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sexta-feira, 12 de maio de 2023

O ser humano a partir dos Padres da Igreja no século IV

"Homem e mulher feitos à imagem e semelhança de Deus são chamados a vivê-los no mundo, através de obras boas para com Deus e para com o próximo"

"O homem e a mulher foram criados por Deus em vista do bem, da paz e do amor. Pela entrada do pecado e da morte, Deus enviou o seu Filho para reconciliar o mundo e os seres humanos com o Criador. Todas as pessoas são chamadas a viver os dons divinos para que Deus Uno e Trino seja glorificado pelas boas ações humanas em favor de todas as pessoas, à sua imagem e semelhança (Gn 1,26)."

por Dom Vital Corbellini, Bispo de Marabá (PA)

O dado bíblico coloca que o ser humano foi criado por Deus à sua imagem e à sua semelhança (Gn 1,26). O Senhor concedeu muitos dons para que ele vivesse bem na paz e no amor juntamente com as outras criaturas. No entanto o homem e mulher pecaram dando origem a outros males que se espalharam pelo mundo afora. Sendo Jesus, Salvador e Libertador veio ao mundo, não para condenar o mundo, mas para salvá-lo (Jo 10,10). É muito importante analisar como os padres da Igreja, a partir do século IV perceberam o ser humano, com os dons divinos dados e a missão salvadora de Jesus neste mundo. Somos chamados pelos sacramentos da iniciação à vida cristã para preservar sempre mais os dons divinos concedidos ao homem e a mulher, lutando pela justiça, pela paz e pelo amor.

 A criação do gênero humano

 Santo Atanásio, bispo de Alexandria no século IV disse que o Deus Criador, soberano do Universo, criou o gênero humano à sua imagem através de Jesus Cristo, o seu Filho, o Lógos, o Salvador. Pela semelhança com Ele, tomou o ser humano ato para contemplar e a conhecer a natureza dando-lhe noção e conhecimento da própria eternidade, para que assim ele não se afastasse mais de voltar o pensamento a Deus, nem renunciasse de viver a vocação à santidade de modo a ter uma vida unida à divindade verdadeira pela vida imortal de serenidade e de bem-aventurança[1].

Ainda Santo Atanásio disse que o ser humano pecou, afastando-se do seu Criador, de modo que o Verbo de Deus assumiu o corpo humano para redimi-lo do pecado e da morte. Ele o elevou de sua condição mortal para o ser a Ele semelhante, do Verbo de Deus, para o conhecimento de suas obras e as dos seres humanos[2].

O ser humano foi criado pelo Criador

Santo Atanásio também se defrontou contra os arianos que negavam a natureza divina do Verbo de Deus. O bispo afirmou que o Filho está ao lado do Criador e todos os outros seres e também os humanos são criaturas. O verbo gerar refere-se ao Filho, enquanto verbo fazer refere-se às obras. Desta forma o ser humano no início não foi gerado, mas ele foi feito, formado, pois está escrito que se faça o ser humano (Gn 1,26), de modo que desde o início ele é criatura, feito pelo Deus Criador no seu Filho[3].

A natureza interior do ser humano

Santo Hilário de Poitiers, bispo, no século IV afirmou que enquanto as criaturas foram criadas por Deus nas quais receberam a ordem de existir, porque teve o seu cumprimento no ato mesmo no qual iniciou, o ser humano, porque tem em si uma natureza interior e exterior reciprocamente diferentes, foi constituído por dois elementos em um só ser pois é participante da razão, porque primeiro se disse: façamos o homem a nossa imagem e semelhança (Gn 1,26) e depois em um segundo tempo: E Deus tomou do pó da terra e formou o homem (Gn 2,7). O ser humano foi criado à imagem de Deus e a sua semelhança[4]. Santo Hilário também disse que com a criação da vida humana Deus realizou toda a sua criação de uma forma bonita e excelente. Ele fez o ser humano à sua imagem dando-lhe um elemento terrestre e um elemento divino, pelo seu corpo e sua alma[5].

O Adão primeiro prefigura o Adão celeste

Santo Hilário também afirmou que o primeiro Adão prefigurou o nascimento do Senhor Jesus. Adão significou terra, a carne do corpo humano. Nascido da Virgem Maria por obra do Espírito Santo, o corpo do Senhor, foi percebido como ser humano e divino, de modo que o Adão terrestre é figura do Adão futuro, celeste (Rm 5,14). Eva também foi criada pelo Criador na qual o Senhor deu a Adão um sono profundo e o Senhor fez a mulher de modo que Adão disse que ela era osso de seus ossos, carne de sua carne, porque não serão mais dois mas uma só carne (Gn 2, 23-24)[6].

Criação do ser humano

São Basílio de Cesaréia, bispo no século IV teve presente a Palavra do Senhor, lá no início que disse Deus criou o homem à sua imagem e semelhança (Gn 1,26). A decisão divina contemplou a imagem e a semelhança. O primeiro dom foi dado mediante a criação, o segundo foi dado mediante a livre escolha de modo que na primeira constituição existiu no ser humano o ser feito à imagem de Deus e por livre escolha se realizou nele, a semelhança de Deus. Pela vinda de seu Filho, pela sua reconciliação com o Deus Criador, disse que é para todas as pessoas tornarem-se perfeitas como o Pai celeste é perfeito (Mt 5,48)[7].

Os dons dados mediante o próximo

São Basílio também afirmou que os dons do Senhor dados na criação frutifiquem junto às pessoas. Se de fato a pessoa tornou-se inimiga do mal, se a pessoa esquecer a inimizade do dia anterior, se ela amar o seu próximo, torna-se semelhante a Deus, porque Ele faz surgir o sol sobre os maus e sobre os bons e faz chover sobre justos e injustos (Mt 5,45)[8].

Revestidos de Cristo: homem e mulher

Ainda em São Basílio colocou o dado da bondade divina, porque aquilo que vem de Deus é bondoso para com o pecador, assim também será a pessoa, todo o cristão e a cristã para com o seu irmão e irmã. A pessoa também será semelhante a Deus pela misericórdia para com o próximo. Afinal o que é imagem, a pessoa o possui pelo fato de ser racional, mas a semelhança torna-se assumida pela bondade de Deus para com o ser humano. Quando a pessoa assume sentimentos de compaixão, bondade é em vista do revestimento de Cristo. Através das mesmas ações pelas quais a pessoa assume a compaixão, ela reveste-se de Cristo, porque sendo familiar com o Senhor Jesus a pessoa torna-se familiar com Deus. Assim homem e mulher feitos à imagem e semelhança de Deus são chamados a vivê-los no mundo, através de obras boas para com Deus e para com o próximo[9].

À imagem do Criador

São Gregório de Nissa, bispo no século IV ao ter presente a frase que o ser humano foi criado à imagem e semelhança dele (Gn 1,26) disse que a grandeza dele não está com o mundo criado, mas no ser à imagem da natureza do Criador. Mas como pode o contemporâneo assemelhar-se ao eterno? São Gregório de Nissa respondeu que é em Cristo Jesus que o ser humano, homem e mulher, adquirem esta assimilação. Ao seguir a palavra de São Paulo, quando afirma que em Cristo não tem mais nem homem e nem mulher (Gl 3,28) de modo que a natureza humana possui uma dúplice estrutura, uma assimilada ao divino e a outra com a realidade humana. O bispo teve presentes que Deus não concedeu os bens para o homem e a mulher só pela metade, mas levou-os para todo o bem na sua integridade. Por isso é que Deus criou o homem e a mulher à sua imagem e semelhança (Gn 1, 26)[10].

O homem e a mulher foram criados por Deus em vista do bem, da paz e do amor. Pela entrada do pecado e da morte, Deus enviou o seu Filho para reconciliar o mundo e os seres humanos com o Criador. Todas as pessoas são chamadas a viver os dons divinos para que Deus Uno e Trino seja glorificado pelas boas ações humanas em favor de todas as pessoas, à sua imagem e semelhança (Gn 1,26).

[1] Cfr. Atanasio. Discorso contro i pagani 2. In: L´uomo immagine somigliante di Dio. A cura di Adalbert G. Hamman. Traduzione dei testi di Giovanni Pini. Milano, Edizione Paoline, pgs. 179-180.
[2] Cfr. Idem. L´Incarnazione del Verbo, 43, 3-6. In: Idem, pgs. 180-181.
[3] Cfr. Idem, Contro gli Ariani, 2,59. In:Idem, pgs. 182-183
[4] Cfr. Ilario di Poitiers. Commento ai Salmi, 118, 10. In: Idem, pg.189.
[5] Cfr. Idem, Idem, 129,2,In: Idem, pg. 194.
[6] Cfr. Idem, I misteri, 1, 2-3, In: Idem,pg. 199.
[7] Cfr. Basilio di Cesarea. L´origine dell´uomo, 15-18. In: Idem, pgs 206-209.
[8] Cfr. Idem, In: Idem, pg. 209.
[9] Cfr. Idem, In: Idem, pg. 209-212.
[10] Cfr. Gregorio di Nissa. La creazione dell´uomo 16. In: Idem, pgs. 219-229.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Mitos litúrgicos (15/16)

Basílica de Santo Agostinho em Roma | Presbíteros

Mitos litúrgicos

Mito 30: “A Missa Tridentina é antiquada”

Não é.

A Missa Tridentina é o Rito Romano celebrado na sua forma tradicional, promulgada pelo Papa São Pio V no Concílio de Trento. As diferenças entre a Missa Tridentina e a forma do Rito Romano aprovada pelo Papa Paulo VI NÃO são somente a posição do sacerdote e a língua litúrgica (pois como foi dito acima, também na forma moderna do Rito Romano é lícito celebrar em latim e com o sacerdote e povo voltados na mesma direção). As diferenças vão além: dizem respeito principalmente ao conjunto de ações do sacerdote, dos demais ministros e do povo que participa, bem como às orações previstas no Rito.

Com o Motu Próprio Summorum Pontificum, publicado em 2007, o Santo Padre demonstrou que essas duas formas do Rito Romano não são apenas duas formas válidas e lícitas, mas também duas formas autenticamente católicas de celebrar, e por isso mesmo, não há contradição entre elas. Escreveu o Santo Padre: “Estas duas expressões da lei da oração (lex orandi) da Igreja de maneira nenhuma levam a uma divisão na lei da oração (lex orandi ) da Igreja, pois são dois usos do único Rito Romano.” (Summorum Pontificum) E ainda: “As duas Formas do uso do Rito Romano podem enriquecer-se mutuamente (…) Não existe qualquer contradição entre uma edição e outra do Missale Romanum.” (Carta aos Bispos, que acompanhou o Motu Próprio)

O Santo Padre ainda fez questão de mostrar que a Missa Tridentina NÃO se contrapõe ao Concílio Vaticano II: “”Há o temor de que seja aqui afetada a autoridade do Concílio Vaticano II e que uma das suas decisões essenciais – a reforma litúrgica – seja posta em dúvida. Tal receio não tem fundamento.” (Carta aos Bispos)

O Cardeal Ratzinger, hoje Papa Bento XVI, já havia escrito (em “O Sal da Terra): “A meu ver, devia-se se deixar seguir o rito antigo com muito mais generosidade àqueles que o desejam. Não se compreende o que nele possa ser perigoso ou inaceitável. Uma comunidade põe-se em xeque quando declara como estritamente proibido o que até então tinha tido como o mais sagrado e elevado, e quando considera, por assim dizer, impróprio o desejo desse elemento. Pois em que se poderá acreditar ainda do que ela diz? Não voltará a proibir amanhã o que hoje prescreve? (…) Infelizmente, entre nós, a tolerância de experiências aventureiras é quase ilimitada; contudo, a tolerância a liturgia antiga é praticamente inexistente. Desse modo, está-se certamente no caminho errado.”

Mito 31: “Para celebrar a Missa Tridentina é preciso autorização do Bispo local”

Não precisa, nem o Bispo local pode exigir isso.

Com o Motu Próprio Summorum Pontificum, o Santo Padre Bento XVI liberou universalmente a celebração da Missa Tridentina (antes, ela estava restrita à autorização dos bispos locais).

 Fonte: https://presbiteros.org.br/

O Papa: o desafio da natalidade é uma questão de esperança

O Papa Francisco durante o encontro conclusivo dos Estados Gerais da Natalidade (Vatican News)

Francisco disse em seu discurso, no encontro conclusivo dos Estados Gerais da Natalidade, que "o nascimento dos filhos é o principal indicador para medir a esperança de um povo. Se nascem poucos, significa que há pouca esperança. E isto não só tem repercussões do ponto de vista econômico e social, mas prejudica a confiança no futuro".

Mariangela Jaguraba - Vatican News

O Papa Francisco participou, nesta sexta-feira (12/05), no Auditório da Conciliação, em Roma, do encontro conclusivo da 3ª edição dos Estados Gerais da Natalidade, um evento promovido pelo Fórum das Associações Familiares, dedicado ao destino demográfico da Itália e do mundo, que reúne expoentes da política, das empresas, dos bancos, do esporte, do entretenimento e do jornalismo.

Segundo Francisco, "o nascimento dos filhos é o principal indicador para medir a esperança de um povo. Se nascem poucos, significa que há pouca esperança. E isto não só tem repercussões do ponto de vista econômico e social, mas prejudica a confiança no futuro".

O Papa Francisco durante o encontro conclusivo dos Estados Gerais da Natalidade (Vatican News)

Constituir família está se transformando num esforço titânico

No ano passado, a Itália atingiu o menor número de nascimentos de todos os tempos: apenas 393 mil recém-nascidos.

É um fato que revela grande preocupação com o amanhã. Hoje, colocar filhos no mundo é visto como uma tarefa a ser assumida pela família. Isso, infelizmente, condiciona a mentalidade das novas gerações, que crescem na incerteza, quando não na desilusão e no medo. Vivem num clima social em que constituir família está se transformando num esforço titânico, ao invés de um valor compartilhado que todos reconhecem e apoiam. Sentir-se sozinho e obrigado a confiar exclusivamente nas próprias forças é perigoso: significa desgastar lentamente a vida comum e resignar-se a existências solitárias, nas quais cada um tem que fazer por si. Com a consequência de que apenas os mais ricos podem, graças aos seus recursos, ter maior liberdade para escolher que forma dar à sua vida. E isso é injusto, além de humilhante.

Carreira e maternidade

A seguir, Francisco disse que "talvez nunca como neste tempo, entre guerras, pandemias, deslocamentos em massa e crises climáticas, o futuro pareça incerto. Tudo passa rápido e até as certezas adquiridas passam rápido. Com efeito, a velocidade que nos rodeia aumenta a fragilidade que carregamos dentro de nós. E neste contexto de incerteza e fragilidade, as novas gerações experimentam um sentimento de precariedade, de tal forma que o amanhã parece uma montanha impossível de escalar".

Dificuldade em encontrar trabalho estável, dificuldade em mantê-lo, moradias muito caras, aluguéis altos e salários insuficientes são problemas reais. São problemas que desafiam a política, porque está à vista de todos que o mercado livre, sem as indispensáveis ​​medidas corretivas, torna-se selvagem e produz situações e desigualdades cada vez mais graves. E para descrever o contexto em que nos encontramos, penso numa cultura que não é amiga, senão inimiga, da família, centrada nas necessidades do indivíduo, onde direitos individuais contínuos são reivindicados e os direitos da família não são mencionados. Em particular, existem condicionamentos quase intransponíveis para as mulheres. As mais prejudicadas são elas, mulheres jovens muitas vezes obrigadas a escolher entre carreira e maternidade, ou esmagadas pelo peso de cuidar de suas famílias, principalmente na presença de idosos frágeis e pessoas não autônomas.

O Papa Francisco durante o encontro conclusivo dos Estados Gerais da Natalidade (Vatican News)

Políticas voltadas para o futuro

"São necessárias políticas voltadas para o futuro", frisou o Papa. "É preciso preparar um terreno fértil para florescer uma nova primavera e deixar este inverno demográfico para trás. E, dado que o terreno é comum, a sociedade e o futuro, é preciso enfrentar o problema juntos, sem barreiras ideológicas e posições pré-concebidas. É verdade que, também com a ajuda de vocês, muito foi feito e estou muito grato por isso, mas ainda não é o suficiente. É necessário mudar a mentalidade: a família não é parte do problema, mas parte da solução." E Francisco perguntou: "Há alguém que saiba olhar adiante com a coragem de apostar nas famílias, nas crianças, nos jovens?"

Segundo o Pontífice, "não podemos aceitar que nossa sociedade deixe de ser generativa e se degenere em tristeza. Uma comunidade feliz desenvolve naturalmente o desejo de gerar e integrar, enquanto uma sociedade infeliz se reduz a uma soma de indivíduos que buscam defender a todo custo o que têm".

A esperança gera mudança e melhora o futuro

O Papa, concluiu o seu discurso, destacando a palavra esperança. De acordo com ele, "o desafio da natalidade é uma questão de esperança", mas, "a esperança não é, como muitas vezes se pensa, otimismo, não é um vago sentimento positivo sobre o futuro. Não é ilusão ou emoção. É uma virtude concreta e tem a ver com escolhas concretas. Alimentar a esperança é uma ação social, intelectual, artística, política no mais alto sentido da palavra. É colocar as próprias capacidades e recursos a serviço do bem comum, é semear o futuroA esperança gera mudança e melhora o futuro. A esperança nos chama a buscar soluções que deem forma a uma sociedade à altura do momento histórico que vivemos, um tempo de crises atravessado por tantas injustiças".

Dar novamente impulso à natalidade significa reparar as formas de exclusão social que afetam os jovens e o seu futuro. É um serviço para todos: os filhos não são bens individuais, mas pessoas que contribuem para o crescimento de todos, trazendo riqueza humana e geracional. A vocês que estão aqui para encontrar boas soluções, fruto de seu profissionalismo e de suas competências, eu gostaria de dizer: sintam-se chamados para a grande tarefa de regenerar a esperança, de iniciar processos que deem impulso e vida à Itália, à Europa, ao mundo.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Padroeiro da JMJ Lisboa só tem 3 paróquias no mundo dedicadas a ele: uma é no Brasil

Paróquia São João de Brito, São Paulo, SP / CC

Por Francisco Vêneto

A fascinante trajetória de um homem de saúde frágil, nascido em Portugal e enviado como bravo missionário à Índia, onde foi martirizado.

São João de Brito foi escolhido como padroeiro da JMJ (Jornada Mundial da Juventude) em Lisboa, juntamente com Nossa Senhora, que é a padroeira da JMJ por excelência, São João Paulo II, fundador das JMJs, São João Bosco, patrono da juventude, São Vicente, Santo Antônio de Lisboa e Pádua, São Bartolomeu dos Mártires e os beatos João Fernandes, Joana de Portugal, Maria Clara do Menino Jesus, Marcel Callo, Chiara Badano e Carlo Acutis.

Uma curiosidade a respeito de São João de Brito, padroeiro da JMJ, é o fato de que só existem 3 paróquias em todo o mundo que são dedicadas a ele – e uma delas fica no Brasil.

A história de São João de Brito

Lisboa, 1º de março de 1647: nasce João, filho de Salvador de Brito Pereira e Brites de Portalegre, nobres da corte portuguesa. Seu pai viria a ser nomeado governador do Rio de Janeiro, onde morreria quando João tinha apenas 4 anos de idade. Desde menino, o futuro santo desejava ser missionário em terras distantes, apesar da frágil saúde. Dedicado aos estudos, fez a sua parte e deixou o resto nas mãos da Providência Divina.

Era o tempo das grandes navegações: ele sonhava em ir para a Índia como missionário. Depois de terminar os estudos na Universidade de Coimbra, foi ordenado sacerdote aos 26 anos como jesuíta, e, mesmo com as suas fragilidades de saúde, conseguiu partir para a Índia a fim de pregar a Palavra de Deus.

Iniciou sua missão na Costa do Malabar, uma franja do Sudoeste da Índia com forte presença portuguesa na época. Até hoje, aliás, é a região indiana com a maior presença de cristãos.

Lá vivia entre os nativos com simplicidade, andando descalço como eles e vestindo um simples manto de algodão. Sua maneira de evangelizar foi seguida por muitos outros missionários, inspirados como ele pela máxima de São Paulo: “Fiz-me tudo a todos, a fim de ganhar alguns para Cristo” (I Coríntios 9).

Para se aproximar dos hindus, passou depois a andar com um cajado de bambu, roupão avermelhado e palmilhas de madeira. Adotou até seus costumes alimentares. Jamais, porém, comprometeu a pregação do Evangelho de Jesus. Era assim que São João de Brito conquistava muitos corações e incentivava muitos a abraçarem a fé no Cristo.

Perseguições e martírio

Mas a fé cristã, é claro, se contrapunha a vários princípios hinduístas, em especial à divisão da sociedade em castas entendidas como um destino irreversível, quando o cristianismo prega que todos somos igualmente filhos de Deus e, portanto, irmãos em Cristo. São João de Brito começou a sofrer perseguições cada vez mais brutais, chegando a ser preso e torturado. Mas não desistiu.

A sua missão, que durou 15 anos na Índia, deu muito fruto. Ele ajudou várias comunidades hindus a se converterem a Cristo e se tornarem exemplares na caridade fraterna. Os indianos convertidos se sentiam libertos da sina das castas e felizes ao se reconhecerem como irmãos.

Após os primeiros 15 anos na Índia, São João de Brito voltou a Portugal e lá recebeu um convite aparentemente irrecusável: ser conselheiro do rei Pedro II e tutor de seu filho. Mas o pe. João de Brito recusou a honraria, preferiu ouvir o chamado de seu coração e retornou à Índia.

Ao pisar novamente em solo malabar, porém, ele encontrou um cenário devastador: muitos cristãos tinham sido mortos; suas casas e as igrejas tinham sido saqueadas e incendiadas. Líderes religiosos hinduístas tinham reagido violentamente contra a presença cristã. Não tardou para que o próprio São João de Brito fosse preso e decapitado. Antes de ser executado, São João de Brito conseguiu permissão para orar. Seus membros foram decepados e expostos à multidão. Era o dia 4 de fevereiro de 1693.

3 paróquias no mundo

O Papa Pio XII canonizou em 1947 o missionário mártir português e futuro padroeiro da JMJ de Lisboa, determinando a data de sua morte, como de costume, como a sua festa litúrgica.

Só existem três paróquias em todo o planeta que são dedicadas a São João de Brito: uma em sua terra Natal, Portugal; outra em seu país de missão e martírio, a Índia. E a terceira fica no Brasil, em São Paulo, no bairro do Brooklin, pertencendo à Diocese de Santo Amaro.

Oração a São João de Brito

Senhor, que fortalecestes com invencível constância o mártir São João de Brito para pregar a fé entre os povos da Índia, concedei-nos, por seus méritos e intercessão, que, celebrando a memória do seu triunfo, imitemos os exemplos da sua fé. Por Cristo, nosso Senhor. Amém. São João de Brito, rogai por nós.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Hoje é dia de são Pancrácio, padroeiro dos jovens que procuram trabalho

São Pancrácio \ ACI Digital

REDAÇÃO CENTRAL, 12 Mai. 23 / 10:00 am (ACI).- São Pancrácio era um romano convertido ao cristianismo, que morreu oferecendo sua vida em martírio aos 14 anos.

Ele nasceu na Frígia, uma antiga região da Ásia Menor que cobria a maior parte da península da Anatólia, em 289 d.C. Seu pai era um nobre pagão que morreu quando Pancrácio tinha sete anos de idade. Pancrácio ficou aos cuidados de seu tio Dionísio, com quem foi morar em Roma.

Ambos receberam a mensagem de Cristo graças a um servo cristão e se converteram à fé católica. Uma vez batizados, eles começaram a viver intensamente sua nova vida, participavam da eucaristia e dos sacramentos, compartilharam seus bens materiais com a comunidade eclesial e com aqueles que viviam na pobreza. Eles distribuíram muitas de suas riquezas aos pobres.

Quando o imperador romano Diocleciano decretou a última perseguição contra os cristãos, Pancrácio foi denunciado e levado perante a autoridade imperial. Antes de aparecer, os homens do imperador o avisaram dizendo: “O filho de Cleônio da Frígia tornou-se cristão e está distribuindo suas propriedades entre pessoas vis; além disso, ele blasfema horrivelmente contra nossos deuses”.

Diocleciano mandou chamar Pancrácio e conversou longamente com ele, tentando convencê-lo a renunciar a Jesus Cristo. Não fazendo isso, ele foi condenado à morte.

Chegando ao lugar do martírio, Pancrácio ajoelhou-se, ergueu os olhos e as mãos ao céu, dando graças ao Senhor por ter chegado o momento decisivo. Ele colocou a cabeça na frente do carrasco e com um golpe mortal eles a arrancaram.

O papa Vitaliano enviou suas relíquias de Roma para a Inglaterra como um gesto de generosidade pastoral. Queria que essas terras preservassem o legado espiritual de Pancrácio, a começar pelos relicários nos altares das novas igrejas. Como consequência, santo Agostinho de Canterbury dedicou a ele o primeiro templo da Inglaterra.

São Pancrácio é representado muito jovem, quase uma criança, vestido com a túnica romana ou com trajes militares e com os atributos de um mártir. Ele é considerado o santo dos aflitos pela pobreza.

Fonte: https://www.acidigital.com/

quinta-feira, 11 de maio de 2023

JUBILEU 2025

Logo do Jubileu de 2025 | Vatican News

JUBILEU 2025: SÃO ESPERADAS 35 MILHÕES DE PESSOAS NA SANTA SÉ; ORGANIZADORES LANÇAM SITE E CARTÃO DO PEREGRINO

São esperados pelo menos 32 milhões de peregrinos em Roma para o Jubileu 2025 para celebrar o ano santo animados pelo tema: “peregrinos da Esperança”. A confirmação foi feita pelo pró-prefeito do Dicastério para a Evangelização, dom Rino Fisichella, em coletiva de imprensa nesta semana, dia 9, cujo objetivo foi apresentar a fase de preparação e também detalhes do Ano Jubilar que será aberto em Dezembro de 2024. A data de início com a abertura da Porta Santa da Basílica de São Pedro, bem como a data de encerramento, será divulgada na Bula de Proclamação que será publicada exatamente daqui a um ano, em 9 de maio de 2024.

Dom Fisichella explicou que foi encomendado um estudo à faculdade de Sociologia da Universidade Roma 3, solicitando projeções para o número de peregrinos esperados para o Jubileu. Os dados, já compartilhados com o governo, revelam que a capital italiana deve receber pelo menos 32 milhões de peregrinos. “É claro que, vendo como estava Roma em janeiro e fevereiro deste ano, que normalmente era vazia e agora está transbordando, talvez essas estimativas também possam estar sujeitas a mudanças. Por enquanto, vamos nos ater aos estudos feitos”, disse dom Fisichella.

Fase preparatória entre Santa Sé e Itália

O pró-prefeito do Dicastério, ao se referir a projetos que visam facilitar o acolhimento aos milhões de peregrinos, disse que já há vários meses a Santa Sé e o governo italiano – como a própria região do Lazio e a prefeitura de Roma – vêm promovendo encontros quinzenais para tratar das intervenções na cidade. Um deles aconteceu em 19 de abril, no Palácio Apostólico, inclusive com a participação da primeira-ministra do país, Giorgia Meloni.

As reuniões são para resolver problemas típicos ligados ao acolhimento (como segurança, saúde, transporte e voluntariado, por exemplo), mas também para analisar as obras estruturais necessárias para tornar a cidade mais moderna, inclusiva e sustentável. Dom Fisichella confirmou, assim, que o percurso entre o Castel Sant’Angelo e o início da Via della Conciliazione, que dá acesso à Praça São Pedro e por onde ainda há circulação de veículos, será fechada para criar uma grande área para os pedestres.

As obras devem começar em julho, em trabalhos diários de 24h, com a esperança de que em 8 de dezembro de 2024 as maiores intervenções já estejam concluídas, comentou ele, ao acrescentar: “certamente entendemos as dificuldades que serão enfrentadas pelos cidadãos e turistas, que serão forçados a usar rotas alternativas para se locomover pela cidade, devido à presença dos canteiros de obras”.

Exposições itinerantes de arte em hospitais e cárceres

Uma fase preparatória técnica – igualmente necessária, reforçou dom Fisichella, mas que caminha paralela àquela ligada à celebração do evento jubilar. Por isso a instituição de quatro comissões preparatórias (pastoral, cultural, de comunicação e ecumênica), de um comitê técnico e de comissões de delegados das dioceses italianas e das Conferências Episcopais. O nosso objetivo, disse ele, é que “o peregrino se torne turista, assim como o turista possa ficar fascinado pela experiência de ser peregrino”.

O anúncio, então, da primeira grande exposição que poderá ser conferida gratuitamente de setembro a início de outubro deste ano na Igreja Sant’Agnese in Agone, na Piazza Navona: a mostra do artista espanhol renascentista El Greco. “São obras que nunca deixaram a Espanha e que foram colocadas à disposição justamente para essa circunstância, quase que para dar início oficial às iniciativas culturais”, disse entusiasta dom Fisichella. Manifestações do gênero, acrescentou ele, que na sua maioria serão de acesso gratuito e poderão se tornar itinerantes já que devem sair de igrejas e ir a hospitais e cárceres num verdadeiro movimento para valorizar os “Peregrinos de esperança”, como é o lema do Jubileu 2025, levando a mensagem da esperança a diferentes lugares.

Site, App e Cartão do Peregrino

O novo site do Jubileu 2025 – o www.iubilaeum2025.va foi aberto ao grande público em 9 línguas a partir do dia 10 de maio. A partir de setembro o portal dará a possibilidade de já se fazer a inscrição aos eventos e à peregrinação à Porta Santa, enalteceu o subsecretário do Dicastério, dom Graham Bell, também presente na coletiva de imprensa. Com acesso à página pessoal na Área do Peregrino, vai dar para obter o Cartão do Peregrino, em versão digital, e com dupla função: vai ajudar a administrar os milhões de peregrinos presentes em Roma, além de oferecer serviços com descontos nos setores de transporte, hotéis e restaurantes.

O aplicativo do Jubileu 2025, jovem e ágil, disponível para Android e IOS – o iubilaeum2025, também estará ativo a partir de setembro deste ano, como inclusive os perfis sociais no YouTube, Instagram, Facebook, Twitter e na própria plataforma de vídeos curtos, o TikTok.

Já em 1º de junho será aberto o Centro para Peregrinos na Via della Conciliazione 7, em Roma. No Info Point para o Jubileu, fiéis e turistas poderão pedir informações sobre como participar, como tornar-se voluntário ou sobre como organizar a própria peregrinação em 2025.

Hino oficial do Jubileu 2025

Durante a coletiva de imprensa também foi anunciado o vencedor do concurso internacional para o hino oficial do Jubileu de 2025 entre 270 inscritos provenientes de 38 países: o maestro Francesco Meneghello, da cidade italiana de Mantova. O texto é de Pierangelo Sequeri. Para a ocasião, o coro da Capela Sistina gravou uma prévia para ser divulgada aos presentes.

Dom Fisichella finalizou a apresentação afirmando que “todos nós desejamos que o anúncio de esperança que provém do próximo Jubileu possa ser real, concreto e tangível por meio de tantos sinais de solidariedade que ajudarão a recuperar uma perspectiva mais serena e confiante nas relações pessoais e interpessoais, levando uma contribuição para um mundo mais humano e uma transmissão de geração em geração da tradição viva da nossa fé”.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Hoje a Igreja celebra São Francisco de Jerônimo, missionário jesuíta

São Francisco de Jerônimo | ACI Digital

REDAÇÃO CENTRAL, 11 Mai. 23 / 01:54 pm (ACI).- São Francisco de Jerônimo foi um missionário jesuíta conhecido como "o apóstolo de Nápoles", famoso por seu trabalho em favor da conversão dos pecadores.

Francisco de Jerônimo nasceu em 17 de dezembro de 1642 em Grottaglie, no sul da Itália. Aos 16 anos ingressou no colégio de Tarento, onde permaneceu sob os cuidados da Companhia de Jesus.

No colégio, estudou Humanidades e Filosofia, e teve tanto sucesso em seus estudos que o bispo o enviou a Nápoles para assistir a palestras sobre Teologia Canônica no famoso colégio Gesù Vecchio, que na época rivalizava com as maiores universidades da Europa.

Em 1º de julho de 1670, ingressou no noviciado da Companhia de Jesus. Ao final do primeiro ano de prova, foi enviado como missionário a um lugar próximo ao município italiano de Otranto, onde pôs em prática sua pregação.

Após quatro anos pregando em pequenas cidades e completando seus estudos de teologia, seus superiores o nomearam pregador da igreja Gesù Nuovo em Nápoles.

Ele chegava a visitar cinco aldeias em um único dia, pregando em ruas, praças e igrejas. Pessoas que o conheciam diziam que ele convertia pelo menos 400 pecadores por ano.

Uma de suas obras de caridade regulares era visitar hospitais e prisões. E muitas vezes ia buscar almas perdidas em bares e lugares de perdição. Isso lhe rendeu muitas surras e humilhações, mas não o impediu de insistir no chamado à conversão, sabendo-se um pecador perdoado.

São Francisco morreu aos 74 anos e foi sepultado na Igreja da Companhia de Nápoles. Foi beatificado em 1758 por Bento XIV e canonizado em 1839 pelo papa Gregório XVI.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Causa de beatificação de Marta Obregón

Causa de beatificação de Marta Obregón | neocatechumenaleiter

Na sexta-feira, 5 de maio de 2023, no Dicastério para as Causas dos Santos do Vaticano, teve lugar o ato de Abertura das caixas das Atas do processo diocesano da Causa de beatificação e canonização de Marta Obregón, através do martírio.

Postuladores da Causa de Marta Obregón | neocatechumenaleiter

Foi um ato simples, mas solene, profundo e de grande emoção. Este passo marca a retomada da investigação em profundidade que se realiza nesta segunda fase. Estiveram presentes a nova postuladora da fase romana, a senhora Cristiana Marinelli, o sacerdote postulador da fase diocesana, Padre Saturnino López, e o senhor Carlos Metola, representante da parte autora da Causa (o Caminho Neocatecumenal).

Marta Obregón era uma jovem alegre, com grande vitalidade, que pertencia a uma comunidade da Paróquia de San Martín de Porres de Burgos. Era uma das salmistas de sua comunidade.

Quando tinha 22 anos e fazia o último ano do curso de Jornalismo, “levantou-se” para a evangelização na Convivência de Início de Curso, ou seja, ofereceu-se para ser enviada a qualquer parte do mundo como missionária itinerante. Nos últimos meses de sua vida buscava fazer a vontade de Deus e nas suas “ressonâncias” e “orações” nas celebrações de sua comunidade repetia frequentemente: “Senhor, faça-se”.

Na noite de 21 de janeiro de 1992, foi abordada na entrada de sua casa, raptada e levada brutalmente a um descampado, fora da cidade, para ser violentada pelo seu assassino. Marta defendeu a virtude da castidade de forma heroica até a morte. Recebeu 14 punhaladas (a mesma quantidade que recebeu Santa Maria Goretti), uma delas diretamente no coração, e morreu em 21 de janeiro (festa litúrgica de Santa Inês, virgem e mártir).

Em sua paróquia e em toda a cidade de Burgos, assim como em muitos lugares da Espanha e do mundo, chegou a «fama de santidade e de martírio» desta jovem comunicativa e jovial, que falava abertamente da ação de Deus. Em um escrito de Marta, pouco antes de morrer, escreveu estas palavras profundas de sua vida:

Postuladores da Causa de Marta Obregón | neocatechumenaleiter

“Estou me dando conta de algo: que devo viver o presente, e só assim poderei averiguar o que aconteceu antes, que é tua VONTADE, e sempre O MELHOR para mim de tudo, de TUDO o que o mundo me oferece”.

Agradecemos a Deus este novo passo que a Igreja dá com Marta Obregón e que aumenta nossa esperança. Em um mundo onde a impureza cresce e arruína a obra do Criador, o exemplo de Marta Obregón, com a defesa heroica de sua castidade, converte-se em uma luz para os jóvens e adolescente do século XXI, que, bombardeados pela ideologia de gênero e a banalização do sexo, muitos desconhecem a dignidade do corpo e o valor da virgindade, causando-lhes tantos sofrimentos. Peçamos ao Senhor para que este processo siga adiante com diligência e sirva de exemplo e consolo aos jovens do Caminho Neocatecumenal e de toda a Igreja.

É reativada a causa de beatificação de Marta Obregón – causademarta.net

Fonte: https://neocatechumenaleiter.org/pt-br

Francisco: a missão é o oxigênio da vida cristã

Papa Francisco saúda os membros da Conferência dos Institutos Missionários da Itália  (VATICAN MEDIA Divisione Foto)

Na manhã desta quinta-feira, 11 de maio, o Papa Francisco recebeu membros da CIMI, Conferência dos Institutos Missionários da Itália, e os exortou a não deixar de alimentar sua vida e seu apostolado com a Palavra de Deus, a Eucaristia e a oração.

Ir. Grazielle Rigotti, ascj - Vatican News

A CIMI é a Conferência dos Institutos Missionários da Itália, composta por 14 Institutos, dos quais 6 são femininos e 8 masculinos. A intuição original da CIMI, que remonta há exatos 50 anos, era unir as forças missionárias presentes na Itália com o carisma ad gentes, na diversidade de cada comunidade, para caminhar juntas e fazer crescer na Itália a sensibilidade e a paixão missionária para a proclamação do Evangelho.

“A missão é o oxigênio da vida cristã, que sem ela adoece e murcha.”

Por ocasião do seu cinquentenário, membros da Conferência foram recebidos pelo Papa Francisco em audiência na manhã desta quinta-feira, 11 de maio. E por diversas vezes em seu discurso o Pontífice fez referência a passagens da Exortação Apostólica Evangelii gaudium, sobre o anúncio do Evangelho no mundo atual, para recordá-los o estado permanente de missão da Igreja (n. 25), que é o "oxigênio da vida cristã, que sem ela adoece e murcha, e se torna feia", afirmou.

Francisco em seu discurso também buscou oferecer ânimo e incentivo para os presentes:

"Encorajo-os a seguir em frente com coragem, para que a força do Espírito encontre sempre na Igreja e no mundo mentes e corações desejosos de semear a Palavra e de levar a alegria do Senhor Ressuscitado a todos, derrubando barreiras e favorecendo a construção de uma sociedade fundada nos princípios evangélicos da caridade, da justiça e da paz."

E prosseguiu, sublinhando aspectos que são fundamentais para o estilo missionário, que deve partir, sobretudo, do testemunho da própria vida e ter como base a oração:

“Pois a missão, assim como a comunhão, é, antes de tudo, um mistério da Graça.”

"A missão e a comunhão nascem da oração, são moldadas dia a dia pela escuta da Palavra de Deus - escuta feita em oração - e têm como objetivo final a salvação dos irmãos e irmãs que o Senhor nos confia. Sem esses fundamentos, elas se tornam vazias e acabam sendo reduzidas a uma mera dimensão sociológica ou assistencial. E a Igreja não se interessa pelo assistencialismo... Ajuda sim, mas antes de tudo evangeliza, dá testemunho: se faz assistencialismo, que venha do testemunho, mas não do proselitismo."

Ao final, Francisco fez memória de outra passagem da Evangelii gaudium, onde se recorda que a missão não é um negócio ou um projeto corporativo, nem uma organização humanitária ou de proselitismo, mas "algo muito mais profundo, que escapa a qualquer medida" (n. 279).

"É um convite a gastar-nos com empenho, com criatividade e generosidade, mas sem desanimar se os resultados não corresponderem às expectativas; a dar o melhor de nós mesmos, sem nos pouparmos, mas depois entregando tudo com confiança nas mãos do Pai; a dar tudo de nós, mas deixando a Ele a tarefa de tornar os nossos esforços tão frutuosos quanto Ele quiser."

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Mitos litúrgicos (14/16)

Basílica de Santo Agostinho em Roma | Presbíteros

Mitos litúrgicos

Mito 29: “O que importa é o coração”

Não exclusivamente.

Aos que afirmam que “o que importa é o coração”, vale lembrar que aqui não cabe a aplicação deste princípio, pois isso implicaria colocar-se em contraposição com grandes parte das normas litúrgicas da Santa Igreja, bem como com os diversos sinais e símbolos litúrgicos (paramentos, velas, flores, incenso, gestos do corpo, etc), que partem da necessidade de se manifestar com sinais externos a fé católica a respeito do que acontece no Santo Sacrifício da Missa, bem como manifestar externamente a honra devida a Deus. A atitude interna é fundamental, mas desprezar as atitudes externas é um erro.

A este respeito, escreveu o saudoso Papa João Paulo II: “De modo particular torna-se necessário cultivar, tanto na celebração da Missa como no culto eucarístico fora dela, uma consciência viva da Presença Real de Cristo, tendo o cuidado de testemunhá-la com o tom da voz, os gestos, os movimentos, o comportamento no seu todo. (…) Numa palavra, é necessário que todo o modo de tratar a Eucaristia por parte dos ministros e dos fiéis seja caracterizado por um respeito extremo.” (Mane Nobiscum Domine, 18)

O ser humano é corpo e alma, e faz parte da natureza humana manifestar a disposição interior por meio de gestos (abraçar, dar presente, se vestir bem, arrumar a mesa para uma festa). E a Sagrada Liturgia é perfeitamente compatível com a natureza e as necessidades do ser humano.

É preciso haver um equilíbrio no sentido de que a disposição interna é expressa pelos gestos externos, e os gestos externos, por sua vez, reforçam a disposição interna. É um círculo vicioso.

Os gestos externos sem a disposição interior são um erro (farisaísmo); a disposição interior sem a atenção aos gestos externos também é um erro, pois se contrapõe à elementos fundamentais da Sagrada Liturgia (afinal, somos alma e corpo, não somos o “Gasparzinho”).

Por exemplo: como vamos convencer o mundo que Nosso Senhor Jesus Cristo está verdadeiramente presente no Santíssimo Sacramento, se tratarmos a Hóstia Consagrada como um alimento qualquer?

É preciso frisar aqui a importância do vestir-se com solenidade na Sagrada Liturgia. O Catecismo da Igreja Católica (n. 1387) afirma, sobre o momento da Sagrada Comunhão: “A atitude corporal – gestos, roupa – há de se traduzir o respeito, a solenidade, a alegria deste momento em que Cristo se torna nosso hóspede.”

É preciso evitar, então, primeiramente as roupas que expõe o corpo de forma escandalosa, como decotes profundos, shorts curtos ou blusas que mostrem a barriga. Mas convém que se evite também tudo o que contraria, como afirma o Catecismo, a alegria, a solenidade e o respeito – isto é, banaliza o momento sagrado.

O bom senso nos mostra, por exemplo, que partindo d princípio da solenidade, é melhor que se use uma calça do que uma bermuda. Ora, na nossa cultura, não se vai a um encontro social solene usando uma bermuda!

O bom senso nos mostra também que, partido do princípio do respeito e da não-banalização do sagrado, é melhor que se evite roupas que chamam atenção para o corpo ou para elementos não relacionados com a Sagrada Liturgia. É melhor que uma mulher, por exemplo, utilize uma blusa com mangas do que um blusa de alcinha; é melhor que utilize uma calça discreta, saia ou vestido do que uma calça “mulher-gato” (isto é, apertadíssima); também é melhor que se utilize, por exemplo, uma camisa ou camiseta discreta do que uma camiseta do Internacional ou do Grêmio.

São Josemaria Escrivá, em um de suas fantásticas homilias, recorda seus tempos de infância, dizendo: “”Lembro-me de como as pessoas se preparavam para comungar: havia esmero em arrumar bem a alma e o corpo. As melhores roupas, o cabelo bem penteado, o corpo fisicamente limpo, talvez até com um pouco de perfume. Eram delicadezas próprias de gente enamorada, de almas finas e retas, que sabiam pagar Amor com amor.” Afirma ainda: “Quando na terra se recebem pessoas investidas em autoridade, preparam-se luzes, música e vestes de gala. Para hospedarmos Cristo na nossa alma, de que maneira não devemos preparar-nos?” (“Homilias sobre a Eucaristia”, Ed. Quadrante)

Vivemos em uma sociedade de imagens, e uma imagem fala mais do que mil palavras…

 Fonte: https://presbiteros.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF