Que as mulheres possam existir plenamente
O dia de hoje, 8 de Março, nunca foi de celebração, mas de
luta e de lembrança daquelas que se foram buscando um mundo melhor para todos
viverem.
Por Ana
Dubeux
postado em 08/03/2026 06:00
No rol de coisas bonitas da vida, eu penduro no espaço mais
nobre a convivência com outras mulheres. Nelas, me reconheço, me abraço, me
renovo, cresço, existo em plenitude. Uma existência rica em sentidos, baseada
na amizade, na entrega, no acolhimento, na parceria. Amo ser mulher por
inúmeros motivos, mas o maior deles é essa sensação de pertencimento a um mundo
que tem mais de mim mesma. Flerto com a coragem de uma, com a espiritualidade
de outra, com o talento de várias, com a força de todas.
Somos um coletivo imenso e, se não somos maioria no mundo,
aqui no Brasil somos numericamente maiores, 6 milhões a mais de seres pensantes
e ativos, que sustentam e cuidam de suas famílias, em casa, em hospitais, nos
presídios. Sem perder a ternura. Mas, é preciso dizer, exaustas, amedrontadas,
tristes, ameaçadas. Há uma epidemia em curso: a violência contra mulheres. E
talvez não haja doença mais contagiosa e com maior potencial destruidor.
Afinal, o que será do planeta com menos mulheres? 85 mil mulheres assassinadas
em um ano no mundo, 60% por homens de seu convívio mais íntimo.
O dia de hoje, 8 de Março, nunca foi de celebração, mas de
luta e de lembrança daquelas que se foram buscando um mundo melhor para todos
viverem. Dia de pensar e repensar lutas, de comunicar coletivamente nossa dor e
desamparo, de exigir, sim, compensações para nossas inúmeras perdas, de brigar
por direitos, entre eles o de manter a esperança de existir em um mundo que nos
maltrata, violenta, ameaça e mata.
Hoje, penso na menina estuprada por cinco; na mulher órfã de
seus filhos, assassinados pelo próprio pai; na jovem arrastada por um carro em
velocidade, em tantas mais. Penso nisso e sofro por elas e suas famílias. Penso
nisso e rezo para que a gente consiga não odiar os homens na mesma proporção
que nos odeiam porque, de nada adiantaria viver com tanta raiva no peito.
Penso também na minha mãe, nas minhas irmãs, filha, neta,
nora, amigas, parceiras de trabalho, do comércio que frequento, da igreja onde
rezo, da canoa por onde navego buscando paz de espírito e força para o dia a
dia. Todas são tão importantes e necessárias. Só quero que possam viver e
continuar fazendo parte da rede de amor que nos une em cada pequeno pedaço de
dia e para as mais variadas causas e razões.
Este é meu manifesto, minha palavra mais valorosa: que as
mulheres possam existir, viver seguras, usufruindo de liberdade, sujeitos de
suas próprias escolhas, plenas de direitos, próximas umas das outras, como uma
grande rede de amor e pertencimento.
Que todas recebam meu abraço e meu compromisso de ser
inteira para nós, por nós! Cada gesto conta. Cada voto em uma mulher conta.
Cada curtida e engajamento numa rede feminina e coletiva contam. Ajude uma
mulher hoje, amanhã, depois e depois, para sempre.

Nenhum comentário:
Postar um comentário