Mathilde de Robien - publicado
em 06/02/26
Em um momento em que médicos e autoridades públicas se
preocupam com a invasão dos smartphones no cotidiano dos jovens, a Dra.
Anne-Lise Ducanda recomenda limitar a uma hora por dia o tempo de tela para um
adolescente de 15 anos e insiste: "adicionar tempo deve ser algo
excepcional".
"Mãe, você pode me dar mais tempo?" Uma pergunta
que pareceria totalmente incongruente há alguns anos, mas que se impõe hoje no
dia a dia de muitos pais preocupados em controlar o uso do telefone dos filhos
na adolescência. Para os não iniciados, ela significa: "Pode me liberar
mais tempo para eu usar meu celular?". De fato, os softwares de controle
parental permitem monitorar o uso do smartphone da criança, limitando a duração
diária do tempo de tela e o acesso a certos sites e aplicativos. Em teoria, um
consenso ideal. Na prática, uma atividade que exige ajustes regulares... ou
não!
Em muitas famílias, os pedidos de tempo extra dependem do
contexto (período escolar ou férias, saídas à noite, responsabilidade em um
acampamento escoteiro...) e das intenções da criança. As filhas de Jessica têm
direito a uma hora por dia durante a semana e três horas por dia nos fins de
semana e feriados. "Usamos o Family Link, nossas filhas ouvem muita música
pelo celular, elas não têm redes sociais, eu monitoro o tempo gasto em cada
aplicativo e o telefone delas fica bloqueado das 21h30 às 7h", explica a
mãe. "Às vezes pedem tempo extra para ouvir música ou ligar para uma
amiga. Eu aceito ou recuso, dependendo do comportamento no dia, se estamos em
família, se os deveres foram feitos..."
Os tempos de tela na adolescência
De acordo com o relatório da Anses (Agência Nacional de
Segurança Sanitária da França) publicado em 13 de janeiro, fruto de cinco anos
de trabalho de um comitê de especialistas, na França, um em cada dois
adolescentes passa entre duas e cinco horas por dia em um smartphone,
a maior parte do tempo conectado a redes sociais. O uso é considerado excessivo
pela agência, que aponta diversos efeitos nocivos à saúde: alteração do sono,
desvalorização de si mesmo, comportamentos de risco e ciberviolência.
Para a Dra. Anne-Lise Ducanda, médica do desenvolvimento
infantil e cofundadora do CoSE (Coletivo sobre a Superexposição às Telas), as
limitações de tempo e conteúdo são indispensáveis. O coletivo recomenda
durações máximas para cada faixa etária:
- Até
3 anos: nada de telas.
- Até
6 anos: o mínimo possível.
- 6
a 10 anos: 1 hora por dia nos fins de semana.
- 10
a 14 anos: 2 horas por dia nos fins de semana.
"Se a criança puder se conectar todos os dias, ela
pedirá sua 'dose' todos os dias", explica a médica. "Limitar as telas
aos fins de semana permite que a criança se reconecte com a vida real, com os
outros e com sua família."
"O controle parental é
indispensável porque a criança não consegue se autorregular."
Quanto aos mais velhos, o coletivo recomenda não dar um
smartphone antes dos 15 anos e, após essa idade, instalar controle parental e
limitações rígidas. "O cérebro só amadurece aos 25 anos, assim como a
capacidade de autorregulação. Portanto, a criança precisa dos pais!",
destaca a Dra. Ducanda à Aleteia. "Não se pode deixar o tempo ilimitado
dizendo 'você só tem direito a duas horas', é impossível! A criança não
consegue se proteger sozinha."
Aguentar firme
Essa vigilância necessária por parte dos pais não é tarefa
fácil. "Um adolescente vai, inevitavelmente, pedir para adicionar
tempo", previne a Dra. Ducanda. "Ele vai tentar burlar o controle
parental, mas os pais precisam resistir, no interesse do próprio filho."
Muitos pais relatam dificuldades. "Aos 16 anos, nossa
filha tinha 2 horas por dia e recolhíamos o celular às 21h30", conta
Louise, mãe de cinco filhos. "Mas tínhamos muita dificuldade em resistir
aos pedidos de tempo extra que ela justificava com argumentos convincentes, até
que ela acabou hackeando os sistemas de controle."
Élise viveu uma experiência semelhante: "Nosso filho de
14 anos tem uma hora de tela por dia e não tem redes sociais. Fiquei surpresa
que ele nunca pedia mais tempo, até descobrir que, apesar do limite, ele
conseguia acessar mais tempo". Nesses casos, o diálogo é necessário para
explicar o motivo das limitações e restaurar a confiança.
A regra de ouro
Então, quanto tempo para quem tem mais de 15 anos? Para
Anne-Lise Ducanda, "o ideal é não ultrapassar uma hora por
dia", já que estudos mostram efeitos prejudiciais a partir de uma hora
de consumo diário (fora o uso para fins escolares). "É importante explicar
que é para o bem dele e manter a palavra! Quando o filho pedir mais tempo, a
resposta é não. Adicionar tempo deve ser algo excepcional."
Além do tempo, a médica reforça a "regra dos
quatro nãos", elaborada pela psicóloga Sabine Duflo:
- Não de
manhã (para preservar a atenção).
- Não durante
as refeições (para preservar a interação).
- Não antes
de dormir (para preservar a qualidade do sono).
- Não dentro
do quarto.

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