MENTIRA E VERDADE SE ENCONTRAM NA PARÁBOLA DA VIDA
10 de setembro de 2021
Xaverianos do Brasil Sul=
Até quando a mentira ficará solta, transvertida de verdade?!
Nas movimentações que tomaram as ruas do Brasil no 7 de setembro, data tão
importante para a nação brasileira, me veio à mente uma parábola, uma história,
criada no século 19, mas atualíssima. Trata-se do encontro da verdade com a
mentira.
A história é a seguinte: um belo dia a verdade e a mentira
se encontraram. A Mentira disse à Verdade: "Hoje o dia está
maravilhoso!" A Verdade olhou para os céus e suspirou, pois o dia estava
realmente lindo. Elas passearam muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado
de um poço. A Mentira disse à verdade: "A água está muito boa, vamos tomar
um banho juntas!" A Verdade, mais uma vez, desconfiada, testou a água e
descobriu que realmente a água estava muito boa. Elas se despiram e começaram a
tomar banho. De repente, a Mentira saiu da água, vestiu as roupas da Verdade e
fugiu. A Verdade, furiosa, saiu do poço e correu para encontrar a Mentira e
pegar suas roupas de volta. As pessoas, vendo a Verdade nua, desviavam o olhar,
com desprezo e raiva. A pobre Verdade, depois de muito tempo procurar, voltou
ao poço e desapareceu para sempre, escondendo nele a sua vergonha.
Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida como
a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque percebeu, em todo
caso, que o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a Verdade nua e crua,
prefere a Mentira com as roupas da verdade.
Outro final dessa história diz que a Verdade, quando voltou
ao poço, recusou-se a vestir a roupas da Mentira e, sem ter que se envergonhar,
saiu nua a caminhar pelas ruas e cidades. Por isso, desde então, para muita
gente é mais fácil aceitar a mentira com a roupa da verdade, do que aceitar a
verdade nua e crua.
Gostou? Jean-Léon Gérôme, em 1896, eternizou essa parábola
com sua pintura: A Verdade saindo do poço. E agora eu lhe pergunto:
não está na hora de sairmos desse poço de águas enlameadas pelo genocídio,
agressões aos poderes estabelecidos, injustiça, fome e miséria? Sair com roupa
ou sem roupa? Sair para apoiar a mentira ou a verdade? A mentira que roubou as
nossas roupas anda por aí vestida de verde e amarelo. E o que é pior,
manipulando a verdade do evangelho que diz: "Conhecereis a verdade, e ela
vos libertará" (Jo 8,32). E como estava nas ruas atropelado a verdade das
ruas, os pobres, os mendigos à beira do caminho.
Aonde chegamos? Um Brasil de impávido colosso às margens de
sectarismos, fascismos, radicalismos e tantos ismos de intolerância política e
religiosa. Até quando a mentira ficará solta, transvertida de verdade, vivendo
nos palácios construídos nos planaltos e sobre a miséria, a fome de 20 milhões
de brasileiros, nas planícies de um gigante pela própria natureza, que exclui,
dizima, seus filhos da primeira hora, os indígenas?! A escolha é sua!
Como pede-nos
o presidente da CNBB, dom Walmor: "não se deixe convencer por quem
agride os Poderes Legislativo e Judiciário. Independentemente de suas
convicções político-partidárias, não aceite agressões às instituições que
sustentam a democracia".
Você prefere a mentira com a roupa da verdade ou a
verdade nua e crua? Pare, pense e reflita! Talvez tenha sido essa a maior das
lições do 7 de setembro desse fim de outono de 2021, o tempo para pensar. O
tempo dará a sua resposta.
Jacir de Freitas Faria (Fonte Dom total)

Nenhum comentário:
Postar um comentário