Prof. Felipe Aquino - publicado
em 23/12/15 - atualizado em 25/03/26
O "sim" de Maria dito ao arcanjo Gabriel foi
determinante para dar início à história da nossa salvação.
Santo Agostinho disse que: “Adão, sendo homem, quis
tornar-se Deus e perdeu-se. Cristo, sendo Deus, quis fazer-se homem para a
salvação do homem. Por seu orgulho, o homem caiu tão baixo que só podia ser
levantado pelo abaixar-se de Deus”.
O pecado original nos fez perder a filiação divina; a
humanidade foi expulsa do paraíso; e só poderia se reconciliar com Deus se
houvesse a salvação por meio de Deus mesmo.
Mas, para que o Filho de Deus pudesse se tornar também
homem, e nosso Salvador, sem deixar de ser Deus, era preciso que fosse
concebido por uma mulher. Desde a queda de Adão e Eva Deus já tinha prometido
que a salvação da humanidade viria por meio de uma Mulher, já que o demônio
seduziu a primeira mulher para injetar seu veneno na sua descendência. Deus
disse à Serpente maligna: “Porei inimizade entre ti e a mulher,
entre a tua descendência e a dela. Esta te ferirá a cabeça, e tu lhe ferirás o
calcanhar” (Gn 3,15). Esta Mulher prometida no Protoevangelho era
Maria.
Este projeto de Deus para a nossa salvação se realizou como
São Paulo explicou: “Mas quando veio a plenitude dos tempos, Deus enviou seu
Filho, que nasceu de uma mulher e nasceu submetido a uma lei, a fim de remir os
que estavam sob a lei, para que recebêssemos a sua adoção. A prova de que sois
filhos é que Deus enviou aos vossos corações o Espírito de seu Filho, que
clama: Aba, Pai!” (Gal 4,4). Por meio da Virgem Maria veio o Salvador, que nos
reconciliou com Deus por Sua morte e ressurreição. Nele nos tornamos novamente
filhos de Deus por adoção, pelo Batismo, e Deus enviou o Espirito Santo aos
nossos corações.
O que a Anunciação nos ensina?
Deus anunciou muitas vezes pela boca dos seus profetas como
isso aconteceria. O Salvador viria da tribo de Davi, filho de Jessé: “Um renovo
sairá do tronco de Jessé, e um rebento brotará de suas raízes ”(Is 11,1). “O
próprio Senhor vos dará um sinal: uma Virgem conceberá e dará à luz um Filho, e
o chamará Deus Conosco” (Is 7, 14). “O povo que andava nas trevas viu uma
grande luz; sobre aqueles que habitavam uma região tenebrosa resplandeceu uma
Luz… um Menino nos nasceu, um filho nos foi dado, a soberania repousa sobre os
seus ombros, e ele se chama: Conselheiro Admirável, Deus Forte, Príncipe da
Paz” (Is 9,1-7). Quando Ele vier e estabelecer Seu Reino entre nós, haverá paz
e bem estar:
“Então o lobo será hospede do cordeiro, a pantera se deitará
ao pé do cabrito, o touro e o leão comerão juntos, e um menino pequeno os
conduzirá; a vaca e o urso se fraternizarão, suas crias repousarão juntas, e o
leão comerá palha com o boi. A criança de peito brincará junto à toca da
víbora, e o menino desmamado meterá a mão na caverna da serpente. Não se fará
mal nem dano em todo o meu Santo Monte.” (Is 11, 1-9). Virá Aquele que “ilumina
todo homem que vem a este mundo” (João 1, 9).
Ele será o Messias, o esperado pelas nações, “o mais belo
dos filhos dos homens”. Sem a sua luz o homem vive nas trevas; “permanece para
si mesmo um desconhecido, um enigma indecifrável, um mistério insondável”, como
disse São João Paulo II; sem Ele ninguém sabe quem é, e não sabe para onde vai.
Para que tudo acontecesse, Deus tinha que escolher uma
mulher...
E Deus escolheu a melhor Mulher. A tradição judaica diz que
todas as mulheres judias acalentavam o sonho de ser a Mãe do Messias, menos a
pequena Maria, escondida na pequenina e desprezada Nazaré. Mas Deus
precisava da mulher mais humilde para esta missão, porque a primeira mulher foi
soberba, pecou porque “quis ser como Deus”.
Santo Irineu de Lião (†200) disse que pela
obediência de Maria foi desatado o nó da desobediência de Eva. E Jesus pela
radical humilhação anulou a soberba de Adão.
A Igreja nos ensina que: “Deus enviou Seu Filho” (Gl 4,4),
mas, para “formar-lhe um corpo” quis a livre cooperação de uma criatura. Por
isso, desde toda a eternidade, Deus escolheu, para ser a Mãe de Seu Filho, uma
filha de Israel, uma jovem judia de Nazaré na Galileia, “uma virgem desposada
com um varão chamado José, da casa de Davi, e o nome da virgem era Maria” (Lc
1,26-27): “Quis o Pai das misericórdias que a Encarnação fosse precedida pela
aceitação daquela que era predestinada a ser Mãe de seu Filho, para que, assim
como uma mulher contribuiu para a morte, uma mulher também contribuísse para a
vida”. (Cat. n. 488; LG, 56).
O SIM de Maria dito ao Arcanjo Gabriel foi determinante para
dar início à História da Salvação. “Eis aqui a escrava do Senhor, faça-se em
mim segundo a Tua palavra” (Lc 1,38). Não colocou qualquer obstáculo e nem a
menor exigência ao plano e à vontade de Deus. Então Nela o Verbo se fez carne e
habitou entre nós. Foi inaugurada a História da nossa salvação. Deus se fez
homem no sei da Virgem preparada por Deus, concebida sem pecado original,
virgem como Eva, mas Imaculada. Deus a escolheu por ser a mais humilde de todas
as mulheres. Ela canta em seu Magnificat: “Ele olhou para a humildade de Sua
serva”.
O Espírito Santo foi enviado para santificar o seio da
Virgem Maria e fecundá-la divinamente, ele que é “o Senhor que da a Vida”,
fazendo com que ela concebesse o Filho Eterno do Pai em uma humanidade
proveniente da sua. Quando ela foi servir a Sua prima Santa Isabel, logo foi
saudada por Isabel, cheia do Espírito Santo, como “a Mãe do meu Senhor”.
Todos os santos nos falam da SIM de Maria
Santo Agostinho exclama: “És Maria, a beleza e o
esplendor da terra, és para sempre o protótipo da santa Igreja. Por uma mulher,
a morte, por outra mulher a vida: por ti, Mãe de Deus. Eva foi a causadora do
pecado; Maria, causadora do merecimento. Aquela feriu, esta curou.
Maria é mais bem-aventurada recebendo a fé de Cristo do que
concebendo a carne de Cristo. Maria permaneceu Virgem concebendo seu Filho,
Virgem ao dá-lo a luz, Virgem ao carregá-lo, Virgem ao alimentá-lo do seu seio,
Virgem sempre. Jesus tomou carne da carne de Maria. Na Eucaristia Maria
perpetua e estende a sua Divina Maternidade”.
O SIM de Maria fez dela a Mãe do Senhor, a Mãe da Igreja e a
Mãe de cada irmão de Jesus resgatado pelo Seu Sangue. Diz ainda Santo
Agostinho: “Maria é chamada nossa Mãe porque cooperou com sua caridade para
que, nós, fiéis, nascêssemos para a vida da graça, como membros da nossa
cabeça, Jesus Cristo”. São Tomás de Aquino disse que: “Maria pronunciou o seu
“fiat” (faça-se) em representação de toda a natureza humana”. “Por ser Mãe de
Deus, Maria, tem uma dignidade quase infinita”. Em nome de cada um de nós Nossa
Senhora disse Sim a Deus, e a salvação chegou até nós. Por isso Deus fez dela a
medianeira de todas as graças.
São Francisco de Sales, o grande doutor inspirador de
Dom Bosco disse que: “As crianças, vendo o lobo, correm logo para os braços do
pai ou da mãe, pois ali se sentem seguras. Assim devemos fazer: recorrer
imediatamente a Jesus e a Maria”.
“Recorre a Maria! Sem a menor dúvida eu digo, certamente o
Filho atenderá sua Mãe. Tal é a vontade de Deus, que quis que tenhamos tudo por
Maria”, disse o doutor São Bernardo. Ele garante que “Maria recebeu de Deus uma
dupla plenitude de graça. A primeira foi o Verbo eterno feito homem em suas
puríssimas entranhas. A segunda é a plenitude das graças que, por intermédio
desta divina Mãe, recebemos de Deus. Deus depositou em Maria a plenitude de
todo o bem”. Por isso, o grande doutor dizia:
“O servo de Maria não pode perecer. Se se levantam os ventos
das tentações, se cais nos escolhos dos grandes sofrimentos, olha para a
Estrela, chama por Maria! Se as iras, ou a avareza, ou os prazeres carnais se
abaterem sobre a tua barca, olha para Maria. Se, perturbado pelas barbaridades
dos teus crimes, se amedrontado pelo horror do julgamento, começas a ser
sorvido em abismos de tristeza e desespero, olha para a Estrela, chama por
Maria. Nos perigos, nas angústias, nas dúvidas, pensa em Maria, invoca Maria.
Que ela não se afaste dos teus lábios, não se afaste de teu coração. Maria é a
onipotência suplicante”.

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