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sábado, 5 de setembro de 2020

SANTA MADRE TERESA DE CALCUTÁ

Santa Madre Teresa de Calcutá
Santa Madre Teresa de Calcutá  (© Vatican Media)

“Apresentou-lhes a mulher mais poderosa do mundo!” No dia 26 de outubro de 1985, o Secretário geral da ONU, Pérez de Cuéllar, assim apresentou Madre Teresa de Calcutá à Assembleia geral das Nações Unidas. Naturalmente, a pequena Irmã, vestida com seu sári branco de bordas azuis, sentiu-se incomodada por aquela enfática apresentação, porque ela gostava de definir-se, simplesmente, como “um pequeno lápis nas mãos do Senhor”.

“Venha, seja a minha luz”
De corpo franzino, mas gigante na fé, Madre Teresa nasceu em uma família albanesa, em Skopje, no dia 26 de agosto de 1910, e foi batizada com o nome de Gonxha Agnes.
Desde pequena, foi acostumada, pelos seus pais, a viver louvando ao Senhor e ajudando os mais necessitados. Não causa surpresa, portanto, quando, aos dezoito anos, fez a escolha de se tornar missionária.
Em setembro de 1928, Agnes deixa a sua casa e entra para o Instituto da Bem-aventurada Virgem Maria, em Dublin, onde recebeu o nome de Maria Teresa.
No ano seguinte, foi para a Índia, onde, por quase vinte anos, viveu feliz em uma escola da sua Congregação, lecionado aos jovens ricos da região.
Em 10 de setembro de 1946, ocorreu o que Madre Teresa definia como a sua “chamada na chamada”. Naquele dia, Jesus revela-lhe a sua tristeza pela indiferença e o desprezo dos pobres e pede à religiosa para ser o reflexo da sua Misericórdia: “Venha, seja minha luz. Não posso caminhar sozinho”.

Missionárias da Caridade
Vinte anos antes, deixava a sua casa; agora, deixa o seu Instituto. Madre Teresa funda as Missionárias da Caridade, veste o sári indiano e inicia a sua nova missão entre os últimos de Calcutá: os descartados, aqueles que “não são queridos, não amados, não cuidados”. Logo se unem a ela as suas ex-alunas.
Em poucos anos, a Congregação – reconhecida, em 1950, pelo arcebispo de Calcutá e, em 1965, por Paulo VI – difundiu-se por todas as partes do mundo, onde os pobres precisam de ajuda e, sobretudo, de amor: foram abertas casas na África e na América Latina, mas também nos Países comunistas e até na União Soviética. A sua figura torna-se cada vez mais popular em nível mundial. Mas, quando lhe perguntam qual o “segredo do seu sucesso”, ela responde com simplicidade impressionante: “Rezo”.
Estimada profundamente pelo Papa Paulo VI que, ao término da sua viagem à Índia, deu de presente aos “seus pobres” seu papamóvel, Madre Teresa teve uma relação fraterna com o Papa João Paulo II. Foi memorável a visita que o Papa polonês fez à sua casa, em Calcutá, onde a Madre acolhia os moribundos. Foi precisamente o Papa Wojtyla que quis a presença das Missionárias da Caridade no Vaticano, em uma estrutura denominada “Dom de Maria”.

Em defesa da vida
Sempre pronta a inclinar-se diante dos pobres e necessitados, Madre Teresa dedicou-se, com todas as suas forças, à defesa da vida nascente.
Inesquecível o seu discurso na entrega do Prêmio Nobel da Paz, em 17 de outubro de 1979: “O maior destruidor da paz – afirmou na ocasião – é o aborto”. E frisou: “A vida das crianças e dos adultos é sempre a mesma vida. Toda existência é a vida de Deus em nós”.
Nos últimos anos da sua vida, apesar da sua enfermidade e da “noite escura do espírito”, ela não poupou esforços e continuou a se dedicar, incessantemente, às necessidades dos que mais precisavam.
Madre Teresa faleceu no dia 5 de setembro de 1997, na sua Calcutá. Naquele instante, as suas Irmãs estavam presentes em 610 casas de missão e espalhadas em 123 países do mundo. Sinal de que a misericórdia não tem confins e atinge todos, sem nenhuma distinção, pois costumava dizer sempre: “Talvez eu não saiba falar a sua língua, mas posso sorrir”.

Vatican News


 

São Lourenço Justiniano

A12.com

Lourenço Justiniano nasceu em Veneza, no dia 01 de julho de1380. Desde cedo já manifestava seu repúdio ao orgulho, à ganância e corrupção que havia em sua terra natal. Na adolescência decidiu-se dedicar à vida religiosa.

Seu único desejo era amar e servir a Deus. Procurando o aprimoramento espiritual, tornou-se um mendigo em sua cidade, chegando a esmolar na porta da casa de seus próprios pais. Aos dezenove anos de idade ele era considerado um modelo de virtude, austeridade e humildade.

Em 1404 ingressou no Mosteiro de São Jorge. Tornou-se sacerdote em 1407 e, dois anos depois foi eleito superior da comunidade de São Jorge em Alga.

Não era um bom orador, mas destacou-se como excelente confessor. Também chegou a escrever alguns livros, incluindo tratados teológicos e manuais de catequese. Os seus escritos trazem a matriz da ideia da "Sabedoria Eterna", eixo da sua mística, tanto para a perfeição interior como para a retidão da vida episcopal.

 Em 1433, foi consagrado Bispo de Castelo e depois se tornou o primeiro Patriarca de Veneza. Nestas administrações deixou sua marca singular impressa com suas virtudes, sendo considerado um homem sábio, piedoso e caridoso, principalmente com os mais pecadores. Tornou-se um exemplo de pastor, amado por todos os fiéis, que obedeciam a sua pregação e exemplo no seguimento de Cristo. Faleceu em janeiro de 1456.

Colaboração: Padre Evaldo César de Souza, CSsR 

Reflexão
Sobre a Eucaristia São Lourenço Justiniano dizia: "Nenhum sacrifício é maior, mais agradável à divina Majestade, que o Sacrifício da Missa, onde as chagas de nosso divino Salvador, sua flagelação e todos os suplícios que sofreu por nós, são de novo oferecidos a seu Pai, e este, vendo de novo imolar-se aquele que enviou ao mundo, concede o perdão aos pecadores, socorro aos fracos, a vida eterna aos justos".
Oração
Ó Deus, dai-nos pelo exemplo e intercessão de São Lourenço Justiniano a graça de Vos servir com alegria e humildade, de assistir os mais necessitados, de vivenciar a Vossa Palavra e buscar a santidade. Por Cristo Nosso Senhor. Amém!

 https://www.a12.com/

sexta-feira, 4 de setembro de 2020

MISSIOLOGIA: Missão, Evangelização e Proselitismo

Ano Missionário especial em Portugal – Curso de Missiologia aberto a  todosGaudium Press
Guadium Press

Missão, Evangelização e Proselitismo

Steven Hayes

Traduzido do inglês por: Natalia Waszczynskyi

ma das mais importantes questões que a missão ortodoxa enfrenta, diz respeito à evangelização e o proselitismo e a diferença entre ambos. Alguns tem dito que não há diferença entre ambos. Se as pessoas falam a respeito da necessidade de evangelização, eles encontram a resposta: «A Igreja Ortodoxa não promove conversões», como se evangelização e proselitismo fossem a mesma coisa.

Outros estão mais preocupados com o proselitismo que vem de fora da Ortodoxia - de missionários que desde o fim do comunismo tem se apressado em converter a Rússia, Bulgária, Romênia e outras terras tradicionalmente ortodoxas, para sua forma de pensamento.

Os cristãos do Ocidente tendem a pensar que o Oriente Ortodoxo não é «missionário.» O século XX, depois da Primeira Guerra Mundial, tem sido o período de contato «ecumênico» entre os cristãos de diferentes tradições. Porém, a metade do séc. XX, de 1920-1970, foi o período quando as atividades missionárias da Igreja Ortodoxa atingiu seu ponto mais baixo. Após a Queda de Constantinopla para os turcos, em 1453, a Rússia era realmente o único centro da missão ortodoxa, e a Revolução Bolchevique colocou um fim a isso.

O renascimento da missão ortodoxa em nosso tempo é resultado de sementes plantadas por pessoas como o Arcebispo Yannoulatos da Albânia, cuja publicação «Porefthende»" apela para uma renovação da visão missionária, já nos anos 1950 e 1960. Na África, muitas pessoas estavam pedindo para se unir à Igreja Ortodoxa em 1930, e trouxeram uma nova visão missionária para a ortodoxia no Leste Africano após a Segunda Guerra Mundial.

Mais recentemente, pessoas em outros lugares foram levados à Ortodoxia, não por missionários ortodoxos que viajam fazendo proselitismo, mas, porque eles acreditaram que Deus os chamava para tornarem-se cristãos ortodoxos. Houve muitas conversões de evangélicos à Ortodoxia na América e em outros lugares como Portugal e Filipinas.

Este processo de pessoas vindo para a Ortodoxia levou alguns a afirmar que a missão ortodoxa não é «centrífuga» mas «centrípeta.» Ao invés de missionários partirem, a Igreja espera que as pessoas venham até ela. Mas isso não é bem verdade. Se olharmos para a história da missão ortodoxa, há muitos momentos em que os missionários buscaram povos de diferentes culturas, ou quem vive em diferentes partes do mundo. Santo Cirilo e Metódio, Santo Estevão de Perm, Santo Inocêncio de Alaska e São Nicolau do Japão, são justamente alguns exemplos de tais missionários.

A diferença entre evangelização e proselitismo não é a mesma que a diferença entre missão centrífuga e centrípeta, embora essa talvez possa ser uma pista para tal.

Em lugares como a Rússia e a Romênia onde a Igreja Ortodoxa ficou bem estabelecida, mas no último par de gerações foi perseguida, também há uma grande tarefa de evangelização. Lugares como a Rússia e a Romênia precisam ser re-evangelizadas. Será que esta pode ser a diferença entre evangelização e proselitismo? É «evangelização» quando feita por cristãos ortodoxos no interior de um país tradicionalmente ortodoxo, e «proselitismo» quando feito para não-ortodoxos de fora? Não penso que seja assim.

Evangelização, dentro do uso do termo (em inglês), significa dizer ou espalhar a Boa-nova. Os quatro Evangelhos falam das boas novas sobre Jesus Cristo. Quando nós, como cristãos, dizemos aos outros o que Deus fez em Jesus Cristo, nós estamos evangelizando.

Proselitismo, de outro lado, significa «trazer pessoas para dentro», fazendo-as mudar suas convicções, seu partido, suas opiniões ou sua religião. No proselitismo há uma forte tendência de dizer às pessoas o quão ruim ou erradas são suas crenças atuais. Dizer às pessoas que suas crenças são más ou erradas não parece ser «Boa-nova.» Se nós evangelizamos, não estamos dizendo «nossa religião é melhor que a sua religião.» Não estamos nos colocando como seres moralmente ou espiritualmente superiores, e tentando conquistar pessoas para deixar sua religião juntando-se a nós, de forma que se sintam tão superiores como nós. Quando evangelizamos, dizemos, de fato, que Deus fez grandes coisas. Alguém descreveu uma vez a evangelização como «um mendigo dizendo a outro mendigo aonde conseguir pão.» Para um mendigo faminto, esta é uma «boa-nova.» E um mendigo transmitindo a outro mendigo tais «boas notícias» não pode se sentir vangloriado ou superior por este motivo.

Quando missionários budistas primeiro saíram da Índia para ir a outros lugares, chegando ao novo local, disseram apenas dois tipos de coisas: «Isto é o que fazemos» e «Isto é o que não fazemos.» Eles não fizeram nenhum comentário sobre o que as pessoas lá já estavam fazendo em sua religião ou filo. Não criticaram ou condenaram as crenças e práticas das pessoas. E este pode ser um bom exemplo para os missionários cristãos também seguirem. Se agirmos assim, então estaremos evangelizando e não fazendo proselitismo. Muitos missionários ortodoxos seguiram seguem este exemplo.

Se as pessoas que ouvem a Sagrada Escritura dizem que querem seguir Cristo e ser batizados, então, é claro, haverá mais o que aprender. Se eles quiserem realmente seguir Cristo, então vão querer também aprender mais a respeito da fé cristã e sua aplicação em suas próprias vidas e comportamento. Às vezes eles surpreendem os missionários com seu fervor. Quando o Príncipe Vladimir de Ruskiev se tornou cristão em 988, ele surpreendeu os missionários bizantinos ao buscar abolir a principal punição em seu reino. Houve uma mudança radical em seu estilo de vida.

Necessariamente, as pessoas não se tornam cristãs simplesmente mudando seu estilo de vida, especialmente se elas mudaram através da força ou fraude. Forçar tais mudanças nas pessoas é proselitismo e não evangelização. Evangelização é feita com espírito de humildade e amor, enquanto o proselitismo é caracterizado pela arrogância e orgulho. É muito mais fácil fazer proselitismo do que evangelizar; entretanto, somos chamados a evangelizar.

Tentei, neste artigo, indicar onde, segundo penso, residem as principais diferenças entre evangelização e proselitismo. A diferença é importante e acredito que é uma das mais sérias questões que os estudiosos de missiologia da Igreja Ortodoxa enfrentam nos dias de hoje. Se não enfrentamos, nós, cristãos ortodoxos, podemos nos deparar fazendo críticas às ações que nós próprios praticamos, e condenando o que, em certos lugares e situações, relevamos e perdoamos.


FONTE:

Revista da OCMC - Outubro 2002 - pg 14 e 15

Ecclesia

5 milagres que a ciência tentou, mas nunca conseguiu explicar

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Cleofas
POR PROF. FELIPE AQUINO

Site Live Science lista 10 milagres que desafiam a ciência: todos os dez são milagres cristãos

Um milagre é um acontecimento sobrenatural, ou seja, acima do natural: ele contraria as leis da natureza e a ciência não consegue explicá-lo, por mais que os cientistas analisem, reanalisem e debatam.

Há relatos de milagres em praticamente todas as religiões, e, ao longo do tempo, a ciência desmentiu muitos deles. Outros, porém, continuam inexplicáveis e assombrosos, como estes dez, listados pelo site Live Science.

Particularmente chamativo é o fato de que, dos dez milagres listados, todos os dez são milagres cristãos – e seis deles envolvem Nossa Senhora!

Destacamos cinco dos milagres listados pelo Live Science:

1. O milagre do sol, em Fátima

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Em 13 de outubro de 1917, 70 mil pessoas, incluindo jornalistas, testemunharam o milagre que tinha sido anunciado pelas três crianças a quem Nossa Senhora tinha aparecido. Ao meio-dia, depois de uma forte chuva que parou de repente, as nuvens se abriram diante dos olhos de todos e o sol surgiu no céu como um disco luminoso opaco, que girava em espiral e emitia luzes coloridas. O fenômeno durou cerca de 10 minutos e está na lista oficial de milagres reconhecidos pelo Vaticano. Os céticos tentam atribuir o evento ao fenômeno atmosférico do parélio, mas sem provas e sem explicar como foi que as crianças o “previram”.

2. O sangue de São Januário

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São Januário ou “San Gennaro”, em italiano, é o padroeiro de Nápoles. Ele foi martirizado no século IV e um pouco do seu sangue foi guardado em um relicário. Devendo estar completamente seco depois de 1.700 anos, o que acontece é que, todo ano, em 19 setembro, o sangue se liquefaz diante de milhares de fiéis. A liquefação começou a acontecer depois do terremoto de 1980, que matou mais de 2.500 pessoas em Nápoles. Os cientistas têm muitas teorias sobre o caso, mas até hoje não conseguiram explicar o fenômeno.

3. O corpo incorrupto de Santa Bernadete de Lourdes

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O corpo de Santa Bernadete de Lourdes, que faleceu em 1879, continua em exposição na Capela de Santa Bernadete, na França, perfeitamente incorrupto. A primeira exumação foi feita em 1909 e os médicos que a realizaram ficaram surpresos ao constatar que o corpo não só não exalava qualquer odor, como também estava em perfeito estado de conservação. A pele se mostrava macia e com consistência quase normal ao ser cortada, o que é inexplicável pelas leis da natureza. O corpo foi reavaliado em outras duas ocasiões, com as mesmas constatações de incorruptibilidade milagrosa.

4. A imagem da Virgem de Guadalupe

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A imagem de Nossa Senhora de Guadalupe surgiu em 1531, quando o índio Juan Diego disse ter visto a Virgem Maria num campo próximo da Cidade do México. Como prova, ele apresentou seu manto, um tecido feito de fibra de cacto e de qualidade bem pobre, no qual a imagem de Maria teria sido “impressa” depois da aparição. O material foi analisado em diversas ocasiões por cientistas, que nunca conseguiram determinar como a imagem surgiu sobre o tecido. Mais impressionante ainda: não é uma imagem pintada ou estampada “no” tecido: ela “flutua” ligeiramente “acima” do tecido! Igualmente sem explicação é a perfeita preservação do manto e da imagem mesmo depois de 500 anos. O ícone está exposto na Basílica de Guadalupe, no México.

5. O Santo Sudário

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Provavelmente a relíquia mais famosa da História, o Sudário de Turim não é considerado um milagre propriamente dito, mas nenhuma explicação conseguiu até hoje comprovar o que ele é e como a imagem impressa nele foi gerada. Trata-se do tecido que teria envolvido o corpo de Jesus no sepulcro. A imagem impressa no sudário seria, portanto, a do seu corpo. Exaustivamente analisado e estudado por uma volumosa quantidade de cientistas, o sudário parece apresentar o mesmo fenômeno do manto com a imagem de Nossa Senhora de Guadalupe: a impressão do suposto corpo de Jesus não é direta sobre o tecido, mas “flutua” ligeiramente acima dele. As tentativas de reproduzir a impressão nunca deram certo e até hoje não se explica de que forma a imagem foi gerada sobre o sudário; o que parece mais provável é que ela tenha sido impressa mediante a irradiação de uma luz poderosa, originada do próprio corpo que ficou impresso. Para os fiéis, trata-se de uma “prova” da ressurreição de Cristo. A datação da relíquia também é controversa: alguns exames situam a sua origem na Idade Média, mas pesquisas posteriores indicam que o tecido foi produzido entre 280 a.C. e 220 d.C., podendo, portanto, ser da época de Cristo. Os estudos continuam.

Fonte: http://pt.aleteia.org/2015/12/07/5-milagres-que-a-ciencia-tentou-mas-nunca-conseguiu-explicar/

Cléofas Editora 

Oração para antes de ler a Bíblia

Oração para antes de ler a Bíblia

Peça a Deus que o Espírito Santo te ajude a ser capaz de entender e acolher a Palavra.

Em recente artigo aqui na Aleteia, o Padre Reginaldo Manzotti explicou que a Palavra de Deus não é uma letra morta; ela é viva. Embora o conteúdo seja o mesmo, a cada tempo a Bíblia traz um significado.

O sacerdote ainda lembra que a Bíblia é a mensagem de Deus para os homens, escrita na linguagem deles. Ela deve ser estuda e meditada. Por isso, antes da leitura das Sagradas Escrituras, recomenda-se fazer uma oração.

Abaixo, uma prece ao Espírito Santo para pedir o entendimento da mensagem que Deus quer transmitir para nós através da sua Palavra. Reze antes de ler qualquer parte da Bíblia:

Meu Senhor e meu Pai!

Envia Teu Santo Espírito para que eu

compreenda e acolha Tua Santa Palavra!

Que eu Te conheça e Te faça conhecer,

Te ame e Te faça amar, Te sirva e Te faça

servir, Te louve e Te faça ser louvado por

todas as criaturas.

Faz, oh Pai, que, pela leitura da Palavra,

os pecadores se convertam, os justos

perseverem na Graça e todos consigamos

a vida eterna.

Amém.

Dai-nos, Senhor, mais amor a Tua Palavra.

Amém.

Fonte: Padre Reginaldo Manzotti 

Aleteia 

O coração e a graça em Santo Agostinho. Distinção e correspondência (Parte 4/4)

Crédito: 30Giorni

Arquivo 30Giorni nº 12 - 2007

O Coração e a Graça em Santo Agostinho: Distinção e Correspondência

por Dom Giacomo Tantardini

Meu discurso gostaria de ser apenas uma palavra de agradecimento. Primeiramente, a Sua Eminência o Cardeal Angelo Scola. Como Sua Eminência lembrou, nos conhecemos e somos amigos há muitos anos. Em seguida, agradeço ao magnífico reitor, que acolheu estes encontros com generosidade e cordialidade ao longo de todos esses anos. Finalmente, ao Dr. Calogero, a quem devo estima e, ouso dizer, uma amizade tão generosa.
Gostaria de agradecê-lo lendo uma passagem de Santo Agostinho. As palavras finais de Sua Eminência sugeriram que eu também lesse uma passagem de Santo Ambrósio. Proponho a passagem de Agostinho por uma razão muito específica. Esta manhã li o título e o resumo de um artigo de Barbara Spinelli em La Stampa di Torino .<sup> 1 </sup> Em um desses resumos, afirma-se que a boa vida nasce de um encontro, como se evidencia em Zaqueu, no encontro de Jesus com Zaqueu. Então, li algumas frases do comentário de Agostinho sobre o encontro de Jesus com Zaqueu.² 

Entre as explicações imaginativas do Evangelho feitas pelo Padre Giussani, como Sua Eminência mencionou, talvez a que mais tenha impressionado muitos universitários tenha Depois de recordar, citando São Paulo, que o Filho do Homem veio para salvar os pecadores ( 1 Tm 1:15) (" si homo non periisset, Filius hominis non vengat "), Santo Agostinho diz: "Não sejas orgulhoso, sê como Zaqueu, sê pequeno. Mas dirás a mim: se eu for como Zaqueu, não poderei ver Jesus por causa da multidão. Não fiques triste: sobe na madeira onde Jesus foi crucificado por ti e verás Jesus."

Nos discursos de Agostinho sobre São João, uma das passagens mais belas, até mesmo imaginativas, é aquela em que ele diz que para atravessar o mar da vida rumo à vida bem-aventurada, rumo à felicidade plena e perfeita, basta deixar-se levar pela madeira da Sua humildade, basta deixar-se levar pela humanidade de Jesus . <sup> 4 </sup> Agostinho continua: " Iam vide Zacchaeum meum, vide illum , / Olha para o meu Zaqueu, olha para ele". É assim que o Evangelho é lido, é assim que o Evangelho é imaginado. Então, Agostinho o descreve como um diálogo entre a multidão e Zaqueu, entre a multidão, que para Agostinho representa o povo orgulhoso que os impede de ver Jesus, e Zaqueu, que, por sua vez, representa o homem humilde que deseja ver Jesus.

A multidão, de fato, diz a Zaqueu: “isto é, aos humildes, àqueles que trilham o caminho da humildade, que entregam a Deus as injúrias que recebem, que não buscam vingança contra seus inimigos, a multidão insulta e diz: vocês são indefesos, não são capazes de se vingar de si mesmos. A multidão impede que Jesus seja visto. A multidão se gloria”, isto é, busca sua própria coerência dentro de si. Este é o primeiro pecado — escreve ele em uma carta — buscar a própria coerência dentro de nós mesmos , ou, para usar as palavras de sua eminência, tentar construir nossa própria felicidade dentro de nós mesmos. “A multidão impede que Jesus seja visto. A multidão que se gloria e se alegra em poder se vingar impede que Aquele que disse na cruz: ‘Pai, perdoa-lhes, porque não sabem o que fazem’ seja reconhecido.”

Zaqueu responde: “Acho que você está zombando da figueira brava.” De fato, segundo Agostinho, o termo "sicômoro" significa "falsa figueira", ou seja, uma árvore que não vale nada, uma árvore sem valor algum. "Acho que você está zombando do sicômoro. Você está zombando desta árvore, mas foi precisamente esta árvore que me fez ver Jesus."

Agostinho termina com palavras que, na minha opinião, são definitivas: " E o Senhor olhou diretamente para Zaqueu . / Ele viu, e viu / Ele foi olhado, e então viu." Ele o teria visto passar mesmo que Jesus não tivesse olhado para cima, mas não teria sido um encontro. Ele poderia ter satisfeito aquele mínimo de curiosidade que o levara a subir na árvore, mas não teria sido um encontro: " Mas se ele não tivesse sido olhado, ele não o teria visto. / [...] Ut videremus, visi sumus; / para poder ver, precisamos ser olhados; / ut diligeremus, dilecti sumus / para poder amar, precisamos ser amados." Agostinho conclui dizendo: « Deus meus, mercy eius praeveniet me . / Ó meu Deus, a tua misericórdia me precederá, ela sempre virá em primeiro lugar. »

Santo Agostinho, afresco do século VI, Latrão, Roma

Agora vou ler para vocês uma passagem de Santo Ambrósio. Ambrósio está sugerindo o que significa depositar a esperança na palavra do Senhor . 6 Eu a leio porque essas palavras me ajudam na oração. Agostinho diz que, para a cidade de Deus, peregrina neste tempo, nesta mortalidade, "depositar a esperança na oração é totum atque summum negotium / a atividade, a obra [assim tomo a palavra de Giussani], a obra abrangente e suprema".

E Agostinho, quando diz isso em De civitate Dei 7 , está falando da cidade de Deus tornada presente mesmo por um único homem, um único homem em um ambiente vasto de pessoas que não reconhecem Jesus pela graça. Para a cidade de Deus tornada presente mesmo por um único homem, o negotium (a palavra negotium é muito interessante porque indica precisamente a obra, a atividade), a obra abrangente e suprema é depositar a esperança no pedir.

Ambrósio diz: “ Meu auxílio e meu amparo , / Tu és meu auxílio e meu amparo. Tu me ajudas com a lei, tu me acolhes em teus braços com graça. Aqueles a quem ele ajudou com a lei, ele carregou em sua carne, porque está escrito: ‘Este [Jesus] toma sobre si os nossos pecados’ e por isso [porque ele me traz a Sua graça] eu espero em sua palavra.”

Mas são as frases que vêm agora que ajudam minha pobre oração. “É verdadeiramente belo que ele diga: ‘Esperei na tua palavra.’ Isto é: não esperei nos profetas [os profetas são bons, mas não esperei neles]. Não esperei na lei [os Dez Mandamentos de Deus são bons, mas não esperei na lei]. / In verbum tuum speravi , / esperei na tua palavra, / hoc est in adventum tuum / isto é, na tua vinda.” Esperei na tua palavra, isto é, na tua vinda. Porque a criança não deposita sua esperança abstrata na mãe, ela espera que a mãe venha até ela.
« In verbum tuum speravi, hoc est in adventum tuum, ut venias, / que venhas, / et suscipias peccatores / e nos tomes pecadores em teus braços, e nos perdoes os nossos pecados e nos coloques sobre teus ombros, isto é, sobre tua cruz, esta ovelhinha cansada».
Agradeço a todos. 

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Notas 

1 Cf. B. Spinelli, Il grande inverno della Chiesa , em La Stampa , 27 de novembro de 2007, pp. 10-11. 

2 Agostino, Sermones 174, 2, 2-4, 4. 

3 Cf. L. Giussani, «As for Zacchaeus. The grace of an encounter» (agosto de 1985), em An event of life, it is, a story (introdução do Cardeal Joseph Ratzinger), Edit-Il Sabato, Roma 1993, pp.

4 Cf. Agostinho, In Evangelium Ioannis II, 4.

5 Cf. Agostinho, Epistolae 118, 3, 15.

6 Ambrósio, Enarrationes in salmos 118, XV, 23-25.

7 Agostinho, De civitate Dei XV, 21.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Os primeiros cristãos e o Purgatório

Apologética
Veritatis Splendor

No mundo dos cristãos evangélicos protestantes, a doutrina do Purgatório é apenas uma invenção a mais da Igreja Católica e ainda que existam dezenas de textos na Bíblia que falam sobre o Purgatório sem empregar essa palavra, a pergunta que se impõe é: acreditavam no Purgatório os primeiros cristãos, sucessores e discípulos dos Apóstolos, melhor conhecidos como “Pais da Igreja”?

A resposta é: SIM! Os Pais da Igreja primitiva e os primeiros cristãos acreditavam no Purgatório e oravam pelos seus falecidos, demonstrando assim que a Igreja Católica não inventou nada, mas que a compreensão da Bíblia, da história eclesiástica e da teologia pelo mundo protestante está anos-luz atrás da única e verdadeira Igreja cristã fundada por Jesus Cristo: a Igreja Católica.

Eis aqui os testemunhos dos Pais Apostólicos, discípulos e sucessores dos Apóstolos, e sua crença no Purgatório:

  • “E após a exibição, Trifena novamente a recebeu. Sua filha Falconila havia morrido e disse para ela em sonhos: ‘Mãe: deverias ter esta estrangeira, Tecla, como a mim, para que ela ore por mim e eu possa ser levada para o lugar dos justos” (Atos de Paulo e Tecla, ano 160).
  • “Se alguém parte desta vida com pequenas faltas, é condenado ao fogo que consome todos os materiais combustíveis e prepara a alma para o Reino de Deus, onde nada de impuro pode entrar. Pois se sobre o fundamento de Cristo contruístes não apenas ouro e prata mas pedras preciosas e ainda madeira, cana e palha, o que esperas que ocorra quando a alma seja separada do corpo? Entrarias no céu com tua madeira, cana e palha e, deste modo, mancharias o reino de Deus? Ou em razão destes obstáculos poderias ficar sem receber o prêmio por teu ouro, prata e pedras preciosas? Nenhum destes casos seria justo. Com efeito, serás submetido ao fogo que queimará os materiais levianos. Para nosso Deus, àqueles que podem compreender as coisas do céu, encontra-se o chamado ‘fogo purificador’. Porém, este fogo não consome a criatura, mas aquilo que ela construiu: madeira, cana ou palha. É manifesto que o fogo destrói a madeira de nossas transgressões e logo nos devolve o prêmio de nossas grandes obras” (Orígenes de Alexandria, anos 185-232; cf. Patres Groeci. 13, col.445,448).
  • “Cidadão de pátria ilustre, construí este túmulo durante a vida, para que meu corpo, num dia, pudesse repousar. Chamo-me Abércio: sou discípulo de um Santo Pastor, que apascenta seu rebanho de ovelhas, por entre montes e planícies. Ele tem enormes olhos que tudo enxergam, ensinou-me as Escrituras da Verdade e da Vida (…) Eu, Abércio, ditei este texto e o fiz gravar na minha presença, aos 72 anos. O irmão que o ler por acaso, ore por Abércio” (Epitáfio de Abercio, ano 190).
  • “Através de grande disciplina o crente se despoja das suas paixões e passa a mansão melhor que a anterior; passa pelo maior dos tormentos, tomando sobre si o arrependimento das faltas que possa ter cometido após o seu batismo. Então, é torturado mais ao ver que não conseguiu o que os outros já conseguiram. Os maiores tormentos são atribuídos ao crente porque a justiça de Deus é boa e sua bondade é justa; e estes castigos completam o curso da expiação e purificação de cada um” (Clemente de Alexandria, anos 150-215; cf. Patres Groeci. IX, col. 332 [A.D. 150-215]).
  • “Imediatamente, nessa mesma noite, isto me foi mostrado em uma visão: eu vi Dinocrate saindo de um lugar sombrio, onde se encontravam também outras pessoas; e ele estava magro e com muita sede, com uma aparência suja e pálida, com o ferimento de seu rosto quando havia morrido. Dinocrate foi meu irmão de carne, tendo falecido há 7 anos de uma terrível enfermidade (…) Porém, eu confiei que a minha oração haveria de ajudá-lo em seu sofrimento e orei por ele todo dia, até irmos para o campo de prisioneiros (…) Fiz minha oração por meu irmão dia e noite, gemendo e lamentando para que [tal graça] me fosse concedida. Então, certo dia, estando ainda prisioneira, isto me foi mostrado: vi que o lugar sombrio que eu tinha observado antes estava agora iluminado e Dinocrate, com um corpo limpo e bem vestido, procurava algo para se refrescar; e onde havia a ferida, vi agora uma cicatriz; e essa piscina que havia visto antes, vi que seus níveis haviam descido até o umbigo do rapaz. E alguém incessantemente extraía água da tina e próximo da orla havia uma taça cheia de água; e Dinocrate se aproximou e começou a beber dela e a taça não reduziu [o seu nível]; e quando ele ficou saciado, saiu pulando da água, feliz, como fazem as crianças; e então acordei. Assim, entendi que ele havia sido levado do lugar do castigo” (Perpétua, ano 203; Paixão de Perpétua e Felicidade 2,3-4).
  • “A alegoria do Senhor [cf. Mateus 5,25-26] (…) é muitíssimo clara e simples em seu significado (…) [cuide-se para não ser como] um transgressor de seu contrato, diante de Deus, o Juiz (…) e para que este Juiz não envie sobre você o Anjo-executor da sentença, para levá-lo à ‘prisão do inferno’, de onde você não sairá até que o menor dos seus delitos seja apagado durante o período anterior à ressurreição. Pode haver alguma coisa mais lógica do que isso? Qual seria a melhor interpretação?” (Tertuliano de Cartago, ano 210; Da Alma 45).
  • “A fiel viúva ora pela alma do seu esposo e suplica por ele no repouso interino e na participação da primeira ressurreição; e oferece orações no aniversário da sua morte” (Tertuliano de Cartago, ano 213, Da Monogamia 10).
  • “Uma coisa é pedir perdão; outra coisa, alcançar a glória. Uma coisa é estar prisioneiro sem poder sair até ter pago o último centavo; outra coisa, receber simultaneamente o valor e o salário da fé. Uma coisa é ser torturado com longo sofrimento pelos pecados, para ser limpo e completamente purificado pelo fogo; outra coisa é ter sido purificado de todos os pecados pelo sofrimento. Uma coisa é estar suspenso até que ocorra a sentença de Deus no Dia do Juízo; outra coisa é ser coroado pelo Senhor” (Cipriano de Cartago, ano 253, Epístola 51[55],20).
  • “Então mencionamos também a todos os que já adormeceram: primeiro os patriarcas, profetas, apóstolos e mártires, os quais, com suas orações e súplicas a Deus, recebem os nossos pedidos; a seguir, mencionamos também os Santos Padres e Bispos que já adormeceram e, para torná-lo simples, a todos os que entre nós já adormeceram. Porque cremos que será de grande benefício para almas pelas quais pedimos, quando o santíssimo e solene sacrifício é oferecido” (Cirilo de Jerusalém, ano 350; Leituras Catequéticas 23,5,9).
  • “Vamos auxiliá-los e comemorá-los. Se os filhos de Jó foram purificados pelo sacrifício de seu pai, ‘porque deveríamos duvidar que quando nós também oferecemos [o sacrifício] pelos que já partiram, recebem eles algum consolo’? Já que Deus costuma atender aos pedidos ‘daqueles que pedem pelos demais’, não cansemos de ajudar os falecidos, oferecendo em seu nome e orando por eles” (João Crisóstomo, ano 392).
  • “Não sem razão foi determinado, mediante leis estabelecidas pelos Apóstolos, que na celebração dos sagrados e impressionantes mistérios se faça a memória dos que já passaram desta vida. Sabiam, com efeito, que com isso os falecidos obtêm muito fruto e tiram grande proveito” (João Crisóstomo, ano 402; Homilias sobre Filipenses 3,9-10).
  • “Dai o perfeito descanso ao teu servo Teodósio, o descanso que preparaste para os teus santos (…) O amei e também o seguirei à terra dos viventes; e o acompanharei com lágrimas e orações; o conduzirei, pelos seus méritos, até a Santa Montanha do Senhor” (Ambrósio de Milão, ano 395; Sermão durante o Funeral de Teodósio 36-37).
  • “A isto se deve o uso eclesiástico, conhecido pelos fiéis, de se mencionar os nomes dos mártires diante do altar de Deus; não para orar por eles, mas pelos demais falecidos de que se faz menção. Seria uma injúria rogar por um mártir, a cujas orações devemos nos encomendar” (Agostinho de Hipona, ano 411; Sermão 159,1).
  • “Contudo, há penas temporais que alguns padecem apenas nesta vida, outros após a morte, e outros agora e depois. De toda forma, estas penas são sofridas antes daquele severíssimo e definitivo juízo. Mas nem todos os que hão de sofrer penas temporais através da morte cairão nas eternas, que terão lugar após o juízo” (Agostinho de Hipona, ano 419; A Cidade de Deus 21,13).
  • “Que deve haver algum fogo, inclusive depois desta vida, não é incrível. Algo pode ser examinado e levado à luz ou ocultado, dependendo do fiel que pode ser salvo: alguns mais lentamente, outros mais rapidamente, em maior ou menor grau, conforme amaram as coisas que se consomem mediante um certo fogo purificador [purgatorial]” (Agostinho de Hipona, ano 421; Manual sobre a Fé, a Esperança e a Caridade 18,69).

Com efeito, o consenso unânime dos Pais Apostólicos e primeiros cristãos é que existe uma purificação dos pecados após a morte ou Purgatório. Acrescente-se ainda que os primeiros cristãos, como vemos, também oravam pelos seus falecidos.

Veritatis Splendor

S. MOISÉS, LEGISLADOR E PROFETA

S. Moisés, século XII-XIII
S. Moisés, século XII-XIII 

A história de Moisés é narrada nos últimos quatro livros do Pentateuco, ou seja, os Livros com os quais inicia o Antigo Testamento. O Êxodo descreve a libertação dos judeus da escravidão dos egípcios e da fuga pelo deserto; o Levítico fala de Moisés, mencionado como o guia do povo eleito; o Livro dos Números narra a última parte dos 40 anos passados no deserto, para chegar à Terra Prometida; e o Deuteronômio descreve o fim da vida de Moisés, que, segundo a tradição, morreu aos 120 anos.

Moisés, de herói a profeta

O significado do nome Moisés é "salvo das águas", mas, segundo outros estudiosos, quer dizer também "aquele que salva" o seu povo. Seja como for, no nome deste maior profeta de todos os tempos, considerado Santo pela Igreja Católica, consistem nas suas origens e seu destino. Moisés era judeu de nascimento, pertencente à tribo de Levi. Porém, na época do Faraó, Thutmose III, todos os judeus primogênitos tiveram que ser jogados no rio Nilo para evitar que o povo se tornasse maior e mais forte que os egípcios. Moisés, porém, foi salvo por ser tirado das águas pela filha do Faraó, que o criou como se fosse seu filho. Na corte, recebeu a melhor educação. No entanto, emergiu nele uma ideia clara de justiça, ou seja, o mais fraco deve ser sempre protegido, tanto que não hesitou matar um egípcio, que maltratava um judeu. Por isso, para escapar da condenação do Faraó, foi obrigado a fugir e a refugiar-se no deserto.

A fuga pelo deserto e a sarça ardente

Moisés vagava pelo deserto do Sinai, cansado e aflito, mas a solidão o faz entender a própria pequenez diante da Criação: a sua reflexão o aproximava, cada vez mais, de Deus. Então, certo dia, Deus lhe falou abertamente ao aparecer em forma de uma sarça ardente, que nunca se apagava: “Eu sou quem sou!”. Assim, Deus responde à sua pergunta e o mandou voltar e pedir ao Faraó a libertação dos israelitas da escravidão, a fim de guiá-los até a Terra Prometida. Para ajudar Moisés, Deus deu-lhe um cajado, capaz de fazer maravilhas e colocou ao seu lado, seu irmão Arão, que era mais hábil na arte da oratória. Os dois partiram, acompanhados de Séfora, filha do rei de uma tribo nômade, que Moisés havia conhecido no deserto, com a qual se casou.

A volta a Faraó e as pragas

Como lemos na Bíblia, "Deus havia endurecido o coração do Faraó", diante do qual Moisés e Arão encontraram resistência. A nada serviram o cajado, transformado em cobra, e a água do Nilo, transformada em sangue: os magos da Corte também sabiam fazer a mesma coisa. Então, Deus enviou as famosas pragas ao Egito: o país foi invadido por rãs, depois, por mosquitos e grandes insetos; uma pestilência misteriosa se abateu sobre o gado, mas, milagrosamente, poupou os animais dos judeus; choveu granizo, que destruiu o linho e a cevada, mas deixou intacto o trigo e a espelta; e, enfim, a invasão de gafanhotos e o sol, que ficou escurecido por dias. Faraó prometeu aceitar o desejo de Moisés, mas, logo que as pragas cessaram, ele voltou a fazer resistência. Por isso, Deus enviou a pior das pragas: certa noite, matou todos os primogênitos dos egípcios, inclusive o filho do Faraó. Naquele dia, celebrava-se a festa da instituição do Pesah: trata-se da Páscoa, que os judeus iriam recordar, todos os anos, com o sacrifício de um cordeiro, comendo pão ázimo, pela de fugir, e ervas amargas, como símbolo da condição dos escravos. Somente assim, Faraó aceitou libertar os judeus. Mas, quando chegaram às margens do Mar Vermelho, ele se arrependeu: por isso, logo que o Povo de Israel atravessou o mar, Deus mandou as águas voltarem à normalidade, matando os soldados, que Faraó havia enviado.

Início da viagem

Os judeus estavam, oficialmente, a caminho da Terra Prometida, com destino a Caná. No deserto, Deus os protege através dos prodígios realizados por Moisés: com seu cajado, fez jorrar água das rochas para que saciassem sua sede; além disso, para matar sua fome, mandou codornas e maná, um alimento particular, que consiste em pequenos grãos com sabor de fogaça de mel. A viagem era longa e o deserto ocultava muitas armadilhas, como os povos, contra os quais devia lutar. Mas, Deus acompanhava seu povo! Todas as vezes que Moisés rezava, levantando os braços e seu cajado para o céu, Israel saía vitorioso.

As tábuas da Lei, no Monte Sinai

Durante o êxodo, o povo judeu chegou aos pés do Monte Sinai. Ali, Deus avisou Moisés que estava prestes a dar sinal a aparecer ao povo, para comunicar-lhe a sua vontade. Então, os judeus se prepararam com três dias de purificação. Mas, ao ver a montanha transformar-se em uma fornalha, tiveram medo e Moisés foi sozinho: o Profeta ficou 40 dias sobre o monte Sinai, onde recebeu as Tábuas da Lei, os “Dez Mandamentos”, esculpidos na pedra pelo próprio dedo de Deus. No entanto, quando Moisés voltou ao acampamento, encontrou um ambiente terrível: o povo, cansado e incrédulo, havia construído um bezerro de ouro e caiu na idolatria. Moisés teve que superar esta e muitas outras provações à frente de um povo, que nem sempre era fácil. Sua obra, como “mediador”, entre o Povo e Deus, foi intensa.

Novamente a caminho e sucessão de Josué

Moisés e seu Povo puseram-se novamente a caminho, mas os problemas continuavam. Os representantes das 12 Tribos de Israel, enviados a Caná para uma cognição, voltaram com notícias nefastas: segundo eles, era impossível estabelecer-se lá. Era o fim! Moisés, tendo mal aplacado a ira divina, conseguiu fazer com que, apenas a próxima geração, livre das culpas dos seus pais, conseguiria conquistar a Terra Prometida. Assim, os judeus passaram mais 40 anos no deserto e o próprio Moisés morreu antes de entrar na Terra Prometida, que apenas pôde ver do alto, do seu refúgio no Monte Nebo. Com a morte de Moisés, Josué o sucedeu à frente de Israel.

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S. MARINO, EREMITA

 

"Eu os deixo livres de ambos os homens" (Marino agonizante).

Esta frase, atribuída a São Marino agonizante, tem o seguinte significado: o Santo, antes de votar à Casa do Pai, teria anunciado aos habitantes do povoado, que surgiu sobre o Monte Titano, em torno da comunidade por ele fundada, que eles seriam livres da autoridade do imperador e do Papa. Estas palavras profetizavam, de fato, a queda do Exarcado Bizantino, ocorrida no século VIII, e a base da independência da República homônima de São Marino, ainda hoje em vigor.

Chegada à Itália com o amigo Leão

Transcorria o ano 275. Os imperadores Diocleciano e Maximiano, além de exacerbarem as perseguições contra os cristãos, decidiram reconstruir a cidade de Rimini, destruída pelos Liburnos. Marino e o amigo Leão, escultores, deixaram a Ilha de Arbe, na Dalmácia, e se estabeleceram, imediatamente, no Monte Titano, onde começaram a trabalhar na extração de rochas, necessárias para a reconstrução da muralha da cidade. Depois, se separaram: Leão refugiou-se no Monte Feliciano - hoje Monte Feltro – e Marino voltou para Rimini, onde, além de trabalhar, pregava a fé, conseguindo muitas conversões. A sua fama alastrou-se logo para o além-mar e até à sua terra natal, Dalmácia, de onde veio uma mulher que reivindicava ser sua esposa. Marino teve que se trancar no seu refúgio, mas não foi suficiente: fugiu para o Monte Titano, onde construiu uma cela de monge e uma igreja, dedicada a São Pedro. A mulher, finalmente, se arrependeu e voltou para a sua cidade. Antes de morrer, confessou seus pecados.

Discussão com Dona Felicíssima

A pequena comunidade, fundada por Marino e Leão, sobre o Monte Feltro, começou logo a encontrar dificuldades e ameaças. O terreno que ocupavam era de propriedade de uma senhora chamada Felicíssima, reivindicado por seu filho, Veríssimo. Para combater a violência da mãe e do filho, os dois Santos se dedicaram à oração. Mas, o castigo divino estava à espreita: Veríssimo ficou paralisado e a mãe, atormentada pela dor, pediu a Marino para rezar ao Senhor para que curasse seu filho; em troca, ela lhe daria todas as suas terras. A cura de Veríssimo ocorreu pontualmente. A mãe e o filho, além de um grande número de parentes, se converteram e foram batizados pelas mãos de Marino.

Marino e o urso

No entanto, o Bispo de Rimini, São Gaudêncio, ao ser informado de tais acontecimentos, convocou Marino para agradecê-lo. Ficando tão impressionado com a personalidade do Santo, conferiu-lhe o sacramento do Diaconato.
Segundo uma famosa lenda, quando Marino voltou para casa, encontrou um urso, que havia estraçalhado o burrinho, que o ajudava em seu trabalho no dia a dia. Então, o Santo obrigou o urso a substituir o burro nas funções que desemprenhava.
São Marino viveu, com a sua comunidade, no Monte Feltro, até à sua morte em 366.

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF