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sexta-feira, 21 de agosto de 2020

Carta original de Dom Bosco foi encontrada no Brasil

Carta enviada por Dom Bosco / Foto: ANS

RECIFE, 21 ago. 20 / 08:44 am (ACI).- Uma carta original escrita por São João Bosco, datada de 1885, foi encontrada no Arquivo da Inspetoria de Recife (PE) e se soma a outras relíquias do fundador dos Salesianos.

De acordo com a Agência de Notícia Salesiana (ANS), no Capítulo Geral 28, o Inspetor da Inspetoria Salesiana do Brasil-Recife (BRE), Pe. Nivaldo Luiz Pessinatti havia manifestado o desejo de se dedicar ao Arquivo Inspetorial, deixado com cuidado e organização pelo salesiano Irmão Robério Moraes Ramos, falecido em 24 de fevereiro deste ano.

Neste arquivo, encontrou entre os documentos e fotografias uma carta original de Dom Bosco, escrita em 30 de setembro de 1885, endereçada a Pe. Giordano.

A missiva, que está guardada em um relicário, também está transcrita nas Memórias Biográficas de Dom Bosco (Volume XVII, Cap. XXII, p. 622).

De acordo com a Inspetoria do Recife, “esta relíquia se soma a outras relíquias extraordinárias que nossa Inspetoria conserva com singular afeto: um cálice e uma patena usados ​​por Dom Bosco, símbolos da primeira fonte de toda a sua atividade educativa; uma estola sacerdotal, sinal da sua vocação e santidade vivida até ao último respiro em favor dos jovens; e, agora, a carta que revela o empenho missionário de sua obra que chegou até nós pela divina providência”.

Na carta, São João Bosco fala sobre o apostolado salesiano no Brasil e incentiva Pe. Giordano a buscar vocações.

“Deverá, portanto, trabalhar muito para buscar companheiros e achar vocações”, escreve Dom Bosco e acrescenta em seguida: “Nos próximos exercícios ou em outras ocasiões em que você puder falar com nossos coirmãos, pode dizer-lhes que fui informado de que a messe é grande, mas pequeno o número dos trabalhadores; entretanto, nós rezaremos, e a ajuda de Deus não deixará de mandar quantos forem necessários”.

A seguir, a íntegra da carta de Dom Bosco:

Caríssimo P. Giordano,

É com grande prazer que eu seus companheiros recebemos suas cartas e as lemos durante estes exercícios espirituais. Seus escritos serão sempre bem-vindos quando no-los enviar.

Certamente V. deve estar passando por muitas dificuldades, especialmente no início de uma missão tão extensa quanto a de São Paulo, não é verdade?

Deverá, portanto, trabalhar muito para buscar companheiros e achar vocações. Asseguram-me que estas ali são muito poucas; por isso, se conseguir descobrir alguma, deverá fazer todo o esforço e toda despesa que nos seja possível para que se realize.

Nós aqui temos muitas; todavia, se pudesse mandar-me mesmo que fossem algumas centenas nos agradaria; procuraríamos prepará-las e reexpedi-las, para ajudá-lo nas missões até ao Mato Grosso.

Nos próximos exercícios ou em outras ocasiões em que você puder falar com nossos coirmãos, pode dizer-lhes que fui informado de que a messe é grande, mas pequeno o número dos trabalhadores; entretanto, nós rezaremos, e a ajuda de Deus não deixará de mandar quantos forem necessários.

Estou aqui em S. Benigno com 160 noviços que se preparam para fazer os votos. Os pregadores são o P. Francesia e o P. Lemoyne, que repetidamente falam de você e de seus colegas.

O mesmo número teve o retiro anterior, mas esses são pré-noviços que na próxima semana começarão seu noviciado regular.

Adeus, meu sempre querido P. Giordano. Cuide bem de sua saúde. Deus o abençoe e aos nossos Irmãos que trabalham consigo e ganham muitas almas para o céu. Saúde a todos por mim e diga-lhes que todos os dias na Santa Missa peço a Jesus e a Maria para que nos ajudem a salvar muitas almas e sejamos todos um dia felizes no tempo e na bendita eternidade. Amém.

Todos os nossos Coirmãos o saúdam e rezam por você. Vocês por sua vez rezem incessantemente pelo Seu

S.Benigno, 30 de setembro de 1885.

Seu afeiçoadíssimo amigo em J. C.

Sac. GIO. BOSCO

ACI Digital

 

8 dados curiosos sobre a vida do Papa São Pio X

REDAÇÃO CENTRAL, 21 ago. 20 / 06:00 am (ACI).- Nesta sexta-feira, 21 de agosto, a igreja celebra a festa de São Pio X, um Papa recordado por suas demonstrações de humildade e caridade com os mais necessitados, seu firme desejo por manter a sã doutrina da Igreja ante o erro do modernismo e por aplicar importantes reformas.

“A doutrina católica nos ensina que o primeiro dever da caridade não está na tolerância das convicções errôneas, por sinceras que sejam , nem da indiferença teórica e prática pelo erro ou o vício, em que vemos mergulhados nossos irmãos, mas no zelo pela sua restauração intelectual e moral, não menos que por seu bem-estar material”, escreveu São Pio X em sua encíclica Notre Charge Apostolique.

A seguir, apresentamos 8 dados sobre a vida deste santo Papa da Igreja:

1. Criou uma “rede espiã interna”

“São Pio X, diante de algumas tendências que se manifestaram no âmbito teológico, no final do século XIX e no início do século XX, interveio com determinação, condenando o ‘Modernismo’, para defender os fiéis de concepções errôneas e promover um aprofundamento científico da Revelação, em harmonia com a Tradição da Igreja”, disse o Papa Bento XVI, na audiência geral de 18 de agosto de 2010.

Pio X classificou o modernismo como a “síntese de todas as heresias”. Através de sua encíclica Pascendi Dominici Gregis e do decreto Lamntabili Sane Exitu, condenou 65 proposições que, segundo ele, minavam o dogma tradicional do cristianismo. O modernismo, em essência, tendia a renunciar a certos dogmas tradicionais a fim de acomodar certas teorias científicas modernas.

Além disso, nomeou Mons. Umberto Begnini como subsecretário da Congregação de Assuntos Eclesiásticos Extraordinários. Em seguida, foi criada toda uma rede em toda a Igreja para informar sobre as atividades modernistas.

2. Alguns milagres ocorreram por sua intercessão durante sua vida

Em uma audiência, o Papa Pio X segurou um rapaz paralisado. O jovem se soltou dos braços do Pontífice e começou a correr alegre pela sala, por ter sido curado.

Em outra ocasião, havia um casal que conheceu quando era bispo e que lhe escreveu uma carta pedindo sua ajuda para curar seu filho com meningite. O Pontífice lhes escreveu dizendo que esperassem, jejuassem e rezassem. Dois dias depois, a criança estava curada.

Também uma religiosa que sofria de tuberculose avançada lhe pediu por sua saúde. A única resposta do Papa foi “sim”, enquanto colocava suas mãos sobre a cabeça da religiosa. Naquela mesma tarde, o médico determinou que ela estava completamente curada.

3. É conhecido como o “Papa da Eucaristia

Bento XVI recordou que São Pio X, no motu proprio Tra le sollecitudini, afirma que o “verdadeiro espírito cristão tem a sua fonte primária e indispensável na participação concreta nos mistérios sacrossantos e na oração pública e solene da Igreja”.

“Por isso, recomendava a aproximação frequente dos Sacramentos, favorecendo a recepção diária da Sagrada Comunhão, bem preparados, e antecipando oportunamente a Primeira Comunhão das crianças mais ou menos aos sete anos de idade, ‘quando a criança começa a raciocinar’”, acrescentou.

Naquele tempo, os fiéis comungavam raramente. A comunhão diária ou muito frequente era considerada como algo extraordinário e ainda indevido.

4. Pela primeira vez abriu o refeitório papal às visitas

No século XIX foi um escândalo que o Papa Pio X deixasse de jantar sozinho e convidasse amigos e conhecidos para comer com ele.

Embora hoje em dia vemos essas atitudes no Papa Francisco, foi Pio X quem rompeu a tradição de que os Pontífices comessem dozinhos.

Muitos anos antes, quando era patriarca de Veneza, dispensou grande parte de seus empregados e não tolerou que ninguém, exceto suas irmãs, preparasse sua comida.

5. Redigiu um catecismo para a Itália

“Outro ramo importante foi o da formação doutrinal do Povo de Deus. Desde os anos em que era pároco, tinha redigido pessoalmente um catecismo e, durante o Episcopado em Mântua, trabalhara a fim de que se chegasse a um catecismo único, se não universal, pelo menos italiano”, comentou Bento XVI em 2010.

Em seguida, destacou que, como autêntico pastor, o Papa Pio X tinha compreendido que a situação da época, entre outras coisas pelo fenômeno da emigração, “tornava necessário um catecismo ao qual cada fiel pudesse fazer referência, independentemente do lugar e das circunstâncias de vida”.

“Como pontífice, preparou um texto de doutrina cristã para a Diocese de Roma, depois se difundiu em toda a Itália e no mundo. Este Catecismo, chamado ‘de Pio X’ foi para muitas pessoas uma guia segura na aprendizagem das verdades relativas à fé pela sua linguagem simples, clara e específica, e pela eficácia da sua exposição”, acrescentou.

6. Iniciou a redação do Código de Direito Canônico

Até o ano de 1917, a Igreja só contava com um conjunto disperso e sem codificar de normas jurídicas, inclusive, as compilações realizadas por Pio IX e Leão XIII eram insuficientes.

Entretanto, desde o início de seu pontificado, Pio X se dedicou à reorganização da cúria romana e, depois, iniciou os trabalhos de redação do Código de Direito Canônico, promulgado por seu sucessor Bento XV.

7. Ele era italiano, mas seus pais eram poloneses.

O Papa Pio X nasceu em 2 de junho de 1835, em Riese (Itália), de pais que emigraram para a Itália depois da ocupação da Prússia, onde receberam asilo político.

Seu pai, originário de Wielkopolska (Polônia), se chamava Jan Krawiec, um alfaiate que teve que mudar seu nome para Giovanni Battista Sarto.

O sobrenome Sarto significa sastre (alfaiate) na Itália, por isso, Giuseppe escolheu este nome porque representava sua profissão. Anos mais tarde, sua esposa e ele deram à luz Giuseppe Melchiorre Sarto, que conhecemos como Papa São pio X.

8. Abriu o Vaticano aos refugiados e sem-teto

Como o Papa Francisco no século XXI, o Papa São Pio X também criou um espaço para que pessoas necessitadas se refugiassem no Vaticano.

Tal ação ocorreu depois do terremoto ocorrido em 28 de dezembro de 1908, que afetou a cidade de Messina, e o Papa permitiu que se abrisse o albergue de Santa Marta (junto à Basílica de São Pedro) para os refugiados e pessoas sem lar.

Fonte: ACI Digital  

São Pio X, o Papa que pregava e vivia a pobreza

São Pio X, papa (ACI Digital)

São Pio X, papa

A Igreja celebra no dia 21 de agosto São Pio X, o Papa que pregava e vivia a pobreza. “Nasci pobre, vivi na pobreza e quero morrer pobre”, deixou escrito em seu testamento. Ao longo de seu pontificado ficou conhecido por incentivar a comunhão diária de todos os fiéis, além de permitir que as crianças comunguem – desde que entendam quem está na Hóstia Consagrada.

Seu nome era Giuseppe Sarto e nasceu em Risse, povoado de Veneza, Itália, em 1835. Ainda menino sofreu a perda de seu pai e quis deixar os estudos para ajudar sua mãe. Ela, porém, o impediu. Então, Giuseppe continuou estudando no seminário graças a uma bolsa.

Após ser ordenado, foi nomeado vigário, pároco, cônego, bispo de Mantua e cardeal de Veneza, estando nove anos em cada cargo. Brincando, dizia que só lhe faltavam nove anos de Papa. Em 1903, Sarto, tomou o nome de Pio X. Um de seus primeiros atos como pontífice foi recorrer à constituição “Commissum nobis”, a fim de terminar com o suposto direito de qualquer poder civil para interferir em uma eleição papal.

Mais adiante, redigiu e aprovou decretos sobre o Sacramento da Eucaristia, nos quais recomendava e elogiava a comunhão diária, com a possibilidade de que as crianças se aproximassem para recebê-la a partir do momento que entendessem quem está na Santa Hóstia Consagrada. Isto foi o suficiente para que passasse a ser chamado de o “papa da Eucaristia”.

Pio X sempre defendeu os fracos e oprimidos como fez ao denunciar os maus entendimentos aos quais eram submetidos os indígenas nas plantações de borracha do Peru. Visitava cada domingo os pátios, esquinas ou praças do Vaticano para pregar e explicar o Evangelho do dia. Durante uma audiência pública, um participante lhe mostrou seu braço paralisado e lhe pediu que o curasse. O Papa se aproximou sorridente, tocou o braço e disse: “Sim, sim”. E o homem ficou curado. Entretanto, sempre foi modesto e singelo.

Quando alguém o chamava de “padre santo”, ele corrigia sorrindo: “Não se diz santo, mas Sarto”, em referência ao seu sobrenome de família. Em 1914, depois de tê-la profetizado, eclodiu a Primeira Guerra Mundial. “Esta será a última aflição que me manda o Senhor. Com gosto daria minha vida para salvar meus pobres filhos desta terrível calamidade”, disse. Poucos dias mais tarde, sofreu uma bronquite e morreu em 20 de agosto.

Foi canonizado em 1954 pelo papa Pio XII e foi o primeiro a ser elevado os altares depois de Pio V em 1672.

Curiosidades

Primeiro a abrir o refeitório papal às visitas – No século XIX foi um escândalo que o Papa Pio X deixasse de jantar sozinho e convidasse amigos e conhecidos para comer com ele. Embora hoje em dia vemos essas atitudes no Papa Francisco, foi Pio X quem rompeu a tradição de que os Pontífices comessem sozinhos.

Muitos anos antes, quando era patriarca de Veneza, dispensou grande parte de seus empregados e não tolerou que ninguém, exceto suas irmãs, preparasse sua comida.

Redigiu um catecismo para a Itália – “Outro ramo importante foi o da formação doutrinal do Povo de Deus. Desde os anos em que era pároco, tinha redigido pessoalmente um catecismo e, durante o Episcopado em Mântua, trabalhara a fim de que se chegasse a um catecismo único, se não universal, pelo menos italiano”, comentou Bento XVI em 2010.

Em seguida, destacou que, como autêntico pastor, o Papa Pio X tinha compreendido que a situação da época, entre outras coisas pelo fenômeno da emigração, “tornava necessário um catecismo ao qual cada fiel pudesse fazer referência, independentemente do lugar e das circunstâncias de vida”.

“Como pontífice, preparou um texto de doutrina cristã para a Diocese de Roma, depois se difundiu em toda a Itália e no mundo. Este Catecismo, chamado ‘de Pio X’ foi para muitas pessoas uma guia segura na aprendizagem das verdades relativas à fé pela sua linguagem simples, clara e específica, e pela eficácia da sua exposição”, acrescentou.

Iniciou a redação do Código de Direito Canônico – Até o ano de 1917, a Igreja só contava com um conjunto disperso e sem codificar de normas jurídicas, inclusive, as compilações realizadas por Pio IX e Leão XIII eram insuficientes. Entretanto, desde o início de seu pontificado, Pio X se dedicou à reorganização da cúria romana e, depois, iniciou os trabalhos de redação do Código de Direito Canônico, promulgado por seu sucessor Bento XV.

Fonte: CNBB 

quinta-feira, 20 de agosto de 2020

Quais são os 10 países com maior números de católicos?

Guadium News
Atualmente a Igreja Católica, possui por volta de 1,3 bilhão de seguidores, sendo uma das religiões mais praticadas no mundo.

Redação (Terça-feira, 22-01-2019, Gaudium Press) A Igreja Católica Apostólica Romana foi fundada por Nosso Senhor Jesus Cristo, que enviou seus apóstolos para ir ao mundo e pregar a todos o Evangelho. Desde então o catolicismo se espalhou pelos cinco continentes.

O catolicismo é uma das religiões mais praticadas no mundo

A partir do Oriente Médio, onde tudo começou, a Igreja Católica se disseminou pela Europa com ajuda dos romanos, e no resto do mundo através dos missionários europeus, se tornando uma das maiores forças orientadoras da vida das pessoas no planeta Terra.

Atualmente a Igreja Católica, possui por volta de 1,3 bilhão de seguidores, sendo uma das religiões mais praticadas no mundo. Confira abaixo a lista dos dez países com o maior número de católicos no mundo.

Brasil, México e Filipinas são os três países com mais católicos

O Brasil lidera a lista com 126.880.000 católicos, por volta de 61% da população. O catolicismo chegou ao país através dos portugueses, que estabeleceram a primeira Diocese em terras brasileiras no ano de 1551.

Na segunda colocação aparece o México, com 98.820.000 católicos. A Igreja Católica foi levada à nação no século XVI através dos espanhóis. No início do século XX, o governo proclamou uma feroz perseguição aos católicos que originou a Guerra dos Cristeros.

As Filipinas mantêm o terceiro lugar na lista, com 85.470.000. Missionários espanhóis levaram o catolicismo ao território filipino, que atualmente é predominantemente católico, com 81,4% da população se declarando católica.

Os grandes órgãos de Notre Dame de Paris, que fizeram tremer as pedras da catedral gótica, serão restaurados, depois de serem danificados pelo incêndio de 2019.

Estados Unidos, Itália e França seguem a lista

Os Estados Unidos seguem na quarta colocação, com 71.000.000 de católicos. A Igreja Católica chegou ao país através dos espanhóis (na Flórida, na Georgia e na Califórnia), dos franceses (em Louisiana, no Alabama, em Arkansas, em Illinois e em Michigan) no século XVIII. Já no século XX o catolicismo foi fortalecido com a chegada de imigrantes italianos e irlandeses.

A Itália, na qual está presente o coração da Igreja, o Vaticano, possui cerca de 50.474.000 católicos, conquistando o quinto lugar na lista. O país possui um amplo patrimônio histórico e artístico com valores e significados inestimáveis.

Em sexto lugar está a França, com 44.000.000 de católicos. O país possui uma longa história com a Igreja Católica, tendo inclusive reis que buscaram o apoio e orientação dos Papas.

Com ou sem pandemia, o Caminho de Santiago jamais deixará de existir. Ele não é um empreendimento humano. São Tiago arrastará multidões até o fim dos tempos.

Colômbia, Polônia, Espanha e Congo completam o top 10

Na sétima colocação está a Colômbia, com 36.000.000 de católicos. A Igreja Católica chegou ao país no ano de 1508, e a primeira Diocese foi instalada ali no ano de 1534. Atualmente, existem 52 Dioceses e mais de 120 organizações religiosas nessa nação.

A Polônia,  terra natal do Papa São João Paulo II, que é seu santo padroeiro, está em oitavo lugar na lista. O país possui 33.037.017 de católicos, um total de 85,5% da população. Os poloneses guardam com carinho sua Fé Católica.

Em nono lugar está a Espanha, com 32.364.000 de católicos. O país tem em sua história vários capítulos ligados à Igreja, que incluem a guerra pela Fé contra muçulmanos e a Inquisição espanhola no século XV. Apesar da maioria da população se afirmar católica, estima-se que apenas 15% pratica a Fé.

A lista é concluída com a República Democrática do Congo, que possui 28.700.000 católicos. A Igreja Católica além de atuar como mediadora de conflitos, tem ajudado o país na construção de escolas e hospitais. (EPC)

Carta aberta a um padre amigo recém-ordenado

26 juin 2016: Ordination sacerdotale en la cathédrale Saint Louis de Versailles.
Pendant la litanie des saints, les prêtres allongés sur le sol prient avec leur évêque.

Oferecemos a você descobrir cinco cartas que o farão viajar pelas diferentes etapas da vida. Hoje, mergulhe na quarta carta desta série, destinada a um amigo no dia de sua ordenação sacerdotal.

Querido amigo:

“Você é padre para sempre” (Sl 110). Por que você? “Minha vocação é dom e mistério”, escreveu São João Paulo II. Ele chamou para Si mesmo, a quem Ele queria “que estivessem com ele, e enviá-los para pregar” (Mc 3,14).

“Estamos aqui pela vontade do povo e só sairemos pela força das baionetas”, disse o vice revolucionário francês Mirabeau. Nós somos padres pela vontade de Deus e pelo chamado da Igreja, e isso nos dá uma força e uma liberdade que ninguém jamais pode tirar de nós.

Um pastor de acordo com o coração de Deus é sempre livre e não classificável. “Sou uma mistura de anarquista e conservador, mas em proporções que ainda precisam ser determinadas”, disse o ator e herói de guerra francês Jean Gabin. Nesta área, seja como Gabin.

Às vezes, você ouvirá que os padres são “como todo o mundo”. Isso é, ao mesmo tempo, verdadeiro e profundamente falso. É bem verdade que somos talvez mais “homens” do que muitos homens, porque medimos nossa fraqueza e nosso pecado por frequentar a santidade do Mestre.

O sacerdócio é uma realidade tão alta que às vezes é impossível não traí-la. Também somos muito humanos porque mantemos nossas vidas nas fronteiras de alegrias e tristezas, nas fronteiras do Céu e da Terra.

Entramos nas casas para abençoar os doentes, submergimos as crianças nas águas batismais, somos o Alfa e o Ômega, na tagarelice do recém-nascido e na agonia da morte dos moribundos. Temos imensas alegrias, com pesadas dores e enormes segredos. Sabemos o que há nas pessoas.

Ao mesmo tempo, dizer que somos “como todo o mundo” é absolutamente falso. Também são palavras vãs, porque cada pessoa é uma exceção. Não somos como todo o mundo, porque somos homens de Deus que agimos na pessoa de Jesus Cristo, vestidos com sua autoridade na medida de nossa obediência.

O essencial de nossa vida continua sendo uma realidade oculta, a da oração, a do trabalho e a da tristeza aceita com amor. Não reivindique essa “diferença” como um direito, assuma isso como um dever. Avance com Abraão “como se você visse o invisível”.

Toda fertilidade está enraizada na vida interior e, asseguro-lhe, um segredo que você já conhece: também é obtido no sofrimento. Nossa própria luta espiritual, os gritos do povo, nos atingem como ondas incessantes do mar.

O santo padre de Ars disse que “o sacerdócio é o amor do Coração de Jesus”, ferido pela angústia do povo. As almas nascem com dor e na renúncia ao espírito de possessão. Damos a vida inteira para dar a luz a Deus nas almas e devemos aceitar nunca reter a vida dos outros por nós mesmos. “Eles têm apenas um Pai” (Mt 23,9). Passamos como Cristo passa, na liberdade de um amor que se doa completamente sem jamais se deixar possuir. “Essa é a alegria que me inunda. Ele tem que crescer e eu tenho que diminuir ”(Jo 3,29). Irmão, que sua felicidade permaneça!

Aleteia

Primeiros movimentos heréticos e os cátaros

Apologética
Veritatis Splendor
  • Fonte: Lista “Tradição Católica”

A história da Igreja no Império romano é dominada em grande parte pela apresentação da evolução dos problemas da heresia, nome aplicado a todos os desvios de doutrina e de moral cristãs. Embora tais desvios assumissem um caráter de revolta moral ou disciplinar, as mais conhecidas e as que maior influência exerceram são relativas aos profundos mistérios da fé, e deram origem a controvérsias que muitas vezes colocaram em campos opostos homens de grande capacidade intelectual e integridade moral.

Do século quinto ao século onze praticamente não existiram na Igreja ocidental, heresias que representassem um perigo público ou levassem a um debate intelectual; e o impacto provocado pelas polêmicas do Oriente, como o monotelismo e o iconoclasmo, só foi sentido no alto nível da diplomacia papal e imperial.

No século doze, porém, apareceram por toda parte movimentos populares que deram origem a verdadeiras anti-igrejas e a formação de quistos no corpo da Cristandade, levando a Igreja e o poder civil a montar um aparelho de repressão, muitas vezes apenas para preservar a ordem e restabelecer a paz.

De modo geral, podem ser apontadas três espécies diferentes de doutrinas heterodoxas que se misturavam e se dividiam de diversas formas. Havia a simples revolta contra uma religião rica, estabelecida, hierárquica e sacramental; Outra espécie era a invasão da antiga heterodoxia dualística, proveniente dos Bálcãs e de mais além. E, finalmente, havia uma heterodoxia mais sistemática, com uma doutrina elaborada por pessoas cultas e bem dotadas (inteligência voltada para o mal).

Os primeiros movimentos heréticos de que temos notícia ocorreram nos primeiros decênios do século onze, em diversas regiões da França, como a Campanha, Orléans e Aquitânia, e ao norte da Itália. Eram de origem obscura e pareciam semelhantes uns aos outros tendo como ponto comum a rejeição ao Mistério da Encarnação, a Eucaristia, a necessidade do Batismo e o poder episcopal de conferir ordens sacras. Esses pontos negativos, somados ao apelo à pobreza e à comunicação direta com Deus eram combinadas com doutrinas extravagantes, como a rejeição do matrimônio, a abstinência de carne, a criação de algum tipo de ministério conferido pela imposição de mãos de algum chefe principal, etc. Estes últimos pontos, cuja origem é encontrada ordinariamente no norte da Itália, sugerem muito claramente uma influência dos bogomilos, ou, como também eram chamados, dos maniqueus.

Estas seitas eram espalhadas por líderes populares que, em geral, se proclamavam possuidores de poderes divinos. Mas, só no Languedoc, que ia tornar-se um foco e um asilo da heresia, é que essas seitas assumiam um caráter endêmico. Nos outros lugares, os hereges foram reprimidos, quando não pelos próprios bispos e santos suscitados por Deus, outras vezes pela própria população, ou ainda desapareceram atraídos pela reforma gregoriana quando esta se tornou realidade.

Mas, uma segunda vaga teve início na Itália e no sul da França, na primeira metade do século doze. Como sempre, o movimento era tido como de “reforma”, exigindo do clero a volta à pobreza apostólica, etc. Entre os chefes realmente hereges estavam Pedro de Bruis, que pregava a pobreza, uma religião puritana e destituída de sacramentos, Arnaldo de Bréscia e Hugo Speroni. Pedro teve como adversários, pessoalmente e por seus escritos, Pedro o Venerável e o grande São Bernardo; foi queimado vivo por uma multidão enfurecida. Arnaldo de Bréscia, pregador hostil à instituição do clero, foi considerado por São Bernardo como um aliado de Abelardo. Ele entregou-se a agitação política e participou de uma comuna em Roma, nos moldes antigos, sendo finalmente enforcado.

Uma terceira onda, muito maior, espalhou-se pouco antes da metade do século doze. Tratava-se de um ramo da heresia dos bogomilos da Bulgária, derivada, em última análise, das doutrinas dualistas e gnósticas do maniqueísmo. Deitando raízes em Constantinopla, revestiu-se dos rudimentos de um sistema dogmático e ascético que se espalhou pela Bulgária e pela Bósnia, ao longo das rotas comerciais, e pouco a pouco penetrou nas regiões populosas do norte e oeste da Europa. A partir de 1140, seus adeptos se multiplicavam em todas as direções: na Renânia, com centro em Colônia. No Périgord, em Reims, na Lombardia, na Itália central, e sobretudo no sul da França, em redor de Albi, Tolosa e Carcassone. Uma nota característica do movimento era sua rígida organização eclesiástica, que somada a seu ímpeto missionário lhe deu sua força dinâmica e uma grande capacidade de resistência. Na segunda metade do século doze espalhou-se muito pela Itália, ao norte de Roma, tendo como principal ativista Pedro da Lombardia. Viviam na clandestinidade, em grupos dispersos, ligado cada um deles a um chefe ordenado, mas sem ligação orgânica uns com os outros. Enquanto a organização estava ainda se firmando na Itália, os seus missionários atravessavam os Alpes ou penetravam por mar no vale do Ródano. Em certo momento de sua evolução o nome cátaros (=”os puros”) passou da pequena classe dos perfeitos, a que era propriamente aplicado, a todos os membros. Na Itália predominavam entre os adeptos os comerciantes e os artesãos; no Languedoc houve muitas “conversões” no meio das grandes famílias feudais, como é o caso de Raimundo VI, conde de Tolosa; houve também “conversões” de monges e até bispos; e na sociedade relativamente rica e culta que deu origem aos trovadores e à primeira escola medieval de música profana, espalhou-se rapidamente a nova doutrina…

Embora diferissem inicialmente de grupo para grupo, tanto na teoria como na prática, as doutrinas dessa seita eram em geral um resíduo do maniqueísmo adaptado pelos bogomilos. Na verdade, tornou-se um rival do Cristianismo, cada vez mais forte, por imitar a organização e o ritual cristãos. A doutrina baseava-se na teoria dualista do bem e do mal, do espírito e da matéria. Ao princípio do bem, criador do mundo do espírito, opunha-se o princípio do mal, seu filho divino, coeterno mas rebelde, ou como ensinavam outros, um anjo decaído, um demiurgo. De qualquer forma, um princípio do mal era o criador do mundo material. As almas humanas são fragmentos do espírito, ou, segundo outros, anjos caídos aprisionados na matéria. Cristo era o maior dos anjos (ou o melhor dos homens), adotado por Deus como Filho. Seu corpo e sua morte não passavam de aparências; em todo caso, sua morte não tinha importância, porque ele remiu a humanidade pela sua doutrina, e não por sua Paixão. A Igreja católica era uma corrupção de uma instituição originariamente pura; suas doutrinas eram falsas, seus sacramentos sem valor.

A Igreja cátara dividia-se em duas classes, uma pequena e outra maior. A pequena classe dos “perfeitos” ou “puros”, cujo nome passou a toda a organização, fornecia os elementos dos diversos graus da hierarquia, e também os pregadores. Eram ordenados por um sacramento (ritual) de iniciação, precedido de uma severa provação que “apagava” o pecado, dava o Espírito Santo, e conferia poderes ao ministro. Este sacramento, ou consolamentum como o chamavam, obrigava a uma vida de grande austeridade, com castidade perpétua e abstinência de carne; era-lhes também proibido jurar e fazer guerra. Estes celebravam uma liturgia pública, que era uma imitação patente da Eucaristia. Os outros, os “aderentes”, tinham maior liberdade, e podiam fazer pleno uso dos bens deste mundo; quando possível, recebiam no leito de morte uma versão abreviada do consolamentum. O repúdio à criação material levava em princípio ao desprezo pela vida, e o suicídio voluntário pela fome (endura) não era desconhecido. O casamento era considerado um mal, e a mulher participava mais do que o homem do mal da criação.

Diferentes na origem, embora muitas vezes caminhassem para o catarismo, e suas práticas parecessem coincidir, apareceram em diversos centros alguns outros grupos cuja fé, pelo menos no início, parecia ser ortodoxa. Assim, se aproximavam das seitas “não-conformistas” e “congregacionais” dos últimos séculos. Os Humilhados das cidades da Lombardia viviam em grupos de trabalho e se dedicavam a pregação da Bíblia que tinha em vernáculo, mas davam pouco valor ao sacerdócio e aos sacramentos. Surgiram os Valdenses do Delfinado e do Piemonte, cujo nome deveu-se a um rico negociante de Lyon. Muitos dos grupos seguidores de Valdes logo se fizeram definitivamente hereges, considerando a Bíblia como única autoridade e negando a presença real na Eucaristia. Alguns adotaram a organização dos cátaros, outros suas práticas e preceitos, e até mesmo sua teologia. Estão aí os “proto-protestantes” que continuaram a influir na história religiosa até o fim da Idade Média, e apesar das perseguições continuam a existir ainda hoje.

A heresia era combatida pelos sermões e escritos polêmicos de homens eminentes, como Pedro o Venerável, São Bernardo, Vacário e Alano de Lille, e mais tarde por toda sorte de frades anônimos. Aos poucos a coerção civil e eclesiástica foi tomando o lugar da persuasão. Na falta de uma jurisdição ordinária, as penas variavam de intensidade. O direito imperial de Bizâncio prescrevia a pena de morte para os maniqueus; mais tarde a feitiçaria era punida com a fogueira. Durante certo tempo os bispos e os escritores se mostraram contrários à pena de morte ou a grandes castigos corporais. Mas, por fim, a pedido de reis e de bispos, o concílio de Tours, de 1163, instituiu um processo de inquisição eclesiástica. Os albigenses confessos seriam entregues às autoridades seculares para serem punidos com penas de prisão ou de confiscação de seus bens. Houve uma revolta armada e para enfrentá-la o Terceiro Concílio de Latrão proclamou uma cruzada. Cinco anos mais tarde Lúcio III, depois de um acordo com Frederico I, publicou um decreto em que se lançava uma excomunhão geral sobre os hereges existentes, e era confiado diretamente aos bispos o dever da inquisição, pela visita de inspeção e pela denúncia, em todas as localidades conhecidas como possíveis refúgios de hereges.

Veritatis Splendor

Papa Francisco pede que a vacina do coronavírus não seja propriedade de algumas nações

Papa Francisco durante a audiência. Foto: Vatican Media

Vaticano, 19 ago. 20 / 08:45 am (ACI).- O Papa Francisco exigiu que a futura vacina contra o coronavírus não seja propriedade de algumas nações concretas excluindo as demais, mas que seja universal e para todos.

“Seria triste se na vacina contra a Covid-19 fosse dada a prioridade aos mais ricos! Seria triste se esta vacina se tornasse propriedade desta ou daquela nação e não fosse universal e para todos”, disse o Pontífice na catequese da Audiência Geral que presidiu nesta quarta-feira, 19 de agosto, no Palácio Apostólico do Vaticano.

Também alertou que seria um escândalo “se toda a assistência econômica que estamos a observar - a maior parte dela com dinheiro público - se concentrasse no resgate das indústrias que não contribuem para a inclusão dos excluídos, para a promoção dos últimos, para o bem comum ou para  o cuidado da criação”.

Com efeito, sublinhou que estes devem ser os critérios para escolher quais serão as indústrias que devem ser ajudadas: “As que contribuem para a inclusão dos excluídos, para a promoção dos últimos, para o bem comum e para o cuidado da criação. Quatro critérios”.

Francisco argumentou que "a pandemia acentuou a difícil situação dos pobres e o grande desequilíbrio que reina no mundo".

Recordou que o vírus, “sem excluir ninguém, encontrou grandes desigualdades e discriminações no seu caminho devastador. E aumentou-as!”, lamentou.

Portanto, “a resposta à pandemia é dupla. Por um lado, é essencial encontrar uma cura para um pequeno, mas terrível vírus que põe o mundo inteiro de joelhos. Por outro, devemos curar um grande vírus, o da injustiça social, da desigualdade de oportunidades, da marginalização e da falta de proteção dos mais débeis”.

Nesse sentido, o Papa Francisco convidou que, “com o exemplo de Jesus, o médico do amor divino integral, isto é, da cura física, social e espiritual, devemos agir agora, para curar as epidemias causadas por pequenos vírus invisíveis, e para curar as que são provocadas pelas grandes e visíveis injustiças sociais”.

“Proponho que isto seja feito a partir do amor de Deus, colocando as periferias no centro e os últimos em primeiro lugar. E a partir deste amor concreto, ancorado na esperança e fundado na fé, será possível um mundo mais saudável”, concluiu Papa Francisco.

ACI Digital

 

Papa Francisco: libertar a figura de Maria da influência das máfias

Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América
Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira da América  (Vatican Media)

Em carta à Pontifícia Academia Mariana Internacional, o Papa expressa apreço pela criação de um Departamento de Análise e de Estudo dos Fenômenos Criminais e Mafiosos, "para libertar a figura de Nossa Senhora da influência das organizações criminosas". Em entrevista ao Vatican News, o Pe. Stefano Cecchin, presidente da Academia Pontifícia.

Amedeo Lomonaco - Vatican News

"A devoção mariana é um patrimônio religioso-cultural a ser protegido na sua pureza original, liberando-o de superestruturas, poderes ou condicionamentos que não respondem aos critérios evangélicos de justiça, liberdade, honestidade e solidariedade”. É o que sublinha o Papa Francisco na carta enviada em 15 de agosto ao Pe. Stefano Cecchin, presidente da Pontifícia Academia Mariana Internacional.

No documento, o Pontífice também lembra que, dentro dessa academia pontifícia, foi criado o Departamento de Análise e Estudo dos Fenômenos Criminais e Mafiosos, "para libertar a figura de Nossa Senhora da influência das organizações criminosas". Entre os exemplos dessa espiritualidade distorcida estão os "arcos" das estátuas de Maria em frente às casas dos chefes das máfias durante as procissões.

Na carta, o Papa Francisco também faz uma saudação aos promotores, aos palestrantes e aos participantes da jornada de estudo – marcada para 18 de setembro e organizada pela Pontifícia Academia Mariana Internacional, em colaboração com as autoridades eclesiásticas e instituições públicas. O objetivo da iniciativa é identificar "respostas efetivas" para uma "operação cultural de sensibilização das consciências". Francisco também espera que os santuários marianos se tornem cada vez mais "cidades de oração, centros de ação do Evangelho, lugares de conversão e de referência da piedade mariana".

Patrimônios a serem redescobertos e protegidos

O Pe. Stefano Cecchin, presidente da Pontifícia Academia Mariana Internacional, concedeu entrevista ao Vatican News e salientou que a figura de Maria está sendo usada por organizações mafiosas para submeter as pessoas, fazendo-as escravas. Ele ainda recordou as tarefas e a missão da própria academia pontifícia:

Pe. Stefano – “A tarefa da nossa academia é dar uma saudável formação mariológica, em vista de uma saudável piedade popular. Devemos redescobrir o patrimônio religioso e cultural que temos em todo o mundo, mas, especialmente, na Itália. Uma herança que devemos reavaliar e proteger na sua pureza original.”

É uma questão de salvaguardar um patrimônio da contaminação que afeta essa pureza...

Pe. Stefano – “Há uma religiosidade frágil que é manipulada por quem sabe manipular o coração e os sentimentos das pessoas, não apenas do ponto de vista da criminalidade, mas também de outras formas, incluindo os mágicos, curandeiros e gurus. Todas as formas de utilizar as dificuldades das pessoas, dando-lhes ‘respostas mágicas’ somente para depois conseguir um retorno econômico.”

Há também graves distorções ligadas à figura de Maria...

Pe. Stefano – “A figura de Maria usada precisamente para manter as pessoas escravizadas, exagerando a figura de ‘Maria como uma mulher submissa a Deus’ que se resigna ao destino do Filho que morre em face a um poder. E, assim, existe toda essa realidade de escravizar e não ajudar as pessoas a viver uma verdadeira religiosidade. Mas existe uma religiosidade ligada a superstições, magias e poderes que depois assustam as pessoas.”

Na carta, o Papa também lembra que foi criado um departamento especializado ao tema dentro da Pontifícia Academia Mariana Internacional para estudar os fenômenos criminais e mafiosos e "libertar a figura de Maria da influência das organizações criminosas" ...

Pe. Stefano – “É justamente essa a mensagem do Papa dirigida principalmente para nos felicitar e também porque continuamos nesse caminho iniciado dentro da disciplina ‘Maria, caminho de paz entre as culturas’. Aprofundamos esse aspecto e, por isso, criamos esse novo departamento envolvendo um grande número de magistrados, criminologistas, pessoas do exército, do Estado e da Igreja precisamente para trabalhar juntos pelo bem da pessoa humana e da sociedade, da ‘Casa Comum, como diz o Papa Francisco.”

Para várias organizações criminosas, em particular a italiana 'ndrangheta, as formas rituais representam a própria essência da organização. Disso deriva também um uso distorcido das devoções por parte das máfias. Esse é um câncer a ser combatido. Pode ser erradicado?

Pe. Stefano – “Queremos erradicá-lo através da formação das pessoas, das famílias. Uma formação que seja verdadeiramente cristã. O Papa Francisco nos chama para essa formação integral da pessoa humana. O primeiro princípio para ajudar a humanidade e a Casa Comum, a sociedade e o homem e a mulher, é justamente aquele de dar uma formação saudável.”

Um outro fenômeno preocupante, que deve ser combatido, é aquele das reverências, de se curvar diante dos chefes mafiosos durante as procissões...

Pe. Stefano – “Isso não é religião! É superstição. Como a religião é lida por esses líderes, por essas máfias? Como é uma realidade para a qual também Deus se submete a eles? E inclusive a Virgem se curva diante deles e da sua autoridade? Eles quase querem ensinar ao povo que Deus está com eles. Portanto, eles também querem usar o sentimento religioso das pessoas para levá-las a não serem livres, mas escravas.”

No próximo dia 18 de setembro, em Roma, durante a conferência organizada pela Pontifícia Academia Mariana Internacional, serão elaboradas as diretrizes desse novo departamento que, como o senhor mencionou, envolve não apenas teólogos e mariólogos, mas também magistrados, criminólogos, advogados, policiais e prefeitos de várias cidades. Uma aliança entre os homens da Igreja e representantes da sociedade civil...

Pe. Stefano – “Em 18 de setembro, todo o caminho e os projetos serão apresentados. Iniciaremos os cursos já em outubro. A ideia é que, todo ano, no dia 13 de maio, seja realizada uma conferência nacional que divulgue os frutos desse trabalho. O que reiteramos é que devemos trabalhar juntos, mas cada um com a sua própria identidade, sem confundir Estado, Igreja, associações. Devemos estar unidos pelo bem comum. O Papa nos disse que a academia deve ser um lugar de encontro, um lugar de diálogo. Também estamos trabalhando com os muçulmanos. Criamos a Comissão Mariana Cristã Muçulmana. Também iniciaremos cursos com a mesquita de Roma. Inclusive com eles, sobre esses aspectos das más interpretações da religião ou de como a religião está sendo usada para dividir e criar problemas. Deus, ao contrário, é amor e não medo ou punição.”

Vatican News

 

S. MARIA DE MATTIAS, VIRGEM, FUND. DAS IRMÃS DA ADORAÇÃO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE

S. MARIA DE MATTIAS, VIRGEM, FUND. DAS IRMÃS DA ADORAÇÃO DO PRECIOSÍSSIMO SANGUE
por Larry Peterson

Este foi apenas o começo de uma vida entregue a Deus.

Maria de Mattias nasceu e foi batizada em 4 de fevereiro de 1805, na pequena cidade de Vallecorsa, a cerca de 80 quilômetros ao sul de Roma. O pai dela, Giovanni de Mattias, era de uma família importante da região e era bem-sucedido.

Maria foi a segunda de quatro filhos. Sua irmã Vincenza era 11 anos mais velha que ela, então elas não tinham muito em comum socialmente. Seus dois irmãos, Antonio e Michele, eram muitos anos mais novos.

Durante esse período, a turbulência política era constante em Vallecorsa. Muitos dos jovens locais eram membros de gangues e estavam continuamente invadindo e intimidando os moradores. Líderes de gangues planejavam sequestros porque crianças de famílias com dinheiro geralmente rendiam valiosos resgates. Maria, sendo de uma família com dinheiro, era alvo dos sequestradoras. Ela não saia de casa, a menos que fosse acompanhada pelo pai.

Maria era bastante vaidosa e gostava de apreciar sua imagem no espelho enquanto escovava seus longos cabelos loiros. No entanto, tudo mudou quando ela se aproximava dos 16 anos. Um dia, enquanto se arrumava, viu uma senhora olhando para ela de “dentro” do espelho. Maria ficou bastante assustada, e então a senhora disse: “Venha comigo”.

Maria começou a conversar com a senhora e pediu sua ajuda. Ela queria aprender a ler. Seu pai achava que as meninas não precisavam saber ler ou escrever. A senhora disse-lhe para não se preocupar e que ela a ajudaria. Logo, Maria conseguiu pegar cartas e colocá-las em palavras e, em pouco tempo, a jovem estava lendo. Com a ajuda celestial de uma senhora extraordinária, ela havia aprendido a ler.

Ela continuou, e logo estava lendo livros espirituais que a família tinha em casa. A senhora revelou-se como a Mãe Santíssima e, durante várias outras conversas, Maria percebeu que deveria dedicar sua vida a Deus. A única coisa que faltava para ela era descobrir como.

Durante a estação quaresmal de 1822, Gaspar del Bufalo (o fundador dos Missionários do Sangue Precioso) chegou à cidade com sua equipe missionária para pregar. A missão continuou por três semanas, e os missionários pregaram sobre morte, julgamento, punição, inferno, amor,  misericórdia e perdão de Deus.

Maria ouviu Gaspar pedir a seus ouvintes que imitassem Jesus, dando a vida pelos irmãos e irmãs que precisavam.

Quando a missão terminou, Maria de Mattias estava cheia de amor pelo próximo e  determinada a trazer conversão e salvação àqueles que Cristo amava.

Gaspar del Bufalo tinha um braço direito chamado John Merlini. Dois anos depois, Merlini foi a Vallecorsa para pregar a missão. Merlini e seus seguidores estavam ocupados, reunindo associações para meninas, mulheres, meninos, homens e padres. Maria sentiu-se atraída por esse homem, mas teve medo de se aproximar dele.

Finalmente, ela o fez, e eles se tornaram bons amigos. Merlini a colocou no comando das Filhas de Maria, a associação das meninas. Maria assumiu o comando, e mais e mais meninas começaram a vir à sua casa para conversar, estudar e rezar. Em pouco tempo, mulheres mais velhas estavam chegando à casa. A casa de Mattias havia se transformado em uma escola para jovens e idosos.

Em 4 de março de 1834, aos 29 anos, sob a orientação e ajuda de John Merlini, Maria fundou as Irmãs Adoradoras do Sangue de Cristo. A ordem foi estabelecida principalmente para ser uma ordem de ensino. Maria fez um voto público de castidade e John Merlini deu a ela um pequeno coração de ouro impresso com três gotas de sangue. Isso se tornou o símbolo da ordem, e até hoje um coração de prata com três pontos vermelhos é usado pelas irmãs em todo o mundo. O papa Pio IX deu a aprovação papal à Ordem em 1855, e John Merlini se tornou o diretor espiritual de Maria.

Hoje, mais de 2.000 irmãs continuam o trabalho de sua fundadora em países de todo o mundo, incluindo Brasil, Vietnã, Coréia do Sul, Estados Unidos, Bolívia, Guatemala e até Libéria, onde cinco das irmãs foram martirizadas em 1992.

Aleteia

 

S. BERNARDO, ABADE E DOUTOR DA IGREJA

S. Bernardo, Taddeo Crivelli
S. Bernardo, Taddeo Crivelli 
(Digital image courtesy of the Getty's Open Content Program)

Uma família de oração

Bernardo nasceu em 1090, em Fontaines, França, em uma família opulenta. Aos 22 anos, após ter estudado gramática e retórica, entrou para o Mosteiro fundado por Roberto de Molesmes, em Citeaux (em latim Cistercium, do qual deriva o nome de Cisterciense). Alguns anos depois, fundou o Mosteiro de Claraval (Clairvaux), junto com 12 companheiros, entre os quais, 4 irmãos, um tio e um primo. Pelo seu exemplo, muitos de seus parentes também escolheram a vida religiosa.

Jesus e Maria

Segundo o espírito de Bernardo, a vida monacal era constituída de trabalho, contemplação e oração, tendo como estrelas fixas Jesus e Maria. Para o Abade cisterciense, Cristo era o centro de tudo: “Para mim, nas discussões ou conversas, se não for pronunciado o nome de Jesus nada tem sentido” (Sermones super Cantica Canticorum, XV). Maria – escreve Bernardo – leva a Jesus: “Nos perigos, nas angústias, nas incertezas, deve-se elevar o pensamento a Maria, invocar Maria. Que ela jamais saia dos nossos lábios; jamais se separe do nosso coração; para obtermos a ajuda na oração, jamais devemos esquecer seu exemplo de vida. Se a seguirmos, não nos perderemos; se rezarmos a ela, não nos desesperaremos; se pensarmos nela, não erraremos...” (Homilia II super “Missus est”).

Os quatro degraus do amor

No seu escrito “De diligendo Deo”, Bernardo indica o caminho da humildade para atingir o amor de Deus; exorta a amar o Senhor sem limites. Para o monge Cisterciense, os degraus fundamentais do amor são quatro:

1 - O amor de si para si: “Primeiro, o homem ama-se a si mesmo; depois, vendo que sozinho não pode viver, começa a buscar a Deus por meio da fé”.

2 - O amor de Deus para si: “No segundo degrau, portanto, ame a Deus para si e não para Ele. Porém, deve começar a frequentar a Deus e a honrá-lo, segundo as próprias necessidades”.

3 - O amor de Deus por Deus: “A alma passa para o terceiro degrau, amando a Deus, não por si mesmo, mas por Ele. Neste degrau, se detém longamente; aliás, não sei se nesta vida seja possível chegar ao quarto degrau”.

4 - O amor de si por Deus: “Aquele amor em que o homem ama a si mesmo somente por Deus. Assim sendo, terá quase que esquecido admiravelmente a si mesmo; quase deixa a si mesmo para tender totalmente a Deus, a ponto de ser um só espírito com Ele”.

Bernardo e os Templários

Entre os escritos do Abade cisterciense há também um famoso elogio da Ordem monacal-militar dos Templários, fundada em 1119, por alguns Cavaleiros, sob a guia de Hugo de Payns, feudatário da região de Champanhe e parente de Bernardo. No seu “De laude novae militiae ad Milites Templi”, descreve assim os Cavaleiros do Templo: “São vestidos de modo simples e cobertos de pó; rosto queimado pelo sol e olhar orgulhoso e severo: antes da batalha, armam-se interiormente, com a força da fé. A sua única fé é a Deus”.

Doctor Mellifluus

Bernardo morreu em 20 de agosto de 1153. Papa Alexandre III o proclamou santo em 1174. Pio XII dedicou-lhe uma encíclica intitulada “Doctor Mellifluus”, na qual recorda, de modo particular, estas palavras de Bernardo: “Jesus é mel na boca, suave concerto aos ouvidos, júbilo ao coração”. “O Doutor melífluo, último dos Padres, mas não, certamente, inferior aos primeiros – escreveu o Pontífice – se destacou por seus dotes de mente e de espírito, aos quais Deus acrescentou abundantes dons celestes”.

Vatican News


 

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF