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domingo, 22 de março de 2026

Mentira e verdade se encontram na parábola da vida

A Vewrdade saindo do poço (Jean-léon Gérôme)

MENTIRA E VERDADE SE ENCONTRAM NA PARÁBOLA DA VIDA

10 de setembro de 2021

Xaverianos do Brasil Sul=

Até quando a mentira ficará solta, transvertida de verdade?! Nas movimentações que tomaram as ruas do Brasil no 7 de setembro, data tão importante para a nação brasileira, me veio à mente uma parábola, uma história, criada no século 19, mas atualíssima. Trata-se do encontro da verdade com a mentira.

A história é a seguinte: um belo dia a verdade e a mentira se encontraram. A Mentira disse à Verdade: "Hoje o dia está maravilhoso!" A Verdade olhou para os céus e suspirou, pois o dia estava realmente lindo. Elas passearam muito tempo juntas, chegando finalmente ao lado de um poço. A Mentira disse à verdade: "A água está muito boa, vamos tomar um banho juntas!" A Verdade, mais uma vez, desconfiada, testou a água e descobriu que realmente a água estava muito boa. Elas se despiram e começaram a tomar banho. De repente, a Mentira saiu da água, vestiu as roupas da Verdade e fugiu. A Verdade, furiosa, saiu do poço e correu para encontrar a Mentira e pegar suas roupas de volta. As pessoas, vendo a Verdade nua, desviavam o olhar, com desprezo e raiva. A pobre Verdade, depois de muito tempo procurar, voltou ao poço e desapareceu para sempre, escondendo nele a sua vergonha.

Desde então, a Mentira viaja ao redor do mundo, vestida como a Verdade, satisfazendo as necessidades da sociedade, porque percebeu, em todo caso, que o mundo não nutre nenhum desejo de encontrar a Verdade nua e crua, prefere a Mentira com as roupas da verdade.

Outro final dessa história diz que a Verdade, quando voltou ao poço, recusou-se a vestir a roupas da Mentira e, sem ter que se envergonhar, saiu nua a caminhar pelas ruas e cidades. Por isso, desde então, para muita gente é mais fácil aceitar a mentira com a roupa da verdade, do que aceitar a verdade nua e crua.

Gostou? Jean-Léon Gérôme, em 1896, eternizou essa parábola com sua pintura: A Verdade saindo do poço. E agora eu lhe pergunto: não está na hora de sairmos desse poço de águas enlameadas pelo genocídio, agressões aos poderes estabelecidos, injustiça, fome e miséria? Sair com roupa ou sem roupa? Sair para apoiar a mentira ou a verdade? A mentira que roubou as nossas roupas anda por aí vestida de verde e amarelo. E o que é pior, manipulando a verdade do evangelho que diz: "Conhecereis a verdade, e ela vos libertará" (Jo 8,32). E como estava nas ruas atropelado a verdade das ruas, os pobres, os mendigos à beira do caminho.

Aonde chegamos? Um Brasil de impávido colosso às margens de sectarismos, fascismos, radicalismos e tantos ismos de intolerância política e religiosa. Até quando a mentira ficará solta, transvertida de verdade, vivendo nos palácios construídos nos planaltos e sobre a miséria, a fome de 20 milhões de brasileiros, nas planícies de um gigante pela própria natureza, que exclui, dizima, seus filhos da primeira hora, os indígenas?! A escolha é sua! Como pede-nos o presidente da CNBB, dom Walmor: "não se deixe convencer por quem agride os Poderes Legislativo e Judiciário. Independentemente de suas convicções político-partidárias, não aceite agressões às instituições que sustentam a democracia".

 Você prefere a mentira com a roupa da verdade ou a verdade nua e crua? Pare, pense e reflita! Talvez tenha sido essa a maior das lições do 7 de setembro desse fim de outono de 2021, o tempo para pensar. O tempo dará a sua resposta.

Jacir de Freitas Faria (Fonte Dom total)

Fonte: https://www.xaverianos.org.br/

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Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF