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sábado, 1 de agosto de 2020

Da Carta a Policarpo, de Santo Inácio de Antioquia, bispo e mártir

Santo Inácio de Antioquia//Convento da Penha
(Nn.5,1-8,1.3:Funk1,249-253)                 (Séc. I)

Tudo se faça em honra de Deus
Foge dos maus hábitos; e diante do povo fala contra eles. Dize a minhas irmãs que amem o Senhor e estejam satisfeitas com seus maridos, de corpo e alma. Igualmente a meus irmãos ordena em nome de Jesus Cristo que amem suas esposas como o Senhor ama a Igreja. Se alguém pode guardar a castidade em honra da carne do Senhor, permaneça na humildade. Envaidecendo-se, perecerá. Julgando-se superior ao bispo, está morto. 
Convém, certamente, que o noivo e a noiva se unam em casamento, com a aprovação do bispo, a fim de que as núpcias sejam segundo o Senhor e não conforme a concupiscência. Tudo se faça em honra de Deus. 
Escutai o bispo para que Deus vos escute. Estou pronto a dar minha vida por aqueles que são submissos ao bispo, aos presbíteros, aos diáconos. Oxalá tenha eu parte com eles em Deus. Colaborai uns com os outros. Juntos lutai, juntos correi. Padecei juntos. Adormecei em união, em união levantai-vos, como administradores, familiares e servos de Deus que sois. Dai-lhe prazer, àquele para quem militais e de quem recebereis o soldo. Nenhum seja desertor. Vosso batismo seja a vossa arma; a fé, o vosso capacete; a caridade, a vossa lança; a paciência, a vossa armadura completa. As vossas obras sejam vosso depósito para receberdes em justiça o que vos é devido. Sede generosos e longânimes uns com os outros, com mansidão, assim como Deus em relação a vós. Quem me dera gozar para sempre de vosso convívio! 
A Igreja, que está em Antioquia na Síria, segundo me foi referido, goza da paz por vossas orações. Assim, estou agora mais tranquilo e seguro em Deus. Que possa eu, agora, alcançar a Deus pelo martírio e acompanhar-vos na ressurreição! 
Seria bom, Policarpo, querido de Deus, promover uma reunião, sob o olhar divino, para escolher alguém, querido de todos e incansável, que se possa chamar um arauto de Deus. Deste modo, reveste-o tu de tal honra, que ele possa ir à Síria e lá tornar conhecida a vossa incansável caridade, para a glória de Deus. 
O cristão não tem poder sobre si: é todo de Deus. Esta é obra de Deus e vossa, quando a tiverdes realizado. Espero em vossa prontidão para toda e qualquer obra de Deus. Conhecendo vosso ardente desejo da verdade, com breve carta vos exortei. 
Já que não pude escrever a todas as Igrejas porque, diante de uma ordem repentina, tive de navegar de Trôade a Nápoles, tu, que estás unido à vontade de Deus, escreve às Igrejas da região oriental e todos os que puderem façam o mesmo, através de portadores ou de correios. E todos sereis, eternamente recompensados. 
Desejo que passeis sempre bem em nosso Deus, Jesus Cristo, por quem permaneceis na unidade de Deus e no episcopado. Adeus no Senhor! 

2020: um ano perdido?

QUARANTINE
Shutterstock | Marian Fil
Por Dolors Massot

Se dermos o valor da eternidade a cada minuto da nossa vida, um ano nunca será considerado perdido

Talvez você já tenha pensado ou ouvido falar que este ano de 2020 será um “ano perdido”. Isso porque muitos podem estar vivendo uma destas situações provocadas pela pandemia da Covid-19:
  • sem trabalho ou com muitas mudanças na vida profissional;
  • sem viagens, sem poder ver amigos e familiares, sem poder sair de casa;
  • com mudanças também na formação educacional, principalmente das crianças;
  • teve que enfrentar a doença, perdeu um ente querido ou conviveu com alguém que contraiu o coronavírus.
A sensação é que este ano ficou entre parêntesis, que nossa vida ficou paralisada. O impacto pessoal e econômico causado pela pandemia é generalizado.
É difícil colocar em prática novos projetos, tanto no plano pessoal quanto familiar, social ou profissional. Há muitas dificuldades de seguir a vida como planejamos, entre elas o risco do contágio e a inexistência de uma vacina contra o coronavírus.
Em muitos países, há uma lógica obrigação de manter um distanciamento de segurança entre as pessoas e as medidas sanitárias mudaram drasticamente nosso modo de nos relacionarmos com os outros.  Isso faz com que seja complicado empreender algo em qualquer dimensão da nossa vida – do namoro até os negócios.

 O que colocar na balança?

Afinal, perdemos mesmo um ano da nossa vida? Será que 2020 será um ano totalmente sem valor ou com um balanço negativo?
Não tem que ser assim. A eficácia deste ano dependerá do sentido que damos à nossa vida. Para quem só pensa no seu tempo, apenas com olhares em benefícios próprios, estar em uma situação difícil – para não dizer impossível – para se fazer o que mais lhe agrada, este será um ano negativo.
O mesmo acontecerá para quem traçou metas materiais para este ano. Também poderá ser um ano decepcionante para quem busca a glória profissional em alguns segmentos do mercado.

Mas como fazer para não perder o ano?

A primeira dica é: confira à sua vida um sentido trascendental. Pergunte-se por quê e por quem você faz as coisas. Viver para a família e para fazer o bem aos outros é um grande passo. Mas a pandemia nos colocou a pensar profundamente em qual sentido damos à nossa vida. Esse é o momento de avaliarmos o lugar que conferimos a Deus em nossa caminhada.
Quem crê em Deus enxergará 2020 como um presente, apesar de todas as dificuldades. A fé muda tudo, principalmente o enfoque que damos ao nosso trabalho, ao nosso amor, à nossa saúde.
Os pensadores clássicos falavam da brevidade do tempo como um lamento. É uma queixa, fruto da condição humana, que vê que o tempo se esfumaça. Daí o conceito do tempus fugit, o tempo fugaz, que se escapa, que não pode ser detido.
Mas São Paulo se dirige aos coríntios, dizendo: Tempus breve est!, referindo-se à brevidade da nossa passagem pela Terra, ao contrário da eternidade diante de Deus.
Nesta mesma linha, São Josemaría Escrivá nos convida a refletir:
“O tempo é um tesouro que se vai, que escapa, que escorre por nossa mãos como água pelos penhascos. O ontem passou, e o hoje está passando. O amanhã logo será outro ontem. A duração da vida é muito curta. Mas quanto se pode realizar, por amor a Deus, neste pequeno espaço!”
Portanto, se dermos o valor da eternidade a cada minuto da nossa vida, um ano nunca será perdido.  Talvez 2020 seja mais custoso que os outos. Mas também tem sido um tempo propício para fazer grandes coisas. É por isso que nossa perspectiva sobre o ano do coronavírus poderá mudar quando lembrarmos de algo essencial: a vida é um tempo para amar.
Aleteia

11 frases de santos e papas sobre o poder do Terço

11 frases de santos e papas sobre o poder do Terço

“Se um milhão de famílias rezassem o rosário todos os dias, o mundo inteiro seria salvo”

Selecionamos para você 11 frases fortes de papas e santos sobre a importância de rezar o Terço.

1
O TERÇO É O FLAGELO DO DIABO (PAPA ADRIANO VI)

2
O TERÇO É A MAIS EXCELENTE FORMA DE ORAÇÃO E O MEIO MAIS EFICAZ DE ALCANÇAR A VIDA ETERNA. É O REMÉDIO PARA TODOS OS NOSSOS MALES, A RAIZ DE TODAS AS NOSSAS BÊNÇÃOS. NÃO HÁ MANEIRA MAIS EXCELENTE DE REZAR (PAPA LEÃO XIII)

3
O MAIOR MÉTODO PARA REZAR É REZAR O TERÇO (SÃO FRANCISCO DE SALES)

4
O TERÇO É UM TESOURO INESTIMÁVEL INSPIRADO POR DEUS (SÃO LUÍS MARIA GRIGNION DE MONTFORT)

5
DAI-ME UM EXÉRCITO QUE REZE O TERÇO E EU VENCEREI O MUNDO (PAPA SÃO PIO X)

6
DE TODAS AS ORAÇÕES, O TERÇO É A MAIS BELA E A MAIS RICA EM GRAÇAS; É A ORAÇÃO QUE MAIS TOCA O CORAÇÃO DA MÃE DE DEUS! SE VOCÊ DESEJA QUE A PAZ REINE EM SUA CASA, REZE O TERÇO EM FAMÍLIA (PAPA SÃO PIO X)

7
SE UM MILHÃO DE FAMÍLIAS REZASSEM O TERÇO TODOS OS DIAS, O MUNDO INTEIRO SERIA SALVO (PAPA SÃO PIO X)

8
O TERÇO É UMA ARMA PODEROSÍSSIMA PARA AFUGENTAR OS DEMÔNIOS. NÃO DEIXE PASSAR NENHUM DIA SEM REZÁ-LO, NÃO IMPORTA O QUANTO VOCÊ ESTEJA SOBRECARREGADO (PAPA PIO XI)

9
O TERÇO É A 'ARMA' PARA ESTES TEMPOS (SÃO PADRE PIO)

10
O TERÇO É UMA ESCOLA PARA APRENDERMOS A VERDADEIRA PERFEIÇÃO CRISTÃ (PAPA SÃO JOÃO XXIII)

11
COMO É BELA A FAMÍLIA QUE REZA O TERÇO TODAS AS NOITES! (PAPA SÃO JOÃO PAULO II)


Como recitar o Terço (Rosário)

Em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo.
Ó Deus, vinde em nosso auxílio.
Senhor, socorrei-nos e salvai-nos.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo.
Como era no princípio, agora e sempre,
Amém.
Anuncia-se a cada dezena o “mistério”, por exemplo, no primeiro mistério: “Anunciação a Maria”.
Depois de uma breve pausa de reflexão, recitam-se: um Pai Nosso, dez Ave Marias e um Glória ao Pai.
A cada dezena da Coroa pode-se acrescentar uma invocação.
No final do Rosário são recitadas as Ladainhas Lauretanas, ou outras orações marianas.
Pai Nosso, que estais no céu, santificado seja o Vosso Nome, venha a nós o Vosso Reino, seja feita a Vossa Vontade, assim na terra como no céu. O pão nosso de cada dia nos dai hoje, perdoai-nos as nossas ofensas, assim como nós perdoamos a quem nos tenha ofendido. E não nos deixeis cair em tentação, mas livrai-nos do mal. Amém.
Ave Maria,  cheia de graça, o Senhor é convosco. Bendita sois Vós entre as mulheres, bendito é o fruto de Vosso ventre, Jesus. Santa Maria, Mãe de Deus, rogai por nós, pecadores, agora e na hora de nossa morte. Amém.
Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo, como era no princípio, agora e sempre. Amém.

Ladainha de Nossa Senhora

Salve Rainha, Mãe de Misericórdia, vida, doçura e esperança nossa, salve! A Vós bradamos, os degredados filhos de Eva. A Vós suspiramos, gemendo e chorando neste vale de lágrimas.
Eia, pois, Advogada nossa, esses Vossos olhos misericordiosos a nós volvei, e, depois deste desterro, mostrai-nos a Jesus, bendito fruto de Vosso ventre, ó clemente, ó piedosa, ó doce sempre Virgem Maria.
Rogai por nós, santa Mãe de Deus,
Para que sejamos dignos das promessas de Cristo.
Amém.
Aleteia

Santo Afonso Maria de Liguori, das leis à evangelização

Santo Afonso Maria de Liguori
Santo Afonso Maria de Liguori /VaticanNews
A Igreja Católica recorda neste dia 1º de agosto, Santo Afonso Maria de Ligório, bispo, confessor e doutor da Igreja.

Silvonei José - Vatican News

Santo Afonso é um dos santos mais populares do século XVIII. Bispo e Doutor da Igreja, fundou a Congregação do Santíssimo Redentor (Redentoristas). Nascido em Nápoles em 27 de setembro de 1696, é o santo padroeiro dos estudiosos de teologia moral e dos confessores. Como o Papa Francisco recordou na audiência geral de 1º de agosto de 2018, "conquistou o coração do povo com mansidão e ternura, frutos do relacionamento com Deus, que é bondade infinita".
Das leis à evangelização
A vida de Santo Afonso, nos anos da sua juventude, parece ter uma direção precisa. Depois de estudar direito civil e canônico, tornou-se o advogado mais brilhante da Ordem dos Advogados de Nápoles. Indignado com a corrupção e a injustiça que, nesses anos, poluía o ambiente jurídico, abandonou a sua profissão. É outra, de fato, a vocação de Santo Afonso: torna-se sacerdote e adquire uma vasta cultura teológica que une a uma obra de evangelização entre as pessoas mais humildes da sociedade. Colocou toda a sua criatividade artística e literária a serviço da missão. É o autor da letra e da música de um dos mais populares cânticos de Natal, “Tu scendi dalle stelle” (Tu desces das estrelas).
Toda a esperança depositada em Jesus e Maria
A vida de Santo Afonso é marcada pela oração, pela adoração eucarística e pela devoção mariana. "A ti", escreveu ele no livro "Glórias de Maria", dirijo-me, ó minha dulcíssima Senhora e Mãe minha: tu sabes que eu depois de Jesus em ti depositei toda a esperança da minha eterna saúde”. No dia 12 de março de 2015, encontrando os participantes do curso promovido pelo Tribunal da Penitenciária Apostólica, o Papa convidou-os a voltarem o olhar como Santo Afonso, para Maria: "Gosto muito de ler as Histórias de Santo Afonso Maria de Liguori, e os diversos capítulos do seu livro 'As Glórias de Maria'. Estas histórias de Nossa Senhora, que é sempre o refúgio dos pecadores e procura o caminho para que o Senhor perdoe tudo. Que Ela nos ensine esta arte".
Todos estão no coração do Pai
A missão de Santo Afonso está ligada à pregação marcada pela simplicidade apostólica e pela educação dos humildes. Dirigindo-se aos professores e alunos da Academia Afonsiana em 9 de fevereiro de 2019, o Papa Francisco recordou que o Santo compreendeu que é preciso "partilhar as necessidades, despertar as expectativas mais profundas do coração e fazê-los experimentar que cada um, por mais frágil e pecador que seja, está no coração do Pai Celestial e é amado por Cristo até a Cruz". Aquele que é tocado por este amor, sente a urgência de responder com o amor”. O caminho percorrido por Santo Afonso continua a ser uma estrada mestra na história e na vida da Igreja. Dirige-te ao Senhor - disse o santo napolitano - "como a um amigo teu, o mais querido que tens e que mais te ama". "Não há porteiro - repetiu ele - para aqueles que desejam falar com ele".
Próximo aos últimos
A oração de Santo Afonso Maria de Liguori para que possamos acolher Jesus pelo menos espiritualmente, quando não é possível sacramentalmente, entrou na piedade popular. É o que salienta o Padre Sabatino Majorano, Redentorista, recordando em particular que Santo Afonso ajudou os mais frágeis a caminhar para a santidade.
R. - "As palavras desta oração entraram na piedade popular. Não se trata de uma prática substituta da Comunhão eucarística. Mas é complementar e preparatória à Comunhão Eucarística. Evidentemente, em momentos em que não é possível receber a comunhão eucarística, a comunhão espiritual tem todo o seu valor".
A Oração de Santo Afonso Maria de Liguori para a Comunhão espiritual
Neste período de emergência sanitária em que em muitos lugares as missas com a participação dos fiéis estão suspensas, o Papa convida à Comunhão espiritual. Durante a celebração da manhã na Casa Santa Marta durante o período de pandemia, recitou frequentemente a oração de Santo Afonso Maria de Liguori.
Não poder receber a Eucaristia não significa não poder se predispor a acolher Jesus com o coração. Na história da Igreja existe uma antiga práxis, confirmada em particular pelo Concílio de Trento, que o Papa Francisco recordou várias vezes durante este período de pandemia. É a Comunhão espiritual: com uma oração exprime-se o desejo ardente, já que não é possível receber a comunhão sacramental, de acolher Jesus Cristo pelo menos espiritualmente. Convidando à Comunhão espiritual, o Papa Francisco recitou frequentemente esta oração de Santo Afonso Maria de Liguori durante a Missa na capela da Casa Santa Marta:
“Meu Jesus, eu creio que estais realmente presente no Santíssimo Sacramento do Altar. Amo-vos sobre todas as coisas, e minha alma suspira por Vós. Mas, como não posso receber-Vos agora no Santíssimo Sacramento, vinde, ao menos espiritualmente, a meu coração. Abraço-me convosco como se já estivésseis comigo: uno-me Convosco inteiramente. Ah! não permitais que torne a separar-me de Vós”
Vatican News

S. AFONSO MARIA DE LIGÓRIO, BISPO E DOUTOR DA IGREJA.

S. Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja, fundador da Congregação do Santíssimo Redentor
S. Afonso Maria de Ligório, bispo e doutor da Igreja,
fundador da Congregação do Santíssimo Redentor 
“Os filhotes das andorinhas só pensam em gritar para obter proteção e comida das mães. Assim, também nós devemos sempre clamar, pedindo a ajuda de Deus para evitar a morte do pecado e progredir em seu santo Amor”.
Quando alguém nasce em uma família nobre, como a dos Liguori, em uma cidade grande como Nápoles, em um século importante como o do Iluminismo e como o primeiro de oito filhos, é destinado, certamente, a algo superior. Assim, como bom augúrio, os pais batizam seu primogênito com o nome de Afonso, que significa valoroso e nobre. E ninguém, mais do que ele, fez jus ao seu nome.
Advogado, com apenas 16 anos
Confiado aos melhores tutores em circulação, Afonso demonstrou, imediatamente, qualidades extraordinárias: aos 12 anos, superou, de modo exímio, os exames de vestibular, diante do filósofo Giambattista Vico, para entrar na Faculdade de Direito; aos 16 anos, já exercia a profissão de advogado, tornando-se rapidamente o melhor da cidade e com uma reputação merecida, por não perder nenhuma causa.
No entanto, o Senhor tinha outros planos para ele, avantajado por nascer em uma família particularmente agraciada. De fato, dos oito filhos, além dele, duas irmãs se tornaram monjas, um beneditino e outro sacerdote diocesano. Com efeito, não era naquele contexto nobiliário, do qual provinha, que Afonso era chamado a viver.
Da lei humana à Lei de Deus
Durante a sua profissão de advocacia, Afonso exercia o que hoje chamamos "voluntariado", sobretudo em um hospital de Nápoles, onde visitava os enfermos. Aos poucos, esta vida o atraía, cada vez mais. Por isso, decidiu deixar as leis humanas para se dedicar ao Senhor.
Em 1726, ao ser ordenado sacerdote, dedicou todo o seu ministério ao serviço dos mais pobres, que, no século XVIII, são incontáveis. Suas atividades, como pregador e confessor, eram intensas, entretanto, cultivava seu sonho de partir em missão no Oriente.
Pastor entre os pastores: nascimento da Congregação
Em 1730, durante um período de descanso forçado, entre as montanhas próximas de Amalfi, Afonso conheceu alguns pastores com os quais debateu sobre a gravidade do seu abandono humano, cultural e religioso. Aquela conversa o perturbou tanto, a ponto de chegar à decisão de deixar Nápoles para se retirar para o eremitério beneditino da Vila dos Escravos, perto de Caserta. Ali, fundou a Congregação do Santíssimo Salvador, que, depois, foi aprovada por Bento XIV, em 1749, com o atual nome de Congregação do Santíssimo Redentor. A sua missão consistia em uma pregação marcada pela simplicidade apostólica e na educação dos humildes.
Afonso partiu do modelo “Capelas noturnas”, grupos liderados pelos colaboradores do Santo, tanto leigos como seminaristas, dedicados à evangelização dos jovens que viviam nas ruas. Esta experiência teve um sucesso imediato em Nápoles, a ponto de atingir cerca de 30 mil inscritos para serem educados.
Mais tarde, os sacerdotes Redentoristas contaram também com a adesão das Irmãs Redentoristas, o ramo feminino da Congregação, fundado precisamente em Amalfi.
Bispo de Santa Águeda dos Godos
Afonso gostava muito da arte de ensinar e de fazer pregações, utilizando métodos inovadores, como a música, que ele havia estudado quando era criança. Uma das suas composições, por exemplo, é a famosa "Tu scendi dalle stelle” (“Tu desces das estrelas”), que nunca falta entre os cantos nas celebrações do Natal.
Afonso estava muito comprometido também com as questões morais. Entre as muitas obras que escreveu, a mais importante é, certamente, a "Teologia moral", em vários volumes, ainda hoje estudada, na qual enfrenta questões como a virgindade de Maria e a infalibilidade do Papa, muito antes de a Igreja considerá-las dogmas.
Em 1762, com a venerável idade de 66 anos, Afonso Maria de Liguori foi nomeado Bispo de Santa Águeda dos Godos, em Benevento, ao qual, após 15 anos, renunciou por problemas de saúde, que o levaram à morte em 1787.
Santo Afonso Maria de Liguori foi canonizado em 1839 e proclamado Doutor da Igreja, por Pio IX, em 1871. Em 1950, Pio XII o proclamou "Padroeiro celestial de todos os confessores e moralistas".
Vatican News
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"O santo faleceu aos 90 anos, na noite de 31 de julho para 1º de agosto de 1787. Foi canonizado em 1839 e declarado Doutor da Igreja em 1871.
Santo Afonso, cujo nome significa “pronto para o combate”, é representado com o crucifixo, os livros, o rosário ou a figura da Santíssima Virgem Maria, a quem tinha uma profunda devoção.

Sua congregação dos Redentoristas chegou ao Brasil em 1894. Hoje, há cerca de 600 missionários espalhados em 25 estados e no Distrito Federal. Desenvolve amplo trabalho evangelizador, fazendo-se presentes em diversas frentes missionárias, como: casas de formação, missões estrangeiras, área acadêmica, comunicações, missões itinerantes, paróquias e santuários, entre os quais, o de Nossa Senhora Aparecida, em Aparecida (SP), e o do Divino Pai Eterno, em Trindade (GO)."
ACI Digital

S. PEDRO FABRO, PRESBÍTERO JESUÍTA

S. Pedro Fabro
S. Pedro Fabro  (© Compagnia di Gesù)
Pedro Fabro era um homem muito devoto, - embora esta sua atitude não suscite, hoje, muito interesse, - mas era admirado, no seu tempo, por ser uma pessoa de caráter humano e espiritual não comum. Desde há 500 anos, Pedro Fabro é considerado “apóstolo” do Evangelho, do Papa e do carisma nascente dos Jesuítas, que propagou por todos os lugares e em suas muitas viagens.
Inácio, o Papa e Lutero
Inácio Fabro estudou em Paris e foi professor, por dois anos, na Universidade “La Sapienza” de Roma. No entanto, a sua doutrina era apropriada tanto para os cultos quanto para os analfabetos. Para ele não fez muita diferença deixar o prestígio acadêmico para dar catecismo, a pedido do Papa, no interior da região italiana de Parma. Não fez também nenhuma diferença, mais tarde, a obedecer ao Papa, que o enviou à Alemanha como ponte de diálogo entra a Igreja e o protestantismo de Lutero.
Fabro foi um jesuíta apaixonado pelo novo estilo de vida inaugurado por Santo Inácio, tornando-se o primeiro sacerdote da Companhia, em maio de 1534.
Em 15 de agosto do ano seguinte, com o fundador da Ordem dos Jesuítas e outros cinco companheiros, fez o famoso voto em Montmartre: viver em pobreza e ir a Jerusalém, estando sempre à disposição do Papa.
Sempre em viagem
A guerra entre Turcos e Venezianos impediu a sua peregrinação; assim, aquele primeiro núcleo da futura Ordem esteve à disposição do Papa Paulo III, que os destinou às mais variadas funções.
Pedro Fabro era um homem dinâmico e inquieto, engrandecido pelo seu contato com o Evangelho; concentrou todo este seu capital enérgico na ação missionária, que dele se apoderava. Então, viajou pela Europa rezando, pregando Exercícios Espirituais, visitando mosteiros. Contudo, toda esta sua dedicação e resistência acabou por afetar sua saúde. Por isso, Pedro Fabro foi obrigado a voltar para a Cidade Eterna, em 17 de julho de 1546, onde o aguardava uma última e grande missão: oferecer sua contribuição para a discussão sobre o diálogo, no Concílio de Trento, com o qual a Igreja pretendia responder à Reforma de Lutero. Porém, Pedro Fabro adoeceu e morreu em Roma, no dia primeiro de agosto de 1547.
Seu Memorial
A beleza e riqueza espirituais de Pedro Fabro estão condensadas, em espanhol e em latim, no seu “Memorial”, - uma espécie de diário espiritual, - que, junto com o seu Epistolário, enaltece a grandeza da sua fé e seu estilo genuíno de vida cristã.
Vatican News

sexta-feira, 31 de julho de 2020

MISSIOLOGIA: Ensinai a todas as nações.

Ecclesia
«Ensinai a todas as nações»
Pe. João Meyendorff
Traduzido para o espanhol por Naim Ganudo
do espanhol para o português por Hier. Pe. André
Comunidade Monástica São João, o Teólogo
São José - Santa Catarina.
«Quando a Igreja deixa de ser missionária,
perde sua razão de ser...»
eria demasiado óbvio destacar o fato de que o cristianismo teve início como uma missão por excelência. Precisamos somente remeter às últimas palavras do Senhor logo após sua Ressurreição: «Ide, pois, de todas as nações fazei discípulos, batizando-os em nome do Pai, e do Filho, e do Espírito Santos...»
A Boa Nova transformou a antiga religião de uma nação, na nova religião de uma Pessoa: Jesus Cristo, por meio de quem e em quem as pessoas de todas as nações puderam encontrar a resposta, o significado da vida e puderam receber a revelação da chegada de Deus.
Esta ênfase na Boa Nova é fundamental para a missão. E, ao mesmo tempo, extremamente importante é a inevitável luta do Reino de Deus e deste mundo. A vida inteira de Cristo pode ser considerada como «reprovada», no sentido de que o mundo o recusou e finalmente foi condenado à morte. Cristo, porém, ressuscitou da morte pelo poder de Deus, não pelo poder do homem; e a verdade da Ressurreição é um mistério revelado somente àqueles que crêem n'Ele e, por conseguinte, àqueles que «não são deste mundo.» O anúncio da verdade do Evangelho deverá "fazer frente" aos que se opõem e acarretará divisões.
Para ser mais concreto, vou citar uma breve passagem do prólogo ao Evangelho de São João, escrita, ao que parece, por São Cirilo, o Constantino de Salônica, quando foi a Morávia em missões e lá pregar a Boa-nova. Uma de suas primeiras tarefas foi traduzir as Sagradas Escrituras para a língua eslava para dar aos convertidos a possibilidade de escutar e entender a palavra de Deus em sua própria língua. O prólogo ao qual me refiro reza: «Como os profetas da Antiguidade, Cristo veio para reunir todas as nações e línguas, posto que é a vida deste mundo.»
O prólogo prossegue com o tema de Pentecostes, que deve ser entendido biblicamente em contraposição a origem da «torre de babel», no livro do Gênesis, no qual o conceito de multiplicidade de línguas se converteu em uma maldição. Mas em Pentecostes, quando veio o Espírito Santo, todas as pessoas começaram a falar diferentes línguas, porém, a dizer «as mesmas coisas, no mesmo espírito.»
Em outras palavras, na torre de babel, o pluralismo de línguas se converteu em uma maldição, em Pentecostes, porém, a multiplicidade de línguas se converteu em uma bênção, porque permitiu que todas as pessoas entendessem: o Evangelho, a mesma verdade e o mesmo Espírito, com a finalidade de torná-lo conhecido de todo o mundo. Cristo veio para reunir todas as nações e línguas.
Este é o primeiro aspecto no conceito de missão de São Cirilo e São Metódio, no qual a ortodoxia ao longo dos séculos tem permanecido fiel: a idéia de que cada nação tem direito a escutar e entender a palavra de Deus em sua própria língua. Esta foi uma das chaves do êxito bizantino na idade média, como a palavra de Deus e a Santa Liturgia foram traduzidas a língua de cada nação.
A missão na Igreja Ortodoxa foi sempre inseparável da vida dos que pregaram, por exemplo, ao largo do Oriente cristão, as comunidades monásticas foram agentes de evangelização. Isto se aplica as primitivas missões cristãs, ainda nos séculos IV e V na Etiópia, ou as missões bizantinas dos séculos VII e IX e de muitas outras das missões russas em períodos posteriores. Seu êxito no foi o trabalho de missões bem pagas em base a um contrato, pregando algo para logo regressarem a seus lugares, senão de homens que amavam a Deus e as pessoas a quem queriam transmitir sua fé. Este testemunho de amor fraterno é a verdadeira solução para os nossos dias e época em que, freqüentemente vemos o fracasso do cristianismo "profissional" organizado.
Precisamente porque a missão é inseparável da vida é também inseparável do progresso do pensamento teológico, do pensamento cristão e da vida. O missionário, o teólogo, o cristão, devem então entender o que os santos Padres ensinaram, de que o mesmo Senhor pode proclamar a Boa Nova de um modo que seja claro para as gentes de todo mundo, em seu próprio tempo.
A missão cristã é fundamentalmente o anúncio da verdade de Cristo a todos. Como membros da Igreja Ortodoxa, afirmamos que a nossa é a Igreja de Deus. Porém, significa isto que pensamos nós que a verdadeira fé e verdade no mundo são monopólio formal da ortodoxia? De nenhuma maneira afirmamos isto. A verdade pode existir em qualquer parte e, a verdadeira catolicidade da Igreja implica a alegria em descobrir a verdade quando e onde aparece.
Finalmente, um aspecto fundamental de como a Igreja Ortodoxa entende a missão foi expressada pelo grande santo russo, São Serafim de Sarov: «Salva-te a ti mesmo e, em tua volta, milhares serão salvos.» Penso que até certo ponto, pessoalmente, a experiência de acercar-se do conhecimento de Deus, da fé cristã, é a chave para uma aproximação cristã da missão.
Podemos ter todas as organizações no mundo. Podemos ter todos os meios para pregar o Evangelho e, ainda podemos falar no que nos concerne pessoalmente ao conhecimento de Deus. Esta é a verdadeira condição para fazer nossas palavras significativas e plenas de sentido.
Ecclesia

Qual é o melhor horário para rezar?

Ben White | Unsplash
Por Claudio Castro

Existe um momento ideal, em que Deus pode nos ouvir?

Você já se perguntou alguma vez qual é a melhor hora para rezar? Essa é uma pergunta que eu me faço sempre. Pode parecer bobagem, mas eu gostaria de chamar a atenção de Deus e saber qual o momento em que ele me ouve e atende às minhas orações.
Na Bíblia, encontramos exemplos de grandes orantes, pessoas que rezavam três vezes ao dia, inclusive na madrugada.
E Jesus, o que ele dizia?
“Propôs-lhes Jesus uma parábola para mostrar que é necessário orar sempre sem jamais deixar de fazê-lo.”  (Lucas, 18,1)
“Intensificai as vossas invocações e súplicas. Orai em toda circunstância, pelo Espírito, no qual perseverai em intensa vigília de súplica por todos os cristãos.” (Efésios 6,18)
Um dos livros que costumo recomendar é “O peregrino russo”. Você não imagina o quanto aproveito dessa leitura. O peregrino russo embarca em uma grande aventura em busca da resposta a uma inquietude muito particular e diz, em certa passagem:
 “Pela graça de Deus, sou homem e sou cristão, por meus atos, grande pecador, por estado, peregrino da mais baixa condição, andando sempre, errante, de um lugar ao outro… No vigésimo quarto domingo depois da Trindade, entrei na Igreja para orar. Estavam lendo a epístola de São Paulo aos Tessalonicenses, em que está escrito: “Orai sem cessar”. Essas palavras penetraram profundamente em meu espírito e eu me perguntei como seria possível rezar sem parar.”
Como o peregrino, eu embarquei em uma busca similar, cheio de inquietudes e da presença de Deus.
Parece que há horas para rezar que rendem muitos frutos espirituais.
Duas dessas horas me chamaram a atenção:
  1. Às três horas da tarde, hora da Misericórdia.
 “Às três da tarde em ponto, implore Minha misericórdia, especialmente pelos pecadores, e, embora seja por um breve momento, mergulhe em Minha paixão, particularmente no Meu abandono, no momento da agonia. Esta é a hora da grande misericórdia para o mundo. Eu te permitirei entrar em minha dor mortal. Nesta hora, eu não recusarei nada à alma que me pedir algo em virtude de Minha paixão” (Diário de Santa Faustina 1320)
  1. A madrugada
 “Durante a madrugada, quando ainda estava muito escuro, Jesus se levantou, saiu e foi a um lugar solitário. Lá, se pôs a rezar”. (São Marcos 1,35)
Eu quis ter a experiência de rezar durante a madrugada. Foi maravilhoso. E agora, com frequência repito.
Aleteia

Com que frequência Jesus rezava?

Christ in Gethsemane
Heinrich Hofmann / Public Domain
Por Philip Kosloski

Cristo costumava rezar em intervalos específicos do dia e antes de acontecimentos importantes. Mas havia um horário em que ele mais gostava de se dirigir ao Pai.

Jesus é o nosso modelo de oração. Ele passou a vida toda em oração e rezava e em intervalos específicos durante o dia.
O Catecismo da Igreja Católica destaca:
“O Filho de Deus, feito Filho da Virgem, aprendeu a orar segundo o seu coração de homem. Aprendeu as fórmulas de oração com a sua Mãe, que conservava e meditava no seu coração todas as «maravilhas» feitas pelo Onipotente. Ele ora com as palavras e nos ritmos da oração do seu povo, na sinagoga de Nazaré e no Templo. Mas a sua oração brotava duma fonte muito mais secreta, como deixa pressentir quando diz, aos doze anos: «Eu devo ocupar-me das coisas do meu Pai» (Lc 2, 49)” (CIC 2599). 
Mas por que dizemos que Jesus passou a vida toda em oração? Porque Ele está em constante comunhão de amor com o Pai.
Com isso em mente, podemos aprender com Jesus a orar. Primeiro, como próprio Catecismo explica, Jesus orou na sinagoga e no templo. Isso corresponde a uma antiga prática judaica de rezar pelo menos três vezes ao dia:
“Ao entardecer, amanhecer e meio-dia
Vou lamentar e reclamar,
e minha oração será ouvida. (Salmo 5518)”
Jesus estaria familiarizado com esse costume e, provavelmente, participaria dele. Além disso, Jesus era frequentemente encontrado rezando antes de um grande acontecimento ou decisão:
“Jesus ora antes dos momentos decisivos da sua missão: antes de o Pai dar testemunho d’Ele aquando do seu batismo e da sua transfiguração e antes de cumprir, pela paixão, o desígnio de amor do Pai. Reza também antes dos momentos decisivos que vão decidir a missão dos seus Apóstolos: antes de escolher e chamar os Doze, antes de Pedro O confessar como o «Cristo de Deus» e para que a fé do chefe dos Apóstolos não desfaleça na tentação. A oração de Jesus antes dos acontecimentos da salvação de que o Pai O encarrega, é uma entrega humilde e confiante da sua vontade à vontade amorosa do Pai” (CIC 2600).
A oração noturna era uma das favoritas de Jesus, como pode ser visto em todos os Evangelhos:
“Jesus frequentemente se separa para orar em solidão, em uma montanha, de preferência à noite” (CIC 2602).
Portanto, além de tentar incorporar a oração em nosso próprio “ser”, devemos primeiro tentar rezar em intervalos específicos durante o dia, imitando Jesus e seu ritmo deliberado de oração.
Aleteia

S. INÁCIO DE LOIOLA, PRESBÍTERO, FUNDADOR DA COMPANHIA DE JESUS

S. Inácio de Loiola
S. Inácio de Loiola  (© Compagnia di Gesù)
Uma vida cavalheiresca
Íñigo López de Loyola nasceu em 1491, em Azpeitia, país Basco. Como filho cadete, era destinado à vida sacerdotal, mas a sua aspiração era a de se tornar cavalheiro. Por isso, seu pai o mandou a Castela, para viver na Corte de dom Juan Velazquez de Cuellar, ministro do rei Ferdinando, o Católico. Aquela vida formou o caráter e as atitudes do jovem, que começou a ler poemas e cortejar as damas. Quando dom Juan morreu, Íñigo transferiu-se para a Corte de dom Antônio Manrique, duque de Najera e vice-rei de Navarra, participando da corporação para a defesa do castelo de Pamplona, assediado pelos franceses. Ali, em 20 de maio de 1521, foi ferido por um tiro de canhão, que o tornou coxo por toda a vida. Sua longa convalescença foi para ele uma boa ocasião para ler a Lenda Dourada, de Tiago de Voragine, e a Vida de Cristo, de Ludolfo da Saxônia, o Cartusiano, textos que muito influenciaram na sua personalidade, voltada para os ideais cavalheirescos, convencido de que o único Senhor, que valia a pena seguir, era Jesus Cristo.
Peregrinação providencial
Decidido a ir em peregrinação à Terra Santa, Íñigo fez uma parada no Santuário de Montserrat, onde fez o voto de castidade, trocando as suas ricas vestes com as de um mendigo. Devia embarcar para a Itália, do porto de Barcelona, mas a cidade estava tomada por uma epidemia de peste. Por isso, teve que se deter em Manresa, uma etapa obrigatória, que lhe proporcionou um longo período de meditação e isolamento. Neste interim, escreveu uma série de conselhos e reflexões, que, a seguir, foram reelaborados, convertendo-se em base para seus Exercícios Espirituais.
Finalmente, chegou à Terra Santa, onde queria se estabelecer. Mas, o superior dos Franciscanos o impediu, considerando muito escassos seus conhecimentos teológicos. Logo, Íñigo voltou para a Europa e passou estudar gramática, filosofia e teologia, antes, em Salamanca e, depois, em Paris.
Precisamente na capital francesa, mudou seu nome para Inácio, em homenagem a Santo Inácio de Antioquia, do qual admirava seu amor por Cristo e a obediência à Igreja, que, mais tarde, se tornariam os alicerces fundamentais da Companhia de Jesus.
Em Paris, Inácio conheceu aqueles que seriam seus primeiros companheiros. Com eles, fez o voto de pobreza e decidiu ir novamente à Terra Santa. Porém, não foi possível por causa da guerra entre Veneza e os Turcos. Então, Inácio e seus companheiros se apresentaram ao Papa, ao qual prometeram obediência. O Papa disse-lhes: “Por que ir a Jerusalém? A Itália é uma boa Jerusalém para produzir frutos para a Igreja”.
A Companhia de Jesus
Em 1538, o Papa Paulo III concedeu a aprovação canônica à Companhia de Jesus, que, desde então, foi animada pelo zelo missionário: os Padres Peregrinos ou Reformados - só depois foram chamados Jesuítas – foram enviados a toda a Europa e, depois, à Ásia e ao mundo inteiro; levavam, em todos os lugares, seu carisma de pobreza, caridade e obediência absoluta à vontade do Papa.
Um dos principais problemas que Inácio enfrentou foi a preparação cultural e teológica dos jovens: por isso, formou um corpo de docentes e fundou diversos colégios -, que, ao longo dos anos, adquiriram fama internacional, graças ao altíssimo nível científico, - e um programa de estudos, que foi tomado como modelo também por Institutos não religiosos.
Em Roma
Por obediência ao Papa, Inácio permaneceu em Roma para coordenar as atividades da Companhia e cuidar dos pobres, órfãos e enfermos, a ponto de merecer o título de “apóstolo de Roma”.
Dormia cerca de quatro horas por noite, a fim de continuar seu trabalho e compromisso, apesar dos sofrimentos, por causa de uma cirrose hepática e por cálculos biliares, até esgotar suas forças.
Morreu na sua pobre cela, em 31 de julho de 1556. Seus restos mortais encontram-se sob o altar do braço esquerdo do transepto da Igreja de Jesus, no centro de Roma, um dos monumentos mais lindos da arte Barroca romana.
Vatican News

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF