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sábado, 14 de fevereiro de 2026

Mensagem em uma garrafa revela como um Servo de Deus morreu

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Daniel R. Esparza - publicado em 13/02/26

Durante o trabalho de restauração perto de Madri, um documento oculto relata a exumação de 1947 de um padre morto nos primeiros dias da Guerra Civil Espanhola.

Quase 90 anos após a eclosão da Guerra Civil Espanhola, uma descoberta dentro de uma pequena igreja paroquial perto de Madri reabriu um capítulo doloroso que muitos acreditavam estar totalmente documentado. Durante o recente trabalho de restauração em Santa María del Castillo, em Campo Real, os trabalhadores descobriram uma garrafa de vidro escondida ao lado de um túmulo. Dentro estava um documento dobrado — um registro oficial detalhando o assassinato de um padre católico nos primeiros dias caóticos da guerra.

A descoberta foi relatada pela primeira vez pelo jornalista espanhol José Melero Campos no COPE, a rede de rádio católica da Espanha, e mais tarde confirmada pelas autoridades diocesanas. Como Melero Campos observa, é um lembrete impressionante de quantos testemunhos pessoais da Guerra Civil permanecem literalmente enterrados.

Para leitores fora da Espanha, o contexto é essencial. A Guerra Civil Espanhola (1936-1939) não foi apenas uma luta entre visões políticas rivais da nação. Também desencadeou uma intensa onda de perseguição religiosa em zonas controladas pelos republicanos. Grupos seculares e marxistas radicais associaram a Igreja Católica à antiga ordem social da Espanha. No colapso da lei que se seguiu à revolta militar fracassada de julho de 1936, padres, irmãs religiosas e católicos leigos foram presos, expulsos ou sumariamente executados. O culto público foi proibido em muitas regiões, e milhares de igrejas -- e as relíquias e obras de arte que elas continham -- foram saqueadas, queimadas ou destruídas.

Mártires aos milhares

Milhares dos mortos na Guerra Civil da Espanha já foram reconhecidos como mártires e beatificados. Milhares mais estão no processo.
Os martírios eram muitas vezes horríveis, com histórias como a do Pe. Rodríguez sendo apenas um dos muitos.
João Paulo II, Bento XVI, Francisco e Leão reconheceram os martírios de grupos inteiros de fiéis.

Campo Real, uma cidade agrícola a sudeste de Madri, ficou sob controle republicano naquelas primeiras semanas. Seu pároco, Valentín Rodríguez Cañas, foi baleado em 29 de julho de 1936. Ele tinha 36 anos. Hoje, a Igreja Católica o reconhece como um Servo de Deus, o primeiro passo para uma possível canonização.

A garrafa descoberta durante a reforma da paróquia havia sido colocada ao lado de seu túmulo em 1947. De acordo com o documento interno — agora sendo estudado por um arqueólogo no Palácio Arquiepiscopal de Alcalá de Henares — registra a exumação formal e a identificação dos restos mortais do Padre Rodríguez mais de uma década após sua morte.

Como Melero Campos relata, o texto é preciso e arrepiante em sua contenção. Lista as testemunhas presentes no cemitério: padres, o juiz municipal, o secretário da cidade, um farmacêutico e o coveiro. Quando o túmulo foi aberto, o documento observa que distúrbios anteriores haviam deslocado alguns ossos. Mesmo assim, restos identificáveis foram encontrados, incluindo partes do crânio, costelas, fragmentos de roupas - e balas e pellets das armas que o mataram.

Em 20 de junho de 1947, os restos mortais foram levados em procissão do cemitério municipal para a igreja paroquial. Seguiu-se uma missa fúnebre solene, com a presença de autoridades civis e uma grande multidão. Só então o padre recebeu o enterro dentro da igreja que ele já serviu.

Em um país onde a memória da Guerra Civil ainda alimenta a tensão política, o documento evita a retórica. Ele simplesmente registra o que aconteceu, quem estava lá e como uma comunidade recuperou seus mortos.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF