MEDITE A ESPIRITUALIDADE DA SEMANA SANTA A PARTIR DAS
REFLEXÕES DOS BISPOS DO BRASIL
27/03/2026
Às portas do início da Semana Santa, alguns dos bispos que
oferecem artigos ao Portal da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB)
escreveram sobre a espiritualidade deste momento central para a fé cristã,
ajudando o povo de Deus a mergulhar nos mistérios celebrados.
As celebrações da Semana Santa
O arcebispo da arquidiocese do Rio de Janeiro (RJ), cardeal
Orani João Tempesta, introduz ao mistério celebrado no Domingo de Ramos da
Paixão do Senhor, abrindo a Semana Maior e mais importante do calendário
cristão.
“As celebrações desta semana são muito ricas e cheias de
significado. Caso não seja possível participar de todas as celebrações devido
ao trabalho ou aos estudos, meditemos os textos sagrados em casa e procuremos
acompanhar as celebrações pela televisão, rádio ou internet. Hoje concluímos
também a Campanha a Fraternidade com o nosso gesto concreto que é a Coleta da
Solidariedade”.
O arcebispo motiva a intensificar a oração, participar das
celebrações e viver profundamente o Tríduo Pascal. “Caminhemos com Cristo na
cruz, para com Ele ressuscitarmos para uma vida nova”.
Leia o
artigo de dom Orani na íntegra.
Força redentora
Em outro artigo, também inspirado pelo contexto da Semana
Santa, dom Orani reflete sobre a força redentora que
emana da entrega total de Jesus na cruz. Nesse ato de solidariedade extrema,
segundo dom Orani, Ele assume nossas dores e transfigura o sofrimento em
caminho de salvação. “Aqui, a força não é um exercício de poder dominador, mas
de entrega sacrificial que gera vida nova”, escreveu.
“Do silêncio orante do Getsêmani à entrega total na cruz,
passando pela dor, pela aparente derrota e pela esperança silenciosa do Sábado
Santo, aprendemos que a verdadeira força nasce da confiança radical em Deus. O
que celebramos nesses dias não pode permanecer apenas na memória, mas deve
transformar a vida”.
Paradoxo fascinante e desconcertante
O bispo de Frederico Westphalen (RS), dom Antonio Carlos
Rossi Keller, escreveu sobre o “paradoxo fascinante e desconcertante”
apresentado na liturgia do Domingo de Ramos: “aclamamos um Rei montado num
jumentinho. Gritamos ‘Hosana!’ e, poucos dias depois, gritaremos
‘Crucifica-o!’. Agitamos ramos festivos e, em seguida, mergulhamos no silêncio
sombrio do Calvário”.
Para dom Antonio Carlos, o Domingo de Ramos não é apenas a
abertura da Semana Santa, mas “o espelho
da nossa própria alma”, uma vez
que “revela a fragilidade das nossas aclamações, a instabilidade da nossa fé, mas,
sobretudo, a fidelidade absoluta de Jesus, Servo obediente que abraça o amor até o fim”.
Além de explicar sobre os elementos e cada texto bíblico
oferecido pela liturgia, dom Antônio indica como viver bem a Semana Santa.
“É um tempo
de graça único, oferecido pela Igreja como oportunidade de transformação
interior. Mas só nos transforma se nos dispormos a vivê-la com presença, com
coração aberto”.
Leia o
artigo de dom Antonio Rossi Keller na íntegra.
Celebrar todo o mistério pascal
Dom Rodolfo Weber, arcebispo de Passo Fundo (RS) também
destaca a liturgia da Semana Santa, na qual serão lidos e refletidos “ricos e
vastos textos bíblicos sobre os fundamentos teológicos e litúrgicos da vida
cristã”. Ele orienta que “não podemos nos deter em um aspecto, mas celebrar o
todo do mistério pascal”.
Ele reflete sobre o contexto da guerra no Oriente Médio e
sobre a missão da Igreja de estar ao lado de Cristo crucificado e de todos
os crucificados.
“O triunfo de Cristo não é aquele imperial, mas o humilde
e sofrido da cruz. É o que liberta e salva. Jesus entra em Jerusalém não para
ocupar a chefia de um exército e de um Estado, mas para oferecer-se como ‘rei
manso e humilde'”.
Leia o artigo de
dom Rodolfo na íntegra.
Participar com Cristo
O bispo de Campos (RJ), dom Roberto Francisco Ferreria Paz,
escreveu sobre o início da Semana Santa com o Domingo de Ramos, quando
participamos de todo o trajeto de Jesus desde a sua entrada em Jerusalém até a
sua vitória sobre a morte. Ele motiva à participação ativa nas celebrações.
“No coração do Ano Litúrgico não fiquemos no palco ou
assistindo o mistério e o drama da nossa salvação como meros espectadores ou
turistas espirituais mas mergulhemos de cheio não só nos ritos mas no
itinerário espiritual das trevas para a luz, do ódio para o amor, do desespero
e indiferença para a esperança, do medo para a confiança e entrega,
configurando-nos com o Crucificado e identificando-nos com seus sentimentos,
dores e angústias para vencer com Ele a morte”.
Leia
o artigo de dom Roberto Paz na íntegra
Lugar para todos
Dom Itacir Brassiani, bispo de Santa Cruz do Sul, reflete a
partir dos sonhos e utopias que a humanidade carrega e a missão de Jesus. Ele
motiva reafirmar, no início da Semana Santa, o sonho de um mundo que tenha
lugar para todos.
“Acompanhando Jesus de Nazaré em sua chegada à capital do
seu país, reafirmamos nosso sonho de um mundo onde haja lugar e vida plena para
todos, que não criminalize os profetas e os sonhadores, que dê primazia aos
mais vulneráveis. Em Jesus, o sonho é vivido e testemunhado no dom de si mesmo,
sem reservas. Por isso, vive e é imortal”.
Leia na
íntegra o artigo de dom Itacir
Meditar a seriedade do amor
Dom Lindomar Rocha, bispo de São Luís de Montes Belos (GO),
fez uma narração poética do mistério da encarnação de Jesus e da redenção
trazida por Ele a partir do mote “A seriedade do amor”. Seu artigo pode
auxiliar em meditações e reflexões durante a Semana maior.
“O Altíssimo entrou na história como caminhante. Seus pés
tocaram a poeira. Sua voz chamou os perdidos. Sua fidelidade desceu até a
morte. Sua vida abriu a manhã do terceiro dia. E, todo aquele que o ouve, cedo
ou tarde, encontra dentro de si o vestígio dessa verdade”.
Leia
e medite com o artigo de dom Lindomar
Por Luiz Lopes Jr

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