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domingo, 23 de abril de 2023

O Papa: é importante reler a história da nossa vida junto com Jesus

Regina Caeli / Papa Francisco (Vatican Media)

No Regina Coeli, Francisco recordou que neste III Domingo de Páscoa, "o Evangelho narra o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús". Enfatizou a importância de "reler a nossa história junto com Jesus" e a fazer, todas as noites, um exame de consciência, retirando as defesas.

https://youtu.be/8iJJwoMVSwQ

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Francisco rezou a oração mariana do Regina Coeli, deste domingo, 23 de abril, com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que neste III Domingo de Páscoa, "o Evangelho narra o encontro de Jesus ressuscitado com os discípulos de Emaús".

"São dois discípulos que, resignados com a morte do Mestre, no dia de Páscoa decidem deixar Jerusalém e voltar para casa. Talvez estivessem um pouco inquietos porque ouviram as mulheres que vieram do Sepulcro. Enquanto caminham tristes conversando sobre o ocorrido, Jesus se une a eles, mas eles não o reconhecem", sublinhou o Papa.

Reler a nossa história junto com Jesus

Jesus "pergunta por que estão tão tristes, e eles lhe dizem: «És tu acaso o único forasteiro em Jerusalém que não sabe o que nela aconteceu estes dias?»" O Senhor pergunta: "O quê? E eles lhe contam toda a história. Jesus lhes deixa contar a história. Enquanto caminham, os ajuda a reler os fatos de uma maneira diferente, à luz das profecias, da Palavra de Deus, de tudo o que foi anunciado ao povo de Israel. Reler: é o que Jesus faz com eles, ajuda a reler", disse Francisco, detendo-se neste aspecto.

Com efeito, também para nós é importante reler a nossa história junto com Jesus: a história da nossa vida, de um determinado período, dos nossos dias, com as desilusões e esperanças. Por outro lado, também nós, como aqueles discípulos, diante do que nos acontece podemos nos encontrar perdidos diante dos eventos, sozinhos e incertos, com muitas perguntas, preocupações, desilusões e muitas coisas.

O Evangelho deste domingo "nos convida a contar tudo a Jesus, com sinceridade, sem medo de incomodá-lo, Ele escuta, sem medo de dizer coisas erradas, sem nos envergonharmos de nossa dificuldade para entender". Segundo o Papa, "o Senhor fica feliz quando nos abrimos a Ele; só assim pode tomar-nos pela mão, acompanhar-nos e fazer arder novamente o nosso coração. Então também nós, como os discípulos de Emaús, somos chamados a passar um tempo com Ele para que, ao anoitecer, Ele permaneça conosco".

Fazer um exame de consciência

A seguir, o Pontífice propôs uma bela maneira de fazer isso: "dedicar um tempo, todas as noites, a um breve exame de consciência". Perguntar-se: "O que aconteceu hoje dentro de mim?"

Trata-se de reler o dia com Jesus: abrir-lhe o coração, levar-lhe as pessoas, as escolhas, os medos, as quedas e as esperanças; todas as coisas que aconteceram, para aprender gradualmente a olhar as coisas com outros olhos, com os seus olhos e não apenas com os nossos. Podemos assim reviver a experiência daqueles dois discípulos. Diante do amor de Cristo, até o que parece cansativo e malsucedido pode aparecer sob outra luz: uma cruz difícil de abraçar, a escolha do perdão diante de uma ofensa, uma vingança fracassada, o cansaço do trabalho, a sinceridade que custa, as provações da vida familiar poderão aparecer-nos sob uma luz nova, a luz do Crucificado Ressuscitado, que sabe fazer de cada queda um passo adiante.

Retirar as defesas

"Mas para isso", sublinhou Francisco, "é importante retirar as defesas: deixar tempo e espaço para Jesus, não lhe esconder nada, levar-lhe as misérias, deixar-se ferir pela sua verdade, deixar o coração vibrar ao sopro de sua Palavra".

Podemos começar hoje, dedicando esta noite um momento de oração durante o qual nos perguntar: como foi o meu dia? Quais as alegrias, as tristezas, as coisas chatas? Como foi? O que aconteceu? Quais foram as pérolas do dia, talvez escondidas, pelas quais agradecer? Houve um pouco de amor no que eu fiz? Quais são as quedas, as tristezas, as dúvidas e medos para levar a Jesus a fim de que Ele me abra novos caminhos, me levante e me encoraje?

"Que Maria, Virgem sábia, nos ajude a reconhecer Jesus que caminha conosco e a reler, a palavra é reler, diante Dele todos os dias de nossas vidas", concluiu o Papa.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt/

sábado, 22 de abril de 2023

Segredo de confissão ameaçado nos EUA?

Confessionário (Guadium Press)

A Câmara de Washington aprovou um projeto de lei, exigindo que o clero viole o segredo de confissão em certas circunstâncias.

Redação (22/04/2023 09:17, Gaudium Press) Como já se tentou em outros lugares, agora, nos EUA, querem acabar com o segredo de confissão em casos específicos.

Em março, o Senado de Washington aprovou a lei SB 5280, que tornaria o clero informante forçado, ou pessoas obrigadas por lei a relatar casos suspeitos de negligência ou abuso infantil. No entanto, o projeto de lei incluía uma isenção, a do privilégio clero-penitente.

Mas, quando o projeto chegou à Câmara, esta fez uma emenda removendo a isenção. Com essa alteração, o projeto foi aprovado em 11 de abril. Entretanto, essa emenda teria que ser aprovada pelo Senado, o que não aconteceu.

Há, então, várias opções para a Câmara: aprovar o projeto como veio do Senado; remover a emenda e acrescentar outras condições para que o Senado a aprove; ou manter a emenda e pedir ao Senado que reconsidere.

Por sua vez, o bispo de Spokane, Dom Thomas Daly ressaltou aos legisladores que, ao longo da história do cristianismo, “reis, rainhas, ditadores, potentados e legisladores” falharam em sua tentativa de violar o segredo de confissão.

Já o bispo de Seattle afirmou que os bispos de Washington apoiaram a versão que saiu do Senado, entre outras razões “porque a Igreja Católica já considera os sacerdotes como informantes obrigatórios”, desde de que não seja o que eles ouvem em confissão.

Vejamos.

Fonte: https://gaudiumpress.org/

Laico que é cristão (4/4)

L'Osservatore Romano de 17 de agosto de 1917 com o texto da Nota de Bento XV aos líderes dos povos em guerra

Arquivo 30Dias – Abril/2006

Laico que é cristão

Bento XV promoveu a caridade, a paz e a liberdade dos filhos de Deus através do respeito pelas pessoas e instituições. Quarta e última parcela da revisão dos papas que adotaram o nome de Bento.

por Lorenzo Cappelletti

Nem mesmo depois da guerra a Santa Sé foi autorizada a participar da Conferência de Paz de Versalhes na primavera-verão de 1919. No entanto, Benedetto e Gasparri foram talvez os analistas mais perspicazes, diríamos hoje, e eles teriam dado uma contribuição para a paz se este tivesse sido o propósito da Conferência de Paz. Tanto que logo perceberam que as condições impostas aos vencidos não teriam acalmado as hostilidades. Assim como constataram a impossível autossuficiência das nações surgidas da dissolução do Império Austro-Húngaro. "Uma previsão que a história provou dolorosamente correta", escreve Pollard.

Mesmo diante de um Oriente Médio redesenhado pela queda do Império Otomano, reinava uma grande preocupação no Vaticano: a convivência multirreligiosa que aquele Império havia basicamente garantido começava agora a fracassar, como lemos em um belo ensaio de Andrea Riccardi com o revelador título Bento XV e a crise da convivência religiosa no Império Otomano Alguns empreendimentos lúcidos

Até agora, a primeira vertente do pontificado de Bento XV foi dominada pela emergência da guerra e durou muito além do fim dela, como vimos. A segunda, que cronologicamente se cruza parcialmente com a primeira, é marcada por alguns empreendimentos lúcidos. Ainda que nem todos retornem ao Papa como projeto ou não sejam diretamente sua obra, devem-no a ele se se tornaram realidade: o Código de Direito Canônico, promulgado em 1917, uma coleção já iniciada sob Pio X e em grande parte devido à competência e diligência de Gasparri; também em 1917, o destacamento da Propaganda Fide de uma Congregação autônoma da Igreja Oriental (depois "das Igrejas Orientais") da qual o próprio Papa, precisamente pelo interesse que lhe atribuía, assumiu a presidência, e a criação de um Instituto de Estudos sobre o Oriente Cristão. Atos aparentemente de natureza puramente administrativa, na realidade significativos de uma concepção de catolicidade que não seria tal sem as Igrejas não latinas, como reiterou o atual reitor daquele instituto em recente conferência realizada em Anagni; a abertura de uma nova temporada missionária, inaugurada pela encíclicaMaximum illud que libertou programaticamente a ação dos missionários do perverso entrelaçamento com o nacionalismo e o colonialismo, que estava sobretudo penalizando a emergência de uma hierarquia autóctone na China; e, finalmente, o início tímido, mas real, das primeiras conversações ecumênicas que começaram em Malines com a aprovação do Papa na vigília de sua morte.

No que diz respeito à Itália, ou melhor, à Questão Romana, é através da relação leal entre Bento XVI e seu antigo colega de escola, o barão Carlo Monti, diretor geral de assuntos de culto e, confidencialmente, encarregado de negócios do governo italiano na Santa Sede, que inicia aquela "conciliação oficiosa" que dá título aos dois volumes recentemente publicados do diário de Monti, ricos de "autenticidade e frescor singulares", como escreve o cardeal Silvestrini no prefácio. Assim como a Benedetto e a Gasparri devemos o nascimento do Partido Popular Italiano (o Apelo à liberdade e força
é datado de 18 de janeiro de 1919). Não no sentido que eles queriam. “O Partido do Povo surgiu por geração espontânea, sem qualquer intervenção da Santa Sé, seja a favor ou contra”, escreveu Gasparri em suas memórias. Mas no sentido de que nasceu e se desenvolveu segundo aquelas coordenadas de desconfessionalismo e reformismo que o teriam entregue à Itália como fator decisivo para o «maior bem-estar da sua convivência», para repetir as palavras de Gasparri. Sim, eles queriam isso, escreve padre Sale, mesmo contra aquela parte dos católicos e bispos que “pensavam na criação de um partido católico fortemente submetido às diretrizes da hierarquia”.
Explícito

Fonte: http://www.30giorni.it/

Qual é o pecado predileto do diabo?

La tentation de Jésus/Public Domain 

A resposta, dada por um exorcista de Barcelona, pode surpreender a muita gente.

Com certa frequência, recebemos perguntas de leitores que querem saber mais sobre o exorcismo e sobre as informações que um exorcista consegue obter do diabo durante esses rituais.

Entre essas perguntas, veio uma bem específica:

“Qual é o pecado predileto do diabo?”

Esta mesma pergunta foi feita ao padre Juan José Gallego, sacerdote dominicano que exerce o seu ministério como exorcista em Barcelona.

Em entrevista ao jornal espanhol El Mundo em agosto de 2015, o sacerdote respondeu que o pecado que mais agrada ao demônio é a soberba.

A resposta pode parecer surpreendente para muitos, mas faz todo o sentido.

O pecado do próprio Lúcifer

A soberba, afinal, foi o pecado do próprio Lúcifer, que, tendo sido criado por Deus como um anjo puro, se rebelou contra o Criador, se recusou a obedecer a Ele e, com plena consciência, com total liberdade e de modo irreversível, escolheu passar toda a eternidade literalmente no inferno.

A soberba é, de fato, o pecado que nos leva a julgar-nos mais do que de fato somos, afastando-nos perigosamente da verdade sobre nós mesmos. Ao nos afastarmos da verdade, nos afastamos de Deus, que é a própria Verdade.

A propósito: Santa Teresa de Ávila costumava dizer, muito sabiamente, que “a humildade é a verdade“. Revelador, não?

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Papa: os ministérios são expressão da única missão da Igreja e formas de serviço aos outros

O Papa com uma família de participantes da Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida  (Vatican Media)

Na audiência aos participantes da Assembleia Plenária do Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida, dedicada ao tema "Leigos e ministérios na Igreja sinodal", Francisco recordou que há serviços ministeriais, atribuições, ofícios, cuja finalidade é levar "os valores cristãos ao mundo social, político e econômico" do nosso tempo. Uma missão confiada, sobretudo, aos leigos, que têm a tarefa de “anunciar o Evangelho e transformar a sociedade”.

Manoel Tavares - Vatican News

O Santo Padre recebeu, na manhã deste sábado, 22, no Vaticano, os participantes da II Assembleia Plenária do “Dicastério para os Leigos, a Família e a Vida”, acompanhados pelo Prefeito Kevin Joseph Farrell.

Ao saudar os numerosos presentes, o Papa agradeceu pelo trabalho, que realizaram ao longo dos anos, e o esforço que fizeram em suas áreas de competência: a vida cotidiana das pessoas, famílias, jovens, idosos, grupos associados de fiéis e, em geral, os leigos que vivem no mundo. A eles, Francisco disse: “Vocês pertencem a um Dicastério "popular", eu diria. Por isso, nunca percam o carácter de proximidade com as mulheres e os homens do nosso tempo”.

Partindo do tema desta II Assembleia do Dicastério: “Leigos e ministérios na Igreja sinodal”, o Papa explicou: “Quando se fala de ministérios, em geral, pensamos logo nos ministérios estabelecidos: leitor, acólito, catequista. Estes ministérios são caracterizados por uma intervenção pública da Igreja, um ato específico de instituição, e por certa visibilidade. Eles estão interligados ao ministério ordenado, por suas várias formas de participação em suas tarefas próprias”.

O encontro do Papa com os participantes da audiência (Vatican Media)

O Batismo

Porém, recordou Francisco, “os ministérios instituídos não esgotam a ação ministerial da Igreja, que, desde as primeiras comunidades cristãs, envolveu os fiéis”. E, retomando o tema da Assembleia, Francisco falou sobre a origem da ação ministerial na Igreja, aprofundando dois aspectos fundamentais: o Batismo e os dons do Espírito Santo. Sobre o Batismo, no qual o sacerdócio comum de todos os fiéis afunda suas raízes e se expressa nos ministérios, disse:

A ação ministerial dos leigos não se funda no sacramento da Ordem, mas no Batismo, porque todos os batizados – leigos, celibatários, casados, sacerdotes, religiosos – são ‘christifideles’, os que acreditam em Cristo, são seus discípulos e, portanto, chamados a participar da missão que a Igreja lhes confia, mediante ministérios específicos”.

Os dons do Espírito Santo

Falando sobre o segundo aspecto fundamental do ministério leigo, “os dons do Espírito Santo”, Francisco disse: “A ação ministerial dos fiéis e dos leigos, em particular, brota dos carismas que o Espírito Santo oferece ao Povo de Deus para sua edificação: o carisma é suscitado, primeiro, pelo Espírito; depois, a Igreja reconhece este carisma como serviço útil para a comunidade; por fim, o ministério específico é difundido aos demais.

Assim, acrescentou o Papa, a ação ministerial da Igreja não se reduz apenas aos ministérios instituídos, mas tem um campo bem mais vasto, como no caso de serviços temporários dos leigos, como a proclamação da Palavra ou a distribuição da Eucaristia.

Discurso do Papa aos participantes da plenária do Dicastério dos Leigos, Família e Vida (Vatican Media)

Ministério, testemunho cristão

Além disso, disse Francisco, os leigos podem desempenhar também várias tarefas, não só na Igreja, mas também nos ambientes onde vivem: entre as antigas e novas formas de pobreza, migração, que requer acolhida e solidariedade. Assim, o ministério se torna, além de um simples compromisso social, um lindo testemunho cristão.

Durante a Assembleia Plenária do Dicastério, os participantes refletiram também sobre alguns desafios da pastoral familiar: crise matrimonial, separações e divórcios. Aqui, o Santo Padre recordou que há ministérios fundados no Matrimônio, não apenas no Batismo e na Confirmação, como a missão educativa e evangelizadora da família. O espírito missionário intrínseco da vocação conjugal se expressa também fora da família, quando se torna "evangelizador de outras famílias”.

Francisco abençoa uma mãe que espera um filho (Vatican Media)

Missão e serviço

Estes são apenas alguns exemplos de ministérios leigos abordados pelo Papa Francisco, mas há outros serviços ministeriais, atribuições, ofícios, cuja finalidade é levar "os valores cristãos ao mundo social, político e econômico" do nosso tempo. Uma missão confiada, sobretudo, aos leigos, que têm a tarefa de “anunciar o Evangelho e transformar a sociedade”. "Fico irritado quando vejo ministros leigos que – me perdoem a palavra – "estufam o peito" por fazerem este ministério. Isto é ministerial, mas não é cristão. São ministros pagãos, cheios de si. Cuidado com isso: nunca devem se tornar autorreferenciais. Quando o serviço é unidirecional, não é "ida e volta", acrescentou Francisco.

Por fim, o Papa concluiu seu discurso aos participantes da Assembleia do Dicastério, perguntando: o que estes ministérios têm em comum? E respondeu:

Duas coisas: missão e serviço. Todos os ministérios são expressão da única missão da Igreja e formas de serviço aos outros... Na raiz do termo ministério, destaca-se a palavra ‘minus’ ou ‘menor’. Quem segue Jesus não tem medo de ser ‘inferior ou menor’ ao se colocar a serviço dos outros e, através deles, ao próprio Cristo. Assim, todo batizado descobre que é chamado a "iluminar , abençoar, animar, aliviar, curar, libertar".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

O Senhor faz silêncio para nos escutar!

O silêncio de Deus e o nosso silêncio (dioceseunivitoria)

O SENHOR FAZ SILÊNCIO PARA NOS ESCUTAR!

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! O Senhor Ressuscitado volta o seu olhar para cada um de nós quando nos reunimos, como comunidade de fé, para rendermos graças a Deus pelo dom da vida, pela fé, a família, o trabalho, os amigos e tantas coisas boas, que tocam a nossa vida de peregrinos neste mundo. O Senhor nos escuta no silêncio, com amor e compaixão.

A Igreja, vivendo a missão que o Senhor lhe confiou, deve ser mãe que consola e mestra que ensina seus filhos e filhas.  Por isso, também em nossos dias, com voz profética, fala ao coração de seus fiéis. Em meio às luzes e sombras do nosso tempo, como cristãos, conscientes e comprometidos com o Evangelho, seremos testemunhas do Ressuscitado no mundo, se a nossa alegria se faz vida, que acolhe o necessitado e as suas necessidades, não como sacrifício, mas como lugar de transfiguração e de oferta da própria vida. Fazendo com que, em cada situação, o caminho do outro seja acolhido e seja repleto do dom que Jesus faz aos seus, que faz a nós, e, através de nós, quer oferecer ao “mundo todo” (1Jo 2,2). Nenhuma palavra e nenhum gesto podem traduzir melhor a palavra com a qual o Ressuscitado se dirige aos seus discípulos: “A paz esteja convosco”! (Lc 24,36).

A chama da fé e a da paz, que na tribulação se faz anúncio de vida, na experiência da morte mais cruel, está ainda nas mãos da Igreja de Cristo, morto e ressuscitado, e talvez nos espera, para que também nós possamos dizer, com o salmista: “Eu tranquilo vou deitar-me e na paz logo adormeço, pois só Vós, ó Senhor Deus, dais segurança à minha vida”! (Sl 4,9).

Mas uma pergunta permanece aberta (Lc 24,36): nos passos do dia a dia, nós falamos das coisas de Deus, para que o Senhor possa inserir-se na nossa conversa, como fez com os discípulos de Emaús, sem correr o risco de nos incomodar? E ainda: Do que verdadeiramente sentimos “necessidade” de falar ao Senhor Ressuscitado, para que a nossa vida de fé seja “viva”? Não temos nada a temer, nada do que nos envergonhar (Lc 24,39). Como explica Santo Agostinho: “Jesus Cristo é a nossa salvação (…) e tem julgado ser útil para os seus discípulos conservar as cicatrizes, para curar as feridas de seus corações”. E se interroga, interpretando as nossas perguntas: “Quais feridas? Aquelas da incredulidade?”

O mistério da conversão não é a garantia de não ter jamais errado, mas de ser capaz de mudar todas as vezes que é necessário. No Senhor Jesus, o amor de Deus é verdadeiramente perfeito. Não se trata da perfeição que é irrepreensível, mas daquela perfeição que nasce do perdão. O Ressuscitado retorna para junto dos Apóstolos com uma paz interior, que se torna dom de paz incondicional, e capaz de recolocar em movimento a vida e o amor.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Nova tradução do Missal Romano

60ª Assembleia Geral da CNBB | cnbb

COMUNIDADES TÊM ATÉ PRIMEIRO DOMINGO DO ADVENTO PARA COMEÇAR A USAR NOVA TRADUÇÃO DO MISSAL ROMANO

A Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) apresentou, no início deste segundo dia de 60ª Assembleia Geral, 20 de abril, o processo de adaptação da Igreja do Brasil à tradução brasileira da terceira edição do Missal Romano. Como foi decidido na última reunião do Conselho Permanente da CNBB, realizada em março, as comunidades de todo país têm até o Advento para começar a utilizar os novos textos nas celebrações da missa.

“O uso dos textos da terceira edição serão facultativos até o primeiro domingo do Advento e depois será obrigatório”, explicou o bispo de Paranaguá (PR) e presidente da Comissão para a Liturgia, dom Edmar Peron.

Na missa de ontem, 19 de abril, primeiro dia de assembleia, os bispos já utilizaram os textos da tradução brasileira na Missa com Vésperas, na Basílica Nacional de Aparecida. A celebração marcou o início do uso da terceira edição do Missal Romano no Brasil, cujo processo de tradução e aprovação levou 19 anos.

Dom Edmar explicou que não se trata de um “novo missal” inaugurando uma nova forma de liturgia, como em 1965 pós Concílio Vaticano II, mas a tradução da terceira edição típica do Missal Romano, “o missal pós Concílio Vaticano II, também chamado Missal de Paulo VI”, ressaltou. A terceira edição foi promulgada em 2002 por São João Paulo II e revisada em 2008, com o objetivo de incorporar as disposições litúrgicas e canônicas desde a segunda edição típica, de 1975.

“A Igreja é dinâmica”, afirmou dom Edmar, e precisava incorporar essa dinâmica nos textos do missal. Mas o trabalho das conferências não foi apenas inserir coisas novas, ressaltou, mas principalmente revisar a tradução do missal.

Dom Edmar apresenta prazo para uso do Missal Romano | Foto: Victória Holzbach/CNBB Sul 3

Recepção nas comunidades

Dom Edmar apresentou três aspectos fundamentais para a recepção do missal nas comunidades. O primeiro é ter claro que o livro por si só não basta, é preciso “passar do livro à celebração”. E aí o papel fundamental do bispo em promover uma educação litúrgica. “Nós somos, pela Cristus Dominus, moderadores, promotores e guardiães de toda vida litúrgica da nossa Igreja”, reforçou dom Edmar. 

O segundo aspecto é rever o modo de bem celebrar a liturgia. Esta é, explica, um evento de salvação e não apenas rubricas a serem seguidas. “Não celebramos para observar rubricas, celebramos com elas o evento de salvação. Rito não é rubrica a ser observada, mas uma ação de Cristo e da Igreja a ser celebrada”, destaca dom Edmar.

Por fim, não haverá recepção autêntica do missal se este não se tornar fonte da vida espiritual. Segundo a Sacrossantun Conciliun, cita o bispo, a “plena e ativa participação de todo o povo” possibilita que a Liturgia seja, de fato a primeira fonte onde os fiéis vão beber o “espírito genuinamente cristão” (14).

“A meditação contínua (uma “leitura orante”) dos textos do missal o tornarão novos e fonte de nossa vida espiritual”, concluiu dom Edmar. 

Folhetos diocesanos

Os textos do missal serão disponibilizados integralmente pelas Edições CNBB às dioceses que têm folhetos próprios das missas, em tempo hábil para atender a obrigatoriedade do uso no primeiro domingo do Advento. As dioceses podem entrar em contato com a editora para solicitar o material. 

Relatório da Comissão para a Doutrina da Fé

Ainda na primeira parte da manhã, a Comissão Episcopal para a Doutrina da Fé apresentou um relato, como última contribuição aos bispos antes da nova eleição. O bispo da diocese de Santo André (SP) e presidente da comissão, dom Pedro Carlos Cipollini, partiu de uma análise da fé num momento de mudança de época para falar de luzes e sombras na vida de fé da Igreja. Dom Pedro apontou questões desafiadoras que exigem “reflexão e vigilância constante”. 

“Muitos já separaram a vivência da fé, a prática da fé, da religião e da própria vida”, falou dom Pedro. “É preciso, portanto, retomar, recomeçar, a partir de Jesus Cristo (CELAM, Documento de Aparecida, 244-245). Voltar a Jesus Cristo, às origens é voltar ao essencial, retomar o ‘coração da fé’, ao Evangelho do Reino.” Por isso, é preciso transmitir “uma fé capaz de dar esperança para sustentar a vida do povo”.

“Confiemos na ação do Espírito, enviado sobre os apóstolos em Pentecostes”, concluiu dom Pedro Cipollini.

Dom Pedro Carlos Cipollini, presidente da Comissão para a Doutrina da Fé da CNBB | Victória Holzbach/CNBB Sul 3

Por Juliana Mastelini Moyses/Arquidiocese de Londrina (PR)

Fonte:https://www.cnbb.org.br/

Com quem Caim se casou, se só Adão e Eva tinham filhos (e eram homens)?

Paolo Veronese | PD
Por Francisco Vêneto

"A Bíblia não pretende ser um manual de ciências naturais, mas fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas."

Com quem Caim se casou, se só Adão e Eva tinham filhos, e esses filhos eram homens? Esta pergunta intriga algumas pessoas que levam ao pé da letra o relato bíblico sobre Caim e Abel, os dois filhos mais famosos de Adão e Eva. De onde teria surgido a mulher com quem Caim teve a sua descendência?

O professor Felipe Aquino responde a este questionamento observando que, primeiramente, é preciso recordar a natureza e o sentido do livro do Gênesis. Para isto, ele recorre a uma catequese que o Papa Bento XVI ofereceu aos fiéis no dia 6 de fevereiro de 2013, quando explicou:

“Como devemos compreender as narrações de Gênesis? A Bíblia não pretende ser um manual de ciências naturais; pretende, em vez disso, fazer compreender a verdade autêntica e profunda das coisas. A verdade fundamental que os relatos de Gênesis nos revelam é que o mundo não é um conjunto de forças entre conflitantes, mas tem a sua origem e a sua estabilidade no Logos, na Razão eterna de Deus que continua a sustentar o universo”.

O professor Felipe Aquino acrescenta que a narração do fratricídio que Caim comete contra Abel (Gn 4, 1-16) pressupõe um contexto histórico relativamente avançado da humanidade: àquela altura, os homens já domesticavam animais, tanto que Abel era pastor, e já cultivavam a terra, dado que Caim era agricultor (4,2). É uma descrição coerente com o período neolítico da humanidade, ou seja, muito posterior ao surgimento da espécie humana representada pelo casal Adão e Eva. Caim, além disso, chega a fundar uma cidade (4,17) e demonstra medo de se encontrar com outros homens que pudessem matá-lo. Existe, portanto, uma população humana que, evidentemente, vai além de Adão, Eva, Caim e Abel.

Da perspectiva religiosa, os católicos acreditam que a Sagrada Escritura foi escrita por inspiração divina, mas, naturalmente, os textos foram registrados por pessoas de carne e osso. Neste sentido, é importante recordar que os autores humanos do livro do Gênesis o escreveram muito tempo depois do surgimento dos primeiros seres humanos. O seu relato sobre o primeiro homicídio se contextualiza numa época em que já grassava a crueldade entre os homens, tendo o objetivo de mostrar que o pecado havia abundado sobre a terra depois do pecado de Adão. Estudiosos, aliás, sugerem que o autor sagrado tenha relatado um fratricídio cometido nos tempos de Moisés, já no século XIII a.C., a fim de mostrar que, quando o homem se afasta de Deus, ele se torna uma ameaça para o próprio irmão.

Mas, afinal, com quem Caim se casou?

A propósito do contexto mencionado acima, o grande teólogo brasileiro dom Estêvão Bettencourt, monge beneditino do Rio de Janeiro, comentou que o “Caim” e o “Abel” da narrativa bíblica não eram literalmente os filhos diretos de Adão e Eva – e que nem era intenção do autor sagrado afirmar isto. É sempre necessário manter em vista a natureza alegórica do relato do Gênesis. Por isso mesmo, não faz sentido querer contextualizar ao pé da letra quais foram os detalhes do relacionamento de Caim com a mulher com quem teve seus filhos. “Caim” representa aqueles filhos da humanidade que, em decorrência do pecado, caíram ao nível dramático de assassinar os próprios irmãos.

É importante notar também que o mesmo livro do Gênesis (5,3-4) afirma que Adão e Eva tiveram outros filhos. Set, por exemplo, é explicitamente nomeado como um desses filhos. Essa também é uma forma de dizer que, a partir dos primeiros seres humanos, a nossa espécie foi se reproduzindo e crescendo em quantidade e diversidade de indivíduos.

Para resumir: o Gênesis não deve ser entendido como um livro de História que registra episódios literais, mas sim como palavra inspirada por Deus que contém verdades religiosas basilares, como a existência de Deus, a obra da Sua criação espiritual e material, a liberdade de arbítrio dada aos homens, o pecado decorrente de uma escolha humana contrária a Deus, a necessidade humana de redenção por causa desse pecado etc.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Laico que é cristão (3/4)

O busto de bronze e a placa dedicada a Bento XV que estão localizados dentro do Almo Collegio Capranica

Arquivo 30Dias – Abril/2006

Laico que é cristão

Bento XV promoveu a caridade, a paz e a liberdade dos filhos de Deus através do respeito pelas pessoas e instituições. Quarta e última parcela da revisão dos papas que adotaram o nome de Bento.

por Lorenzo Cappelletti

Enquanto isso, a guerra havia estourado, a Grande Guerra. Houve quem dissesse que Pio X morreu de coração partido por causa disso, mas também quem, como Pollard, afirmasse que «ele e o seu secretário de Estado, o cardeal Merry del Val, contribuíram para acelerar a guerra ao sugerir inoportunamente a Franz Joseph que a Áustria estava certa e deveria humilhar a Sérvia». Em todo caso, a maioria dos historiadores concorda que, no conclave que se seguiu à morte de Pio X, mais peso do que as considerações relativas à guerra que acabara de estourar foi o debate inteiramente interno entre uma linha de intransigência e outra de moderação no que diz respeito ao tendências modernistas reais ou presumidas. A eleição como pontífice

Precisamente por representar esta posição mais moderada, Della Chiesa, mesmo tendo sido cardinalado por apenas alguns meses, estava entre os elegíveis para o papado e foi papa, apesar da resistência do início ao fim do conclave por aqueles que iriam tenho gostado de manter a barra no rumo da intransigência. Mesmo durante o seu pontificado fizeram soprar ventos, tanto mais insidiosos quanto mais perto sopravam do Pontífice. Eles foram chamados de "Vaticanetto". Ainda dois meses antes da morte de Bento XV, Merry del Val, criticando-o, escreveu em uma carta particular que devemos “evitar as táticas da política humana [...]. Numa época em que o mundo perdeu o rumo e busca ansiosamente uma ancoragem que só nós podemos fornecer, não devemos nos deixar levar pela correnteza e parecer pessoas dispostas a jogar com princípios.' Benedetto não deu atenção a isso e não fez muitas mudanças. Se não fosse o caso da Secretaria de Estado, onde, passando pelo conhecimento direto de homens e cargos, fez escolhas decisivas. Basta lembrar, além do de Gasparri, chamado no lugar de Merry del Val como secretário de Estado após a morte repentina de Ferrata, os nomes de Bonaventura Cerretti, Pacelli, Ratti, o próprio Valfrè di Bonzo (e também Roncalli e di Montini que então dava os primeiros passos de sua carreira), todos destinados a importantes cargos durante o pontificado de Bento. Que escolheu este nome não só em referência ao santo monge de Norcia, mas também, segundo sua própria opinião (ao que parece), a Bento XIV,

Caridade e obediência são as categorias-chave de sua primeira encíclica programática Ad beatissimi de novembro de 1914. Por outro lado, esta foi a figura que distinguiu a laboriosidade de monsenhor Della Chiesa e que distinguirá seu magistério e ação também como papa. Categorias a serem aplicadas não só ad intra (o que é óbvio e talvez também por isso tão raro de ser praticada), mas também ad extra , reiterando, por um lado, o dever do "amor recíproco entre os homens" e, por outro o outro, o princípio apostólico de sujeição a toda autoridade legítima.

É interessante notar que a encíclica traça a razão última do amor mútuo entre os homens no fato de que Jesus Cristo derramou seu sangue por todos. O Papa o reitera três vezes. A guerra acabara de estourar e essa insistência já sugeria implicitamente o quão inútil era qualquer outro derramamento de sangue. A célebre Nota aos beligerantes de 1 de agosto de 1917, a do «massacre inútil» – que não surpreendentemente começava com Dès le début (“Desde o início do nosso pontificado…”) – não teria feito senão esclarecer este juízo, consolidado por novas sistemas de ataque mais bárbaros e sangrentos, como o abertamente lembrado dos bombardeios aéreos.

O objetivo daquela Nota, porém, não era definir ou denunciar, mas oferecer uma proposta concreta de paz. "Foi a primeira vez no curso da guerra que qualquer pessoa ou poder formulou um esboço detalhado ou prático para uma negociação de paz" (Pollard, 148). Na consciência, várias vezes expressa pelo Papa desde o Ad beatissimi , de que a paz é a condição para que o amor recíproco se realize entre os homens: «A paz é um dom muito grande de Deus: entre as coisas terrenas não é dado ouvir nada mais agradável, nem se pode desejar nada mais doce: em suma, nada melhor pode ser encontrado», escreveria, citando Agostinho, novamente na Pacem Dei munus.

Mas o nacionalismo de muitos governos, hostis a qualquer solução que não fosse a sangrenta das armas, determinou o fracasso da proposta de 1917. A situação de minoria em que se encontrava a Santa Sé do ponto de vista diplomático também teve um efeito negativo. Com efeito, desde 1870 o papa já não gozava de qualquer soberania e Merry del Val durante o pontificado anterior favoreceu, se possível, um isolamento crescente, quase se vangloriando de um entrincheiramento de valores: com a França, por exemplo, houve sem mais relatórios desde 1906. Com a Grã-Bretanha por três séculos e meio!
Assim Bento XV (apesar de ter reativado essas relações e muitas outras; mas ainda não houve conciliação com a Itália) foi autorizado apenas a enfaixar as feridas produzidas pelo conflito, organizando coletas, trocas de prisioneiros, coleta de informações. Os elogios que então lhe chegavam às vezes parecem expressar um reconhecimento diretamente proporcional à satisfação pela subordinação a que essa ação havia se restringido.

Fonte: http://www.30giorni.it/

Bíblia da Criança é traduzida em 193 idiomas, inclusive em línguas indígenas do Brasil

O povo Sateré-Mawé das regiões de Andirá e Marau, diocese de
Parintins, no Amazonas, com a Bíblia da Criança

Já foram impressos mais de 50 milhões de exemplares, sendo 10 milhões só no Brasil. Além da versão em português, a Bíblia da Criança foi traduzida para outras línguas dos indígenas, como Sateré-Mawé, Guarani, Tukano, Ticuna e Macuxi. "Às vezes, 15 a 20 reais de doação fazem muita diferença para ajudar a gente a publicar um pequeno livro que chega na mão das crianças que, para ser impresso, precisa de recursos", afirma o diretor de projetos da ACN para o Brasil e América Latina, Rafael D'Aqui.

Andressa Collet - Vatican News

A comunidade indígena da tribo Sateré-Mawé, no Amazonas, agora pode ler a Bíblia em sua própria língua. A ACN (Aid to the Church in Need ou Ajuda à Igreja que Sofre) concluiu a nova edição da “Bíblia da Criança – Deus Fala a Seus Filhos” na língua indígena local e a distribuiu para várias comunidades. A Bíblia, assim, é mais do que um instrumento de aprofundamento da fé, ela também ajuda a preservar a língua e a cultura indígena.

A Bíblia da Criança no Amazonas

O povo Sateré-Mawé vive nas regiões de Andirá e Marau, diocese de Parintins, no Amazonas. Graças à ACN, foram distribuídos mais de 1.000 exemplares da Bíblia da Criança para lideranças de 30 comunidades. O Padre Henrique Uggé, missionário italiano do Pontifício Instituto para as Missões Exteriores (PIME), trabalha há décadas com o povo da Amazônia. Ele explica que, de fato, “todos gostamos de ouvir, ler e meditar a Palavra de Deus em nossa própria língua, em nosso próprio contexto cultural e histórico”. Ele acrescenta ainda que os Sateré – Mawé agora poderão ouvir as leituras da Missa também em sua língua indígena. “Isto será muito útil para eles”.

O sacerdote lembra que quando chegou à região, em 1972, a comunidade indígena estava reduzida a cerca de 1.200 pessoas e corria o risco de extinção por doenças como sarampo e descaso das autoridades civis. O sacerdote recorda que viajava em pequenos barcos, saindo da imensidão do rio Amazonas até os pequenos igarapés, onde apenas uma canoa conseguia passar pelo rio. Agora, são mais de 12.000 indígenas que fortaleceram sua cultura e beneficiam as crianças também por meio de uma rede de escolas bilíngues.

A nova edição da Bíblia da Criança, que inclui histórias importantes do Antigo e do Novo Testamento, apenas se tornou realidade graças aos benfeitores da ACN. Além disso, conta com o trabalho de sete catequistas locais que a traduziram. Um deles é Dercival Santos Batista, membro dos Sateré-Mawé: “através deste livro, nossas crianças e nossos jovens poderão trilhar o caminho certo. Afinal, também é muito importante para a nossa própria compreensão da Palavra de Deus”. Outro tradutor, Honorato Lopes Trindade, explica que publicações como essas têm a vantagem de ajudar a preservar a cultura local: “estamos perdendo nossa língua e devemos trabalhar para mantê-la.”

Mais de 10 milhões de bíblias distribuídas no Brasil

Bíblia da Criança foi publicada pela ACN em 1979, no Ano Internacional da Criança. Desde então, foi traduzida para 193 línguas. Já foram impressos mais de 50 milhões de exemplares do livro, sendo mais de 10 milhões só no Brasil. Além de Sateré-Mawé e da versão em português, a Bíblia da Criança foi traduzida para outras línguas dos indígenas brasileiros, como Guarani, Tukano, Ticuna e Macuxi. Em alguns casos, a Bíblia da Criança foi o primeiro livro a ser publicado naquela língua.

Rafael D'Aqui, diretor de projetos da ACN para o Brasil e AL

O diretor de projetos da ACN para o Brasil e a América Latina, Rafael D'Aqui, foi entrevistado por Silvonei José durante a 60ª Assembleia Geral da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB) que começou nesta quarta-feira (19), em Aparecida. No Brasil, a organização está trabalhando com cerca de 400 projetos por ano, entre eles o da Bíblia da Criança, concentrados principalmente na região norte e nordeste do país:

"Os projetos da ACN, na verdade, não são da ACN, mas da igreja local do Brasil que precisam de apoio para poder sobreviver. A ACN está presente em todas as partes do mundo. A ACN ajuda em 147 países no mundo. E, nós, estamos em 23 países coletando ajuda para ajudar esse 147 países: são países de perseguição religiosa, discriminação religiosa, um país onde a Igreja passa por necessidade material. E a gente precisa da ajuda de cada um." 

“Às vezes 15 a 20 reais fazem muita diferença para ajudar a gente, por exemplo, a publicar um pequeno livrinho que chega na mão das crianças, como da Bíblia da Criança, que, para ser impressa precisa de recursos. Hoje nós temos já 10 milhões de exemplares distribuídos no Brasil desse projeto que começou em 1979.”

Rafael conta, porém, que a atuação da ACN Brasil vai além e com diferentes projetos tanto em centros urbanos como nas comunidades mais necessitadas do país:

"Desde a construção de capelas e centros pastorais e de catequese. Por exemplo, aqui perto de São Paulo, em região de favelas, a gente tem salinhas de 25 lugares para atender 250 crianças que vêm para a catequese: então a gente precisa fazer adaptação nas estruturas. Mas a gente também tem projetos para ajuda e assistência a religiosas, como no estado da Bahia, onde existem muitos pequenos povoados onde se precisa da presença de igrejas, e as religiosas são essa presença, esse cuidado de Deus junto das crianças, dos jovens, das famílias, das mulheres. Temos projetos para sacerdotes na Amazônia: como vão viver, como vão se locomover, já que eles usam lanchas. Temos as pirogas, as canoazinhas que vão para atender as comunidades indígenas."

Colaboração: ACN Brasil

Frei Paolo Maria Braghini na Amazônia brasileira
Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF