kolbe foi deportado para o Campo de extermínio de Auschwitz. Com o número 16670, foi colocado junto com os judeus, por ser sacerdote, onde foi obrigado a trabalhos forçados, como o transporte de cadáveres para os fornos crematórios.

Vida e testemunho em Auschwitz

Sua dignidade de sacerdote encorajava os outros prisioneiros. Uma testemunha recorda: "Kolbe era um príncipe para nós".
No final de julho, o Padre foi transferido para o Bloco 14, onde os prisioneiros trabalhavam na lavoura. Mas, um deles conseguiu fugir escapar. Por isso, os nazistas pegaram dez prisioneiros para morrer no “lager”. Padre Kolbe ofereceu-se para morrer no lugar de um dos "escolhidos", pai de família e companheiro de prisão. O desespero dos condenados transformou-se em oração comum, guiada pelo sacerdote.
Após 14 dias, apenas quatro ficaram vivos, inclusive o Padre Maximiliano. Então, os guardas decidiram abreviar sua agonia com uma injeção letal de ácido fênico. Padre Maximiliano Kolbe estendeu seu braço, recitando a "Ave Maria"! Estas foram suas últimas palavras. Era o dia 14 de agosto de 1941.

Veritatis Splendor


 

quinta-feira, 13 de agosto de 2020

Eu e minha casa serviremos ao Senhor

Os exemplos da Sagrada Família para sermos famílias sagradas ...
Canção Nova

Nos últimos séculos, assistimos a várias investidas nefastas contra a instituição da família, que foi e continua sendo o alvo de inúmeras ameaças e agressões. Neste terceiro milênio da era cristã, para fazer contraponto a tantos sinais de morte que tentam sepultar a família, faz-se cada vez mais necessário que todos os membros da família, em conjunto, saibam demonstrar a beleza da convivência familiar, apresentando sempre a sã doutrina do plano de Deus sobre a família. Em conjunto, os membros da família podem e devem salmodiar: “O Senhor fez grandes milagres por nós e, por isso, estamos tão felizes!” (Sal 125,3).

Como bem sabemos, “o futuro da humanidade passa pela família. É, pois, indispensável e urgente que cada homem de boa vontade se empenhe em salvar e promover os valores e as exigências da família”. (Papa João Paulo II, “Exortação Apostólica Familiaris Consortio, nº 86”). Sem a família, o horizonte será sempre sombrio, mas, por outro lado, com a força da família, edificaremos escolas de virtudes, onde fidelidade, auxílio mútuo, acolhimento, perdão e abertura para os outros serão mais do que simples palavras: serão, sim, regras de convivência diária.

É vital que assumamos, definitivamente, o compromisso de todos nós, cristãos, na árdua defesa dos valores que aprendemos inicialmente na família, a Igreja doméstica. Cada um de nós deve estar sempre pronto para semear o bem e atento para repudiar a fumaça negra que invade sem estrondo o ambiente familiar. Marido e esposa, com constância, devem bradar: “Melhor é ser dois do que ser um, porque se um cair o outro levanta o seu companheiro!” (Ecl 4,9-10). A manifestação do amor entre os irmãos e a acolhida aos idosos é a melhor maneira de se dizer: somos unidos e felizes “para que todos vejam e saibam, considerem e juntamente entendam que o Senhor fez isso!” (Is 41,20). Somente quem participa de um lar é capaz de entender que a beleza e a união do ambiente familiar são frutos de sublime mistério que não precisamos entender: basta apenas viver!

Cabe às famílias cristãs a missão de viver e transmitir a fé, com entusiasmo, às novas gerações e, por isso, a tarefa de educar na fé e na obtenção das virtudes não pode jamais ser restrita à escola – que hoje se limita a informar e não mais em formar – ou ao Estado. A fé deve ser dada e ensinada aos filhos desde o ventre materno. Desde tenra idade, os filhos devem aprender, com os pais e os irmãos mais velhos, orações de ontem e de hoje, a bênção dos alimentos e práticas constantes de desprendimento e de serviço oculto.

As pequenas tarefas do lar são belas ocasiões para ensinar aos filhos a adquirir responsabilidade e senso de equipe, visão de comunidade. A fraternidade, o companheirismo e a caridade que estão presentes em nossos lares tendem a um extravasamento, pois a sociedade carece do anúncio do evangelho da família. Assim sendo, “é preciso anunciar, com renovado entusiasmo, que o evangelho da família é um caminho de realização humana e espiritual, com a certeza de que o Senhor está sempre presente com a Sua graça”. (Discurso do Papa Bento XVI aos participantes do Encontro dos presidentes das Comissões Episcopais para a Família e a Vida na América Latina).

Para edificar a vivência da fé dos membros da família, é vital que, com inteligência e simplicidade, sejam respeitados tempos e espaços exclusivos para a convivência familiar. Esses momentos podem ser a oração do terço, a participação conjunta na Santa Missa, ou, até mesmo, um horário fixo para a refeição, com a presença de todos os membros da família. E quando um irmão ou algum parente vacilar na fé, será na força da família que ele encontrará o incentivo e a amizade necessários para poder recomeçar. No dia a dia da convivência familiar, a virtude da fé será sempre a unidade fundamental da estrutura da família.

A Igreja, o sinal visível do Cristo invisível, convida as famílias para servirem ao Senhor. Do mesmo modo, os pais devem convidar os filhos a servirem ao Senhor e, por isso, é sempre bom os membros da família professarem juntos: “Eu e minha casa serviremos ao Senhor!”. (Js 24, 15). No contínuo serviço ao Senhor, os pais devem testemunhar que os filhos são a primavera da família e da sociedade. Devem testemunhar também que reconhecem na Igreja a instituição que os defende, que reza e age por eles, que não teme afirmar a verdade, tornando-se palavra para quem não tem voz, amparo e proteção de quem está abandonado ou discriminado.

Em família, nós aprendemos que o futuro da família e de cada membro do seio familiar depende de Deus e da Sua graça, mas é necessário agir como se tudo dependesse da nossa oração, fidelidade e solidariedade. No cotidiano do lar, temos que incrementar a consciência de que “a presença do Senhor habita na família real e concreta, com todos os seus sofrimentos, lutas, alegrias e propósitos diários. Quando se vive em família, é difícil fingir e mentir, não podemos mostrar uma máscara. Se o amor anima esta autenticidade, o Senhor reina nela com a Sua alegria e a Sua paz. A espiritualidade do amor familiar é feita de milhares de gestos reais e concretos. Deus tem a sua própria habitação nesta variedade de dons e encontros que fazem maturar a comunhão. Esta dedicação une o humano e o divino, porque está cheia do amor de Deus. Em suma, a espiritualidade matrimonial é uma espiritualidade do vínculo habitado pelo amor divino”. (Papa Francisco, Amoris Laetitia, nº 315).

Que a Virgem Santa Maria, Rainha das Famílias, interceda pela defesa e preservação da família! Que a Sagrada Família de Nazaré seja sempre nosso maior modelo na construção de um lar cristão! Solidificadas na graça de Cristo, “sejam fortes as nossas famílias com a fortaleza de Deus, guiem-nos a Lei Divina, a graça e o amor, nelas e por elas se renove a face da terra!” (Discurso de João Paulo II por ocasião do Dia dedicado à Família, em 12 de outubro de 1980). Sagrada Família de Nazaré, rogai pelas nossas famílias!

Aloísio Parreiras
Arquidiocese de Brasília 

É depressão ou burnout? Veja como saber a diferença

SPIRALA ZMĘCZENIA
Zohre Nemati/Unsplash | CC0
por Calah Alexander

O esgotamento no trabalho é real, então aqui está o caminho para reconhecer esse mal.

Eu não sabia que era perfeccionista até começar a trabalhar fora de casa. Quando eu ficava em casa, minha casa nunca estava maravilhosamente organizada e meus filhos não estavam perfeitamente vestidos, então eu não me considerava perfeccionista. E eu não era – pelo menos em casa.

No trabalho, no entanto, tem sido uma história completamente diferente. Não apenas tive de encarar minhas tendências perfeccionistas, como também tive de encarar o fato de que essas tendências são desencadeadas pelas coisas mais bobas e acabam piorando tudo, em vez de melhorar.

Por exemplo, passei uma quantidade absurda de tempo em um domingo tentando descobrir como usar um formulário de mala direta para tornar minha comunicação por e-mail mais eficiente. Eu fiquei pensando sobre quanto tempo dominar essa técnica me salvaria a longo prazo – mas no curto prazo, eu perdi um dia inteiro e ainda tinha uma pilha de e-mails para enviar.

Acabei indo para a cama muito mais tarde do que deveria naquela noite, e comecei a semana correndo e tendo dormido apenas duas horas. Na quarta-feira, eu estava tão abatida e esgotada que as lágrimas começaram a rolar pelo meu rosto no momento em que entrei no meu carro.

Eu não conseguia explicar – eu não estava triste, e não era como se estivesse chorando de verdade. Meus olhos continuavam a derramar lágrimas toda vez que eu estava atrás do volante e indo para o trabalho. Até aquele momento eu estava invariavelmente empolgada com o trabalho, então esse novo estado era alarmante e assustador.

Eu comecei a me preocupar que estivesse entrando em depressão ou em um colapso mental, até que eu apareci em uma reunião em que um colega de equipe deu uma olhada no meu rosto e disse: “Você está esgotada”.

Eu estava, de fato, esgotada – algo que eu nunca tinha realmente entendido antes em um contexto de trabalho, mas esse é um fenômeno real estudado por psicólogos como Ellen Hendriksen, que explicou a diferença entre o esgotamento e a depressão para Medium:

O burnout (esgotamento no trabalho), em muitos aspectos, parece semelhante à depressão. Mas enquanto os dois compartilham muitas características, o burnout tende a ser mais situacional do que o estado geral da depressão.

“Se as pessoas se sentem como se uma bigorna tivesse pousado nelas no trabalho, mas se elas se animam com o jogo de futebol ou aula de culinária, então provavelmente não é depressão”, diz Hendriksen. “A depressão atinge todas as áreas da vida, mas o burnout pode ser mais específico no trabalho. Sangra, mas há um contraste…”.

Robert Taibbi, assistente social clínico licenciado e autor de vários livros sobre saúde mental, diz que é importante descobrir como seus hábitos específicos de trabalho podem estar afetando sua felicidade.

“Tem a ver com olhar para a sua personalidade”, diz Taibbi. “O que o seu trabalho exige? Quão no controle você está? Você tem dificuldade em delegar e obter ajuda nas coisas? Você fica obcecado porque você tende a ser perfeccionista?”. Se você tende a procrastinar, por exemplo, infindáveis ​​disputas de última hora podem ser a raiz do seu esgotamento. Se você sentir que assumiu muita coisa, mas não quer atribuir tarefas a outras pessoas, talvez seja isso que esteja causando seus problemas.

Eu não podia me arriscar a ficar gravemente esgotada, porque não podia me dar ao luxo de perder tempo. Então, eu terminei as tarefas naquele dia, fui para a cama o mais cedo possível. Eu me entreguei naquela quinta-feira para descansar e reiniciar, e no dia seguinte passei algum tempo perguntando aos meus colegas de equipe como eles faziam para tornar a comunicação mais simples e eficaz.

Então eu fiz algo realmente incrível. Em vez de escolher a ideia que parecia a mais perfeita para mim, escolhi aquela que parecia mais fácil. Isso foi contra todas as fibras do meu ser, mas eu sabia que tinha que priorizar. E uma das minhas prioridades rapidamente se tornou evitar tarefas em que eu poderia me perder nos detalhes, como tinha feito com o formulário de mala direta.

Eu não consigo expressar o quão mais fácil se tornou o trabalho – e a vida! – desde que deixei de lado a obsessão de encontrar a maneira mais perfeita de fazer tudo e resolvi encontrar a melhor maneira de fazê-lo. Eu realmente consegui realizar coisas que eu não pensava que conseguiria por meses, e estou começando a perder a sensação de estar sempre atrasada e em pânico.

Aleteia

 

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF