Prof. Felipe Aquino - publicado
em 14/04/16 - atualizado em 02/04/26
Veja que lição podemos tirar dessa passagem para a nossa
vida….
Após a Ressurreição, Jesus confirmou Pedro como o Pastor
universal de todo o Seu Rebanho, a Igreja. Conta o evangelista São João que:
“Tendo eles comido, Jesus perguntou a Simão Pedro: “Simão, filho de João,
amas-me mais do que estes? “Respondeu ele: “Sim, Senhor, Tu sabes que te amo”.
Disse-lhe Jesus. “Apascenta os meus cordeiros” (Jo 21, 15-17)”.
Além da negação...
Por três vezes o Senhor repetiu esta pergunta a Pedro, e por
três vezes lhe disse: “Apascenta as minha ovelhas”. A nenhum outro Apóstolo
isto foi dito.
Alguns Padres da Igreja viram nesta tríplice confirmação de
Pedro como “Pastor do rebanho”, como que uma maneira de apagar aquelas três
vezes que Pedro negou tristemente o Senhor dizendo: “Não conheço este homem”
(Jo 18,17.25-27, Mt 26,70-75). Mas, por outro lado, essa repetição tríplice era
também a forma solene que o hebreu usava na confirmação de uma missão. Ali,
Cristo dava a Pedro uma missão especial, chefiar na Terra o Rebanho “que Ele
conquistou com o seu Sangue” (At 20,28). Ali Jesus instituía o Primado de
Pedro, o “múnus petrino”, a missão do Papa de confirmar a fé dos cristãos.
É importante notar que, mesmo após Pedro ter negado Jesus,
por três vezes, ainda assim o Senhor não tirou dele a chefia do Seu rebanho,
pois já o tinha escolhido para isso desde que André, seu irmão, o apresentou
pela primeira vez: “Tu és Simão, filho de João, serás chamado Kefas”, que quer
dizer Pedra” (Jo 1,40). Na Bíblia, quando Deus muda o nome de alguém, é para
lhe dar uma missão sagrada.
Sempre me impressionou muito o fato de Jesus manter Pedro na
chefia da Igreja, mesmo depois deste vexame de traí-lo três vezes, no momento
em que Jesus mais precisou dele. Por que Ele não colocou João na chefia da
Igreja, se João foi o único que ficou ali aos pés de sua cruz com as mulheres?
Talvez João não fosse o líder necessário.
Isto mostra como é bom o Coração de Jesus, como é diferente
de nós. Certamente qualquer um de nós diria a Pedro: “Não te quero mais, você
me traiu…”. Mas Jesus é diferente, Ele conhece cada alma humana e sabe que a
carne é fraca. Mesmo diante de nosso pecado Ele não nos abandona, não nos anula
e não nos rejeita. Seu amor por nós é irrevogável. Ele compreende a nossa
miséria. São João Paulo II disse que “seremos julgados por um Deus que tem um
coração humano”. Deus confia em nós sem sequelas, ou seja, Ele confia em nós e
não fica olhando para o que passou. Isto é um grande consolo para mim diante de
minha miséria. Ele sabe que não sou um “super-homem”, que eu luto para superar
as minhas falhas com a Sua indispensável graça. Penso que diante disso tudo,
também devemos tomar uma atitude de fé: não podemos ficar só olhando para a
nossa miséria, precisamos entregá-la a Jesus.
Jesus deixou Pedro cair vergonhosamente porque precisava
tirar o orgulho e a arrogância do coração do seu Apóstolo, e esse foi o meio.
Como sabemos disso? São Lucas diz que na noite de Quinta-feira santa, a noite
da traição, Jesus orou por Pedro. “Simão, Simão, eis que Satanás vos reclamou
para vos peneirar como o trigo, mas eu roguei por ti, para que a tua confiança
não desfaleça; e tu, por tua vez, confirma os teus irmãos” (Lc 22,31). Jesus
sabia que Pedro seria tentado fortemente e cairia, mas Jesus rezou por ele,
para que ele não se desesperasse como Judas. Por isso ele teve a graça de
chorar copiosamente seu pecado e ser perdoado pelo Mestre.
“Digo-te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três
vezes hajas negado que me conheces” (v. 34).
Quando Jesus começou a dizer aos Apóstolos que naquela noite
ele seria traído, Pedro retrucou orgulhosamente: “Senhor, estou pronto a ir
contigo até a prisão e a morte” (Lc 22,33). Ao que Jesus lhe respondeu:
“Digo-te Pedro, que não cantará hoje o galo, até que três vezes hajas negado
que me conheces” (v. 34). E aconteceu a negação tríplice de Pedro. Diz São
Lucas que na casa de Caifás, “voltando-se o Senhor, olhou para Pedro. Então
Pedro se lembrou da palavra do Senhor: “hoje, antes que o galo cante, negar-me-às
três vezes. Saiu dali e chorou amargamente” (Lc 22, 61-62). Bastou o olhar de
Jesus para Pedro!…
Sem duvida esta humilhação de Pedro diante do seu pecado,
do seu vexame, curou o seu orgulho e o preparou para ser um digno “humilde
servo do Senhor”, como disse Bento XVI ao ser eleito Papa. Sem a humildade não
podemos servir a Deus como Ele deseja, pois Jesus disse que “Sem Mim nada
podeis fazer” (Jo 15,5); e o orgulho nos impede de fazer tudo com Jesus, nos
faz esquecer Dele e passamos a agir por nossa conta apenas.
Assim, Jesus quebrou a prepotência de Pedro e o preparou
para a grande missão. Ele sabe fazer de nossas fraquezas e quedas, um meio de
fazer em nós as correções necessárias. Vi isso muitas vezes na minha vida, e
ainda vejo, graças a Deus. A Carta aos hebreus diz que “o Senhor corrige a quem
ama e castiga todo aquele que reconhece por seu filho. Estais sendo provados
para a vossa correção: é Deus que vos trata como filhos… para nos comunicar a
Sua santidade” (Heb 12,6-10).
Nossos pecados são como adubo que Deus sabe usar para fazer
crescer em nós as virtudes, de modo especial a humildade. Todos os que exercem
uma liderança na Igreja, seja bispo, padre, diácono, leigo ou religioso,
precisa refletir muito sobre isso. Às vezes somos autossuficientes e
massacramos os outros sem perceber, como se nunca tivéssemos caído. Todos os
santos aprenderam a humildade, e nós aprenderemos também como os Apóstolos
aprenderam. Eles venceram e nós podemos vencer também. Todos nós carregamos um pouco
dos Apóstolos em nós. Deixemos que o Senhor nos corrija; não desanimemos.
(via Felipe Aquino)

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