Translate

terça-feira, 9 de novembro de 2021

Contos Sacerdotais

Presbíteros

1. Deus tem sentido de humor

Pe. Robert V. Reagan

Orlando (Estados Unidos)

Chamou a Pedro, que o negaria três vezes. Chamou a Tomé, que duvidaria da sua ressurreição. Chamou a Judas, que o trairia. Também chamou a mim, o menos apto de todos para ser escolhido como pescador de homens: um velho (52 anos), divorciado e descapacitado, veterano da guerra do Vietnã. Mas já sabia que estava bem acompanhado.

Quando finalmente tive o valor de contactar com o diretor de vocações ele me disse que não perdesse meu tempo, porque a política da diocese era de não aceitar a ninguém maior de 40 anos como candidato ao sacerdócio. Disseram-me que, se acaso, com 45 anos de idade, fosse muito conhecido na diocese e tivesse muitas recomendações… Sabendo isto, voltei a contactar ao diretor de vocações e perguntei se essa política de limite de idade estava já muito bem esculpida. Então meu pároco me aconselhou falar diretamente com o bispo. Eu estava assustado. Que poderia dizer-lhe? “Prazer em conhece-lo, senhor bispo. Por certo, creio que sua politica de admissão esta saturada”. Para não fazer longa a história, falei com o bispo e tivemos uma maravilhosa conversa. No dia seguinte soube, por meio do diretor de vocações, que eu já não era tão velho como pensava. Podia ser admitido.

Enquanto avançava o processo de admissão e seleção para entrar no Seminário, muitas das pessoas encarregadas me perguntaram quais eram minhas motivações. Alguns pensavam que eu tinha mais “crise dos 50” do que vocação. Eu lhes dizia que se tivesse a crise dos 50 iria num carro esportivo vermelho com uma loira, em vez de estar buscando celibato, obediência e simplicidade de vida.

Quando fui aceito, muitos me chamavam “vocação tardia”. Nunca estive de acordo com esse conceito e sempre respondia: “nada de tardio; quando fui chamado, eu vim”.

Dado que eu nunca havia estudado nada de filosofia, teria que fazer 6 anos de estudos, com um ano de experiência pastoral. Já não tinha problemas. Eu estava disposto a qualquer coisa para chegar à Ordenação. Durante o final do quarto ano o reitor me chamou no seu escritório e me disse que acabava de falar com o bispo. Tinham decidido ordenar-me em maio. Nesse momento me podiam derrubar tocando-me como uma pluma… Eu nunca tinha pedido nem tinha esperando nenhum atalho!

Antes da minha Ordenação, aquele diretor que não quis aceitar-me ao início, me disse que pediu ao bispo que me mandasse a sua paroquia como sacerdote. Era uma paróquia peculiar porque tinha duas comunidades numa mesma igreja: uma comunidade americana e uma vietnamita. Os vietnamitas tinham seu próprio sacerdote e diácono e tinham liturgia na sua própria língua. Fui convidado a assistir aos seus atos litúrgicos e a seus eventos. Inclusive eu presidia sua Missa muitas vezes, quando seu sacerdote não estava.

Durante a guerra do Vietnã eu bombardeei quase todos os dias várias zonas do país desde um B-52. Depois de todos estes anos, Deus me deu a oportunidade de reparar algo do dano. Antes os perseguia; agora os ajudava a salvar suas almas. Esta experiência me ajudou a entender a São Paulo e ao seu zelo. Se fechou o circulo da minha vida.

2. Confessei o Diabo

Pe. Manuel Julián Quiceno Zapata

Cartago(Colômbia)

Do que vivi antes da confissão, recordo o seguinte…

Como pároco duma pequena aldeia, frequentemente, cada domingo, saia pelas ruas e aproveitava para cumprimentar as pessoas, deixando-lhes uma catequese escrita, especialmente àqueles que por diversas razoes não iam à igreja.

Naquela paroquia dedicada a São José, muitos tinham um costume que cumpriam sem faltas todo domingo, como se fosse um dever. Isto era tomar “umas geladas” – assim chamavam eles à cerveja –. Portanto, era fácil saber onde encontrar este tipo de “fiéis” e entre eles estava também ele.

Certo dia, ao terminar meu percurso, se aproxima uma senhora para perguntar-me se tinha reconhecido ao “diabo”. Segundo ela, eu o havia cumprimentado e ele tinha recebido uma das minhas mensagens que eu repartia. Eu não havia visto ao “diabo”, ou pelo menos não recordo haver visto a nenhuma nem a nenhum parecido com ele.

Noutra ocasião necessitava ir ao vilarejo vizinho para ajudar a um irmão sacerdote, mas o carro da paróquia não funcionava e por isso necessitava de alguém que me levasse.

Que grande surpresa quando, ao perguntar a algumas pessoas quem poderia me ajudar com esse serviço, imediatamente um menino me disse: “Padre, se o senhor quiser chamo o ‘diabo’ para que o leve”. Não se imaginam o que pensei naquele momento. Parecia uma brincadeira, mas logo aceitei a proposta e esse dia o vi pela primeira vez…

Por um bom tempo, guardei silencio, pois era a primeira vez que fazia uma viagem assim. Ademais pensei: de que posso falar com o diabo? Ao pouco tempo o falei, mas parecia mais uma entrevista do que um diálogo. Esse dia, ao terminar a viagem e sem dizer nada, deixei no seu carro um escapulário da Virgem do Carmo.

Dai adiante, o via em todas as partes; já o reconhecia e, ainda que sempre o convidava à Missa, ele sempre me dizia “agora não, algum outro dia o farei, tenho minhas razões”.

O tempo passou e certo dia um menino que esperava na porta da igreja me disse que alguém necessitava urgentemente e que não queria ir-se antes de falar comigo. O menino me explicou que se tratava de um enfermo grave. Então, rapidamente busquei tudo o necessário para a visita.

