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domingo, 20 de maio de 2018

Pentecostes: Enviai o Vosso Espírito, Senhor!

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
“Enviai o vosso Espírito, Senhor, e da terra toda a face renovai”, nós cantamos com o Salmo 103, nesta solenidade de Pentecostes, celebrando a vinda do Espírito Santo. Esta súplica se completa com o belíssimo e antigo hino rezado na “Sequência”  referindo-se a ação do Espírito Santo na vida da Igreja, que “espera e deseja” os seus sete dons.       
Dentre os sinais da presença do Espírito, encontramos na Palavra de Deus proclamada, nesta Eucaristia, a unidade e o entendimento, ao contrário de Babel que gerou divisão e desentendimento. Conforme os Atos dos Apóstolos, em Pentecostes, gente de diferentes culturas e línguas entendem e acolhem a pregação dos Apóstolos, pela ação do Espírito Santo. “Todos nós os escutamos anunciar as maravilhas de Deus na nossa própria língua” (At 2,11), testemunham as pessoas que estavam em Jerusalém naquele dia. O Espírito é luz que aquece e ilumina, animando os discípulos na pregação do Evangelho e abrindo os corações para a sua acolhida.          
São Paulo aos Coríntios também ressalta a unidade na diversidade de dons e ministérios provenientes do mesmo Espírito “em vista do bem comum”, da construção do corpo que é a Igreja. “Formamos um único corpo”, proclama o Apóstolo (1Cor 12,13). Quem vive no orgulho e na vaidade provoca brigas e divisão. Quem se deixa conduzir pelo Espírito de Deus, a ele atribuindo os dons que possui e o bem que faz, promove a unidade, a reconciliação e a paz. O Evangelho segundo João nos mostra que o Espírito Santo é dom do Ressuscitado aos seus discípulos, confiando-lhes a missão de perdoar os pecados. O perdão é sinal de uma vida conduzida pelo Espírito Santo.  
Num tempo de tantos conflitos e divisões, necessitamos muito do Espirito Santo para promover a união e o entendimento entre as pessoas, na família, na comunidade e na sociedade. A súplica que dirigimos a Deus neste Pentecostes deve continuar em nossos lábios e em nossos corações durante o ano todo. Necessitamos valorizar mais o Espírito Santo que recebemos por ocasião dos sacramentos do Batismo e da Crisma, suplicando a sua presença e deixando-nos por ele conduzir. Num tempo de renovação missionária da Igreja, estimulada pelo Papa Francisco, necessitamos sempre mais acolher a presença do Espírito, através da oração e de uma vida santa, para colaborar na missão evangelizadora da Igreja.  Por isso, reze todos os dias a oração ao Espírito Santo, especialmente quando estiver perante decisões difíceis, a fim de ter a luz necessária  e a força para praticar o Evangelho. Procure corresponder ao dom do Espírito que recebemos através da vivência da caridade, que segundo S. Paulo, é o dom maior e o critério para nossas ações.
Arquidiocese de Brasília

São Leonardo Murialdo


Leonardo Murialdo nasceu na Itália, em 26 de outubro de 1828, e, aos cinco anos, já era órfão de pai. A família era abastada, numerosa, profundamente cristã e muito tradicional em Turim, sua cidade natal. Isso lhe garantiu uma boa formação acadêmica e religiosa. A mãe, sua primeira educadora, o enviou para Savona, para estudar no colégio dos padres Scolapi.
Na adolescência, atravessou uma séria crise de identidade, ficando indeciso entre ser um oficial do rei Carlos Alberto ou engenheiro. Mas a vida dos jovens pobres e órfãos, sem oportunidades e perspectivas, lhe trazia grandes angústias e desejava fazer algo por eles. Por isso Leonardo escolheu o caminho do sacerdócio e da caridade para aplacar essa grande inquietação de sua alma. Com muito estudo, tornou-se doutor em teologia, em 1850, e depois foi ordenado sacerdote, em 1851.
Seus primeiros anos de ministério se distinguiram pela dedicação à catequese das crianças e à criação de vários orfanatos dedicados aos jovens pobres da periferia, aos órfãos e abandonados. A sua mentalidade aberta e o trabalho voltado à juventude lhe trouxeram o convite para ser reitor do Colégio de Jovens Artesãos, o qual aceitou com amor.
Na direção do colégio, Leonardo instaurou um clima de moralidade, harmonia, formação religiosa e disciplina familiar, apoiado por competentes colaboradores, leigos e religiosos. Com essa política, assegurou a muitos jovens o acesso a uma adequada formação cristã, cultural e profissional. Ali, os jovens, assistidos de perto por Leonardo, ingressavam com a idade de oito anos e recebiam formação até os vinte e quatro anos, quando conseguiam um trabalho qualificado.
O êxito da sua pedagogia do amor fez com que o pequeno colégio crescesse em tamanho e em expressão. Surgiram, de várias partes da Itália, solicitações para a criação desses colégios de apoio à juventude. Nesse momento, Leonardo criou a Pia Sociedade Turinense de São José, mais conhecida como Congregação de São José, que se espalhou pela Europa, África e Américas.
A entrega total a essa missão e as extenuantes horas de trabalho lhe custaram graves danos à saúde. Em 30 de março de 1900, depois de várias crises de pneumonia, Leonardo morreu. Em 1970, foi canonizado pelo papa Paulo VI. A festa de são Leonardo Murialdo foi designada para o dia 18 de maio.
A Igreja também celebra hoje a memória dos santos:  João I, Félix de Cantalício e Cláudia.

Arquidiocese de Brasília

Pentecostes, Solenidade do Espírito Santo e do nascimento da Igreja

REDAÇÃO CENTRAL, 20 Mai. 18 / 06:00 am (ACI).- Hoje é celebrada Solenidade de Pentecostes, que comemora a vinda do Espírito Santo sobre Maria e os Apóstolos, cinquenta dias após a ressurreição de Jesus Cristo.

O capítulo dois do livro dos Atos dos Apóstolos descreve que “de repente, veio do céu um ruído, como se soprasse um vento impetuoso, e encheu toda a casa onde estavam sentados. Apareceu-lhes então uma espécie de línguas de fogo que se repartiram e pousaram sobre cada um deles. Ficaram todos cheios do Espírito Santo”.João Paulo II ao refletir sobre este evento em sua encíclica “Dominum et vivificantem”, assinalou que “o Concílio Vaticano II fala do nascimento da Igreja no dia de Pentecostes. Este acontecimento constitui a manifestação definitiva daquilo que já se tinha realizado no mesmo Cenáculo no Domingo da Páscoa”.
“Cristo Ressuscitado veio e foi ‘portador’ do Espírito Santo para os Apóstolos. Deu-lho dizendo: ‘Recebei o Espírito Santo’. Isso que aconteceu então no interior do Cenáculo, ‘estando as portas fechadas’, mais tarde, no dia do Pentecostes, viria a manifestar-se publicamente diante dos homens”.
Posteriormente, o Papa da família cita o documento conciliar “Lumen Gentium”, em que se ressalta que “o Espírito Santo habita na Igreja e nos corações dos fiéis como num templo (cf. 1 Cor 3, 16; 6, 19); e neles ora e dá testemunho da sua adopção filial (cf. Gál 4, 6; Rom 8, 15-16. 26). Ele introduz a Igreja no conhecimento de toda a verdade (cf. Jo 16, 13), unifica-a na comunhão e no ministério, edifica-a e dirige-a com os diversos dons hierárquicos e carismáticos e enriquece-a com os seus frutos (cf. Et 4, 11-12; 1 Cor 12, 4; Gál 5, 22)”.
ACI Digital

terça-feira, 15 de maio de 2018

Milagre de Caná

Redação (Segunda-feira, 14-05-2018, Gaudium Press) Após ter sido batizado por São João Batista e sofrer as tentações do demônio no deserto, Nosso Senhor começou sua vida pública, que durou três anos, terminando com sua gloriosa Paixão e Morte.

Pregações de Nosso Senhor

Ele escolheu os Apóstolos, percorreu com eles a Galileia e a Judeia, fazendo pregações e confirmando-as com prodigiosos milagres.
Jesus não expunha sua doutrina secamente, mas a ilustrava com analogias, contrastes, parábolas. A doutrina e o exemplo são como as asas de um pássaro. Se um conferencista não utilizar uma delas, sua exposição se tornará defectível.
Em suas pregações, Nosso Senhor mostrava não apenas a verdade e o bem, mas também o belo: "Olhai como crescem os lírios. Não trabalham, nem fiam. No entanto, Eu vos digo: nem Salomão, em toda a sua glória, jamais se vestiu como um só dentre eles" (Lc 12, 27).
"Além de seu ensinamento, a própria presença de Nosso Senhor despertava admiração. Sua fisionomia não podia ser mais perfeita. Cabelos, lábios, sobrancelhas e orelhas eram de uma insuperável beleza. Seu olhar percorria os circunstantes de forma suave, tranquila, firme, penetrante e atraente, causando enlevo naqueles sobre os quais recaía. Uma voz magnífica, comunicativa, dotada de um timbre e de uma inflexão inteiramente fora do comum, acompanhava os movimentos das mãos, os quais, por sua vez, eram proporcionadíssimos, comedidos, perfeitos, sem exageros nem timidezes. E a postura dos ombros, o modo de sentar-Se ou de virar a cabeça eram inimagináveis."
Inúmeras vezes, Jesus manifestou sua misericórdia. Mas quis também patentear sua combatividade: usando um chicote, expulsou em duas ocasiões distintas os vendilhões do Templo (cf. Mc 11, 15-17; Jo 2, 14-22).
A respeito das prédicas de Jesus, escreve Plinio Corrêa de Oliveira: "O Divino Mestre, pregando na Judeia, que estava sob a ação próxima dos pérfidos fariseus, usou de uma linguagem candente. Na Galileia, pelo contrário, onde predominava o povo simples e era menor a influência dos fariseus, sua linguagem tinha um tom mais docente e menos polêmico."
Em todas as coisas que Nosso Senhor dizia ou fazia, notava-se a grandeza. Esta "é uma virtude que aperfeiçoa as demais, levando o homem a praticá-las de forma esplêndida ou eminente; é o ornato e o esplendor das demais virtudes, tornando-as fulgurantes. Em outros termos, pode-se afirmar ser ela o oposto da mediocridade."

Regressando da Judeia para a Galileia

Tendo deixado o deserto da Judeia, onde foi tentado pelo demônio, Jesus reuniu alguns discípulos: Pedro, André, João Evangelista, Tiago Maior, Felipe e Natanael - que recebeu o nome de Bartolomeu. Após ter permanecido aproximadamente seis meses na Judeia, Ele iniciou sua viagem de volta à Galileia.
Ao passar por Nazaré, informaram-Lhe que na cidade de Caná - situada a dez quilômetros de distância - realizava-se uma festa de casamento. Certamente por motivo de parentesco próximo, Nossa Senhora precisou comparecer. Jesus acompanhou-A, levando consigo seus discípulos.
Em certo momento, o vinho veio a faltar e Maria Santíssima, cheia de compaixão, recorreu ao seu Divino Filho, dizendo tão-somente: "Eles não têm vinho!" (Jo 2, 3).
"Nossa Senhora tudo interpretava com sabedoria e por certo considerou que a Providência permitira a falta de vinho para dar a Jesus ocasião de manifestar sua Divindade [...]
"De outro lado, Nosso Senhor já teria revelado à sua Mãe o grande mistério da Eucaristia." E Ela poderia ter pensado que essa era a ocasião para seu Divino Filho instituir aquele Sacramento.

600 litros de vinho!

"Jesus respondeu-Lhe: ‘Mulher, por que dizes isto a Mim? Minha hora ainda não chegou" (Jo 2, 4).
"Embora a palavra mulher, presente nesta resposta de Jesus, soe um tanto dura aos nossos ouvidos, na linguagem do tempo denotava, ao contrário, respeito e solenidade, inclusive grande estima e até um matiz de ternura. E não era raro usá-la para dirigir-se a princesas e rainhas."
Atendendo ao pedido de Nossa Senhora, Jesus fez um estupendo milagre: 600 litros de água foram transmudados em vinho!
Por que essa superabundância de vinho?
"Nosso Senhor assim agiu para nos mostrar que o supérfluo, de si, não só não é pecado, mas pode até ser legítimo e recomendável." Provavelmente Ele quis livrar alguns parentes dos noivos de um grave apuro, ou aliviá-los em sua pobreza. O grande exegeta Fillion nos convida a admirar "a munificência régia do presente nupcial de Jesus".

Um milagre muito maior

"Embora o milagre de Caná tenha sido espetacular, foi muito menor do que aquele que se opera em cada Missa, com a transubstanciação do vinho e do pão em Corpo, Sangue, Alma e Divindade de Nosso Senhor."
Esse foi o primeiro milagre na ordem da natureza que o Salvador realizou. Dizemos "na ordem da natureza", porque na ordem da graça o primeiro milagre feito por Ele operou-se quando santificou João Batista, ainda no seio de Santa Isabel.
Ambos os milagres foram feitos por intercessão de Nossa Senhora, a Medianeira de todas as graças. Nosso Senhor "começou e continuou seus milagres por Maria, e por Maria os continuará até ao fim dos séculos".

Por Paulo Francisco Martos
(in "Noções de História Sagrada" - 150)

Conteúdo publicado em gaudiumpress.org, no link http://www.gaudiumpress.org/content/95175#ixzz5FZ2yS4WQ
Autoriza-se a sua publicação desde que se cite a fonte. 

domingo, 13 de maio de 2018

História de Nossa Senhora de Fátima


Primeira aparição de Nossa Senhora de Fátima aos pastorinhos Lúcia, Francisco e Jacinta.
Maio não é só o mês das noivas como é popularmente chamado, mas também o mês de Maria, mês das mães. Isso porque no segundo Domingo de Maio comemoramos o dia das Mães e no dia 13 de maio celebramos o dia de Nossa Senhora de Fátima.
Em maio de 1917 o Papa Bento XV, em meio a Primeira Guerra Mundial, convocou todos os católicos para se unirem em oração e pedirem a Nossa Senhora que intercedesse na guerra e trouxesse paz para aquele momento. E foi a partir daí que começa a história de Nossa Senhora de Fátima.

História de Nossa Senhora de Fátima

Oito dias após a convocação do Papa, em resposta as orações, Nossa Senhora de Fátima fez sua primeira aparição em 13 de maio de 1917 na pequena aldeia de Fátima em Portugal. Em um local chamado “Cova de Iria”, ela apareceu para três pequenos pastorinhos: Lúcia, Francisco e Jacinta.
Por volta de meio-dia eles brincavam pelo campo enquanto cuidavam de um pequeno rebanho quando pararam para rezar o terço, como já era de costume. Queriam voltar logo para a brincadeira e por isso rezaram à moda deles e rapidamente voltaram para o campo e foi quando viram um clarão bem similar ao de relâmpagos.
Acharam que ia chover e por isso se recolheram para ir embora e foi quando viram um segundo clarão em cima da copa de uma árvore (chamada azinheira) e em seguida viram Nossa Senhora de Fátima. Assustados, quiseram correr, mas Nossa Senhora logo os tranquilizou e pedindo que não tivessem medo, pois ela vinha do Céu.
Segundo relato dos próprios pastorinhos, a visão era de uma “Senhora mais brilhante que o Sol”, e em suas mãos pendia um Rosário. Serena e tranquila disse às crianças:
“Vim para pedir que venhais aqui seis meses seguidos, sempre no dia 13, a esta mesma hora. Depois vos direi quem sou e o que quero. Em seguida, voltarei aqui ainda uma sétima vez.”
E as aparições aconteceram sete meses seguintes conforme o prometido.
Antes de ir embora, Nossa Senhora de Fátima ainda ressaltou:
“Rezem o Terço todos os dias, para alcançarem a paz para o mundo, e o fim da guerra.”

As aparições de Nossa Senhora de Fátima

As aparições continuaram nos meses seguintes e mesmo em meio a perseguições, maus tratos e acusações de serem mentirosos, Lúcia, Francisco e Jacinta estavam na Cova de Iria para esperar por Nossa Senhora de Fátima. Tanto que na segunda aparição, haviam apenas 50 pessoas os acompanhando.
Mas isso foi mudando e na terceira aparição prometeu um milagre para que o povo acreditasse nas crianças. E na última aparição, em 13 de outubro, o milagre aconteceu. Haviam com eles mais de 70.000 pessoas e em meio a multidão, do meio das nuvens negras, o sol surgiu e começou a girar sobre si mesmo como se fosse uma imensa bola de fogo.
E foi também nessa última aparição que Nossa Senhora de Fátima revelou ser a Senhora do Rosário e pediu que ali fosse construída uma capela em sua homenagem.

Segredos de Fátima

Na terceira aparição de Nossa Senhora de Fátima foi revelado a Lúcia um Segredo constituído por três partes que seriam reveladas posteriormente nas demais aparições. São eles, nas próprias palavras de Lúcia:

1ª parte - A visão do Inferno

“Nossa Senhora mostrou-nos um grande mar de fogo que parecia estar debaixo da terra. Mergulhados em esse fogo, os demónios e as almas, como se fossem transparentes e negras ou bronzeadas, com forma humana, que flutuavam no incêndio levadas pelas chamas que delas mesmas saíam juntamente com nuvens de fumo, caindo para todos os lados, semelhante ao cair das faúlhas em grandes incêndios, sem peso nem equilíbrio, entre gemidos e gritos de dor e desespero que horrorizava e fazia estremecer de pavor.
Os demónios distinguiam-se por formas horríveis e asquerosas de animais espantosos e desconhecidos, mas transparente e negros.
Esta vista foi um momento, e graças à nossa boa Mãe do Céu, que antes nos tinha prevenido com a promessa de nos levar para o Céu (na primeira aparição)! Se assim não fosse, creio que teríamos morrido de susto e pavor”.

2ª parte - Devoção ao Imaculado Coração de Maria

“Nossa Senhora me disse que nunca me deixaria e que Seu Imaculado Coração seria o meu refúgio e o caminho que me conduziria a Deus.Que foi ao dizer estas palavras que abriu as mãos, fazendo-nos penetrar no peito o reflexo que delas expedia.
Parece-me que, em este dia, este reflexo teve por fim principal infundir em nós um conhecimento e amor especial para com o Coração Imaculado de Maria; assim como das outras duas vezes o teve, me parece, a respeito de Deus e do mistério da Santíssima Trindade. Desde esse dia, sentimos no coração um amor mais ardente pelo Coração Imaculado de Maria”.

3ª parte - A última revelação do Segredo

“Depois das duas partes que já expus, vimos ao lado esquerdo de Nossa Senhora um pouco mais alto um Anjo com uma espada de fôgo em a mão esquerda; ao centilar, despia chamas que parecia iam incendiar o mundo; mas apagavam-se com o contacto do brilho que da mão direita expedia Nossa Senhora ao seu encontro:
O Anjo apontando com a mão direita para a terra, com voz forte disse: Penitência, Penitência, Penitência! E vimos n’uma luz emensa que é Deus: “algo semelhante a como se vem as pessoas n’um espelho quando lhe passam por diante” um Bispo vestido de branco “tivemos o pressentimento de que era o Santo Padre”.
Vários outros Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas subir uma escabrosa montanha, no cimo da qual estava uma grande Cruz de troncos toscos como se fôra de sobreiro com a casca; o Santo Padre, antes de chegar aí, atravessou uma grande cidade meia em ruínas, e meio trémulo com andar vacilante, acabrunhado de dôr e pena, ia orando pelas almas dos cadáveres que encontrava pelo caminho; chegado ao cimo do monte, prostrado de joelhos aos pés da grande Cruz foi morto por um grupo de soldados que lhe dispararam vários tiros e setas, e assim mesmo foram morrendo uns trás outros os Bispos, Sacerdotes, religiosos e religiosas e varias pessoas seculares, cavalheiros e senhoras de várias classes e posições. Sob os dois braços da Cruz estavam dois Anjos cada um com um regador de cristal em a mão, n’êles recolhiam o sangue dos Mártires e com êle regavam as almas que se aproximavam de Deus.”
A mensagem que fica e continua sendo atual até mesmo nos dias de hoje é que Nossa Senhora de Fátima veio nos lembrar que Deus existe, nos ama e pode nos salvar desse mundo devastado pela guerra e pela fome. Devemos ter fé e sempre lembrar de suas palavras quando tudo parecer perdido ou sem solução.
www.nossasagradafamilia.com.br

Dia das Mães

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Mai. 18 / 06:00 am (ACI).- Neste segundo domingo do mês de maio, é celebrado o Dia das Mães, aquelas mulheres a quem “cada pessoa humana deve a vida” e quase sempre também “muito da própria existência sucessiva, da formação humana e espiritual”, como disse o Papa Francisco em uma Catequese sobre as mães em janeiro de 2015.

“As mães – disse o Pontífice naquela ocasião – são o antídoto mais forte para a propagação do individualismo egoísta. ‘Indivíduo’ quer dizer ‘que não se pode dividir’. As mães, em vez disso, se ‘dividem’ a partir de quando hospedam um filho para dá-lo ao mundo e fazê-lo crescer”.
Entretanto, essas mesmas mães muitas vezes não são escutadas e são pouco ajudadas na vida cotidiana, contrapôs o Papa, ressaltando que em certos casos “mesmo na comunidade cristã, a mãe nem sempre é valorizada, é pouco ouvida”.
“No entanto, no centro da vida da Igreja está a Mãe de Jesus”, declarou Francisco, destacando o papel da Virgem Maria, a Mãe de Deus e nossa Mãe.
Nesse sentido, o Papa ainda acrescentou que uma sociedade sem mães seria desumana, pois elas sabem testemunhar sempre “a ternura, a dedicação, a força moral”, além de transmitirem “o sentido mais profundo da prática religiosa”, com as primeiras orações, gestos de devoção.
“E a Igreja é mãe – completou o Papa – é nossa mãe! Nós não somos órfãos, temos uma mãe! Nossa Senhora, a mãe Igreja e a nossa mãe”.
ACI Digital

Solenidade da Ascensão do Senhor

REDAÇÃO CENTRAL, 13 Mai. 18 / 05:00 am (ACI).- Hoje a Igreja Universal celebra a Solenidade da Ascensão do Senhor ao céu, após quarenta dias de sua ressurreição.

São João Paulo II, ao meditar sobre esta Solenidade, em sua homilia de 24 de maio de 2001, assinalou que “a contemplação cristã não nos subtrai ao compromisso histórico. O ‘céu’ da Ascensão de Jesus não quer dizer distância, mas o ocultar e a vigilância de uma presença que nunca nos abandona, até que Ele venha na glória”.
“Entretanto – continua o santo – chegou a hora exigente do testemunho para que, em nome de Cristo, ‘sejam anunciadas a todas as gentes a conversão e a remissão dos pecados’”.
Uma das passagens bíblicas que narra este episódio da vida do Senhor está no Evangelho de São Marcos 16,15-20:
“Naquele tempo: Jesus se manifestou aos onze discípulos, e disse-lhes: ‘Ide pelo mundo inteiro e anunciai o Evangelho a toda criatura! Quem crer e for batizado será salvo. Quem não crer será condenado. Os sinais que acompanharão aqueles que crerem serão estes: expulsarão demônios em meu nome, falarão novas línguas; se pegarem em serpentes ou beberem algum veneno mortal não lhes fará mal algum; quando impuserem as mãos sobre os doentes, eles ficarão curados’. Depois de falar com os discípulos, o Senhor Jesus foi levado ao céu, e sentou-se à direita de Deus. Os discípulos então saíram e pregaram por toda parte. O Senhor os ajudava e confirmava sua palavra por meio dos sinais que a acompanhavam”.
ACI Digital

sábado, 12 de maio de 2018

Ascensão do Senhor

+ Sergio da Rocha
Cardeal Arcebispo de Brasília
A solenidade da ascensão do Senhor tem uma especial importância na liturgia e na vida. Na liturgia, ela integra o Tempo Pascal. Nós celebramos o mistério da fé que professamos ao rezar o Credo: creio que “Jesus ressuscitou ao terceiro dia, subiu aos Céus, está sentado à direita de Deus Pai Todo-Poderoso”. Num tempo em que muitos vivem apegados demais a este mundo, a Ascensão adquire uma importância ainda maior na vida, pois nos convida a olhar para o alto, a caminhar em direção ao céu, assumindo responsavelmente a vida na terra. Os discípulos de Cristo não tem morada permanente neste mundo. Vivem da fé, testemunham a fé em Cristo, através do amor ao próximo, peregrinando para a morada eterna preparada por Jesus. Nós olhamos para o futuro com a esperança que vem daquele que venceu a morte.
O olhar para o céu não implica em ficar parados. O anjo questiona os discípulos que ficam “parados” olhando para o céu. O olhar para o céu não nos deve levar a descuidar de nossa vida na terra; o olhar para o futuro que nos aguarda não nos deve levar a descuidar do presente. Ao contrário, a esperança da vida plena no céu deve nos motivar a viver bem a vida neste mundo. No relato da Ascensão, conforme os Atos dos Apóstolos, os anjos perguntaram aos apóstolos: “Homens da Galileia, por que ficais aqui parados olhando para o céu?” (At 1,11). Os discípulos de Jesus não podem “ficar parados”, olhando para o céu. O olhar para o céu deve nos levar a caminhar, cumprindo a missão que Jesus deixou, hoje proclamada no Evangelho: “Ide pelo mundo inteiro e anunciai o evangelho a toda criatura!” (Mc 16,15). Em resposta à palavra de Jesus, “os discípulos então saíram e pregaram por toda a parte” (Mc 16,20).
Hoje, somos nós, os discípulos que devem continuar a anunciar e a testemunhar o Evangelho na vida cotidiana e através dos meios de comunicação social. Por isso, celebra-se, neste Domingo, o Dia mundial das Comunicações Sociais. Em sua mensagem para este dia, o Papa Francisco nos alerta a respeito das “fake news” nas redes sociais. É preciso redobar o cuidado com notícias falsas, com informações deturpadas e comentários agressivos, especialmente nas redes sociais. Elas deveriam ser espaços de testemunho da fé, da fraternidade e da paz, aproximando as pessoas na verdade e na caridade.
Estamos iniciando a preparação para Pentecostes, a ser celebrado no próximo domingo, e a Semana de Oração pela Unidade dos Cristãos. Preparando Pentecostes, rezemos pela unidade dos cristãos para que se realize cada vez mais entre nós a súplica de Jesus ao Pai: “Que todos sejam um!” (Jo 17,21). Neste domingo, de modo especial, nós rezamos também pelas mães, confiando-as à proteção de Maria, a Mãe de Jesus e Mãe de todas as mães, hoje venerada como N. Sra. de Fátima, oferecendo-lhes o nosso carinho e a nossa gratidão.

O POVO DE DEUS/Arquidiocese de Brasília

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Dos Tratados sobre o Evangelho de João, de Santo Agostinho, bispo

(Tract. 124, 5.7: CCL 36, 685-687)         (Séc. V)

As duas vidas
        A Igreja conhece duas vidas, que lhe foram anunciadas por Deus; uma é vivida na fé; a outra, na visão. Uma, no tempo da caminhada; outra, na mansão eterna. Uma, no trabalho; outra, no descanso. Uma no exílio; outra, na pátria. Uma, no esforço da atividade; outra, no prêmio da contem­plação.
        A primeira é representada pelo apóstolo Pedro; a segun­da, pelo apóstolo João. A primeira desenvolve-se completa­mente sobre a terra até que o mundo acabe, e então encon­trará o fim; a outra prolonga-se para além do fim dos tempos, e nunca acabará no mundo que há de vir. Por isso foi dito a Pedro: Segue-me (Jo 21,19); mas a João diz-se: Se eu quero que ele permaneça até que eu venha, o que te importa isso? Tu, segue-me!(Jo 21,22).
        "Segue-me tu, imitando minha paciência em suportar os males temporais. E ele permaneça até que eu venha, para conceder os bens eternos". Ou ainda mais claramente: "Siga-me a atividade que, a exemplo de minha paixão, já terminou. Mas a contemplação, que apenas começou, per­maneça assim até que eu venha para levá-la à perfeição".
        Portanto, quem segue a Cristo, acompanha-o na santa plenitude da paciência, até à morte. Permanece até a vinda de Cristo, para lhe manifestar a plenitude da ciência. Agora suportam-se os males deste mundo, na terra dos mortais. Depois, contemplaremos os bens do Senhor, na terra dos vivos.
          As palavras de Cristo: Quero que ele permaneça até que eu venha, não devem ser interpretadas como se quisesse dizer: "permanece até o fim" ou "fica assim para sempre", mas "permanece na esperança"; pois o que João representa não atinge agora a sua plenitude, mas apenas quando Cristo vier. Pelo contrário, o que Pedro representa, a quem o Senhor disse: Segue-me, deve cumprir-se agora, para podermos alcançar o que esperamos.
        Contudo, ninguém ouse separar estes dois insignes apóstolos. Ambos se encontravam na situação representada por Pedro e ambos haviam de se encontrar na situação representada por João. No plano do símbolo, Pedro seguiu e João ficava; mas no plano da fé, ambos suportavam os males da vida presente, ambos esperavam os bens da felici­dade futura.
        O que sucedeu com eles, sucede com toda a santa Igreja, esposa de Cristo: também ela lutará no meio das tentações do mundo para alcançar a felicidade futura. Pedro e João representavam as duas vidas, cada um simbolizando uma delas; mas ambos viveram esta vida temporal, animados pela fé, e agora já se alegram eternamente na outra vida, pela contemplação.
           Pedro, o primeiro apóstolo, recebeu as chaves do reino dos céus, com o poder de ligar e desligar os pecados, para que fosse timoneiro de todos os santos, unidos inseparavelmente ao corpo de Cristo, em meio às tempestades desta vida. E João, o evangelista, reclinou a cabeça sobre o peito de Cristo, para exemplo dos mesmos santos, a fim de lhes indicar o porto seguro daquela vida divinamente tranquila e feliz.
        Todavia, não é somente Pedro, mas a Igreja universal, que liga e desliga os pecados. E não é só João que bebe da fonte do coração do Senhor, para ensinar com sua pregação que, no princípio, a Palavra era Deus junto de Deus, e outros ensinamentos profundos a respeito da divindade de Cristo, da Trindade e da Unidade de Deus. No reino dos céus, estas verdades serão por nós contempladas face a face, mas na terra nos limitamos a vê-las como num espelho e obscuramente, até que o Senhor venha. Não foi só ele que descobriu estes tesouros do coração de Cristo, mas a todos foi aberta pelo mesmo Senhor a fonte do evangelho, a fim de que por toda a face da terra todos bebessem dele, cada um segundo sua capacidade.
www.liturgiadashoras.org

terça-feira, 8 de maio de 2018

Papa Francisco critica a ideologia de gênero: leva à autodestruição do homem

Papa Francisco. Foto: Vatican Media
Vaticano, 07 Mai. 18 / 11:00 am (ACI).- O Papa Francisco escreveu o prefácio de um livro que reúne vários textos de Bento XVI sobre a fé e a política, no qual critica, novamente, as colonizações ideológicas e, especialmente, a ideologia de gênero.
“A relação entre fé e política é um dos grandes temas que sempre esteve no centro das atenções de Joseph Ratzinger / Bento XVI, e percorre todo o seu caminho intelectual e humano: a experiência direta do totalitarismo nazista o levou, como jovem estudioso, a refletir sobre os limites da obediência ao Estado a favor da liberdade da obediência a Deus”, escreve o Papa Francisco.
“O contraste profundo, observa Ratzinger, acontece, pelo contrário (e antes mesmo da pretensão marxista de colocar o céu na terra, a redenção do homem ‘aqui’), na diferença abismal que subsiste em relação à maneira pela qual a redenção ocorre através da libertação de qualquer dependência, ou o único caminho que leva à libertação é a total dependência do amor, dependência que logo seria a verdadeira liberdade?”.
Nesse sentido, Francisco assegura que o que o Papa Emérito escreveu há 30 anos está vigente hoje mais do que nunca: “Novamente se apresenta a mesma tentação do rechaço de qualquer dependência do amor que não seja o amor do homem pelo próprio ego, pelo ‘eu e seus desejos’; e, como consequência, o perigo da ‘colonização’ das consciências por uma ideologia que nega a certeza profunda segundo a qual o ser humano existe como homem e mulher, a quem foi dada a tarefa da transmissão da vida; essa ideologia que chega à produção planejada e racional dos seres humanos e que – talvez por algum motivo considerado ‘bom’ – chega a considerar lógico e lícito cancelar aquilo que já não se considera criado, doado, concebido e gerado, mas feito por nós mesmos”.
“Esses aparentes ‘direitos’ humanos, orientados à autodestruição do homem (e Joseph Ratzinger nos mostra com força e eficiência) têm um denominador comum único que consiste em uma única, grande negação: a negação da dependência do amor, a negação de que o homem é criatura de Deus, criado amorosamente por Ele à Sua imagem e a quem o homem anseia como a fonte dos mananciais (Salmo 41). Quando esta dependência entre criatura e criador é negada, esta relação de amor, renuncia-se no fundo à verdadeira grandeza do homem, ao bastião de sua liberdade e de sua dignidade”.
ACI Digital

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF