Reportagem local - publicado
em 14/12/17 - atualizado em 05/03/26
Santa Teresa de Ávila o definiu como "uma das almas
mais puras da Igreja". Maravilhe-se com a sua vida e a sua sabedoria!
A trajetória do grande místico
São João da Cruz nasceu provavelmente em 1540 e
foi batizado como Juan de Yepes y Álvarez.
Natural de Fontiveros, na província espanhola de Ávila, ele
ficou órfão de pai e precisou se transferir com a mãe de um lugar para o outro.
Com grandes dificuldades, a mãe conseguiu fazer com que ele pudesse estudar.
Em 1563, João vestiu o hábito carmelita. Após a filosofia e
a teologia, foi ordenado sacerdote em 1567, ano em que se encontrou com Santa
Teresa de Ávila. A grande mística estava prestes a receber a permissão de
fundar outros dois conventos de carmelitas contemplativos, que mais tarde
seriam chamados de “carmelitas descalços”.
Embora pensasse em entrar na cartuxa, São João da Cruz
tornou-se parte do primeiro núcleo de carmelitas reformados, em 1568, a pedido
de Santa Teresa.
Qualquer processo de reforma acarreta tensões e, às vezes,
desentendimentos. Com São João da Cruz não foi diferente. Na noite de 2 de
dezembro de 1577, um mal-entendido fez com que João fosse levado a um mosteiro
em Toledo, onde ficaria prisioneiro em condições duríssimas, isolado numa cela
minúscula e obrigado a receber penitências públicas uma vez por semana. Sem
sequer uma lamparina, rezava o breviário utilizando a pouquíssima luz que vinha
da cela contígua por um pequeno buraco na parede e durante um tempo muito
limitado. São João da Cruz ficou nesta situação deplorável até escapar da
prisão.
O mais extraordinário é que foi nesse período de solidão e
sofrimentos na cela escura que João completou uma das suas composições mais
conhecidas: o "Cântico Espiritual", obra de grande lirismo e
misticismo.
Sua vida foi devotada a Cristo e ao serviço dos irmãos: ele ama a Deus e isso lhe basta. Foi nesse amor imenso que a morte o acolheu nos braços, sereno, em 14 de dezembro de 1591, na Andaluzia.
21 frases iluminadoras de São João da Cruz, místico e
doutor da Igreja
Santa Teresa de Ávila o definiu como "uma das almas
mais puras da Igreja". Maravilhe-se com a sua sabedoria mediante estas 21
pequenas mostras:
- Ao
entardecer desta vida, serás examinado no amor.
- Onde
não existe amor, coloca amor e amor encontrarás.
- Quanto
mais uma alma ama, tanto mais perfeita é naquilo que ama.
- A
alma que caminha no amor não se cansa.
- Com
mais abundância e suavidade se comunica Deus nas adversidades.
- Sem
caridade, nenhuma virtude é graciosa diante de Deus.
- Um
só pensamento do homem vale mais que o mundo todo; portanto, só Deus é
digno dele.
- Procurai
lendo e encontrareis meditando; chamai orando e abrir-se-vos-á
contemplando.
- Para
se enamorar de uma alma, Deus não põe os olhos na sua grandeza, mas na
grandeza da sua humildade.
- Deus
não obra as virtudes na alma sem a sua cooperação.
- Um
ato de virtude gera na alma suavidade, paz, consolação, luz, pureza e
fortaleza.
- Deus
humilha muito para elevar muito.
- Quem
age com tibieza está próximo da queda.
- Grande
mal é olhar mais aos bens de Deus que ao próprio Deus.
- Se
queres chegar à posse de Cristo, jamais O procures sem a cruz.
- Mais
do que quantas obras possas fazer, Deus prefere de ti a pureza de
consciência, ainda que no menor grau.
- Quem
cai estando só, caído a sós fica; e em pouca conta tem a alma, pois
unicamente em si mesmo confiou.
- A
sabedoria entra pelo amor, pelo silêncio e pela mortificação; grande
sabedoria é saber calar e não olhar aos ditos, aos feitos e às vidas
alheias.
- Quem
não procura a cruz de Cristo não procura a glória de Cristo.
- Agrada
mais a Deus uma obra, por pequena que seja, feita às escondidas e sem
desejo de que saibam, do que mil feitas com desejo de que os homens as
conheçam.
- A
maior necessidade que temos para progredir é calar o apetite e a língua
diante do grande Deus, pois a linguagem que Ele mais ouve é o amor calado.

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