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quinta-feira, 26 de junho de 2025

Um coração com mais ritmo e força do que nunca

Foto/Crédito: Opus Dei

Um coração com mais ritmo e força do que nunca

A santidade de Guadalupe, como recorda o Papa Francisco, faz parte do “rosto mais belo da Igreja”, a sua imagem mais autêntica.

07/06/2019

Betânia está a três quilômetros de Jerusalém. Jesus e os seus discípulos estão sentados à mesa na casa de uma família amiga. E ali, uma mulher brinca com um pequeno frasco de alabastro, enquanto espera impacientemente o momento oportuno. Esses recipientes eram pequenas vasilhas de pedra, muitas vezes decoradas, com um gargalo muito estreito, para que apenas algumas gotas do líquido passassem. Este formato tornava-os especialmente úteis para fragrâncias ou pomadas. A mulher encheu o pequeno jarro com “perfume de puro nardo de grande preço” (Mc 14,3).

Então pensa que chegou a hora. Levanta-se e, aproximando-se de Jesus, quebra o frasco, provavelmente pela parte mais estreita. A bela vasilha, que poderia ter sido usada como objeto decorativo, não era para ficar guardada em algum lugar da sua casa. O perfume, que seria a inveja de suas conhecidas, também não era para ela mesma. Poderia ter decidido derramar sobre Cristo apenas uma parte, algumas gotas, sem ter que quebrar o recipiente: uma medida suficiente para mostrar publicamente a sua adesão ao Mestre. Mas o seu coração pede-lhe que derrame o perfume totalmente, tudo o que ela tinha em suas mãos. Por trás desse gesto haveria muito trabalho, horas, pensamentos, sacrifícios, afetos, sonhos: tudo era para o seu Mestre.

No ar da sala ficam unidos o cheiro do nardo e o amor dessa mulher. É por isso que Jesus diz: “Em verdade vos digo: onde for proclamado este Evangelho, no mundo inteiro, será contado também, em sua memória, o que ela fez” (Mt 26,13).

Com todas as minhas forças

Estas mesmas palavras de Cristo podem ser aplicadas à bem-aventurada Guadalupe Ortiz de Landázuri e a todos os santos da Igreja Católica: o mundo inteiro conta o que fizeram.

Bento XVI, em uma ocasião, recordou as mulheres que Jesus encontrou no caminho e que colocaram as suas vidas a serviço do Evangelho: a profetisa Ana, a samaritana, a mulher siro-fenícia, a hemorroísa, a pecadora perdoada, Maria Madalena, Joana, Susana, as que não abandonaram Jesus durante sua Paixão e “muitas outras” (Lc 8,3), além de todas as cristãs daqueles primeiros anos que são mencionadas no Novo Testamento[1]. Esta é uma constante na história: a Igreja sempre foi adornada por mulheres santas, entre as quais há também quatro Doutoras da Igreja. Agora, Guadalupe faz parte deste longo catálogo porque, movida pelo Espírito Santo, viveu de maneira heroica e discreta as virtudes, seguindo o espírito do Opus Dei. A santidade de todas estas mulheres, em palavras do Papa Francisco “é o mais belo rosto da Igreja”[2], a sua imagem mais autêntica, porque é o desenvolvimento da própria vida de Cristo na intimidade de cada pessoa.

No 19 de março de 1944, Guadalupe, como a mulher de Betânia, quis quebrar o frasco que continha o seu bem mais valioso: a sua própria vida. desde aquele dia Guadalupe quis ungir Jesus com o perfume da sua liberdade

Muitas dessas mulheres seriam capazes de lembrar o momento em que Deus quis entrar em suas vidas de um modo novo, com uma intensidade especial, talvez porque já estavam preparadas para embarcar em uma aventura divina. Neste sentido, o Decreto sobre as virtudes de Guadalupe, depois de analisar brevemente os seus anos de infância e juventude, conta o seu encontro com são Josemaria, em 25 de janeiro de 1944. Era uma tarde de terça-feira de inverno. Seguindo a recomendação de um amigo, com quem havia encontrado no bonde depois da missa, foi conhecer este sacerdote. Guadalupe lembra o que sentiu, depois de uma breve troca de palavras com o fundador do Opus Dei: “tive a sensação clara de que Deus me falava através daquele sacerdote (...). Senti uma fé grande, forte reflexo da sua... e pus-me interiormente nas suas mãos para toda a vida”[3]. Nos dias seguintes àquele encontro – diz o Decreto – Guadalupe “Entendeu com clareza que Deus a chamava para servir a Igreja através do trabalho feito por amor e do apostolado nas circunstâncias da vida cotidiana”[4].

A partir desse dia, começou a frequentar o primeiro centro de mulheres do Opus Dei, localizado na rua Jorge Manrique, em Madri, onde pouco a pouco ia incorporando à sua vida alguns hábitos de piedade simples. Menos de dois meses depois, em 19 de março de 1944, depois de fazer um retiro, Guadalupe pediu a admissão na Obra. “Deus, na sua grande bondade, quer que eu trabalhe nela com todas as minhas forças”[5], escreveu numa carta dirigida a são Josemaria. Naquele dia, Guadalupe, como a mulher de Betânia, quis quebrar o frasco que continha o seu bem mais valioso: a sua própria vida. Naquele dia – e em todos os que vieram depois – Guadalupe quis ungir Jesus com o perfume da sua liberdade.

O que está dentro de mim

O Decreto sobre as Virtudes menciona as múltiplas facetas de sua personalidade: “alegria contagiosa, a fortaleza para enfrentar as adversidades, o otimismo cristão em circunstâncias difíceis e a sua entrega aos outros”. Recorda detalhes da sua generosidade para com os que convivem com ela, especialmente quando se tratava de entregar o seu tempo. Percebe-se a sua bondade, sua obediência, sobriedade e tenacidade. O documento não deixa de ressaltar a sua fé, manifestada na “aceitação alegre da vontade de Deus”, a sua esperança e a sua caridade.

Esta lista pode nos fazer pensar que Guadalupe era uma mulher fora do comum. Pode parecer que estamos muito longe de uma pessoa tão virtuosa, pois em nossa própria vida muitas vezes não sabemos nem por onde começar a lutar. Diante disso, podemos lembrar que a santidade é, acima de tudo, uma obra que Deus realiza em nós. E, por outro lado, é bom saber que Guadalupe também não a alcançou de um dia para outro. O Senhor conta com a nossa história, com as nossas tarefas, com a nossa relação com as pessoas que estão perto de nós, para moldar pouco a pouco essa singular santidade em cada pessoa. São Josemaria, com a sua experiência sacerdotal, dizia que “as almas, como o bom vinho, melhoram com o tempo”[6].

Neste sentido, as cartas de Guadalupe ao fundador do Opus Dei ao longo dos anos, em que ela delicadamente abria a sua alma, são testemunhas dos defeitos que ela detectava dia a dia em seu caráter[7]. Embora muitas vezes essas debilidades se repetissem diariamente, isso não era motivo para resignar-se. O seu amor a Deus soube superá-las. A força que o Senhor oferece por meio dos sacramentos e da vida de piedade resplandece por trás daquela descrição das virtudes de Guadalupe. Faltando poucos dias para embarcar no avião que a levaria ao México, a fim de colocar ali as primeiras sementes do apostolado do Opus Dei, contava: “Na oração e na Missa, eu me esforço muito (...). Cada vez percebo mais que faço tudo por causa do que está dentro de mim, e isso me dá muita paz”[8].

Será que estou caminhando para o Céu?

As atividades às quais, segundo o documento da Congregação para as Causas dos Santos, a bem-aventurada Guadalupe se dedicou foram muito variadas. Todas estas tarefas constituem o ambiente no qual a santidade pode ser forjada: uma residência universitária, um dispensário médico, trabalhos manuais ou escrever, ir de uma cidade a outra, nos escritórios de onde se orienta o apostolado do Opus Dei, salas de aula de química ou ciências domésticas, ou um quarto de hospital[9]. No meio da agitação diária, é normal não sermos totalmente conscientes do trabalho que o Espírito Santo realiza em nossa alma. De fato, normalmente a alma se aquece pouco a pouco. Na vida espiritual acontece como as crianças que aprendem a falar: lentamente, imersas na conversa diária, pela força do uso, a sua linguagem vai se enriquecendo imperceptivelmente. Foi assim que Deus entrou na vida de Guadalupe.

A santidade é uma obra que o Espírito Santo faz em nós. E Ele conta com a nossa história, com as nossas tarefas, com a nossa relação com as pessoas que estão perto de nós, para moldar pouco a pouco essa singular santidade em cada pessoa

Em março de 1950, as três primeiras mulheres do Opus Dei partiram para o México. Foram anos dedicados a estender o apostolado a várias cidades, através de diversas iniciativas educativas e sociais. Por exemplo, desde 1951, se encarregaram de reabilitar uma antiga casa de campo – Montefalco – que usariam para promover socialmente a área, além de organizar atividades para dar formação cristã [10]. Guadalupe esteve lá, entre muitos outros momentos, em abril de 1955 para fazer um retiro espiritual. Dias depois, confiou a sua experiência a São Josemaria, que estava em Roma. Dizia-lhe que não havia tido “nem altos nem baixos”, mas que estava encontrando a Deus naturalmente nas coisas que fazia. Finalmente também lhe transmitiu uma preocupação: “Essa segurança de Deus no meu caminho, do meu lado, me dá entusiasmo para tudo, me faz ficarem fáceis as coisas que antes não gostava de fazer, de tal maneira que, sem pensar, as faço. Padre, tenho uma preocupação: será que estou de verdade caminhando para o Céu? Está tudo muito confortável, pois não tenho problemas pessoais, quase nunca”[11].

Embora a impressão de Guadalupe pudesse ser diferente, não faltavam problemas. Pouco tempo tinha passado desde que Montefalco era descrito como um local com dois quartos com camas dobráveis, dois banheiros para quase quarenta pessoas, além das instruções constantes para não gastar sequer uma gota de água a mais, porque acabava rapidamente. Insiste-se em que não se lave “nem um lenço” na casa[12]. Além disso, Guadalupe tinha a responsabilidade de preparar as mulheres que poderiam se encarregar dos apostolados do Opus Dei em várias cidades do México e em vários países onde pensavam começar a trabalhar. Também não tinha dinheiro: tinha escrito para algumas da Obra dos Estados Unidos para pedir-lhe algumas roupas já que todos os empréstimos que as mexicanas tinham feito terminaram quando compraram as passagens para uma delas, que deveria viajar a Roma. Nada disso era muito confortável nem era uma ausência real de problemas. Mas, desde que tinha 27 anos, o espírito do Opus Dei ajudou-a a encontrar em várias pequenas dificuldades uma oportunidade de se identificar com a Cruz de Jesus. São Josemaria gostava de pensar que a santidade na vida cotidiana é como um plano inclinado no qual, imperceptivelmente, se pode ascender à mais elevada união com Deus.

Deus entrou na vida de Guadalupe lentamente, quase de modo imperceptível, até tornar-se tão imprescindível que a nova bem-aventurada encontrava-O naturalmente nas coisas que fazia

Também neste sentido, o fundador do Opus Dei, muitos anos depois, com a consciência de ter empregado a vida para transmitir o espírito que Deus lhe havia confiado, dizia aos seus filhos durante uma reunião familiar em 2 de janeiro de 1971: “Com a graça do Senhor, vos ensinei um caminho, um modo de chegar ao Céu. Dei-vos um meio para chegar ao fim, de uma maneira contemplativa. O Senhor concede-nos essa contemplação, que, normalmente mal chegais a sentir”[13].

Para onde fores, eu irei

O Padre, em sua carta de 9 de janeiro de 2018, lembrou-nos da história de Rute, uma das grandes mulheres que atuaram na história da Salvação. Em particular, comentava como em sua vida “a liberdade e a entrega criam raízes em um profundo sentimento de pertença à família”[14]. Rute era moabita, mas se casou com um jovem judeu que tinha chegado a terras estrangeiras em busca de um futuro melhor. Em sua nova família, Rute encontrou o significado da sua existência: ela encontrou o único Deus, suas palavras, seu culto, seu povo. Logo depois, no entanto, os três homens da família morreram. Então Noemi, a sogra de Rute, entre lágrimas de tristeza, a encoraja a voltar para a sua terra, para os seus deuses e ali reconstruir a sua vida. Noemi, uma mulher mais velha, sabia que não poderia oferecer um futuro seguro ou conforto para as suas noras. Mas Rute respondeu: “Não insistas comigo para eu te abandonar e deixar a tua companhia. Para onde fores, eu irei, e onde quer que passes a noite, pernoitarei contigo. O teu povo é o meu povo, o teu Deus é o meu Deus” (Rt 1,16).

O coração de Guadalupe, embora sofresse de graves problemas médicos, não conhecia fronteiras: foi um coração apaixonado, por isso a nova bem-aventurada foi tão feliz

Muitas gerações falam da fidelidade de Rute, assim como da mulher que derramou aquele perfume em Jesus. Muitos artistas viram em sua história de fidelidade um motivo de inspiração. As palavras citadas podem muito bem ser aplicadas ao momento em que Guadalupe descobriu o seu chamado à santidade no Opus Dei: “Seu povo é o meu povo”. Em suas cartas, manifestou claramente esta convicção que logo se gravou em sua alma: a de estar disposta a fazer qualquer coisa por sua família e sempre buscar a felicidade de quem a rodeava. Escrevia em dezembro de 1950: “Hoje escrevi para cumprimentar pelo Natal a todas as nossas da Espanha, Roma, Chicago e Irlanda”[15]. Em outra ocasião, escrevia à diretora de um centro do Opus Dei: “Procuremos amar-nos de verdade, mesmo que às vezes custe um pouquinho, de acordo? Ocupe-se muito das nossas (de todas)”[16]. O seu coração, embora sofresse de graves problemas médicos, não conhecia fronteiras. O mesmo acontecia com as pessoas que se aproximavam dos meios de formação do Opus Dei. Essa aparente falta de dificuldades em sua vida também foi o resultado de pensar continuamente nos outros.

Em junho de 1975, Guadalupe é internada na Clínica da Universidade de Navarra para uma longa sucessão de exames médicos. Isso não a faz perder seu bom humor e, em suas cartas, compara suas rotinas tranquilas no hospital às de um balneário[17]. Finalmente foi operada em 1º de julho, poucos dias após a morte de São Josemaria. Em plena fase de recuperação, escreve a Roma, para agradecer a todas as orações por sua saúde: “Aqui estou. Todos nós temos uma pequena parte nesse assunto. O Padre, em primeiro lugar, e através de sua intercessão, a oração constante de vocês foi ouvida, e aqui eu apareço com um coração que faz 'pom, pom' ritmicamente e com força”[18]. Estas foram provavelmente as últimas palavras escritas por Guadalupe. Quando o bem-aventurado Álvaro del Portillo segurou a carta, escreveu ao lado: “Guadalupe Ortiz de Landázuri está com o Padre no Céu”. E agora o seu coração tem mais ritmo e força do que nunca.

Andrés Cárdenas

Tradução: Mônica Diez


[1] Cfr. Bento XVI, Audiência 14-II-2007.

[2] Francisco, Ex. ap. Gaudete et exsultate (19-III-2018), n. 9.

[3] Manuscrito autógrafo, 1975, citado em Mercedes Eguíbar, Guadalupe Ortiz de Landázuri, Quadrante, São Paulo, 2019, p. 46.

[4] Decreto sobre as virtudes de Guadalupe Ortiz de Landázuri, 4-V-2017.

[5] Carta a são Josemaria, 19/03/1944.

[6] São Josemaria, Amigos de Deus, n. 78.

[7] Cfr. CartasCartas para um santo, www.opusdei.org.br, 2019.

[8] Carta a são Josemaria, 28/02/1950.

[9] Cfr. Decreto sobre as virtudes de Guadalupe Ortiz de Landázuri, 4-V-2017.

[10] “Montefalco, 1950: una iniciativa pionera para la promoción de la mujer en el ámbito rural mexicano”, em Studia et documenta, n.2, EDUSC, Roma, 2008, p. 214.

[11] Carta a são Josemaria, 24-IV-1955.

[12] Cfr. Mercedes Montero, En Vanguardia, Rialp, Madri, 2019, pp. 183-184.

[13] São Josemaria, En diálogo con el Señor, edição crítico-histórica, Rialp, Madrid 2017, p. 286.

[14] Do Padre, Carta, 9-I-2018, n. 9.

[15] Carta a são Josemaria, 18-XII-1950.

[16] Carta a Cristina Ponce, II-1954.

[17] Cfr. Carta a Mercedes Peláez, 22-VI-1975.

[18] Carta a Carmen Ramos, 13-VII-1975.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br/article/um-coracao-com-mais-ritmo-e-forca-do-que-nunca/

Papa: a santidade nasce da amizade com Jesus Cristo

Papa com os seminaristas das dioceses do Triveneto   (@Vatican Media)

Durante o encontro com os seminaristas das dioceses do Triveneto, Leão XIV exortou a viverem uma amizade profunda com Jesus, cultivando uma vida de comunhão, oração e confiança total em Deus: “Não estamos sozinhos, e nem podemos caminhar sozinhos”.

Thulio Fonseca – Vatican News

O primeiro compromisso do Papa Leão XIV nesta quarta-feira, 25 de junho, foi o encontro com os seminaristas das dioceses do Triveneto, reunidos em Roma por ocasião da peregrinação jubilar. A eles, o Santo Padre dirigiu palavras de encorajamento e gratidão, recordando as profundas raízes cristãs daquela região, herdeira da antiga Igreja de Aquileia, e o testemunho luminoso de mártires, pastores e missionários “que dali partiram para irradiar o Evangelho”.

“Hoje cabe a nós continuar essa obra apaixonante”, afirmou o Papa, convidando os jovens a se inserir nessa história de graça, com a missão de renovar e testemunhar o amor de Cristo.

Superar as dificuldades com coragem e fé

Diante das dificuldades que surgem no caminho, Leão XIV aconselhou: “Não se desanimem se, às vezes, o caminho que está diante de vocês se torna difícil.” E, citando o beato João Paulo I — também originário da região do Vêneto —, recordou: “Até os anjos vistos em sonho por Jacó não voavam, mas subiam degrau por degrau; imaginem nós, que somos pobres homens sem asas.”

A força para continuar, destacou, nasce da confiança ilimitada no Senhor. Inspirando-se na conversão de Santo Agostinho, o Papa repetiu, “como um pai” aos seminaristas as palavras que fizeram bem ao coração do santo: “Lança-te em Deus sem medo. Ele não se afastará para te fazer cair. Lança-te tranquilo: Ele te acolherá e te curará.”

Papa com os seminaristas das dioceses do Triveneto   (@Vatican Media)

Formação não é caminho solitário

Aos formadores e seminaristas, o Pontífice reforçou que a formação não pode ser vivida como uma caminhada solitária: "não se considerem sozinhos, e nem se isolem em si mesmos. Sem dúvida, cada um de vocês é o protagonista da própria formação e é chamado a um caminho de constante crescimento nas dimensões humana, espiritual, intelectual e pastoral; mas ser protagonista não significa ser solista!"

Leão XIV encorajou os seminaristas a cultivarem a comunhão entre si, a confiarem plenamente nos formadores e a caminharem apoiados na vida da Igreja, representada de modo especial pela presença do bispo.

Olhar fixo em Jesus, a verdadeira amizade

O Papa recordou que o centro da vida sacerdotal é a amizade com Jesus. “Se há uma coisa que não deixa dúvidas no Evangelho, é justamente esta: Jesus Cristo deseja ser nosso amigo. O segredo que formou os santos está todo aqui: a consciência da amizade de Jesus Cristo.”

“Encontrar Jesus salva a nossa vida e nos dá a força e a alegria de comunicar o Evangelho a todos.”

Ao final, Leão XIV agradeceu pela visita e deixou uma mensagem de esperança: “Bom caminho! Que a Virgem Maria os acompanhe sempre, assim como a minha bênção.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

quarta-feira, 25 de junho de 2025

São Cirilo de Jerusalém nos fornece uma guia para identificar a ação do Espírito Santo

Love You Stock I Shutterstock | Image d'illustration

Philip Kosloski - Paulo Teixeira - publicado em 23/06/25

São Cirilo de Jerusalém fornece este breve guia espiritual para saber quando o Espírito Santo é quem age dentro de sua alma.

Às vezes pode ser difícil reconhecer os movimentos do Espírito Santo em nossas vidas. Isso pode ser devido ao nosso estado espiritual atual, ou simplesmente nunca ter sido ensinado a identificar a ação do Espírito Santo. 

O Espírito Santo pode agir dentro de nós de várias maneiras, mas, ao mesmo tempo,             muitos santos reconheceram o caráter particular do Espírito Santo. 

Leve, muito leve São Cirilo de Jerusalém fornece seus pensamentos sobre a identificação    dos movimentos do Espírito Santo em uma instrução catequética que ele escreveu e que        está incluída no Ofício de Leituras:

O Espírito vem suavemente e se dá a conhecer por sua fragrância. Ele não é sentido como um fardo, pois é leve, muito leve. Raios de luz e conhecimento fluem diante dele quando ele se aproxima. 

Do ponto de vista de São Cirilo, o Espírito Santo é aquele que não nos derruba, mas nos eleva. O Espírito Santo é como o vento, soprando suavemente através de nossa alma.

São Cirilo também explica como o Espírito Santo é um amigo:

 O Espírito vem com a ternura de um verdadeiro amigo e protetor para salvar, curar,             ensinar, aconselhar, fortalecer, consolar. O Espírito vem iluminar primeiro a mente de         quem o recebe, e depois, através dele, também a mente dos outros. 

 Isso corresponde ao nome do Espírito Santo como "Advogado", aquele que está do nosso      lado e deseja nos ver bem-sucedidos em qualquer bem que façamos na terra.

Além disso, São Cirilo também acredita que o Espírito Santo é aquele que traz clareza aos pensamentos:

Assim como a luz atinge os olhos de um homem que sai da escuridão para a luz do sol e o     apacita a ver claramente coisas que antes não podia discernir, a luz inunda a alma do         homem considerado digno de receber o Espírito Santo e o capacita a ver coisas alé alcance da visão humana, coisas até então inimagináveis.

Se você sentir o calor da inspiração do Espírito Santo, conhecerá sua ação pela paz e clareza que receber. 

Isso não significa que você não será suscetível a influências externas, ou que Satanás não tentará levá-lo ao desespero, mas que quando você sentir essa ternura em sua alma, você pode ter certeza de que é o Espírito Santo. 

Como em todas as coisas, certifique-se de levar essas experiências a um conselheiro espiritual de confiança para ajudar a discernir melhor a ação do Espírito Santo.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/06/23/sao-cirilo-de-jerusalem-nos-fornece-uma-guia-para-identificar-a-acao-do-espirito-santo/

Número de brasileiros sem religião preocupam cardeal Jaime Spengler

O arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime cardeal Spengler. | Daniel Ibáñez/EWTN

Número de brasileiros sem religião preocupam cardeal Jaime Spengler

Por Marcos Koboldt*

PORTO ALEGRE, 24 de junho de 2025

“O que faz com que pessoas de distintos setores abandonem qualquer forma de participação em uma comunidade de fé?”, é a principal pergunta do arcebispo de Porto Alegre, dom Jaime Spengler, diante dos números do Censo de 2022 sobre a religião dos brasileiros. O Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgou no dia 6 de junho. O número de católicos no Brasil continua caindo, passando de 65,1% da população no último Censo, de 2010, para 56,7% agora. O crescimento dos autodeclarados evangélicos continua crescendo, passando de 21,6% da população em 2010 para os atuais 26,9%.

A parcela dos que se declaram sem religião que preocupa dom Jaime passou de de 7,9% em 2010 para 9,3% hoje.

“Ainda que o número dos ditos desigrejados fosse mínimo, isto deveria engajar toda a comunidade eclesial”, disse o cardeal, que é também presidente da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) e do Conselho Eclesial Latino-Americano e Caribenho (CELAM) à ACI Digital. “Afinal, Jesus veio para todos”.

Para dom Jaime, “importante é ter presente em que consiste a missão evangelizadora da Igreja: anunciar o Evangelho, estando atentos aos sinais dos tempos, sem transcurar as consequências sociais da mensagem cristã assumida pessoal e comunitariamente, como também nos orientou o papa Francisco com documentos como a Laudato Sì, Laudate Deum, Querida Amazônia, Frateli Tutti”.

Até os anos 1960, mais de 90% da população brasileira se declarava católica. “É sabido que houve um movimento para desestabilizar um modelo de vida cristã na América Latina, a partir dos anos 1960”, disse dom Jaime. “Ao mesmo tempo, não se pode ignorar as grandes transformações sociais no Ocidente a partir de 1968. No aspecto eclesial houve opções de distintos setores, em diferentes contextos que a partir sobretudo dos anos 1980 produziram consequências que continuam repercutindo no presente.”

Mesmo que os autodeclarados católicos ainda sejam a maioria da população pesquisa internacional em 36 países do mundo mostrou que o cumprimento do preceito de ir à missa dominical no Brasil é dos mais baixos: 8%. Menos do que na França, país de longa tradição anticlerical. Números da arquidiocese de São Paulo (SP) levantados no sínodo arquidiocesano que teve início em 2017 mostram que a situação é ainda pior na cidade. Apenas 6% dos católicos vão à missa no domingo.

“Certamente a frequência à celebração eucarística é fundamental para alimentar a vida de fé e a vida da comunidade”, diz do Jaime. “No entanto, é a partir da Palavra, do Evangelho que podemos compreender o que significa ter o direito de participar regularmente da Mesa da Palavra e da Mesa do Corpo do Senhor”.

“A Igreja não é constituída simplesmente de adeptos, mas de discípulos e discípulos do Senhor. Isto implica formação, o cultivo de senso de pertença e de corresponsabilidade pela comunidade. A Igreja do Brasil tem se empenhado em promover a vida comunitária. Neste sentido, as Paróquias são convidadas a ser ‘comunidade de comunidades’. Ao mesmo tempo se faz necessário resgatar e promover sempre mais o lugar da Palavra em nossas comunidades. Creio que o verdadeiro futuro para a Igreja, e também da sociedade se encontra na Palavra, que conserva a promessa de Deus para a humanidade de todos os tempos. A Palavra nos restitui a nossa identidade: somos todos, todos filhos e filhas de Deus, e irmãos entre nós. Todo e qualquer esforço para promover a evangelização, seja em que ambiente for, passa pelo conhecimento, estudo, aprofundamento e oração a partir da Palavra”, disse dom Jaime Spengler.

*Jornalista formado pela Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul no ano de 2004. Entre 2004 e 2014 trabalhou como repórter em diferentes empresas de comunicação de Porto Alegre. Entre os anos de 2022 e 2024 foi Assessor de Comunicação da Arquidiocese de Porto Alegre.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticia/63345/numero-de-brasileiros-sem-religiao-preocupam-cardeal-jaime-spengler

A verdadeira morte é a da alma. Só Jesus pode nos curar, afirma o Papa

Aldiência Geral, 25/06/2025 - Papa Leão XIV

Comentando a cura de Jesus a duas mulheres, Leão XIV reflete sobre uma doença muito comum do nosso tempo, que é o cansaço de viver. Jesus não só nos cura de toda doença, mas nos desperta da morte. "Para Deus, que é Vida eterna, a morte do corpo é como um sono. A morte verdadeira é a da alma: esta sim devemos temer!"

Bianca Fraccalvieri – Vatican News

Esta quarta-feira, 25 de junho, o Papa realizou sua última Audiência Geral antes da pausa de verão. Os encontros semanais com Leão XIV serão retomados em 30 de julho. Em sua catequese, o Pontífice deu continuidade ao ciclo sobre as curas de Jesus como sinal de esperança. O tema de hoje foi extraído do capítulo quinto do Evangelho de São Marcos, em que é relatado a cura de duas mulheres: uma menina de 12 anos, no leito de morte, e uma senhora que há 12 anos sofre com hemorragias

Entre essas duas figuras femininas, o Evangelista insere o pai da jovem, Jairo, que sai de casa para pedir ajuda. Quando dizem que sua filha morreu, Jesus o tranquiliza e o encoraja a manter a fé.  O colóquio com o Mestre é interrompido pela mulher hemorroíssa, que consegue tocar no seu manto e ser curada. Ela o toca não de um modo superficial, mas movida pela fé, acreditando firmemente Nele. Enquanto isso, Jairo volta para casa com Jesus. Ao entrar no quarto da jovem, ordena: “Talità kum”, “Menina, levanta-te!”. A menina se levanta e começa a caminhar.

Cansaço de viver, a doença do nosso tempo

Essas duas curas, comentou o Santo Padre, falam de uma doença muito comum do nosso tempo, que é o cansaço de viver: a realidade nos parece demasiada complexa, pesada, difícil de enfrentar. Então nos apagamos, nos adormecemos, na ilusão de que, ao acordar, as coisas serão diferentes. “Mas a realidade deve ser enfrentada e, com Jesus, podemos fazê-lo.”

Toda vez que fazemos um ato de fé endereçado a Jesus, se estabelece um contato com Ele e imediatamente Dele brota a sua graça. “Às vezes não percebemos, mas de modo secreto e real a graça nos alcança e a partir de dentro, pouco a pouco, transforma a vida.”

Talvez hoje, prosseguiu o Papa, muitas pessoas se aproximam de Jesus de modo superficial, sem realmente acreditar na sua potência. “Pisamos na superfície de nossas igrejas, mas talvez o coração está em outro lugar!”, afirmou.

Somente Jesus pode nos curar!

Este episódio nos mostra que Ele não só nos cura de toda doença, mas nos desperta da morte.

“Para Deus, que é Vida eterna, a morte do corpo é como um sono. A morte verdadeira é a da alma: esta sim devemos temer!”

Um detalhe interessante é que Jesus, após ressuscitar a menina, diz aos pais que lhe deem de comer. Trazido para a nossa realidade, este episódio nos leva a questionar: quando os nossos jovens estão em crise e necessitam de alimento espiritual, sabemos oferecê-lo? E como podemos fazê-lo se nós mesmos não nos nutrimos do Evangelho?

“Queridos irmãos e imãs, na vida existem momentos de desilusão e de desencorajamento, e há também a experiência da morte. Aprendamos daquela mulher, daquele pai, a buscar Jesus. Ele pode nos curar, pode nos fazer renascer. Ele é a nossa esperança!”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 24 de junho de 2025

O CAMINHO NEOCATECUMENAL E O JUBILEU

Carmen e Kiko – Encontro Vocacional em San Pedro del Pinatar 2014 (neocatechumenaleiter)

07/06/2025

Testemunho de Kiko Argüello. Pentecostes 2025

Me chamo Kiko Argüello e, junto com a serva de Deus Carmen Hernández, somos os iniciadores do Caminho Neocatecumenal, uma modalidade diocesana de iniciação cristã que – por meio da catequese, da Palavra de Deus e dos sacramentos vividos em comunidade – leva as pessoas a viver uma fé adulta e uma comunhão fraterna.

Sou pintor espanhol. Na minha época de universidade, após uma crise existencial, tive um encontro sério com o Senhor, que me chamou a deixar tudo e ir viver entre os pobres. Depois, Deus me concedeu colocar a minha arte a serviço de uma nova estética na Igreja. Fui morar em barracos na periferia de Madri, seguindo os passos de São Carlos de Foucauld: viver a vida oculta de Cristo, como a Sagrada Família de Nazaré.

Barracas em Palomeras Altas, Madri (Espanha) 1964 (neocatechumenaleiter)

Carmen Hernández, química e teóloga, que buscava um grupo para ir em missão à América do Sul, conheceu os pobres que se reuniam no meu barraco e ficou tão impressionada que decidiu também ela morar em um barraco próximo ao nosso. Nos barracos vimos como o Espírito Santo criava comunhão entre ciganos e pessoas muito destruídas. Vimos o amor gratuito de Deus manifestado em Jesus Cristo para a salvação do homem, para libertá-lo da angústia e do pecado. Essa presença de Deus no meio dos pobres foi preparada pelo Espírito Santo para a Sua Igreja. No meio dos pobres, descobrimos uma síntese teológico-catequética única, que se tornaria a base do Caminho Neocatecumenal.

Kiko e Carmen com D. Casimiro Morcillo nas Barracas 1964 (neocatechumenaleiter)

É um caminho que Deus deu à Sua Igreja, após o Concílio, para abrir no interior das paróquias um itinerário de iniciação cristã, semelhante ao que existia na Igreja primitiva, por etapas, onde o homem contemporâneo pode nascer para a vida nova que Cristo ressuscitado trouxe com a sua vinda. Esse itinerário de formação cristã é vivido em pequenas comunidades, imagem da Sagrada Família de Nazaré, para que a semente que recebemos no Batismo possa chegar à estatura adulta.

Kiko Argüello – Encontro vocacional durante a JMJ Colônia (Alemanha) 2005 (neocatechumenaleiter)

Pensando nesta Vigília de Pentecostes, me fiz várias perguntas: como alcançar hoje o homem ateu que já não tem fé? O que significa ser cristão? O que significa amar? O Evangelho nos recorda: «Amai-vos como eu vos amei. Nisto conhecerão todos que sois meus discípulos» (cf. Jo 13,34). «…Se forem perfeitamente um, o mundo crerá» (cf. Jo 17,21) esse homem secularizado crerá. Trata-se, portanto, de amar nesta dimensão: na dimensão do amor ao inimigo. Cristo se deixou matar por nós e para nós, seus inimigos: amor ao inimigo. Para chegar a esse amor, à estatura adulta da fé, descobrimos que é necessário iniciar um itinerário de iniciação cristã dentro de uma comunidade.

Pintei um pequeno ícone da Virgem porque este Caminho foi inspirado pela Santa Virgem Maria. O original encontra-se numa capela da catedral de Madri. Neste ícone está escrita a frase: “Há que fazer comunidades cristãs como a Sagrada Família de Nazaré, que vivam na humildade, simplicidade e louvor: o outro é Cristo.” É preciso formar comunidades onde os cristãos possam chegar à maturidade, para cumprir uma missão em meio a um mundo secularizado e chegar a constituir a comunidade como Corpo de Cristo ressuscitado, onde o outro é Cristo.

Audiência Privada com o Papa Leão XIV 5.6.2025 @ Vatican Media (neocatechumenaleiter)

O Caminho, enquanto iniciação cristã, constitui nas paróquias comunidades cristãs formadas por famílias, jovens, idosos, pessoas próximas e distantes da Igreja. Ele participa com as dioceses do evento do Jubileu em suas diversas expressões, convencido de que este ano é um tempo privilegiado para um encontro sério com Jesus Cristo, que nos conceda, a nós e ao mundo de hoje, a esperança de que tanto necessitamos.

O Caminho Neocatecumenal foi suscitado pelo Espírito Santo, como confirmaram todos os Papas, para ajudar a Igreja na evangelização do Terceiro Milênio. Estamos muito agradecidos ao Senhor e à Virgem Maria, que quis o nascimento deste Caminho, pela eleição do novo Papa, Leão XIV. Sempre foi fundamental, no desenvolvimento do Caminho, o apoio dos Papas.

No Caminho há muitos jovens, e sem dúvida o Jubileu mais esperado é o dos jovens, no início de agosto. Milhares de jovens chegarão a Roma acompanhados por seus catequistas e por seus bispos. Após o encontro com o Papa, terão um encontro vocacional conosco, para serem ajudados no discernimento de sua vocação. Temos certeza de que as palavras do Papa Leão XIV na exortação durante o “Regina Coeli”, na Jornada das Vocações: “Não tenhais medo” – darão muitos frutos.

Kiko Argüello – Vigília de Pentecostes 2025

Audiência Privada com o Papa Leão XIV 5.6.2025 @ Vatican Media (neocatechumenaleiter)

fONTE: https://neocatechumenaleiter.org/pt-br

Curiosidades da Bíblia: A Torre de Babel de fato existiu?

Bíblia (Catican News)

A narrativa da Torre de Babel já existia antes que os primeiros textos das Sagradas Escrituras começassem a ser escritos pelos judeus, se caracterizando como um dos mitos mais intrigantes da história humana.

Padre José Inácio de Medeiros, CSsR - Instituto Histórico Redentorista

A Bíblia continua sendo ainda hoje o livro mais traduzido em todo o mundo. Segundo um relatório mais recente da Sociedade Bíblica Internacional, cerca de 3.610 idiomas contam hoje com a tradução de pelo menos um livro da Bíblia. A tradução completa de todos os livros das Sagradas Escrituras, por sua vez, está disponível atualmente em 733 línguas. Ainda assim, muitas perguntas a respeito da bíblia continuam circulando pelo mundo e uma das mais recorrentes é: A Torre de Babel de fato existiu?

Começando a responder, é importante que a gente saiba que não é apenas a língua comum ou um território habitado por um mesmo povo que criam a cultura de uma civilização. Em quase todas as civilizações antigas certas histórias e mitos são fatores que ajudam a entender a forma como um determinado povo conta a sua origem e baseia os seus costumes.

Uma história intrigante: realidade ou mito?

A narrativa da Torre de Babel pode ser encontrada no capítulo 11, versículos de 1 a 9 do Livro de Genesis.

Naquele tempo toda a humanidade falava uma só língua. Deslocando-se e espalhando-se em direção ao oriente, os homens descobriram uma planície na terra de Sinar e depressa a povoaram. E começaram a falar em construir uma grande cidade, para o que fizeram tijolos de terra bem cozida, para servir de pedra de construção e usaram alcatrão em vez de argamassa. Depois eles disseram: “Vamos construir uma cidade com uma torre altíssima, que chegue até aos céus; dessa forma, o nosso nome será honrado por todos e jamais seremos dispersos pela face da Terra!”

O Senhor desceu para ver a cidade e a torre que estavam levantando. Vejamos se isto é o que eles já são capazes de fazer; sendo um só povo, com uma só língua, não haverá limites para tudo o que ousarem fazer. Vamos descer e fazer com que a língua deles comece a diferenciar-se, de forma que uns não entendam os outros.

E foi dessa forma que o Senhor os espalhou sobre toda a face da Terra, tendo cessado a construção daquela cidade. Por isso, ficou a chamar-se Babel, porque foi ali que o Senhor confundiu a língua dos homens e espalhou-os por toda a Terra.

A narrativa da Torre de Babel já existia antes que os primeiros textos das Sagradas Escrituras começassem a ser escritos pelos judeus, se caracterizando como um dos mitos mais intrigantes da história humana, ao falar de um povo que começa a construir uma torre para chegar até os céus a fim de alcançar a Deus, porém, o Senhor não gosta da soberba que envolvia o projeto, derrubando a torre antes mesmo dela ficar pronta.

Essa história era comum a vários povos da região da Mesopotâmia. Como a maioria dos povos era politeísta falavam em alcançar os deuses, no plural. Mais tarde, os hebreus usam da narrativa para falar da multiplicação dos povos sobre a face da terra, cada um com seus costumes, línguas e tradições, porque o povo antes de se estabelecer na Terra de Canaã ou Palestina, circulava no meio destas civilizações, bem mais fortes e poderosas.

Explicações da arqueologia

Se é que existe, ainda não foi encontrada uma explicação que comprove a existência da Torre de Babel e até hoje a arqueologia nunca comprovou a existência desta construção, que, segundo a narrativa bíblica deveria se localizar entre os rios Tigre e Eufrates, onde hoje existe o moderno Iraque.

A explicação mais aceita sobre a Torre de Babel é que a narrativa tenha sido inspirada na construção dos templos da antiga Babilônia, localizados no sul da Mesopotâmia, em homenagem ao deus Marduk.

Estas construções chamadas de Zigurates, que se destacavam nas imensas planícies da Mesopotâmia eram templos onde os deuses podiam entrar em contato com os homens. A origem desta essa crença começou provavelmente com os sumérios.

Outra hipótese para a origem da Torre de Babel está no início da construção de um templo que um rei da cidade de Ur, localizada no sul da Caldéia, região onde viveram os antepassados dos judeus, tenha iniciado, mas nunca concluído. É possível que esta história tenha passado de geração em geração sendo aumentada continuamente, ganhando coloridos diferenciados.

Porta de Deus

A palavra Babel, em hebraico, significa “porta de Deus”, mas era também o nome que se dava à capital do Império Babilônico que em seu apogeu se transformou numa rica e poderosa civilização, chegando a se constituir num dos maiores centros culturais e econômicos do mundo antigo, para onde os judeus foram levados em cativeiro.

Existem diversas fontes extra-canônicas, como o chamado Livro dos Jubileus e o Terceiro Apocalipse de Baruch que chegam a falar das medidas desta torre, possivelmente localizada na Babilônia. A altura da Torre de Babel, segundo um desses livros seria de 5.433 cúbitos e 2 palmos, o equivalente a 2.484 metros de altura, muito mais alta que as mais altas construções do mundo de hoje.

O valor e as medidas são realmente impressionantes, porém, o que se quer demonstrar é sim o seu significado que é utilizado para explicar a dispersão dos grupos humanos pela terra, a grande variedade linguística existente e, sobretudo, a temeridade que é desafiar a Deus, como fez a Babilônia impenitente, que na concepção judaica era a simbolização do pecado e do mal.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 9 de junho de 2025

Quais são os dons e os frutos do Espírito Santo

Dons e frutos do Espírito Santo . | Crédito: Domínio Público - Wikimedia Commons

Quais são os dons e os frutos do Espírito Santo.

Por Abel Camasca*

8 de junho de 2025

A Solenidade de Pentecostes é hoje (8). Abaixo, os sete dons do Espírito Santo e os seus frutos.

Os sete dons do Espírito Santo

Catecismo da Igreja Católica diz que estes dons  “são disposições permanentes que tornam o homem dócil para seguir os impulsos do mesmo Espírito”, sustentam a vida moral do cristão e “completam e levam à perfeição as virtudes daqueles que os recebem”.

Os dons do Espírito Santo são sete: sabedoria, inteligência, conselho, fortaleza, conhecimento, piedade e temor de Deus.

Segundo o Catecismo Maior de São Pio X, padroeiro dos catequistas, o dom da sabedoria permite-nos contemplar as coisas eternas, como "a Verdade eterna, que é Deus, no qual pomos nossa complacência, amando-O como nosso Sumo bem".

O Entendimento “facilita a compreensão” das verdades e mistérios da fé que são difíceis de alcançar por nós mesmos. O dom do conselho nos ajuda a saber o que é melhor para a maior glória de Deus e para o bem de nós mesmos ou do próximo. A fortaleza “nos inspira coragem e determinação” para permanecermos firmes na lei divina e na Igreja.

O dom da ciência ajuda a julgar corretamente e a aproveitar tudo o que o Senhor nos confia neste mundo para levá-lo a Ele. A piedade ajuda a manter um coração confiante em Deus e benevolente para com o próximo. Finalmente, o temor de Deus “nos faz reverenciar a Deus, e ter receio de ofender a sua Divina Majestade”.

O cristão que reconhece algum destes dons na sua vida pessoal está deixando o Espírito Santo agir. Mas, santo Tomás de Aquino advertia para não ficarmos fechados em nós mesmos.

“É importante não esquecer que mesmo possuindo todos os dons do Espírito Santo, sem caridade não se tem vida... Por mais que um cadáver esteja revestido de ouro e pedras preciosas, ele continua sendo um cadáver”, disse ele.

Os frutos do Espírito Santo

O Catecismo da Igreja Católica diz que estes frutos “são perfeições que o Espírito Santo forma em nós como primícias da glória eterna”.

A tradição diz que são 12: caridade, alegria, paz, paciência, bondade, longanimidade, benignidade, mansidão, fidelidade, modéstia, continência, castidade.

Vários destes frutos são mencionados por são Paulo na sua carta aos Gálatas. Por isso, numa reflexão sobre o fruto do Espírito, o papa Francisco disse que poderia ser um bom exercício espiritual “ler a lista de São Paulo e observar a própria conduta, para verificar se corresponde, se a nossa vida está verdadeiramente de acordo com o Espírito Santo, se dá estes frutos”.

“Por exemplo, os três primeiros são caridade, paz e alegria: por isto se reconhece se uma pessoa é habitada pelo Espírito Santo. Uma pessoa que está em paz, que rejubila e que ama: com estas três caraterísticas vê-se a ação do Espírito”, acrescentou.

O apóstolo Paulo também denuncia as obras da carne e que são contrárias aos frutos do Espírito.

“Ora, as obras da carne são estas: fornicação, impureza, liber­tinagem, idolatria, superstição, inimizades, brigas, ciúmes, ódio, ambição, discórdias, partidos, invejas, bebedeiras, orgias e outras coisas semelhantes. Dessas coisas vos previno, como já vos preveni: os que as praticarem não herdarão o Reino de Deus!”.

*Abel Camasca é comunicador social. Foi produtor do telejornal EWTN Noticias por muitos anos e do programa “Más que Noticias” na Radio Católica Mundial.

Fonte: https://www.acidigital.com/noticia/58076/quais-sao-os-dons-e-os-frutos-do-espirito-santo

domingo, 8 de junho de 2025

Leão XIV em Pentecostes: invocar o Espírito do amor e da paz para abrir as fronteiras do coração

Santa Missa de Pentecostes - Jubileu dos Movimentos, 08/06/2025 (Vatican News)

As fronteiras a serem abertas pelo Sopro divino, disse o Pontífice em homilia na Praça São Pedro na Solenidade de Pentecostes, estão "dentro de nós, nas nossas relações e entre os povos". Os milhares de peregrinos do Jubileu dos Movimentos, Associações e Novas Comunidades ouviram o pedido do Papa para invocar "o Espírito do amor e da paz" para encontrar com Deus e "abrir as fronteiras, derrubar os muros, dissolver o ódio": "é Pentecostes que renova a Igreja, renova o mundo!".

Andressa Collet - Vatican News

Mais um dia de Praça São Pedro lotada por ocasião do Jubileu dos Movimentos, Associações e Novas Comunidades celebrado neste final de semana no âmbito do Ano Santo da Esperança. Neste domingo (08/06), em particular, de Solenidade de Pentecostes, o Papa Leão XIV presidiu a missa para milhares de peregrinos e refletiu sobre o Espírito que "abre fronteiras" dentro de nósnas nossas relações e entre os povos. Completando exatamente um mês de pontificado, a homilia do novo Sucessor de Pedro foi de grande impulso para abrirmos "as fronteiras do coração" através do "vento vigoroso do Espírito Santo" e com a recordação inclusive dos predecessores Bento XVI e Francisco. O dia solene no Vaticano começou com um giro de papamóvel que durou cerca de 30 minutos: Leão XIV percorreu tanto a Praça São Pedro quanto parte da Via della Conciliazione para saudar os milhares de fiéis. 

A missa de Pentecostes foi celebrada no âmbito do Jubileu dos Movimentos]   (@Vatican Media)

Abrir as fronteiras dentro de nós

Na homilia e através das palavras de Santo Agostinho, o Papa recordou que este é o dia em que, "depois de sua Ressurreição e depois da glória de sua Ascensão, Jesus Cristo Nosso Senhor enviou o Espírito Santo» (Santo Agostinho, Sermão 271, 1)". Um dom que "realiza algo extraordinário na vida dos Apóstolos", ajudando a interpretar a morte de Jesus e dando força e coragem para "sair ao encontro de todos para anunciar as obras de Deus". Na festa de Pentecostes, lembra Leão nas palavras de Bento XVI em 2005, as portas do cenáculo se abrem porque o Espírito abre as fronteiras. E de onde o Pontífice parte a sua meditação do dia:

"O Espírito abre as fronteiras principalmente dentro de nós. É o Dom que desvela a nossa vida para o amor. E essa presença do Senhor desfaz a nossa dureza, o nosso fechamento, o egoísmo, os medos que nos bloqueiam e o narcisismo que faz-nos rodar apenas em torno de nós mesmos. O Espírito Santo vem para desafiar, em nós, o risco de uma vida que se atrofia, sugada pelo individualismo. É triste observar como num mundo onde se multiplicam as oportunidades de socialização, corremos o risco de ser paradoxalmente mais solitários, sempre conectados, mas incapazes de 'fazer redes', sempre imersos na multidão, mas permanecendo viajantes perdidos e solitários."

O Espírito de Deus, em vez disso, "abre ao encontro com nós mesmos, para além das máscaras que usamos; conduz ao encontro com o Senhor", afirmou o Papa. Abraçando com amor a Palavra, somos "transformados" por ela, tornando a nossa vida "um espaço de acolhimento".

Na homilia, Leão XIV refletiu sobre o Sopro Divino que abre as fronteiras do coração   (@Vatican Media)

Abrir as fronteiras das relações

"O Espírito, além disso, abre as fronteiras também nas nossas relações". E com aquele mesmo "amor de Deus que habita em nós, tornamo-nos capazes de nos abrir aos irmãos, de vencer a nossa rigidez, de superar o medo em relação ao que é diferente", disse o Pontífice. O Espírito transforma aqueles "perigos mais ocultos que envenenam as nossas relações, como os mal-entendidos, os preconceitos, as instrumentalizações": 

“Penso também – com muita dor – em quando uma relação é infestada pela vontade de dominar o outro, uma atitude que frequentemente desemboca na violência, como infelizmente demonstram os numerosos e recentes casos de feminicídio.”

O Espírito Santo, ao contrário, "faz amadurecer em nós os frutos que nos ajudam a viver relações verdadeiras e boas", alargando as fronteiras das relações com o outros. Um critério, alertou Leão XIV, "decisivo também para a Igreja: só somos verdadeiramente a Igreja do Ressuscitado e discípulos de Pentecostes se entre nós não houver fronteiras nem divisões, se na Igreja soubermos dialogar e nos acolher mutuamente, integrando as nossas diversidades, e se, como Igreja, nos tornarmos um espaço acolhedor e hospitaleiro para todos".

Abrir as fronteiras entre os povos

Por fim, "o Espírito abre as fronteiras também entre os povos"Em Pentecostes, disse o Pontífice, recordamos a importância de nos colocarmos "em caminho", "na fraternidade", já que "o Sopro divino une os nossos corações e nos faz ver no outro o rosto de um irmão": em vez de divisão e conflito, preconceito e lógica de exclusão, discórdia e indiferença, como observou Francisco em 2023, o Espírito "rompe fronteiras e derruba os muros da indiferença e do ódio", como as próprias guerras, por "um tesouro comum":

“Invoquemos o Espírito do amor e da paz, a fim de que abra as fronteiras, derrube os muros, dissolva o ódio e nos ajude a viver como filhos do único Pai que está nos céus. Irmãos e irmãs: é Pentecostes que renova a Igreja, renova o mundo! Que o vento vigoroso do Espírito desça sobre nós e em nós abra as fronteiras do coração, dê a graça do encontro com Deus, amplie os horizontes do amor e sustente os nossos esforços pela construção de um mundo onde reine a paz.”

O Espírito que "abre fronteiras" dentro de nós, nas nossas relações e entre os povos.   (@Vatican Media)
Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

5 ideias para criar filhos sem telas

Uma criança na frente da tela | Shutterstock/Tatyana Korotun.

Cecilia Pigg - publicado em 09/04/25

Neste artigo, queremos mostrar ideias de atividades que vêm de pais que educam sem telas, e que funcionaram como "babás" temporárias para eles.

Muitas vezes, quando os pais têm tarefas a fazer, torna-se difícil manter a concentração com crianças pequenas; A maneira mais fácil de resolver o problema é colocá-las na frente de uma tela. 

Esta tem sido a solução que muitos pais recorrem quando têm de realizar determinadas atividades, sejam elas relacionadas com a casa ou com o trabalho. Como as telas  dominam o mundo, é bom ter outras ideias que não envolvam um programa de TV ou um jogo eletrônico como babá, pois as telas nunca devem assumir o papel de babás. 

Existem muitas outras atividades que você pode realizar para que seus filhos se divirtam e você possa fazer uma pausa ou se concentrar em alguma outra tarefa; Sabemos que não é fácil, mas é possível e de uma forma mais recreativa! Abaixo, uma lista de dicas para crianças com menos de 10 anos. 

1 - "NOVOS" BRINQUEDOS

Ofereça alguns brinquedos que você mantém regularmente fora de vista. Dessa forma, quando precisar, você pode tirá-los e será como ter um brinquedo novo para explorar. Brinquedos como Lego, trilhos de trem e brinquedos que exigem construção e resolução de problemas, são especialmente úteis se você precisar fazer algo sem o envolvimento de pequenos ajudantes.

2 - TEMPO DE SILÊNCIO

Outra prática é acostumar seus filhos a passar algum tempo sozinhos todos os dias. Quando seus filhos pararem de cochilar, continue esperando que eles fiquem no quarto por uma hora no início da tarde, com livros e brinquedos. Dessa forma, você e seu filho poderão recuperar as forças. E então, se você precisar fazer algo, esse período de silêncio estará lá para você. 

Para crianças que têm interesse e habilidades motoras finas, quebra-cabeças ou jogos de peças são boas opções. Eles também podem usar massinha ou massinha de modelar, livros para colorir e tesouras para recortar desenhos de revistas ou formas de papel. 

Para crianças mais novas, que não têm habilidades motoras finas ou capacidade de atenção, pode ser útil colocar alguns brinquedos em uma sala segura para elas ou dar-lhes brinquedos que lhes interessem.

3 - HORA DE LER EM VOZ ALTA

Se você tem um filho mais velho, peça a ele que leia um monte de livros em voz alta para os mais novos. Ou você pode colocar um audiolivro para entretê-los.

4 - TEMPO AO AR LIVRE

Se o clima permitir e você tiver um lugar bom para estar ao ar livre, outra ótima opção é passar um tempo ao ar livre.

5 - ENTRETENIMENTO COM AMIGOS

Uma última sugestão que pode funcionar é convidar outra criança para casa. Se seu filho se dá bem com alguém, os dois podem se divertir alegremente enquanto cuidam de outras coisas. 

Escolher uma boa atividade para seus filhos tem tudo a ver com conhecer essa criança. Além disso, naqueles momentos em que parece que as crianças vão ficar entediadas ou que têm coisas simples para brincar, é onde nasce a criatividade deles; E é ali mesmo que podem explorar a sua imaginação para inventar novas aventuras e jogos criados por eles. 

No começo, pode parecer frustrante entreter seu filho sem assistir a vídeos do YouTube, mas na verdade existem muitas atividades que você pode experimentar e pode ajudar a si mesmo procurando ideias online. Lembre-se de que onde há vontade, há um caminho.

Fonte: https://pt.aleteia.org/2025/04/09/5-ideias-para-criar-filhos-sem-telas/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF