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sexta-feira, 4 de setembro de 2020

Papa Francisco explica porque não aprovou sacerdotes casados depois do Sínodo da Amazônia

Foto referencial. Crédito: Daniel Ibáñez / ACI Prensa

Vaticano, 03 set. 20 / 03:15 pm (ACI).- O Papa Francisco explicou algumas das razões pelas quais não aprovou os viri probati (homens de virtude comprovada) como sacerdotes casados, após o Sínodo dos Bispos sobre a Amazônia realizado no Vaticano em outubro de 2019.

Em notas compartilhadas com a revista jesuíta "La Civiltà Cattolica", publicadas nesta quinta-feira, 3 de setembro, o Santo Padre escreveu que sobre os viri probati "houve uma discussão, uma discussão rica, uma discussão fundamentada, mas nenhum discernimento, que é algo diferente a chegar a um bom e justificado consenso ou maiorias relativas”.

A proposta de ordenar homens casados ​​está no parágrafo 111 do documento final do Sínodo. Esse parágrafo obteve 128 votos a favor e 41 contra, sendo o número que mais reprovações recebeu em todo o texto.

“Considerando que a legítima diversidade não prejudica a comunhão e a unidade da Igreja, mas a manifesta e serve (LG 13; OE 6) o que atesta a pluralidade dos ritos e disciplinas existentes, propomos estabelecer critérios e disposições por parte da autoridade competente, no âmbito da Lumen Gentium 26, para ordenar sacerdotes a homens idôneos e reconhecidos pela comunidade, que tenham um diaconato permanente fecundo e recebam uma formação adequada para o presbiterato, podendo ter uma família legitimamente constituída e estável, para sustentar a vida da comunidade cristã mediante a pregação da Palavra e a celebração dos Sacramentos nas áreas mais remotas da região amazônica. A este respeito, alguns manifestaram-se a favor de uma abordagem universal da questão”, assinala o parágrafo 111.

Em suas notas, o Papa Francisco indica que “devemos entender que o Sínodo é mais do que um Parlamento; e neste caso específico não poderia escapar desta dinâmica. Sobre este argumento foi um Parlamento rico, produtivo e até necessário, mas não mais do que isso”.

“Para mim, isso foi decisivo no discernimento final, quando pensei em como fazer a exortação” apostólica pós-sinodal Querida Amazona, destacou o Papa Francisco em suas notas.

O Santo Padre indicou que “uma das riquezas e originalidade da pedagogia sinodal está em sair da lógica parlamentar para aprender a escutar, em comunidade, o que o Espírito diz à Igreja, por isso proponho sempre calar depois de um certo número de intervenções” durante o debate na sala sinodal.

“Caminhar juntos significa dedicar um tempo à escuta honesta, capaz de nos revelar e desmascarar (ou pelo menos ser sinceros) a aparente pureza de nossas posições e nos ajudar a discernir o trigo que –até a Parusia– sempre cresce em meio ao joio. Quem não realizou esta visão evangélica da realidade se expõe a uma amargura inútil. A escuta sincera e em oração mostra-nos as ‘agendas escondidas’ chamadas à conversão. Que sentido teria a assembleia sinodal se não fosse para escutar juntos o que o Espírito diz à Igreja?”.

Ao finalizar, o Papa Francisco disse que “eu gosto de pensar que, em certo sentido, o Sínodo ainda não acabou. Este momento de acolher todo o processo que vivemos nos desafia a seguir caminhando juntos e a colocar em prática esta experiência”.

Em 12 de fevereiro de 2020, o Vaticano publicou a exortação apostólica pós-sinodal Querida Amazona, do Papa Francisco, fruto do Sínodo sobre a Amazônia. O documento magisterial não contempla a possibilidade de ordenar homens casados.

Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.

ACI Digital

 

quinta-feira, 3 de setembro de 2020

Início do Sermão sobre as Bem-aventuranças, de São Leão Magno, papa

 

Canção Nova

(Sermo 95,1-2: PL 54,461-462)                 (Séc.V)

 

Imprimirei a minha lei em seu íntimo

Nosso Senhor Jesus Cristo, caríssimos, ia pregando o Evangelho do reino, curando as enfermidades por toda a Galiléia, e a fama de seus prodígios se espalhava pela Síria inteira. Grandes multidões, vindas da Judéia, afluíam ao médico celeste. Lenta é para a ignorância humana a fé em crer no que não vê e esperar o que não conhece. Foram precisos, a fim de firmar na doutrina divina, os benefícios corporais e o estímulo dos milagres patentes. Pela experiência de seu tão benigno poder não duvidariam que sua doutrina traz a salvação.  

Para passar das curas exteriores aos remédios interiores e depois da cura dos corpos à saúde das almas, o Senhor separou-se das turbas que o cercavam, subiu à solidão do monte vizinho. Chamou os apóstolos para formá-los com mais elevadas instruções do alto da cátedra mística. Pelo próprio lugar e qualidade do ato, significava ser o mesmo que se dignara outrora falar com Moisés. Lá na mais apavorante justiça, aqui com a mais divina clemência. Eis que vêm dias, diz o Senhor, e firmarei com a casa de Israel e a casa de Judá um pacto novo. Depois daqueles dias, palavras do Senhor, porei minhas leis no seu íntimo e as escreverei em seus corações (cf. Jr 31,31.33; cf. Hb 8,8).  

Aquele, pois, que falara a Moisés, falou aos apóstolos. E nos corações dos discípulos, a mão veloz do Verbo escrevia os decretos da nova Aliança. Sem nenhuma escuridão de nuvens envolventes, sem sons terríveis e relâmpagos. Sem estar o povo afastado do monte pelo terror, mas na límpida tranquilidade de uma conversa com os circunstantes atentos, a fim de remover a aspereza da lei pela brandura da graça e tirar o medo de escravo pelo espírito de adoção.  

Qual seja a doutrina de Cristo, suas santas sentenças o demonstram. Elas dão a conhecer os degraus da jubilosa ascensão àqueles que desejam chegar à eterna beatitude. Bem-aventurados os pobres em espírito porque deles é o reino dos céus (Mt 5,3). Seria talvez ambíguo a que pobres se referia a Verdade, se dissesse: Bem-aventurados os pobres, sem acrescentar nada sobre a espécie de pobres, parecendo bastar a simples indigência, que tantos padecem por pesada e dura necessidade, para possuir o reino dos céus. Dizendo porém: Bem-aventurados os pobres em espírito, mostra que o reino dos céus será dado àqueles que mais se recomendam pela humildade dos corações do que pela falta de riquezas.


https://liturgiadashoras.online/

Catástrofes Climáticas, a Torre de Babel e o Novo Normal

Guadium Press

Quais são as causas da multiplicação dos desastres climáticos que estão assolando o nosso mundo?

Redação (02/09/2020 10:47, Gaudium PressNarra o Gêneses que os homens, após o dilúvio, falavam todos uma mesma linguagem. Aproveitando-se disso, construíram uma torre para tocar os Céus e desafiar o próprio Deus. Mas a empreitada não durou muito, pois a soberba de seus construtores foi logo castigada. Tendo suas línguas confundidas, não se entendiam mais uns aos outros e tiveram de se dispersar pela Terra. Da torre de Babel não resta mais nada a não ser sua infeliz memória e suas sequelas: um mundo onde ninguém se entende…

     ***

“Novo normal”: nestes últimos meses tem-se ouvido muito essa fórmula, que – é preciso admitir – exprime bem a situação em que nos encontramos.

Sem dúvida, tudo agora é “novo”, até mesmo o próprio conceito de normalidade. Tornou-se normal receber notícias a respeito de contínuos atos de vandalismo já sem nenhum objetivo senão causar desordem. Ninguém mais vê como estranho que só se possa sair à rua com uma máscara no rosto, que haja limite de contingente para todo tipo de atividade, inclusive – e sobretudo – a frequência a atos de culto. Enfim, tudo o que antes seria tido como a mais evidente loucura, agora é visto com o cômodo rótulo de “novo normal”. E o “normal” é algo assaz simpático: não exige reação, não implica em nenhum esforço. Basta viver e – no nosso caso concreto – esperar que o caos não venha a alterar a nossa normalidade.

O problema é que esse novo estado de coisas tem se alastrado para outros campos, como o clima, por exemplo.

Cada vez mais especialistas têm deixado cair os queixos diante da recente instabilidade da natureza. De um lado, vários países encontram-se simplesmente debaixo d’água; de outro, furacões e ciclones vêm se propagado em tal quantidade, que o número de tempestades já ultrapassou, em fins de agosto, a média de uma temporada inteira, que só se encerra no término de novembro; e para coroar, os Estados Unidos começaram a pegar fogo…

Esse é, do ponto de vista climático, o “novo anormal” em que estamos entrando, e talvez o mais preocupante seja que especialistas como o Dr. Kevin Trenberth, cientista sênior do Centro Nacional de Pesquisa Atmosférica, estimem que a tendência é piorar.

Qual é a causa dessa desordem climática? Alguns acharam por bem jogar a culpa em um “excesso de energia”, causado pelo aquecimento global, que é gasto na forma de calor, incêndios, ventos e chuvas mais extremos.

A explicação parece-me demasiado simplista. Se a causa fosse unicamente essa, já tão estudada e catalogada, os fenômenos seriam mais facilmente previstos pelos especialistas. Contudo, vemos o contrário: “Em muitos aspectos, os impactos estão acontecendo de modo mais rápido e com uma maior gravidade do que prevíamos”, dizia um professor da Universidade Estadual da Pensilvânia. Há, portanto, alguma causa que escapa à linguagem dos cientistas, das máquinas e dos cálculos; que é, entretanto, simples e que, por isso mesmo, torna-se incompreensível para o homem moderno, tão afeito a complicar as coisas.

Encontramo-nos, portanto, em uma confusão parecida com a da torre de Babel.

Nosso mundo enorme, desafiante e esmagador quer entender por que está ruindo, mas não consegue. Pensa ele que sua situação é fruto dos desequilíbrios que causou na natureza, e talvez em algo tenha razão. Mas isso é apenas um reflexo do verdadeiro problema: a Babel moderna está desafiando a Deus.

Desista Babel de suas ridículas utopias e verá desabrochar no mundo o verdadeiro “novo normal”.

Por Oto Pereira

https://gaudiumpress.org/

Referência a Cristo é abolida de livros da Secretaria da Educação de São Paulo

Guadium Press

A medida foi tomada pela entidade governamental do estado de São Paulo para não ofender os que não seguem nenhuma religião.

São Paulo (02/09/2020 12:00, Gaudium Press). Em uma ação arbitrária, ideológica e claramente anticristã, a Secretaria da Educação do Estado de São Paulo resolveu retirar a referência ao nome de Nosso Senhor Jesus Cristo na contagem do tempo histórico.

Medida foi tomada para não ofender os que não seguem a Fé Cristã

De acordo com a professora Luize Coutinho, esta medida foi tomada para não ofender os que não seguem nenhuma religião. “Cristo é uma referência religiosa e a gente sabe que nem todas as religiões têm Cristo como referência ou nem todas as pessoas têm religião”, afirmou a docente durante uma aula remota de História Antiga transmitida pelo Centro de Mídias e Educação de São Paulo, órgão da Secretaria Estadual de Educação do estado de São Paulo.

Criação das siglas ‘a.E.C.’ e ‘E.C.’

A explicação foi feita após um aluno ter perguntado para a professora de História, através do chat da aula virtual, sobre qual era o significado da sigla ‘a.E.C.’. Segundo a educadora, “essa é uma descrição da divisão da linha do tempo, de antes de Cristo e depois de Cristo. A gente fez uma mudança na denominação. Ela é utilizada em alguns escritos, algumas literaturas, mas a Secretaria de Educação, em seus materiais, decidiu que vai se utilizar essa sigla ‘a.E.C.’, que significa ‘antes da Era Comum’”.

https://youtu.be/WTKiQskIU_I

Ainda segundo a professora Luize Coutinho, a ‘Era Comum’, corresponde ao período que sempre se designou como ‘Depois de Cristo’. “É a mesma divisão, porque a gente sabe que o nosso calendário é um calendário cristão, gregoriano, que determina que o ano 1 é o ano do nascimento de Cristo para frente”, esclareceu.

A escolha de um termo “um pouco mais neutro”

Ela acrescentou que se deu preferência para o termo ‘Era Comum’, porque “Cristo é uma referência religiosa e a gente sabe que nem todas as religiões têm Cristo como referência, e sabe que nem todas as pessoas têm religião”. Em sua visão, esse é um termo “um pouco mais neutro”, mas que “fica a mesma coisa”, concluiu.

Justificativa errônea

Na justificativa apresentada se encontram dois erros graves. O primeiro é de que as siglas ‘a.C.’ e ‘d.C.’ são utilizadas apenas em alguns escritos, sendo que na verdade, são universais. O segundo erro é dizer que a referência a Nosso Senhor Jesus Cristo é apenas ‘religiosa’, sendo que na realidade Jesus Cristo é reconhecido como um importante personagem da história mundial e isso é evidenciado pelo fato de o ano de seu nascimento ter sido escolhido como referência de uma mudança na história universal. A decisão da Secretaria de Educação do Estado de São Paulo reflete uma opção mais ideológica do que um critério de rigor científico historiográfico. (EPC)

https://gaudiumpress.org/

Avó de coroinha assassinado no Ceará recebe mensagem do Papa Francisco

Pastoral da Comunicação (Pascom) São Pedro da Barra do Ceará

Jefferson de Brito, de 14 anos, foi morto há duas semanas e seu corpo foi encontrado a 700 metros da paróquia onde era acólito.

OPapa Francisco escreveu uma carta de próprio punho à comunidade da Paróquia São Pedro, no bairro da Barra do Ceará, em Fortaleza, para oferecer suas orações e solidariedade pelo assassinato do coroinha Jefferson de Brito, de 14 anos, assassinado no dia 19 de agosto. O adolescente foi morto a tiros. O seu corpo, que também apresentava perfurações de objetos cortantes, foi encontrado a cerca de 700 metros da igreja paroquial.

A carta do Papa é de 25 de agosto, mas só pôde ser entregue à dona Teresa, avó de Jefferson, na manhã desta terça-feira, 1º de setembro. Ela havia viajado e ficado incomunicável durante alguns dias após a tragédia.

Quem foi pessoalmente levar a carta à dona Teresa foi o frei João Flores, pároco da Paróquia São Pedro da Barra do Ceará, junto com alguns paroquianos.

E foi um dos paroquianos, Kilbert Amorim, quem entrou em contato com o Vaticano para comunicar o terrível episódio e pedir ajuda. Kilbert enviou ao portal de notícias Vatican News a seguinte mensagem:

“Com o coração enlutado e cheio da esperança na ressurreição e justiça, peço chegar ao conhecimento do Santo Padre, o Papa Francisco, essa terrível notícia de minha paróquia, pedindo sua bênção e oração, com uma palavra de carinho para sua avó, que ficou sem o seu neto dedicado, religioso, acólito assíduo e amado por padres e fiéis em geral. Me ajudem a aplacar o sofrimento em minha paróquia São Pedro da Barra do Ceará”.

A Pastoral da Comunicação (Pascom) de São Pedro da Barra do Ceará informa que dona Tereza ficou muito feliz com a carta e manifestou gratidão pelo apoio recebido tanto de Deus quanto de muitas pessoas, embora o momento seja “tão doloroso e nada trará [Jefferson] de volta”.

A mensagem do Papa

No seu texto em resposta à carta de Kilbert, o Papa Francisco declarou:

“Dói-me muito o que me contas sobre Jefferson. Estou próximo de ti e rezo por ti e pela Comunidade paroquial de São Pedro da Barra do Ceará. Rezo pelo eterno descanso de Jefferson e também rezo pela avó que ficou sozinha”.

Francisco fez questão de não deixar espaço para o ódio:

“Deus tenha misericórdia do assassino”.

Em outro parágrafo, o Papa volta a mencionar a avó do coroinha e pede ao interlocutor que lhe transmita a sua proximidade. Ao finalizar, Francisco pede:

“Que Jesus te abençoe e a Virgem Santa cuide de ti”.

Aleteia Brasil

O coração e a graça em Santo Agostinho. Distinção e correspondência (Parte 3/4)

Cardeal Angelo Scola
Cardeal Angelo Scola | 30Giorni

Arquivo 30Dias nº 12 - 2007

O Coração e a Graça em Santo Agostinho: Distinção e Correspondência

Por Cardeal Angelo Scola

Humildade: o caminho real

Há alguns meses, durante a celebração eucarística nos jardins do Almo Collegio Borromeo, em Pavia, Sua Santidade Bento XVI – cuja ligação com Santo Agostinho é bem conhecida, como se evidencia em seus ensinamentos –, ao traçar o caminho da conversão do santo bispo, identificou seu estágio final e definitivo com estas palavras: «Agostinho aprendeu um grau final de humildade – não apenas a humildade de inserir seu grande pensamento na fé humilde da Igreja, não apenas a humildade de traduzir seu grande conhecimento na simplicidade da proclamação, mas também a humildade de reconhecer que ele próprio e toda a Igreja peregrina necessitavam continuamente da misericórdia de um Deus que perdoa todos os dias. E nós – acrescentou – tornamo-nos semelhantes a Cristo, o único Perfeito, na maior medida possível, quando nos tornamos, como Ele, pessoas de misericórdia» ¹ .

A referência do Papa à humildade de Agostinho nos conduz diretamente ao cerne do ensinamento do Bispo de Hipona sobre “ o coração e a graça ”. De fato, a palavra "humildade" expressa sucintamente o que acontece no homem que, pela pura graça, encontra a misericórdia viva de Deus. O padre Giacomo Tantardini escreve com razão no livro que apresentamos esta noite: "Agostinho diz que somente no encontro entre o coração, isto é, a interioridade, e a graça, isto é, a presença do Senhor, a interioridade retorna a si mesma, o coração volta a ser coração, isto é, volta a ser o coração de uma criança [...] A humildade de Jesus é a virtude que podemos imitar. Não podemos imitar seus milagres, mas sua mansidão, sua pequenez e humildade, todos podemos imitar . " 2 

Vontade e Graça: Uma Palestra Agostiniana.

Da imensa herança das obras de Santo Agostinho, escolhi uma "página" de De libero arbitrio para "ler" com vocês esta noite. Como se sabe, a origem deste diálogo é uma discussão que ocorreu em Roma entre o outono de 387 – Agostinho havia sido batizado em Milão por Santo Ambrósio durante a Vigília Pascal daquele ano, entre 24 e 25 de abril – e o verão de 388³ . 

A obra foi concluída na África após a ordenação sacerdotal do autor nos primeiros meses de 391. Tendo se tornado bispo coadjutor de Hipona por vontade de seu bispo Valério em 395 (segundo alguns, em 396), Agostinho enviou os três livros da obra a Paulino de Nola (poeta e bispo cristão, 355-431) ⁴ . O diálogo se inicia com a pergunta de Evódio a Agostinho: « Dic mihi, quaeso te, utrum Deus non sit auctor mali? / Dize-me, peço-te, se Deus não é o princípio do mal» (I, 1, 1). O tema, portanto, não é diretamente o liberdade humana , mas a responsabilidade de Deus para com o mal .

Segundo Madec, aliás, “o diálogo bem poderia ter o título da obra de Leibniz: Ensaios de Teodiceia sobre a Bondade de Deus, a Liberdade do Homem e a Origem do Mal ” . 5 No diálogo entre Evódio e Agostinho, surge a questão que, mais ou menos explicitamente, mais ou menos agudamente, habita o coração de todo homem de todas as épocas: por que o mal? 

Uma questão que revela toda a sua capacidade de ferir nossa humanidade se formulada ainda mais concretamente: por que me vejo cometendo o mal? Desde a abertura, fica claro que um autor é um “clássico” – e Agostinho o é de maneira preeminente – porque sua leitura imediatamente se depara com as questões profundas do leitor de todas as épocas, dissipando subitamente todas as distâncias de tempo e cultura. Mas há outra razão que me levou a escolher, esta noite, ler com vocês uma passagem de De libero arbitrio . Refiro-me ao fato de que Agostinho releu e interpretou esta obra.

De fato, como observa Dom Giacomo, “em 388, Agostinho escreveu De libero arbitrio contra os maniqueus. É uma obra interessante também porque os pelagianos a usariam posteriormente para afirmar que Agostinho, recém-convertido, não aceitava nem a doutrina do pecado original nem a doutrina da graça, da qual ele se tornaria defensor mais tarde. Agostinho escreveria as Retractationes também para demonstrar que, mesmo em De libero arbitrio , que defende a liberdade humana, a doutrina do pecado original está presente (como Santo Ambrósio o havia ensinado acima de tudo) e a doutrina da graça também está presente.” ⁶ 

Dessa forma, De libero arbitrio nos oferece a oportunidade de encontrar Agostinho como seu próprio intérprete. Podemos, assim, obter uma visão direta de seus pensamentos genuínos sobre um aspecto, relacionado ao problema do mal, tão crucial para a vida de todo homem: o papel da vontade humana na relação entre graça (Jesus Cristo) e liberdade (o homem). Retratemos, portanto, juntos, um breve trecho desse diálogo. É retirado do Livro III, 3, 7: " Ev. – Mihi si esset potestas ut essem beatus, iam profecto essem: volo enim enim enim nunc, et non sum, quia non ego, sed ille me beatum fecit / (uso a tradução de Domenico Gentili): E. – Se estivesse em meu poder ser feliz, certamente já o seria; quero-o ainda agora e não sou, porque não eu, mas Ele me faz feliz."

Giacomo Tantardini, O Coração e a Graça em Santo Agostinho: Distinção e Correspondência , Città Nuova, Roma 2006, pp. | 30Giorni

Em poucas frases, o texto de Agostinho levanta duas questões fundamentais para o homem contemporâneo, o chamado homem pós-moderno . Primeiro, a felicidade : lembremos o significado do termo beatus no latim cristão : refere-se àquela felicidade completa e definitiva que não está ao alcance direto do homem. E, no entanto, gera um prazer que não passa, que não está destinado a perecer como os prazeres puramente mundanos. Bem, assim como as questões da verdade e da justiça foram as mais debatidas pelo homem moderno (até a queda do Muro, por assim dizer), hoje as questões da felicidade e da liberdade tornaram-se o principal emblema da pós-modernidade. Identifiquei a liberdade como o segundo grande tema da passagem escolhida. Agostinho a expressa por meio de dois termos de grande significado antropológico: vontade ( volo ) e poder ( potestas ). Retornaremos a essas categorias mais adiante.

« Agostinho – Optime é a consciência de que o homem não pode alcançar essa felicidade por si mesmo. É Outro quem pode satisfazer esse desejo – o segundo fato essencial.»

Em referência à felicidade assim concebida, o santo aborda diretamente o tema que me interessa: o papel da vontade.

Non enim posses aliud sentire esse in potestate nostra, nisi quod cum volumus facimus. Quapropter nihil tam in nostra potestate, quam ipsa voluntas est. Ea enim prorsus nullo intervallo, mox ut volumus praesto est / Podes, de fato, ter consciência de que apenas aquilo que podemos alcançar quando queremos está em nosso poder. Portanto, nada está tão em nosso poder quanto a própria vontade. Sem qualquer intervalo, ela está disponível ao ato que desejamos."

Esta foi uma das afirmações que Pelágio e seus seguidores usaram para minimizar o peso do pecado original e da graça em sua controvérsia com Agostinho. O padre Agostino Trapè observa que, após ter superado a ilusão maniqueísta, que permitia ao homem não se considerar responsável pelo mal cometido porque explicava o pecado não com base no livre-arbítrio, mas sim em virtude da coexistência no homem de dois princípios (o bem e o mal), Agostinho escreveu De libero arbitrio precisamente "para demonstrar que a vontade humana é essencialmente livre, isto é, tem em seu poder os seus próprios atos" 7. De fato, algumas linhas adiante da passagem que já citamos, Agostinho afirma: " Voluntas igitur nostra nec voluntas esset, nisi esset in nostra potestate. Porro, quia est in potestate, libera est nobisPortanto, nossa vontade não seria vontade se não estivesse em nosso poder. De fato, porque está em nosso poder, é livre para nós» (III, 3, 8). Esta foi a declaração de Agostinho usada pelos pelagianos contra o próprio Agostinho. Como o santo reagiu a essa interpretação?

Ouçamos diretamente, lendo um texto das Retractationes (I, 9, 3), que cito apenas em italiano (a tradução é de Ubaldo Pizzani): «Mas que os novos seguidores hereges de Pelágio não se exaltem demais. Se nestes livros nos permitimos fazer muitas afirmações em favor do livre-arbítrio, de acordo com o que o tema abordado exigia, isso não significa que pretendíamos nos colocar no mesmo nível de pessoas como eles, que defendem o livre-arbítrio da vontade a ponto de tirar espaço da graça divina e acreditar que esta nos é concedida como consequência de nossos méritos».

E mais adiante ele afirma: «Os pelagianos acreditam, ou podem acreditar, que estávamos na mesma linha que eles.» Mas esta é uma suposição infundada. Certamente é a vontade que nos faz pecar e viver retamente, e este é o conceito que desenvolvemos nas expressões aqui citadas [a referência é às passagens de De libero arbitrio que Agostinho cita nas Retractationes ]. Se, portanto, a graça divina não intervém para libertar a própria vontade da condição servil que a torna escrava do pecado e não a ajuda a superar seus defeitos, não é possível aos mortais viverem segundo a piedade e a justiça. E se esta benéfica intervenção divina, que liberta a vontade, não a precedesse, teria de ser considerada como uma compensação concedida por seus méritos e não seria mais graça, visto que por graça se entende, em todo caso, aquilo que é dado livremente» (I, 9, 4).

Levando em conta esses esclarecimentos agostinianos diretos, podemos retornar à passagem de De libero arbitrio , que é o objeto de nossa lectio, para aprofundar a relação entre vontade e poder e, portanto, em última análise, entre a liberdade humana e a liberdade divina, isto é, entre o “coração e a graça”.

Agostinho parte de alguns fatos indiscutíveis que fazem parte da vida de todo homem e não estão sob o poder de sua vontade. “ E com razão podemos dizer: 'Não queremos envelhecer, mas precisamos'; ou: 'Não queremos adoecer, mas precisamos'; ou: 'Não queremos morrer, mas precisamos'; e se algo diferente acontece , pode-se dizer: 'Envelhecemos não por vontade, mas por necessidade; adoecemos não por vontade, mas por necessidade; morremos não por vontade, mas por necessidade', e assim por diante para casos semelhantes.”

Com grande perspicácia, Agostinho considera a velhice, a doença e, sobretudo, a morte. Esses são fatos que acontecem necessariamente., sem que a vontade do homem possa dominá-las. Além disso, elas trazem à tona o contraste entre o desejo de beatitude e a impossibilidade de alcançá-la por nós mesmos. A morte, aliás, parece negar radicalmente aquele desejo de felicidade e liberdade de que falamos antes. Parece, de fato, reduzir o homem ao que acontece por necessidade . Mas aqui Agostinho rapidamente desencadeia seu poderoso argumento. Mesmo diante desses fatos incontestáveis: " 'Non voluntate autem volumus', quis vel delirus audeat dicere? / Mas quem, mesmo que louco, ousaria dizer: 'Não se quer com a vontade'?"

Em nossa experiência, podemos reconhecer um ponto em que essa necessidade é radicalmente minada: a possibilidade de querer , que está no cerne da experiência da liberdade.

Agostinho continua: « Quamobrem, quamvis presciat Deus nostras voluntates futuros, non ex e o tamen conficitur ut non voluntate aliquid velimus. Nam et de beatitude quod dixisti, non abs teipso beatum fieri, ita dixisti, quasi hoc ego negaverim: se eu disser, cum futurus es beatus, non te Invitation, sed volentem futurum. Cum igitur praescius Deus sit futuroe beatitudinis tuae, nec aliter aliquid fieri possit quam ille praescivit, alioquin nulla praescientia est, non tamen ex eo cogimur perceber, quod absurdissimum est et longe a veritate seclusum, non te volentem beatum futurum / Portanto, mesmo que Deus tenha presciência de nossas vontades futuras, isso não significa que queremos algo sem vai. Quando você disse, a respeito da felicidade, que não se torna feliz por si só, você disse como se eu a estivesse negando. Mas eu digo que, quando você se torna feliz, você o é porque deseja, não porque não deseja. Portanto, Deus está ciente da sua felicidade futura, e somente o evento do qual Ele está ciente pode ocorrer; caso contrário, não seria presciência. Contudo, por essa razão, não somos condicionados a pensar que você se tornará feliz sem desejar. Isso seria completamente absurdo e muito longe da verdade.

Agostinho afirma com perspicácia que a felicidade, isto é, a bem-aventurança que não está em nosso poder alcançar, mas que é dada por Deus, tem (e como!) a ver com a nossa vontade. Ninguém, de fato, diz o santo bispo, se tornará feliz sem desejá-la.

Agostinho afirma com perspicácia que a felicidade, isto é, a bem-aventurança que não está em nosso poder alcançar, mas que é dada por Deus, tem (e como!) a ver com a nossa vontade. Ninguém , de fato, diz o santo bispo, se tornará feliz sem desejá-la . Não porque a vontade seja necessariamente capaz de realizar o que decide — ela não é capaz de alcançar a felicidade plena que ardentemente deseja —, mas porque a vontade verdadeiramente e definitivamente livre tem o poder de querer o que nos é dado .
Eu posso querer o dom (a graça). De fato, sou verdadeiramente livre e decido pela plenitude da minha existência quando decido aderir ao dom da graça. É essa dignidade da liberdade humana que faz do coração um verdadeiro interlocutor da graça. E assim, a graça, absolutamente e sempre livre, torna-se verdadeiramente eficaz quando a liberdade diz " sim " (não como algo automaticamente imposto ao homem); ela não anula a liberdade, mas a chama ao envolvimento e, assim, a exalta. O padre Trapè comenta isto: «Na própria controvérsia pelagiana, a sua preocupação constante era afirmar tanto a liberdade do homem como a necessidade da graça [...] ele também se preocupou em recomendar, incansavelmente, que as duas verdades fossem mantidas firmes (sem a primeira, toda a vida humana é subvertida, sem a segunda, toda a vida cristã), mesmo quando não é claro como podem ser combinadas. É errado sustentar que Agostinho sacrificou a liberdade para defender a graça. A graça, escreve enfaticamente o Doutor da Graça, auxilia a vontade para que ela não falhe diante das fraquezas da sua natureza, não a retira [...]. “O livre-arbítrio não é retirado porque é auxiliado, mas é auxiliado, precisamente, porque não é retirado” ( Ep . 157, 10)» 8 .

Uma síntese maravilhosa dessa posição é a conhecida expressão de Agostinho contida no Sermão 169, 11, 13: «Aquele que vos criou sem vós, não vos justifica sem vós: criou aqueles que não sabiam, não justifica aqueles que não querem». Seguindo essa tradição, Dante, com a acuidade típica do gênio literário, afirma decisivamente: «O maior dom que Deus, por sua generosidade, / concedeu na criação, e à sua bondade / mais se conformou, e o que ele mais aprecia / foi o livre-arbítrio» 9. 

E o Concílio de Trento retomará esse pensamento com aquela fórmula engenhosa, expressão do equilíbrio do catolicismo, que para descrever o dinamismo da liberdade sempre movida pela graça redentora fala de um cooperare assendo : «Si quis dixerit liberum hominis arbitrarium a Deo motum et excitatum nihil cooperari assentiendo Deo excitanti atque vocanti quo ad obtinendam iustificationis gratiam se disponat ac praeparet, neque possui dissentire, si velit, sed velut inanime quoddam nihil omnino agere mereque passiva se habere: anathema sit » 10 .

O coração, portanto, é chamado a desejar livremente aquela bem-aventurança que só pode ser fruto do dom da graça. Quais são as expressões privilegiadas do seu livre arbítrio em relação à graça? O desejo e a grata aceitação do presente. Com efeito, «quem pede a salvação salva-se: quem a pede, quem a deseja. E algo assim se aplica a cada homem. Só o Mistério conhece o coração do homem. Basta um instante de desejo» 11 . 

A “obra” da liberdade

Será que as palavras de Agostinho, que analisamos juntos, têm algo a nos ensinar, a nós, homens e mulheres de nosso tempo, sedentos por felicidade e liberdade? Não podemos negar, de fato, que o domínio da tecnociência sobre nossa existência pessoal e social se tornou muito significativo nas democracias avançadas, especialmente no Ocidente. Na mentalidade atual, a tecnociência parece substituir as religiões ou filosofias ao nos dizer o que é a vida em sua origem, seu desenvolvimento e seu fim. Se observarmos atentamente, o próprio fenômeno da globalização depende intimamente do fato de o Ocidente estar impondo ao mundo inteiro uma concepção de felicidade como um produto puramente progressivo da tecnociência . Parece, à primeira vista, que a cultura contemporânea nega todo o ensinamento de Agostinho contido na declaração de Evódio, da qual partimos: “Se estivesse em meu poder ser feliz, certamente eu já o seria; eu o quero agora mesmo, e não o sou, porque não sou eu quem me faz feliz, mas Ele”. Agora, a tecnociência parece dar ao homem o poder de ser feliz . Não apenas desejar a felicidade, mas ser capaz de alcançá-la diretamente, sem recebê-la como um presente. Isso expressa a demanda por liberdade incondicional . Uma liberdade que detém tudo em seu poder: "Eu posso, logo devo" — este é o imperativo categórico da tecnociência.

Dom Giacomo Tantardini e Cardeal Angelo Scola | 30Giorni

Talvez Descartes já tivesse identificado a justificativa histórico-cultural para o poder do conhecimento científico: a promessa de tornar o homem senhor e dono da natureza (" maître et possessor de la nature "). O poder do conhecimento científico se demonstra, por um lado, pelo seu universalismo teórico e prático (em contraste com a multiplicidade e a natureza conflituosa das religiões) e, por outro, pelo enorme aumento de possibilidades que a ciência, por meio da tecnologia , disponibiliza ao mundo. Assim, a tecnociência efetivamente incentiva a renúncia da razão ao questionamento fundamental ("E o que sou eu? Quem, em última instância, me assegura, além da morte, com seu amor?"). E impulsiona a liberdade a se comprometer quase exclusivamente com realizações confiadas a uma tecnologia cada vez mais poderosa e, portanto, cada vez mais autojustificável.

Aqui vislumbramos uma forma pós-moderna de utopia não isenta de graves consequências sociais. De fato, tudo o que não se encaixa na estrutura desse tipo de " universalismo científico " é, na melhor das hipóteses, relegado a uma espécie de reserva indígena, incapaz de aspirar à relevância pública universal.

O que pode ser combatido por essa mentalidade? Certamente não a lamentação e a busca obsessiva por culpados. A fé entendida como uma resposta humana plena. Uma fé viva que testemunha a verdade, a beleza e a bondade do dom gratuito do encontro com Cristo. O caminho do encontro entre o coração e a graça. Entre a capacidade de querer , que jamais falha, e o dom que satisfaz o desejo de felicidade. E não é por acaso que, ainda hoje, depois da Bíblia, as Confissões de Agostinho são a obra mais impressa do mundo.

Dom Giussani, que enriquece as "leituras" agostinianas de Dom Giacomo, em um comentário sobre a passagem do Evangelho a respeito do jovem rico, identifica o principal caminho para falar ao homem de hoje descrevendo o papel da liberdade no encontro com a graça: "Pense no jovem rico — que abre caminho pela multidão e permanece boquiaberto, ouvindo Jesus — e em Jesus olhando para ele. Então ele lhe diz: 'Bom Mestre, como posso entrar no que o Senhor chama de Reino dos Céus, a verdade da realidade, a verdade do ser?' E Jesus olhou para ele e disse: 'Guarde os mandamentos.' 'Mas eu sempre os guardei.' E 'Jesus, olhando para ele, o amou' — tendo olhado para ele, amado-o —: 'Só te falta uma coisa: chega ao fim.'" É trabalho. Ele lhe deu uma proposta de trabalho: que a gratuidade que o havia submergido se tornasse trabalho [...] o valor da vida, da minha vida, é a Tua obra, isso é trabalho." A relevância da liberdade para a possibilidade de que o Ser faça cintilar" 12 .

Mas onde podemos aprender essa fé? Os homens e mulheres de nosso tempo — onde quer que se encontrem amando e trabalhando, isto é, em suas vidas reais — precisam encontrar concretamente comunidades cristãs onde a experiência de desejar esse dom (a graça) que satisfaz o desejo seja praticável. Comunidades que propõem à liberdade perdida e sedenta do homem pós-moderno a conveniência de viver todos os mistérios cristãos, mesmo em suas implicações pessoais e sociais cotidianas. Comunidades onde o dom vivo e pessoal do Crucificado ressuscitado (a graça) é, como disse von Balthasar, como uma ferida fértil que nenhuma pretensão humana pode se iludir pensando que pode curar. Comunidades cristãs formadas por
homens e mulheres trabalhadores , como diz Giussani. Que desejam experimentar a gratuidade que os surpreende. Comunidades onde o indivíduo pode, em plena liberdade, experimentar como a vontade se realiza muito mais ao acolher o dom do que ao reivindicar a conquista. 

Notas 

1 Bento XVI, Homilia durante a celebração eucarística, nos Jardins do Almo Collegio Borromeo, Pavia, 22 de abril de 2007. 2 G. Tantardini, O Coração e a Graça em Santo Agostinho. Distinção e Correspondência , Città Nuova, Roma 2006, pp. 3 Cf. D. Gentili, Introdução , em Diálogos II. Obras de Santo Agostinho III/2, Città Nuova, Roma 1976, pp. 4 Cf. Epístolas 31, 4.7. 5 G. Madec, Saint Augustin et la philosophie. Notas críticas , Paris 1996, p. 61. 6 G. Tantardini, op. cit. , pág. 47. 7 A. Trapè, Introdução Geral a Santo Agostinho , Città Nuova, Roma 2006, pp. 112-113. 8 Ibid. , p. 113. 9 Paradiso V, 19-22. 10 Concílio de Trento, decreto De iustificatione (13 de janeiro de 1547), cân. 4: «Se alguém disser que a livre vontade do homem, movida e estimulada por Deus, não coopera de modo algum para expressar seu assentimento a Deus, que o move e o prepara para obter a graça da justificação; e que ele, se quiser, não pode recusar seu assentimento, mas como uma coisa inanimada permanece absolutamente inerte e desempenha um papel completamente passivo: seja anátema». 11 G. Tantardini, op. cit. , p. 208. 12 L. Giussani, Afeto e Morada , Bur, Milão 2001, p. 272.

Fonte: https://www.30giorni.it/

Questões sobre o Batismo (Parte 7/12): Será a imersão na água necessária ao Batismo?

Apologética
Veritatis Splendor
  • Autor: São Tomás de Aquino
  • Fonte: Suma Teológica, Parte III, Questão 66
  • Tradução: Dercio Antonio Paganini

Objeção 1: Parece que a imersão na água é necessária ao Batismo porque está escrito (Ef 4,5): “Uma fé, um Batismo”; mas, em muitas partes do mundo, o processo comum de Batismo é por imersão; todavia, parece que o Batismo pode ser feito sem imersão.

Objeção 2: Enquanto o Apóstolo diz (Rm 6,3-4): “Todos aqueles que nós batizamos em Cristo Jesus, estão batizados em Sua morte, pois nós morremos junto com ele, pelo Batismo na morte”. Mas isto é feito por imersão e Crisóstomo diz sobre João 3,5: “Se a pessoa não renascer da água e do Espírito Santo…” e “quando mergulhamos nossas cabeças sob a água como numa espécie de túmulo, nossa velha pessoa fica morta e, estando submergida, está escondida abaixo, e então, ela sobe novamente, renovada”. Assim sendo, parece que a imersão total é necessária ao Batismo.

Objeção 3: Todavia, se o Batismo é válido sem a total imersão do corpo, segue-se que seria suficiente derramar água sobre qualquer parte do corpo. Mas isso parece irracional uma vez que o perdão do pecado original, que é o principal propósito do Batismo, não está apenas em uma parte do corpo. Assim sendo, parece que a imersão total é necessária ao Batismo.

Ao contrário, está escrito (Hb 10,22): “Deixe-nos ficar próximo a um verdadeiro coração repleto de fé, tendo nossos corações limpos de toda má consciência e nossos corpos lavados com água limpa”.

Eu respondo que, no Sacramento do Batismo, a água é colocada em uso para lavar o corpo, por meio da qual significará a limpeza interna dos pecados. Assim sendo, a limpeza pode ser feita com água, mas não apenas pela imersão, mas também por aspersão ou infusão.

Todavia, sendo válido batizar por imersão, pois esta é a forma mais comum, o Batismo pode ser conferido por simples imersão ou também por derramamento de água, de acordo com Ez 36,25 : “Derramarei sobre você a água limpa”, como também o Abençoado Lourenço relatou que assim realizou Batismos.

Este tipo de Batismo deve ser especialmente utilizado em casos de urgência: tanto porque haja um grande número de pessoas a serem batizadas, como ficou claro o caso relatado em At 2 e 4, onde podemos ler que em um dia foram batizados três mil e, no outro dia, cinco mil, ou por haver uma quantidade muito pequena de água, ou por motivo de fraqueza do ministro, ou por doença do batizando, cuja vida poderá correr perigo se houver imersão.

E, dessa forma, podemos concluir que o Batismo não necessitará ser feito obrigatoriamente por imersão total.

Réplica à Objeção 1: O que é acidental para uma coisa, não diversifica sua essência. A lavagem corporal com água, é essencial para o Batismo, todavia, o Batismo é chamado “lavagem (limpeza)”, de acordo com Ef 5,26: “purificando-a com a lavagem da água pela palavra da vida”; mas porquanto a purificação pode ser feita desta ou daquela maneira, ela é acidental ao Batismo, e consequentemente, esta diversidade não destrói a unidade do Batismo.

Réplica à Objeção 2: O sepultamento de Cristo é mais claramente representado pela imersão, então, este modo de batizar é mais freqüentemente utilizado e o mais recomendado. Atualmente, nos outros processos de Batismo não é simbolizada, depois da fórmula, embora não claramente, de nenhum modo como é feita a lavagem: se o corpo da pessoa ou alguma parte dele, deve ser colocado sob a água como o corpo de Cristo foi colocado sob a terra.

Réplica à objeção 3: A principal parte do corpo, especialmente em relação aos membros exteriores, é a cabeça, onde todos os sentidos, tanto interiores como exteriores, florescem. Além disso, se o corpo não pode ser coberto pela água, devido à escassez de água ou por qualquer outra razão, será necessário derramar água sobre a cabeça, na qual o principio da vida animal se manifesta.

Porém, o pecado original é transmitido através dos membros que servem à procriação; Mas esses membros não são molhados em preferência à cabeça porque, pelo Batismo, a transmissão do pecado original à descendência não é apagada, mas a alma da pessoa estará livre da corrosão e do débito do pecado o qual havia sido contraído. Consequentemente, a cabeça precisa ser lavada preferencialmente, pois é nela que o trabalho da alma é manifestado.

Jamais na Velha Lei, o remédio contra o pecado original foi destinado ao membro da procriação porque aquele através do qual o pecado original deveria ser removido teria nascido da semente de Abraão, cuja fé significava a circuncisão, de acordo com Rm 4,11.

Veritatis Splendor

Quando Madre Teresa foi a heroína de uma história da Marvel

via marvel.wikia.com/ACI Digital

WASHINGTON DC, 03 set. 20 / 06:00 am (ACI).- Em 1983, a Marvel lançou uma popular história ou comic sobre São João Paulo II e teve tanto sucesso que, um ano depois, fez o mesmo com Santa Teresa de Calcutá.

Ainda é possível conseguir cópias usadas de sua história em lojas virtuais como Amazon.com e assim é descrita por um usuário:

“Fique longe deste comic se busca ação e lutas sem palavras, páginas após páginas. Ao contrário, encontrará a história de como uma pessoa comum se converte em herói com coragem, fé e compaixão e muda cada uma das vidas de quem encontra, por todos os meios, em verdadeiros crentes”.

Esta é a capa da história:

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Esta é a contracapa:

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E algumas páginas internas:

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Publicado originalmente em churchpop.com.

ACI Digital 

S. GREGÓRIO MAGNO, PAPA E DOUTOR DA IGREJA

S. Gregório Magno (BAV)
S. Gregório Magno (BAV)  (© Biblioteca Apostolica Vaticana)

Gregório nasceu em Roma, no ano 540, em uma família patrícia, conhecida como Anici, de grande fé cristã, que prestou muitos serviços à Sé Apostólica. Seus pais, Gordiano e Silvia – que a Igreja venera como santa em 3 de novembro – transmitiram-lhes nobres valores evangélicos, mediante seu grande exemplo.

Após seus estudos de Direito, Gregório empreendeu a carreira política e ocupou o cargo de Prefeito da cidade do Roma. Esta experiência o amadureceu e o levou a ter uma maior visão da cidade, as suas problemáticas e um profundo senso da ordem e da disciplina. Alguns anos depois, atraído pela vida monacal, decidiu retirar-se da política, deu seus bens aos pobres e fez da sua vila paterna, no bairro do Celio, um mosteiro dedicado a Santo André. Ali, dedicou-se à oração, ao recolhimento, ao estudo da Sagrada Escritura e dos Padres da Igreja.

De monge a Papa

O Papa Pelágio II nomeou Gregório diácono e o enviou a Constantinopla como seu Representante Apostólico, onde permaneceu seis anos. Além de desempenhar as funções diplomáticas, que o Pontífice lhe havia confiado, continuou a viver como monge com outros religiosos.

Convocado novamente a Roma, voltou ao Celio. Com a morte do Papa Pelágio II, no ano 590, foi eleito seu Sucessor. Gregório teve que enfrentar um período difícil: corrupção dos Lombardos; abundantes chuvas e inundações, que provocaram numerosas vítimas e grandes prejuízos; a escassez atingiu diversas regiões da Itália; a epidemia da peste, que continuava a causar vítimas.

Então, Gregório exortou os fiéis a fazer penitência e rezar e a tomar parte de uma solene procissão penitencial, de três dias, à Basílica de Santa Maria Maior. Narra-se que, ao atravessarem a ponte, que liga a área do Vaticano, no centro da cidade, - hoje chamada Ponte Santo Anjo – Gregório e a multidão tiveram a visão do Arcanjo Miguel sobre a “Mole Adriana”, que foi interpretada como sinal celeste, que anunciava o fim da epidemia. Daqui o costume de chamar o antigo mausoléu de Castelo Santo Anjo.

Obra eclesiástica e civil

Ocupando a Cátedra de Pedro, Gregório reorganizou a administração pontifícia e cuidou da Cúria Romana, onde tantos eclesiásticos e leigos tinham interesses bem diferentes daqueles espirituais e caritativos. Assim, confiou a sua direção aos monges Beneditinos. Reviu ainda as atividades eclesiásticas, nas várias sedes episcopais, estabelecendo que os bens da Igreja fossem utilizados para a própria subsistência e em prol da obra evangelizadora no mundo. Tais bens deviam ser administrados com absoluta retidão, justiça e misericórdia.

Gregório ofereceu seus próprios bens e testamento à Igreja para ajudar os fiéis; comprou e distribuiu-lhes trigo; socorreu os necessitados; sustentou os sacerdotes, monges e claustrais em dificuldade; arcou com resgastes de prisioneiros; trabalhou por armistícios e tréguas.

Deve-se a ele também as táticas políticas para salvar Roma – esquecida pelos imperadores – e os tratados com os Lombardos para assegurar a paz na Itália central; estabeleceu relações de fraternidade com eles e se preocupou pela sua conversão; enfim, organizou missões de evangelização entre os Visigodos da Espanha, os Francos e os Saxões. Enviou à Bretanha o prior do convento de Santo André no Celio, Agostinho – que depois se tornou Bispo de Cantuária – e quarenta monges.

“Servus servorum Dei”

O Papa Gregório I reformou ainda a celebração da Missa, tornando-a mais simples; promoveu o canto litúrgico, que recebeu o nome de gregoriano, e escreveu diversas obras. Seu epistolário conta mais de 880 cartas e muitas homilias. Algumas de suas obras famosas: “Magna Moralia in Iob” (comentário moral sobre o livro de Jó), onde afirma que o ideal moral consiste em uma harmoniosa integração entre palavra e ação, pensamento e compromisso, oração e dedicação aos próprios deveres; “Regula Pastoralis”, que traça a figura de um Bispo ideal, insistindo sobre o dever do pastor de reconhecer, todos os dias, a sua miséria, e, por fim, dedica o último capítulo ao tema da humildade.

Parta demonstrar que a santidade é sempre possível, Gregório redigiu o livro intitulado Diálogos, um texto hagiográfico, onde cita exemplos, deixados por homens e mulheres, canonizados ou não, acompanhados de reflexões teológicas e místicas. Muito conhecido é seu “segundo livro” sobre São Bento de Núrsia.

Poder-se-ia dizer que Gregório tenha sido o primeiro Papa a utilizar o poder temporal da Igreja, sem deixar de lado o aspecto espiritual do seu ofício. No entanto, permaneceu sempre um homem simples, tanto que, nas suas Cartas oficiais, se define “Servus servorum Dei” (“Servo dos servos de Deus”), um apelativo que os Pontífices mantiveram no tempo.

São Gregório Magno morreu em 12 de março de 604 e foi sepultado na Basílica de São Pedro.

Links:

http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/it/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080528.html

http://w2.vatican.va/content/benedict-xvi/it/audiences/2008/documents/hf_ben-xvi_aud_20080604.html

Vatican News

 

quarta-feira, 2 de setembro de 2020

Qual é o verdadeiro propósito da Bíblia para os cristãos?

A Bíblia é a fonte de sabedoria e orientação de Deus
Canção Nova

O fator mais importante que classifica a Bíblia como o livro mais singular é a influência que ela tem sobre a vida dos homens. Embora a Sagrada Escritura seja um grande tesouro devido à sua contribuição para a humanidade em literatura, filosofia e história, o maior valor deste livro está na grande influência que exerce sobre as pessoas.

Por meio de suas páginas, o homem se vê exposto à sua verdadeira condição diante de Deus; a Palavra é como uma espada que penetra até os pensamentos e propósitos do homem e o convence de seus pecados diante do Todo-poderoso. “Porque a Palavra de Deus é viva e eficaz, e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e propósitos do coração” (Hb 4,12).

Santo Agostinho era um homem indisciplinado e libertino em sua juventude, porém, sua mãe orava por ele enquanto crescia. Depois de levar uma vida dissoluta por muitos anos, certo dia, com trinta e um anos, ao ler a Bíblia debaixo de uma figueira, chegou ao trecho que diz: “Andemos dignamente, como em pleno dia, não em orgias e bebedices, não em impudicícias e dissoluções, não em contendas e ciúmes, mas revesti-vos do Senhor Jesus Cristo, e nada disponhais para a carne, no tocante às suas concupiscências” (Rm 13,13-14). Essas palavras o convenceram dos seus pecados, ele se arrependeu diante do Senhor e se tornou um servo de Cristo.

No curso da história, muitas pessoas famosas foram movidas a crer em Cristo e a ler a Sagrada Escritura. O imperador francês Napoleão, após ter sido derrotado e exilado na ilha de Santa Helena, confessou que, embora ele e outros grandes líderes tivessem fundado seus impérios com uso da força, Jesus Cristo edificou Seu Reino com amor. E também confessou que, embora pudesse reunir seus homens em torno dele em prol de sua própria causa, ele teria de fazê-lo falando-lhes face a face, enquanto, por dezoito séculos, à época, incontáveis homens e mulheres se dispuseram a sacrificar, com alegria, a própria vida por amor a Jesus Cristo, sem tê-Lo visto sequer uma vez.

A razão pela qual muitos se dispuseram a deixar tudo para seguir a Cristo e serem martirizados por causa d’Ele, é que eles O viram revelado na Bíblia. Esse Livro Sagrado tem sido a fonte de inspiração para que muitos creiam em Nosso Senhor Jesus Cristo. Embora muitos reis, imperadores e governantes tenham tentado erradicar a Bíblia, como os imperadores romanos do primeiro século até governos ateus contemporâneos, nenhum poder sobre a terra tem conseguido abalar a atração do homem por esse Livro Sagrado e pela Pessoa maravilhosa que ele revela. O Cristo revelado na Bíblia continua, hoje, tão vivo como há mais de dois mil anos.

A Bíblia existe para que possamos compreender, temer, respeitar e amar a Deus sobre todas as coisas. Assim, ela se denomina como a Sagrada Escritura: “E desde a infância conheces as Sagradas Escrituras e sabes que elas têm o condão de te proporcionar a sabedoria que conduz à salvação, pela fé em Jesus Cristo. Toda a Escritura é inspirada por Deus e útil para o ensino, para a repreensão, para a correção, para a educação na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito e perfeitamente habilitado para toda boa obra” (2Tm 3,15-17).

Não devemos tomar a Bíblia como um livro comum, apenas para trazer algum conhecimento a nossa mente, mas como um livro de vida, contatando o Senhor Jesus por meio da oração, para que Ele nos conceda algo vivo em Sua Palavra. Ou seja, algo que traga uma lição prática para o nosso dia a dia, pois a intenção de Deus, revelada na Sagrada Escritura, não é apenas a salvação do nosso espírito. Ele quer a salvação de todo o nosso ser, para que consigamos viver coletivamente na Igreja, que é comparada ao Corpo e à Esposa de Cristo: “O qual deseja que todos os homens sejam salvos e cheguem ao pleno conhecimento da verdade” (I Tm 2,4). *Padre Anderson Marçal Moreira é membro da Comunidade Canção Nova. Doutor em Teologia Pastoral Bíblica e Litúrgica. Atualmente está à frente da Paróquia Santa Cândida, Ipiranga, São Paulo.

Pe. Anderson Marçal Moreira

Arquidiocese de Brasília

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF