Por Redação central*
2 de abr de 2026 às 02:00
Dentro da Semana Santa, um período se torna especial para os
católicos nos dias em que recordam a Paixão, Morte e Ressurreição de Cristo. É
o chamado Tríduo Pascal. Conheça a seguir o significado desses dias tão
importantes para os cristãos.
A palavra tríduo na prática devocional católica sugere a
ideia de preparação. Às vezes nos preparamos para a festa de um santo com três
dias de oração em sua honra, ou pedimos uma graça especial mediante um tríduo
de preces de intercessão.
O Tríduo Pascal se considerava como três dias de preparação
para a festa de Páscoa; compreendia a Quinta-feira, a Sexta-feira e o Sábado da
Semana Santa. Era um tríduo da Paixão.
No novo calendário e nas normas litúrgicas para a Semana
Santa, o enfoque é diferente. O Tríduo se apresenta não como um tempo de
preparação, mas sim como uma só coisa com a Páscoa. É um tríduo da Paixão e
Ressurreição, que abrange a totalidade do mistério pascal. Assim se expressa no
calendário:
Cristo redimiu o gênero humano e deu perfeita glória a Deus
principalmente através de seu mistério pascal: morrendo destruiu a morte e
ressuscitando restaurou a vida. O Tríduo Pascal da Paixão e Ressurreição de
Cristo é, portanto, a culminância de todo o ano litúrgico.
O Tríduo começa com a missa vespertina da Ceia do Senhor,
alcança seu cume na Vigília Pascal e se fecha com as vésperas do Domingo de
Páscoa.
Esta unificação da celebração pascal é mais acorde com o
espírito do Novo Testamento e com a tradição cristã primitiva. O mesmo Cristo,
quando aludia a sua Paixão e Morte, nunca as dissociava de sua Ressurreição. No
evangelho da quarta-feira da segunda semana da quaresma (Mt 20,17-28) fala
delas em conjunto: “O condenarão à morte e o entregarão aos gentis para que
d'Ele façam escarnio, o açoitem e o crucifiquem, e ao terceiro dia
ressuscitará”.
É significativo que os padres da Igreja, tanto santo
Ambrósio como santo Agostinho, concebam o Tríduo Pascal como um todo que inclui
o sofrimento do Jesus e também sua glorificação. O bispo de Milão, em um dos
seus escritos, refere-se aos três Santos dias (triduum illud sacrum) como os
três dias nos quais sofreu, esteve no túmulo e ressuscitou, os três dias aos
que se referiu quando disse: “Destruam este templo e em três dias o
reedificarei”. Santo Agostinho, em uma de suas cartas, refere-se a eles como
“os três sacratíssimos dias da crucificação, sepultura e ressurreição de
Cristo”.
Esses três dias, que começam com a missa vespertina da
Quinta-feira Santa e concluem com a oração de vésperas do Domingo de Páscoa,
formam uma unidade e, como tal, devem ser considerados. Logo, a Páscoa cristã
consiste essencialmente em uma celebração de três dias, que compreende as
partes sombrias e as facetas brilhantes do mistério salvífico de Cristo. As
diferentes fases do mistério pascal se estendem ao longo dos três dias como em
um tríptico: cada um dos três quadros ilustra uma parte da cena; juntos formam
um todo. Cada quadro é em si completo, mas deve ser visto em relação com os
outros dois.
Interessa saber que tanto a Sexta-feira como no Sábado
Santo, oficialmente, não fazem parte da Quaresma. Segundo o novo calendário, a
Quaresma começa na Quarta-feira de Cinza e conclui na Quinta-feira Santa,
excluindo a missa da Ceia do Senhor.
*A Agência Católica de Informação - ACI Digital, faz parte
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