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terça-feira, 16 de novembro de 2021

As parábolas do Sínodo

arqmariana
Dom Pedro Brito Guimarães
Arcebispo de Palmas (TO)

AS PARÁBOLAS DO SÍNODO

“Com que mais poderemos comparar o Reino de Deus? Que parábola usaremos para representá-lo? (Mc 4,30). A parábola é um gênero literário preferido por Jesus, comprovadamente como um instrumento pedagógico funcional, prática, útil e eficaz. Muito utilizada pelos profetas, mestres e sábios, anteriores a Jesus, e pouco pelos sábios e entendidos de sua época. Este tipo de recurso pedagógico, aos poucos, cedeu espaço a ensinamentos mais voltados à doutrina, à norma, à regra, à lei, à obrigação e à proibição. Tanto assim, que o povo percebia que Jesus ensinava com autoridade, diferente dos mestres da lei (Mc1,22; Mt 7,29) e ficava admirado e maravilhado como este seu magistério.

Uma parábola não se lê com o olhar ao passado. Lê-se como se olha em um espelho. Vê-se mais o presente, o atual momento, a atualidade, o como estamos no momento. Não é contada em função do passado, mas do presente e do futuro. Assim como a Bíblia e Jesus têm as suas parábolas, a Igreja e o Sínodo também têm as suas. Nós também temos as nossas parábolas existenciais. Temos os nossos terrenos, nossas sementes, nossos semeadores, nossos grãos de mostardas, nossos fermentos, nossos joios, nossos trigos, nossos tesouros escondidos, nossas pérolas preciosas, nossas redes e nossas pescarias.

Sínodo e Igreja são sinônimos: ambos significam dar um passo avante, um caminhar para adiante, um processo, um método, um avançar. Este Sínodo é um sinal da providência de Deus, neste tempo de pandemia. Quando tudo parecia acabado, perdido, escuro e degenerado, o Papa Francisco teve a inspiração de convocar um Sínodo para abrirmos as portas e janelas: sair de casa, ir ao encontro dos irmãos, sentar-se ao seu lado, conversar, escutar, discernir, em espírito de comunhão, participação e missão. Este Sínodo é um sinal de Deus para a Igreja neste pós-pandemia. É isto que o Espírito Santo quer dizer à nossa Igreja.

Não queremos apenas fazer Sínodo. Queremos ser Sínodo. Queremos ser uma Igreja em saída, que marche juntos, sempre para a frente. O Sínodo é uma parábola para olharmos no espelho da atualidade, como estamos caminhando, com quem estamos caminhando, a quem deixamos de lado e para trás. O Sínodo tem as suas parábolas. Quais? Quantas? Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo?

Parafraseando a Jesus, eu me pergunto: com que haveremos de comparar o Sínodo? São Marcos (4,1-34) e, sobretudo, São Mateus (13,1-52), condensou, no seu evangelho, o Sermão das parábolas do Reino. Eu comparo estas suas parábolas com as parábolas do Sínodo. Aliás, a começar pela introdução dessas parábolas, Jesus já imprimiu o seu estilo sinodal: saiu de casa e sentou-se junto ao mar, e uma grande multidão juntou-se ao seu redor (Mt 13,1-2; Mc 4,1-2). Em casa, explicava o sentido de suas parábolas aos seus discípulos (Mt 13,4; Mc 4,10). E ainda perguntava se compreenderam. E eles disseram que sim (Mt 13,36.51). Esta é a estrutura fundamental do estilo sinodal de Jesus. Os atores em jogo são sempre três: Jesus, a multidão e os apóstolos (Documento Preparatório, 17-20). E não o contrário, como costumamos pensar. É isto o que o Espírito Santo está dizendo à nossa Igreja.

Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo? O Sínodo, “por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação e missão”, é comparado ao semeador que saiu, pelo campo, a semear suas sementes (Mt 13,3.8; Mc 4,3-8). No caminho sinodal do semeador das sementes do Sínodo também haverá vários tipos de terrenos. Até porque fomos nós que produzimos estes tipos de terrenos inférteis, secos e pedregosos. Muitas sementes do Sínodo possivelmente cairão em terra boa e produzirão cem, sessenta e trinta frutos por um. Se as sementes do Sínodo forem lançadas em terra boa, mesmo não sendo o ideal, podemos até colher trinta por cento que estaremos satisfeitos com os bons resultados das escutas, neste Sínodo. Ou até mesmo sessenta. As sementes lançadas na terra só conseguiram produzir estas quantias. Os frutos das acolhidas, das escutas e dos discernimentos não poderão deixar de ser colhidos. É isto que o Espírito quer suscitar em nossa Igreja.

Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo? O Sínodo, “por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação e missão”, é comparado ao joio e ao trigo, convivendo conjuntamente. Joio e trigo são parentes próximos e parecidos, mas também são adversários e produzem frutos adversos. O bem e o mal coabitam no mundo e nos corações humanos. Ambos estão por toda a parte, juntos e misturados. E crescem juntos, no mesmo espaço e no mesmo campo. Esta parábola é o coração deste Sermão das parábolas de Jesus. A separação entre a Igreja e a sociedade, e seus ambientes, poderá ter criado este tipo de parábola para o nosso tempo. No nosso caminho sinodal precisamos saber conviver com os trigos e com os joios, e aprender a não excluir ninguém que é e que pensa diferente. No campo do Sínodo nascerão joios e trigos. O Sínodo será uma oportunidade para a Igreja ouvir o que não quer, o que não sabe e o que não aceita. Quem dá a palavra ao povo deve estar preparado para ouvir o que quer e o que não quer ouvir. O que fazer? O único caminho é a conversão. Haverá também a necessidade de se fazer o discernimento final para distinguir um do outro. O trigo irá para moinho e o joio para a reciclagem e a ressignificação. O Documento Preparatório do Sínodo fala de um quarto dialogante, denominado de “quarto ator”, de “ator extra” e de “antagonista”, além de Jesus, da multidão e dos apóstolos: o inimigo (DP 21). Quem são os nossos inimigos? E o que fazer com eles? É isto que o Espírito Santo está suscitando em nossa Igreja.

Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo? O Sínodo, “por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação e missão”, é comparado à semente de mostarda e ao fermento na massa (Mt 13,31-32; Mc 4,30-32).  Estas duas parábolas funcionam como um par. São parábolas gêmeas. São duas pequenas parábolas, como deve ser as reuniões das escutas do Sínodo. Mas com um poder interior transformador. A parábola do grão de mostarda fala do crescimento externo e a parábola do fermento fala do crescimento interno.  E preciso ficar atentos aos pequenos, aos menores gestos, às menores ações. A comissão de frente da Logomarca do Sínodo é formada por crianças e adolescentes. Temos que prestar atenção a estes pequenos. Se a Igreja, neste Sínodo, agir assim, será abrigo para os pássaros do céu. Estas duas pequenas parábolas são a grande profecia (Dn 4,12; Ez 17,23; Sl 1,3) do Sínodo, a qual tanto sonhamos. Pequenas iniciativas podem gerar grandes resultados. As grandes árvores nascem de pequenas sementes. Plante, que a semente nasce e cresce. É o que diz o Provérbio: “Muita gente pequena, em lugares pequenos, fazendo coisas pequenas, estão mudando a face do mundo”. Em outras palavras: um pequeno grupo, em lugares simples e pequenos, pensando e sonhando com coisas grandes. Jesus, o filho do carpinteiro, da pequena Nazaré, morto pelo grande e potente Império Romano, ao terceiro dia, ressuscitou. Tudo indicava que a planta iria morrer. Mas ressurgiu. A parábola do fermento é a parábola mais feminina desta série de parábolas. Uma das insistências do Sínodo é a mulher. Que lugar a mulher ocupa na Igreja? É esta uma das perguntas a ser respondida. É neste Sínodo que estas profecias irão se realizar? Símbolo de todos os bolos, pães e tortas, esta parábola é para levedar, dar volume e qualidade ao Sínodo. Da mesma forma que o fermento penetra na massa, o Sínodo deve penetrar nos corações de todos na Igreja. Este Sínodo possui estas duas metáforas. A mostarda e o fermento são os remédios para as curas das feridas dos corpos, das almas e das mentes de todos nós. É isto que o Espírito Santo está oferecendo à sua Igreja.

Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo? O Sínodo, “Por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação e missão”, é comparado à descoberta de um tesouro escondido no campo e a compra de uma pérola preciosa (Mt 13,44-46). Jesus, seu Reino e a sua Igreja, são estes tesouros escondidos e esta pérola preciosa (Fl 3,8-9). É bem verdade que nem Jesus, nem o seu Reino e nem a sua Igreja estão à venda. Mas quem se encontra com Jesus encontrou um tesouro, uma pérola e um terreno incalculável. É preciso tempo para descobrir que na terra há um tesouro escondido. A parábola da pérola é mais fácil de ser descoberta. Nas plataformas do 5G e das fake news, o perigo é se acreditar em tudo o que se diz por aí. Às vezes, a verdade é a que menos importa. A descoberta de um tesouro faz mudar tudo na nossa vida. Quantos tesouros escondidos estão por aí, sem que se perceba e sem que se valorize. O Sínodo nos pede coragem para abandonar uma série de coisas e de estilo de vida eclesial e arriscar tudo porque se vislumbra e se encontra algo novo e melhor. Com outro olhar, o que parecia não ter mais valor, passa a ter um novo valor, melhor do que o anterior. Para isto precisamos de parresia, de encorajamento, de encantamento e de paixão. Tudo o que é valioso tem um preço embutido. Toda opção tem um preço a ser pago. O Sínodo possui este tipo de preço. Ele é um tesouro escondido e uma pérola de grande valor. Vamos descobri-lo e adquiri-la? A Igreja terá que vender muito do que possui para ganhar o que ainda não tem.  O que significa neste Sínodo vender tudo? Neste Sínodo iremos descobrir muitos tesouros escondidos e muitas pérolas preciosas, saídas das bocas dos que talvez não esperávamos. É isto que o Espírito pede à nossa Igreja.

Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo? O Sínodo, “Por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação e missão”, é comparado a um pescador que lança a sua rede ao mar, e recolhe peixes de todo tipo (Mt 13,47-50). É preciso puxar a rede para a praia e separar os peixes bons, nos cestos, e devolver os peixes que ainda não estão em condições de consumo para que voltem ao seu habitat natural. Eles precisarão de cuidados para que possam se desenvolver. Nas escutas, pesca-se tudo e de tudo. No entanto, um passo seguinte, é preciso selecionar, discernir. Tudo pode ser aproveitado. A rede, com seus emaranhados de fios simboliza as redes de comunidades, as reuniões sinodais, os louvores, as orações, os dons, os carismas, os testemunhos e os ministérios. Já afirmei, anteriormente, que muitas de nossas redes se romperam, e que é preciso levá-las ao conserto. O mar é o mundo em que viemos. O peixe é o homem ou a mulher que precisa ser pescado. O cesto são os nossos espaços eclesiais de acolhida, de escuta e de inclusão. É isto que o Espírito está mostrando à nossa Igreja.

Com que poderemos comparar o Sínodo? Que parábola usaremos para representá-lo? O Sínodo, “Por uma Igreja Sinodal, comunhão, participação e missão”, é o nosso “Saltério”. Não sei porque me veio esta ideia à cabeça. Sei apenas que o Sínodo é o nosso Saltério, seja enquanto instrumento musical, para ser dedilhado, tocado e escutado, seja enquanto Livro que contêm os 150 Salmos, para serem rezados e cantados nas nossas liturgias. O Hino do Jubileu da nossa Arquidiocese foi composto com base neste Salmo. Umas das dimensões singulares deste Sínodo são a liturgia, a celebração e a espiritualidade. Espiritualidade vem de Espírito. Muito se fale neste Sínodo do Espírito Santo. Cada ação, cada evento, cada encontro deste Sínodo deverão ser matizados pela liturgia, pela oração, pela celebração e pela espiritualidade. A conclusão a que chegamos é que o Sínodo é o nosso Laudato Si, nossa Querida Amazônia e nosso Fratelli Tutti. O Sínodo, enquanto Saltério, é um convite à louvação, ao som de vários instrumentos musicais, tocados juntos, afinados, em sintonia e harmonia. A figura do maestro, do tutor, do orientador, do guardião, do guia espiritual e do mistagogo é a condição sine qua non para o Sínodo. É isto que o Espírito Santo está revelando à nossa Igreja.

A Igreja nascente, na pessoa de Pedro, na casa de Cornélio, viveu a sua parábola, e teve que se aclimatar, adaptar e inculturar (At 10,1ss; DP 22-24). Eu aprendi no Seminário que devemos “comer o que passa na mesa do Convento!” E para finalizar, cai bem esta conclusão de Jesus: “Assim, pois, todo escriba que se torna discípulo do Reino dos Céus é como um pai de família, que tira do seu tesouro coisas novas e velhas” (Mt 13,52). Fiquemos atentos ao que o Espírito tem a nos dizer. Bom sínodo para todos! “Quem tem ouvidos, ouça!” (Mt 11,15; 13,9.43).

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Viver a Eucaristia sem medo

pueblerino

Viver a Eucaristia sem medo

A Eucaristia, o Sublime Sacramento do Altar, atravessa os séculos, acompanha toda a nossa História, desde as primeiras comunidades cristãs, ensinando-nos a depositar toda a nossa confiança em Deus, a quem, de dia e de noite, nas sombras e nas luzes, devemos erguer o olhar e estender as mãos suplicantes.

A Eucaristia é o próprio Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Cristo que aquece o nosso coração com a Sua Presença transformadora, ajudando-nos a manter a certeza de que Deus não se esqueceu de nós. Contemplando os diversos períodos da nossa História, percebemos que o ser humano enfrentou guerras, epidemias, catástrofes, revoluções, mudanças de época e inúmeras crises, mas, em todos esses acontecimentos, nas almas dos cristãos pairava a consciência de que “todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus!” (Rm 8,28)

Desde os primeiros séculos, a Igreja sempre enfrentou perseguições e, por ser o próprio Cristo em nosso meio, a Eucaristia também enfrentou heresias, heresiarcas e celeumas. Na defesa da verdade, os Papas e o povo de Deus nunca pouparam esforços para defender a Sagrada Comunhão, a integridade da fé e a unidade da Igreja, cantando em uníssono: queremos que Cristo reine!

As diversas gerações dos cristãos vivenciaram inúmeras dificuldades, noites escuras e tempestades, no exercício da perseverança na fé eucarística. Podemos perceber alguns pontos em comum em todas essas gerações: a certeza de que não podemos passar sem a Eucaristia, que é o Memorial de Deus, e não podemos esquecer a ação salvadora de Cristo em prol da humanidade, pois, ontem, hoje e sempre, Ele deixou-nos um Pão em que Ele está vivo, com todo o sabor do Seu amor e, por isso, em cada Comunhão, podemos afirmar: “É o Senhor! Ele permanece conosco e abrasa o nosso coração, renovando o nosso serviço à Igreja”.

Em anos mais recentes, o Concílio Vaticano II entrelaçou os atos litúrgicos de quem preside a Eucaristia com os de quem participa dela presencialmente, colaborando, de alguma forma, para a nossa participação ativa nas ações litúrgicas. Deste modo, a Igreja passou a ser sempre mais a assembleia reunida, a comunidade dos fiéis, a Casa da Palavra e a Morada de Deus em meio a nós.

Em função da pandemia da Covid-19, muitos cristãos, por medo ou acomodação, sem querer ou mesmo sem perceber, estão fazendo da liturgia eucarística um produto on-line ou televisivo. Conscientizar essas pessoas da necessidade de retornarem à Missa presencial, com os devidos cuidados que a pandemia nos impõe, é o grande desafio pastoral dos nossos dias e, por isso, faço meu o pedido do Papa Francisco: “Irmãos e irmãs, voltem com alegria à Eucaristia, real, não virtual, com o coração purificado, com um renovado maravilhamento, com um desejo acrescido de encontrar o Senhor, de estar com Ele, de O receber para levá-Lo aos irmãos com o testemunho de uma vida plena de fé, amor e esperança. Não podemos viver sem a Palavra do Senhor, sem a participação no sacrifício da Cruz, sem o banquete da Eucaristia, sem a Casa do Senhor, sem o dia do Senhor”.

Precisamos unir nossas forças, dons, talentos e orações nessa empreitada: conscientizar os fiéis cristãos que estão acompanhando a Missa on-line, pela TV ou outro meio de comunicação, que a Eucaristia requer presença, zelo e cuidados. Nessa tarefa, temos que testemunhar que a Hóstia Sagrada cria a comunhão, participação, serviço, entrega, proximidade que nos ajuda a perceber que “quem ama, faz sempre comunidade; nunca fica sozinho”. (Santa Teresa de Jesus).

São Tomás de Aquino nos ensina que “o efeito típico da Eucaristia é a transformação do homem em Cristo”. As gerações que nos precederam combateram o bom combate da fé eucarística e se deixaram transformar pela caridade de nosso Redentor e mesmo não tendo dias fáceis foram fiéis. Esse é o desafio que o Cristo nos faz hoje: anunciar, mesmo sem palavras, que precisamos dobrar os nossos joelhos em oração, presencialmente, diante do Altar Eucarístico, a fim de que possamos superar, em união com Deus, a noite escura dessa pandemia que estamos enfrentando.

Deixemos que Jesus Eucarístico nos transforme sempre mais em ousadas testemunhas da Sua presença em nossa História. Vamos juntos bradar ao mundo que precisamos da Eucaristia, precisamos do Domingo, precisamos da graça divina, pois uma vida sem Eucaristia é uma vida sem graça, sem luz, sem caridade, sem esperança, sem glória, sem liturgia, sem pão, sem sacrifício, sem renúncia, sem êxodo, sem Páscoa, sem ressurreição, sem consolação, sem metanoia, sem conversão, sem fortaleza, sem esperança, enfim, uma vida sem Deus. Vem, Senhor Jesus, aquecei o nosso coração com a chama ardente da Vossa presença e do Vosso amor. Na Eucaristia, fica conosco, Senhor!

 ALOÍSIO PARREIRAS

(ESCRITOR E MEMBRO DO MOVIMENTO DE EMAÚS)


Os sacerdotes mais jovens são mais conservadores

Guadium Press
A pesquisa conduzida pelo Instituto Austin para o Estudo da Família e Cultura mostrou que os jovens sacerdotes católicos nos EUA tendem a ser mais conservadores.

Redação (15/11/2021 11:07Gaudium Press) A pesquisa, com mais de 50 perguntas, divulgada no dia 2 de novembro passado, pelo Instituto Austin, questionou os sacerdotes dos Estados Unidos sobre temas como aborto, comportamento homossexual, aprovação do Papa Francisco, etc..

Para 90% dos sacerdotes ordenados depois de 2010, o aborto é sempre um pecado, em comparação com os 56% dos sacerdotes ordenados antes de 1980. A geração de Francisco foi ordenada em 1969.

89% dos sacerdotes ordenados depois de 2010 consideram o comportamento homossexual sempre pecaminoso, em comparação com 34% dos presbíteros antes de 1980. Os números são muito semelhantes para a masturbação, sexo fora do casamento e contracepção.

Nas questões mais delicadas, 21% dos sacerdotes ordenados antes de 1981 afirmam que se identificam como “gays” ou “algo intermediário, mas mais homossexuais” em comparação com 5% dos padres ordenados depois de 2000.

Tendo por base esta pesquisa, podemos constatar como a Igreja está internamente dividida por diversos “pensamentos”, mas o Evangelho e a Palavra de Deus não são questionáveis.

O mundo de hoje é abalado por várias águas, mas somente se permanecermos apegados à Palavra de Deus e à tradição da Igreja, não haverá perigo de nos afogarmos nas novas correntes de pensamento que distanciam as almas dos ensinamentos de Deus.

Graças a Deus, a Igreja ainda hoje goza de sacerdotes santos.

Por Rita Sberna

Fonte: https://gaudiumpress.org/

Nossa Senhora do Rocio, a padroeira do Paraná

@santuariodorocio | Instagram
Por Francisco Vêneto

Curiosamente, a devoção paranaense não guarda relação com a história da devoção homônima espanhola.

A padroeira do Paraná é Nossa Senhora do Rocio, também denominada Nossa Senhora do Rosário do Rocio.

No mundo hispânico, a veneração a Nossa Senhora do Rocio remonta à Espanha do século XV, quando uma imagem da Santíssima Virgem foi achada dentro do tronco oco de uma antiga árvore. A capela erguida no local acabou se transformando no importante santuário mariano do Rocio, que, atualmente, atrai para o povoado de Almonte, na Andaluzia, uma das mais populares romarias marianas da Europa, na segunda-feira seguinte ao domingo de Pentecostes.

Curiosamente, porém, a devoção a Nossa Senhora do Rocio como padroeira do estado brasileiro do Paraná não guarda relação direta com a história da devoção homônima espanhola.

Um paralelo maior poderia ser traçado com a história da imagem de Nossa Senhora Aparecida, já que os inícios dessa devoção paranaense também estão ligados a uma pescaria.

Nossa Senhora do Rocio em Paranaguá

Em 1648, quando a atual cidade de Paranaguá foi elevada à categoria de vila, o pescador conhecido como Pai Berê recuperou com sua rede uma imagem de Nossa Senhora do Rosário e a levou para casa. Aos poucos, a então pequena população começou a rezar por intercessão de Maria, invocada sob a denominação de Nossa Senhora do Rocio por um motivo bastante prosaico: Rocio era o nome da localidade onde o Pai Berê morava.

Cabe recordar que a palavra “rocio”, tanto em português quanto em espanhol, significa orvalho – em português é bem menos utilizada atualmente, enquanto em espanhol continua sendo a palavra padrão para se referir a esse fenômeno natural. O orvalho, ou rocio, passou a ser usado como figura de linguagem para representar as graças derramadas por Deus mediante a intercessão da Santíssima Virgem.

As epidemias eram ocasiões particulares em que a devoção a Nossa Senhora do Rocio se consolidava ainda mais. Foi o caso, por exemplo, de 1686, quando os moradores da vila de Paranaguá recorreram a ela pedindo a graça de se livrar da peste. Vários relatos de curas individuais e comunitárias passaram a ser registrados também no tocante a surtos como o de peste bubônica, em 1901, e da gripe espanhola, em 1918.

Padroeira do Paraná

Santuário de Nossa Senhora do Rocio, em Paranaguá, foi edificado em 1920 a partir da primeira igreja construída em 1813. Os bispos do Paraná a declararam padroeira do Estado em 1939 e o Papa São Paulo VI lhe concedeu o patronato do Paraná em 1977.

Todos os anos, o santuário recebe os fiéis com especial afluência na primeira quinzena de novembro, dado que a celebração da festa da padroeira recai em 15 de novembro. Cerca de 300 mil fiéis chegavam a acorrer ao santuário nesta época antes da pandemia de covid-19. Devido às restrições impostas como medida sanitária no atual período, porém, a afluência em 2020 e 2021 foi limitada a poucas centenas de pessoas.

Santos padroeiros dos Estados brasileiros

A propósito do que significa um santo padroeiro dentro da fé católica e de qual é a decisiva diferença entre o culto de veneração e o culto de adoração, confira o seguinte artigo sobre os padroeiros dos Estados do Brasil:

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Aberto Ano Jubilar extraordinário na Basílica de Guadalupe

Fiel na Basílica de São Pedro na Missa na festa de
Nossa Senhora de Guadalupe, em 12 de dezembro de 2019  
(Vatican Media)

O Ano Jubilar foi aberto nos 100 anos do atentado contra a imagem da Virgem de Guadalupe, em 14 de novembro de 1921.

O arcebispo do México, cardeal Carlos Aguiar Retes, abençoou e abriu a Porta Santa da Basílica de Guadalupe no domingo, 14 de novembro, por ocasião do centenário do atentado à bomba contra a imagem da Virgem de Guadalupe, em 14 de novembro de 1921, em que milagrosamente, o tilma de São Juan Diego não sofreu nenhum dano.

Com a abertura da Porta Santa, portanto, teve início um Ano Jubilar extraordinário, que se encerrará em 20 de novembro de 2022, na Solenidade de Cristo Rei do Universo, durante o qual os fiéis poderão obter uma Indulgência Plenária seguindo as usuais condições estabelecidas pela Penitenciaria Apostólica.

Segundo a notícia enviada à Agência Fides por Desde la fe, o serviço de informação da Arquidiocese do México, o vandalismo ocorreu na manhã de 14 de novembro de 1921, quando um homem, presumivelmente funcionário da secretaria privada da Presidência da República, colocou uma bomba escondida em um buquê de flores, em frente à imagem sagrada.

Com a detonação, o altar e as esculturas de mármore que o flanqueavam sofreram danos, o mesmo ocorrendo com um crucifixo de bronze de 34 quilos que ficou dobrado pela onda de choque, que atingiu até as fundações da antiga Sé. O vidro que protegia a imagem da Virgem não sofreu nenhum tipo de dano.

Este atentado à bomba causou grande indignação entre os mexicanos, pois além de ser um grave ato sacrílego, também ameaçava a identidade dos mexicanos, já que a Virgem de Guadalupe era a bandeira com que o Pai da Pátria, o padre Miguel Hidalgo, convidava o povo a se unir à luta pela independência do país. Também constituiu um antecedente à guerra dos Cristeros que ensanguentou o país entre 1926 e 1929.

*Com Agência Fides

https://www.vaticannews.va/

Santa Margarida da Escócia

Santa Margarida da Escócia | arquisp
16 de novembro

Santa Margarida da Escócia

Uma rainha tão boa para os súditos que, embora estrangeira, foi profundamente amada por eles. Uma mulher tão cheia de fé que soube mostrar como uma coroa real pode unir-se à coroa da fé. Através do exemplo de sua vida pessoal, levou um país inteiro ao cristianismo, desde a sua época até hoje. Assim foi a rainha Margarida, a santa protetora do povo escocês.

Nascida em 1046, na Hungria, era uma mulher da nobreza, de grande devoção cristã, culta, inteligente, e possuidora de uma sutil e fina diplomacia. As questões políticas levaram-na a asilar-se na Escócia, onde conheceria seu futuro marido. Sua mãe, Águeda, irmã da rainha da Hungria, descendia de santo Estevão e de Eduardo, pretendente ao trono da Inglaterra, expulso pelo usurpador rei Canuto. Numa época tão conturbada, mesmo depois da morte desse último, somente a Escócia conseguiu dar abrigo seguro a essa família real para escapar de atentados fatais.

Não demorou muito para que o rei Malcom III se encantasse com a sua delicada e nobre figura, de personalidade forte e frágil ao mesmo tempo, e a pediu em casamento. Margarida tinha, então, vinte e três anos e aceitou, porque assim agindo compreendeu que poderia melhor levar a mensagem de Cristo ao povo escocês, ainda pagão.

Seu marido não era uma pessoa má, nem violenta, mas sim um pouco rude e ignorante. Não sabia ler, por isso tinha grande respeito por sua mulher instruída. Beijava o livro de orações que ela lia junto dele com devoção e sempre pedia seus conselhos. A rainha, pacientemente e pouco a pouco, alfabetizou-o, sem nunca se sobrepor à sua autoridade. Ela era discreta, modesta e humildemente respeitosa à sua condição de chefe de um povo e uma nação. Quando o rei Malcom III foi tocado pela fé, converteu-se e foi batizado.

Essa atitude do rei mudou completamente os destinos do país, pois o povo também se converteu. O casal teve oito filhos, seis homens e duas mulheres, que receberam instrução e educação cristã necessária aos nobres. O rei também passou a ter uma visão cristã na compreensão dos problemas de seus súditos, e os tratou com total consideração, respeito, bondade e justiça.

No palácio, a rainha continuou a partilhar, diariamente, em sua própria mesa, com órfãos, viúvas, pedintes e velhos desamparados. O rei compartilhava dessa alegria e das obras beneficentes em socorro e amparo aos excluídos. Fundaram muitas igrejas, mosteiros e conventos. Segundo a história da Escócia, foi um período de reinado justo, próspero e feliz para o povo e para a nação.

A rainha Margarida tinha apenas quarenta e seis anos quando foi acometida de grave doença. E resistiu pouco tempo depois que recebeu a notícia da morte do seu marido e do filho mais velho, que caíram combatendo no castelo de Aluwick. Morreu no dia 16 de novembro de 1093, na cidade de Edimburg, e foi sepultada em Dunferline, Escócia.

Venerada ainda em vida pela santidade, foi canonizada, em 1251, pelo papa Inocêncio IV. O culto que celebra santa Margarida da Escócia com grande festa ocorre, no dia de sua morte, em todo o mundo católico.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

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Santa Gertrudes

Santa Gertrudes | arquisp
16 de novembro

Santa Gertrudes

A vida contemplativa foi a forma escolhida por santa Gertrudes para dedicar-se a Deus. Nascida em Eisleben, na Saxônia, em 1256, ao contrário do que alguns historiadores dizem, ela não pertencia à nobreza, mas seus pais eram bem estabelecidos e cristãos fervorosos.

Aos cinco anos de idade, foi entregue ao Mosteiro cisterciense de Helfa, onde cresceu adquirindo grande cultura profana e cristã. Possuidora de grande carisma místico, tornou-se religiosa consagrada. Conviveu no mosteiro com a grande mística Matilde de Magdeburg, mestra de espiritualidade, que escreveu em forma de poesia todas a sua preciosa vivência mística, depois encerrada num livro.

Matilde foi o personagem decisivo na vida interior de muitas jovens que dela se aproximavam. Era mestra de uma espiritualidade fortemente ligada ao chamamento místico. Com ela, Gertrudes desenvolveu a sua de modo muito semelhante, recebendo, em seguida, através de suas orações contemplativas, muitas revelações de Deus.

A partir dos vinte e cinco anos de idade, teve a primeira das visões que, como ela mesma narrou, transformaram sua vida. Toda a sua rica experiência transcreveu e reuniu no livro "Mensageiro do divino amor", talvez a mais importante obra cristã tendo como temática a teologia mística. Nele, também conta que, constantemente, era tomada por arrebatamentos sublimes e tristezas profundas advindas do estudo da Palavra.

Essa notável mística cristã do período medieval foi uma das grandes incentivadoras da devoção ao Coração de Jesus, culto que alcançaria enorme expansão, no futuro, com santa Margarida Maria Alacoque, no século XVII.

Mais tarde, foi eleita abadessa, cargo que exerceu até o fim de seus dias. Adoeceu e sofreu muitas dores físicas por mais de dez anos até ir comungar com seu amado esposo, Jesus, na casa do Pai, em 1302.

A tradicional festa em sua memória, no dia 16 de novembro, foi autorizada e mantida nesta data pelo papa Clemente XII, em 1738.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

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segunda-feira, 15 de novembro de 2021

A geração do milênio e Deus: as estatísticas desse binônio que podem iluminar a pastoral juvenil

A Geração Do Milênio Na América. Relatório De Pesquisa De George Barna

(ZENIT Notícias / Roma, 11.11.2021) .- Um novo relatório publicado pelo Instituto Barna, do Centro de Pesquisa Cultural da Universidade Cristã do Arizona, reflete as percepções de fé que tem a geração milenar. Acima de tudo, o estudo mostra que milhões de pessoas [...]

11 DE NOVEMBRO DE 2021 JORGE ENRIQUE MÚJICA ANÁLISE

(ZENIT Notícias / Roma, 11.11.2021) .- Um novo relatório publicado pelo Instituto Barna, do Centro de Pesquisa Cultural da Universidade Cristã do Arizona, reflete as percepções de fé que tem a geração milenar. Em primeiro lugar, o estudo mostra que milhões de pessoas desta geração rejeitam a religião organizada quase que por princípio ou olham com desconfiança para os líderes religiosos, a quem passam a considerar hipócritas. "Suas experiências, observações e suposições sobre religião, crenças espirituais e práticas de fé produziram uma experiência espiritual turbulenta", disse George Barna, responsável pelo relatório.

Entre os dados que o relatório revela está que um pouco mais da metade dos millennials (59%) vêem Jesus Cristo como pelo menos “um pouco positivo” enquanto 39% o vêem como “muito positivo”. 51% consideram a Bíblia "um pouco positiva" e 29% como "muito positiva". Essas porcentagens diminuem para apenas metade de uma impressão "ligeiramente positiva" quando confinada ao Cristianismo em geral. No entanto, 65% dos millennials ainda se identificam como cristãos, embora isso contraste com a visão bíblica da sexualidade. Na verdade, 30% dos millennials, incluindo quase 40% dos adultos de 18 a 24 anos, se identificam como LGBTQ. “A proporção de adultos jovens que se identificam como LGBTQ é aproximadamente três vezes a proporção identificada entre adultos mais velhos combinados nos Estados Unidos.

Mas o ateísmo não tem melhor recepção entre esta geração: apenas 25% o vêem como "um pouco positivo" e apenas 8% o vêem como "muito positivo".

O relatório de 62 páginas “ Novas percepções sobre a geração de crescente influência: a geração do milênio na América ” fornece um perfil detalhado de uma geração nascida entre 1984 e 2002, que está em busca de respostas para seus problemas, embora “não tenham relação com o ensino espiritual e prática, resultando em falta de conhecimento, compreensão, experiência e crescimento nesta área. ' É uma população de 78 milhões apenas nos Estados Unidos.

“O analfabetismo espiritual resultante praticamente os resigna a uma visão de mundo superficial em que se apegam a ideias e práticas que proporcionam conforto imediato, em vez de verdade e paz duradouras. O caos moral que caracteriza a geração também pode ser atribuído à falta de instrução religiosa coerente e pragmática, instigada pela ausência de reflexão moral madura”, observa Barna no relatório.

"A confusão geral entre os jovens adultos sobre aspectos de sua identidade, espiritual, sexual e também relacionados ao seu senso de propósito na vida, são uma consequência direta dessa lacuna de sabedoria espiritual", acrescentou. “Parece que os jovens adultos muitas vezes preenchem o vazio criando uma autoimagem baseada no egocentrismo, na autossuficiência e na independência. Isso pode ser percebido como arrogância, mas mais do que tudo, também pode ser um mecanismo de defesa que cobre seus déficits pessoais com os quais eles lutam.

George Barna sugere que entre os desafios que esta geração enfrenta está a falta de propósito na vida, o que pode ser resolvido mudando a visão do mundo deles: “Sua visão de mundo é a base de sua tomada de decisão. Cada escolha que você faz surge de sua visão de mundo, que serve como um filtro através do qual você experimenta, observa, imagina, interpreta e responde à realidade. E cada uma das milhares de decisões que você toma todos os dias têm consequências. Isso significa que a cosmovisão está no centro de tudo o que estamos considerando em relação ao bem-estar e ao desenvolvimento da geração de jovens adultos”, observa.

Finalmente, “Dada a centralidade da cosmovisão para a experiência humana, não pode haver melhoria nas vidas que a geração do milênio leva sem abordar o papel fundamental da cosmovisão. E porque a cosmovisão prospera e ocorre no mercado competitivo de crenças e comportamentos, pense nas consequências generalizadas para os millennials rejeitando a cosmovisão bíblica em favor de alternativas mais populares. "

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Fonte: https://es.zenit.org/

A diferença entre as amizades que duram e as que acabam

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Por Ana Lydia Sawaya

O mundo atual precisa de pessoas que não renunciam a viver amizades verdadeiras.

Aristóteles (384/383-322 a.C.), em “Ética a Nicômaco”,afirma que a amizade, embora seja necessária à vida e o ser humano não possa prescindir dela, pode se constituir sobre dois motivos acidentais que não permitem que seja duradoura: o prazer e a utilidade. “Os que amam por causa da utilidade, amam pelo que é bom para eles mesmos, e os que amam por causa do prazer, amam em virtude do que é agradável para eles, e não pela pessoa amada em si mesma por aquilo que é, mas enquanto lhe é útil e lhe proporciona prazer. Por isso, estas amizades são acidentais; de fato, aquele que é amado não o é por aquilo que é, mas enquanto oferece ora um bem, ora um prazer. Portanto, amizades assim facilmente acabam, pois as pessoas não permanecem iguais, e, quando não são mais prazerosas e úteis, termina a amizade. O que é útil não dura, mas muda de acordo com as circunstâncias. Esvanecendo o motivo pelo qual eram amigos, a amizade se desfaz, pois a amizade existia em função desta utilidade.”

Jovens

Essas características, segundo Aristóteles, são encontradas frequentemente na amizade entre os jovens, que por isso são muitas vezes volúveis e evanescentes: “A amizade dos jovens, por outro lado, parece buscar o prazer, pois eles são guiados pela emoção e buscam acima de tudo o que lhes é agradável e o que têm imediatamente diante dos olhos; mas, com o correr dos anos, os seus prazeres mudam. É por isso que fazem e desfazem amizades rapidamente: sua amizade muda com o objeto que lhes parece agradável, e tal prazer se altera bem depressa […]. É por isso que tão depressa se apaixonam como esquecem a sua paixão […]. Mas é certo que mesmo eles desejam passar juntos os seus dias e ter vida em comum, pois só assim alcançam o propósito da sua amizade”.

Buscam o bem

Para Aristóteles, apenas pessoas que buscam o bem podem viver amizades duradouras: “A amizade perfeita é a das pessoas que são boas e afins na virtude, pois essas desejam bem uma à outra igualmente […]. Ora, as que amam os seus amigos por eles mesmos são as mais verdadeiramente amigas, porque o fazem em razão da sua própria natureza e não acidentalmente. Sua amizade dura porque são boas – e a bondade é uma coisa muito estável. E cada um que é bom, o é em si mesmo e para com o seu amigo […]. Uma tal amizade é, como seria de esperar, estável, já que eles encontram um no outro todas as qualidades que são necessárias para os amigos […]. Numa amizade desta espécie, as outras qualidades também são semelhantes em ambos; e o que é irrestritamente bom também é agradável no sentido absoluto do termo, e essas são as qualidades mais apreciáveis que existem”.

Raras

Aristóteles reconhece, porém, que amizades assim são raras: “Mas é natural que tais amizades não sejam muito frequentes, pois que tais pessoas são raras. Acresce-se que uma amizade dessa espécie exige tempo e familiaridade. Como diz o provérbio, as pessoas não podem se conhecer mutuamente enquanto não tiverem ‘provado sal juntos’; e tão pouco podem aceitar uma à outra como amigas enquanto cada uma não parecer estimável à outra e esta não depositar confiança nela”. Mesmo que seja difícil, não devemos renunciar ao desejo de ser e ter um amigo assim. O mundo atual precisa de pessoas que não renunciam a viver amizades verdadeiras.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

JMJ 2023: peregrinação dos símbolos é “abraço de esperança”

JMJ Símbolos Algarve / Folha do Domingo  (Folha do Domingo)

A cruz peregrina e o ícone mariano estiveram na Vigararia de Faro no Algarve. Destaque para a visita a idosos, a jovens, a doentes e aos reclusos. O jornalista Samuel Mendonça, diretor do jornal diocesano “Folha do Domingo”, partilha conosco a sua crónica.

Rui Saraiva – Portugal

Continua a peregrinação dos símbolos da JMJ na diocese do Algarve. Na semana passada estiveram na Vigararia de Faro. A cruz peregrina e o ícone mariano foram ao encontro dos mais frágeis visitando os idosos em lares e os doentes nos hospitais.

Os símbolos da JMJ também foram motivo de encontro ecuménico entre católicos e evangélicos e foram presença de conforto para reclusos. Relevante a visita aos mais jovens nas escolas e ao mundo da ciência e do conhecimento na Universidade do Algarve.

Sinais da presença de Deus

Fazendo uma leitura do essencial da peregrinação dos símbolos nesta semana no Algarve, o jornalista Samuel Mendonça, diretor do jornal diocesano “Folha do Domingo”, partilha conosco a sua crónica:

“A segunda semana dos símbolos da Jornada Mundial da Juventude (JMJ) na Diocese do Algarve prosseguiu o intento de levar a Cruz peregrina e o ícone de Nossa Senhora como abraço de Jesus junto daqueles que se encontram nas periferias existenciais e humanas da sociedade e também distantes da própria Igreja.

Na passagem pelas paróquias que constituem a Vigararia de Faro, particular prioridade teve a visita aos idosos, tantas vezes visitados apenas pela solidão que lhes é imposta naquela fase da vida. Os símbolos visitaram também os mais pobres de entre os pobres por falta de recursos e de apoio familiar. Para a maioria, os momentos vividos diante daqueles sinais da presença de Deus foram um abraço de esperança e de alento depois dos difíceis tempos vividos com uma pandemia, chegada de rompante, que elegeu como alvo preferencial aquelas gerações mais fragilizadas pela idade avançada.

Também na sua passagem pelo Hospital de Faro, os símbolos da JMJ procuraram levar o abraço de Cristo aos que ali sofreram com a Covid-19 e com outras enfermidades. Doentes, médicos, enfermeiros e pessoal auxiliar e administrativo tiveram oportunidade de se recolher em ambiente orante durante uma manhã. A todos foi transmitida a mensagem de que vale a pena oferecer a vida pelos outros e amar sem esperar nada em troca.

Os símbolos da JMJ motivaram ainda um outro abraço, ecuménico, entre Igrejas irmãs – Católica e Evangélica – e aqueles que há muito assistem espiritualmente e que se encontram a cumprir pena no Estabelecimento Prisional de Faro. Alguns deles, quando já estavam a ser reconduzidos às celas, sentiram necessidade de pedir autorização para voltar e tocar na cruz por uns breves momentos.

Simultaneamente os jovens, fiéis depositários daqueles objetos, continuaram durante a semana com a missão de os fazer chegar aos seus coetâneos. Assim, os símbolos passaram também por estabelecimentos do ensino pré-escolar, básico e secundário. Foram também à universidade levar a mensagem da humanização da cultura e da ciência. Durante a sua passagem festiva numa das praças mais movimentadas do centro da cidade de Faro, os símbolos foram ainda o pretexto para alguns alunos interagirem com os transeuntes sobre o significado e motivo daquela presença.

Por fim, a cruz e o ícone mariano estiveram presentes no Mercado de Faro no dia de maior afluência de visitantes, em mais um momento de interação com a população, antes de serem passados aos jovens das paróquias que constituem a Vigararia de Loulé, que terão na próxima semana a responsabilidade de dar continuidade a este movimento crescente de evangelização pelo Algarve que se iniciou no passado dia 29 de outubro e que se irá estender até ao final do mês em território algarvio, e ao longo dos próximos dois anos pelas dioceses portuguesas rumo à JMJ de 2023 em Lisboa.”

Recordemos que no início da peregrinação dos símbolos em Portugal, D. Américo Aguiar, bispo auxiliar de Lisboa, referiu à reportagem da Agência Ecclesia a “necessidade dos jovens se fazerem ouvir” como lhes pede o Papa Francisco. 

O presidente da Fundação JMJ Lisboa 2023, citando uma expressão do cardeal Tolentino Mendonça, afirmou que “os jovens não podem permitir que lhes matem os sonhos”. Sublinhou ainda que a peregrinação dos símbolos é também um “fazer acordar” para tornar “presente na sociedade os sonhos dos jovens”.

Na diocese do Algarve, a cruz peregrina e o ícone mariano já estiveram nas Vigararias de Tavira e Faro. Seguiram no domingo dia 14 para a Vigararia de Loulé. Chegarão à Vigararia de Portimão no dia 19 de novembro. A 27 de novembro os símbolos serão acolhidos pela diocese de Beja.

A Peregrinação dos Símbolos da Jornada Mundial da Juventude em Portugal é organizada pelo Departamento Nacional da Pastoral Juvenil que é um secretariado da Comissão Episcopal Laicado e Família da Conferência Episcopal Portuguesa.

Laudetur Iesus Christus

Fonte: https://www.vaticannews.va/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF