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segunda-feira, 10 de agosto de 2020

Do Tratado sobre a Encarnação do Senhor, de Teodoreto de Ciro, bispo

Crucificação de Jesus (DW)

(Nn. 26-27: PG 75, 1466-1467)     (Séc.V)

Curarei os seus tormentos

Com liberdade, vai Jesus ao encontro dos sofrimentos preditos a seu respeito. Por várias vezes os prenunciou aos discípulos, tendo mesmo repreendido a Pedro que repelia o anúncio da paixão, e declarou que por eles se daria a salvação do mundo. Por isso apresentou-se aos que vinham buscá-lo, dizendo: Sou eu a quem procurais (cf. Jo 18,5). Acusado, não respondeu. Podendo esconder-se, não o quis, embora por mais de uma vez se tenha furtado às ciladas dos perseguidores. Chora sobre Jerusalém que pela incredulidade atraía para si a ruína e prediz a suprema destruição do templo outrora famoso. Com toda a paciência suporta ser batido na cabeça por homem duplamente escravo. Esbofeteado, cuspido, injuriado, atormentado, flagelado e por fim crucificado e dado por companheiro de suplícios a dois ladrões, contado entre os homicidas e celerados. Bebe o vinagre e o fel produzidos pela má videira, coroado de espinhos em lugar de louros e cachos de uva. Escarnecido com a púrpura, batido com a cana, ferido o lado pela lança e enfim levado ao sepulcro.  

Tudo isto sofreu enquanto operava nossa salvação. Pois àqueles que se haviam escravizado ao pecado eram devidos os castigos do pecado. Ele, isento de todo pecado, tendo cumprido toda a justiça, suportou a pena dos pecadores, destruindo por sua cruz o antigo decreto de maldição. Cristo, assim diz Paulo, nos remiu da maldição da lei, feito maldição por nós; por que está escrito: Maldito todo aquele que pende do lenho (Gl 3,13; cf. Dt 21,23). Com a coroa de espinhos põe fim ao castigo de Adão. Pois, após o pecado, este ouvira: Maldita a terra em teus trabalhos; germinarão para ti espinhos e abrolhos (cf. Gn 3,17-18).  

Com o fel bebeu a amargura e a dor da vida humana passível e mortal. Pelo vinagre assumiu em si a mudança do ser humano para o pior e concedeu a volta ao melhor. A púrpura significava o reino; a cana, o frágil poder do diabo. A bofetada publicava nossa liberdade, tolerando as injúrias, flagelos e chagas a nós devidas.  

O lado aberto, à semelhança de Adão, deixa sair não a mulher que, por seu erro, gerou a morte, mas a fonte de vida que com dupla torrente vivifica o mundo. Uma, no batistério, nos renova e cobre com a veste imortal; outra, à mesa divina, alimenta os renascidos como leite aos pequeninos.

https://liturgiadashoras.online/ 

A série de televisão Dark, a pandemia e Deus que nos fala

ayhanmustafa / Shutterstock.com

 por Francisco Borba Ribeiro Neto

O que explica o êxito de uma série que obriga os espectadores a estudarem e manterem uma atenção que lembra um vestibular de física?

Atualmente, o maior sucesso da TV mundial é a série Dark, tão genial quanto difícil, uma produção alemã da Netflix, avaliada pelos críticos como a melhor da plataforma de streaming. Vale-se de conceitos da física quântica, que tornariam possíveis viagens no tempo e entre universos paralelos, explorando suas implicações lógico-filosóficas e ficcionais. Afora o fato de ser uma série muito bem construída, em termos de roteiro, ambientação e interpretações, o que mais explica o êxito de uma série que obriga os espectadores a estudarem e manterem uma atenção que lembra um vestibular de física?

Em primeiro lugar, uma nostalgia inegável pelo mistério do mundo, a intuição de que as coisas não são só aquilo que parecem a nossos olhos. Ao longo da história das civilizações, o ser humano continuamente criou e recriou mitos, fábulas e teorias para dar conta dessa sua percepção de que um “totalmente Outro” se esconde, fascinante, nos paradoxos e surpresas da realidade. É a percepção da existência de Deus, gravada por Ele em nosso coração, que se manifesta com maior ou menor clareza em diferentes ocasiões.

Por outro lado, a física quântica e a imaginação de ficcionistas e filósofos levaram a percepção da relatividade do mundo a um novo patamar. Ao longo do século XX, o relativismo consolidou-se proclamando que não existiriam fatos precisos, mas apenas “narrativas”, versões diferentes, dadas por autores diferentes, para os acontecimentos. Paralelamente, não haveria respostas certas ou ideias verdadeiras, pois cada versão comportaria sua própria verdade.

A nova relativização da realidade, que saiu dos meios teóricos e ganhou as ruas na virada do século XX para o XXI, é bem ilustrada pela teoria da dualidade entre matéria e energia: uma partícula pode ter simultaneamente os caráteres de corpo material e forma de energia. A relatividade é fruto de nossa incapacidade de ver toda a complexidade do universo, as várias possibilidades que coexistem ao mesmo tempo. Num certo sentido, a visão relativa das coisas ampliou-se, pois agora refere-se à própria realidade material e não só aos acontecimentos humanos; mas, em outro sentido, se reestabelece um absoluto, que é esse mundo multifacetado ao qual nossa sensibilidade cotidiana não tem acesso.

Voltando a Dark, a série se nutre justamente desse fascínio pelo mistério e por essa recém-descoberta complexidade do real. A isso se soma uma boa dose de suspense e até terror, ecoando nosso medo ancestral do desconhecido. E, nesse aspecto, a série – com temporadas lançadas em 2018, 2019 e 2020 – se encerra num momento emblemático para o mundo.

A pandemia lançou-nos em um mundo de incerteza. Um evento único, que pareceria insignificante, um vírus que se adaptava a um novo hospedeiro, mudou nosso futuro e nossa percepção da realidade. Nossas expectativas, nossos sonhos, nossos projetos, a casa nova, a viagem de férias, o trabalho e o casamento, a educação dos filhos e a aposentadoria, nada mais será o mesmo. Em tudo pisamos no terreno escorregadio da dúvida e da incerteza – justamente como acontece com os personagens da série alemã. Dark simboliza, simultaneamente, esse tempo fugaz de incerteza e nossa percepção, indelével e permanente, do mistério.

Compreender o quanto a realidade é relativa (absoluto é só Deus) e o quanto nossa vida é incerta, não são, em si, coisas ruins. O problema é se essa percepção da relatividade e da incerteza nos abre para uma busca, cheia de esperança e confiança, pela Verdade e pelo Amor; ou se nos mergulha no cinismo relativista, que nos acomoda em um mundo autocentrado, e no desespero diante da incerteza.

Obras de ficção podem ser convites para se aproximar de Deus ou distrações que não deixam ouvir o Seu chamado no real. O Senhor sempre nos “primereia”, isto é, toma a iniciativa, diz o Papa Francisco na Evangelii Gaudium (EG 24). Ocasiões tão insuspeitas, como uma série de TV ou uma epidemia, podem ser ocasiões onde essa iniciativa de Deus se manifesta. Cabe a nós ficarmos atentos, para não deixar de ouvir Sua voz.

Aleteia

Como os Manuscritos do Mar Morto têm ajudado no estudo do texto do Antigo Testamento?

 Bíblia - Tradição - Magistério

  • Autor: pe. Joseph A. Fitzmyer (sj)
  • Fonte: Livro “101 Perguntas sobre os Manuscritos do Mar Morto” (Ed. Loyola)

Antes da descoberta dos manuscritos do Mar Morto, a mais antiga cópia hebraica de todo o Antigo Testamento era o assim chamado texto Ben Asher, encontrado no Códice B19A da Biblioteca Pública de Leningrado e datado de 1008 dC, que foi usado por P. Kahle na terceira edição da Bíblia Hebraica de Kittel, de 1937, e muitas vezes reimpresso. Já que os documentos bíblicos de Qumran oferecem uma forma do Antigo Testamento hebraico pelo menos mil anos mais antiga que aquele códice, seu testemunho do texto do Antigo Testamento é precioso. Aqui temos de incluir também os textos bíblicos recuperados no Wadi Murabba’at, Nahal Hever e Massada. Todos juntos, esses documentos datam de meados do século III a.C. ao início do século II d.C., e revelam como os textos do Antigo Testamento eram copiados na Palestina daquela época. Quanto aos textos bíblicos copiados especificamente em Qumran, sua datação estaria aproximadamente entre 150 a.C. e 68 d.C., datas que são confirmadas pela cerâmica e outros artefatos encontrados nas grutas relacionadas com o Khirbet Qumran. O terminus ad quem para os textos de Massada seria 74 d.C.; para Nahal Hever e Murabba’at, 132-35 d.C. (a revolta de Bar Kokhba).

Por um lado, esses textos bíblicos muitas vezes simplesmente confirmaram as leituras do Texto Massorético medieval, o texto hebraico comumente usado para as modernas edições críticas do Antigo Testamento. Há, é claro, muitas diferenças de soletração. A scriptio plena, “escrita plena” (ou seja, com um uso abundante de consoantes como letras vogais), supera a scriptio defectiva, “escrita defectiva”, especialmente nos manuscritos de Qumran, mas isso realmente é irrelevante. Por outro lado, os textos bíblicos de Qumran apresentaram formas de alguns livros do Antigo Testamento que diferem do Texto Massorético. Em tais casos, podem concordar com as diferenças encontradas no Pentateuco samaritano ou no Antigo Testamento grego, a Septuaginta. Isso é especialmente importante no último caso, já que os textos de Qumran revelam agora que a Septuaginta não era uma tradução descuidada do hebraico, nem uma alteração deliberada deste, como alguns pensavam antigamente, mas, na verdade, uma tradução cuidadosa de uma forma ou recensão hebraica diferente de alguns livros. Isso é particularmente importante para o livro de Jeremias, que em sua forma na Septuaginta é quase um oitavo mais curto que no Texto Massorético; e uma forma curta hebraica relacionada à Septuaginta é atestada agora em 4QJerb. Uma forma do texto hebraico de 1-2 Samuel relacionada à Septuaginta também foi encontrada em 4QSama e 4QSamb.

A maioria dos textos bíblicos de Qumran foi copiada nas escritas dos habituais caracteres quadrados, às vezes chamados “escrita assíria” ou “escrita aramaica”, mas as Grutas 1, 2, 4, 6 e 11 revelaram textos do Antigo Testamento copiados na escrita paleo-hebraica, uma escrita que imitava a antiga escrita fenícia. A maioria estava copiada em pele, mas foram encontrados papiros com textos bíblicos nas Grutas 1, 4, 6 e 9 (se 9Q1 de fato for um fragmento de texto bíblico). Em um caso (4QNumb) alguns versículos foram escritos com tinta vermelha (20,22-23; 22,21,23,13; 23,27, 31, 25, 28,48; 32,25; 33,1); o significado disso ainda não foi determinado.

Os críticos textuais debatem entre si sobre como melhor caracterizar as diferentes tradições textuais representadas pelos documentos bíblicos de Qumran. Os especialistas norte-americanos W. F. Albright e F. M. Cross distinguiram textos locais: o tipo de texto protomassorético derivado de Babilônia, o tipo Septuaginta derivado do Egito, e o tipo proto-samaritano derivado da Palestina, mas o especialista israelense S. Talmon rejeita as designações geográficas e relaciona os tipos a contextos religioso-sociológicos diferentes. Outros ainda, Como o israelense E. Tov, preferem não falar de tipos de texto ou recensões, mas apenas de textos independentes não aparentados.

De qualquer modo, os mais importantes textos do Antigo Testamento de Qumran são as cópias de Isaías da Gruta 1, e as da Gruta 4 dos seguintes livros: Êxodo, Samuel, Jeremias e Daniel. Esses textos da Gruta 4 são os livros que manifestam as variantes textuais mais notáveis e importantes.

Veritatis Splendor

7 dados curiosos sobre São Lourenço, martirizado em uma grelha no século III

ACI Digital

REDAÇÃO CENTRAL, 10 ago. 20 / 07:00 am (ACI).- Neste dia 10 de agosto, celebra-se São Lourenço, um dos 7 diáconos de Roma do Papa Sisto II e, certamente, uma dos mais famosos da antiguidade.

A seguir, alguns dados curiosos da vida deste importante santo:

1. É padroeiro dos cozinheiros

São Lourenço de Roma é o santo padroeiro dos cozinheiros. O santo foi condenado a morrer queimado em uma fogueira, especificamente em uma grelha de ferro.

Segundo a tradição, despois de estar queimando um tempo na grelha, disse ao juiz: “Vira-me, que já estou bem assado deste lado”. O carrasco mandou que o virassem e assim se queimou por completo.

2. Uma Basílica de Roma é dedicada a ele

A Basílica de São Lourenço Extramuros, onde se encontra o túmulo do santo, é uma das cinco basílicas patriarcais ou papais. No interior do templo está uma pedra de mármore onde, segundo a tradição, foi colocado o corpo de São Lourenço imediatamente depois de seu martírio, ficando impressa parte de sua silhueta.

Todos os anos é realizada uma peregrinação no bairro de São Lourenço precedida por uma Santa Missa. A romaria é acompanhada por uma relíquia do santo levada em uma pequena custódia.

3. Em Roma é o santo mais importante, depois de Pedro e Paulo

Com uma tranquilidade que ninguém imaginaria, durante seu martírio, rezou pela conversão de Roma e a difusão da religião de Cristo em todo o mundo, até o seu último suspiro.

O professo de teologia sistemática, Dom Francesco Moraglia, explica em um artigo que “a cidade, que lhe atribuía a vitória sobre o paganismo, o elegeu como seu terceiro padroeiro e celebra sua festa desde o século IV, como segunda festa em grau de importância depois da dos Santos Apóstolos Pedro e Paulo”.

Do mesmo modo, foram erguidas em sua honra “34 igrejas e capelas, sinal tangível de gratidão àquele que, fiel ao seu ministério, tinha sido entre eles um verdadeiro ministro e servidor da caridade”.

4. Seu martírio foi prenunciado pelo Papa São Sisto II

São Lourenço era um dos diáconos que ajudava o Papa Sisto II, o qual foi assassinado pela polícia do imperador enquanto celebrava Missa em um cemitério de Roma. A antiga tradição diz que, quando Lourenço viu que iam matar o Sumo Pontífice, este lhe disse:

“A nós, porque somos velhos, nos foi designado o percurso de um caminho mais fácil; a ti, porque és jovem, corresponde um triunfo mais glorioso sobre o tirano. Logo virá, deixe de chorar: dentro de três dias me seguirás. Entre um bispo e um levita, é conveniente que exista este intervalo” (Santo Ambrósio, De Officiis, n. 206).

5. O Papa São Leão Magno lhe dedicou uma bela homilia

No século V, o Doutor da Igreja e Papa São Leão Magno disse sobre São Lourenço que “as chamas não puderam vencer a caridade de Cristo; e o fogo que o queimava fora era mais débil do que aquele que ardia dentro dele”.

Acrescentou: “O Senhor quis exaltar a tal ponto o seu glorioso nome em todo o mundo que do Oriente ao Ocidente, no esplendor vivíssimo da luz que irradiou dos maiores diáconos, a mesma glória concedida a Jerusalém por Estêvão também foi dada a Roma por mérito de Lourenço” (Homilia 85, 4: PL 54, 486).

6. Um fenômeno astronômico leva o seu nome

“Lágrimas de São Lourenço” é o nome popular com o qual se conhece uma chuva de meteoros (as Perseidas) visíveis todos os anos por volta dos dias 11 e 12 ou 12 e 13 de agosto. O nome começou a ser usado em memória ao diácono martirizado muito tempo depois na Europa medieval.

7. Um time de futebol leva o seu nome

O nome do time de futebol favorito do Papa Francisco, o ‘Club Atlético San Lorenzo de Almagro’, é em honra ao diácono mártir, como foi o desejo do salesiano Pe. Lorenzo Massa, na fundação da equipe.

ACI Digital

 

S. LOURENÇO, DIÁCONO E MÁRTIR

S. Lourenço, Mariotto di Nardo
S. Lourenço, Mariotto di Nardo 
(Digital image courtesy of the Getty's Open Content Program)

O mártir dos últimos
O testemunho deste santo mártir, nascido na Espanha, na primeira metade do século III, destaca-se pela sua piedade e caridade. Após a sua eleição, o Papa Sisto II confiou-lhe a função de arquidiácono. Como responsável das atividades caritativas na diocese de Roma, Lourenço administrou os bens e as ofertas para prover às necessidades dos pobres, órfãos e viúvas.

Custódio dos “tesouros da Igreja”
Sua juventude foi abalada pelo drama da perseguição. No ano 258 d.C., foi emanado um decreto do imperador Valeriano, com o qual todos os bispos, presbíteros e diáconos deveriam ser condenados à morte.
Lourenço, alguns diáconos e o Papa Sisto II foram presos. O Pontífice foi assassinado no dia 6 de agosto. Em um primeiro momento, o imperador poupou a vida de Lourenço, ao qual pediu que lhe entregasse os “tesouros da Igreja”. Então, ele apresentou ao imperador os enfermos, os indigentes e os marginalizados, dizendo-lhe: “eis os tesouros da Igreja”. Quatro dias depois, no dia 10 de agosto, São Lourenço também foi martirizado.

Assado vivo em uma grelha
Segundo uma antiga “Paixão”, coletada por Santo Ambrósio, São Lourenço foi queimado em uma grelha.
Santo Ambrósio, em “De Officiis”, narra um encontro imaginário entre Lourenço e o Papa Sisto II, ao longo da via do martírio. No encontro, Lourenço diz: «Para aonde o senhor vai, pai, sem seu filho? Aonde vai com tanta pressa, santo bispo, sem o seu diácono? O senhor nunca ofereceu um sacrifício sem seu ministro. O que lhe desagradou de mim, pai? Talvez, o senhor acha que eu seja indigno? Procure ver se escolheu um ministro indigno para a distribuição do sangue do Senhor! Será que vai rejeitar aquele, que admitiu aos divinos mistérios, como seu companheiro na hora de derramar o sangue?»

Do martírio à glória
O martírio é uma prova suprema de amor.
Em uma homilia, São Leão Magno comenta assim o suplício de São Lourenço: “As chamas não devastaram a caridade de Cristo; o fogo que o queimava por fora era mais brando do que aquele que ardia por dentro”.
E acrescenta: “O Senhor quis exaltar o seu nome glorioso no mundo inteiro, do Oriente ao Ocidente, - sob o fulgor vivíssimo da luz irradiada pelos maiores diáconos, - a tal ponto que, a mesma glória que Estêvão levou a Jerusalém coube a Roma, pelos merecimentos de Lourenço”.

A Basílica de São Lourenço e a igreja em Panisperna
Após a sua morte, o corpo de São Lourenço foi deposto em uma sepultura na Via Tiburtina.
Naquele lugar, o imperador Constantino mandou construir uma basílica, restaurada no século XX, por causa dos danos, durante a Segunda Guerra Mundial, provocados pelos bombardeios americanos em Roma, em 19 de julho de 1943.
No lugar do seu martírio, foi construída uma igreja, dedicada a São Lourenço, em Panisperna. Segundo algumas fontes, este nome derivaria do costume, por parte dos Frades e Clarissas, de distribuir aos pobres, no dia 10 de agosto, “panis et perna”, ou seja, pão e presunto.

A poesia “X agosto”
O suplício de São Lourenço inspirou também obras de arte, provérbios populares e poesias.
Giovanni Pascoli escreve assim em sua poesia “X agosto”: “Eu sei porquê no dia de São Lourenço caem e brilham tantas estrelas no espaço sideral. Porque um pranto tão grande assim ilumina o côncavo do céu” ...

Vatican News

domingo, 9 de agosto de 2020

O que acontece quando o homem se torna pai?

O que acontece quando o homem se torna pai?

Paternidade ativa: você não se torna um pai somente quando seu filho nasce. A paternidade se desenvolve ao longo da vida de um homem.

Henri admite: ele soltou uma lágrima na frente do ultra-som que permitiu adivinhar a silhueta do seu menino. Desavergonhado, mas simplesmente humilde diante do grande mistério da vida, consciente de sua responsabilidade como pai a ponto de se torná-lo.

“Eu me preparei para ser pai no momento do casamento. Mas era mais um conceito, antes de minha esposa engravidar. O tempo de espera não representa para o homem todo o transtorno vivido pela mulher. Você apenas projeta a imagem que tem da criança que virá e do pai que gostaria de ser”.

O sentimento difuso de paternidade toma corpo no dia do nascimento, “diante da imensidão do encontro”. Mas ainda está tudo por fazer.

Para a mulher, a passagem é biológica, para o homem, é inevitavelmente mais complexa”, explica o Padre Denis Metzinger. “Ele tem que fazer uma dupla passagem: de homem para marido, depois de marido para pai.”

A descoberta da paternidade

Se a gravidez de uma mulher é suficiente para despertar esta paternidade “natural” em um homem, “descobrir-se como pai é a história de uma vida”, diz o Padre Alexis Leproux. Desde a infância e a adolescência, os meninos podem se imaginar como pais.

“E a idade adulta leva, através das responsabilidades assumidas e dos serviços realizados, ao desenvolvimento deste sentimento: sou capaz de servir à vida e protegê-la. E para transmiti-la”.

Quando a criança nasce, muitos pais jovens descobrem esta relação muito especial, que não só inclui questões de autoridade, valores, transmissão, mas acima de tudo um amor pleno.

“Estarei disposto a dar minha vida instantaneamente por cada um dos meus filhos, diz Jean-François, pai de seis filhos. Coloco este amor no centro da comunicação com meus filhos, ele ilumina tudo, suaviza tudo.”

Desde o início da relação, o jovem pai já é capaz de sentir, às vezes mais agudamente do que a mãe, que seu filho é um “outro”.

Alain, que tem três filhos, lembra-se da emoção inesperada que sentiu quando declarou seu primogênito na prefeitura: “Aqui está Mathilde, filha de…, neta de… O que era uma formalidade me fez perceber que minha filha não me pertencia, mas que ela fazia parte de nossa linhagem”.

Assim, para o Padre Alexis Leproux, “o amor paterno tem a especificidade de associar de forma muito atada o sentimento de intimidade e alteridade. Ser pai é reconhecer que seu filho ou filha é verdadeiramente diferente de você, é reconhecer ao mesmo tempo que este ser permanece irrevogavelmente ligado a você.

A paternidade é alimentada durante toda a vida de um homem

Profundamente enraizado neste amor especial, a paternidade não é automática. Ela se desenvolve ao longo da vida de um homem. Na verdade, é muito mais uma missão e um dom do que um sentimento, demasiado efêmero.

“Recebemos esta paternidade do caminho de nossa vida, conduzida pela Providência, que nos associa à obra criativa e redentora de Deus. É apropriado cultivar este dom que, se ele tem certas características espontâneas, também requer um longo aprendizado”, diz o Padre Alexis Leproux.

Para o Padre Denis Metzinger, “os pais precisam redescobrir um senso de gratuidade, humildade e paciência a fim de cumprir esta vocação”. E é no casal que o dom da paternidade – como o da maternidade – é cultivado.

O Padre Alexis Leproux afirma sem rodeios: “O principal processo de aprendizado do pai consiste em basear sua relação paterna no pacto conjugal. A segunda é renunciar a qualquer projeção ou expectativa de reciprocidade”.

A fim de fazer crescer esta paternidade sob o olhar de Deus, muitos pais participam nas peregrinações.

“Ao ouvir Cristo, ao olhar para ele, o pai da família descobre o Pai, ele vê o Pai. Isto esclarece nossa maneira de estar na presença de nossos filhos. Abençoado é o homem cujo pai é um adorador do Pai, de quem toda paternidade tira seu nome”, assegura o Padre Alexis Leproux.

O pai se encontra no olhar de sua esposa  

Para o Padre Alexis Leproux, “a porta mais bela da paternidade é o coração da esposa, que coloca a criança nos braços de seu pai. Ela o encoraja a falar, brincar e rezar com ele. Esta porta pode ser aberta de mil maneiras durante toda a infância”. A partir do intercâmbio entre mãe, pai e filho, a família cresce.

Fora do círculo familiar, o significado da paternidade tem uma dimensão universal. Sacerdotes, pessoas solteiras, professores, educadores… recebem “este dom que Deus dá ao homem para contribuir, por sua palavra e por sua ação, para despertar as pessoas para o que realmente são”.

O nascimento de uma criança é o evento por excelência da paternidade, mas o despertar das consciências e a educação para a liberdade são lugares muito profundos onde todo homem é chamado a vivê-lo”. 

Ariane Lecointre-Cloix

Aleteia

China paga quem denuncia presença de Igrejas ou de religiosos

A China faz campanha publicitária contra Igrejas, incentiva denúncias contra as atividades religiosas e paga por delações.
Guadium Press
A China faz campanha publicitária contra Igrejas, incentiva denúncias contra as atividades religiosas e paga por delações.

Redação (08/08/2020 13:03Gaudium Press) Receberá recompensa quem denunciar a presença de atividade religiosa fora dos padrões estabelecidos pelo governo comunista chinês é recompensada.

A revista “Bitter Winter”, em sua edição da quinta-feira, 30 de julho, diz que o Partido Comunista Chinês (PCC) está oferecendo recompensas monetárias para quem oferecer qualquer informação aos órgãos governamentais sobre a presença de igrejas em suas comunidades.

Recompensa por denúncias antirreligiosas são estendidas a outras cidades

De acordo com a publicação, tudo leva a crer que o anuncio dos pedidos de informações em troca de recompensas seja uma expansão de um programa já implementado na província de Heilongjiang que vem sendo desenvolvido desde o início deste ano.
Na cidade de Nenjiang, ofereceram aos residentes uma recompensa de 5 mil RMB, –algo em torno de 700 dólares–, para quem denuncie suspeitas de alguma atividade religiosa “ilegal” às autoridades comunistas.

Agora, esse programa de “incentivos” foi expandido para outras cidades do país e as recompensas foram aumentadas para até 100 mil RMB, –por voltas de 14 mil dólares– informa a Bitter Winter.

Recompensar quem denunciar pistas sobre atividades “cultos malvados”

A China faz campanha publicitária contra Igrejas, incentiva denúncias contra as atividades religiosas e paga por delações.

No último mês, o Departamento de Segurança Pública emitiu, na província de Hainan, um aviso ao público que informa como “recompensar aqueles que denunciem pistas sobre atividades ilegais e criminosas de Xie Jiao”.
No vocabulário do regime comunista da China “Xie Jiao” é uma expressão que quer dizer “culto malvado”. Na prática, a expressão quer referir-se a qualquer atividade religiosa que não esteja dentro dos padrões estabelecidos e sancionados pelo governo ateu de Pequim.

Quanto vale uma denúncia antirreligiosa

Em Hainan, as autoridades do governo oferecem até 100 mil RMB por informação, dependendo da precisão e utilidade da “pista” fornecida.

Na cidade de Zouping, província de Shandong, quem fornece a identidade de membros de duas organizações religiosas locais podem ter uma recompensa de até 2.500 RMB, ou seja, cerca de 360 dólares.

Já, na província de Guangdong, a recompensa oferecida pelos comunistas locais para quem denunciar ou der informações sobre os membros de um “culto malvado” (Xie Jiao) pode chegar a receber uma recompensa de 100 mil RMB.

Campanhas publicitárias contra a Religião

Além de incentivar as delações contra as atividades religiosas consideradas ilegais pelas autoridades comunistas e oferecer recompensas em dinheiro por elas, o governo chinês tem feito uma sistemática campanha publicitária antirreligiosa em todo o país.

O governo tem feito, por toda a China, a distribuição de diferentes cartazes que dizem:
“Não acreditem em nenhuma outra religião que não seja o Partido Comunista”; “Basta com acreditar no Partido e no Governo Popular da China”.
Cartazes como esses foram expostos em parques públicos do condado de Yucheng, que se encontra na província de Heinan.

A China faz campanha publicitária contra Igrejas, incentiva denúncias contra as atividades religiosas e paga por delações.

Assédio, prisões, detenções contra católicos fiéis a Roma

Apesar do acordo provisório entre o Vaticano e a China, assinado em 2018, muitos católicos no país continuam fazendo parte da Igreja clandestina que é fiel a Roma.
Bispos e sacerdotes têm denunciado assédio, prisões e detenção para quem se recusa a fazer atos públicos de lealdade para com a, assim denominada, “Associação Patriótica Católica Chinesa”, a igreja estatal controlada pelo Partido Comunista.

Ainda há poucos dias, uma audiência no Congresso sobre a liberdade religiosa na China destacou o caso do Bispo de Baoding, Dom James Su Zhimin, que foi preso em 1997 e nunca mais foi visto e dele não se tem notícia desde 2003. (JSG)

 https://gaudiumpress.org/

Fontes cristãs não-canônicas

Fontes cristãs não-canônicas
  • Autor: Rochus Zuurmond
  • Fonte: Livro “Procurais o Jesus Histórico?” (Ed. Loyola)

1) EVANGELHOS APÓCRIFOS

O termo “apócrifos” geralmente é usado para indicar os apócrifos veterotestamentários, mas há também apócrifos do Novo Testamento, isto é, livros que em determinadas épocas e regiões, em determinadas comunidades cristãs, foram mais ou menos aceitos como Sagrada Escritura, mas não foram colocados no cânon pela Igreja universal. Geralmente trata-se de escritos demonstravelmente tardios (século III e depois), evidentemente imitações e/ou pretensos suplementos dos escritos canônicos do Novo Testamento. A essa categoria pertencem os evangelhos apócrifos, alguns dos quais continuaram conhecidos em toda a tradição cristã, e até o dia de hoje podem ser adquiridos em traduções modernas.

O evangelho mais importante dessa categoria é o Proto-evangelho de Tiago. Admite-se geralmente que foi escrito no século II. Descreve o nascimento e a infância de Jesus, mas começa com vários detalhes da juventude da Virgem Maria. É tipicamente uma tentativa de satisfazer à curiosidade popular em torno de coisas não mencionadas nos evangelhos canônicos. A teologia desse “evangelho” é a de um docetismo popular: Jesus tem um Corpo não sujeito às leis do espaço e do tempo. O escrito não tem valor como fonte histórica sobre Jesus.

Os apócrifos do Novo Testamento têm valor para nosso conhecimento da piedade popular no século II e depois. Alguns deles tiveram no passado uma influência pelo menos tão grande quanto a dos evangelhos canônicos. O evangelho do Pseudo-Mateus, por exemplo, foi muito conhecido na Idade Média. É uma compilação (do início da Idade Média) de textos mais antigos, entre os quais o Proto-evangelho de Tiago. Teoricamente, devia ser possível encontrar nesse tipo de escritos tardios um caminho para chegar às fontes mais antigas. Mas há tantas incertezas que na prática tal programa se mostra inexeqüível. Uma segunda categoria é formada por alguns evangelhos sobre cuja existência informa a literatura cristã antiga, mas dos quais nada ou quase nada foi conservado. Dispomos apenas de alguns textos citados por Santos Padres ou teólogos da Igreja antiga. Devem ser mencionados: o Evangelho dos Egípcios, o Evangelho dos Hebreus e o Evangelho dos Ebionitas. Sem dúvida trata-se de textos bastante antigos. Clemente de Alexandria (falecido por volta de 215) cita o Evangelho dos Egípcios e o Evangelho dos Hebreus. Orígenes (falecido em 254) conheceu possivelmente o Evangelho dos Ebionitas.

Qual foi o conteúdo desses textos e como devemos avaliá-los? Quem estiver esperando novidades sensacionais ficará decepcionado. Grande parte deles baseia-se evidentemente nos evangelhos canônicos. Acrescentam-se pormenores; o texto é tornado mais impressionante: indício indubitável de adaptação. Às vezes o teor de uma palavra de Jesus é ligeiramente modificado. Uma característica geral que pode ser constatada é a tendência encratista. Precisa-se de muita imaginação para encontrar nessas palavras uma tradição autêntica sobre Jesus.

Uma terceira categoria de evangelhos apócrifos consta de textos em papiros e pergaminhos descobertos neste último século. Fazendo abstração, por ora, da biblioteca copta de Nag Hammadi (cf. infra), trata-se de um pequeno grupo de escritos dos quais possuímos também apenas alguns fragmentos. Os mais conhecidos são os textos evangélicos do Papiro 2 de Egerton e o Evangelho de Pedro. Ambos os textos foram escritos provavelmente no século II. Egerton 2 conta quatro cenas, três das quais, as primeiras, têm paralelos nos evangelhos canônicos; a quarta está tão danificada que é difícil formar sobre ela uma opinião sensata. Quanto a esses papiros, a maioria dos especialistas julga tratar-se de uma compilação; alguns, porém, defendem ardentemente a tese de que são independentes dos evangelhos canônicos. Estou inclinado a concordar com a maioria, acrescentando que esses fragmentos, ainda que fossem independentes, contribuem pouco ou nada para nosso conhecimento a respeito do Jesus histórico. O Evangelho de Pedro (o fragmento que se conservou) descreve o processo contra Jesus, sua execução e sua ressurreição. Característica é a tendência antijudaica ainda mais forte que nos evangelhos canônicos. Teologicamente, ele está mais próximo de João; em contraste com João, porém, a cristologia é a do docetismo: aquele que sofre e morre é apenas uma aparição do verdadeiro Jesus, que é divino e por isso não pode sofrer e morrer. As opiniões sobre esse texto são as mesmas que sobre o papiro de Egerton. Para mim, é um rewritten gospel, uma adaptação baseada nos evangelhos canônicos.

Finalmente. temos a grande biblioteca copta, encontrida, pouco depois da Segunda Guerra Mundial, perto de Nag Hammadi, no Egito superior. Além de um texto completo do Evangelho de Tomé, esta coleção contém dois outros evangelhos apócrifos: o Evangelho de Filipe e o Evangelho da Verdade. Esse último não é um evangelho no sentido costumeiro da palavra; é antes uma meditação, uma espécie de sermão sobre a redenção pelo conhecimento (gnosis) de Deus. É atribuído ao gnóstico Valentino, que viveu em meados do século II; por conseguinte, não ajuda em nada a pesquisa sobre o Jesus histórico. O Evangelho de Filipe foi escrito antes de 350; é evidentemente uma compilação de materiais mais antigos. Como sempre, coloca-se ai a questão se seria possível destacar do texto atual as fontes utilizadas. Também no caso do Evangelho de Filipe isso parece muito problemático. O texto causou certo sensacionalisnio porque sugere uma relação amorosa entre Jesus e Maria Madalena. Coisa semelhante consta no Evangelho de Maria Madalena, não encontrado em Nag Hammadi, mas proveniente de um ambiente semelhante. Alegando esses apócrifos, pessoas não-especializadas no assunto proferiram a suspeita de que a Igreja teria escamoteado valiosos documentos antigos. Sem dúvida, a Igreja estabeleceu seu cânon com base em determinadas suposições dogmáticas, freqüentemente em consciente polêmica contra grupos que invocavam a autoridade de escritos cuja autenticidade reivindicavam. Eu seu julgamento, o historiador terá de ponderar também esse fato. Não é impossível que em semelhantes grupos tradições originais tenham sido transmitidas, embora seja praticamente certo que elas então passaram por adaptações mais ou menos profundas. Porém, ao ler esses escritos, é difícil não chegar à conclusão de que a Igreja, com relação a eles, traçou os limites de seu cânon com razoável objetividade e com certeira avaliação da qualidade.

Divergem muito entre si as opiniões acerca do valor desses escritos como fontes para a biografia de Jesus. O certo é que nenhum desses evangelhos apócrifos vem diretamente de testemunhas oculares; mas isso vale também para os evangelhos canônicos. Sobre fragmentos pequeninos não se pode dizer muita coisa. Textos de maior envergadura sempre têm uma motivação teológica, não biográfica ou histórica no sentido moderno. Mas também isso vale igualmente para os evangelhos canônicos. O fato de muitos desses escritos apresentarem traços ligeiramente “gnósticos” é para alguns motivo de desconfiança de seu valor como testemunhas, ao passo que outros lhes dão tanto mais crédito, já que para eles o próprio Jesus foi um mestre gnosticizante.

Onde, então, estão as diferenças? Principalmente nas datações. Os evangelhos canônicos foram escritos antes do fim do século I. Os textos evangélicos apócrifos, porém, na forma em que os possuimos agora, são todos posteriores. Se é que contém material historicamente confiável, teremos de investigar sua origem. Em si, isso não tem nada de extraordinário. Esse tipo de literatura costuma utilizar fontes: raramente uma narrativa sobre Jesus ou uma palavra atribuida teria nascido inteiramente da piedosa fantasia de um autor. Mas o que a fantasia piedosa fez com as fontes não pode ser mais apurado. Aí inevitavelmente a subjetividade do pesquisador vai desempenhar importante papel.

2. PALAVRAS ATRIBUÍDAS A JESUS POR COPIADORES DE MANUSCRITOS

São os chamados agrapha, declarações de Jesus ou sobre ele que se encontram em um ou em alguns manuscritos, mas faltam naqueles mais confiáveis, e por isso não constam das edições críticas dos textos dos evangelhos. Podem ser encontradas, naturalmente, no aparato crítico. Esses textos provam que circulavam diversas tradições sobre Jesus que não foram integradas aos quatro evangelhos. Se são historicamente confiáveis, é outra questão.

O exemplo mais conhecido é provavelmente o texto que se encontra no códex Bezae depois de Lc 6,5: “Naquele dia, (Jesus), vendo alguém trabalhar no sábado, disse-lhe: ‘Homem, bem-aventurado és tu se sabes o que estás fazendo; mas, se não o sabes, és amaldiçoado e um transgressor da Lei'”. Também do “final não-autêntico” de Marcos existem algumas variantes nos manuscritos.

3. AUTORES CRISTÃOS ANTIGOS

Também aí encontramos agrapha a provar que, além das canônicas, circulavam ainda outras tradições sobre Jesus. Sabemo-lo igualmente por uma observação de Papias, transmitida por Eusébio: “Quando me encontrava com alguém que fora discípulo dos anciãos, perguntava sempre pelas declarações (“palavras”) dos anciãos: o que dizia André ou Pedro ou Filipe ou Tomé ou Tiago ou João ou Mateus ou um dos demais discípulos do Senhor… Pois partia do princípio de que as coisas escritas nos livros não são tão úteis quanto aquilo que eu podia ouvir de uma voz viva que continuava presente”.

Papias é uma das testemunhas mais antigas de palavras canônicas de Jesus, mas até no século IV encontramos semelhantes agrapha. Como em outros casos, reconhecer autenticidade é em grande parte questão de gosto. Conforme já observamos, não devemos esquecer nunca que personagens famosos como Jesus muitas vezes são citados como autores de sentenças na realidade formuladas por outros, menos conhecidos.

Veritatis Splendor

Faleceu bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga

Dom Pedro Casaldáliga / Foto: CNBB

SÃO PAULO, 08 Ago. 20 / 02:53 pm (ACI).- Faleceu na manhã deste sábado, 8 de agosto, o Bispo emérito da Prelazia de São Félix do Araguaia, Dom Pedro Casaldáliga, aos 92 anos.

Em nota publicada na página de Facebook dos Missionários Claretianos Brasil, a Prelazia de São Félix do Araguaia (Mato Grosso, Brasil), a Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria (Claretianos) e a Ordem de Santo Agostinho (Agostinianos), comunicam que o Prelado morreu às 9h40 deste sábado, em Batatais (SP), onde estava internado no hospital da Santa Casa de Misericórdia, com graves complicações pulmonares.

No início da semana, a Prelazia chegou a desmentir um boato que circulou na imprensa de que Dom Casaldáliga havia falecido.

Dom Pedro Casaldáliga foi transferido do Mato Grosso para o interior de São Paulo no dia 4 de agosto. O Bispo emérito sofria de problemas respiratórios e agravamento do mal de Parkinson. Exames descartaram que o paciente tivesse Covid-19.

O velório de Dom Pedro Casaldáliga ocorrerá em três locais, sendo o primeiro neste sábado, a partir das 15h, na capela do Centro Universitário de Batatais. A Missa de exéquias será celebrada em Batatais, no domingo, 9 de agosto, às 15h, na mesma capela.

Já na segunda-feira, 10 de agosto, o corpo do Bispo seguirá para Ribeirão Cascalheira (MT), onde será velado no Santuário dos Mártires, ainda sem previsão de horário de chegada do corpo.

O sepultamento será em São Félix do Araguaia (MT), após o corpo velado no Centro Comunitário Tia Irene. A data, porém, ainda não foi divulgada.

Breve biografia

Dom Pedro Casaldáliga nasceu em Balsareny, na província de Barcelona, na Espanha, em 16 de fevereiro de 1928.

Ingressou na Congregação dos Missionários Filhos do Imaculado Coração de Maria, os Claretianos, em 1943. Foi ordenados sacerdote em Montjuïc, Barcelona, em 31 de maio de 1952.

Em 1968, mudou-se para o Brasil para fundar uma missão claretiana no Estado do Mato Grosso. No dia 27 de abril de 1970, foi nomeado administrador apostólico da Prelazia de São Félix do Araguaia (MT). No ano seguinte, foi nomeado bispo prelado de São Félix do Araguaia, tendo recebido sua ordenação episcopal em 23 de outubro de 1971.

O Prelado apresentou sua renúncia à Prelazia, conforme o Can. 401 §1 do Código de Direito Canônico, em 2005. No dia 2 de fevereiro de 2005, o Papa João Paulo II aceitou sua renúncia ao governo pastoral de São Félix.

Dom Pedro Casaldáliga foi um dos maiores propagadores da teologia da libertação no Brasil.

ACI Digital

 

13 dados que talvez não conheça sobre a vida de Santa Teresa Benedita da Cruz

Santa Teresa Benedita da Cruz / Foto: Flickr WBUR (CC BY-NC-ND 2.0)

REDAÇÃO CENTRAL, 09 Ago. 20 / 07:00 am (ACI).- Neste dia 9 de agosto, é celebrada a festa de Santa Teresa Benedita da Cruz (Edith Stein, por seu nome de batismo), cujo testemunho de conversão do judaísmo ao catolicismo comoveu milhares de fiéis.

A seguir, apresentamos 13 dados sobre sua inspiradora vida de fé, marcada pelo intelecto e sua caridade nos campos de concentração.

1. Desde criança, mostrou seu intelecto superior

Sua irmã Erna Biberstein-Stein escreveu que, quando Edith era pequena, “tinha uma memória formidável e retinha tudo”, e que durante o ensino infantil, “destacava-se intelectualmente em relação a todas as crianças”.

Por isso, ingressou na escola antes do costume da época, onde “obteve resultados brilhantes”.

2. Foi escolhida em vez de um dos filósofos mais brilhantes do século XX

Em sua juventude, Edith estudou História e Filosofia na Universidade de Gottiengen. Seus trabalhos impressionaram tanto seu professor Edmund Husserl, que a escolheu como sua assistente de cátedra em vez de Martin Heidegger, um dos pensadores e filósofos mais influentes do século XX.

3. Serviu na Cruz Vermelha

Durante a Primeira Guerra Mundial, a santa se alistou na Cruz Vermelha para servir como enfermeira em um hospital austríaco, até que este foi fechado em 1916.

“Ali, como em todas as partes, trabalhou com toda a alma, sendo estimada tanto pelos feridos como pelas companheiras e superiores”, indicou sua irmã Erna.

4. Escrevia poesias para seus entes queridos

Erna afirmou que o dia de seu casamento com Hans Biberstein, em 1920, Edith compôs “belas poesias para todas as sobrinhas e sobrinhos. Nelas reviviam as experiências mais placentárias de nossos anos estudantis e de nossa infância”.

2. Santa Teresa de Jesus influenciou sua conversão

Durante sua adolescência, Edith se afastou do judaísmo, religião professada por sua família. Em 1921, conheceu uma viúva que a fez se aproximar de Deus e começou a ler a biografia de Santa Teresa de Jesus.

Depois de atravessar uma profunda crise, ela decidiu se batizar na Igreja Católica.

6. Sua passagem do judaísmo ao catolicismo foi dura para sua família

Erna relatou que Edith lhe confiou sua decisão de se converter ao catolicismo e lhe pediu que contasse a sua mãe.

“Esta decisão significava um duro golpe para quem era uma autêntica crente judia e considerava como apostasia que Edith aceitasse outra religião. Também foi difícil para nós, mas tínhamos tanta confiança no convencimento interior de Edith, que aceitamos sua passagem muito apesar de nós mesmos, depois de ter tentado de forma vã dissuadi-la por causa de nossa mãe”, indicou.

Edith foi batizada em 1922.

7. Ingressou no Carmelo aos 42 anos

 A santa passou os anos seguinte trabalhando como professora, escrevendo livros e recebendo propostas para ensinar em várias universidades, incluindo na América do Sul, mas sentiu o chamado do Senhor.

Depois de um processo de discernimento vocacional, ingressou no Carmelo em 1934 e adotou o nome de Teresa Benedita da Cruz. Nessa época, tinha 42 anos e era uma intelectual famosa.

8. Sua irmã também se converteu ao catolicismo

Sua irmã Rosa também se converteu ao catolicismo. Naquela época, a situação dos judeus na Alemanha piorou e tanto ela como Edith foram levadas a uma comunidade carmelita na Holanda.

Rosa serviu como irmã leiga.

9. Negou-se a ir para a Suíça sem sua irmã

Os nazistas começaram a deter os judeus na Holanda e, para se proteger, Edith pediu um visto para Suíça, para se mudar com sua irmã Rosa ao Convento das Carmelitas de Le Paquier. Disseram-lhe que podiam aceitar somente ela, mas não Rosa.

Edith decidiu ficar com sua irmã e empregou seu tempo a terminar de escrever “A Ciência da Cruz”.

10. Escreveu um livro sobre o valor da mulher

Edith Stein foi uma das primeiras mulheres a obter doutorado em Filosofia e se destacou por seu brilhante intelecto em um campo que tradicionalmente tinha sido dominado por homens.

Antes de ingressar na vida religiosa, a santa deu conferências sobre o valor e o aporte da mulher para a sociedade contemporânea. Seu pensamento sobre o tema está plasmado no livro “A mulher: Sua natureza e missão”.

11. Os nazistas a prenderam por sua origem judia

Devido à sua origem judia, Edith foi presa em 2 de agosto de 1942 pelos nazistas quem invadiram o Carmelo de Echt e a levaram junto com Rosa.

Um testemunho narrou que a santa segurou a mão de sua irmã e lhe disse: “Vem Rosa, vamos por nossa gente”.

12. Esteve em dois campos de concentração

Edith e Rosa foram levadas ao campo de concentração de Westerbork. Ali, a santa dava consolo e ajudava os prisioneiros, que viviam em condições desumanas e em meio a constantes humilhações por parte dos nazistas.

O testemunho de serenidade e caridade de Edith foi relatado por presos.

Durante a madrugada de 7 de agosto de 1942, a santa foi levada em um trem junto com outros mil presos ao campo de concentração de Auschwitz, na Polônia.

13. Morreu na câmara de gás e ofereceu seu martírio pela conversão da Alemanha

Edith Stein chegou a Auschwitz em 9 de agosto de 1942 e imediatamente foi conduzida à câmara de gás.

A mártir ofereceu sua vida pela salvação das almas, a libertação de seu povo e a conversão da Alemanha.

Foi canonizada em 1998 por São João Paulo II, que a chamou de “mártir por amor”.

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF