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sexta-feira, 5 de março de 2021

O Desaparecimento dos adultos (Parte 1/2)

Presbíteros

Giovanni Cucci S.I.[i]

Uma sociedade de eternos adolescentes?

Continua-se a estar sempre mais atingido pelo nivelamento das gerações que se vê em rapazes e moças, jovens e adultos unidos por uma mesma dinâmica: no modo de vestir, falar, se comportar, mas, sobretudo, nas relações e na afetividade revelam-se muitas vezes as mesmas dificuldades, até o ponto em que se torna difícil entender quem desses é realmente o adulto. Ao mesmo tempo, preocupa a sempre maior difundida fuga da responsabilidade, que leva a procrastinar indefinidamente as escolhas de vida, iludindo-se de ter sempre intactos, diante de si, todas as possibilidades.

Uma pesquisa da Istat[ii], realizada em 2008 (e, por conseguinte, anterior à grave crise que infelizmente levou ao desemprego milhares de jovens e de adultos), revelava que mais de 70% das pessoas com idade entre 19 e 39 anos vivem ainda com os pais. O motivo é também, mas não somente, econômico, já que nessa faixa há pessoas com trabalho estável e uma renda que permitiria viver de maneira independente.

As mesmas pesquisas mostram, além disso, que na Itália, mas também em outros países da Europa, há um aumento preocupante de jovens/adultos que pararam numa espécie de “limbo”, sem escolhas e sem perspectivas. Essa situação abarca uma faixa etária sempre maior, ao ponto de ser agora classificada como categoria sociológica, “a geração nem-nem[iii]. Mas, principalmente, tal condição, não é vista como problemática pela maioria das pessoas: “Há 270 mil jovens entre 15 e 19 anos que não estudam e não trabalham (9%): a maior parte porque não encontra trabalho; 50 mil porque fizeram de sua inatividade uma escolha; há ainda 11 mil que não querem saber de trabalhar ou estudar (“não me interessa”, “não preciso”, dizem). A mesma tendência ocorre nos dados relativos aos jovens entre 25 e 35 anos: um milhão e noventa mil não estudam e não trabalham; ou seja, quase um quarto deles (25%). Um milhão e duzentos mil desses gravitam no desemprego (mas entre estes últimos há quem diga que não procura bem porque está “desanimado” ou porque “de qualquer modo, o emprego não existe mesmo”). Setecentos mil são, ao contrário, os “inativos convictos”: não procuram trabalho e não estão dispostos a procurá-lo […]. Uma pesquisa espanhola recente, assinada pela sociedade Metroscopia, revela que 54% dos jovens da idade dos 18 aos 35 anos declara “não haver nenhum projeto sobre o qual desenvolver o próprio interesse ou os próprios sonhos”[iv].

A essa situação de impasse e confusão acompanha uma igualmente grave crise de autoridade e de normatividade que, como se verá, constituem um dever educativo irrenunciável. Tal dever é rejeitado por muitos motivos: porque esses que deveriam fazer valer a norma, os adultos, não possuem a força, têm medo de parecerem impopulares ou, muitas vezes, porque muitos não acreditam mais em ditas normas, vistas somente como uma fonte de conflito e dificuldade.

Mas o aspecto talvez mais triste dessa carência seja que a norma que o adulto deveria estabelecer, vem a faltar porque, às vezes, os mesmos educadores e pais se encontram perdidos em problemas afetivos, relacionais, até mesmo de dependência. E daí a crise profunda do adulto, com o risco de seu desaparecimento: “Se um adulto é alguém que tenta assumir as consequências de seus atos e de suas palavras […], não podemos deixar de constatar um forte declínio da sua presença na nossa sociedade […]. Os adultos parecem estar perdidos no mesmo mar onde se perderam os próprios filhos, sem qualquer distinção de geração”[v].

Uma motivação possível, na origem dessa amálgama indiferenciada, pode ser detectada no prolongamento da meia idade, própria das últimas décadas e agravada devido à crise econômica atual, a qual não encoraja a levar em consideração os custos e os esforços adicionais para comprometer-se numa situação futura incerta. Além disso, a nova cultura tecnológica contribui para confundir os limites entre a realidade e a fantasia, que é a característica típica da criança. Já o havia compreendido com lucidez Johan Huizinga no longínquo 1935: “[O homem moderno] pode viajar de avião, falar com pessoas do outro hemisfério, comprar guloseimas inserindo poucas moedas numa máquina automática […]. Aperta um botão, e a vida cai aos seus pés. Pode tal vida torná-lo emancipado? Ao contrário. A vida para ele tornou-se um brinquedo. É de se espantar que ele se comporte como uma criança?”[vi].

A dificuldade de crescer na sociedade tecnológica

A cultura dita tecnológica se impõe hoje, não só pela difusão de instrumentos sempre mais sofisticados, principalmente pela possibilidade de planificar a existência de uma maneira impensável às gerações precedentes[vii]. E isso, especialmente, em nível de natalidade. Em tal campo, apareceram termos usados sempre mais frequentemente, até surgir o slogan que resume uma concepção de vida: “procriação responsável”, filhos “queridos e desejados”, ou mesmo “programáveis”.

Parece assim ter-se realizado o sonho, desejado por Freud no fim do século XIX, de poder separar a concepção da pulsão erótica: tal separação não favoreceu, todavia, como esperava o fundador da psicanálise, o “triunfo da humanidade”[viii]. Mais precisamente essa levou a um empobrecimento psicológico e afetivo, nunca antes conhecido, uma verdadeira “revolução antropológica”, para retomar o subtítulo de um livro de Marcel Gauchet.

Desde o seu nascimento, o ser humano tem a ânsia de que, no fundo, poderia não ter sido desejada e que deve, de qualquer modo, “merecer” ter vindo ao mundo, correspondendo às fortes expectativas dos seus pais. Como observa Gauchet: “Disso pode derivar a invencível fé na própria sorte, ou, ao contrário, a sensação de irremediável precariedade da própria existência. Em relação àquele desejo que o subtraiu ao destino comum, manterá muitas vezes uma irredutível aflição […]. Um filho é cada vez mais desejado quanto menos é filho da natureza; mais é fruto de um artifício, qualquer que este seja, menos é aquilo que deve ser: o filho de seus pais”[ix].

Outro aspecto paradoxal dessa desenvolvida potencialidade planificadora é que a acurada seleção do nascituro corresponde sempre menos àquela atenção afetiva e educativa indispensáveis para educá-lo, tornando-o um adulto responsável. O filho se encontra, ao contrário, sufocado pela atenção dos pais que, depois de o terem programado por tanto tempo, veem nele a possibilidade de realizarem suas expectativas, muitas vezes até de preencherem seus vazios e suas incompetências.

A criança corre o risco, assim, de ser bem cedo tratada como um mini adulto, sobretudo se está sendo criada por um genitor solteiro: nesse caso, forte será a tendência a depositar no filho esperanças e expectativas que na verdade deveriam estar voltadas ao próprio companheiro, dando origem àqueles perversos díades nas quais o filho ou a filha são chamados a tornarem-se respectivamente “vice-marido” ou “vice-esposa” do próprio genitor, impedindo-se de viver a etapa infantil e a própria filiação, duas condições essenciais para a maturidade psíquica, cognitiva e afetiva[x].

A “síndrome do filho único”, vista em outras ocasiões[xi], parece confirmar essa inconsciente agitação, o desconforto de lidar com a polaridade desejo/rejeição dos pais. Ele se torna assim esmagado pelas expectativas dos pais, da mesma forma que um brinquedo é chamado a compensar as carências dos adultos.

Tudo isso contribui à incapacidade de um filho se tornar adulto; incapaz, sobretudo, de saber o que verdadeiramente quer da própria vida. Uma vez crescido, aquele menino ou aquela menina procurarão de fato aquela infância perdida que jamais tiveram, recusando-se a crescer.

A Síndrome de Peter Pan

A rejeição ao crescimento é um fenômeno em expansão, também desde o ponto de vista geracional, a tal ponto de ocupar a vida inteira do homem. Essa situação de “bloqueio interior”, de impossibilidade de se passar à fase adulta da vida, foi recentemente ratificada como categoria psicológica, chamada de Síndrome de Peter Pan através da obra do psicólogo junguiano Dan Kiley. Ele se inspira no célebre romance de James Barrie Peter and Wendy, publicado em 1911, embora tenha conseguido maior fama o título escolhido para a representação teatral, de 1904 (Peter Pan: o menino que nunca quis crescer).

A escolha do personagem, protagonista do romance, já é por si significativa. Peter era também o nome do irmão de James que morreu aos catorze anos num acidente de patinagem; enquanto Pan, na mitologia grega, era filho de Ermes e da filha de Driope, que o rejeitou, abandonando-o ao seu destino[xii]. Como na mitologia e no romance de Barrie, também na Síndrome de Peter Pan à base da condição instável e errante desse personagem é principalmente a ausência de relações afetivas importantes, em particular com os pais, vistos como frios e distantes, ou incapazes de suscitar respeito[xiii].

Desse modo, quem sofre dessa síndrome busca a própria infância perdida, comportando-se como se o tempo tivesse parado, assumindo por toda a vida a instabilidade psíquica e afetiva própria da adolescência, prisioneiro “no abismo entre o homem que não se quer tornar e o garoto que não se pode continuar a ser”[xiv]. E se essa pessoa, no meio tempo, também se casa, acaba por entrar em concorrência com os próprios filhos, imitando-lhes os comportamentos e os modos de pensar. Como confessava uma jovem desconsolada: “meu pai não faz outra coisa a não ser correr atrás das minhas amigas e depois quer se confidenciar comigo”[xv].

Por sua vez, os filhos, colocados no mesmo nível dos seus pais, tendem a comportarem-se como adultos: desse modo, nenhum dos dois vive as responsabilidades e peculiaridades da própria etapa de vida; como num jogo perverso, esses vêm trocados, invertendo perigosamente o significado da derrota edípica: “Se olhamos atentamente ao conteúdo da TV, podemos encontrar uma documentação bastante precisa não somente do nascimento da ‘criança adulta’, mas também do adulto ‘feito criança’ […] Salvo raras exceções, os adultos na televisão não tomam seriamente o próprio trabalho, não educam seus filhos, não participam na vida política, não praticam nenhuma religião, não representam nenhuma tradição, não têm capacidade de pensar o próprio futuro ou de formular seriamente projetos de vida, não são capazes de fazer longos discursos e não são nunca capazes de evitar comportamentos dignos de uma criança de oito anos”[xvi].

Na atual sociedade “líquida” a fase adulta corre o risco assim de reduzir-se a uma expressão de meros dados sem mais responsabilidades específicas que a caracterizam e, sobretudo, a diferenciam das fases precedentes da vida, conferindo-lhe uma identidade: ser adultos era sinônimo de ser maduros, não certamente como as crianças, mas capazes de assumir responsabilidades. Essas características aparecem sempre mais raramente, ao ponto em que “não é excessivo falar de uma liquidação da idade adulta. Estamos assistindo a uma desagregação daquilo que significava maturidade[xvii].

Tradução ao português:

Pe. Anderson Alves e Joyce Scoralick.


[i] Artigo publicado em La Civiltà Cattolica, II 220-232, caderno 3885 (5 de maio de 2012).

[ii] Istat é o instituto nacional de estatísticas, um ente de pesquisas públicas na Itália (nota do tradutor).

[iii] Assim traduzimos à expressão italiana “generazione né-né”, que quer se referir àquelas pessoas que nem estudam, nem trabalham (Nota do tradutor).

[iv] MANGIAROTTI, A. Generazione “né-né”. Settecentomilla giovani “inattivi convinti” In: Corrieri della Serra, 16 de julho de 2009, p. 25.

[v] RECALCATI, M. Dove sono finiti gli adulti? In: La Repubblica, 19 de fevereiro de 2012, p. 56. O recente filme 17 ragazze (17 moças) (de Delphine e Muriel Coulin) inspirado no fato real de um grupo de adolescentes estadunidenses, unidas por um pacto comum, de ficarem ao mesmo tempo grávidas, apresenta ao mesmo tempo toda a dificuldade do mundo adulto (na escola como na família) a compreender o desconforto dessas jovens, por estarem com os mesmos problemas não resolvidos.

[vi] HUIZINGA, J. La crisi della civiltà. Totino, Einaudi, 1962, p. 115.

[vii] Veja-se as célebres análises de HEIDEGGER, M. “A questão da técnica”, In ID., Saggi e discorsi, Milano, Mursia, 1991, p. 5 -27.

[viii] PREUD, S. “La sessualità nell’etiologia delle neurosi”, in ID., Opere (1892-98), Torino, Boringhieri, 1968, 410.

[ix] Cfr. GAUCHEI, M. Il figlio del desiderio. Una rivoluzione antropologica, Milano, Vita e Pensiero, 2010, 70; cfr. 49. Cfr. os problemas levantados por PAROT, F. – TEITBAUM, E. Des enfants sans toi ni moi, Paris, Flammarion, 2002, e por J. HABERMAS, segundo o qual programar o nascimento comporta a “dificuldade de conceber-se como autônomo”, também desde o ponto de vista da responsabilidade moral (L’avenir de la nature humaine. Vers un éugenisme liberale, Paris, Gallimard, 2002, 82).

[x] O célebre estudo de Miller sobre o alto custo que a nível afetivo paga a criança “constituída dote”, isto é, sensível a acolher a necessidade do progenitor, reprimindo o próprio, se insere nesta perversa dinâmica relacional, na qual os papéis são trocados. Esta afetividade reemerge na idade adulta nos níveis nas quais tinha sido congelada, e, uma vez adulto e progenitor, traz à tona uma série de desejos desatendidos. Frequentemente tal situação está na origem da atração de profissões relacionadas com o escutar e à ajuda, como a psicoterapia. Miller resume a própria experiência dos seus vinte anos em relação a três elementos fundamentais: “1) estava sempre presente uma mãe profundamente insegura no campo emotivo, a qual para o próprio equilíbrio afetivo dependia de um certo comportamento ou modo de ser de criança. Essa insegurança podia facilmente ficar velada à criança e às pessoas do seu ambiente, escondida atrás de uma fachada de du­rezaautoritária ou inclusive totalitária; 2) a essa necessidade da mãe ou dos dois progenitores, correspondia uma surpreendente capacidade da criança de percebê-lo e de dar-lhe resposta intuitivamente; 3) em tal modo a criança se assegurava ‘o amor’ dos pais. Ela percebia que tinham necessidade dela e isso legitimava a sua vida e o seu existir” (MILLER, A. Il dramma dei bambino dotato e la ricerca del vero sé, Torino, Borin­ghieri, 1999, 16 s). Daqui vem a dinâmica instintiva de ajuda aos outros, mesmo na escolha da profissão, mas em forma perturbada, tendendo ao apagamento dos vazios afetivos que não ficaram resolvidos no curso da infância.

[xi] Cfr. CUCA, «Il matrimonio, ultimo simbolo di eternità dell’uomo occidentale», in Civ. Catt. 2011 II 431 433. Cfr. PHILIPS, A. I «no» che aiutatino a crescere, Milano, Feltrinelli, 1999, 47 s.

[xii] Cfr. GRIMAL, P. Mitologia, Milano, Garzanti, 2006, 475.

[xiii] KILEY, D. The Peter Pan Syndrome: Men Who Have Never Grown up, New York, Avon Books, 1984, 26 s.

[xiv] Ivi, 23.

[xv] RECALCATI, M. «Dove sono finiti gli adulti?», cit., 56.

[xvi] POSTMAN, N. La scomparsa dell’infanzia, Roma, Armando, 1984, 156; cfr. OLIVERIO FERRARIS, A. La Síndrome Lolita. Perché i nostri figli crescono troppo in fretta, Rizzoli, 2008.

[xvii] GAUCHET, M. Il figlio del desiderio…, cit., 42; cursiva no texto. Cfr. BOUTINET, J. P. L’immaturité de la vie adulte, Paris, PUF, 1998; ID., Psychologie de la vie adulte, ivi, 2002; ANATRELLA, T. Interminables adolescences. La psychologie des 12/30 ans, Paris, Cerf-Cujas, 1998; LADAME, F. Gli eterni adolescenti, Milano, Salani, 2004.

https://www.presbiteros.org.br/

A primeira sexta-feira do mês é dedicado à devoção ao Sagrado Coração de Jesus

Laudato

A primeira sexta-feira do mês é dedicada à devoção ao Sagrado Coração de Jesus. Através da devoção do Apostolado de oração, reza-se nas intenções mensais de oração do Papa. Fundada em 3 de dezembro de 1844, na França, pelo sacerdote jesuíta Francisco Xavier Gautrelet, a rede é conhecida como “Apostolado da Oração”.

O apostolado de oração é uma rede mundial de oração a serviço dos desafios da humanidade e da missão da Igreja.  Para a coordenação arquidiocesana do Apostolado de oração, “rezar por estas intenções abre-nos os olhos e o coração à dimensão do mundo, fazendo nossas as alegrias e esperanças, as dores e os sofrimentos de todos os nossos irmãos e irmãs.”

Na Arquidiocese de Brasília, a Sede do Apostolado da Oração/MEJ – Arquidiocese de Brasília é na Paróquia Sagrado Coração de Jesus e Nossa Senhora das Mercês – Avenida L2 Sul, Quadra 615, Bloco D | Brasília/DF.

História do Apostolado da Oração

Origem

O Apostolado da Oração teve origem numa casa de estudo da Companhia de Jesus, em França (Vals, perto de Le Puy), na festa de S. Francisco Xavier do ano de 1844. Naquela ocasião, o Padre Espiritual do Colégio – P. Francisco Xavier Gautrelet – fez uma conferência aos estudantes, em que explicou como podiam eficazmente satisfazer o desejo de colaborar com os que trabalhavam nos vários campos de apostolado para a salvação dos homens. Podiam fazê-lo, sem interromper o seu trabalho principal, que era o estudo, oferecendo com fim apostólico as suas orações, os seus sacrifícios e trabalhos.

As ideias propostas pelo P. Gautrelet, que constituem o fundamento do Apostolado da Oração, foram recebidas com entusiasmo pelos estudantes e divulgadas primeiro nas terras vizinhas do colégio e depois em toda a França. Para difundir estas ideias, o próprio P. Gautrelet propôs uma pequena organização com o nome precisamente de «Apostolado da Oração», que teve a aprovação do Bispo de Le Puy e, em 1849, alcançou as primeiras indulgências do Papa Pio IX.

Desenvolvimento

A divulgação propriamente dita do Apostolado da Oração deve-se principalmente ao P. Henrique Ramière, também ele da Companhia de Jesus, que deve considerar-se o verdadeiro fundador, divulgador e organizador do Apostolado da Oração no mundo. O P. Ramière, por meio de numerosos escritos, em que soube harmonicamente unir a simplicidade de expressão e a profundidade de pensamento teológico, propagou o Apostolado da Oração em todas as classes de pessoas e a todos os níveis, e deu à Obra forma definitiva e organização estável.
À morte do P. Ramière (1883), o Apostolado da Oração tinha já 35 mil centros, com mais de 13 milhões de associados nas várias partes do mundo.

O Apostolado da Oração em Portugal

O Apostolado da Oração chegou a Portugal em 1864, trazido pelo italiano P. António Marcocci. Mas o grande impulsionador foi o seu colega P. Luís Prosperi, primeiro Diretor Nacional, o qual se dedicou ardorosamente às missões populares. Uma história com altos e baixos, como é a história dos homens, mas que não tem deixado de produzir abundantes frutos. Assim o confirma a voz autorizada do Papa Pio XII, na mensagem radiofónica dirigida ao 3º Congresso Nacional do A. O., reunido em Braga (19-5-1957): «Os Anais do Apostolado da Oração são uma das mais belas páginas da história da Igreja em Portugal. E nós sabemos como, em tempos relativamente recentes, quando a propaganda autorizada do mal se propunha eliminar em duas gerações os últimos vestígios do Catolicismo, em terras lusitanas, foi o Apostolado da Oração, por testemunho dos sagrados pastores, uma das principais forças da resistência, para manter vivo o espírito cristão e o fazer vigoroso, mal a tempestade acenou a abrandar».

Na Atualidade

Em 2014, o Papa Francisco aprovou o documento de recriação do Apostolado da Oração que levou à mudança de nome deste Serviço Pontifício, para “Rede Mundial de Oração do Papa”, sendo o Apostolado da Oração um dos modos de participação nesta Rede.

No Brasil o primeiro centro foi fundado em 30 de junho de 1867 no Recife -PE na igreja de Santa Cruz, oficiada pelos padres jesuítas que haviam chegado a Pernambuco em 1865.

Com informações apostoladobrasilia.com.br
Arquidiocese de Brasília



Outra Igreja demolida na China, denuncia Cardeal Zen

Cardeal Zen | Guadium Press
A Igreja do Sagrado Coração vai ser derrubada para eliminar seu simbolismo “ostententatório” que vai contra a política de “chinesização” lançada por Xi Jinping .

Redação (04/03/2021, 10:15, Gaudium Press) Na semana passada o arcebispo emérito de Hong Kong, Cardeal Zen, publicou um tweet que trazia duas páginas em chinês de uma publicação na qual podem ser vistas as fotos de uma igreja. No mesmo tweet o Cardeal fazia uma pergunta um tanto enigmática: “Será verdade que o Vaticano não sabia disso?”

Igreja do Sagrado Coração, em Yining, foi destruída: aparecia muito, ia contra a política de ““chinesização” lançada por Xi Jinping

Com sua publicação e pergunta, o que o Cardeal Zen queria fazer referência à demolição da Igreja do Sagrado Coração, em Yining, a mesma Igreja que aparece nas fotos do tweet.

A Igreja do Sagrado Coração foi construída em 2000, com todas as licenças necessárias, mas agora ela vai ser derrubada para eliminar seu simbolismo “ostententatório” que não atende aos requisitos da política de ““chinesização” lançada por Xi Jinping .

Católicos recebem ordens de desocupar: a Igreja precisa ser destruída

Segundo informa a Agência Ásia News, no último dia 19 de fevereiro, os católicos de Yining (Xinjiang) tiveram que desocupar a Igreja do Sagrado Coração, por ordem das autoridades locais, para que fosse destruída.

Yining, está localizado no distrito de Yili, e fica a 700 km de Urumchi, capital de Xinjiang.
Os católicos locais –aproximadamente dois mil– é composta principalmente por ex-exilados da época do Império Qing e de imigrantes e confinados em campos de trabalhos forçados da região.

Os católicos de Yining suspeitam que no local da Igreja será construído um shoppin center

As autoridades não divulgaram o motivo da demolição. Porém, a maioria dos católicos suspeita que a igreja está sendo destruída para que em seu lugar seja construído um shopping center.

A Igreja –que tem todas as licenças necessárias da Administração de Assuntos Religiosos para ser construída– fica situada junto ao aeroporto, numa estrada que cada vez tem mais importância nos projetos do governo.

Acontece que o local da Igreja foi escolhido em 1993 pela prefeitura da cidade exatamente porque ficava distante do centro habitado e o governo não queria que ela ficasse “muito visível”.

Discriminação e perseguição religiosa teve início já em 2018

Já em 2018 iniciou-se a discriminação: em nome da “sinicização”, o Gabinete dos Assuntos Religiosos mandou destruir quatro baixos-relevos que ficavam na fachada da Igreja e além disso, destruíram as duas imagens de São Pedro e São Paulo que ficavam nas laterais do templo e retiram a cruz que adornava o alto da Igreja.

Mas, o governo não parou por aqui com sua destruição. Por serem “muito ostentatórias” e aparecerem demais, já nessa investida de 2018, foram demolidas as duas cúpulas e destruídos os dois campanários. (JSG)

(Da Redação Gaudium Press e informações InfoVaticana e Ásia News – Foto ACI)

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5 coisas que você deve saber sobre os cristãos do Iraque

Zaid AL-OBEIDI | AFP
por I. Media para Aleteia

Os cristãos estão presentes no país desde o século I, mas hoje representam apenas 2% da população.

Em sua 33.ª viagem apostólica fora da Itália, o Papa Francisco visitará os cristãos do Iraque, que vem sofrendo com sucessivas guerras.

Conheça as características dessa comunidade, que representa menos de 2% da população do país.

1. Os cristãos estavam presentes no Iraque antes dos muçulmanos

Devemos nos lembrar das raízes bíblicas desta terra. Abraão – o pai dos crentes monoteístas – era originalmente de Ur, na Caldeia. Então, a evangelização da Mesopotâmia, a atual terra do Iraque, remonta ao século I. Uma das comunidades cristãs mais importantes – a Igreja Caldeia – foi fundada por São Tomás. Por volta do ano 90, essa comunidade católica, também conhecida como Igreja do Oriente, foi crescendo gradualmente até atingir seu auge no século VI, quando enviou missionários à Índia e à China. Embora a presença de algumas pequenas igrejas cristãs se deva a algumas migrações mais recentes, a grande maioria dos fiéis iraquianos descendem diretamente de pessoas que viveram na Mesopotâmia antes da era cristã.

2. Há um mosaico de cristãos no Iraque

A Igreja Caldeia, a maior, é liderada hoje pelo cardeal  Louis Raphael Sako. Ela voltou ao seio de Roma em 1553, quando o monge John Simon Soulaka foi reconhecido como Patriarca dos Caldeus. A atual Igreja Assíria do Oriente é composta por cristãos que não se alinharam com Roma. Há também uma Igreja Siríaca, hoje conhecida como Igreja Ortodoxa Siríaca (Igreja Jacobita), que se separou de Roma e Constantinopla muito cedo por causa de sua filiação ao nestorianismo. Com Inácio André Akhidjan, eleito patriarca em 1662, uma parte desta Igreja tornou-se fiel a Roma e assumiu o nome de Igreja Católica Síria. Além disso, notamos a presença de uma comunidade armênia dividida entre ortodoxos e católicos, uma pequena Igreja latina do Iraque, alguns fiéis coptas e protestantes e, finalmente, cristãos pertencentes às igrejas ortodoxa grega e melquita.

3. O número de cristãos é dez vezes menor do que há vinte anos

A violência, a discriminação e a situação econômica, por exemplo, levaram centenas de milhares de iraquianos a deixar seu país. Embora houvesse quase um milhão e meio de cristãos em 2.000, hoje existem menos de 300.000. Alguns até afirmam que restam apenas 150.000. No entanto, existem alguns motivos para esperança. Embora a planície de Nínive tenha sido completamente esvaziada de seus cristãos de 2014 a 2017, muitos refugiados começaram a retornar ao local – 40% de acordo com algumas estimativas. Qaraqosh, uma cidade que tinha 50.000 cristãos antes do Estado Islâmico, recuperou mais da metade de seus habitantes hoje. No entanto, embora algumas famílias de refugiados do exterior tenham retornado à planície de Nínive, é improvável que o movimento se espalhe.

4. Os católicos têm uma influência cultural significativa no país

O Iraque ainda tem 250.000 fiéis católicos unidos a Roma e um pouco mais de 150.000 fiéis não católicos. A proporção de católicos por 100 habitantes é, portanto, de 1,5, disse a Santa Sé em um comunicado publicado em 2 de março de 2021. As Igrejas Católicas do Iraque têm apenas 19 bispos, 113 padres diocesanos, 40 padres religiosos e 20 diáconos. Por último, 32 seminaristas aguardam a ordenação. Embora o número de católicos seja relativamente pequeno, muitas instituições dependem da Igreja Católica, que administra nada menos que 55 escolas primárias e creches, quatro escolas secundárias e nove universidades.

5. Os cristãos têm sofrido por duas décadas

Os apelos por reconciliação e comunhão por parte dos atuais líderes das igrejas no Iraque são edificantes quando se sabe o sofrimento que eles tiveram que suportar, especialmente nas últimas duas décadas. Após a queda de Saddam Hussein em 2003, uma grande onda de insegurança abalou o país. Em 2006, 36 igrejas foram alvos de ataques, de acordo com um levantamento recente. Dois anos depois, o arcebispo caldeu de Mosul foi assassinado. Em 2010, um ataque na Catedral Católica Siríaca em Bagdá matou 58 pessoas. Em 2014, a organização Estado Islâmico invadiu a planície de Nínive, onde viviam cerca de 150.000 cristãos. Todos eles fugiram para o Curdistão iraquiano.

Aleteia

Mais de 200 igrejas atacadas pelo ISIS, esta é a situação que o Papa encontrará no Iraque

Iglesia de Al Tahira. Crédito: Ayuda à Igreja que Sofre (ACN)

SANTIAGO, 05 mar. 21 / 03:02 am (ACI).- O Papa Francisco inicia sua histórica visita ao Iraque, um país do Oriente Médio onde a minoria cristã sofreu nos últimos anos ataques de grupos fundamentalistas como o Estado Islâmico, que, entre outras coisas, destruiu mais de 30 igrejas.

A programação da viagem inclui reuniões do Papa com autoridades civis e bispos, momentos de oração e homenagem às vítimas de perseguição e assassinatos pelas mãos do Estado Islâmico (ISIS) e ainda um encontro inter-religioso.

Em um relatório recente preparado por ocasião da visita do Papa, a fundação Ajuda à Igreja que Sofre (ACN) observou que os cristãos no Iraque são menos de 5% da população total do país, que segundo a Pontifícia Fundação até 2020 eram cerca de 40 milhões de pessoas. Da minoria cristã, os católicos caldeus são o maior segmento.

O Caldeu é um dos ritos católicos que estão presentes no país, juntamente com a comunidade siríaca, armênia, melquita e latina.

O escritório da ACN no Chile disse a ACI Prensa, a agência em espanhol do grupo ACI, na quarta-feira que durante os ataques do ISIS cerca de 34 igrejas foram completamente destruídas no país, e 197 foram parcialmente destruídas ou sofreram ataques.

Esses danos estão incluídos nos 363 imóveis da Igreja, como salões, jardins, salas para catequese, que foram danificados durante esse período de violência.

A diretora da ACN Chile, Magdalena Lira Valdés, observou que uma das igrejas mais emblemáticas que foi destruída é a de Al-Tahira em Qaraqosh, que é dedicada à Imaculada Conceição.

Lira indicou que a igreja construída em 1932 reúne "a maior comunidade de sírios católicos em todo o Oriente Médio" e durante a ocupação do Isis, foi usada "como um campo de batalha por parte dos jiadistas".

O supervisor das obras de restauração de Al-Tahira, padre Ammar Yako, indicou que a igreja "foi severamente danificada e queimada, e objetos de valor e móveis foram saqueados. A torre do relógio da igreja foi dinamitada e inúmeras pinturas e objetos religiosos foram severamente danificados."

Hoje, com o apoio de várias instituições como a ACN, a igreja foi restaurada e será um dos lugares que o Papa Francisco visitará em sua viagem apostólica.

Outro templo danificado durante este tempo de perseguição foi a Igreja de São Jorge, na vila de Teleskuf, e que se tornou em 2017 o primeiro templo católico na planície de Nínive reconstruído após a expulsão do Estado Islâmico.

Mosteiros e conventos também foram alvo dos ataques, como o convento de Nossa Senhora do Rosário em Teleskuf e o Mosteiro dos Mártires Mar Behnam e Marth Sarah em Qaraqosh.

"Em 2016, cerca de seis mil pessoas tiveram que deixar a Teleskuf. Quando voltei para esta área, todas as casas foram abandonadas e muitas delas destruídas. Em Teleskuf muitos edifícios só restam os escombros. A escola e a casa das crianças foram destruídas, as portas do convento foram forçadas e a casa das freiras foi saqueada", reportou à ACN a Ir. Ilham, que vive no convento das freiras Dominicanas de Santa Catarina de Sena.

De acordo com dados da ACN, existem atualmente 118 paróquias no Iraque, a maioria pertencentes ao rito Caldeu.

O diretor da ACN Chile disse ao grupo ACI que a comunidade cristã no Iraque foi "significativa e dramaticamente" reduzida de 1,5 milhão em 2003 para aproximadamente 205.000 pessoas hoje. O êxodo dos fiéis do Iraque é um dos maiores desafios da Igreja no país.

"É uma minoria que tem sofrido muito, é uma minoria que sofreu muitos sustos também após a perseguição do Estado Islâmico. E é uma minoria que perdeu praticamente tudo durante o ataque do ISIS", acrescentou.

Lira disse que mais de 50% dos cristãos iraquianos "tiveram que escapar quando foram atacados pelo Estado Islâmico e ficaram sem absolutamente nada, viviam em campos de refugiados".

Ele acrescentou que há um grupo de pessoas que foram capazes de retornar ao Iraque para a ajuda que receberam para a reconstrução, mas ainda há um temor sobre questões de segurança, por isso, para esta minoria cristã, a visita do Santo Padre "é um sinal de esperança".

É "um sinal de não se sentir sozinho, de sentir que eles não estão abandonados, que a Igreja universal na figura do Pontífice no fundo está lá acompanhando-os, acolhendo-os, ouvindo-os e confortando-os", acrescentou.

Lira observou que esta visita é uma forma de "gerar pontes de entendimento, atendendo pontes que são super importantes para que possam ficar e se sentir confiantes sobre sua escolha de permanecer no Iraque".

"Esta visita é como uma luz que irradiará por todo o Oriente Médio, para as comunidades cristãs daquela região, o berço do cristianismo", concluiu.

Artigo orginalmente publicado em ACI Prensa, traduzido e adaptado por Rafael Tavares.

ACI Digital

Como mensageiro da Paz, Papa parte com destino ao Iraque

Papa Francisco viaja para o Iraque | Vatican News

"E vou até vocês como peregrino de paz, para repetir: "Sois todos irmãos" (Mt 23,8). Sim, vou como peregrino da paz em busca de fraternidade, animado pelo desejo de rezar juntos e caminhar juntos, também com irmãos e irmãs de outras tradições religiosas, unidos pelo pai Abraão, que reúne em uma só família muçulmanos, judeus e cristãos”, disse o Papa Francisco aos iraquianos um dia antes de sua viagem.

Vatican News

"Irmãos e irmãs de todas as tradições religiosas. Desta terra, há milênios, Abraão começou a sua viagem. Hoje cabe a nós continuá-la, com o mesmo espírito, caminhando juntos pelos caminhos da paz! 

“Sois todos irmãos” é o lema da 33ª Viagem Apostólica do Papa Francisco, que o leva desta vez como mensageiro de paz ao Iraque. Antes de deixar a Casa Santa Marta, pouco antes das 7 horas, o Santo Padre teve um encontro com 12 refugiados iraquianos, atendidos pela Comunidade de Santo Egídio e pela Cooperativa Auxilium. Presente no encontro o Esmoler Pontifício, cardeal Konrad Krajewski.

Após, o Papa dirigiu-se ao Aeroporto de Fiumicino, em Roma, onde o aguardava para as despedidas Dom Gino Reali, bispo da Diocese de Porto-Santa Rufina, sob cuja jurisdição está o Aeroporto Internacional. Depois de subir as escadas do avião com máscara protetora, e carregando sua valise preta com livros e objetos pessoais, Francisco saudou parte da tripulação e acenou para os presentes no Aeroporto.

O avião decolou às 7h45. A bordo do voo, acompanha a viagem uma imagem de Nossa Senhora de Loreto. O séquito papal é formado, entre outros, pelo cardeal secretário de Estado Pietro Parolin, pelo prefeito da Congregação para as Igrejas Orientais, cardeal Leonardo Sandri e pelo grão-mestre da Ordem Equestre do Santo Sepulcro, ex-núncio no Iraque e especialista em assuntos de Oriente Médio, cardeal Fernando Filoni.

Os 74 jornalistas que acompanham o Pontífice no avião da Alitália serão saudados brevemente durante viagem de ida e, na volta, como de costume, dirigirão perguntas ao Pontífice, na já habitual entrevista ao término de cada Viagem Apostólica.

O voo AZ 4000 do A330 da Alitália deverá aterrissar no Aeroporto Internacional de Bagdá ao meio-dia, hora local (+2 horas em relação à Itália), após percorrer 2.947 km em 4h30 e sobrevoar Grécia, Chipre, Israel, Jordânia, além de, naturalmente, Itália e Iraque. O Papa será recebido pelo primeiro-ministro, com quem manterá um breve encontro e a quem presenteará um Trítico, uma medalha de prata e uma edição especial da "Fratelli tutti". 

O telegrama ao Presidente Mattarella

No momento de deixar o território italiano, o Santo Padre enviou o habitual telegrama ao Presidente da República Sergio Mattarella com o desejo de prosperidade e serenidade estendido a toda a população. Em resposta o agradecimento do Chefe de Estado e a ênfase de que a presença do Papa no Iraque "representa para as martirizadas comunidades cristãs daquele país e de toda a região, um testemunho concreto de proximidade e de paterna solicitude". Mattarella também destacou que a visita iraquiana é "um sinal de continuidade após a Viagem Apostólica aos Emirados Árabes Unidos" e "mais um passo no caminho traçado pela declaração sobre a fraternidade humana".

A imagem de Nossa Senhora de Loreto a bordo do voo papal
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Bagdá, primeira etapa da visita

A capital da República do Iraque, foi fundada em 762 pelo califa abásside al-Mansur, no local onde o curso do rio Tigre se aproxima ao Eufrates, em uma das áreas culturais mais antigas da humanidade, a Mesopotâmia.

A posição favorável para o comércio e a administração do território permitiu que a cidade crescesse e prosperasse até se tornar um dos centros culturais mais importante do mundo. Do esplendor alcançado pelos abássidas, ainda temos ecos nas histórias de "As Mil e Uma Noites", em grande parte ambientadas na cidade, que pelos maravilhosos palácios e jardins era conhecida como a "cidade da paz".

Foi ali que ele nasceu, como biblioteca privada do califa abássida Harun al Rashid (Harune Arraxide), a Bayt al-Haikma, a "Casa da Sabedoria", ampliada mais tarde por seu filho e sucessor al Ma'mun, um dos lugares de estudo mais conhecidos da história. Partindo de uma biblioteca privada, este lugar expandiu-se cada vez mais, tornando-se público e dando a oportunidade aos estudiosos de consultar mais de meio milhão de livros.  

A Bayt al Hikmah representou no mundo o mais importante centro de conhecimento por vários séculos. No entanto, não sobreviveu às devastações sofridas pela capital abássida: incêndios, guerras civis e, por fim, a invasão devastadora dos mongóis liderados pelo sobrinho de Genghis Khan, Hülegü. Com o fim do Califado, no século XIII, teve início a decadência de Bagdá.

Saqueada pelos mongóis em 1258, destruída por Timer em 1400, passou a fazer parte do Império Otomano em 1638, até o século XX, sendo ocupada posteriormente pelos britânicos, durante a Primeira Guerra Mundial.

Em 1932, com a independência, voltou a ser um importante centro cultural no mundo árabe, e na década de 1970, graças ao petróleo, conheceu um período de prosperidade, que terminou definitivamente após o conflito com o Irã, as Guerras do Golfo, a queda do ditador Saddam Hussein e ocupação militar em 2003.

Bagdá, cujo nome parece derivar do antigo persa "Bagh" e "Dad", ou "presente de Deus", pela forma perfeitamente circular do seu núcleo original, sempre foi definida como "Cidade Redonda". Ali, dentro de três círculos de muros concêntricos, Al-Mansur construiu seu palácio, o opulento Golden Gate Palace, com uma cúpula verde mais de 40 m de altura, e a adjacente Grande Mesquita.

Na cidade atual, abundam os monumentos construídos por ordem de Saddam Hussein, para celebrar sua figura e suas vitórias. Entre os principais, o Arco de Mãos da Vitória, o Monumento ao Soldado Desconhecido, e o monumento Al-Shaheed, que comemoram a Guerra Irã-Iraque.

Hussein também mandou construir algumas mesquitas, entre as quais a mesquita Umm al-Mahare, ou "Mãe de todas as batalhas", na periferia, cujos minaretes têm a forma de fuzis Kalashkinov e mísseis Scud; a mesquita kazimayn, localizada a noroeste de Bagdá, típico exemplo de arte islâmica, onde são conservados os túmulos dos Imames venerados por muçulmanos xiitas. E no bairro de Bab al-Sheik, a mesquita al-Qadiriya, que já foi uma escola Alcorão.

Marcos de referência da capital, separados pelo rio Tigre, são o Santuário Khadhimiya e a Mesquita Abu Hanifa, em Adhamiya, uma das mais importantes mesquitas sunitas na capital; o Palácio de Saddam Hussein, construído por sua vontade em 1988 em uma colina no alto da cidade; o Museu Nacional iraquiano - fundado em 1926 pela arqueóloga e viajante britânica Gertrude Bell, conhecida como a "Rainha de Bagdá" - o qual, em 2003, após a invasão estadunidense, foi saqueado de suas preciosas antiguidades, que datam de mais de 5.000 anos; o zoológico construído em 1971, que em 2003 foi completamente devastado, mas agora acessível novamente; os bairros característicos de Karrada e Al Mansour; e o mercado histórico de Shorja, o maior souk ao ar livre da cidade, que remonta à era abássida.

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S. JOÃO JOSÉ DA CRUZ, PRESBÍTERO FRANCISCANO

Mensagens com Amor

Este sacerdote minuto da Ordem dos Frades Menores, que cresceu nas pegadas de São Pedro de Alcântara, teve, entre outros, o mérito de restaurar a disciplina religiosa em muitos conventos da região napolitana. Natural da Ilha de Ischia, para onde voltou apenas duas vezes, hoje é seu Padroeiro, junto com Santa Restituta.
João José da Cruz foi canonizado por Gregório XVI, em 1839, junto com Francisco de Jerônimo e Afonso Maria de Liguori, que o conheceram durante a sua vida e lhe pediram conselhos.

Uma flor de bondade

Nascer em uma família rica, muitas vezes, é uma vantagem, mas é ainda mais nascer em uma família religiosa, onde a fé não é algo abstrato, mas uma companheira de vida, presente na vida de cada dia mediante a oração, o jejum e a devoção.
A família Calosirto enviou Carlos Caetano para estudar junto aos agostinianos de Ischia, para que sua formação religiosa fosse mais completa. E tinham razão. Ali, o pequeno se apaixonou por Jesus e ali também Jesus o fez ouvir a sua voz, que o chamava para dedicar toda a sua vida a Ele.

Humilde e grande filho de São Francisco

Com apenas 16 anos de idade, o jovem entrou para o convento de Santa Luzia no Monte, em Nápoles, onde mudou seu nome para João José da Cruz no dia da sua profissão religiosa: 24 de junho de 1671. Ali, viveu entre os Frades Menores Descalços da Reforma de São Pedro de Alcântara, conhecidos como Alcantarinos, dos quais o atraiu a regra, que os tornava ainda mais austeros, tanto que decidiu jamais usar sandálias.
João José foi escolhido para fundar um novo mosteiro em Piedimonte. Ali, construiu também um pequeno eremitério, que ainda hoje é meta de peregrinações, chamado "A Solidão".
Durante a sua vida, teve que assistir a divisão entre os Alcantarinos da Espanha e os da Itália. Destes últimos, tornou-se Provincial e, como tal, trabalhou por vinte anos até conseguir reunir novamente a família, apesar de ter sido alvo de tantas críticas injustas e até calúnias, às quais respondeu fazendo o voto de silêncio. A sua consolação era repetir: "Tudo o que Deus permite, permite para o nosso bem"!

"Frade dos cem remendos"

João José sente-se, antes de tudo, sacerdote, um sacerdote em missão. Ele, que sabia imitar a Irmã Pobreza com perfeição, ia à busca dos pobres, não apenas nas esquinas das ruas, mas também nas favelas e casebres. Durante toda a sua vida teve apenas um saio, que, com o tempo, ficou todo remendado, mas sempre o adornava, comparando-o aos galões dos cavaleiros. Por isso, recebeu o apelido de "frade dos cem remendos".
A este frade foram atribuídos também fenômenos, que denotam o sopro particular da graça que o inspira: bilocações, profecias, perscrutar corações, levitações, curas milagrosas e até uma ressurreição.

Predileção por Nossa Senhora

Desde criança, o jovem Calosirto aprendeu, em casa, a ter uma grande devoção a Maria em casa, que, ao longo da sua vida, aumentou sempre mais, junto com sua vocação e santidade. Ele sempre invocava Nossa Senhora, à busca de conselhos e conforto nas situações mais difíceis. E ela, como mãe carinhosa e fiel, o cobria de carinho e, às vezes, até lhe permitia fazer prodígios. Como Superior dos Alcantarinos, sempre manteve uma pequena imagem de Maria em sua escrivaninha, a qual contemplava por longo tempo e à qual se dirigia, em oração, antes de qualquer decisão ou pronunciamento. "Ele não sabia viver sem ela", dizem seus biógrafos e muitos testemunhos dos frades, aos quais recomendava prestar homenagem a ela, pois dela "receberiam consolação, ajuda e luz para resolver os problemas". O frade confidenciou suas últimas palavras sobre Maria, no leito de morte - 5 de março de 1734 - ao Irmãozinho que o assistia: "Recomendo-lhe Nossa Senhora": este pode ser considerado seu testamento espiritual.

O Santo é invocado, com esta oração, para obter forças nas provações:

São João José da Cruz obtém-nos a sua alegria e serenidade nas doenças, como também nas provações, embora saibamos que o sofrimento é um grande dom de Deus, que deve ser oferecido com pureza ao Pai, sem ser perturbado pelas nossas reclamações. Seguindo o seu exemplo, queremos suportar tudo com paciência, sem fazer pesar nossas dores sobre os outros. Pedimos ao Senhor a força e a ele agradeçamos, não apenas quando nos proporciona alegria, mas também quando nos permite doenças e as diversas provações.

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quinta-feira, 4 de março de 2021

Quais são as raízes do pecado?

Editora Cléofas
POR PROF. FELIPE AQUINO

É fácil dizer se tal ou qual ação é pecaminosa. Não o é tanto dizer se tal ou qual pessoa pecou. Se alguém se esquece, por exemplo, de que hoje é festa de preceito e não vai à missa, o seu pecado é apenas externo. Interiormente, não teve intenção de comportar-se mal. Neste caso, dizemos que cometeu um pecado material, mas não um pecado formal. Existe aí uma obra má, mas não má intenção. Seria supérfluo e inútil mencioná-lo na confissão.

Mas também é verdade o contrário. Uma pessoa pode cometer interiormente um pecado sem realizar um ato pecaminoso. Usando o mesmo exemplo, se alguém pensa que hoje é dia de preceito e voluntariamente decide não ir à missa sem razão suficiente, é culpado do pecado da omissão dessa missa, mesmo que esteja enganado e não seja dia de preceito. Ou, para dar outro exemplo, se um homem rouba uma grande quantia de dinheiro e depois percebe que roubou o seu próprio dinheiro, interiormente cometeu um pecado de roubo, ainda que realmente não tenha roubado. Em ambos os casos dizemos que não houve pecado material, mas formal. E, naturalmente, esses dois pecados têm que ser confessados.

Vemos, pois, que é a intenção na mente e na vontade de uma pessoa o que determina em última análise a malícia de um pecado. Há pecado quando a intenção quer alguma coisa contra o que Deus quer.

Com efeito, é a intenção o que determina a malícia; mas o novo Catecismo precisa: “É errado […] julgar a moralidade dos atos humanos considerando apenas a intenção que os inspira […]. Existem atos que, por si mesmo e em si mesmos, independentemente das circunstâncias e intenções, são sempre gravemente ilícitos em virtude do seu objetivo: por exemplo, a blasfêmia e o perjúrio, o homicídio e o adultério. Não é permitido praticar um mal para que dele resulte um bem” (n. 1756).

Por esta razão, sou culpado de pecado no momento em que decido cometê-lo, mesmo que não tenha oportunidade de praticá-lo ou mesmo que depois mude de opinião. Se decido mentir sobre um assunto quando me perguntarem, e a ninguém ocorre fazer a pergunta, continuo a ser culpado de uma mentira por causa da minha má intenção. Se decido roubar umas ferramentas da oficina em que trabalho, mas me despedem antes de poder fazê-lo, interiormente já cometi o roubo, ainda que não tenha tido ocasião de praticá-lo, e sou culpado disso. Estes pecados seriam reais, e, se a matéria fosse grave, teria que confessá-los.

Mesmo uma mudança de decisão não pode apagar o pecado. Se um homem decide hoje que amanhã irá fornicar e amanhã muda de ideia, continuará a ter sobre a sua consciência o pecado de ontem, a boa decisão de hoje não pode apagar o mau propósito de ontem.

É evidente que aqui falamos de uma pessoa cuja vontade tenha tomado essa decisão. Não nos referimos à pessoa em grave tentação, que luta consigo mesma, talvez durante horas ou até dias. Se essa pessoa alcança, por fim, a vitória sobre si mesma e diz um “não” decidido à tentação, não cometeu pecado. Antes pelo contrário, mostrou grande virtude e adquiriu grande mérito diante de Deus. Não há motiva para sentir-se culpada, ainda que a tentação tenha sido violenta ou persistente. Não. A pessoa de quem falávamos antes é a que resolve cometer um pecado, mas é impedida de fazê-lo por falta de ocasião ou por ter mudado de ideia.

Isto não quer dizer que o ato exterior não tenha importância. Seria um grande erro inferir que, já que alguém tomou a decisão de cometer um pecado, tanto faz leva-la à prática ou não. Muito pelo contrário, realizar a má intenção e praticar o ato aumenta a gravidade desse pecado, intensifica a sua malícia. E isto é especialmente assim quando esse pecado externo prejudica um terceiro, como no roubo; ou causa o pecado de outrem, como nas relações sexuais ilícitas.

E já que estamos falando de “intenção”, vale a pena mencionar que não podemos tornar boa ou indiferente uma ação má com uma boa intenção. Se roubo de um rico para dar a um pobre, isso continua a ser um roubo e é pecado. Se digo uma mentira para tirar um amigo de apuros, isso continua a ser uma mentira, e eu peco. Se uns ais usam anticoncepcionais para que os filhos que já têm disponham de mais meios, esse ato continua a ser pecaminoso. Em resumo, um fim bom nunca justifica meios maus. Não podemos forçar e retorcer a vontade de Deus para fazê-la coincidir com a nossa.

“Uma intenção boa (por exemplo, ajudar o próximo) não torna bom em justo um comportamento desordenado em si mesmo (como a mentira e a maledicência). O fim não justifica os meios. Assim, não se pode justificar a condenação de um inocente como meio legítimo de salvar o povo. Por sua vez, acrescentada uma intenção má (Como, por exemplo, a vanglória), o ato em si bom (como a esmola) pode tornar-se mau” (n. 1753).

Da mesma maneira que o pecado consiste em opormos a nossa vontade à de Deus, a virtude não é senão o esforço sincero por identificarmos a nossa vontade com a de Deus. Não é difícil consegui-lo a não ser que confiemos somente nas nossas próprias forças, em vez de confiarmos na graça de Deus. Assim o diz um velho axioma teológico: “Deus não nega a sua graça a quem faz o que pode”.

Se fazermos “o que podemos” – rezamos cada dia regularmente; confessando-nos e comungando com frequência; considerando uma e outra vez que o próprio Deus habita na nossa alma em graça (que alegria saber que, seja qual for o momento em que Ele nos chame, estaremos preparados para contemplá-lo por toda a eternidade!, mesmo que tenhamos de passar previamente pelo purgatório); ocupando-nos num trabalho útil e em diversões sadias, evitando as pessoas e lugares que possam pôr à prova a nossa humana debilidade -, então não há dúvida da nossa vitória.

É também muito útil conhecermos as nossas fraquezas. Você se conhece bem? Ou, para dizê-lo uma forma negativa, sabe qual é o seu principal defeito?

Pode ser que você tenha muitos defeitos; a maioria de nós os tem. Mas fique certo de que há um que se destaca mais que os outros e que é o seu maior obstáculo para o crescimento espiritual. Os autores espirituais descrevem esse defeito como defeito dominante.

Antes de mais nada, convém esclarecer a diferença entre um defeito e um pecado. Um defeito é o que poderíamos chamar “o ponto fraco” que nos faz facilmente cometer certos pecados e tornar mias difícil praticar certas virtudes. Um defeito é (até que o eliminemos) uma fraqueza do nosso caráter, mais ou menos permanente, ao passo que o pecado é algo eventual, um fato isolado que deriva do nosso defeito. Se comprarmos o pecado a uma planta nociva, o defeito será a raiz que o sustenta.

Todos sabemos que, quando se cultiva um jardim, dá pouco resultado aparar as plantas daninhas rente ao chão. Se não se arrancam as raízes, crescerão outra vez. O mesmo ocorre na nossa vida com certos pecados: continuarão a aparecer continuamente se não arrancarmos as suas raízes, esse defeito do qual nascem.

Os teólogos estabelecem uma lista de sete defeitos ou fraquezas principais, que estão na base de quase todos os pecados atuais. Chamam-se ordinariamente, os sete vícios ou pecados capitais. A palavra “capital” neste contexto significa que esses defeitos são os mais relevantes ou os mais frequentes, não necessariamente os maiores ou os piores.

“Os vícios podem ser classificados segundo as virtudes a que se opõem, ou ainda ligados aos pecados capitais que a experiência cristã distinguiu seguindo S. João Cassiano e S. Gregório Magno. São chamados <<capitais>> porque geram outros pecados, outros vícios” (n. 1866).

Bem, e quais são esses sete vícios dominantes da natureza humana? O primeiro é a soberba, que poderíamos definir como a procura desordenada da nossa própria honra e excelência, ou como um amor-próprio desordenado que leva a preferir-nos sempre a Deus e aos outros, ou ainda, a largos traços, como aquilo a que hoje chamamos egoísmo. Seria muito longa a lista de todos os pecados que nascem da soberba: a ambição excessiva, a jactância em relação às nossas forças espirituais, a vaidade, o orgulho, eis aí uns poucos. Ou, para usar expressões contemporâneas, a soberba é a causa dessa atitude cheia de amor-próprio que nos leva a “manter o status, para que os vizinhos não falem mal de nós”, à ostentação, à ambição de escalar postos e brilhar socialmente, de estar na “crista da onda”, e outras coisas do mesmo jaez.

O segundo pecado capital é a avareza ou o desejo imoderado de bens temporais. Daqui nascem não só os pecados de roubo e fraude, como também os menos reconhecidos de injustiça entre patrões e empregados, práticas abusivas nos negócios, mesquinhez e indiferença ante as necessidades dos pobres, e isso para mencionar só uns poucos exemplos.

O seguinte na lista é a luxúria ou impureza. É fácil perceber que os pecados evidentes contra a castidade têm a sua origem na luxúria; mas esta também produz outros: há muitos atos desonestos, falsidade e injustiças que se podem atribuir à luxúria; a perda da fé e o desespero da misericórdia divina são frutos frequentes da luxúria.

Depois vem a ira, que é um estado emocional desordenado que nos incita a desforrar-nos dos outros, a opor-nos insensatamente a pessoas ou coisas. Os homicídios, as desavenças e as injúrias são consequências evidentes da ira, como também o ódio, a murmuração e o dano à propriedade alheia.

A gula é outro pecado capital. É a atração desordenada pela comida ou bebida. Parece o mais ignóbil dos vícios; no glutão, há algo de animal. Prejudica a saúde, produz o linguajar soez e blasfemo, injustiças contra a própria família e outras pessoas, e uma legião de males demasiados evidente para necessitarem de enumerações.

A inveja é também um vício dominante. É necessário sermos muito humildes e sinceros conosco próprios para admitir que a temos. A inveja consiste em desejar o nível de vida dos outros: esse é um sentimento perfeitamente natural, a não ser que nos leve a extremos de cobiça. Não, a inveja é antes a tristeza causada pelo fato de haver quem esteja numa situação melhor que a nossa, é o sofrimento pela melhor sorte dos outros. Desejamos ter aquilo que um outro tem, e desejamos que ele não o tenha; pelo menos, desejaríamos que não o tivesse, se nós não podemos tê-lo também. A inveja leva-nos ao estado mental do clássico “cachorro do hortelão”, que nem aproveita o que tem nem deixa que os outros o aproveitem, e produz o ódio, a calúnia, a difamação, o ressentimento e outros males semelhantes.

Finalmente, temos a preguiça ou acedia, que não é o simples desagrado perante o trabalho; á muita gente que não acha agradável o seu trabalho. A preguiça consiste, antes de tudo, em fugir do trabalho pelo esforço que implica. É o desgosto – e a recusa – causado pela necessidade de cumprirmos os nossos deveres, especialmente se nos conformamos com a mediocridade espiritual, é quase certo que a sua causa é a preguiça. Omitir a assistência à missa aos domingos e dias de preceito, desleixar-se na oração, fugir das obrigações familiares e profissionais, tudo isso são consequências da preguiça.

Estes são, pois, os sete pecados capitais: soberba, avareza, luxúria, ira, gula, inveja e preguiça. Nos, que temos sem dúvida o louvável costume de examinar a nossa consciência antes de nos deitarmos e – evidentemente – antes de nos confessarmos, lucraríamos muito se de hoje em diante nos perguntássemos não só “que pecados cometi e quantas vezes”, mas também “por quê”, isto é, qual foi a raiz – o pecado capital – que esteve na origem de cada uma dessas nossas faltas.

Retirado do livro: “A Fé Explicada”. Leo J. Trese.

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF