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terça-feira, 18 de agosto de 2020

Questões sobre o Batismo (Parte 2/12): Teria sido o Batismo instituído depois da Paixão de Cristo?

Apologética
Veritatis Splendor
 
  • Autor: São Tomás de Aquino
  • Fonte: Suma Teológica, Parte III, Questão 66
  • Tradução: Dercio Antonio Paganini

Objeção 1 – Parece que o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo porque a causa precede o efeito pois a Paixão de Cristo opera nos Sacramentos da Nova Lei. Mas a Paixão de Cristo precede a instituição dos Sacramentos na Nova Lei, especialmente o Sacramento do Batismo, uma vez que o Apóstolo disse (Rm 6,3): “Todo aquele que for batizado em Jesus Cristo será batizado em Sua morte…”

Objeção 2 – É fato que os Sacramentos na Nova Lei tem sua eficácia proveniente das ordens de Cristo, mas Cristo deu aos discípulos a ordem do Batismo, depois de Sua Paixão e Ressurreição, quando Ele disse: “Vão, ensinem a todos os povos, batizando-os em nome do Pai…” (Mt 28,19). Assim sendo, o Batismo foi instituído depois da Paixão de Cristo.

Objeção 3 – Assim o Batismo é um Sacramento necessário como declarado acima (65,4) porque aparentemente ele precisa ser obrigatório à pessoa como foi instituído. Mas antes da Paixão de Cristo, as pessoas não eram obrigadas a ser batizadas pois pela Circuncisão adquiriam a força, porém a Circuncisão foi suplantada pelo Batismo. Consequentemente o Batismo foi instituído antes da Paixão de Cristo.

Ao contrário, Santo Agostinho disse em um sermão na Epifania (Apd. Serm., CLXXXV): “Tão logo Cristo foi mergulhado nas águas, as águas lavaram os pecados de todos”, mas isto ocorreu antes da Paixão de Cristo, então, parece que o batismo foi instituído antes da Paixão.

Eu respondo que: como foi estabelecido acima (62,1), os sacramentos possuem de sua instituição a força da graça conferida. Todavia parece que um Sacramento é apenas instituído quando ele recebe o poder de produzir seu efeito. Então, o Batismo recebeu seu poder quando Cristo foi batizado, e consequentemente o Batismo foi realmente instituído nessa ocasião, se o considerarmos como Sacramento. Todavia, a obrigação de receber este sacramento foi proclamada ao gênero humano depois da paixão, morte e ressurreição.

Primeiro porque a Paixão de Cristo colocou um fim nos sacramentos figurativos que foram suplantados pelo Batismo e os outros Sacramentos da Nova Lei.

Segundo porque o Batismo das pessoas é “adaptado” à Paixão e Ressurreição de Cristo, então, a pessoa morre para o pecado e começa uma vida nova com honradez. Consequentemente ele levou Cristo ao sofrimento e à ressurreição, antes proclamando às pessoas sua obrigação de adaptarem-se à idéia da Morte de Cristo e de sua Ressurreição.

Réplica à Objeção 1: Entretanto, antes da Paixão de Cristo, o Batismo foi prenunciado, mas obteve sua eficácia dessa Paixão, e não da mesma maneira que os sacramentos da Velha Lei, pois esses eram meros figurativos enquanto o Batismo obtém o poder da justificação do Próprio Cristo, a cujo poder a própria Paixão deve sua virtude salvadora.

Réplica à Objeção 2: Nunca foi mencionado por Cristo, que as pessoas precisam ficar restritas a determinados preceitos, mas Ele veio cumprir e trocar os preceitos por Sua verdade. Porém, antes de Sua paixão, Ele não tornou o Batismo obrigatório tão rapidamente como havia sido instituído, mas desejou que as pessoas fossem acostumadas ao seu uso, especialmente visando os Judeus, para os quais todas as coisas eram figurativas, como diz Santo Agostinho (contra Faust. IV), mas depois de Sua Paixão e Ressurreição Ele tornou obrigatório o Batismo, não somente aos Judeus, mas também aso Gentios, em relação a quem Ele deu a ordem a seus discípulos “Vão, ensinem a todos os povos e os batizem” (Mt 28,19).

Réplica à Objeção 3: Os Sacramentos não são obrigatórios, com exceção de quando nós somos forçados a recebê-los, e isto não era assim antes da Paixão, como ficou explicado acima. Pelas palavras de nosso Senhor a Nicodemos (Jo 3,5): “Se as pessoas não nascerem novamente pela água e pelo Espírito Santo, não poderão entrar no Reino de Deus”, e isso se refere ao futuro tanto quanto ao presente.

Veritatis Splendor

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF