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domingo, 21 de maio de 2023

Santo Eugênio de Mazenod

Santo Eugênio de Mazemod | diocesedearacatuba

21 de maio

Santo Eugênio de Mazenod

Origens

Seu nome de batismo era Carlos José Eugênio de Mazenod. Nasceu na linda cidade de Aix-en-Provance, sul da França, no dia 1 de agosto de 1782. Filho de um nobre que presidia a Corte dos Condes da Provença. Sua mãe era filha de uma família burguesa, também nobre e rica. Eugênio teve ainda duas irmãs: Antonieta e Elisabete. Esta última faleceu com apenas cinco anos. 

Separação dos pais

Até 1790 a infância de Eugênio foi tranquila e ele deu alguma demonstração de ter vocação religiosa. Depois disso, sua família foi obrigada a fugir da Revolução Francesa. Por isso, deixaram todos os bens na França e fugiram para a Itália. Lá, viveram durante onze anos, perambulando de cidade em cidade. Esta situação provocou a separação de seus pais. Sua mãe voltou para a França na tentativa de recuperar bens confiscados da família. Eugênio ficou com seu pai na Itália.

Sofrimento 

A separação dos pais e toda a situação que viveram, exerceu grande influência na vida de Eugênio, levando-o, na adolescência, a uma grave crise de identidade. Sua vocação religiosa passou a ser sufocada por essas dificuldades. Além disso, sua formação intelectual teve uma parada por causa da falta de uma casa fixa. Porém, mesmo passando por essas adversidades, Eugênio manteve um caráter forte. Esta marca o acompanhou por toda a vida.

Voltando à fé 

Durante o tempo que Eugênio e seu pai moraram na cidade de Veneza (1794 e 1797), ele teve um contato mais efetivo com uma vida de fé. Isso aconteceu através do Padre Bartolo Zinelli. Em 1802, quando Eugênio estava com vinte anos, ele e seu pai voltaram para a França. Lá, amadureceu sua vocação religiosa, retomando aquele primeiro chamado da infância. Por isso, em 1808 Eugênio ingressou no Seminário de São Sulpício, na cidade de Paris. Três anos depois, ele recebia a ordenação sacerdotal na cidade de Amiens.

De volta à terra natal 

Padre Eugênio de Mazenod voltou para sua cidade natal, Aix-en-Provance. Lá, dedicou-se ao apostolado e à pregação. Levou o Evangelho de Jesus Cristo aos pobres camponeses, aos presidiários aos enfermos abandonados. Na França sem rumo e extremamente desgastada após a revolução, Padre Eugênio de Mazenod via nos sacramentos a única maneira de reconstruir os valores cristãos.

Fundador

Outros padres da região, ao verem seu ardor missionário e concordando que a fé seria uma das poucas esperanças de recuperação da França, juntaram-se a ele e passaram a ajuda-lo na pregação e na administração dos sacramentos. Por isso, em 1816, inspirado por Deus, ele fundou a Sociedade dos Missionários da Provença. Mais tarde, mudou este nome para o de Oblatos de Maria Imaculada. Da parte oficial da Igreja, Padre Eugênio recebeu todas as aprovações necessárias.

Bispo de Marselha

Por causa sua competência e ardor missionário, Padre Eugênio de Mazenod foi nomeado vigário-geral da importante diocese de Marselha. Depois, foi sagrado bispo da mesma diocese. Este cargo ele exerceu pelo longo tempo de trinta e sete anos. Nesses anos, Dom Eugênio de Mazemod enfrentou e superou diversos problemas com autoridades civis, com a aristocracia e até mesmo com alguns religiosos que discordavam das regras de vida em comunidade que ele tinha estabelecido.

Querido pelo povo

O povo, porém, amava e respeitava Dom Eugênio de Mazenod. Assim, ele continuou no governo da diocese de Marselha e da Congregação dos oblatos. Esta sua obra se desenvolveu e seus religiosos partiram para vários lugares da Europa, dos Estados Unidos, México e Canadá. Depois disso, os Oblatos chegaram à África e à Ásia, levando em todos esses lugares, o dom missionário da congregação. 

Morte

Santo Eugênio de Mazenod faleceu em 21 de maio de 1861, estando na sua querida cidade sede de Marselha. Após sua morte, inúmeras graças foram atribuídas à sua intercessão. Sua canonização foi celebrada pelo Papa João Paulo II em 1995. Na ocasião, sua congregação já tinha chegado a sessenta e oito países.

Oração a Santo Eugênio de Mazenod

“Ó Deus, que na tua misericórdia, quiseste enriquecer o santo Bispo Eugênio de Mazenod com grandes virtudes apostólicas para anunciar o Evangelho às gentes, concede-nos, por sua intercessão, de arder no mesmo espírito e de tender unicamente ao serviço da Igreja e à salvação das almas. Por Cristo Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso Filho. Amém. Santo Eugênio de Mazenod, rogai por nós.”

Fonte: https://cruzterrasanta.com.br/

sábado, 20 de maio de 2023

Rever nosso estilo de vida

Estilo de vida saudável (Patrícia Gracitelli)

REVER NOSSO ESTILO DE VIDA

Dom Leomar Antônio Brustolin
Arcebispo de Santa Maria (RS)

Frequentemente, escutamos dizer que estamos vivendo uma crise de valores, que faltam referências e autoridades morais para orientar a sociedade do cansaço e a era do vazio. De fato, percebe-se uma inversão de valores, segundo a qual competir é mais importante do que cooperar, enganar o outro para tirar vantagem parece normal, e acreditar e frequentar a religião parecem ser opções de quem entregou sua liberdade para uma dimensão abstrata da fé.  

Ocorre, contudo, que a opção por uma vida mais livre, sem limites e sem pressões está causando uma saturação da existência e a ansiedade toma conta de muitos corações. Oferecemos valores como o sucesso, a usurpação, a mentira e o lucro como balizas para pautar a existência. Contudo, o que mais cresce é o número de pessoas insatisfeitas, desorientadas e desconfiadas. E a ansiedade toma conta, perde-se o equilíbrio, bem como a sabedoria de contar os dias que passamos nesta Terra. Alguns se abrigam sob o guarda-chuva do pessimismo e da tristeza crônica, ou de uma euforia passageira. 

É claro que cada um de nós sabe a beleza e o peso de viver nesse momento histórico. Cada um carrega seus sonhos e decepções, seus traumas e suas realizações. Mas onde estão os modelos e exemplos de pessoas que vivem os valores que sustentam uma vida mais equilibrada e sadia? 

Em primeiro lugar, é preciso recordar que muitas civilizações, no passado, experimentaram tempos obscuros. Para superar esse tempo no qual parece que os malvados, debochados e aproveitadores estão vencendo, é preciso mais que inteligência; é necessário ser sábio, ser capaz de aceitar viver nesse nevoeiro sabendo que irá passar. Assim, a humanidade recuperará um ponto de vista superior, ao criticar essa inversão de valores.  

Já avançamos, em alguns aspectos, nesse sentido. Procuramos denunciar e condenar a discriminação, a exclusão e o preconceito. Sabemos que toda pessoa tem uma dignidade singular que deve ser respeitada e acolhida. É verdade que ainda testemunhamos posturas contrárias a essas condutas, mas elas ainda são rejeitadas pela maioria. 

Para recuperarmos valores e referenciais, cabe-nos ajudar, sobretudo, os educadores a promover valores justos, humanos e fraternos.  Somos chamados a crer na esperança de que dias melhores virão. Pode ser que a nossa geração seja incapaz de dar um passo e superar a violência, o medo e a injustiça. Mas essa tendência não é um determinismo que condena toda a humanidade a esse vale de lágrimas.  

Na fé judaico-cristã, crer na promessa é viver o presente esperando um futuro que já se tem certeza que se cumprirá. Somos todos herdeiros de grandes valores como a humildade, a honestidade, o bom-senso, o equilíbrio, a sobriedade, etc. Desde a sabedoria de Salomão, passando pela compaixão de Jesus Cristo, até chegar à simplicidade de Francisco de Assis, aprendemos que outro modo de viver é possível. 

As novas gerações nos interpelam criticando o estilo de vida que a maioria está vivendo. Elas reclamam mais empatia, respeito e comprometimento. Escutar esses apelos pode nos educar para rever a forma como estamos cultivando nossos valores. Eles não perderam sua validade, nós é que nos distraímos buscando felicidade efêmera e falsas seguranças. Ainda é tempo de cultivar os valores que não são do passado, mas do futuro.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

O que é uma hora santa?

frantic00 | Shutterstock

Por Philip Kosloski 

A hora santa é um momento reservado para a oração pessoal, que pode ser em casa ou na igreja.

Muitos santos, ao longo dos séculos, falaram sobre o conceito de “hora santa”, sugerindo essa prática a qualquer pessoa que lhes pedisse conselho.

Mas o que é, exatamente, uma hora santa?

A definição básica de hora santa é a dedicação de 60 minutos à oração pessoal. Embora muitas pessoas façam uma hora santa dentro de uma igreja ou capela de adoração eucarística, estar nesses lugares sagrados não é um requisito estrito. A hora santa pode ser feita em qualquer lugar do mundo, seja em sua casa, num quarto de hotel ou no metrô.

Às vezes, as pessoas até se referem à dedicação de 30 ou 45 minutos como uma “hora santa”, mesmo que não sejam 60 minutos completos.

O essencial para qualquer hora santa é que se trata de um momento de oração pessoal, onde se conversa com Deus. Pode ser por meio da escuta silenciosa, da leitura da Bíblia ou da sua oração devocional favorita.

A Santa Madre Teresa de Calcutá sempre enfatizou a importância da hora santa diária. Era uma parte vital da sua programação de cada dia. O livro “Come Be My Light: The Private Writings of the Saint of Calcutta” registra:

“Eu faço uma Hora Santa todos os dias na presença de Jesus no Santíssimo Sacramento. Todas as minhas irmãs nas Missionárias da Caridade também fazem uma Hora Santa diária, porque descobrimos que, através da nossa Hora Santa diária, o nosso amor por Jesus se torna mais íntimo, o nosso amor pelo próximo se torna mais compreensivo e o nosso amor pelos pobres se torna mais compassivo. A nossa Hora Santa é a nossa oração familiar diária, onde nos reunimos e rezamos o rosário diante do Santíssimo Sacramento, exposto na primeira meia hora; e na segunda meia hora rezamos em silêncio. A nossa adoração dobrou o número das nossas vocações. Em 1963, fazíamos juntas uma Hora Santa semanal, mas foi somente em 1973, quando começamos a nossa Hora Santa diária, que a nossa comunidade começou a crescer e florescer”.

O conceito basilar de uma hora santa é inspirado em Jesus no Jardim do Getsêmani. Em certo sentido, Jesus desafia todos nós a vigiar com Ele durante ao menos uma hora, como desafiou os Seus apóstolos naquela noite fatídica.

“E ele veio e os encontrou dormindo, e disse a Pedro: ‘Simão, dormes? Não pudeste vigiar uma hora?'” (cf. Marcos 14,37).

Embora nem todos possamos dedicar uma hora inteira à oração todos os dias, podemos certamente fazer mais para passar mais tempo com Jesus.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa aos crismandos: o demônio fica feliz se fizermos fofocas e brigarmos

Encontro do Papa Francisco com crismandos e crismados (Vatican Media)

Francisco encontrou na praça de Santa Marta, no Vaticano, os jovens crismados e crismandos da Arquidiocese de Gênova: "as pessoas que fofocam são pessoas que perdem sua dignidade". Fazer fofoca, disse o Pontífice, é sujar os outros.

Amedeo Lomonaco – Vatican News

Mais de 900 jovens estão participando este ano da tradicional peregrinação a Roma promovida pela Igreja de Gênova, região italiana da Ligúria. São crismandos e crismandos acompanhados pelo arcebispo, dom Marco Tasca, de mais de 70 paróquias da Arquidiocese de Gênova. O encontro mais aguardado deu-se na manhã deste sábado, 20 de maio, entre os muros da Cidade do Vaticano. O Papa Francisco, inserindo suas palavras em um diálogo pontuado por perguntas e respostas, desejou aos jovens uma estadia agradável em Roma:

... Conhecer as coisas, passear, ir aos jardins... tantas coisas bonitas. E, acima de tudo, sejam unidos, não briguem entre vocês. Vocês sabem quem inventou a briga?

Brigar é sujar os outros

Os jovens responderam em coro: o demônio. "O demônio - disse o Papa - quer que a gente brigue e ele fica feliz. Não: devemos ser amigos e nunca fazer fofoca". Então o Pontífice fez outra pergunta: Vocês sabem o que é fazer fofoca? "Falar mal dos outros", responderam os jovens imediatamente.

Falar mal dos outros. Fofocar é uma coisa feia, uma coisa muito feia. E as pessoas que fofocam são pessoas que perdem sua dignidade, porque estão no negócio de sujar os outros. Caluniar é sujar os outros. Então, o que é calúnia?

Um remédio para não fofocar

Então, o que é fofoca? A essa pergunta, os jovens responderam prontamente: "Sujar os outros". Ecoando essas palavras, o Pontífice perguntou: "É bom sujar os outros?". O "não" em coro dos jovens precedeu a saudação final de Francisco, que lhes deu alguns conselhos:

"Eh, padre, eu não sei como não fazer fofoca porque me vem....". Mas eu tenho um remédio muito bom, sabem? Mordam a língua, sabem? E então vocês não vão fofocar".

Após o encontro com o Papa Francisco, os crismados e crismandos da Arquidiocese de Gênova foram aos Jardins Vaticanos para um momento de catequese.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

São Bernardino de Sena

São Bernadino de Sena | Guadium Press

20 de maio

lustre pregador, São Bernardino de Sena converteu inúmeras almas apenas utilizando o dom da palavra. Ele é o santo padroeiro dos publicitários.

Redação (20/05/2023 08:03, Gaudium Press) A Igreja celebra no dia de hoje, 20 de maio, a memória de São Bernardino de Sena. Nascido na região italiana da Toscana, no ano de 1380, sentiu-se chamado à família franciscana, onde se tornou sacerdote.

Conhecido como o Apóstolo da Itália, São Bernardino de Sena é considerado um dos maiores pregadores de todos os tempos. Suas pregações arrebatavam todos os que as ouviam. Era tal a força de sua palavra, que muitos saíam convertidos e arrependidos de seus pecados após ouvi-lo.

Entregou sua alma a Deus No dia 20 de maio de 1444, sendo canonizado pelo Papa Nicolau V no ano de 1450. Seu túmulo se encontra na igreja dos Franciscanos em Áquila. São Bernardino de Sena é o padroeiro dos publicitários.

São Bernadino de Sena | Guadium Press

Frases de São Bernardino de Sena

01 – “Quando uma alma começa a saborear Jesus, perde necessariamente o gosto do mundo”.

02 – “Ó homem que tanto confias no mundo, já refletiste nos enganos que nele existe?”.

03 – “Se queres ver os teus bens multiplicados, dá esmolas”.

04 – “Não emaranhes o teu falar. Quando falares, fala abertamente, chama pão ao pão, dize com a língua o que trazes no coração”.

05 – “O dar-se Jesus Cristo a nós como alimento foi o último grau de amor. Deu-se a Nós para unir-se totalmente conosco como se une o alimento diário com quem o toma”.

São Bernadino de Sena | Guadium Press

06 – “A primeira grande verdade, agora, está estabelecida, pois uma boa morte depende de uma boa vida”.

07 – “Deus outorgou à Santíssima Virgem tanta graça que mais é impossível conceder a uma criatura, exceto Jesus Cristo”.

08 – “Todo reino que tenha partes, seitas e divisões, fica enfraquecido e desolado, e tudo cairá, uma coisa depois da outra”.

09 – “Quando Deus escolhe alguém para uma missão muito elevada, confere-lhe todos os dons necessários para essa missão”.

10 – “São José, guarda fiel e providentes dos maiores tesouros do Pai eterno: o Filho de Deus e a Virgem Maria”.

São Bernadino de Sena | Guadium Press

Oração a São Bernardino de Sena

Ó Pai, pela vossa misericórdia, São Bernardino de Sena anunciou as insondáveis riquezas de Cristo. Concedei-nos, por sua intercessão, crescer no vosso conhecimento e viver na vossa presença segundo o Evangelho, frutificando em boas obras. Por Nosso Senhor Jesus Cristo, vosso filho, na unidade do Espírito Santo. Amém. (EPC)

Fonte: https://gaudiumpress.org/

sexta-feira, 19 de maio de 2023

Comunhão no Amor: A Ascensão

Comunhão no Amor | Ecclesia

Matta el Meskin:

Comunhão no Amor

trad.: Pe. José Artulino Besen*

A nossa comunhão é com o Pai
e com o seu Filho Jesus Cristo. 1Jo 1,3

A Ascensão

Alegremo-nos na festa da Ascensão, em que Cristo nos fez assentar-nos com ele nos céus e preparou para nós a bem-aventurada morada que nos tinha prometido, à direita da Potência, no alto dos céus, a fim de que fôssemos para sempre nele reconciliados com o Pai e guardados pela graça e pela misericórdia do Altíssimo. Diversamente do primeiro Adão, que morou no paraíso de árvores e frutos e era de quando em quando visitado por Deus, nós, em nosso amado Redentor - o segundo Adão - moramos sempre com Deus. Mesmo se agora estamos exilados de nossa morada celeste, mesmo se sofremos um pouco, de modo que nossa fé possa receber justificação e nós possamos nos tornar dignos desta esplêndida herança, nós vivemos, por meio da fé, como se estivéssemos constantemente assentados nos céus; vivemos plenos da esperança colocada em nós por Cristo e cheios do amor que transforma a dor em alegria, o invisível no visível, através dos olhos do coração. Deste modo, esperamos, com paciência e gratidão, o dia do encontro, quando gozaremos ao ver a face do amado, Cristo, do qual nunca mais seremos privados.

Também esta era a alegria de Cristo, antes de subir ao Pai: dom pelo qual rezou (cf. Jo 17), para que pudéssemos estar onde ele mora para sempre e pudéssemos contemplar sua glória e nela viver. Após a ascensão de Cristo, esta glória transformou-se numa realidade vivente, como testemunhou o mártir Estevão: enquanto abandonava sua morada terrena, seus olhos contemplaram, na certeza da fé e da visão, o lugar que Cristo lhe tinha preparado, uma morada estupenda, não feita por mãos humanas, estável para sempre nos céus: o corpo de Cristo, que contém todas as coisas.

Agora, nós comemos seu corpo e bebemos seu sangue com olhos fechados: não conseguimos ver o esplendor de seu corpo nem a glória de seu sangue sem nos amedrontar, sem cair com a face por terra e ficar mudos ao receber a terrível brasa ardente da divindade. Mas, por que nós mesmos não podemos nos ver unidos a este corpo, na luz plena da divindade? Por que não podemos ver o sangue de Cristo que se difunde em nós e nos transmite o Espírito divino derramando-o em nosso ser, de modo a poder tornar-nos tanto um reino de sacerdotes para Deus seu Pai, como reinar com ele na herança da dignidade ilimitada dos filhos do único Pai?

O apóstolo Paulo nos incita com uma insistência espiritual, compreensível somente por quem foi iniciado pelo Espírito nos segredos da presença divina: Se ressuscitastes com Cristo, procurai as coisas do alto, onde Cristo se encontra (Cl 3,1). Portanto, por si, só a ressurreição não é suficiente. Após a ressurreição, há a glória da vida na presença de Deus, onde Cristo se assentou conosco à direita do Pai, à disposição daqueles que o amam e que não podem suportar viver sem ele.

Onde quer que se encontre Cristo, também nós temos o direito de estar. Este pedido está incluído na própria natureza do pedido e do desejo de Cristo; realmente, recebemos este direito em virtude de nossa humanidade, com a qual Cristo se uniu de boa vontade e com amor, prometendo não abandoná-la, nem esquecê-la, um instante sequer, nem durante um piscar de olhos.

Procurar as coisas do alto, onde se encontra Cristo, significa procurar morar constantemente na presença de Deus: isto tornou-se para nós um direito eterno em Cristo, direito que agora pedimos com insistência, em lágrimas. Uma vez que o possuímos, não pode mais ser-nos tirado, porque é a herança reservada para nós no céu, herança que não é diminuída nem pela nossa enfermidade, nem desaparece com a decadência de nosso ser carnal.

A relação entre a humanidade e o Espírito vivificante tornou-se possível graças ao sacrifício redentor de Cristo: É bom para vós que eu vá... quando eu for vos mandarei [o Consolador] (Jo 16,7). Ele me glorificará, porque tomará do que é meu e vo-lo anunciará (Jo 16,14). Por isso, a glória da cruz e do sangue derramado é a posse da santa Trindade na sua totalidade: posse do Pai que aceita o sacrifício do Filho e o glorifica (Todas as minhas coisas são tuas e todas as coisas tuas são minhas: Jo 17,10), posse do Espírito Santo que mora no Pai e por isso possui tudo o que pertence ao Pai, inclusive o sacrifício e a glória do Filho.

Viver na presença de Deus, conscientes da união com Cristo livremente realizada por ele em nós e para nós, é o segredo da felicidade entregue a nós, por Cristo, em meio aos sofrimentos do mundo e apesar da impotência da humanidade e de seu trágico fracasso. Esta consciência nos dá uma paz interior que supera a inteligência com todas as suas ânsias e fraquezas.

Mas, este sentido de estar na presença de Deus não é uma simples alegria da qual gozar. Pelo contrário, é oração com todo o seu calor, a sua paz e a sua sobriedade: é a oração perfeita na qual o corpo encontra repouso, a alma encontra paz e o Espírito se alegra na recordação da Trindade, na glorificação do Pai, na repetição do nome do Salvador, na invocação incessante do Espírito Santo, com a esperança e a audácia derivadas da cruz e do sangue derramado.

Somos constrangidos a gemer em nós mesmos por causa do peso de nossa carne: ela é como uma tenda rasgada por ventos impetuosos e nós suspiramos por vestir o hábito celeste. Mas isso não é possível pois, primeiramente, devemos nos despojar do homem velho para revestir-nos de Cristo e morar nele sem temor: aquilo que é corruptível, de fato, não pode herdar a incorruptibilidade. Por isso, nossas preces continuarão misturadas com lágrimas, e a nossa alegria de habitar na presença divina será traspassada por gemidos de aflição, por causa de nossa incapacidade de vestir aqui o hábito celeste. Mas, pela fé, nós sabemos que, do mesmo modo que vestimos o hábito terreno, assim vestiremos o celeste e nunca mais seremos privados da graça divina: aquele que nos criou é o mesmo que nos recriou e preparou para uma renovação na plenitude da santidade e da justiça de Deus.

Portanto, devemos admitir nossa miséria atroz, mesmo se nos foi dada e transmitida toda a riqueza do Filho. Este mundo de falsidade e de engano não reserva riquezas para nós: aqui não existe cidade permanente para nós, nem habitação estável, não existe honra, nem fama, nem verdadeira consolação. Pelo contrário, estamos à procura do mundo que há de vir, onde não há engano nem sombra de mudança. É nesta linha que Paulo nos estimula a procurar as coisas do alto. Como pode o homem procurar essas coisas se deseja coisas que estão nesta terra e ainda grita por aquilo que está nas mãos e na boca dos outros? Ou consentimos nas coisas mais terrenas para que se tornem nossa alegria, a nossa consolação e a nossa glória, ou então rejeitamos aquilo que é daqui de baixo em troca das coisas lá de cima, a glória de Deus.

Aqueles que procuram e gemem por honras nesta terra, não terão mais o poder da fé nas coisas do alto para estar em condições de procurá-las; aqueles que procuram o que está na terra, não podem procurar o que está nos céus. Aqueles que, na verdade, não se consagram para procurar as realidades celestes são privados da glória da ascensão e perdem os frutos da cruz e da ressurreição. Pois Cristo suportou os sofrimentos, as paixões e a crucifixão por amor da alegria colocada diante dele: a alegria da grande reconciliação definitiva realizada quando ele ofereceu ao Pai a humanidade, juntamente com ele - uma humanidade redimida, justificada, purificada e lavada no sangue - e fê-la assentar-se a seu lado à direita do Pai.

Do mesmo modo, como os sofrimentos da cruz foram coroados com a ressurreição, assim a ressurreição foi coroada com a ascensão e o assentar-se à direita do Pai. Portanto, na ascensão está incluído o mistério do suportar todo o sofrimento, também até a morte; e no assentar-se nos céus junto com Cristo está a suma esperança, a máxima alegria e a finalidade última de toda a criação, tanto da velha como da nova.

Publicação em ECCLESIA autorizada pelo Tradutor, Pe. José Artulino Besen.

Fonte: https://www.ecclesia.org.br/

Veja a lista de todas as encíclicas sociais da Igreja Católica

São João Paulo II \ EAST NEWS

Por Philip Kosloski 

Elas foram lançadas por diferentes papas e abordam as principais questões sociais de cada época - ou de todas as épocas.

A partir do século XIX, os papas começaram a usar suas cartas encíclicas para abordar questões sociais complexas do seu tempo. Cada papa abordou uma questão diferente, mas sempre construindo sobre o legado que os pontífices anteriores criaram.

Rerum Novarum

Em 15 de maio de 1891, Leão XIII escreveu a Rerum Novarum (As Inovações), denunciando as condições desumanas de trabalho da classe operária.

Quadragesimo Ano

Passados 40 anos da Rerum Novarum, Pio XI reiterou em 15 de maio de 1931 os pontos principais apresentados pelo seu predecessor. Por isso é que esta encíclica se intitula Quadragesimo Anno, já que se refere ao quadragésimo aniversário da histórica encíclica de Leão XIII. O papa Pio XI continua a desenvolver a posição da Igreja em relação aos trabalhadores, além de comentar a ordem social.

Mater et Magistra

Em 15 de maio de 1961, São João XXIII escreveu a Mater et Magistra (Mãe e Mestra) sobre o progresso social. Ele também se baseou no trabalho do seu predecessor e continuou a insistir nos direitos dos indivíduos e na sua relação com o Estado.

Pacem in Terris

Em 11 de abril de 1963, São João XXIII publicou a Pacem in Terris (Paz na Terra), destacando ainda mais os direitos dos indivíduos na sociedade.

Populorum Progressio

São Paulo VI publicou a Populorum Progressio (O Progresso dos Povos) em 26 de março de 1967, para tratar do desenvolvimento dos povos. Novamente, o texto se baseia nas encíclicas anteriores e reitera a resposta da Igreja às questões prementes da sociedade.

Laborem Exercens

São João Paulo II escreveu a Laborem Exercens (O Exercício do Trabalho) em 14 de setembro de 1981 para reforçar os ensinamentos da Igreja sobre os direitos dos trabalhadores e sobre a solidariedade. A data prevista para publicação era 15 de maio, mas teve de ser adiada devido ao atentado cometido dois dias antes na Praça de São Pedro contra a sua vida, em 13 de maio, dia de Nossa Senhora de Fátima.

Centesimus Annus

Em 1º de maio de 1991, São João Paulo II lançou a Centesimus Annus, por ocasião do centésimo ano da Rerum Novarum, para consolidar ainda mais os princípios daquela encíclica e aplicá-los ao tempo atual.

Caritas in Veritate

O Papa Bento XVI publicou a Caritas in Veritate (Caridade na Verdade) em 29 de junho de 2009, destacando o conceito de caridade e como ela deve impactar todos os aspectos da sociedade.

Laudato Si’

O Papa Francisco lançou a Laudato Si’ (Louvado Sejas) em 24 de maio de 2015 para abordar os amplos desafios sociais causados pela má administração da criação.

Fratelli Tutti

O Papa Francisco escreveu a Fratelli Tutti (Todos Irmãos) em 3 de outubro de 2020, procurando aplicar os muitos princípios dos seus predecessores ao mundo atual, assolado à época pela pandemia de covid-19.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Hoje é dia de santa Maria Bütler, ela deixou o convento para se tornar missionária

Santa Maria Bütler | ACI Digital

REDAÇÃO CENTRAL, 19 Mai. 23 / 06:00 am (ACI).- A Igreja celebra hoje (19) santa Maria Bernarda Bütler, fundadora das Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora, missionária que se santificou na evangelização dos abandonados da América do Sul. “Abram suas casas para ajudar os pobres e os marginalizados. Prefira cuidar dos indigentes a qualquer outra atividade”, disse a santa.

Amar a vontade de Deus e seus tempos

Santa Maria Bernarda nasceu na Suíça em 28 de maio de 1848. Em sua juventude, ingressou como aspirante em um convento da cidade, mas não ficou.

Voltou para a casa dos pais para ajudá-los nos trabalhos do campo. Nos meses seguintes, ela se entregou de novo ao trabalho manual, oração e serviço apostólico em uma paróquia. Pouco depois, com 19 anos, fez sua segunda e definitiva tentativa de se tornar freira, entrando para o mosteiro franciscano de Maria Auxiliadora.

Alguns anos depois, ela tomaria o hábito franciscano e adotaria o nome religioso de "Maria Bernarda do Sagrado Coração de Maria".

Passo a passo, enquanto a misericórdia de Deus mudava o seu coração, a freira correspondia mais generosamente a tão belo dom, esforçando-se por crescer na virtude e na vida espiritual. Maria Bernarda sabia que também devia adquirir as qualidades humanas necessárias para viver bem “na religião”, ou seja, totalmente consagrada a Deus.

Uma virada “imprevista”

O esforço e a boa disposição dela seriam coroados com abundantes graças e novas responsabilidades. Com humildade e espírito de obediência, aceitou ser mestra de noviças e depois superiora do seu convento, serviço que fez com dedicação até que Deus lhe confiou um novo desafio: ser missionária.

Aquele chamado parecia inusitado, mas foi se consolidando aos poucos, primeiro, na oração e, segundo, no recurso aos conselhos das instâncias pertinentes da Ordem. Depois de vencer a resistência inicial de algumas autoridades eclesiásticas, Maria Bernarda obteve a permissão pontifícia para deixar o mosteiro e partir, com seis de suas companheiras, para o Equador para servir populações remotas.

Este grande passo, originalmente concebido como a fundação de um ramo de seu mosteiro, faria mais tarde de irmã Maria Bernarda a fundadora de um novo instituto: as Irmãs Franciscanas Missionárias de Maria Auxiliadora. Em Chone, no Equador, as freiras se dedicaram à educação de crianças e jovens, auxiliando os doentes e necessitados. Essa experiência de fé floresceu naquele lugar de difícil acesso e muito abandonado espiritualmente.

Outra mudança de direção

Em 1895, a madre Maria Bernarda e 14 irmãs foram obrigadas a fugir do Equador por causa de uma revolta contra a Igreja, rumo a Cartagena das Índias, na Colômbia. No novo lugar que os acolheu, começaram a brotar vocações e foi necessário abrir novas casas para as noviças. Primeiro foi construída uma na Colômbia, depois na Áustria e mais uma no Brasil.

Atenta ao crescimento da Ordem, madre Maria Bernarda dedicou-se ao cuidado de suas filhas. Começou a visitar cada um dos conventos do Instituto em todos os países onde este estava presente, ou onde havia possibilidade de abrir uma nova fundação. Aonde a santa ia, encantava por causa de sua simplicidade evangélica e amabilidade, edificando e animando muitas pessoas a cuidar das necessidades do povo de Deus.

Chamada para servir e não para ser servida

A madre liderou a congregação por 30 anos, até que renunciou ao cargo. Afastada das tarefas próprias do governo da congregação, dedicou-se, na medida do possível, ao cuidado espiritual das filhas mais novas. A madre era para elas um exemplo de humildade e alegria.

Santa Maria Bernarda Bütler morreu no dia 19 de maio de 1924 com 76 anos, 57 dos quais viveu como consagrada. Desses quase 60 anos, a madre trabalhou 38 como missionária. Ela foi beatificada por são João Paulo II em 1995 e canonizada pelo papa Bento XVI em 2008.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Ser e tornar-se irmãos na convivência sociopolítica (5/5)

Ser e tornar-se irmãos | Opus Dei

Ser e tornar-se irmãos na convivência sociopolítica

Uma das novidades mais importantes da encíclica “Fratelli Tutti” é o vínculo que ela postula entre a fraternidade e o bem comum político. Oferecemos o estudo de Maria Aparecida Ferrari, publicado no boletim Romana.

04/05/2023

4. Fraternidade social e caridade política

fermento da fraternidade social que impregna as ações de cada cidadão − seja estalajadeiro ou samaritano − tem uma eficácia específica no terreno político, no qual se elaboram as leis que determinam as condições para servir o bem comum, seja como cidadão-bom samaritano ou como cidadão-trabalhador. Basta pensar na importância essencial que as leis sobre a família, o casamento, a educação, o trabalho, os benefícios sociais, a liberdade de associação, liberdade de expressão etc. têm em nossas ações diárias.

Não há dúvida de que nem todos os cidadãos são chamados a desempenhar atividades governamentais. Porém, ninguém está isento da obrigação de formar-se bem e seguir a sua consciência em tudo o que diz respeito às dimensões fundamentais da existência humana e ao bem comum da sociedade. Ser irmão/irmã no debate público implica comprometer-se a aprender sobre diferentes questões e contribuir para a solução dos problemas sociais. Esta conduta é uma exigência do amor social, da caridade, mas ainda antes, da virtude cardeal da justiça. Por isso, colocar em prática essas exigências da fraternidade social é um dever também em relação a questões que talvez não afetem direta ou imediatamente a vida ou os interesses pessoais e nas quais seria mais cômodo fechar os olhos, não participar no debate público.

Por um lado, é certo que a participação ativa, livre e responsável na vida política depende do grau de instrução e cultura de cada um, bem como da compatibilidade com outros compromissos familiares, profissionais e sociais. Por outro lado, porém, todos − e em maior medida aqueles que são dotados de competência e capacidade − são chamados a ser irmãos dos outros, cumprindo com liberdade e lealdade os seus deveres cívicos e políticos e procurando ter um conhecimento adequado das questões relacionadas com a administração pública e o governo, para poder oferecer pessoalmente uma crítica social serena e construtiva.

Os mais preparados têm também uma responsabilidade especial em termos de solidariedade e subsidiariedade. Como afirma a Fratelli Tutti, “a política não pode renunciar ao objetivo de conseguir que a organização de uma sociedade assegure a cada pessoa uma maneira de contribuir [para o bem comum] com as suas capacidades e o seu esforço” (FT 162). Da mesma forma, em outra passagem, especifica que a dimensão local “tem algo que o global [o Estado ou as organizações internacionais] não possui: ser fermento, enriquecer, colocar em marcha mecanismos de subsidiariedade” (FT 142). Os cidadãos e as associações locais, de fato, ao estarem mais próximos das necessidades concretas, estão mais bem posicionados para cuidar das pessoas e curar as suas feridas.

Em suma, trata-se de conjugar o “nós” ao invés do “eu”, também na esfera pública, como disse o Papa Francisco em uma recente entrevista, para alcançar a “caridade política” ou a “caridade social”, entendida como superação da mentalidade individualista e o amadurecimento daquele sentido do “nós” que nos faz amar o bem coletivo e buscar verdadeiramente o bem de todos (FT 182).

No caminho traçado pela encíclica Fratelli Tutti, a caridade política não caminha cegamente, nem depende de sentimentos mais ou menos favoráveis. Necessita da luz da verdade, que provém tanto da razão como da fé: consequentemente, “isto supõe também o desenvolvimento das ciências e a sua contribuição insubstituível para encontrar os percursos concretos e mais seguros para alcançar os resultados esperados. Com efeito, quando está em jogo o bem dos outros, não bastam as boas intenções, mas é preciso conseguir efetivamente aquilo de que eles e seus países necessitam para se realizar” (FT 185). O Papa Francisco não hesita em olhar para as verdadeiras feridas da humanidade, não com o objetivo de fazer as pessoas sofrerem, mas para encorajar todos no esforço de curá-las; por exemplo, quando observa: “Muitas vezes hoje, enquanto nos enredamos em discussões semânticas ou ideológicas, deixamos que irmãos e irmãs morram ainda de fome ou de sede, sem um teto ou sem acesso a serviços de saúde. Juntamente com estas necessidades elementares por satisfazer, outra vergonha para a humanidade que a política internacional não deveria continuar a tolerar – mais além dos discursos e boas intenções – é o tráfico de pessoas. Trata-se de mínimos inadiáveis” (FT 189). Ou ainda quando adverte que “As maiores preocupações de um político não deveriam ser as causadas por uma baixa nas pesquisas, mas por não encontrar uma solução eficaz para “o fenômeno da exclusão social e econômica, com suas tristes consequências de tráfico de seres humanos, tráfico de órgãos e tecidos humanos, exploração sexual de meninos e meninas, trabalho escravo, incluindo a prostituição, tráfico de drogas e de armas, terrorismo e criminalidade internacional organizada” (FT 188).

Nesta perspectiva, a encíclica chama todos à responsabilidade: cidadãos comuns, instituições públicas e privadas, Estados e organizações internacionais. Trata-se de evitar a polarização que divide e aliena, sem evitar os debates necessários. O objetivo comum é inevitável: alcançar “uma globalização dos direitos humanos mais básicos” (FT 189). Se esse objetivo ainda está longe, não é porque seja inatingível, mas por outros motivos.

A situação da pandemia, um marco importante para o amadurecimento das reflexões contidas na encíclica Fratelli Tutti, revelou, com seu tremendo desafio para a maior parte do mundo, a incapacidade da humanidade hiperconectada de agir em conjunto (FT 7). Nota-se então a urgência de voltar a compreender a fraternidade, de assumir que os seres humanos, “todos irmãos”, como nos lembra o Papa Francisco, “são convidados a se reunir e se encontrar em um “nós” que seja mais forte que a soma de pequenas individualidades”, já que “o todo [o bem comum] é mais do que as partes, e também é mais do que a mera soma delas” (FT 78).

As circunstâncias ordinárias ou extraordinárias da convivência, sejam elas positivas ou negativas, representam ocasiões especiais não só para dar aos outros algo do que possuímos, mas também para se doar com um compromisso total, no sentido de fazer tudo o que pudermos. Por isso quisemos abrir estas reflexões com as palavras do “santo do cotidiano”, São Josemaria, “escolhido pelo Senhor para anunciar a vocação universal à santidade e para indicar que a vida de todos os dias, as atividades comuns, são caminho de santificação”. A vocação do cristão é procurar a santidade na vida cotidiana, amar a Deus tornando-se irmão/irmã em todos os aspectos da existência humana, descobrindo que podemos fazer isso de modo frutífero em qualquer trabalho honesto e no desempenho das atividades cotidianas. “Quando se procura viver assim em meio do trabalho diário, a conduta cristã se transforma em bom exemplo, em testemunho, em ajuda concreta e eficaz; aprende-se a seguir as pegadas de Cristo, que coepit facere et docere (At 1, 1), que começou a fazer e a ensinar, unindo ao exemplo a palavra”.

Maria Aparecida Ferrari* Professora Associada de Ética Aplicada na Faculdade de Filosofia da Pontifícia Universidade da Santa Cruz (Roma)

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF