Paulo
Teixeira - publicado em 05/02/26
Silêncio positivo e silêncio negativo.
Há um silêncio negativo que é aquele da pessoa raivosa,
descontente com tudo, que quando abre a boca e parece uma bomba atômica.
Ninguém dá ouvido e esta pessoa se fecha em si mesma, não
fala com ninguém. Os seus gestos, seu olhar, o seu caminhar ou fechar a porta
dizem sobre toda a raiva que traz dentro dela.
Este silêncio é terrível, e quando estas pessoas se isolam,
não sabemos o que virá quando voltarem do silêncio... prepara o guarda-chuva
que vem trovoadas. Devemos fugir deste isolamento de medo, de agressividade. É
como o cachorro, quando tem medo se esconde no canil, na espera do contra
ataque.
Contudo existe também um silêncio positivo que é o silêncio
do amor, da compreensão e da atenção ao outro. Perto dos hospitais tem um sinal
que proíbe de buzinar, por que? Para não perturbar os que estão doentes. Ou
depois de uma certa hora se proíbe barulho para permitir aos moradores de
repousar; ou na igreja, que é o lugar preferencial para o silêncio, para que as
pessoas possam rezar.
Uma lição do Papa
Não respeitar o silêncio é uma falta de educação. Mas
na Gaudete et exultate o Papa
Francisco quer nos chamar a atenção sobre o “isolamento”, que hoje em dia é
sinal de uma desadaptação do convívio humano. Os meios de comunicação estão se
tornando os meios da “descomunicação”. Jovens ou menos jovens, que passam o dia
todo fechados no próprio quarto diante do computador, viajando mentalmente ou
em rede pelo mundo afora, criando dependência, e construindo para si um mundo
das ilusões, que não favorece a verdadeira comunicação. Devemos ter muito
cuidado e saber discernir quando o silêncio é negativo e quando ele é positivo.
Silêncio e oração
Na verdade, o silêncio é o coração da oração. Precisamos
dele para tomar decisões, para encontrar-nos conosco, para reequilibrar os
momentos de nossa fragilidade. Neste caso não é um silêncio que nos afasta nem
dos problemas dos outros e nem da nossa cooperação na construção do reino de
Deus. Os monges, os eremitas, as monjas de clausura não procuram o silêncio
para se isolar, mas para criar uma rede espiritual de comunicação com toda a
humanidade. Para viver bem a vida de comunhão necessitamos de momentos de
grande silêncio.

Nenhum comentário:
Postar um comentário