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segunda-feira, 24 de abril de 2023

Cada um tem seu tempo

Photo by Bryan Minear on Unsplash
Por Ana Lydia Sawaya

Para não ficarmos presos apenas à dimensão do espaço sufocante, é preciso pararmos para reconhecer a eternidade do instante, e dar tempo ao tempo.

Após a teoria da relatividade de Einstein sabemos que o tempo não é uma dimensão absoluta, mas relacional e depende das circunstâncias e do contexto. Ou seja, sua medida varia – pode correr mais rápido ou mais devagar… 

Essa relatividade física pode ser reconhecida também em nossa experiência pessoal. Por exemplo, há uma diferença abissal entre uma hora realizando uma coisa que entedia ou faz sofrer como ir ao dentista e a mesma hora fazendo uma coisa que se gosta muito. O tempo, no primeiro caso, dura imensamente mais, parece que nunca passa, e no segundo caso passa tão rápido que nem percebemos. Mesmo que o espaço coberto pelos ponteiros do relógio seja o mesmo.

Gregos

Os gregos usavam três termos diferentes, kronosaiòn e kairòs, para designar o tempo. Kronos era usado para descrever a sucessão de instantes, o tempo na sua sequência cronológica e quantitativa, na mitologia grega era representado como um gigante, filho de Urano e Gaia que devorava seus próprios filhos até ser derrubado por Zeus. Aiòn expressava a temporalidade da vida, os intervalos, percalços e anacronismos da existência pessoal e representava a dimensão da consciência humana irredutível a qualquer lógica somativa e linear. Kairòs, o último filho de Zeus, era representado como um menino com asas nos pés, em constante movimento, com um tufo de cabelo na testa e nuca raspada para indicar a dificuldade em agarrá-lo. Ele segurava uma haste na qual uma balança repousava. Representava a hora certa, indicava o momento propício, oportuno, adequado, que devia ser apreendido no rápido instante que passa, o tempo “presente”, em relação ao qual uma capacidade vigilante e atenta permite compreender melhor o desenvolvimento do futuro. É o tempo onde se joga a liberdade humana e quando a inteligência e reconhecimento dos sinais pode determinar a felicidade no futuro. 

Percepção do tempo

Santo Agostinho acrescentará à compreensão do tempo a nossa pessoa, a pessoa de cada um de nós enquanto “percebe” o tempo. Dirá que no espirito humano reside a percepção do tempo. O tempo é uma realidade que pode ser apreendida apenas a partir do espirito humano (Confissões, livro XI, cap. 27, resposta 36, Paulus, pg. 353 – 354, 17 edição, 2004):

É em ti (meu espírito), repito, que meço os tempos. Meço, enquanto está presente, a impressão que as coisas gravam em ti no momento em que passam, e que permanece mesmo depois de passadas, e não as coisas que passaram para que a impressão se reproduzisse. É essa impressão que meço, quando meço os tempos. 

Esse espírito pensa, sente, age, interage com os outros e com a realidade à sua volta. O seu pensar, sentir e modo de agir está relacionado e de certa forma depende da cultura onde cresceu e da história do seu povo. Tudo isso influenciará e modificará a sua percepção do tempo.

Como viver o tempo

Heidegger dirá que a existência humana é na sua raiz ontológica temporalidade originária. (Martin Heidegger Il Concetto Di Tempo, Adelphi Edizioni, 8 ed., 2006, pg. 13). A vida humana é tempo e é determinada, essencialmente, por como vivo o tempo. E como viver o tempo para um cristão? Pode-se dizer que o modo cristão de viver o tempo no tempo, é sintetizado por uma palavra: Paciência.

A paciência é aceitar o tempo próprio de cada ser: é dar o tempo adequado ao nosso tempo pessoal; é aceitar o tempo de Deus e aceitar o tempo do outro. É pela vossa paciência que ganhareis a vida (Lc 21,19) diz Jesus já no final da sua missão terrena e próximo à sua prisão e crucifixão. Quanta paciência ele precisou ter… Até com seus amigos que não o compreendiam… São Paulo diz que a primeira característica do amor é a paciência (1Cor 13,4).

Presença de Deus

A paciência é um modo sábio de viver o tempo, saber esperar a recompensa futura e não querer agarrá-la a qualquer custo no instante fugaz. É saber esperar o dia certo para a ação do Espírito Santo. É saber conservar e valorizar a própria liberdade e a de outrem. De onde nasce essa sabedoria? Da capacidade de perceber a eternidade presente no instante. Se meu próprio limite, uma outra pessoa ou uma situação irritam-nos, nos enfurecem ou nos desencorajam e deprimem, paremos um pouco e busquemos reconhecer a eternidade presente naquele momento. Há algo além, acima, das coisas que vejo, ouço, toco ou sinto que governa tudo. As minhas sensações e percepções, não são tudo. Além das coisas que vejo, ouço, toco ou sinto, que estão na dimensão do espaço (no caso, sufocante…), há uma outra dimensão: o tempo. A. Heschel em seu livro O Schabat explica bem essa diferença (Editora Perspectiva, 2018, pgs. 127-128):

As coisas do espaço expõem uma independência ilusória. As coisas criadas ocultam o Criador. É na dimensão do tempo onde se encontra Deus, onde o homem torna-se ciente de que cada instante é um ato da criação, um Começo, abrindo novas estradas para realizações finais. O tempo é a presença de Deus no mundo do espaço, e é no tempo que somos capazes de sentir a unidade de todos os seres. A criação, somos ensinados, não é um ato que ocorreu uma vez no tempo, uma vez e para sempre. O ato de trazer o mundo à existência é um processo contínuo. O chamado de Deus trouxe o mundo à existência, e este chamado prossegue. Existe este momento presente porque Deus está presente. Cada instante é um ato de criação. Um momento não é terminal mas um lampejo, um sinal do Começo. O tempo está em perpétua inovação, um sinônimo para a criação contínua. O tempo é a dádiva de Deus ao mundo do espaço.

Para não ficarmos presos apenas à dimensão do espaço sufocante, é preciso pararmos para reconhecer a eternidade do instante, e dar tempo ao tempo. Peçamos ao Senhor a graça de não perder as ocasiões que Ele nos dá para parar, dar-se conta da dimensão do tempo, e poder viver, o que se chama no final das contas, amor.

Fonte: https://pt.aleteia.org/



Mitos litúrgicos (2/16)

Basílica de Santo Agostinho em Roma | Presbíteros

Mitos litúrgicos

Mito 2: “A Eucaristia é para ser comida e não para ser adorada”

É para ser adorada, sim.

A Hóstia consagrada é a Presença Real e substancial de Nosso Senhor, e por isso a Santa Igreja dedica a ela toda a adoração. O Santo Padre Bento XVI responde (Exortação Sacramentum Caritatis, n.66, de 2006) :”…aconteceu às vezes não se perceber com suficiente clareza a relação intrínseca entre a Santa Missa e a adoração do Santíssimo Sacramento; uma objeção então em voga, por exemplo, partia da idéia que o pão eucarístico nos fora dado não para ser contemplado, mas comido. Ora, tal contraposição, vista à luz da experiência de oração da Igreja, aparece realmente destituída de qualquer fundamento; já Santo Agostinho dissera: « Nemo autem illam carnem manducat, nisi prius adoraverit; (…) peccemus non adorando – ninguém come esta carne, sem antes a adorar; (…) pecaríamos se não a adorássemos ». De facto, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos.”

Dizer que a Eucaristia não é para ser adorada implica em negar a que a Hóstia Consagrada é o Corpo de Nosso Senhor, ou pensar que Deus não é digno de adoração…

Mito 3: “A adoração eucarística fora da Missa é ultrapassada”

Não é.

O saudoso Papa João Paulo II escreveu (Encíclica Ecclesia de Eucharistia, n. 25, de 2003): “Se atualmente o cristianismo se deve caracterizar sobretudo pela « arte da oração », como não sentir de novo a necessidade de permanecer longamente, em diálogo espiritual, adoração silenciosa, atitude de amor, diante de Cristo presente no Santíssimo Sacramento? Quantas vezes, meus queridos irmãos e irmãs, fiz esta experiência, recebendo dela força, consolação, apoio! Desta prática, muitas vezes louvada e recomendada pelo Magistério, deram-nos o exemplo numerosos Santos. De modo particular, distinguiu-se nisto S. Afonso Maria de Ligório, que escrevia: A devoção de adorar Jesus sacramentado é, depois dos sacramentos, a primeira de todas as devoções, a mais agradável a Deus e a mais útil para nós. A Eucaristia é um tesouro inestimável: não só a sua celebração, mas também o permanecer diante dela fora da Missa permite-nos beber na própria fonte da graça.”

E o Santo Padre Bento XVI acrescenta (Sacramentum Caritatis, n. 66-67): “De fato, na Eucaristia, o Filho de Deus vem ao nosso encontro e deseja unir-Se conosco; a adoração eucarística é apenas o prolongamento visível da celebração eucarística, a qual, em si mesma, é o maior ato de adoração da Igreja: receber a Eucaristia significa colocar-se em atitude de adoração d’Aquele que comungamos. Precisamente assim, e apenas assim, é que nos tornamos um só com Ele e, de algum modo, saboreamos antecipadamente a beleza da liturgia celeste. O ato de adoração fora da Santa Missa prolonga e intensifica aquilo que se fez na própria celebração litúrgica. (…) Juntamente com a assembléia sinodal, recomendo, pois, vivamente aos pastores da Igreja e ao povo de Deus a prática da adoração eucarística tanto pessoal como comunitária. Para isso, será de grande proveito uma catequese específica na qual se explique aos fiéis a importância deste ato de culto que permite viver, mais profundamente e com maior fruto, a própria celebração litúrgica. Depois, na medida do possível e sobretudo nos centros mais populosos, será conveniente individuar igrejas ou capelas que se possam reservar propositadamente para a adoração perpétua. Além disso, recomendo que na formação catequética, particularmente nos itinerários de preparação para a Primeira Comunhão, se iniciem as crianças no sentido e na beleza de demorar-se na companhia de Jesus, cultivando o enlevo pela sua presença na Eucaristia.”

Mito 4: “Na consagração deve-se estar em pé”

Na Consagração os fiéis devem estar de joelhos, em sinal de adoração. Quanto a isso a lei da Santa Igreja é clara em afirmar na Instrução Geral no Missal Romano (n. 43), que determina que os fiéis estejam “de joelhos durante a consagração, exceto se razões de saúde, a estreiteza do lugar, o grande número dos presentes ou outros motivos razoáveis a isso obstarem. Aqueles, porém, que não estão de joelhos durante a consagração, fazem uma inclinação profunda enquanto o sacerdote genuflecte após a consagração.”

 Fonte: https://presbiteros.org.br/

Dia Mundial da Terra: Papa, solidariedade eficaz para com os mais pobres

Solidariedade e união para salvar o Planeta (Vatican Media)

Após a oração mariana do Regina Coeli, o Papa Francisco recordou a beatificação, em Paris, de novos beatos franceses. Lembrou também o Dia Mundial da Terra, celebrado no sábado, 22 de abril.

Mariangela Jaguraba - Vatican News

Após a oração do Regina Coeli, o Papa Francisco recordou a beatificação dos novos beatos franceses realizada, no sábado, 22 de abril, em Paris, pelo prefeito do Dicastério das Causas dos Santos, cardeal Marcello Semeraro.

Os novos beatos franceses são: Enrico Planchat, sacerdote professo da Congregação de São Vicente de Paulo, Ladislau Radigue e três companheiros sacerdotes Polycarpe Tuffier, Marcellin Rouchouze e Frézal Tardieu, da Congregação dos Sagrados Corações de Jesus e Maria.

“Pastores animados pelo zelo apostólico unidos no testemunho da fé até o martírio que sofreram em Paris em 1871.”

A seguir, o Papa recordou o Dia Mundial da Terra celebrado no sábado 22 de abril.

“Faço votos para que o compromisso de cuidar da criação seja sempre acompanhado por uma solidariedade eficaz para com os mais pobres.”

O Papa também recordou que neste domingo, celebra-se a 99ª Jornada da Universidade Católica do Sagrado Coração sobre o tema: "Pelo amor ao conhecimento. Os desafios do novo humanismo". "Desejo que o maior Ateneu católico italiano enfrente estes desafios com o espírito dos fundadores, especialmente da jovem Armida Barelli, proclamada Beata um ano atrás", disse ele.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Santa Maria Eufrásia Pelletier

Santa Maria Eufrásia Pelletier | arqusp

24 de abril

Santa Maria Eufrásia Pelletier

Batizada com o nome de Rosa Virginia Pelletier, ela nasceu na ilha de Noirmontier, região da Vandea, França, no dia 31 de julho de 1796. Cresceu onde foi o centro da Revolução Francesa, sendo educada pelas ursulinas de Chavanhe e, depois, freqüentou o Instituto da Associação Cristã de Tours. Aos dezesseis anos, entrou no mosteiro de Tours, na Ordem de Nossa Senhora da Caridade do Refúgio, fundada, em 1641, por são João Eudes, destinada à reabilitação das jovens e das mulheres em perigo moral e para a reeducação cristã de todas que lá pediam abrigo e proteção. Em 1817, fez os votos de profissão de fé e tomou o nome de Maria de Santa Eufrásia e, aos vinte e nove anos, foi nomeada superiora desse mosteiro. Ali fundou a Obra das "Madalenas", onde as moças que voltavam para o caminho correto podiam aderir à vida religiosa, nos moldes das carmelitas, seguindo relativamente o Regulamento, vestindo o hábito e tendo uma ala própria no mosteiro. Em 1829, fundou, em Angers, um novo Refúgio, nome usado pelas carmelitas para designar uma Casa da sua ordem, do qual se tornou superiora depois de dois anos. Dessa forma, deu um grande impulso para a continuação do trabalho de redenção das moças no desvio da vida. Assim, a Casa de Angers tornou-se a Casa-mãe de uma organização paralela à ordem de Nossa Senhora da Caridade, submetida a essa ordem, mas com mosteiros com autonomia separada. Estava fundada a Ordem de Nossa Senhora do Bom Pastor, da qual se tornou a superiora geral até o fim da vida. Ela encontrou muitas resistências, porém, em 1835, o papa Gregório XVI, que concordava com ela, aprovou a nova ordem. A sua obra foi tão vigorosa que Maria Eufrásia fundou mais Casas do que todos os fundadores de ordens da Igreja. Foram 111 entre 1829 e 1868, ano em que morreu, vitimada por um tumor que lhe causou muito sofrimento, no dia 24 de abril. Foi beatificada em 1933 e canonizada sete anos depois. Uma estátua de santa Maria Eufrásia Pelletier foi colocada na basílica de São Pedro, no Vaticano, com muita justiça entre os grandes fundadores de ordens da Igreja. Sua festa é realizada no dia de sua morte.

*Fonte: Pia Sociedade Filhas de São Paulo Paulinas http://www.paulinas.org.br

https://arquisp.org.br/

domingo, 23 de abril de 2023

O Messias vencedor!

A Tumba vazia | Olhar Digital
Por Pe. Antonio Clayton Sant'Anna, C.Ss.R
O Messias vencedor!

O Messias é o título de um Oratório do compositor alemão-inglês Georg Händel. O mais famoso dos 32 que ele compôs. É um poema sobre a vida de Jesus: musicado, cantado, orquestrado e apresentado pela primeira vez na Páscoa de 1742.O Messias personaliza Jesus Cristo que venceu após a dolorosa trajetória de "servo fiel de Javé, o justo perseguido". A eleição, missão e função desse "Servo de Javé" são descritas nos capítulos 42; 49; 52; 53 do profeta Isaías, no Antigo Testamento.

No Oratório, o músico Händel, num hino vibrante de alegria, canta o triunfo da ressurreição do Messias. É o conhecidíssimo Aleluia pascal. Desde então até hoje seus acordes magníficos celebram a Páscoa em todo o mundo. Um louvor pascal jubiloso, mais oportuno ainda agora, nas angústias da pandemia. Temos e celebramos a convicção de que a vida vence a morte porque Jesus é o ressuscitado. O tempo pascal nos ajuda a viver a Páscoa de modo concreto e não só celebrativo. Ela é real.Está em nosso poder atualizar sua vitória em todas as situações, mais ainda nas de injustiças, sofrimentos, violências físicas e políticas.

O que é preciso fazer? Acima de tudo: acreditar! A fé na ressurreição de Cristo nos coloca no mais alto da revelação de Deus. Fundamenta todo o Cristianismo. é o núcleo central, o anúncio primeiro, o testemunho querigmático do Evangelho. Nesta conficção da fé tem alicerce: a Doutrina, a Tradição, o Magistério, a História, a evangelização pastoral e a inesplicável continuidade da Igreja em mais de 2 mil anos.

Na celebração, a Páscoa é a maior festa cristã. A ressurreição de Jesus iniciou a nova criação na história até o fim dos tempos. No corpo glorioso de Jesus Cristo respira a nova condição humana que dele recebemos e garante nossa própria ressurreição na carne. Por isso, somos discípulos, herdeiros e promotores desse novo tempo que brotou do túmulo vazio e fecundo do Senhor.

O mundo é perveso e dificulta ao máximo a vivência da fé, a prática da justiça, a vida honesta, a moral, a verdade, a santidade, a fidelidade ao Evangelho. Viveremos sempre num tempo de provação! Mas, participamos já agora da vida ressuscitada de Jesus. Há cristãos só no nome, sem compromisso fiel! Isso é também provação! A luta cristã por um mundo bom e justo, nunca será em vão; nunca será estéril. Dela vai nascer sempre, em todo lugar e tempo, vida nova, justiça e paz porque ele, o Messias, "do que era dividido fez uma unidade". Ele é o vencedor, aleluia!

(Revista Aparecida, Ano 19, nº 229. abril/2021, pág. 23)

Fonte: https://www.a12.com/

São Jorge nos ensina a lutar contra nossos dragões

Everett Collection | Shutterstock
23 de abril
Por Theresa Civantos Barber

Nossos dragões são internos (como tentações para o pecado) e externos, como circunstâncias difíceis de vários tipos.

Você conhece a história de São Jorge e o dragão. Vou contar-lhes como ela impactou a minha família.

As visitas a campo são uma emoção para meus filhos, que estudam em casa. Eles ficam especialmente animados para visitar um museu de arte local depois de passarmos horas estudando um guia infantil sobre o assunto.

Eu os incentivo a se prepararem para a viagem fazendo uma lista das obras de arte que mais gostariam de ver.

“Eu sei o que quero ver”, exclamou meu filho de seis anos. “São Jorge matando o dragão!”

Eu sorri, sabendo exatamente por que, de todas as pinturas do guia infantil, ele escolheu aquela. Um dos livros favoritos de nossa família é uma releitura requintada de “São Jorge e o Dragão”, repleto de ilustrações evocativas e uma narrativa verdadeiramente emocionante.

Não estamos sozinhos em levar a sério esta história. A lenda de São Jorge e o Dragão é conhecida e amada desde o século XII.

A história de São Jorge

O engraçado é que essa história não é estritamente verdadeira, pelo menos não como pensamos. São Jorge foi um oficial do exército romano que provavelmente nunca encontrou um dragão. Em vez disso, o dragão da história pretendia simbolizar Satanás ou o mal de maneira mais geral.

No entanto, a popularidade da lenda só cresceu com o passar dos séculos. Então O que há neste conto que captura nossa imaginação de forma tão completa?

Podemos recorrer, como em tantas coisas, à sabedoria de C. S. Lewis e G. K. Chesterton. Ambos eram defensores francos dos contos de fadas e pareciam ter um senso intuitivo do tipo de história que as crianças gostam.

Lewis escreveu:

“É muito provável que as crianças encontrem inimigos cruéis, que pelo menos tenham ouvido falar de bravos cavaleiros e coragem heróica”.

Por outro lado, Chesterton, explana:

“O que os contos de fadas dão à criança é sua primeira ideia clara da possível derrota do bicho-papão. O bebê conhece o dragão intimamente desde que teve uma imaginação. O que o conto de fadas oferece a ele é um São Jorge para matar o dragão.”

As crianças, e realmente todos nós, queremos saber que o bem vence o mal. Queremos saber se temos o que é preciso para prevalecer quando o mal nos confrontar.

São Jorge e a realidade intangível do mal

A história de São Jorge e o Dragão dá forma e substância à realidade intangível do mal. Isso significa que o triunfo de São Jorge também é o triunfo de Cristo. É a história mais antiga do mundo, e que ainda está sendo escrita todos os dias em nossas próprias vidas.

Minha frase favorita do livro São Jorge e o Dragão vem enquanto George se prepara para lutar contra o dragão. Ele tem a visão de uma “cidade alta” que simboliza o céu e, naturalmente, deseja ir para lá. Um santo eremita diz a ele,

“Essa cidade alta que você vê está em outro mundo. Antes de subir o caminho até ele e pendurar seu escudo na parede, desça até o vale e lute contra o dragão contra o qual você foi enviado para lutar.”

Nossos dragões

Cada um de nós temos nossos próprios dragões, contra os quais devemos lutar. Todos nós temos um chamado que Deus colocou em nossas vidas para lutar em uma batalha específica. Nossos dragões são internos, como tentações para o pecado, e externos, como circunstâncias difíceis de vários tipos.

A história de São Jorge nos lembra de nunca perdermos a esperança. Como o próprio guerreiro sagrado, somos chamados a lutar contra nossos dragões com tudo que temos. E com a ajuda de Cristo podemos derrotá-los.

Para derrotar nossos próprios dragões, podemos tentar imitar estas 3 virtudes de São Jorge:

1CORAGEM

Coragem não é ausência de medo, mas sim sentir medo e escolher fazer a coisa certa de qualquer maneira. De acordo com a lenda, uma cidade inteira vivia com medo do dragão antes de São Jorge aparecer e enfrentar o desafio. Ele foi o único corajoso o suficiente para fazer o que precisava ser feito. Como São Jorge, podemos enfrentar nossos dragões com coragem, escolhendo o que é certo mesmo quando é difícil e assustador.

2COMPAIXÃO

A lenda diz que São Jorge se ofereceu para matar o dragão não porque ele próprio corresse algum perigo, mas para proteger a vida inocente de outras pessoas. Também há parte da lenda que diz que o rei da cidade recompensou Jorge com muitas riquezas, mas ele deu meia-volta e prontamente as deu aos pobres. Essas ações nos lembram do amor generoso de Cristo por nós e nos inspiram a imitá-los.

3PERSEVERANÇA

A lenda conta que São Jorge quase foi derrotado várias vezes, mas nunca desistiu. Ele persistiu várias vezes e venceu no final. Portanto, podemos tentar novamente, mesmo quando as coisas parecem sem esperança.

Como São Jorge, estamos todos em nosso caminho para a “Cidade Alta” que cintila à distância, e sua história nos lembra do que é preciso para chegar lá. Quando algum dia nos aproximarmos de seus portões perolados, podemos esperar dizer com São Paulo e imitando São Jorge: “Combati o bom combate, acabei a carreira, guardei a fé” (2 Timóteo 4, 7-8).

Fonte: https://pt.aleteia.org/

III Domingo da Páscoa (Ano A)

Jesus e os Díscípulos de Emaús | Presbíteros

Introdução ao espírito da Celebração

A liturgia deste Domingo apresenta-nos Jesus Cristo ressuscitado como companheiro de viajem, alentando a esperança, aquecendo o coração dos discípulos de Emaús. Como os primeiros discípulos, é na Eucaristia que nós reconhecemos hoje a presença viva de Jesus Ressuscitado: caminha conosco, fala-nos através da Escritura, alimenta-nos com o seu Corpo.

LITURGIA DA PALAVRA

Primeira Leitura

Atos, 2, 14.22–33

A leitura corresponde a uma seleção de versículos do discurso de S. Pedro no dia do Pentecostes. «Pedro» aparece aqui, como noutras vezes, na sua função de Chefe dos Apóstolos, falando em nome de todos e à frente de todos (cf. At 2, 37-38; 5, 2-3.29; 1, 15).

22 «Jesus de Nazaré» Pedro, para anunciar Jesus como o Messias, parte da Sua humanidade, no aspecto mais humilde, um homem de Nazaré, terra desprezada (Jo 1 48); nos vv. seguintes estabelece a sua perfeita identidade com o Cristo da fé, o Senhor ressuscitado.

23 «Segundo o desígnio imutável e previsão de Deus». A morte na cruz, o grande «escândalo para os Judeus», não era mais do que o cumprimento do desígnio salvador de Deus, anunciado pelos Profetas.

24 «Deus ressuscitou-O. O grande sinal de que aquele homem de Nazaré já antes credenciado com «milagres, prodígios e sinais» (v. 22), era o Messias, Deus vindo à terra, é sem dúvida a Ressurreição. Esta apresenta-se como anunciada no Salmo 15 (16).

27 «Nem deixareis o vosso Santo sofrer a corrupção». Citação do Salmo 15 (16), segundo a tradução dos LXX, que alguns chegam a considerar inspirada. O texto hebraico massorético não é tão expressivo, pois diz: «conhecer a cova», isto é, a morte; Pedro e depois Paulo (cf. At 13, 35) dão-nos o sentido mais profundo, o cristológico do Salmo, ao explicitar que designa a ressurreição do Messias, sentido este que, em geral, os exegetas classificam de sentido plenário (intentado só por Deus), ou sentido típico (o salmista como tipo do Messias).

São Pedro 1, 17–21

Esta leitura adapta-se maravilhosamente ao tempo pascal, falando-nos da nossa libertação através do Sangue do novo Cordeiro Pascal e da Ressurreição de Jesus. Há mesmo exegetas que vêem nesta carta um fundo de homilia pascal ou baptismal. O trecho de hoje é tirado de uma secção inicial da Carta (1, 13 – 2, 10), uma série de exortações que têm como pano de fundo a libertação dos hebreus a caminho da terra prometida, símbolo do Baptismo e da vida cristã, o que faz pensar que formariam parte duma catequese ou homilia pascal-baptismal. Vejamos: «de ânimo preparado para servir» (v. 13; cf. Lc 12, 35) é dito no original com uma imagem («cingida a cintura da vossa mente»), que evoca a forma de celebrar a Páscoa (cf. Ex 12, 11, símbolo do Baptismo (cf. 1 Cor 10, 1-2.6); «sede santos» (v. 14-16) é uma exigência da aliança (cf. Lv 11, 44; 19, 2; 20, 7) e do Baptismo (cf. Rom 6, 4.11.19; 12, 2; Gal 3, 27); o santo temor de Deus (cf. 2 Cor 2, 11; Rom 2, 11) «no tempo da peregrinação» (cf. 1, 1.17; 2, 11; 4, 2, é a alusão à peregrinação pelo deserto no Êxodo) está na sequência de invocar a Deus como Pai (referência ao Pai-nosso, Mt 6, 9, recitado no rito do Baptismo e certamente matéria da instrução preparatória); o resgate pelo sangue de Cristo é mais do que uma referência ao custo da nossa redenção (1 Cor 6, 20; 7, 23; cf. Ef 1, 7; Hb 9, 14; Ap 1, 5), pois alude a Jesus como cordeiro pascal (Ex 12, 3-14; cf. Jo 1, 29.36; 19, 36; 1 Cor 5, 7; At 8, 32-35); o amor fraterno (v. 22-25) é proposto como consequência de se ter purificado (cf. Ex 19, 10-11) e ter nascido de novo e por meio da palavra de Deus (cf. Tg 1, 18; 1 Jo 3, 9; Is 40, 8); esta mesma palavra é o «leite puro» (cf. Ex 3, 8; 1 Cor 3, 2) que os batizados têm de desejar avidamente (2, 1-2; cf. Sl 34, 9); assim todos entram ativamente na construção do edifício que é o novo Povo de Deus, figurado no antigo (2, 4-10).

17 «Pai… que… julga». Pode-se ver aqui uma alusão à recitação do Pai Nosso. Deus, que é o melhor dos pais, também é um Juiz imparcial; o sentido correto da nossa filiação divina traz consigo o santo temor de Deus, o temor de desagradar a um Pai que nos julga e que calibra perfeitamente o valor de todos os nossos atos.

«Exílio neste mundo». Cf. 1 Pd 1, 1; 2, 11; 4, 2; Hb 11, 13. Nestes textos inspirados fica patente a nossa condição não apenas de peregrinos da Pátria celeste, mas também a ideia de pena que envolve a nossa situação de «degredados filhos de Eva» neste «desterro» (cf. Salve Rainha).

18-19 «Libertados… com o Sangue precioso de Cristo». A obra salvadora de Jesus não consistiu numa mera libertação, como, por exemplo, a libertação do Egipto, pois foi um verdadeiro resgate, pagando Jesus o preço dessa libertação com o Seu Sangue, daí que esta obra libertadora se chama mais propriamente Redenção (cf. Ef 1, 7; Ap 1, 5).

«Cordeiro sem defeito e sem mancha». Cf. Ex 12, 5; 1 Cor 5, 7; Jo 1, 29.36; 19, 36. Cf. também: Is 53, 7; At 8, 32-35. Os primeiros textos falam de Jesus, Cordeiro imolado na nova Páscoa; os segundos, de Jesus manso «Cordeiro de Deus».

Evangelho

São Lucas 24, 13–35

Temos aqui uma das mais belas páginas do Evangelho: um relato cheio de vivacidade, de finura e de psicologia, em que acompanhamos o erguer daquelas almas desde a mais amarga frustração até às alturas da fé e da descoberta de Jesus ressuscitado. A crítica bíblica procura distinguir neste relato os elementos de tradição e os elementos redacionais; podem identificar-se muitos elementos de tradição neste relato, mas não dispomos de meios para classificar como meramente redacionais todos os restantes, pois não são do nosso conhecimento todas as fontes de que Lucas dispôs; a própria crítica admite «fontes especiais» para a redacção de Lucas. Um facto indiscutível é que Lucas é um teólogo e um catequista, não é um jornalista e não se limita a contar a seco umas aparições, mas não temos elementos suficientes para definir em que medida reelaborou as suas fontes.

13 «Emaús»: uma povoação a 60 estádios, traduzidos por duas léguas, que se traduzem nuns 11 quilómetros e meio de Jerusalém. Há duas leituras variantes nos manuscritos gregos do Evangelho de Lucas: a imensa maioria deles regista 60 estádios. Alguns poucos têm 160 (o que equivale a uns 30 Km). Também não existe completo acordo sobre a sua localização, sendo indicados vários locais na tradição cristã; El-Qubeibe é o de maior aceitação, a uns 12 Km a Noroeste da Cidade Santa (Abugoxe corresponde aos 160 estádios).

16 «Mas os seus olhos estavam impedidos de O reconhecerem». Não é que não vissem a Jesus, ou que Jesus se quisesse ocultar, mas eles é que estavam obcecados pelo seu extremo desalento. E fica-nos a lição: para que se possa reconhecer a Jesus ressuscitado é indispensável o olhar da fé.

18 «Cléofas» parece ser diferente do marido de Maria, mãe de Tiago e José (Jo 19, 25); embora alguns o identifiquem, a grafia é diferente: Kleopâs.

22-24 «É verdade que algumas mulheres… Alguns dos nossos…»: aqui se resume o que foi relatado antes com mais pormenor (Lc 23, 56b – 24, 9) e correspondente à tradição sinóptica e joanina. Certamente que os nossos são Pedro e João (cf. v. 12 e Jo 20, 1-10). «Mas a Ele não O viram»: se não se trata de um pormenor meramente redacional, temos que admitir que ainda não lhes constava da aparição de Jesus a Pedro referida adiante, no v. 34 (cf. 1 Cor 15, 5).

28-30 «Jesus fez menção de seguir para diante». Lucas volta a aludir ao «caminho de Jesus» (no v. 15 já tinha usado o mesmo verbo grego que significa caminhar). R. J. Dillon (From eye-witnesses to ministers of the word) pensa que este pormenor lucano insinua que a presença de Jesus no meio dos seus através da Eucaristia (a fracção do pão do v. 30) constitui o momento cume do seu caminhar pelo caminho da salvação. Enternece o leitor ver como Jesus ressuscitado se torna o companheiro de caminho (recorde-se como Lucas gosta de focar a vida cristã como um caminho e um seguimento de Jesus): depois de se fazer encontrado, agora faz-se rogado. Isto sucede-nos muitas vezes na vida cristã: Ele vem ao nosso encontro sem O procurarmos e, outras vezes, quer dar-nos o ensejo de O convidarmos a ficar conosco e de praticarmos a caridade com os outros, que são Ele (cf. Mt 25, 40). Mas aqui o convite feito a Jesus não é um simples ato de caridade e de cortesia; com efeito, parece que a narrativa nos leva a pensar que quem faz este pedido é toda a comunidade cristã, que se reúne para celebrar a Eucaristia e anseia estabelecer uma comunhão íntima com Jesus ressuscitado (ibid.). Todos estão de acordo em ver a estreita relação da refeição descrita com a multiplicação dos pães e a instituição da Eucaristia.

31 «Abriram-se-lhes os olhos e reconheceram-no, mas Ele desapareceu da sua presença»: É na Eucaristia que se abrem os olhos para a fé, para captar o que é invisível, mas real. Impressiona muito o relato ao unir o aparecimento com o desaparecimento, sem se dizer para onde é que Jesus se retirou. Desta maneira fica sugerida uma nova presença, a de Jesus glorioso e ressuscitado: uma ausência que é presença. Comenta João Paulo II: «É significativo que os dois discípulos de Emaús, devidamente preparados pelas palavras do Senhor, O tenham reconhecido, quando estavam à mesa, através do gesto simples da ‘fracção do pão’. Uma vez iluminadas as inteligências e rescaldados os corações, os sinais ‘falam’. A Eucaristia desenrola-se inteiramente no contexto dinâmico de sinais que encerram uma densa e luminosa mensagem; é através deles que o mistério, de certo modo, se desvenda aos olhos do crente. Como sublinhei na encíclica Ecclesia de Eucharistia, é importante que nenhuma dimensão deste Sacramento fique transcurada. Com efeito, subsiste sempre no homem a tentação de reduzir às suas próprias dimensões a Eucaristia, quando na realidade é ele que se deve abrir às dimensões do Mistério. ‘A Eucaristia é um dom demasiado grande para suportar ambiguidades e reduções’» (Carta Mane nobiscum Domine, 14).

32 «Não ardia cá dentro o nosso coração?». Quando lemos a Escritura guiados por Jesus, presente na Igreja, inflama-se o nosso coração e sentimo-nos urgidos a mostrar aos que nos rodeiam, com as nossas vidas, pela palavra e pelo exemplo, que Cristo vive, que a Ressurreição é uma realidade. O episódio constitui um apelo a fazermos o mesmo papel do Ressuscitado junto dos desiludidos da vida e sem esperança e a comunicar-lhes a nossa experiência de fé. No relato põe-se em evidência a união do pão e da palavra na vida da Igreja.

33 «Partiram imediatamente». «Os dois discípulos de Emaús, depois de terem reconhecido o Senhor, «partiram imediatamente» para comunicar o que tinham visto e ouvido. Quando se faz uma verdadeira experiência do Ressuscitado, alimentando-se do seu Corpo e do seu Sangue, não se pode reservar para si mesmo a alegria sentida. O encontro com Cristo, continuamente aprofundado na intimidade eucarística, suscita na Igreja e em cada cristão a urgência de testemunhar e evangelizar» (João Paulo II, Mane nobiscum Domine, 24).

Fonte: https://presbiteros.org.br/

A explicação de Jesus sobre por que pecamos com mais frequência à noite

MPIX | Shutterstock
Por Philip Kosloski

Depois que o sol se põe, parece que achamos que Deus não "verá" os nossos pecados.

Embora o pecado possa acontecer a qualquer hora do dia, a experiência humana parece confirmar que somos tentados a pecar com mais frequência à noite, depois que o sol se põe.

Mas por quê?

Até Jesus aborda o assunto no Evangelho de João:

“Ora, este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens amaram mais as trevas do que a luz, pois as suas obras eram más. Porquanto todo aquele que faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que as suas obras não sejam reprovadas. Mas aquele que pratica a verdade vem para a luz. Torna-se assim claro que as suas obras são feitas em Deus” (João 3,19-21).

As palavras de Jesus têm camadas e mais camadas de significado, mas Ele destaca a realidade de que a escuridão nos dá a ilusão de que os nossos atos pecaminosos seriam de alguma forma “escondidos” da vista de Deus apenas porque ficam ocultos à vista humana.

Não é de surpreender que muitos atos de vandalismo, roubo e assassinato ocorram à noite, quando as sombras oferecem “proteção”. O mesmo parece aplicar-se a outros pecados, como o consumo de pornografia ou o cometimento de adultério. A escuridão nos ilude com a ideia de que estamos menos sujeitos a ser vigiados.

Mas Deus nos vê também no escuro.

Da próxima vez que formos tentados após o pôr-do-sol, lembremo-nos das palavras de Jesus e comportemo-nos como quem está sempre à luz, com todas as suas obras expostas Àquele que é a própria Luz.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Mitos litúrgicos (1/16)

Basílica de Santo Agostinho em Roma | Presbíteros

Mitos litúrgicos

Quando eu era criança, tínhamos na creche que eu freqüentava a “hora do conto”, onde se contavam estórias sobre lendas infantis, como: chapeuzinho vermelho, lobo mau, branca de neve, sete anões, João e Maria, três porquinhos, Cinderela, Saci-Pererê, etc.

Infelizmente, tenho visto que muitos escritos sobre Liturgia editados no Brasil e muitos cursos de Liturgia ao nosso redor tem se tornado uma “hora do conto”, onde se ensina mitos que não correspondem à verdade da doutrina e da disciplina da Santa Igreja Católica Apostólica Romana.

Não me refiro, evidentemente, à má intenção de quem promove ou ministra tais cursos, pois isto não cabe a mim julgar. A avaliação que faço aqui é puramente a nível de conteúdo.

Vejo que é freqüente se ensinar mitos como: “A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia; a Eucaristia é para ser comida e não para ser adorada; a adoração eucarística fora da Missa é ultrapassada; na consagração deve-se estar em pé; a noção da Missa como Sacrifício é ultrapassada; é mais expressivo no altar a imagem de Jesus Ressuscitado do que de Jesus crucificado; quem celebra a Missa não é o Padre, e sim toda a comunidade; a Igreja pode vir a ordenar mulheres; a Missa é para os fiéis; não se assiste à Missa; qualquer pessoa pode comungar; a absolvição comunitária substitui a confissão individual; é errado comungar na boca e de joelhos; a comunhão tem que ser em duas espécies; o Ministério extraordinário da Sagrada Comunhão existe para promover a participação dos leigos; o cálice e o cibório podem ser de qualquer material; os fiéis podem rezar junto a doxologia e a oração da paz; o sacerdote usar casula é algo ultrapassado; o Concílio Vaticano II aboliu o latim; para participar bem da Missa é preciso entender a língua que o padre celebra; o canto gregoriano é algo ultrapassado; atualmente o padre tem que rezar de frente para os fiéis; o Sacrário no centro é anti-litúrgico; não se deve ter imagens dos santos nas igrejas; cada comunidade deve ter a Missa do seu jeito; pode-se fazer tudo o que o Missal não proíbe; o padre é autoridade, por isso deve-se obedecê-lo em tudo; procurar obedecer à leis é farisaísmo; o que importa é o coração; a Missa Tridentina é antiquada; para celebrar a Missa Tridentina é preciso autorização do Bispo local; ir à Missa dominical não é obrigação.”

A diferença entre tais idéias e o autêntico pensamento católico é facilmente constatada, confrontando estes mitos aos documentos oficiais da Santa Igreja editados em Roma. São idéias que, evidentemente, não surgiram ao acaso, mas são fruto direto ou influência de uma teologia litúrgica modernista e incompatível com a autêntica teologia católica. Aqui na América Latina, muitas delas foram historicamente reforçadas pela disseminação de teologias importadas e da chamada “Teologia da Libertação”, esta de caráter marxista, que é incompatível com o pensamento da Santa Igreja e faz uma releitura de toda teologia (inclusive da teologia litúrgica), como está expresso em diversos documentos do Sagrado Magistério (ver a “Instrução sobre alguns aspectos da Teologia da Libertação”, da Sagrada Congregação para Doutrina da Fé, de 06 de Agosto de 1984).

O objetivo deste artigo é expor abaixo cada um desses mitos litúrgicos citados e os contrapor com a palavra oficial da Santa Igreja. Todas as citações utilizadas sobre disciplina litúrgica, de documentos da Santa Igreja, se aplicam à forma do Rito Romano aprovada pelo Papa Paulo VI (que é atualmente a forma ordinária), com exceção dos mitos 30 e 31, que falam expressamente sobre a Missa Tridentina, que é a forma tradicional e (atualmente) extraordinária do Rito Romano.

Vamos aos mitos listados (32, ao todo) e suas contra-argumentações:

Mito 1: “A Presença de Jesus na Palavra é tão completa como na Eucaristia”

Não é.

Ensina-nos o Sagrado Magistério da Santa Igreja Católica Apostólica Romana que Nosso Senhor Jesus Cristo está presente verdadeiramente e substancialmente no Santíssimo Sacramento do Altar, em Corpo, Sangue, Alma e Divindade, nas aparências do pão e do vinho, como afirma o Catecismo da Igreja Católica (Cat.), nos números 1374-1377.

E por na Hóstia Consagrada Nosso Senhor está presente de maneira substancial, o Papa Paulo VI afirma (Encíclica Mysterium Fidei, n. 40-41, de 1965) a supremacia da Presença Eucarística de Nosso Senhor sobre as demais formas de presença:

“Estas várias maneiras de presença enchem o espírito de assombro e levam-nos a contemplar o Mistério da Igreja. Outra é, contudo, e verdadeiramente sublime, a presença de Cristo na sua Igreja pelo Sacramento da Eucaristia. Por causa dela, é este Sacramento, comparado com os outros, “mais suave para a devoção, mais belo para a inteligência, mais santo pelo que encerra”; contém, de fato, o próprio Cristo e é “como que a perfeição da vida espiritual e o fim de todos os Sacramentos”. Esta presença chama-se “real”, não por exclusão como se as outras não fossem “reais”, mas por antonomásia porque é substancial, quer dizer, por ela está presente, de fato, Cristo completo, Deus e homem.”

Também o próprio Concílio Vaticano II, na Constituição Sacrosanctum Concilium (n.7), afirma esta supremacia da Presença Eucarística: “Para realizar tão grande obra, Cristo está sempre presente na sua igreja, especialmente nas ações litúrgicas. Está presente no sacrifício da Missa, quer na pessoa do ministro – «O que se oferece agora pelo ministério sacerdotal é o mesmo que se ofereceu na Cruz» – quer e SOBRETUDO sob as espécies eucarísticas.”

Afirmar que a presença de Nosso Senhor na Palavra é tão completa como na Hóstia consagrada significa uma dessas duas coisas: afirmar que Nosso Senhor se transubstancia na Palavra (aí fazemos o que, comemos a Bíblia e o Lecionário?), ou negar a Presença Substancial de Nosso Senhor na Hóstia Consagrada, o que atenta conta o Mistério central da fé católica, pois a Eucaristia é “fonte e ápice da vida cristã” (Lumen Gentium, n.11)

 Referências Bibliográficas após o último artigo.

Fonte: https://presbiteros.org.br/

Sabia que a Bíblia não foi o primeiro livro impresso por Gutenberg?

Exemplar da Biblia de Gutenberg - Crédito: NYC Wanderer (CC-BY-SA-2.0)

REDAÇÃO CENTRAL, 23 Abr. 23 / 07:00 am (ACI).- Hoje (23), é celebrado o Dia Mundial do Livro em memória de grandes escritores. Embora o dado mais difundido é que a Bíblia foi o primeiro livro reproduzido com a imprensa de Johannes Gutenberg, o certo é que o inventor alemão reproduziu previamente outra obra católica.

Em ano 1449, Gutenberg reproduziu -como ensaio- na sua gráfica em Mainz o chamado “Missal de Constanza”, do qual agora existem somente três exemplares no mundo.

Um missal é o livro católico em que se encontram os textos para a celebração da Santa Missa.

Johannes Gutenberg, o alemão que inventou a impressão em caracteres, começou a impressão da primeira Bíblia em 1450, processo que terminou em 23 de fevereiro de 1455, há mais de 500 anos.

A Bíblia das 42 linhas ou Bíblia de Gutenberg, era a versão impressa da Vulgata, uma tradução ao latim usada pela Igreja Católica. Ele a chamou de Bíblia das 42 linhas pela quantidade de linhas impressas, em duas colunas, em cada página.

Atualmente existem 48 exemplares, mas só 21 estão completos. Um deles está na Espanha e se conserva na Biblioteca Pública de Burgos.

Fonte: https://www.acidigital.com/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF