Qualquer angústia ou tribulação que sofremos é para nós aviso e também correção. As Sagradas Escrituras não nos prometem paz, segurança e repouso; o Evangelho não esconde as adversidades, os apertos, os escândalos; mas quem perseverar até o fim, esse será salvo (Mt 10,22). Que de bom teve jamais esta vida desde o primeiro homem, desde que mereceu a morte e recebeu a maldição, maldição de que Cristo Senhor nos libertou?
Não há então, irmãos, por que murmurar, como alguns deles murmuraram, como disse o Apóstolo, e pereceram pelas serpentes (1Cor 10,10). Que tormento novo sofre hoje o gênero humano que os antepassados já não tenham sofrido? ou quando saberemos nós que sofremos o mesmo que eles já sofreram? No entanto, encontras homens a murmurar contra seu tempo como se o tempo de nossos pais tivesse sido bom. Se pudessem retroceder até os tempos de seus avós, será que não murmurariam? Julgas bons os tempos passados porque já não são os teus, por isto são bons.
Se já foste liberto da maldição, se já crês no Filho de Deus, se já estás impregnado ou instruído das Sagradas Escrituras, admiro-me de que consideres bons os tempos de Adão. Esqueces que teus pais traziam consigo o mesmo Adão? Aquele Adão a quem foi dito: No suor de teu rosto comerás teu pão e lavrarás a terra donde foste tirado; germinarão para ti espinhos e abrolhos (cf. Gn 3,19 e 18). Mereceu isto, aceitou-o, como vindo do justo juízo de Deus. Por que então pensas que os tempos antigos foram melhores que os teus? Desde aquele Adão até o Adão de hoje, trabalho e suor, espinhos e cardos. Caiu sobre nós o dilúvio? Vieram os difíceis tempos de fome e de guerra,que foram escritos para não murmurarmos agora contra Deus?
Que tempos aqueles! Só de ouvir, só de ler, não nos horrorizamos todos? Mais razões temos para nos felicitar que para murmurar contra o nosso tempo.
Os muitos exemplos incluem redes internacionais de apoio, casas de acolhimento, acesso a cuidados médicos e psicológicos, reposicionamento profissional… Conheça 3 exemplos concretos no Brasil.
AIgreja Católica mantém uma vasta rede de obras de ajuda a mães desamparadas, inclusive vítimas de estupro, e, obviamente, aos seus filhos inocentes. Infelizmente, a existência desse trabalho é ignorada pela assim chamada “grande mídia” – que provavelmente não teria dificuldades em investigar e divulgar essas iniciativas caso tivesse real interesse.
Os muitos exemplos incluem redes internacionais de apoio, casas de acolhimento para gestantes, acesso a cuidados médicos e psicológicos, reposicionamento profissional, orfanatos para crianças cujos pais não estão presentes por uma grande gama de circunstâncias…
Separamos a seguir três exemplos no Brasil e um no Peru, para ficarmos apenas na América do Sul.
1 – Missão Católica Fiat Mihi (Campinas, Brasil)
A expressão latina “Fiat mihi” (pronunciada “fíat míki“) significa “Faça-se em mim“. É a primeira parte da frase “Fiat mihi secundum verbum tuum“, ou seja, “Faça-se em mim segundo a tua palavra“, respondida por Nossa Senhora ao Arcanjo Gabriel quando ele veio lhe anunciar que ela conceberia o Filho de Deus. É a frase, portanto, com a qual Maria aceita a vontade de Deus com fé, esperança e amor.
Vem daí o nome de um apostolado católico nascido em Campinas, cidade do Estado brasileiro de São Paulo, com foco na cultura da vida e no fortalecimento da família: é a Missão Fiat Mihi, ou, simplesmente, Missão Fiat. Faça-se!
O apostolado realiza iniciativas de formação e sensibilização em temas ligados à sacralidade da vida humana e da família, bem como atividades de espiritualidade. E, indo além, também põe os ensinamentos em prática: uma das obras da missão consiste em acolher e amparar gestantes em risco de abortamento, defendendo alternativas que respeitem a vida. Este aspecto tem se tornado, de modo especial, uma das grandes características da Missão Fiat.
Ela abrange:
Atendimento e acompanhamento
Atendimentos a gestantes com risco de abortamento, através de contatos pessoais, telefônicos e/ou por mídias sociais.
Acompanhamento nos casos de desistência de aborto, auxiliando, orientando e assistindo a gestante desamparada e/ou em risco social.
Aconselhamento e acompanhamento pós-aborto, para mulheres que já praticaram o aborto e que hoje precisam de ajuda emocional e espiritual.
O público-alvo deste conjunto de iniciativas são as mulheres grávidas com intenção de abortar e/ou que já abortaram.
A Casa Pró-Vida Mãe Imaculada se dedica a atender mulheres grávidas em risco de aborto, oferecendo-lhes todo suporte, de acordo com a necessidade da mãe (podendo ser material, jurídico, médico e espiritual) e com o objetivo de salvar vidas. Além disso, a Casa também acolhe mulheres que já abortaram e necessitam de cura interior.
A Casa oferece ainda educação continua para formar divulgadores da cultura da vida (pró-vidas) e apoio às paróquias e outras instituições que tenham interesse em promover a conscientização da dignidade de toda pessoa humana e dos direitos inalienáveis que esta possui.
3 – Casa de Amparo Pró-Vida São Frei Galvão (Baixada Fluminense, Brasil)
Maria das Dores Hipólito Pires, mais conhecida como Dóris Hipólito, levava uma vida relativamente confortável como professora de história e geografia. A direção da escola onde ela dava aulas lhe pediu que ajudasse algumas das meninas que estavam sofrendo as consequências devastadoras de terem abortado.
Dóris juntou material pró-vida para tentar ajudar aquelas meninas e espalhou o material e a missão entre outros paroquianos. Pouco tempo depois, sentiu a moção interior de promover um rosário público no dia 13 de cada mês, ocasião em que também distribuía folhetos pró-vida. Com o apoio do bispo dom Werner Siebembrok e da Legião de Maria, o pequeno grupo formado por Dóris começou a ajudar, nas periferias e favelas, as mulheres que achavam que não tinham nenhuma alternativa a não ser abortar.
Embora o aborto seja ilegal na maioria dos casos no Brasil, existem muitas “clínicas” que os realizam ilegalmente na Baixada Fluminense, uma região com 3 milhões de cidadãos e com muitas carências sociais. Dóris vai até a porta dessas “clínicas” e tenta conversar com essas mães, muitas das quais são dependentes químicas e/ou estão sofrendo intensa pressão de terceiros para abortar. Ela as incentiva a ter os filhos, oferecendo-lhes apoio para continuarem a gravidez e, principalmente, para transformarem as suas vidas.
Anos atrás, Dóris deu um passo muito corajoso com o apoio da própria família: largar o emprego e passar a trabalhar em tempo integral por aquelas mulheres desesperadas. Em 2007, ela encontrou uma mulher sem-teto, grávida, com deficiências físicas e mentais, que vivia debaixo de um viaduto. Dóris alugou uma pequena casa para cuidar dela. Não demorou quase nada para que aparecesse na casa uma segunda mulher grávida também esmagada por necessidades extremas. E outra, e mais outra, e mais outra. Dóris então estabeleceu formalmente a Casa de Amparo Pró-Vida.
Além de manter um lugar seguro e cheio de carinho para cuidar dessas mulheres e dos seus filhos, Dóris ajudou a montar centros pró-vida em igrejas locais para que as mulheres grávidas contassem com mais assistência. Tanto nestes centros quanto na Casa de Amparo, as mulheres grávidas encontram formação profissional, atendimento médico e um lugar onde trabalhar e viver com dignidade, suprindo as necessidades dos bebês.
Muitas das mulheres que Dóris recebeu se tornaram voluntárias neste mesmo trabalho. A filha de uma das mulheres que ela ajudou há vinte anos é hoje voluntária no acolhimento e no cuidado de outras mulheres em situação de grande vulnerabilidade.
A pressão política vem aumentando muito no Brasil para que o aborto livre seja legalizado no país. Há grupos ideológicos que trabalham contra a ação pró-vida realizada por Dóris. Ela já recebeu telefonemas ameaçadores, inclusive com ameaças de morte. Uma mulher que foi inspecionar a Casa de Amparo viu as fotos das crianças que foram salvas do aborto e chegou a exclamar: “Esta casa nunca deveria ter existido!”.
Dóris e sua família sempre confiaram na Providência Divina para prover as suas necessidades e as de todas as pessoas atendidas na Casa de Amparo. Mesmo com todas as limitações e dificuldades, Dóris já testemunhou o triunfo da vida de milhares de crianças que fazem qualquer sacrifício valer toda a pena. Toda vez que as coisas ficaram particularmente difíceis, ela sempre recitou para si mesma: “Os poderosos podem me mostrar o seu poder, mas os bebês me mostram o paraíso”.
4 – Irmãs Missionárias Paroquiais do Menino Jesus de Praga (Peru)
O Peru vem lidando há anos com estatísticas chocantes sobre gravidez precoce, e, no começo de 2018, mais um caso extremo voltou a escandalizar e comover a opinião pública no país: uma menina de 9 anos de idade deu à luz uma bebê que, além de sua filha, é também sua irmã.
Desde os 6 anos, a menina-mãe de Tacna, cidade localizada no extremo sul do Peru, sofria abusos sexuais perpetrados pelo pai – e acobertados pela mãe. Apesar da fragilidade do seu corpo, das fortes mudanças hormonais que suportou na gestação e do próprio trauma dos abusos padecidos, a menina-mãe de 9 anos amamentava com ternura a sua bebê de três quilos e meio, um fato que chamou a atenção dos médicos responsáveis pela cesárea.
A cesárea foi realizada no hospital regional Hipólito Unanue, de Tacna, cidade onde existe um abrigo mantido pela congregação católica das Irmãs Missionárias Paroquiais do Menino Jesus de Praga. Foram as freiras que ofereceram à menina-mãe o cuidado afetivo e psicológico de que ela precisava para lidar com a sua nova realidade.
As missionárias dão assistência a mães adolescentes nas cidades de Arequipa, Lima, Tarma e Tacna há quase 100 anos. A sua pastoral tem sido essencial para oferecer soluções ao drama das meninas-mães e o seu trabalho é tão importante e reconhecido que, em 2011, o Congresso Nacional peruano lhes prestou homenagem oficial.
O desequilíbrio hormonal que leva à puberdade muito precoce está na base da explicação geral para as gravidezes em idades tão tenras (e difíceis de acreditar) quanto 9 anos de idade. E esses casos, indignantemente, são menos raros do que seria de supor-se: só no Peru, entre 2011 e 2016, foram 8 gravidezes confirmadas em meninas de 9 anos de idade. É possível, porém, que tenha havido outras nunca registradas.
O país andino tem estatísticas chocantes sobre maternidade infantil. A cada dia, pelo menos 4 meninas peruanas menores de 15 anos se tornam mães, de acordo com o Registro Nacional de Identificação e Estado Civil (RENIEC). Só em 2015, esse órgão do governo do país registrou 1.538 casos de mães que tinham entre 11 e 14 anos de idade. De 2011 a 2016, estes foram os números de meninas-mães no Peru:
9 anos de idade: 8 casos
10 anos de idade: 51 casos
11 anos de idade: 182 casos
12 anos de idade: 573 casos
13 anos de idade: 2.323 casos
14 anos de idade: 8.644 casos
Total: 11.781 casos
Pela idade, significa que absolutamente todas essas 11.781 meninas-mães foram estupradas. Entre as muitas perguntas que se impõem diante desse quadro, uma continua sendo particularmente clamorosa: onde estão os estupradores?
A resposta a esta pergunta também faz parte da resposta à verdadeira solução para o drama dos estupros. O aborto não apenas não resolve a raiz do problema: ele “simplifica” a sua perpetuação.
1º Concílio Ecumênico de Constantinopla (381 d.C.) (2º Concílio Geral)
Este Concílio foi convocado em maio de 381 pelo Imperador Teodósio para proporcionar uma sucessão católica para a Sé Patriarcal de Constantinopla, confirmar o Símbolo de Fé de Niceia, reconciliar os semi-arianos com a Igreja e acabar com a heresia macedoniana.
Originalmente era apenas um Concílio da Igreja do Oriente. São inválidos os argumentos de Cesare Barônio (ad an. 381, nºs. 19, 20) para provar que foi convocado pelo Papa São Dâmaso I (Hefele,Leclercq. “História dos Concílios”. Paris, 1908, 2,4). Estiveram presentes 150 Bispos católicos e 36 hereges (macedonianos e semi-arianos), e foi presidido por Melécio de Antioquia; e depois de sua morte, pelos patriarcas de Constantinipla sucessores: São Gregório de Nanzianzo e Nestório.
Sua primeira medida foi confirmar Gregório de Nanzianzo como Bispo de Constantinopla. As Atas deste Concílio desapareceram quase que totalmente; seus procedimentos são conhecidos principalmente pelas narrativas dos historiadores eclesiásticos Sócrates, Sozomeno e Teodoreto. Há boa razão para se crer que redigiu um tratado formal (tomo) sobre a doutrina católica da Trindade, e também contra o apolinarismo; este importante documento foi perdido, exceto o primeiro cânon do Concílio e seu famoso Credo (Niceno-Constantinopolitano). Este último é tradicionalmente tomado como uma ampliação do Credo de Niceia, com ênfase na divindade do Espírito Santo, no entanto, parece ter uma origem anterior, possivelmente composto por São Cirilo de Jerusalém (369-373), como uma expressão da fé desta igreja (cf. Bois), ainda que a sua adoção por este Concílio lhe tenha dado uma autoridade especial, quer como credo batismal, quer como fórmula teológica. Harnack (em “Realencyklopadie fur prot. Theol. und Kirche”, 3ª ed., 11,12-28), afirma, com base não muito convincente, que não foi senão após o Concílio de Calcedônia (451) que este Credo (isto é, a fórmula de Jerusalém com o acréscimo de Niceia) foi atribuído aos Padres desse Concílio. Em Calcedônia, certamente, foi recitado duas vezes e também aparece duas vezes nas Atas deste Concílio. Foi também lido e aceito no 6º Concílio Ecumênico, realizado em Constantinopla no ano 680. A antiquíssima versão latina do seu texto é devida a Dionísio o Exíguo (cf. Gian Domenico Mansi, Coll. Conc., 3,567).
Os gregos reconhecem sete cânones, mas as versões latinas mais antigas possuem apenas quatros, sendo que as outras três, provavelmente são adições posteriores (cf. Hefele):
O primeiro cânon é uma importante condenação dogmática de todas as sombras do arianismo, e também do macedonianismo e apolinarismo.
O segundo cânon renova a legislação de Niceia, impondo sobre os Bispos a observância dos limites diocesanos e patriarcais.
O famoso terceiro cânon declara que, sendo Constantinopla a Nova Roma, o Bispo dessa cidade deveria ter uma preeminência de honra após o Bispo da Velha Roma. Barônio manteve erroneamente a não autenticidade deste cânon, enquanto que alguns gregos da Idade Média mantiveram (uma tese igualmente errônea) que foi declarado ao Bispo da Cidade Real total igualdade com o Papa. A razão puramente humana da antiga autoridade de Roma sugeriu que este cânon nunca foi admitido pela Sé Apostólica, a qual sempre baseou sua supremacia na sucessão de São Pedro. Roma não reconheceu facilmente este injustificável reordenamento de dignidades entre os antigos patriarcados do Oriente: foi rejeitado pelos legado papais em Calcedônia; o Papa São Leão I (cf. Epístola 106, in P.L., 54,1003.1005) declarou que este cânon jamais fôra submetido à consideração da Sé Apostólica e era uma violação da ordem estabelecida em Niceia. [Apenas] no 8º Concílio Geral, em 869, os legados romanos reconheceram Constantinopla como como segunda em dignidade patriarcal (cf. Mansi, 16,174). Em 1215, no 4º Concílio do Latrão (cf. Mansi 22,991), isto foi formalmente admitido pelo novo Patriarca latino, e em 1439, no Concílio de Florença, pelo Patriarca grego (cf. Hefele-Leclercq, “História dos Concílios, 2,25-27). Os corretores romanos de Graciano (“at dist.”, 22,3; ano 1582) inseriram as palavras “canon hic ex iis est quos apostolica Romana sedes a principio et longo post tempore non recipit.”
O quarto cânon declara inválida a consagração de Máximo, o filósofo cínico, rival de São Gregório de Nanzianzo, como Bispo de Constantinopla.
Ao final deste Concílio, o Imperador Teodósio expediu um decreto imperial (30 de julho), declarando que as igrejas deveriam ser devolvidas àqueles Bispos que confessaram a igual divindade do Pai, do Filho e do Espírito Santo, e que tinham mantido a comunhão com Nestório de Constantinopla e outros importantes prelados orientais a quem mencionou.
O caráter ecumênico deste Concílio parece datar, entre os gregos, do Concílio de Calcedônia (451). Segundo Fócio (cf. Mansi, 3,596), o Papa Dâmaso I o aprovou; porém, se alguma parte deste Concílio foi aceita por este Papa, só pode ter sido o Credo acima mencionado. Na segunda metade do século V, os sucessores de Leão Magno guardam silêncio acerca deste Concílio. Sua menção no denominado “Decreto Gelasiano”, por volta do final do século V, não é original, mas um acréscimo posterior nesse texto (cf. Hefele). O Papa São Gregório I Magno, seguindo o exemplo dos Papas Vigílio e Pelágio II, o reconhece como um dos quatro Concílios Gerais, porém apenas nos seus pronunciamentos dogmáticos (cf. P.G., 77,468.893).
Por
ser uma instituição natural que está alicerçada no amor de Deus, a família é chamada
a tornar-se uma grande escola de formação vocacional, capaz de proceder unida
no discernimento do chamado que o Altíssimo faz a cada um de seus membros, pois
as vocações nascem e se desenvolvem no seio das famílias e devem ser acolhidas como
preciosas bênçãos de Deus. Como seria bom se as famílias permanecessem juntas e
fizessem do dia a dia do lar a melhor preparação para a cidadania, para o
exercício do serviço desinteressado ao próximo e para a prática do amor
caritativo!
A família deve se assumir, cada vez mais, como um manancial de vocações. O reto
cumprimento da vocação matrimonial dos pais é o primeiro e o maior testemunho, para
os filhos, de que o Matrimônio é uma instituição natural que Deus elevou à dignidade
de sacramento.
É na família que os filhos aprendem a conjugar os verbos partilhar, respeitar, amar,
servir, liderar e coordenar. Se na família os filhos aprendem a se engajar nos pequenos
serviços do lar e a estar atentos às iniciativas que promovem o bem e a união de
todos, seguramente nós teremos um maior número de pessoas – jovens e adultos, solteiros
e casados – engajadas nas Pastorais e nos serviços de nossas Paróquias. Se nas famílias
a liderança cristã for despertada e solidificada como um desafio para o constante
aprendizado da arte do conviver, respeitando-se as diferenças, as limitações e as
qualidades do outro, nós teremos em nossa sociedade excelentes lideranças que
não pouparão esforços para a concretização do bem comum.
Visando o bem comum e a construção de um mundo novo, a família não pode poupar
esforços na reta orientação e preparação dos filhos para o Matrimônio. Na família
deve haver entre pais e filhos um diálogo fecundo sobre o real valor da sexualidade
e a necessidade de se ser autêntico no namoro e no noivado, por serem preciosas
fases de preparação para o casamento.
Os pais, ao ensinarem aos seus filhos, desde a tenra infância, como vencer os apelos
e os vícios do mundo, por meio dos sacramentos, pela prática da oração e pela fuga
das ocasiões de pecado, estão dando a eles o melhor curso de preparação para o Matrimônio,
bem como um bem inestimável que os ajudará a serem pessoas fiéis e responsáveis.
Em todos os momentos da vida, por poder contar com os sábios conselhos e a
presença insubstituível de seus pais, os filhos adquirem a convicção de que a
vida só faz sentido se entendida e vivida como uma vocação, um chamamento de
Cristo.
A vocação da família é a de ser a primeira comunidade de evangelização que nós frequentamos,
pois nela os irmãos mais velhos devem ser sempre os incentivadores da fé e da
santidade dos irmãos mais novos. Os irmãos mais velhos devem ser sólidos exemplos
de desapego, de humildade, de mansidão e de fraternidade. Neste sentido, eles devem
acompanhar os seus irmãos mais novos no aprendizado das orações, na Catequese,
no cumprimento dos deveres escolares e na saudável prática dos esportes, com o
intuito de aprender com eles a arte do diálogo, da convivência, da compreensão e
do respeito. Os irmãos mais velhos têm a grata responsabilidade de aconselhar
aos irmãos mais novos, dizendo: “Irmãos, ocupai-vos com tudo o que é verdadeiro,
respeitável, justo, puro, amável, honroso, tudo o que é virtude ou de qualquer
modo mereça louvor. Assim o Deus da paz estará convosco”. (Fl 4, 8-9).
Na família, sem distinção de idade, todos podem e devem ser educados para o serviço
e para o respeito aos que mais precisam de nossa ajuda, sobretudo os doentes e os
idosos. Na família, em meio às alegrias e às tristezas ou em meio ao sucesso e
às derrotas, todos, sem exceção, devem salmodiar: “Nunca faltarei à minha
fidelidade!” (Sl 89,34).
A família deve educar e orientar para o acolhimento da vocação, seja ela qual for:
matrimonial, sacerdotal ou religiosa, pois é na família que aprendemos a
respeitar a liberdade alheia e a estar disponíveis para discernir os sinais
vocacionais que Deus suscita continuamente.
Na família, o Evangelho de Cristo deve ser vivenciado nas orações em comum, na
frequência aos sacramentos e na partilha dos desafios cotidianos. Desde antes de
balbuciar as primeiras palavras, os filhos devem aprender com o testemunho dos
pais que Deus é o nosso Pai bondoso, Justo e misericordioso, e que por ser
amor, Ele reservou para nós uma vocação pessoal e específica. “Como primeira
escola de vida e de fé, a família está chamada a educar as novas gerações nos
valores humanos e cristãos, para que, orientando sua vida segundo o modelo de
Cristo, moldem nelas uma personalidade harmônica”. (Carta convocatória do Papa
Bento XVI para o VI Encontro Mundial das Famílias).
Vamos concluir, recorrendo à Virgem Santa Maria, a Nossa Senhora das Famílias,
suplicando sua poderosa intercessão para que as nossas famílias, por meio de seu
compromisso com a Boa Nova de Cristo e pelo seu caráter sagrado, sejam imensos mananciais
de vocações, onde a cada novo dia ocorra uma nova floração de santidade. Doce
Mãe, proteja e ampare a família, a fim de que cada família seja uma comunidade vocacional,
de transmissão da fé, da esperança e da caridade e um especialíssimo lugar da
formação humana e cristã. Nossa Senhora das Famílias, rogai por nós e pelas
nossas famílias!
Desde o dia 27 de maio, a Arquidiocese de Brasília e a Diocese Góias (GO) se encontram em festa com a nomeação do monsenhor Jeová Elias, como bispo da diocese de Goiás, no estado de Goiás.
Padre Jeová Elias Ferreira nasceu em Sobral, no estado do Ceará, aos 24/08/1961 filho de Raimundo Frota Ferreira (2014) e Antonia Elias Ferreira(+2007). Ordenado presbítero na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida – DF, Arquidiocese de Brasília, aos 30/11/1991.
A celebração eucarística de Ordenação Episcopal acontecerá no próximo sábado, 22/8, às 10h em uma cerimônia restrita na Catedral de Brasília – DF.
Dom Sergio da Rocha, Cardeal Arcebispo de Salvador – BA e Primaz do Brasil, será o bispo ordenante principal desta celebração. Também estarão presentes, Dom Raimundo Damasceno, Cardeal Arcebispo Emérito de Aparecida-SP e Dom Eugênio Lambert, Bispo Emérito de Goiás-GO.
O povo fiel da Arquidiocese de Brasília é convidado a participar de forma on-lie pelo YouTube da Arquidiocese de Brasília, pelas ondas da Rádio Nova Aliança 710AM, pela Rádio Canção Nova 89.1 FM; TV Canção Nova 55.1 HD / canal (Net) 27 e TV Pai Eterno.
O
X Encontro Mundial das Famílias foi adiado para o ano 2022 devido à pandemia e
terá lugar em Roma. A última edição foi em agosto de 2018 em Dublin na Irlanda
e o Papa exortou as famílias para a revolução do amor.
Rui Saraiva - Porto
Devido à pandemia do novo coronavírus que estamos a
viver, a X edição do Encontro Mundial das Famílias foi adiada para 2022 sendo
anulado o agendamento para 2021. Será Roma a cidade que vai acolher uma
organização tão importante que decorrerá durante o mês de junho de 2022.
A última edição foi em agosto de 2018 em Dublin na
Irlanda com a presença do Papa Francisco. Logo no primeiro dia, 25 de agosto, o
Santo Padre teve um encontro na Pró-Catedral de Santa Maria. Aí foi acolhido
por inúmeros casais, alguns já avós, outros recém-casados e outros ainda noivos
que saudaram e colocaram questões ao Santo Padre. A todos o Papa ouviu com
atenção tendo depois proferido um discurso no qual procurou responder a cada
uma das inquietações apresentadas. São esses e outros momentos que aqui
recordamos.
Matrimónio, vocação para toda a vida
Francisco começou por agradecer o testemunho do
casal Vincent e Teresa, que falaram brevemente da sua experiência de cinquenta
anos de matrimónio e de vida familiar.
Depois dirigiu-se ao casal de noivos Denis e Sinead
e disse-lhes que “o matrimónio não é simplesmente uma instituição, mas uma
vocação, uma decisão consciente e para toda a vida de ocupar-se, ajudar-se e
proteger-se mutuamente.” Francisco assinalou que num matrimónio há sempre
litígios, mas o mais importante é que após uma discussão e antes de ir dormir
seja feita a paz entre marido e mulher.
Francisco alertou para os perigos da “cultura do
provisório e do efémero” e de um amor que não seja para toda a vida. “Entre
todas as formas da fecundidade humana, o matrimónio é único” – lembrou o Papa
salientando que “o sacramento do matrimónio, participa de modo especial no
mistério do amor eterno de Deus” – afirmou.
Destaque especial para uma história pessoal que o
Papa contou na resposta ao casal recém-casado Stephen e Jordan que perguntaram
ao Papa como poderão transmitir a fé aos seus filhos. O Santo Padre sublinhou
que tudo começa em casa, no lar, na “igreja doméstica” e recordou uma pequena
experiência pessoal de quando tinha cinco anos.
O pequeno Jorge Bergoglio viu o pai e a mãe que se
beijavam: “que os vossos filhos vos vejam beijar e acariciar e aprendam o
dialeto do amor e da fé” – declarou o Papa aos casais irlandeses.
O Santo Padre realçou ainda a importância da oração
em família e a vivência da solidariedade com aqueles que sofrem. “O mundo
diz-nos para sermos fortes e independentes, preocupando-nos pouco com aqueles
que estão sozinhos ou tristes, rejeitados ou doentes” – disse o Papa afirmando
que “o nosso mundo precisa duma revolução de amor! Que esta revolução comece
por vós e pelas vossas famílias!”
“Os vossos filhos aprenderão de vós a viver como
cristãos; sereis os seus primeiros mestres na fé” – afirmou ainda o Santo Padre
que frisou que “não poderá haver uma revolução de amor, sem a revolução da ternura!
“
No final do seu discurso o Papa realçou a
importância do diálogo e do convívio entre gerações: “as crianças não crescem
no amor se não aprendem a comunicar com os seus avós. Então deixai que o vosso
amor lance raízes profundas!” – afirmou Francisco.
Esperança da Igreja e do mundo
Grande momento com o Papa no IX Encontro Mundial
das Famílias foi a Festa das Famílias no Croke Park Stadium em Dublin na
Irlanda. O Santo Padre afirmou no seu discurso que a família é a esperança da
Igreja e do mundo: “vós, famílias, sois a esperança da Igreja e do mundo” –
afirmou.
Foram vários e intensos os testemunhos de famílias
que apresentaram experiências de vida matrimonial e familiar, vividas em várias
partes do mundo. O Papa referiu-se a estes testemunhos proferindo um discurso
continuamente aplaudido pela multidão presente no estádio.
Francisco considerou a Festa das Famílias como uma
verdadeira “celebração familiar de ação de graças a Deus pelo que somos” –
disse o Papa – “uma única família em Cristo, espalhada pela terra”.
O Santo Padre defendeu o Batismo das crianças em
tenra idade para que façam parte, desde pequeninas, da grande família de Deus.
O Papa salientou que o “Evangelho da família é, verdadeiramente, alegria para o
mundo”, pois nas “nossas famílias, sempre se pode encontrar Jesus” que “lá
habita, em simplicidade e pobreza, como fez na casa da Sagrada Família de
Nazaré” – assinalou.
Todos os membros da família são chamados à
realização do amor com gestos simples e humildes, em particular, na vivência da
escuta, da compreensão e do perdão. Francisco recordou as três palavras-chave
para a paz na família que permitem superar o orgulho e o isolamento:
“… precisamos de aprender três palavras:
«desculpa», «por favor» e «obrigado».
O Papa recordou que, antes de ir dormir, é
importante fazer a paz na vida de casal. “Perdoar significa doar algo de si
mesmo. Jesus perdoa-nos sempre. Com a força do seu perdão, também nós podemos
perdoar aos outros, se o quisermos de verdade” – disse ainda o Papa salientando
que os filhos aprendem a perdoar quando veem os seus pais perdoarem-se entre
si.
O Santo Padre falou também das redes sociais,
fazendo referência ao testemunho de um casal da Índia, e pediu que as novas
tecnologias sejam usadas com “moderação e prudência” pois podem “contribuir
para a construção duma rede de amizade, solidariedade e apoio mútuo”.
Recordando a Exortação Apostólica “A alegria do
amor”, o Papa, referindo-se ao testemunho de uma família com dez filhos,
sublinhou que o “amor conjugal” é caraterizado pela “fidelidade,
indissolubilidade, unidade e abertura à vida”.
O primeiro Encontro Mundial das Famílias teve lugar
em Roma em 1994 com S. João Paulo II. Organiza-se normalmente a cada 3 anos e
já passou pelas cidades de Rio de Janeiro, Manila, Valência, Cidade do México,
Milão e Filadélfia. Em 2018 foi em Dublin na Irlanda e o Papa Francisco
sublinhou a beleza da vocação ao matrimónio exortando as famílias para a
revolução do amor e da ternura sendo esperança da Igreja e do mundo.
Preparada pelo Altíssimo, prometida pelos Patriarcas
A Deus competia nascer de uma virgem unicamente; e era claro que do parto da Virgem somente viesse Deus à luz. Por este motivo, o Criador dos homens, para se fazer homem nascido de ser humano, devia dentre todas escolher, ou melhor, criar para si a mãe tal, como sabia convir a si e ser-lhe agradável em tudo.
Quis então que fosse uma virgem. Da imaculada nascendo o imaculado, aquele que purificaria as máculas de todos.
Ele a quis também humilde, donde proviesse o manso e humilde de coração, que iria mostrar a todos o necessário e salubérrimo exemplo destas virtudes. Concedeu, pois, à Virgem a fecundidade, a ela a quem já antes inspirara o voto de virgindade e lhe antecipara o mérito da humildade.
A não ser assim, como poderia o anjo dizê-la cheia de graça, se algo, por mínimo que fosse, faltasse à graça? Assim, aquela que iria conceber e dar à luz o Santo dos santos, recebeu o dom da virgindade para que fosse santa no corpo, e, para ser santa no espírito, recebeu o dom da humildade.
Esta Virgem régia, ornada com as jóias das virtudes, refulgente pela dupla majestade da alma e do corpo, por sua beleza e formosura conhecida nos céus, atraiu sobre si o olhar dos anjos. Até atraiu sobre si a atenção do Rei,que a desejou e arrebatou das alturas até si o mensageiro celeste.
O anjo foi enviado à Virgem (Lc 1,26-27). Virgem na alma, virgem na carne, virgem pelo propósito, virgem enfim tal como a descreve o Apóstolo, santa de espírito e de corpo. Não pouco antes, nem por acaso encontrada, mas eleita desde o princípio dos séculos, conhecida pelo Altíssimo e preparada para ele, guardada pelos anjos, prefigurada pelos patriarcas, prometida pelos profetas.
“Sorria: você está sendo filmado”. E grampeado. E gravado. E seguido. E monitorado. E censurado. E perseguido. E, se não se sujeitar, punido.
O célebre romance distópico “1984“, do escritor britânico George Orwell, publicado em 1949, conta a história de uma tirania de alcance monstruoso, com onipresente vigilância governamental sobre todos os habitantes de um superestado submetido a um regime totalitário controlado pela elite do Partido Interno, que persegue a individualidade e a liberdade de expressão como “crime de pensamento”. O líder do Partido é chamado de Grande Irmão (“Big Brother“, em inglês): embora receba um culto doentio à personalidade, ele talvez nem exista, sendo apenas uma fachada por trás da qual está a elite que comanda o mundo com implacável controle de tudo e de todos. O Partido chefiado por essa elite não está interessado no bem dos outros, mas apenas e unicamente no próprio poder.
Têm sido cada vez mais frequentes as comparações entre este cenário distópico e a China real da nossa época, governada com igual mão de ferro pelo Partido Comunista Chinês, personificado num “Grande Irmão” amplamente cultuado à força de onipresente propaganda: o presidente vitalício Xi Jinping.
Na China de hoje, milhares (ou milhões) de câmeras de vigilância integradas a software de reconhecimento facial já conseguem identificar em milissegundos uma vasta parcela da população, registrando detalhadamente e em tempo real a locomoção e o comportamento dos cidadãos nos espaços públicos.
Os dados captados pelas câmeras são cruzados com centenas de informações pessoais registradas por uma fabulosa quantidade de outras fontes, que podem ir da conta bancária às catracas eletrônicas do transporte público, do prontuário médico aos registros acadêmicos, dos controles de performance profissional aos pagamentos de quaisquer compras em quaisquer estabelecimentos, passando, obviamente, pela infinidade de dados gerados pelo uso de smartphones: histórico de geolocalização, aplicativos instalados, registro de atividades, fotos e vídeos, lista de contatos e tipo de relação com cada um deles, mensagens enviadas e recebidas, conversas telefônicas mantidas com quem quer que seja, dados pessoais, familiares e profissionais…
Junto com tudo isso, toda a atividade nas redes sociais permitidas no país é varrida em pormenores pela vigilância do regime, que monitora com zelo particular as críticas ao sistema.
Essa gama extraordinária de informações pessoais se transforma em arma de imponderável poder de controle nas mãos do Partido Comunista Chinês.
O sistema de “crédito social”
De fato, o regime de Pequim já implantou na China um sistema de “crédito social” pelo qual os deslizes de qualquer indivíduo vão sendo “descontados” do seu “saldo”, de modo que, conforme a sua “qualificação” comportamental, um cidadão pode ser punido com multas, restrições a promoções no trabalho, negações de autorização de viagens, prisão e até obscuros “desaparecimentos repentinos”.
Uma apresentação impactante deste cenário pode ser conferida no documentário “The World According To Xi Jinping” (“O mundo segundo Xi Jinping“), produzido em 2019 por Arnaud Xainte, realizado por Louise Muller e com versão em português exibida pela RTP (Rádio e Televisão de Portugal). O documentário, que dura pouco mais de 50 minutos, pode ser encontrado em vários canais do YouTube.
42% dos respondentes à enquete matariam um bebê inocente para punir um adulto criminoso que ele não necessariamente precisaria tornar-se.
Filmes e séries televisivas sobre viagens no tempo têm feito sucesso há décadas.
No final do século passado, as franquias “De Volta para o Futuro” e “O Exterminador do Futuro” garantiram vaga em muitas listas de clássicos da ficção científica.
A partir de 2005, “Lost” hipnotizou uma legião de espectadores com os entrecruzamentos de diversas espirais de tempo que permitiam que a mesma pessoa se mantivesse no presente da sua própria cronologia de vida e, simultaneamente, no passado de outra linha do tempo paralela, o que, em tese, permitiria que ela interferisse em eventos ocorridos muito tempo antes para tentar impedir as suas consequências.
Pelo menos foi com essa ideia que o protagonista retornou de 2007 a 1977 para tentar explodir a ilha na qual seu avião tinha caído em 2004: se a ilha não existisse mais, avião nenhum poderia cair nela.
Já a série espanhola “O Ministério do Tempo“, que estreou em 2015, propôs a abordagem oposta: os funcionários de um departamento ultrassecreto do governo da Espanha viajariam ao passado para impedir que outros viajantes do tempo alterassem a História tal como a conhecemos.
De 2017 a 2020, foi a vez da alemã “Dark” fazer barulho mundo afora com as suas viagens pelo tempo que se transformaram em sufocantes aprisionamentos em realidades alternativas com estética de pesadelos: assim como em “Lost”, os personagens queriam modificar acontecimentos do passado para tentar apagar as suas derivações futuras, mas, ao intervirem no que já tinha ocorrido e não era mais modificável de fato, acabavam dando início a ramificações cronológicas paralelas, com desdobramentos que apenas colocariam em novos contextos a ocorrência de tragédias iguais ou semelhantes às que tentavam impedir.
A visão de mundo marcadamente schoppenhaueriana-nietzschiana-hermética apresentada pelos roteiristas de “Dark”, aliás, considera impossível fugir do eterno retorno do sofrimento, porque “é assim que o mundo foi criado”. Para essa visão reducionista, a única forma de “resolver” completamente a dimensão dolorosa da própria existência é nem sequer existir. Um pessimismo existencial tão extremo leva diversos personagens a matar ou matar-se como se não houvesse nenhuma alternativa, e se revela, no fim das contas, a verdadeira e obscura essência da série, mais do que as licenças poéticas cientificistas que lhe deram um suposto ar de sofisticação acadêmica.
Não à toa, o título é “Dark” em vez de “Zeit” ou qualquer outro termo genérico ligado ao tempo, seu alegado tema principal. O mundo irreal de “Dark” está preso nos meandros tenebrosos de uma ideia doentia e, felizmente, mentirosa: a de que a vida gira sem sentido em torno ou dentro de uma caverna escura, da qual não existem saídas luminosas.
De “Dark” a Hitler
Continuemos nesse universo fatalista alemão, mas passando de seus filósofos pessimistas e da sua série sombria para um exercício de teoria moral: imagine que, assim como os personagens de “Dark”, você pudesse viajar ao passado e encontrar Adolf Hitler quando ele ainda era bebê.
Você já sabe que, quando crescesse, aquele bebê se tornaria um dos monstros mais insanos e cruéis de todos os tempos, responsável pela tortura e pelo extermínio de milhões de pessoas na pior de todas as guerras já causadas em toda a história da humanidade.
Você teria, diante dos seus olhos e ao alcance das suas mãos, a chance de tentar impedir uma das mais devastadoras ondas de sofrimento e destruição que já varreram a nossa história.
Você mataria aquele bebê?
Esta foi a crua e controversa pergunta colocada pelo New York Times (NYT) aos leitores da sua seção Magazine em outubro de 2015, bem antes das emaranhadas idas e vindas de “Dark”, mas no embalo de um artificial frenesi gerado na época pelo fato de que era justamente aquele o “mês do futuro” para o qual haviam viajado os protagonistas de “De Volta para o Futuro 2“.
Pelo resultado da enquete, veiculado via rede social pela publicação norte-americana, 42% dos leitores responderam que matariam, sim, aquele garotinho. 30% disseram que não o matariam e 28% não souberam dizer o que fariam.
Predestinação versus livre arbítrio
Pesquisas via internet, em geral, têm rigor científico discutível, mas essa enquete dá indício de que bastante gente parece assumir como válida a incidência da “predestinação” nos rumos de uma vida: de acordo com essa perspectiva, o indivíduo estaria “condenado” a se tornar alguém pré-definido irremediavelmente por um roteiro ineludível, como se não tivesse livre arbítrio e como se nada pudesse alterar a sua trajetória – exceto, talvez, a solução radical da sua eliminação da existência.
É uma concepção do ser humano que ignora a sua liberdade de escolhas, e, portanto, a sua capacidade de agir bem ou mal com base nas próprias decisões conscientes e no exercício imputável da própria vontade, e não num cego destino escrito por alguma inteligência etérea e nebulosa, como a que teria traçado as tragédias de Laio, Jocasta e Édipo (ou obrigado o próprio Sófocles a concebê-las e levá-las ao teatro).
A própria pergunta colocada pelo NYT contém em certo grau essa pré-concepção fatalista, e não só esta: contém ainda a pré-concepção de que matar o bebê Hitler extinguiria de antemão não só os atos do Hitler adulto, mas também as suas consequências. Mesmo “Dark” e “Lost” sugerem, porém, que as ramificações derivadas de uma teórica “alteração do passado” podem muito bem não impedir tragédias do presente ou do futuro.
No caso de Hitler, o seu eventual assassinato quando bebê não seria garantia de que a humanidade, por outras vias caprichosas da história, não viesse a provocar em outros contextos e com outros agentes a Segunda Guerra Mundial e todas as aberrações derivadas dela durante e depois. Mudar uma variável pode mudar a conta, mas não necessariamente os seus resultados negativos.
O agir e o ser
Esta reflexão, além do mais, é apenas uma parte do que merece ser discutido a partir da provocação da enquete do NYT: em vez de nos atermos às potenciais alternativas ao “agir” de Hitler, é significativo pensar também nas potenciais alternativas ao “ser” de Hitler.
Acaso ele precisava tornar-se o monstro que veio a ser, ou poderia ter escolhido ser um homem bom e justo? Esta pergunta leva espontaneamente a outra: a única forma de agir na sua infância para impedir que ele se tornasse um monstro precisaria ser o infanticídio?
42% dos respondentes à enquete do NYT matariam um bebê inocente para punir um adulto criminoso que ele não necessariamente precisaria tornar-se. Isto revela uma preocupante e sombria propensão de um número considerável de pessoas a enxergarem “pré-programações” absolutas na índole do ser humano, interpretado neste caso como a versão completa do “lobo do homem” descrito por Thomas Hobbes a partir da expressão dramatúrgica de Plauto.
O ser humano reduzido a um recorte de dados
O cenário se torna ainda mais preocupante quando sabemos que a nossa época nos acostumou a indexar a todos com base em dados indicadores e alegadamente preditivos de virtualmente tudo o que um indivíduo terá, dirá, fará ou será em decorrência de um determinado recorte de dados – ao mesmo tempo em que, paradoxalmente, influenciados por correntes ideológicas que misturam na mesma salada umas pitadas de mecânica quântica e outras de ética teórica, dizemos crer que tudo é relativo e que nem sequer existe a objetividade, mas somente perspectivas e narrativas.
Só esta contradição, entre as muitas em que transitamos fingindo não notar, já escancara que vivemos de fato em “realidades paralelas”, desdizendo-nos despudoradamente conforme as conveniências momentâneas: por um lado, pontificamos de modo bastante cego as previsões computacionais que avalizamos porque são “fundamentadas em fatos”; ao mesmo tempo, mas num incoerente universo paralelo, negamos a premissa básica da própria previsibilidade, que é o fato de existirem os fatos, já que reiterativamente pregamos a narrativa de que só existem narrativas (ou hermenêuticas, quando queremos ser adicionalmente pedantes).
Milhares de empresas, alheias a esta salada de contradições (e hipocrisias), pagam milhões de dólares por “inteligência” a nosso respeito – e, com base nessa “inteligência”, nos catalogam como “bons” ou “maus” e se arrogam o arbítrio de predestinar-nos conforme parâmetros econômicos, políticos e ideológicos focados em interesses que pouco provavelmente serão os nossos.
Se isto em si mesmo já é grave o suficiente para merecer reflexões (e ações) bastante sérias, é ainda mais grave constatar que, quando os “metadados” indicam que algo ou alguém é ou será “mau” a partir de um ponto de vista relativo, mas absolutizado, uma notável parcela das pessoas aceita essa catalogação com muito pouco senso crítico: 42%, no caso da brincadeira de “eugenia bem intencionada” da New York Times Magazine – uma abjeta contradição, aliás, não apenas em termos.
Objeção 1 – Parece que o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo porque a causa precede o efeito pois a Paixão de Cristo opera nos Sacramentos da Nova Lei. Mas a Paixão de Cristo precede a instituição dos Sacramentos na Nova Lei, especialmente o Sacramento do Batismo, uma vez que o Apóstolo disse (Rm 6,3): “Todo aquele que for batizado em Jesus Cristo será batizado em Sua morte…”
Objeção 2 – É fato que os Sacramentos na Nova Lei tem sua eficácia proveniente das ordens de Cristo, mas Cristo deu aos discípulos a ordem do Batismo, depois de Sua Paixão e Ressurreição, quando Ele disse: “Vão, ensinem a todos os povos, batizando-os em nome do Pai…” (Mt 28,19). Assim sendo, o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo.
Objeção 3 – Assim o Batismo é um Sacramento necessário como declarado acima (65,4) porque aparentemente ele precisa ser obrigatório à pessoa como foi instituído. Mas antes da Paixão de Cristo, as pessoas não eram obrigadas a ser batizadas pois pela Circuncisão adquiriam a força, porém a Circuncisão foi suplantada pelo Batismo. Consequentemente o Batismo foi instituído antes da Paixão de Cristo.
Ao contrário, Santo Agostinho disse em um sermão na Epifania (Apd. Serm., CLXXXV): “Tão logo Cristo foi mergulhado nas águas, as águas lavaram os pecados de todos”, mas isto ocorreu antes da Paixão de Cristo, então, parece que o batismo foi instituído antes da Paixão.
Eu respondo que: como foi estabelecido acima (62,1), os sacramentos possuem de sua instituição a força da graça conferida. Todavia parece que um Sacramento é apenas instituído quando ele recebe o poder de produzir seu efeito. Então, o Batismo recebeu seu poder quando Cristo foi batizado, e consequentemente o Batismo foi realmente instituído nessa ocasião, se o considerarmos como Sacramento. Todavia, a obrigação de receber este sacramento foi proclamada ao gênero humano depois da paixão, morte e ressurreição.
Primeiro porque a Paixão de Cristo colocou um fim nos sacramentos figurativos que foram suplantados pelo Batismo e os outros Sacramentos da Nova Lei.
Segundo porque o Batismo das pessoas é “adaptado” à Paixão e Ressurreição de Cristo, então, a pessoa morre para o pecado e começa uma vida nova com honradez. Consequentemente ele levou Cristo ao sofrimento e à ressurreição, antes proclamando às pessoas sua obrigação de adaptarem-se à idéia da Morte de Cristo e de sua Ressurreição.
Réplica à Objeção 1: Entretanto, antes da Paixão de Cristo, o Batismo foi prenunciado, mas obteve sua eficácia dessa Paixão, e não da mesma maneira que os sacramentos da Velha Lei, pois esses eram meros figurativos enquanto o Batismo obtém o poder da justificação do Próprio Cristo, a cujo poder a própria Paixão deve sua virtude salvadora.
Réplica à Objeção 2: Nunca foi mencionado por Cristo, que as pessoas precisam ficar restritas a determinados preceitos, mas Ele veio cumprir e trocar os preceitos por Sua verdade. Porém, antes de Sua paixão, Ele não tornou o Batismo obrigatório tão rapidamente como havia sido instituído, mas desejou que as pessoas fossem acostumadas ao seu uso, especialmente visando os Judeus, para os quais todas as coisas eram figurativas, como diz Santo Agostinho (contra Faust. IV), mas depois de Sua Paixão e Ressurreição Ele tornou obrigatório o Batismo, não somente aos Judeus, mas também aso Gentios, em relação a quem Ele deu a ordem a seus discípulos “Vão, ensinem a todos os povos e os batizem” (Mt 28,19).
Réplica à Objeção 3: Os Sacramentos não são obrigatórios, com exceção de quando nós somos forçados a recebê-los, e isto não era assim antes da Paixão, como ficou explicado acima. Pelas palavras de nosso Senhor a Nicodemos (Jo 3,5): “Se as pessoas não nascerem novamente pela água e pelo Espírito Santo, não poderão entrar no Reino de Deus”, e isso se refere ao futuro tanto quanto ao presente.