Como fiquei assombrado quando, ao chegar naquele lugar, descobri que o enfermo grave que há vários dias esperava o sacerdote se chamava Ramón, aquele a quem chamavam “o diabo”; um homem do campo que havia vivido situações humanas muito difíceis. Não recordava quando nem por que lhe haviam começado a chamar assim, mas ele se tinha acostumado. Agora, prostrado numa cama, padecia de um terrível câncer e se aproximava o seu final.

Recordo muito bem o que ele me disse aquele dia: “Padre, lembra-se de mim? Sou aquele a quem chamam ‘o diabo’, mas minha alma não a deixarei a ele, mas pertence a Deus! Por favor, pode me confessar?”

Foi um momento muito especial, mas ainda quando vi o que apertava nas suas mãos enquanto se confessava: um escapulário; precisamente aquele que eu havia deixado no seu carro. Agora ele o portava no seu viagem à eternidade. Logo, naquela casa também pude ver uma folha sobre a confissão, uma daquelas que eu mesmo lhe havia dado algum domingo ao meio-dia.

E esse dia todo o vilarejo comentava e também eu o pensava: “confessei o diabo!”

3. Gerados pelo Batismo

Pe. José Rodrigo Kópez Cepeda, MSpS

Guadalajara (México)

Visitando minha cidade natal, cedi ao pedido da minha mãe de ir a ver uma amiga sua internada no hospital. Estando no quarto da enferma, se aproximou de mim uma enfermeira e me perguntou se eu poderia ver a um ancião sacerdote que estava muito grave. Sem indagar mais me despedi da amiga da minha mãe e me dirigi à terapia intensiva, onde estava meu irmão no sacerdócio.

Ao entrar foi muito grande minha surpresa pois aquele ancião sacerdote, certamente em estado muito grave, era o sacerdote que me tinha batizado. Estava inconsciente. Apresentei-me à pessoa que cuidava dele que começou a chorar quando eu lhe disse que tinha sido batizado por aquele sacerdote.

E então me disse: “Padre… o senhor pároco soube da sua Ordenação sacerdotal lá na Espanha e dizia que não queria morrer sem ver seu filho sacerdote, pois ele lhe havia gerado à fé pela água do batismo”. E ali estava eu ungindo e apresentando ao Senhor a esse servo fiel que me tinha presenteado a graça que agora me permitia de abençoá-lo.

Este fato marcou minha vida sacerdotal, pois eu também estou chamado a gerar à vida de fé a muitos pelo batismo e ainda mais por minha forma de viver a fé. Não sei quantos dos que eu batizei tenha chamado Deus a servir-lhe, mas desde então, cava vez que apresento um menino na pia batismal faço um pedido no meu interior: “Que o dia de amanha, Senhor, um desses me ajude a ir ao teu encontro”.

4. Com Deus tudo é possível

Pe. Hung Phuoc Lam, OP

Saigón (Vietnam)

“Eu te batizo no nome do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. Estas são as palavras que todo ministro usa ao batizar. Mas para mim tem um significado muito especial, porque eu batizei o meu próprio pai.

Nasci numa família pagã-católica. Meu pai venerava aos seus antepassados e minha mãe era católica; minha tia era budista, mas mesmo assim fui batizado quando era bebê. Meu pai era muito severo e proibia minha mãe de ir à Igreja – e portanto também estava proibido para mim -. Talvez a razão era que, numa ocasião, seu taxi quebrou e teve que deixa-lo diante da Igreja para consertá-lo e então veio o sacerdote e o repreendeu. Desde então se encheu de prejuízos contra os sacerdotes e contra a Igreja e o resultado inevitável era esta proibição aos membros da minha família.

Também houve outro incidente relacionado com isso. Aqui quando chove, diluvia. Um dia, durante um forte aguaceiro, ele e sua família se refugiaram numa igreja, mas uma freira os expulsou porque não queria que sujassem o templo. Desde então a fé na Igreja perdeu todo o valor para ele.

Só posso dizer que esta situação era muito triste. Eu segui confiando em Deus e rezando. Pedia-lhe que mudasse o coração do meu pai, custasse o que custasse. Não exclui meu próprio chamado. E foi assim como ele quis responder.

Deus me chamou à ordem dominicana. Tinha 26 anos. Meu pai não aceitou minha vocação. Foi então quando entendi as palavras do Evangelho: “Não vim trazer a paz, mas sim a espada” (Mt. 10, 35-36). De fato, não sabia que responder quando meu pai me disse: “te proíbo ser católico e agora queres ser sacerdote católico! Não percebes como são os sacerdotes e as freiras?” Tomou uma atitude indiferente em relação a mim e quase me abandonou. De todos os modos, eu seguia adiante, em silêncio, confiando em Deus. E todos os dias rezei por ele com minha mãe.

Dias, meses e anos passaram. Deus mudou meu pai e o fez de verdade. Ele aceitou minha vocação quando presenciou a profissão dos meus primeiros votos. Logo fiz meus votos finais na ordem dominicana. Participou na celebração e gradualmente foram desaparecendo seus preconceitos contra a Igreja. Antes da minha Ordenação lhe disse que gostaria muito que deixasse a minha mãe ir à Igreja. Ele aceitou e minha mãe exultava de felicidade; depois de 33 anos poderia finalmente praticar sua fé. Foi uma grande alegria o dia da minha Ordenação, pois a paz regressou a minha família. Recebi aquilo que pensava ter perdido. Na minha Ordenação meu pai reconheceu: “Fui derrotado por Deus; não lhe posso tirar meu filho. Meu filho é um sacerdote. Está decidido; é um fato”.

Quatro anos depois algo maravilhoso sucedeu. Meu pai expressou o desejo de ser cristão e lhe batizei em 2006. Batizei a muita gente, mas jamais me esquecerei o momento em que batizei a meu pai.

Deus derrotou meu pai. O Senhor fez grandes coisas por minha família: eu era um jovem normal numa família pagã e agora sou sacerdote: meu pai passou de perseguir a fé a ser um bom pai católico.

Tudo isso foi obra de Deus. Tudo para sua glória. Deu-me mais do que eu lhe pedi durante mais de 20 anos de oração silenciosa e perseverante. Ele, com seu poder, fez milagres em coisas normais. Senti-me muito inspirado pelo exemplo de oração silenciosa e perseverante de Santa Mônica. Deus me usou como instrumento para sua glória e para a salvação dos demais. Com Deus tudo é possível.

Tradução ao português: Pe. Anderson Alves

Fonte: https://www.presbiteros.org.br/

Fazer um filme sobre a Eucaristia mudou a vida de um diretor afastado da fé?

wideonet | Shutterstock

MADRI, 09 nov. 21 / 03:19 pm (ACI).- Dirigir “Vivo”, o documentário sobre a Eucaristia que é sucesso nos cinemas da Europa, teve forte impacto na vida do diretor Jorge Pareja Trigo, conhecido como “Justin”, que estava afastado da fé.

Ele conta que ao fazer “Vivo” pôde constatar “o bem que a adoração Eucarística faz às pessoas”.

“Conheci pessoas incríveis que me deixaram de boca aberta na forma de dar e dar, sem pedir nada em troca. Desta forma, fica claro que a fé faz coisas boas, dá esperanças às pessoas, e tem que continuar sendo assim”.

“Vivo”, que estreou na Espanha no dia 9 de abril em apenas seis salas, está entre os 10 filmes de maior bilheteria do ano no país.

O documentário, distribuído pela Bosco Films, narra quatro histórias de conversão de pessoas que tiveram um encontro pessoal com Cristo durante a adoração à Eucaristia.

O documentário foi dirigido por Jorge Pareja Trigo e produzido por Hakuna, em uma iniciativa pastoral do padre José Pedro Manglano.

Depois do sucesso nos cinemas europeus, “Vivo” chega ao México no dia 25 de novembro pelo Cinemex, e no dia 2 de dezembro à Argentina, Panamá, Peru, Honduras, El Salvador, Guatemala, Paraguai, Equador e Costa Rica, com o Cinemark.

Jorge Pareja Trigo disse Entrevistado à ACI Prensa, agência em espanhol do grupo ACI, que o projeto surgiu no final de 2017, quando foi convidado a gravar a celebração da missa na catedral da Almudena, em Madri.

Lá conheceu o trabalho de Hakuna e do padre José Pedro Manglano.

Naquela celebração, lembrou, “eu vi um montão de gente. O que chocava (surpreendia) não é o fato de ter muita gente, que em si mesmo já é algo importante, mas havia muita gente jovem”.

Além disso, destacou, "entre todos os jovens e velhos e de todas as idades, havia uma paixão e um sentimento que estava fora do comum".

Após a gravação dessa cerimônia, surgiu o projeto que culminaria no documentário de sucesso “Vivo”.

Apesar de seu distanciamento pessoal da fé, Pareja Trigo destacou que nas adorações eucarísticas e no trabalho católico de Hakuna “via muito amor, muita paixão. E eu via as pessoas tão felizes nesse momento que se contagiava também”.

“No final do filme, vê-se um pouco refletido o sentimento que existe e que sai desses momentos de adoração”, afirmou.

“Justin” também confessa que ainda “nem consegue acreditar” no sucesso que “Vivo” tem feito.

“É surpreendente quantas pessoas apostaram e continuam apostando no cinema religioso e como nos apoiaram ao máximo”, disse.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Doutorado honoris causa a Kiko Argüello e ao rabino David Rosen

Doutorado honoris causa a Kiko Argüello e ao rabino David Rosen | Vatican News

A Universidade Francisco de Vitoria de Madri concedeu o reconheceimento ao iniciador do Caminho Neocatecumenal e ao Diretor Internacional de Assuntos Religiosos do Comitê Judaico Americano, pelo seu empenho no diálogo entre judeus e cristãos.

Debora Donnini – Vatican News

São as notas da Sinfonia "O Sofrimento dos Inocentes" a fazer perceber o significado mais profundo do Doutorado honoris causa pela sua grande contribuição ao diálogo judaico-católico, conferido nesta segunda-feira (25/10) ao Rabino David Rosen, Diretor Internacional de Assuntos Religiosos do Comitê Judaico Americano, e a Kiko Argüello, iniciador do Caminho Neocatecumenal juntamente com Carmen Hernández, que morreu há cinco anos e para quem, em julho passado, foi apresentado ao arcebispo de Madri o 'Supplex Libellus', o pedido de abertura da fase diocesana para a causa de beatificação e canonização. A composição, criada por Kiko em 2010, é na realidade dedicada ao drama vivido pelos judeus com a Shoah e à dor "inocente" da Mãe de Deus cujo coração foi trespassado por uma espada. É, portanto, em honra de todas as mães judias que viram os seus filhos barbaramente assassinados nos campos de concentração. E se as notas tocam o coração, as palavras expressam o significado mais profundo: partilhar o sofrimento e a história dos outros ao ponto de dar a própria vida, faz-nos experimentar o amor e com ele, portanto, a presença de Deus.

Doutorado honoris causa a Kiko Argüello e ao rabino David Rosen | Vatican News

Uma amizade ao serviço do bem

O doutorado foi concedido pela Universidade Francisco de Vitória de Madri, uma universidade católica com mais de 8.000 estudantes, onde se realizou nesta segunda-feira uma cerimônia evocativa na presença do arcebispo de Madri, cardeal Carlos Osoro, e do cardeal Antonio María Rouco Varela, arcebispo emérito da mesma diocese. O reconhecimento acadêmico visa destacar o encontro entre duas personalidades, um judeu e um cristão, que acreditaram neste diálogo e colocaram a sua amizade ao serviço do bem e da beleza. Um doutorado que, diz Kiko, Carmen Hernández merece, mesmo que seja postumamente, porque com a sua experiência é a origem do grande amor que nasceu no Caminho em direção a Israel, com a redescoberta das raízes judaicas da fé cristã.

Carmen e a redescoberta das suas raízes judaicas

A atribuição do doutorado honoris causa marca uma etapa de um percurso de amizade que dura há décadas. Anos antes de conhecer Kiko e iniciar o Caminho, precisamente entre 1963 e 1964, Carmen fez uma peregrinação inesquecível à Terra Santa. Entre outras coisas, teve a oportunidade de ouvir Paulo VI em Nazaré durante a sua peregrinação. Desta vez, vivida nas pegadas da vida de Jesus, foi muito importante para redescobrir as raízes judaicas do cristianismo, compreendendo a ligação da história da salvação com a terra onde Deus se manifestou. Também central para Carmen foi o seu conhecimento do Concílio Vaticano II e neste sentido, em particular a constituição dogmática Dei Verbum e a declaração Nostra Aetate. Toda esta riqueza foi então concretamente transmitida na experiência do Caminho com a celebração semanal da Palavra de Deus.

Doutorado honoris causa a Kiko Argüello e ao rabino David Rosen | Vatican News

O compromisso do rabino Rosen com o diálogo

Grande apreço pela sinfonia e pela profunda amizade que se desenvolveu com o Caminho Neocatecumenal é sublinhado pelo rabino Rosen que se refere ao percurso do Concílio Vaticano II, à experiência dos Papas, começando por João XXIII que desejou a realização do Concílio. Um caminho de reconciliação e aproximação do qual ele próprio fez parte. Em particular, recorda a sua participação na Comissão Bilateral da Santa Sé e do Estado de Israel para negociar as questões relevantes que levariam à assinatura do Acordo Fundamental entre as duas partes em 1993, estabelecendo relações diplomáticas plenas entre ambas. Depois veio a peregrinação histórica de João Paulo II à Terra Santa, no ano jubilar de 2000. Depois do encontro do Papa com o Rabino-Chefe, foi criada uma Comissão bilateral permanente de diálogo entre o Rabino-Chefe de Israel e a Santa Sé para promover o entendimento e a cooperação entre os dois, da qual o próprio Rosen foi então convidado a ser membro, estando por isso fortemente empenhado nas relações e no diálogo entre judeus e católicos.

No centro do seu discurso esteve a importância da declaração Nostra Aetate. E também, no seu 50º aniversário, o documento da Comissão Pontifícia para as Relações Religiosas com o Judaísmo: "Porque os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis". Um caminho de reconciliação que ainda precisa de ser totalmente aprofundado e assimilado, observa Rosen, sublinhando neste sentido o importante papel do Caminho Neocatecumenal também em relação à formação teológica no seminário Redemptoris Mater na Galileia.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

As antigas culturas indígenas são mesmo um modelo ideal de sociedade?

Public domain
Por Francisco Vêneto

Violência brutal de tribos de vários continentes desmentem a narrativa generalizante de que os povos ancestrais levavam vidas idílicas.

É relativamente comum ouvir ou ler declarações de que as antigas culturas indígenas seriam o modelo ideal de sociedade, porque, idilicamente, viveriam de modo harmônico e natural, supostamente sem leis nem impostos, sem pressões econômicas porque tudo seria compartilhado, sem preocupações com o futuro porque todos viveriam um dia depois do outro, sem interferência de governos porque os caciques seriam apenas sábios conselheiros, sem opressão religiosa porque os rituais seriam inofensivos cultos à mãe natureza.

Quem espalha esse tipo de generalização também espalha, via de regra, mais algumas narrativas complementares, como a de que os missionários católicos teriam exterminado brutalmente a vida maravilhosa que os índios levavam antes da sua chegada.

Modelo ideal de sociedade?

Até que ponto essas narrativas refletem a realidade documentada por pesquisadores, arqueólogos e historiadores?

São contundentes os registros de rituais tão sangrentos e violentos praticados pelos astecas, por exemplo, que os próprios conquistadores espanhóis se chocavam com a sua desumanidade. Aos que alegam que esses relatos foram exagerados pelos colonizadores, é o caso de apresentar testemunhos arqueológicos como o dos 650 crânios encontrados em 2017 nos arredores do Templo Maior de Tenochtitlan, um dos principais da antiga capital asteca.

Segundo os pesquisadores, trata-se de restos mortais de centenas de guerreiros feitos reféns e depois executados; seus crânios foram usados para construir uma torre de ossos humanos que é apenas um dos muitos registros históricos de rituais de morte comuns a diversas culturas mesoamericanas anteriores à chegada dos espanhóis ao México. Descobertas arqueológicas similares incluem crânios de mulheres e crianças, o que descarta a narrativa de que as ossadas decorressem de guerras. Os indícios são de extensos rituais em que centenas de pessoas, inclusive crianças e mulheres, eram sacrificadas aos nada meigos deuses astecas. O próprio Instituto Nacional de Antropologia e História, do México, estima que cerca de 75% das vítimas eram homens de 20 a 35 anos; 20% eram mulheres e 5% crianças.

Durante um dos rituais documentados, o sacerdote asteca abria o peito da vítima usando uma lâmina afiada e retirava o seu coração ainda pulsando. Em seguida, o sacerdote retirava a cabeça do corpo assassinado fazendo um corte entre duas vértebras. Depois de removidas a pele e a carne até que restassem somente os ossos do crânio, eram abertos buracos nas suas laterais para que os crânios fossem presos a estacas de madeira. Eram assim formadas autênticas torres de crânios humanos oferecidos às divindades insaciáveis – literalmente, porque, para essa cultura, os sacrifícios humanos eram imprescindíveis para manter os deuses vivos e preservar a existência do mundo.

Ídolos canibais

Um dos deuses, aliás, era Huitzilopochtli, descrito como a “divindade canibal da guerra”: para os astecas, o sol só sairia no dia seguinte se Huitzilopochtli fosse alimentado com as entranhas de vítimas de sacrifícios rituais, pois isto o impediria de comer o sol. Em um dos templos chegava a existir uma estátua de Huitzilopochtli de boca aberta, pela qual era emitida uma voz medonha pedindo mais vítimas e declarando ter sede de sangue.

Crônicas de 1519 narram que Hernán Cortés ficou horrorizado a ponto de destruir ele próprio aquele ídolo a marretadas. Andrés de Tapia e Gonzalo de Umbria contaram 136.000 caveiras humanas em apenas um templo. Chegou-se a calcular que cerca de 100.000 vítimas eram sacrificadas por ano a Huitzilopochtli.

Se o simples conhecimento das características de Huitzilopochtli é capaz de despertar repulsa e horror até os nossos dias, é bom nos prepararmos bem antes de saber quem era a deusa-mãe de Huitzilopochtli: Coatlicoe, que correspondente, mais ou menos, à Pachamama dos incas.

Segundo o pesquisador Andrés Brito Galindo, doutor em Ciências da Informação pela Universidade de Burgos e professor de Antropologia da Educação no Centro de Estudos Teológicos de Tenerife, ambas as instituições na Espanha, Coatlicoe é um ídolo de cuja cabeça saíam duas serpentes, com outras duas formando os braços e garras de ave de rapina constituindo os pés. A essa aberração em forma de ídolo os astecas sacrificavam mulheres grávidas, arrancando-lhes os fetos para dissecar a sua cabeça e fazer colarinhos de pequenos crânios para adornar a deusa-mãe. Representações posteriores incluem nesses colares corações, mãos e caveiras.

https://youtu.be/EoUOJrrI868

Tribos beligerantes

O apontamento acrítico de um suposto modelo ideal de sociedade entre os povos ancestrais não cai por terra somente sob o peso dos seus ritos religiosos sangrentos: também cai por terra sob as mentiras a respeito da alegada natureza pacifista desses povos idealizados como cultura homogênea apesar de diversa.

Os mesmos astecas mantinham vultosos exércitos para submeter cerca de 300 outras tribos da região, mas a realidade sangrenta não se restringia ao território mexicano. A ferocidade das tribos da América do Norte não era menor, nem entre elas próprias, nem com os colonizadores.

Mesmo na alegadamente “pacífica” América do Sul não faltam registros de guerras e raptos entre povos de tribos diferentes. Recentemente, aliás, foi notícia no Brasil a tradução das únicas cartas de que se tem notícia escritas por um indígena em tupi antigo durante o período colonial da história do país. Na troca de correspondências, o indígena católico Felipe Camarão pedia a seus parentes Pedro Poti e Antônio Paraopeba, indígenas protestantes aliados dos invasores holandeses, que voltassem para o lado português. Camarão afirmava que os indígenas precisavam se unir, pois eram do mesmo sangue e não podiam se matar daquela maneira.

Os parentes, porém, não se comoveram. Em 16 de julho de 1645, o padre André de Soveral e 70 fiéis católicos, incluindo indígenas, foram assassinados de modo bárbaro por 200 soldados holandeses acompanhados pelo grupo de índios potiguares que tinham influenciado. O martírio foi sofrido em plena Santa Missa, na Capela de Nossa Senhora das Candeias, em Canguaretama, litoral do atual Rio Grande do Norte.

Veja mais a respeito desse episódio:

Tribos escravizando outras tribos

A busca pelo “modelo ideal de sociedade” entre os povos antigos não pode eludir o fato incontestável da escravidão.

Esse horror, que muitas narrativas também atribuem exclusivamente aos exploradores europeus durante a era colonialista, era comum entre culturas africanas que não apenas a impunham umas às outras como, frequentemente, participavam dos lucros do tráfico humano vendendo escravos de seu próprio povo aos criminosos europeus que os revendiam às Américas.

A cumplicidade histórica de elites africanas com o tráfico de escravos negros para as Américas, sobretudo para o Brasil, é hoje reconhecido até por descendentes de escravos que buscam reconciliar-se com as suas origens.

É o caso de Zulu Araújo, que, aos 63 anos, em 2016, foi um dos 150 brasileiros convidados pela produtora Cine Group a identificar as suas origens mediante um exame de DNA. Após descobrir que é descendente do povo tikar, de Camarões, Zulu viajou ao país para conhecer a terra de seus antepassados. Lá conheceu o rei tribal, “homem alto e forte de 56 anos, casado com 20 mulheres e pai de mais de 40 filhos“, conforme matéria da BBC sobre o relato de Zulu. Ainda segundo a mesma matéria da BBC, o brasileiro perguntou ao rei africano “por que eles tinham permitido ou participado da venda dos meus ancestrais para o Brasil“.

E Zulu prossegue o depoimento: “O tradutor conferiu duas vezes se eu queria mesmo fazer aquela pergunta e disse que o assunto era muito sensível. Eu insisti. Ficou um silêncio total na sala. Então o rei cochichou no ouvido de um conselheiro, que me disse que ele pedia desculpas, mas que o assunto era muito delicado e só poderia me responder no dia seguinte. O tema da escravidão é um tabu no continente africano, porque é evidente que houve um conluio da elite africana com a europeia para que o processo durasse tanto tempo e alcançasse tanta gente. No dia seguinte, o rei finalmente me respondeu. Ele pediu desculpas e disse que foi melhor terem nos vendido, caso contrário todos teríamos sido mortos. E disse que, por termos sobrevivido, nós, da diáspora, agora poderíamos ajudá-los. Disse ainda que me adotaria como seu primeiro filho, o que me daria o direito a regalias e o acesso a bens materiais“.

Tribos escravizando cristãos

Os próprios cristãos brancos escravizados na África eram muito mais numerosos do que se acreditava até hoje, conforme os estudos do professor Robert Davis, da Ohio State University. A este respeito confira os seguintes artigos sugeridos:

Aparentemente, as narrativas sobre o “modelo ideal de sociedade” pularam diversos capítulos da História real da humanidade.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Publicado o programa da Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe

Santuário de Nossa Senhora de Guadalupe, padroeira do México | Vatican News

A Assembleia reunirá mais de mil participantes de todo o continente e se realizará de forma mista, em presença e virtual, respeitando os protocolos de saúde estabelecidos para a pandemia da Covid-19. No México, cerca de 80 membros participarão presencialmente, enquanto todos os outros poderão vivenciar este evento histórico através das plataformas digitais. Serão promovidas atividades nas redes sociais da Assembleia eclesial e do Celam, às quais poderão participar todos aqueles que o desejarem.

Vatican News

O Conselho Episcopal Latino-Americano (Celam) publicou o programa geral da Primeira Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe, a ser realizada de 21 a 28 de novembro em Cidade do México.

A Assembleia reunirá mais de mil participantes de todo o continente e se realizará de forma mista, em presença e virtual, respeitando os protocolos de saúde estabelecidos para a pandemia da Covid-19.

Um evento histórico

No México, cerca de 80 membros participarão presencialmente, enquanto todos os outros poderão vivenciar este evento histórico através das plataformas digitais.

Segundo informa a nota do Celam recebida pela Fides - agência missionária da Congregação para a Evangelização dos Povos -, serão promovidas atividades nas redes sociais da Assembleia eclesial e do Celam, às quais poderão participar todos aqueles que o desejarem, tais como orações, celebrações, conversas com especialistas da Igreja local.

Também foi montada uma sala de imprensa virtual para as mídias do continente e do mundo para que elas possam acessar materiais, agendar entrevistas e participar das coletivas de imprensa.

Programação

No domingo, 21 de novembro, às 11 horas (hora local), será celebrada a missa de inauguração na Basílica de Nossa Senhora Guadalupe, presidida pelo Presidente do Celam, da Conferência Episcopal peruana e arcebispo de Trujillo, dom Miguel Cabrejos Vidarte, OFM.

Na segunda-feira, dia 22, se terá o ato inaugural, com saudações e várias mensagens (do Prefeito da Congregação para os Bispos, da Conferência Episcopal Mexicana, do Santo Padre) e a primeira conferência, que terá como tema "A centralidade de Jesus Cristo e de sua Palavra em nossa ação pastoral".

Na terça-feira 23, a segunda conferência terá como tema "A conversão pastoral integral e os quatro sonhos proféticos" e a terceira, na quarta-feira, dia 24, terá como tema "A Igreja em saída missionária".

Da Assembleia eclesial ao Sínodo sobre a Sinodalidade

Na quinta-feira, dia 25, o evento principal será o painel intitulado "Da Assembleia Eclesial da América Latina e do Caribe rumo ao Sínodo sobre a Sinodalidade". Na sexta-feira, dia 26, a quarta conferência será sobre o tema "A sinodalidade do Povo de Deus: testemunhas".

Cada dia incluirá atividades de grupo, testemunhos, debates sobre o tema e momentos de oração. No sábado, 27 de novembro, estão previstas as conclusões, os trabalhos finais da Assembleia e uma mensagem para o Povo de Deus.

A missa de encerramento, presidida pelo Enviado do Santo Padre, terá lugar no domingo 28 de novembro, seguida da Consagração a Nossa Senhora de Guadalupe.

(com Fides)

Fonte: https://www.vaticannews.va/

Santo Orestes

Santo Orestes | arquisp
09 de novembro

Santo Orestes

Orestes é um nome de origem rude, de trágica lembrança, e muito divulgado no mundo cristão. Rude porque significa "homem da montanha". De lembrança trágica porque, segundo a literatura grega, era filho de Agamênon, a quem vingou a morte ao matar a esposa adúltera, a própria mãe. E divulgado entre os cristãos porque é o nome de um mártir da fé.

No livro dos santos da Igreja, só encontramos um com este nome. Dele sabemos, com certeza, que no final da Antiguidade era venerado como um mártir no dia de sua morte: 9 de novembro. E que alguns mosteiros importantes foram dedicados a ele, como o da Capadócia, no século IV.

Mais tarde, soube-se da participação de um monge do mosteiro de santo Orestes no segundo Concílio de Nicéia, onde saíram condenados os hereges iconoclastas, isto é, os cristãos que destruíam as pinturas e objetos sagrados.

Provavelmente, esse monge era do Mosteiro da Capadócia, onde as relíquias mortais do mártir Orestes estavam guardadas. Como a sepultura estava sob a construção, os dados de santo Orestes nunca foram encontrados e ninguém soube ao certo a sua origem.

A tradição relata sua vida começando pelo ponto culminante: a morte pelo testemunho da fé. A fé cristã sempre foi marcada, ao longo dos séculos, pelos sacrifícios de seus seguidores, iniciados com a crucificação pela Paixão de Jesus Cristo. Orestes foi mais um desses mártires, provavelmente morrendo na última perseguição aos cristãos decretada pelos romanos.

Temos uma narração milenar vinda da Capadócia que nos coloca Orestes como um médico acusado de incitar o povo contra a idolatria. Um médico, de fato, pode exercer muita influência sobre o ânimo dos doentes, que estão necessitados de ajuda material, mas que também precisam de conforto espiritual. Denunciado como cristão e pregador da nova fé, Orestes não negou.

Durante o julgamento público, ele clamou que o céu lhe concedesse um prodígio capaz de cair sobre o povo, que queria trair a verdade do cristianismo. Imediatamente, foi atendido. Orestes, apenas com um sopro, fez as estátuas dos ídolos voarem como folhas mortas e as colunas do templo caírem, como se fossem de fios de palha. Foi condenado à morte.

Mas antes foi torturado com pregos e arrastado por um cavalo. No final, com o cadáver desfigurado, foi atirado num rio, que devolveu seu corpo refeito e coberto com uma magnífica túnica. Foi assim que as relíquias do mártir chegaram naquele antigo local, onde existiu o famoso mosteiro de santo Orestes, na Capadócia, atual Turquia.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

https://arquisp.org.br/

segunda-feira, 8 de novembro de 2021

Sabedoria: uma das melhores virtudes para pedir a Deus

GRJ Photo | Shutterstock
Por Mário Scandiuzzi

Foi isso o que Salomão pediu ao Senhor - e Deus lhe concedeu um coração sábio e inteligente.

Certa vez o Papa Francisco disse que “a sabedoria é uma graça que nos permite ver as coisas com os olhos de Deus, a sentir como Deus e a falar com suas palavras”.

Mas como podemos pedir sabedoria a Ele? Uma bela prece com essa petição foi feita pelo rei Salomão quando assumiu o trono no lugar de seu pai, Davi (I Reis 3, 6-9).

O Senhor apareceu em sonho, dizendo que Salomão poderia pedir o que quisesse. Ele, que ainda era um jovem, disse a Deus: “Eu não passo de um adolescente e não sei como me conduzir” (v. 8). E concluiu pedindo: “Dai, pois, ao vosso servo um coração sábio, capaz de julgar o vosso povo e discernir entre o bem e o mal;  pois sem isto, quem poderia julgar o vosso povo, um povo tão numeroso?” (v. 9).

Coração sábio

Diante deste pedido, Deus concedeu a Salomão um coração sábio e inteligente.

E no capítulo 9 do livro da Sabedoria encontramos uma oração inspirada no pedido de Salomão:

“Deus de nossos Pais, e Senhor de misericórdia, que todas as coisas criastes pela vossa palavra, e que, por vossa sabedoria, formastes o homem para ser o senhor de todas as vossas criaturas, governar o mundo na santidade e na justiça, e proferir seu julgamento na retidão de sua alma, dai-me a Sabedoria que partilha do vosso trono e não me rejeiteis como indigno de ser um de vossos filhos, porque qualquer homem, mesmo perfeito entre os homens, não será nada se lhe falta a Sabedoria que vem de vós”.

Que possamos fazer essa oração, pedindo a Sabedoria de Deus para tomarmos sempre as decisões que vão nos levar pelo caminho da salvação.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Proclamado um ano extraordinário em homenagem ao Beato Scalabrini

O Beato Bispo Scalabrini, o anúncio do Ano Extraordinário
Scalabriniano 

No domingo, 7 de novembro iniciou o Ano Scalabriniano que terá sua conclusão no dia 9 de novembro de 2022, dia do 25º aniversário da beatificação de João Batista Scalabrini. O tema principal das iniciativas nos diferentes continentes será: "Fazer do mundo a pátria do homem". A vice-postuladora, Ir. Lina Guzzo explica o significado da celebração que pretende chamar a atenção aos migrantes vivida pelo fundador e hoje testemunhada por toda a Família Scalabriniana.

Adriana Masotti – Vatican News

João Batista Scalabrini foi proclamado Beato por São João Paulo II em 9 de novembro de 1997. Nasceu em 8 de julho de 1839 e faleceu em 1º de junho de 1905. Foi bispo da diocese de Piacenza-Bobbio e fundador de duas Congregações: os Missionários e as Irmãs Missionárias de São Carlos Borromeu, mais conhecidas como Scalabrinianos e Scalabrinianas, também foi inspirado nele o Instituto das Missionárias Seculares Scalabrinianas, lançado em 1961. Toda a Família Scalabriniana se empenhará a partir de hoje em um Ano de iniciativas especiais para celebrar os 25 anos de sua beatificação, mas ainda mais para difundir seu pensamento e sua obra especialmente em favor dos migrantes, segundo as palavras de Jesus: "Era forasteiro e me recolhestes".

Scalabrini tornou-se tudo em todos

São significativas as palavras com as quais o Papa Wojtyła apresentou o novo beato aos fiéis: " “Profundamente atraído por Deus e de modo extraordinário devoto da Eucaristia, soube transformar a contemplação de Deus e do seu mistério numa intensa ação apostólica e missionária, tornando- se tudo em todos para anunciar o Evangelho. Esta sua fervorosa paixão pelo Reino de Deus tornou-o zeloso na catequese, nas atividades pastorais e na ação caritativa, sobretudo em benefício dos mais necessitados”. O Ano que se abre hoje é para sua Família sobretudo um convite para seguir seus passos, para contar sua paixão pelos migrantes, para que outros possam sentir a mesma paixão e intervir, em todos os níveis, na Igreja e na sociedade, para encorajar o acolhimento daqueles que estão longe de sua pátria.

Irmã Lina Guzzo: todos têm direito a uma vida melhor

A Irmã Scalabriniana Lina Guzzo, de origem vêneta, é vice-postuladora da Congregação das Irmãs Missionárias para a causa de canonização do Beato Scalabrini. Na entrevista Irmã Lina falou-nos sobre o significado deste Ano, o carisma do Beato Scalabrini, sua atenção especial pelos migrantes que continua através da Família Scalabriniana:

Irmã Lina, João Batista Scalabrini é reconhecido como uma testemunha exemplar do amor a Deus e a seus irmãos. A senhora poderia nos falar sobre o coração de seu carisma?

Scalabrini é o homem da paz, o homem que observa a realidade das pessoas no presente; um homem da Igreja, um homem de questões sociais, muito sensível. Dele recebemos este carisma que é o de dar atenção à pessoa, desde o nascimento até a morte. Inicialmente era bispo da diocese de Piacenza, mas um bispo universal porque abraçou o mundo, estava interessado em vários aspectos: das trabalhadoras rurais, dos surdos-mudos, dos migrantes e da fé destas pessoas. Em uma palavra, este homem era "poliédrico", ou seja, aberto a tudo, mas acima de tudo a todos.

Celebrar um ano dedicado a um fundador não se trata apenas de recordar. Como vocês pretendem vivê-lo?

Como Scalabrinanas, pensamos que Scalabrini é uma figura que deveria ser mais conhecida no mundo, ele se dirigiu em particular aos migrantes e refugiados, mas o mundo deve sentir que este homem é um pai atento destas pessoas. Assim, este ano, através de vários eventos, queremos recordar o cristão, o bispo, o homem que estava atento às questões sociais, aquele que não esperava que outros fizessem algo, que denunciou uma situação, mas depois arregaçou as mangas. Queremos que ele seja reconhecido como pastor, pai dos migrantes e apóstolo do catecismo, e por isso estamos desenvolvendo diversas atividades não só na Itália, mas em todos os cinco continentes onde vivemos, envolvendo sobretudo as Igrejas locais, as paróquias, as missões e todos aqueles que vivem a situação dos movimentos migratórios, mas que devem senti-los com aquela força que Scalabrini tinha no final do século XIX e início do século XX. Assim, gostaríamos de testemunhar e proclamar tudo isso e levar à sua devoção, de fato, gostaríamos que ele fosse reconhecido como santo, que fosse canonizado em um momento tão particular de migrações como o atual.

O tema deste ano especial é: "Fazer do mundo a pátria do homem", sabemos quantas pessoas estão à procura de uma nova pátria. O Beato Scalabrini tinha tentado dar uma resposta a este problema....

Sim, é um tema muito forte. Em outros momentos ele disse que para o pobre "a pátria é a terra que lhe dá o pão". Nós nos perguntamos: quando as pessoas vão pensar que, para comer, para não morrer de fome, as fronteiras devem cair? Quando chegaremos a dizer: eu tenho o direito de me mudar para viver uma vida pacífica, uma vida melhor e dizer que onde eu encontrar pão, posso ser sereno e livre para rezar, livre para encontrar o que minha família precisa e para viver em sociedade com um emprego? Este é o forte sentido de "Fazer do mundo a pátria do homem", que é uma liberdade que é um sonho para aqueles que partem da África distante ou da Ásia distante para chegar à Europa arriscando-se: arriscando-se no deserto, arriscando-se nas prisões, atravessando o mar, arriscando-se depois para chegar aos países ricos e não para encontrar uma acolhida humana, onde a pessoa possa se sentir livre para expressar o que vive sempre respeitando as leis, é claro.

Fonte: https://www.vaticannews.va/

São Deodato ou Adeodato, Papa e Confessor

S. Deodato | Cléofas
08 de novembro

São Deodato

O nome “Deodato”, ou, em latim, “Deusdedit”, que significa dado por Deus, era muito comum já na Igreja primitiva. Foi, por exemplo, o que Santo Agostinho escolheu para seu filho, em agradecimento a Deus por ter-lho dado. No Martirológio Romano há vários santos com esse nome. Mas o mais conhecido é o Papa que viveu no século vii, São Deodato I.

Este santo era romano por nascimento e formação, e desde cedo seguiu a melhor tradição eclesiástica. Praticamente não temos dados sobre a sua infância e juventude. Foi elevado ao sólio pontifício em 19 de Outubro de 615, sucedendo ao Papa Bonifácio IV. Na época, o Papa não era somente o Bispo de Roma e pai espiritual de todos os fiéis, era também o seu líder na vida civil, o juiz e magistrado supremo, e o garante da ordem. Com a morte de cada pontífice, os romanos sentiam-se privados de protecção, expostos às invasões dos bárbaros nórdicos ou às reivindicações do Império do Oriente.

Nessa época, o Império Romano já se havia desmoronado, e Itália estava ocupada pelos bárbaros godos e longobardos, provenientes do norte da Europa. Por sua vez, o sul da península sofria a poderosa influência do Império Bizantino.

A Igreja de Roma, na pessoa do Sumo Pontífice, tinha de intervir muitas vezes para pacificar situações de conflito armado, e a sua autoridade afirmava-se cada vez mais como árbitro de príncipes e povos.

No tempo do Papa Deodado, deram-se de facto revoltas e invasões armadas, como as que tiveram lugar entre o Príncipe de Ravena e o tirano João Consino no sul da Itália, que exigiram a mediação pacificadora do Papa. Além disto, o breve pontificado de São Deodato, de apenas três anos, foi perturbado por duas graves calamidades: um desastroso terremoto nas vizinhanças de Roma, no mês de Agosto de 618, e uma peste que deformava os corpos, tornando-os irreconhecíveis.

O Papa desenvolveu então uma providencial obra de assistência, assumindo ele próprio o papel de enfermeiro, e cuidando dos atingidos pela desgraça, aliviando-lhes os sofrimentos. A história fala de curas milagrosas por ele operadas ao tocar ou abraçar os atingidos pelo terrível mal. Os romanos veneravam-no como a pai bondoso e extremado, que lhes aliviava os sofrimentos.

Na sua actividade pastoral, conservam-se deste Papa determinações litúrgicas a observar nas basílicas romanas. Teve um grande amor ao clero, favorecendo que os padres seculares ocupassem ofícios ou cargos fixos na diocese, e providenciando benefícios para sustento dos sacerdotes.

Com este Papa, teve início o uso de selar os documentos pontifícios com uma pequena peça redonda de chumbo, chamada “bulla”. Desde então, todos os documentos pontifícios sigilados com este selo de chumbo passaram a chamar-se bulas pontifícias, tratando geralmente de questões de doutrina ou de disciplina eclesiástica.

O Martirológio Romano traz um milagre operado pelo santo: “Em Roma, São Deusdado I, Papa, de tanto merecimento, com um beijo curou um leproso de sua doença.”

Ainda se conservam alguns documentos deste Papa, com o selo de chumbo representando a imagem do Bom Pastor com a sigla “alfa e ómega”, símbolo de Cristo, princípio e fim de todas as coisas.

Desconhecem-se as circunstâncias da morte deste Papa, que a história colocou no dia 8 de Novembro de 618. É todavia pacífico o título de santo que a tradição lhe conferiu. O seu corpo foi sepultado na Basílica de São Pedro, em Roma.

Fonte: https://accaofamilia.eu/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF