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quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

[FOTOS] São Francisco: o corpo exposto pela primeira vez em Assis, 800 anos após a morte

Photo courtesy of the Sala Stampa San Francesco Assisi

Cibele Battistini - publicado em 25/02/26

Oito séculos depois de sua morte, os restos mortais de São Francisco de Assis são expostos ao público pela primeira vez na cidade de Assis.

Até 22 de março, as relíquias do santo permanecem visíveis na igreja da Basílica de São Francisco de Assis, na região da Úmbria. A iniciativa integra as celebrações do Jubileu franciscano, que marca os 800 anos de sua morte, ocorrida em 1226.

No Testamento ditado ao final da vida, Francisco assinou como “piccolino” — pequenino. A pequena estatura, expressão concreta de sua humildade, pode agora ser vista com os próprios olhos. O esqueleto, de 1,39 metro, foi retirado da urna de bronze que o guarda desde o século XIX e colocado em uma caixa de plexiglass, recomposto conforme a última inspeção realizada em 1978.

Já no primeiro dia de exposição pública, em 21 de fevereiro, cerca de 18 mil pessoas passaram pela basílica. Desde as primeiras horas da manhã, quando os acessos foram abertos aos visitantes que haviam reservado horário previamente, percebia-se um clima de recolhimento. Um grande pavilhão branco montado na praça inferior organizava o fluxo: na inauguração, aproximadamente 1.500 pessoas por hora atravessaram o percurso preparado para a visita.

Antes de entrar na Basílica Inferior, os peregrinos percorrem um trajeto que alterna informação histórica e espiritualidade. Painéis no claustro interno narram a recuperação do corpo de São Francisco, desaparecido misteriosamente por 590 anos até ser reencontrado, em 1818, dentro de um sarcófago de travertino, após 52 noites de escavações. Há também espaço para oração e confissão, assistida pelos frades. Apesar da multidão, o silêncio e a concentração predominam, como se a figura do santo — talvez o mais humano do catolicismo — conduzisse a todos a um mesmo ritmo.

Participação mundial

Dentro da basílica, os visitantes avançam lentamente, cercados pelos afrescos históricos. Telões e painéis explicativos apresentam a inspiração do evento: a parábola do grão que morre para dar fruto. Ainda assim, muitos se detêm pouco diante dos relatos históricos e científicos. Não foram produzidos novos estudos sobre os restos mortais; a atual exposição foi precedida apenas por uma inspeção técnica, e a última análise detalhada data da década de 1970. Perde-se, assim, a oportunidade de aprofundar também a dimensão humana daquele que consumiu o próprio corpo ao longo de 44 anos de vida — marcado não apenas pelos estigmas, mas por uma conversão nascida do encontro com um leproso.

A expressiva participação popular — com cerca de 400 mil visitantes já inscritos — demonstra que a influência de São Francisco ultrapassa os limites do catolicismo. O historiador François Sabatier escreveu que o Cântico das Criaturasconstitui uma das expressões mais completas do sentimento religioso moderno. Já o historiador Lynn White, em artigo publicado na revista Science em 1967, definiu Francisco como pioneiro do pensamento ecológico.

Sua visão cósmica da natureza — composta por elementos interligados — faz dele uma referência também para ambientalistas contemporâneos.

A cultura popular chegou a retratá-lo como “irmão do universo”, em uma homenagem da Marvel Comics. O compromisso com a defesa dos animais, simbolizado no lendário encontro com o lobo de Gubbio, foi recordado recentemente pelo Papa Francisco na encíclica Laudato si', publicada em 2015, que apresenta o conceito de ecologia integral — a defesa do planeta como dimensão essencial da justiça.

Diante da crise dos ecossistemas, sua mensagem, nascida há oitocentos anos, soa mais atual do que nunca.

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https://pt.aleteia.org/slideshow/exposicao-assis-800-anos-da-morte/

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF