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domingo, 21 de dezembro de 2025

Papa: como São José, sejamos "presépio acolhedor" praticando o perdão

Angelus, 21/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

Nos últimos dias do Advento, Leão XIV exortou os fiéis a educarem o coração para o encontro com Cristo praticando o perdão e a misericórdia, tal qual São José, o protagonista do Evangelho deste domingo.

https://youtu.be/V-fIx9AGXAo

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Piedade e caridade, misericórdia e abandono: essas foram as virtudes apontadas pelo Papa Leão para viver os últimos dias do Advento, inspirando-se na figura de São José, apresentada na Liturgia de hoje.

Aos fiéis reunidos na Praça São Pedro para o Angelus dominical, o Santo Padre comentou esta página "muito bonita" da história da salvação, quando Deus revela a São José, em sonho, a sua missão. O protagonista é um homem frágil e falível como nós, mas, ao mesmo tempo, corajoso e forte na fé.

O evangelista Mateus o chama de “homem justo”, o que o caracteriza como um piedoso israelita, cumpridor da Lei e assíduo da sinagoga. Além disso, José de Nazaré aparece também como uma pessoa extremamente sensível e humana.

Preparar o coração para o encontro com Cristo

Diante de uma situação difícil de compreender e aceitar em relação à sua futura esposa, Leão XIV notou que São José não opta pelo escândalo e pela condenação pública, mas escolhe o caminho discreto e benevolente do repúdio secreto. Assim, mostra compreender o sentido mais profundo da sua própria observância religiosa: o da misericórdia.

Todavia, a pureza e a nobreza dos seus sentimentos tornam-se ainda mais evidentes quando o Senhor, num sonho, lhe revela o seu plano de salvação, indicando o papel inesperado que deverá assumir: ser o esposo da Virgem Mãe do Messias. E o faz com um grande ato de fé:

“Piedade e caridade, misericórdia e abandono: eis as virtudes do homem de Nazaré que a Liturgia hoje nos propõe, para que nos acompanhem nestes últimos dias do Advento, rumo ao Santo Natal. São atitudes importantes, que educam o coração para o encontro com Cristo e com os irmãos, e que podem ajudar-nos a ser, uns para os outros, presépio acolhedor, casa hospitaleira, sinal da presença de Deus. Neste tempo de graça, não percamos a oportunidade de as praticar: perdoando, encorajando, dando um pouco de esperança às pessoas com quem vivemos e àquelas que encontramos; e renovando na oração o nosso abandono filial ao Senhor e à sua Providência, entregando-lhe tudo com confiança.”

"Que a Virgem Maria e São José nos ajudem", concluiu o Papa, pois eles que foram os primeiros a acolher Jesus, o Salvador do mundo, com fé e grande amor.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 20 de dezembro de 2025

Como viver o Natal segundo o cardeal John Newman, proclamado Doutor da Igreja

PeopleImages | Shutterstock

Cibele Battistini - publicado em 19/12/25

Em 1º de novembro de 2025, no Jubileu do Mundo da Educação, o Papa Leão XIV proclamou São John Henry Newman como o 38.º Doutor da Igreja Universal.

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O que significa “Doutor da Igreja”

O título de Doutor da Igreja é uma das maiores honras que a Igreja Católica concede a um santo. Ele é dado somente a aqueles cuja vida foi santa, cuja teologia é profunda, fiel e de grande valor para toda a Igreja, e cuja influência permanece viva ao longo do tempo. 

Embora Newman não tenha escrito um livro inteiro só sobre o Natal, há muitos escritos e reflexões dele que mostram sua visão profunda e espiritual desta festa.

1 - O NASCIMENTO DE CRISTO COMO FONTE DE ALEGRIA E LUZ

Newman escreveu que a vinda de Cristo é uma verdadeira transformação espiritual:

“O nascimento do nosso Salvador na carne é o começo da nossa nova vida no Espírito.”
Esse sentido mostra como o Natal nos convida a renascer em Deus. 

2 - O DESEJO DE SER MAIS PARECIDO COM CRISTO A CADA NATAL

Newman orou:

“Que cada novo Natal nos encontre mais e mais como Aquele que se fez criança por amor nosso — mais simples, mais humilde, mais santo, mais caridoso, mais resignado, mais feliz e mais cheio de Deus.” (newmanfriendsinternational.org)

Essa frase resume o que significa viver o Natal segundo Newman: não apenas festejar externamente, mas deixar que o mistério de Cristo transforme o coração.

3 - O NATAL COMO ENCONTRO PESSOAL COM CRISTO

Outra reflexão dele — encontrada em textos que circulam entre devotos — é a ideia de que no Natal Cristo vem até nós como nosso convidado e luz, e nós somos chamados a recebê-Lo com alegria, mesmo nas dificuldades da vida. 

4 - CITAÇÃO POÉTICA SOBRE O AMOR DIVINO NO NATAL

Newman escreveu versos que lembram o mistério do Natal:

“Ó amor amável de nosso Deus! Quando tudo era pecado e vergonha, um segundo Adão veio para a luta e resgate…”
Essa frase poética mostra o centro do Natal: o amor de Deus que se aproxima de nós em Cristo feito carne

Como viver o Natal segundo Newman

Para Newman, viver o Natal não é apenas decorar a casa ou trocar presentes — é permitir que o mistério da Encarnação nos mude por dentro:

aceitar que Deus vem nos encontrar onde estamos;
cultivar simplicidade, humildade, caridade e alegria profunda
abrir o coração para receber Cristo como luz em nossas sombras pessoais e coletivas
permitir que cada Natal nos torne mais semelhantes a Jesus.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

As bem-aventuranças (2): enriquecer-se com a pobreza

Foto/Crédito: Opus Dei.

As bem-aventuranças (2): enriquecer-se com a pobreza

Dirigido especialmente aos jovens, o segundo editorial sobre as bem-aventuranças aborda o conselho de Jesus: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus".

27/05/2016

O panorama que se via do alto daquela pequena montanha devia ser impressionante. Centenas de pessoas foram para a Galileia porque queriam conhecer o novo profeta de quem todo mundo falava e que, pelo que diziam, pregava maravilhas. Jesus veria as pessoas aproximando-se pouco a pouco pela colina e, ao final, quando fizeram silêncio, começou a falar com uma voz potente: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus"[1].

Os pobres? Muitos daqueles que o escutavam, eram realmente pobres. Tinham ido até lá porque sofriam a pobreza e sabiam bem que é algo que ninguém deseja: Deus quer que tenhamos coisas boas para comer, um lugar digno para viver e que aproveitemos as comodidades necessárias. No entanto, o Senhor nos mostra que existe um tipo de pobreza que vale a pena procurar.

A "pobreza de espírito" parece ser uma condição necessária para que as outras bem-aventuranças possam tornar-se realidade. Por isso, não é por acaso que Jesus a propõe no início do seu discurso, antes de todas as outras, para que sirva de base firme sobre a qual possamos construir uma vida grande e bela. Mas, o que significa exatamente ser pobre de espírito?

Deus somente sabe dar

Em outra ocasião, Jesus caminhava por uma cidade e todos queriam chegar perto dEle. Os apóstolos se esforçavam para abrir caminho e atravessar a multidão, que tinha saído para conhecer o famoso Rabbi. Esmagada no meio daqueles entusiastas, uma mulher concentrava as suas poucas forças em chegar até o Senhor. A massa a atirava de um lado para outro. Como sabemos, estava fraca e doente, pois fazia muitos anos que estava perdendo sangue e tinha gastado todo o seu dinheiro com médicos que não souberam curá-la. Sem saúde nem dinheiro, Jesus representa uma última esperança para ela.

Certamente, antes de ver Jesus, essa mulher já tinha aceitado a sua doença, colocando-se nas mãos de Deus. Quase como uma resposta imediata do Céu, o Messias passava pela sua cidade naquele dia. Por isso, estava convencida de que nEle encontraria a solução que tanto desejava. Desse modo, sem grandes discursos, simplesmente confiando em Deus, consegue arrancar do Mestre a força que cura os seus males.

Esta mulher é um exemplo de pobreza de espírito, porque depositou toda a sua fé no Senhor. Era pobre e sabia que não podia fazer mais nada. Tinha que aceitar como um presente tudo o que lhe faltava. Como ela, o pobre de espírito é aquele que confia completamente em Deus, porque compreende que Ele somente sabe dar e, se tira alguma coisa, é para abrir mais espaço para os seus dons na nossa vida. Será que, se ela não tivesse perdido a confiança em todas as coisas, teria lutado com tanta força para tocar Deus? Certamente que não. Portanto, a pobreza pode chegar ou teremos que buscá-la: em qualquer caso, é necessário estar disposto a perder tudo para ganhar o que realmente vale a pena, isto é, chegar a ser pobres para que Deus nos faça ricos. Por isso, a pergunta seguinte é: o que devo deixar para ser pobre?

Foto/Crédito: Opus Dei.

Menos é mais

Conta-se que no século VII, o imperador Heráclio entrou em guerra contra os persas para recuperar a cruz em que Jesus foi crucificado. Seus inimigos tinham-na roubado de Jerusalém e a mantinham em um palácio perto de Bagdá. Depois de quinze anos de batalhas, no ano 630, o exército bizantino pôde recuperar o lenho santo e o imperador, à frente de suas tropas, retornou triunfante para a Cidade Santa.

Quase sem perceber, criamos muitas necessidades para nós mesmos. Precisamos assistir ao capítulo da nossa série favorita, precisamos escutar música sempre que estamos sozinhos, precisamos olhar o WhatsApp...

Enquanto entrava em Jerusalém, Heráclio quis levar a cruz ele mesmo, mas, quando foi pegar a relíquia, ela ficou muito pesada. Para surpresa dos seus soldados, o imperador, que tinha lutado em mil batalhas, não aguentava carregar um simples tronco sobre seu cavalo. Envergonhado, desceu do cavalo e tentou levar o madeiro a pé, mas não conseguia ir adiante. Pouco a pouco, para concentrar suas forças na cruz, ele foi se libertando de outros pesos: a sua coroa, o manto real, a armadura, a espada e o escudo... Finalmente, quando vestia somente sua túnica, conseguiu levantar o lenho. Foi só então, despojado de todas as suas riquezas materiais, que a imagem do imperador recordou a todos aquele Cristo que, seis séculos antes, tinha carregado a cruz por essas mesmas ruas.

Como aconteceu com o imperador Heráclio, a pobreza nos ajudará a parecer-nos com Jesus e seremos capazes de seguir os seus passos. Por outro lado, o dinheiro ou as coisas, podem se converter em um grande obstáculo, porque tiram espaço de Deus e enchem a alma de preocupações. Não porque ter coisas seja algo mau, mas porque chegamos a dar muita importância a elas e a nossa felicidade começa a depender exageradamente disso.

Basta fazer exame para notar que, quase sem perceber, criamos muitas necessidades para nós mesmos. Precisamos assistir ao capítulo da nossa série favorita, precisamos escutar música sempre que estamos sozinhos, precisamos olhar o WhatsApp... e, se alguma dessas coisas não é possível, ficamos inquietos porque unimos a nossa felicidade a essas necessidades.

Da mesma forma, todos já experimentamos o quanto é bom comprar coisas novas. Um novo videogame, uma música nova ou uma roupa nova podem alegrar um dia que começou mal. Às vezes parece que o dinheiro fica queimando quando está na nossa carteira! Gastar não é uma coisa má, mas temos que prestar atenção para que não se converta no único remédio para nos manter alegres.

Se para ter um pouco de emoção na vida, precisamos de ajudas artificiais (drogas brandas ou álcool), a nossa reação terá que ser ainda maior. Usá-las para se divertir ou por pura curiosidade é manifestação clara de uma personalidade fraca, de um espírito que precisa se enriquecer com coisas e que desistiu de melhorar ou de se divertir aproveitando os talentos pessoais.

Em algumas ocasiões, pode ser um bom exercício abrir mão de alguma necessidade aparentemente imprescindível e, dessa forma, não depender demais de algo que talvez tenha se convertido em algo muito importante na nossa vida.

Algumas pessoas costumam propor a si mesmas, cada dia, dois ou três pequenos sacrifícios para manter a vontade livre e ágil, em forma. Se tentarmos e não conseguirmos, será sinal de que precisamos recuperar a nossa liberdade o quanto antes. Sempre será útil o conselho de São Josemaria: «Não o esqueças: tem mais aquele que precisa de menos. – Não cries necessidades»[2].

«Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e depois vem e segue-me»[3]: é a condição de Jesus ao jovem rico que tinha pedido para segui-Lo. Esse jovem era bom – "vivia os mandamentos", o que já é muito – mas não era livre. Tudo o que ele possuía tinha se tornado numa cadeia que o mantinha atado e que o impediu de aproveitar a melhor oportunidade da sua vida. Não foi capaz de ver Jesus e entender a grandeza da proposta que Ele fazia. Se os Evangelhos contam este episódio, é porque o Senhor quer nos fazer a mesma oferta... E corremos o risco de dar a mesma resposta.

Foto/Crédito: Opus Dei.

Avestruzes, ouriços e máscaras

Existe outra pobreza, talvez mais importante ainda: é a pobreza interior, a humildade de quem se conhece bem e sabe que – sem Deus – vale muito pouco. Quem, ao contrário, está muito confiante em si mesmo e não aceita ajuda de ninguém, é parecido a muitos dos escribas e fariseus, personagens que Jesus foi muitas vezes forçado a enfrentar. Eles tinham resposta para tudo, e nunca pedem ajuda ou fazem perguntas com interesse sincero, nem reconhecem as suas próprias dúvidas ou fraquezas.

Dizíamos que Deus somente sabe dar, mas temos que estar dispostos a receber. Também nós, às vezes, podemos obstinar-nos com uma opinião, ser teimosos, não dar o braço a torcer ou não reconhecer humildemente que erramos. Por outro lado, como sabemos que o Senhor ajuda a quem quer se deixar surpreender, é bom pedir conselho, aprender a ouvir, aceitar com simplicidade as sugestões das pessoas que querem nos ajudar. «(...) que saibam como és e te desprezem. – Não tenhas pena de ser nada, porque assim Jesus tem que pôr tudo em ti»[4], aconselhava São Josemaria. O próprio Deus nos ajudará se nos aproximamos aos sacramentos ou à leitura da Palavra de Deus, mesmo que pensemos que não é o que necessitamos neste momento de nossa vida.

Dizem que o avestruz esconde a cabeça quando vê o perigo (na realidade, não é bem assim). Mas, algo parecido pode acontecer conosco quando percebemos que alguma coisa não está bem na nossa vida: por exemplo, quando vemos que é difícil fazermos amigos ou somos incapazes de controlar nossas paixões, ou temos pavor de fracassar ou de que debochem de nós ou de ficar sozinhos... A pessoa que não é pobre de espírito prefere não encarar a verdade. Procura esconder o perigo ou disfarçá-lo. Prefere não ver ou se fecha em si mesma – como os ouriços – com o silêncio ou inclusive atacando os outros – criticando-os, por exemplo – para que ninguém perceba a sua fraqueza.

Quem não é humilde, logo vai comprovar que a sua vida se converteu num complicado labirinto. E o melhor modo, às vezes o único, de fugir dos labirintos é voando.

Quem não enfrenta os seus erros, precisa fazer uma máscara para que os outros acreditem que é uma pessoa diferente (despreocupada, sempre feliz, segura de si mesma...). A longo prazo, a sua vida se converterá num teatro, numa farsa. Cedo ou tarde se perguntará: quem eu sou na realidade? Em que acredito? Meus amigos gostam de mim ou do personagem que acreditam que eu sou?

«Senhor — pedia São Josemaria — que eu me decida a arrancar, mediante a penitência, a triste máscara que forjei com as minhas misérias... »[5].

Quem não é humilde, logo vai comprovar que a sua vida se converteu num complicado labirinto. E o melhor modo, às vezes o único, de fugir dos labirintos é voando: por isso, se nos elevamos com nossa oração até a presença de Deus, ele nos ajudará a ser sinceros e humildes. Uma pessoa pobre de espírito não se considera humilhada quando reconhece as suas fraquezas e pede ajuda nos sacramentos ou a um diretor espiritual. Assim, viveremos com a cara lavada, mostrando nosso verdadeiro rosto e a nossa verdadeira alma, com alegria e otimismo.

"A pessoa que tem o coração livre e desprendido das coisas do mundo – disse o Papa –, é 'esperada' no Reino dos Céus"[6]. Pobreza material e pobreza interior: só assim estaremos preparados para continuar escutando atentamente o Senhor – sem outras distrações ou preocupações – na montanha da Galileia, junto com os apóstolos. Se formos pobres de espírito, livres do consumismo e da soberba, seremos capazes de nos abrirmos incondicionalmente à felicidade que as outras bem-aventuranças nos prometem.

* * *

Perguntas para a oração pessoal

– Eu posso economizar em alguns gastos? O dinheiro dura pouco tempo na minha carteira? Dou alguma esmola, na medida das minhas possibilidades?

– Em que coisas procuro segurança? Nas coisas materiais (roupas, aparelhos eletrônicos, programas caros)? Na imagem que os outros têm de mim? No relacionamento com Deus e na amizade verdadeira? Fico muito preocupado(a) com o que os outros pensam sobre mim?

– Procuro alongar a vida útil das coisas que eu uso (roupa, celular...) ou preciso mudá-las em pouco tempo? Preciso urgentemente das coisas que meus amigos ou amigas têm?

– Procuro fazer dois ou três sacrifícios todos os dias que me ajudem para que nada superficial seja necessário (por exemplo, uso do celular, da televisão, do elevador...)?

–Mostro-me como sou? Fico chateado(a) se recebo alguma crítica razoável? Quando foi a última vez que pedi desculpas? Tenho o bom costume de pedir conselho?

J. Narbona / J. Bordonaba

Tradução: Mônica Diez


[1] Mt 5, 3.

[2] São Josemaria, Caminho, 630.

[3] Mt 19, 20.

[4] São Josemaria, Caminho, 596.

[5] São Josemaria, Via Sacra, VI estação.

[6] Papa Francisco, Homilia, 1-XI-2015.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Papa convoca primeiro Consistório extraordinário do seu pontificado

Papa Leão XIV (Vatican Media)

Sala de Imprensa da Santa Sé publicou um comunicado este sábado, 20 de dezembro, acerca do Consistório que se realizará no Vaticano nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026.

Vatican News

Como já anunciado em novembro passado, o Santo Padre convocou o primeiro Consistório extraordinário do seu pontificado, que se realizará nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026.

O encontro terá duração de dois dias e será marcado por momentos de comunhão e fraternidade, bem como por momentos dedicados à reflexão, à compartilha e à oração. Esses momentos terão a finalidade de promover um discernimento comum e oferecer apoio e conselhos ao Santo Padre no exercício da sua alta e empenhativa responsabilidade no governo da Igreja universal.

O Consistório se insere no contexto da vida e da missão da Igreja e pretende fortalecer a comunhão entre o Bispo de Roma e os Cardeais, chamados a colaborar de maneira especial na solicitude pelo bem da Igreja universal.

No dia 13 de junho passado, se realizou um Consistório ordinário público para o voto de algumas causas de canonização.

*Consistórios são reuniões do Colégio Cardinalício convocados pelo Papa para ajudá-lo no governo da Igreja e se dividem em ordinários e extraordinários: os primeiros se realizam com os cardeais residentes em Roma, enquanto dos extraordinários devem participar todos os cardeais. O Consistório para a criação de cardeais é o ordinário público.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

O sentido das quatro celebrações da Solenidade do Natal do Senhor

Foto/Crédito: CNBB.

O SENTIDO DAS QUATRO CELEBRAÇÕES DA SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR

19/12/2025

Na Solenidade do Natal do Senhor celebramos o encontro entre o céu e a terra, contemplando o mistério de um Deus que se faz humano para nos comunicar sua dignidade divina. O assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frei Luís Felipe Marques, recorda que o tempo do Natal reafirma a fé em um Deus que entra na história e se faz presente na vida cotidiana.

“O Natal nos convida a acolher e a manifestar a certeza da presença de Cristo ao mundo por meio do nosso testemunho, na simplicidade de cada dia e no ritmo cotidiano das nossas vidas”, afirma.

As celebrações do Natal

Foto/Crédito: CNBB.

A celebração da Solenidade do Natal do Senhor, explica o frei, compreende quatro celebrações distintas da Eucaristia: a Missa da Vigília (no entardecer do dia 24), a Missa da Noite ou Missa do Galo, a Missa da Aurora (ao amanhecer) e a Missa do Dia (em 25 de dezembro). Cada uma possui leituras e textos próprios, que aprofundam de modo progressivo o mistério da Encarnação, da genealogia de Jesus ao anúncio solene do Verbo que se fez carne.

“Na linguagem litúrgica, dizemos que são formulários próprios, com leituras e orações específicas. Assim, essas quatro missas não se repetem, mas se complementam”, esclarece o frei Felipe.

A Missa do Galo é a celebração central do Natal do Senhor e proclama, de forma enfática, o nascimento do Filho de Deus. Nela, a Igreja une-se ao canto dos anjos, “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”, e anuncia, com o evangelista Lucas: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós o Salvador”. Tradicionalmente, essa missa é celebrada na madrugada; contudo, muitas comunidades a antecipam para que as famílias também possam celebrar a ceia de Natal em seus lares.

A Missa da Aurora destaca o encontro dos pastores com o Menino Jesus e o assombro diante de um Deus recém-nascido, convidando à acolhida do mistério da Encarnação. Já a Missa do Dia aprofunda o sentido teológico desse mistério, contemplando a graça do Deus eterno que entra no tempo, o Verbo que se faz carne para a salvação da humanidade. “Esse admirável intercâmbio entre o céu e a terra permite que nós, humanos, sejamos elevados à eternidade”, ressalta frei Luís Felipe.

O dom da vida litúrgica

A Igreja oferece o dom da vida litúrgica para que os fiéis celebrem os mistérios do Senhor, aprendam a escutar a Palavra que salva, vivenciem ritos que transformam a vida e entrem no mistério que revela o acontecimento histórico em sua dimensão salvífica e teológica.

O assessor da Comissão para a Liturgia explica que, em razão disto, os fiéis são convidados a participar de ao menos uma dessas celebrações para viver, com alegria, o nascimento do Senhor. “Quem participa de mais de uma pode aprofundar ainda mais a experiência do mistério do Natal”, reforça.

“Tornamo-nos melhores cristãos quando compreendemos que a participação na vida litúrgica é essencial à vida cristã, pois nos conforma cada vez mais ao mistério de Cristo. A celebração eucarística é, em si mesma, uma experiência de presença, de comunhão, de adoração e de bênção”, destaca o assessor da CNBB.

Oitava de Natal

A Oitava de Natal é o período litúrgico de oito dias que se estende do Natal do Senhor, em 25 de dezembro, até a Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro de 2026. Trata-se de um único e grande dia de festa prolongado, no qual a Igreja continua a celebrar a alegria do nascimento de Jesus, recordando Santo Estêvão (26/12), o primeiro mártir; São João (27/12), o evangelista da Encarnação; os Santos Inocentes (28/12), mortos por causa de Cristo, e a Festa da Sagrada Família, celebrada no domingo após o Natal do Senhor.

Neste ano de 2025, na Festa da Sagrada Família, ao elevarmos a Deus o louvor de ação de graças e de súplica, a Igreja vai celebrar também o rito de encerramento do Ano Jubilar. Ao contemplar a santidade da Família de Nazaré, as comunidades diocesanas do mundo inteiro suplicam a renovação da fé que move montanhas, da esperança que não decepciona e da caridade paciente e benigna.

“Celebrado no contexto da Oitava do Natal, esse encerramento assume um profundo valor simbólico de recomeço: reconhecemos que o Senhor fez jorrar um rio de graça e de bênção para a sua Igreja, ofereceu esperança a todos e fortaleceu os mais frágeis, sustentando os joelhos vacilantes”, concluiu o frei.

Por Willian Bonfim

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa aos jovens: antes do Natal, pensem numa pessoa com quem fazer as pazes

Papa duranye aufiência nesta manhã, 19 de dezembro (Vatican Mewsia)

A poucos dias do Natal, o Pontífice recordou que a verdadeira paz nasce do coração reconciliado. Inspirando-se no presépio, exortou os jovens a seguirem o exemplo de santos como Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati e a oferecerem, antes do Natal, o dom mais precioso: fazer as pazes com alguém.

Thulio Fonseca – Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta sexta-feira, 19 de dezembro, no Vaticano, os jovens da Ação Católica Italiana, acompanhados pela presidência nacional, pelo assistente eclesiástico geral, pela equipe nacional, além de educadores e colaboradores. No clima de expectativa pelo Natal do Senhor, o Pontífice manifestou sua alegria pelo encontro e agradeceu o entusiasmo dos jovens, ressaltando a identidade da associação como caminho de discipulado e testemunho do Evangelho no seio da Igreja.

Papa duranye aufiência nesta manhã, 19 de dezembro (Vatican Mewsia)
Papa duranye aufiência nesta manhã, 19 de dezembro (Vatican Mewsia)

“O nome da sua associação diz bem a sua identidade: vocês são discípulos de Jesus, testemunhas do seu Evangelho e companheiros de caminhada junto com toda a Igreja”, afirmou Leão XIV, encorajando-os a continuarem sendo sinal vivo da beleza da Ação Católica.

O presépio, sinal de um Deus que acolhe a todos

No centro de sua reflexão, o Papa deteve-se no presépio, símbolo privilegiado do mistério do Natal. Recordando as tradições vividas durante o Advento, destacou que a contemplação da Sagrada Família, dos pastores e dos animais revela uma verdade fundamental da fé cristã:

“Ao redor do Senhor, que se faz homem para nos salvar, há espaço para todos. Ele abre lugar para cada pessoa, para cada criança, adolescente, jovem e idoso.”

Leão XIV observou que o Filho de Deus, ao nascer, não encontra lugar numa casa, mas bate à porta do coração humano, enquanto Ele mesmo se abre para acolher a todos com amor. Diante do presépio, o convite é pedir a graça de ser como os anjos, anunciadores da glória de Deus e da paz aos homens.

Papa durante audiência nesta manhã, 19 de dezembro   (@Vatican Media)

Carlo Acutis, Frassati e o chamado à santidade cotidiana

Falando da paz como compromisso concreto dos cristãos, o Papa recordou que não basta “ser bons”, mas é necessário tornar-se melhor a cada dia, avançando no caminho da santidade. Nesse contexto, apresentou aos jovens modelos luminosos de vida cristã: “A tornar-nos santos, como Pier Giorgio Frassati — que fazia parte da Ação Católica — e como Carlo Acutis: encorajo vocês a imitar a paixão deles pelo Evangelho e suas obras, sempre animadas pela caridade.”

Segundo o Pontífice, seguindo o exemplo desses jovens santos, o anúncio da paz torna-se crível e luminoso, porque nasce de uma vida vivida na amizade com Jesus, capaz de gerar liberdade, felicidade e atenção concreta aos mais necessitados.

Antes do Natal, o dom mais precioso: perdoar

Ao refletir sobre o nascimento do Príncipe da Paz, Leão XIV aprofundou o verdadeiro significado da paz, que não se reduz à ausência de guerras, mas se fundamenta na justiça, na concórdia e no respeito mútuo, começando pelas relações do dia a dia. Foi então que dirigiu um apelo direto e concreto aos jovens, especialmente em vista do Natal:

“Antes da santa noite de Natal, pensem numa pessoa com quem fazer as pazes: será um presente mais precioso do que aqueles que se podem comprar nas lojas, porque a paz é um dom que se encontra, de fato, somente no coração.”

O Papa sublinhou que fazer as pazes é uma verdadeira “ação católica”, pois torna os cristãos testemunhas autênticas de Jesus Cristo, Redentor do mundo. Ao concluir, Leão XIV dirigiu seus votos de Feliz Natal aos jovens e às suas famílias.

Leão XIV com os jovens da Ação Católica   (@VATICAN MEDIA)

Fo
nte: https://www.vaticannews.va/pt

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo (XI)

A Encarnação do Verbo (Canção Nova)

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo
(Lib. 3,20, 2-3: SCh 34, 342-344)       (Sec. II)

A economia da Encarnação redentora

A glória do homem é Deus; mas quem se beneficia das obras de Deus e de toda a sua sabedoria e poder é o homem,

Semelhante ao médico que demonstra sua competência no doente, assim Deus se manifesta nos homens. Eis por que o Apóstolo Paulo diz: Deus encerrou todos os homens na desobediência, a fim de exercer misericórdia para com todos (Rm 11,32). Referia-se ao homem que, por ter desobedecido a Deus, perdeu a imortalidade, mas depois obteve misericórdia, recebendo a adoção por intermédio do Filho de Deus.

Se o homem acolhe, sem orgulho nem presunção, a verdadeira glória que procede das criaturas e do criador, isto é, de Deus todo-poderoso que dá a tudo a existência, e se permanece em seu amor, na obediência e na ação de graças, receberá dele uma glória ainda maior, progredindo sempre mais, até se tornar semelhante àquele que morreu por ele.

Com efeito, Cristo se revestiu de uma carne semelhante à do pecado (Rm 8,3) para condenar o pecado e, depois de o condenar, expulsá-lo da carne. Tudo isso para incentivar o homem a tornar-se semelhante a ele, destinando-o a ser imitador de Deus, colocando-o sob a obediência paterna, a fim de que visse a Deus e tivesse acesso ao Pai. O Verbo de Deus habitou no homem e se fez filho do homem, para acostumar o homem a compreender a Deus e Deus a habitar no homem, segundo a vontade do Pai.

Por esse motivo, o sinal de nossa salvação, o Emanuel nascido da Virgem (cf. Is 7,11.14), foi dado pelo próprio Senhor; pois seria ele quem salvaria os homens, já que não poderiam salvar-se por si mesmos. Por isso São Paulo proclama a fraqueza do homem, dizendo: Estou ciente de que o bem não habita em mim (Rm 7,18), indicando que o bem de nossa salvação não vem de nós, mas de Deus. E ainda: Infeliz que sou! Quem me libertará deste corpo de morte? (Rm 7,24). E logo mostra quem o liberta: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Rm 7,25).

Também Isaías diz: Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar” (cf. Is 35,3-4). Na verdade, nossa salvação não poderia vir de nós mesmos, mas unicamente do socorro de Deus.

Fonte: https://liturgiadashoras.online/

EDITORIAL: O compromisso com a paz que nasce da contemplação do rosto de uma Criança

Um presépio entre os escombros de Gaza (Vatican News)

O convite do Papa Leão: superar a tentação de considerar a paz distante e impossível, superar a "lógica agressiva e conflituosa" segundo a qual a paz é buscada através de uma corrida armamentista

Andrea Tornielli

"Nada tem a capacidade de mudar-nos mais do que um filho. E talvez seja justamente o pensamento nos nossos filhos, nas crianças e também naqueles que são frágeis como elas, que nos traspassa o coração". Estas são as palavras que o Papa Leão usou em sua Mensagem para o Dia Mundial da Paz. Deus, o Todo-Poderoso, fazendo-se Homem, aceita tornar-se criança, totalmente dependente dos cuidados de uma mãe e de um pai, segundo a lógica da pequenez, e escolhe vir ao mundo na pobreza de um estábulo e no isolamento de uma periferia do Império Romano. Ele é "um Deus indefeso, pelo qual a humanidade só pode descobrir-se amada cuidando d’Ele." Contemplando aquela Criança, protagonista dos nossos presépios, não podemos ficar indiferentes ao drama de tantas crianças vítimas da guerra, mortas pelas bombas na Ucrânia; mortas em Gaza, primeiro pela chuva de mísseis e agora pelo frio devido à dificuldade de acesso à ajuda humanitária; mortas nos muitos conflitos esquecidos em outras partes do mundo.

Na mensagem para o Dia Mundial da Paz 2026, o Papa recorda que a paz do Cristo ressuscitado é uma paz desarmada "porque desarmada foi a sua luta dentro de precisas circunstâncias ...

O convite que o Sucessor de Pedro estende a crentes e não crentes é para acolher e reconhecer a paz, superando a tentação de a considerar distante e impossível. A paz e a não violência para os cristãos têm raízes profundamente evangélicas nas palavras e na atitude de Jesus, que ordenou a Pedro, que queria defendê-lo, que guardasse a sua espada. A paz que o Cristo ressuscitado proclama ao mundo é desarmada e desarmante, uma realidade a ser salvaguardada e cultivada nos nossos corações, nas nossas relações, nas nossas famílias, nas nossas comunidades, nos nossos países. A história ensina-nos com que frequência, mesmo como cristãos, nos esquecemos disto, tornando-nos cúmplices de guerras e violência trágicas.

Hoje, Leão XIV nos lembra que também nós corremos o risco de considerar a paz um ideal distante, chegando ao ponto de justificar a guerra para alcançá-la. No debate público e na mídia, parece prevalecer uma lógica agressiva e conflituosa, segundo a qual se torna uma culpa "não se preparar suficientemente para a guerra". Essa é uma lógica desestabilizadora e extremamente perigosa que vai muito além do princípio da legítima defesa e nos conduz ao abismo de um novo conflito mundial com consequências imprevisíveis e devastadoras.

"Hoje, mais do que nunca - escreve o Papa -, é preciso mostrar que a paz não é uma utopia, através de uma criatividade pastoral atenta e generativa". Em vez de continuarmos a trilhar o caminho do aumento constante dos gastos com armamentos, que já atingiram 2,5% do PIB mundial, em vez de investirmos trilhões em instrumentos de morte e destruição destinados — como vimos — a arrasar escolas e hospitais, em vez de fazermos as pessoas acreditarem que nossa segurança consiste em rearmar e dissuadir, precisamos ter a coragem da paz. Precisamos reativar o caminho da diplomacia, da negociação, da mediação e do direito internacional, inclusive fortalecendo as instituições internacionais. Não permitamos que a voz do Papa Leão seja uma voz que clama no deserto; não deixemos sozinho o Bispo de Roma. Dêmos crédito às suas palavras e olhemos para a história para compreender o saudável realismo em suas intervenções, assim como o foi nas de seus predecessores, que muitas vezes foram ignorados. Somos chamados a "motivar e apoiar todas as iniciativas espirituais, culturais e políticas que mantenham viva a esperança, combatendo a difusão de atitudes fatalistas, como se as dinâmicas em ato fossem produzidas por forças impessoais anônimas e por estruturas independentes da vontade humana". A paz é possível, e uma corrida armamentista insensata não é o caminho para defendê-la. Para os cristãos, a paz tem o rosto indefeso do Menino Deus, frágil como toda criança: deixemos que nossos corações sejam traspassados por esse rosto e pela proclamação da paz que ressoou na noite do primeiro Natal.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Emanuel: Deus está conosco

Emanuel, Deus conosco (You Tube)

EMANUEL: DEUS ESTÁ CONOSCO

19/12/2025

Dom José Gislon
Bispo de Caxias do Sul (RS)

Estimados irmãos e irmãs em Cristo Jesus! A celebração do Natal é uma grande oportunidade que Deus nos oferece a cada ano para revermos a nossa vida, a partir do nosso relacionamento com os outros, na família, no ambiente de trabalho, na comunidade, onde celebramos a nossa fé e na sociedade. O Natal também nos traz presente a família, com todos os seus valores e suas fragilidades. Mas nenhuma fragilidade é maior do que aquela marcada pela falta de amor, que abandona, que não está aberta para acolher e proteger a vida, em todas as suas realidades. 

Eu gostaria de reforçar a importância dessa oportunidade que o Senhor nos oferece a cada ano, para olharmos com amor a vida. Às vezes, nós não nos damos conta de que o sagrado dom da vida não está sendo valorizado como deveria. O viver, ao invés de nos dar alegria, torna-se um caminho marcado pela dor do abandono e do desprezo, que percorremos sem muito entusiasmo, ou sem sentir a presença do amor de Deus, que se manifesta também nos gestos dos irmãos. 

No frágil presente de Deus, celebrado no Natal, está a força insuperável do amor divino, que assume a fragilidade da nossa condição humana para nos dar a dignidade da filiação divina. Nas nossas comunidades e nas nossas famílias temos várias formas de nos preparar e expressar os nossos sentimentos e a nossa alegria na espera e na celebração do Natal. Muitos pais acolhem este momento como uma oportunidade para transmitir aos filhos tradições familiares centenárias sobre a celebração do Natal em família. Outras famílias vivem o Natal como um momento forte de confraternização, de reconciliação e de construção da paz.  

Na realidade de hoje temos muitas formas para representar a mensagem do Natal, mas creio que o presépio nos fala do despojamento e da simplicidade da vinda do Filho de Deus entre nós. Ele nos leva a refletir sobre a encarnação e o mistério do Natal; sobre a humanidade de Deus – a sua transparência e a sua revelação –, uma humanidade autêntica, descrita de forma simples e profunda. 

No presépio contemplamos o Jesus homem, na fragilidade de uma criança, na humildade do seu nascimento. Nessa imagem tão frágil estão presentes todos os acontecimentos históricos de Jesus, o Salvador. O Deus revelado por Jesus não é apresentado com os traços da potência e da força, mas revelado na sua humanidade. Na humanidade de Jesus transparece a sua divindade, que revela em Cristo o ponto mais alto da aliança entre Deus e o homem, onde Deus é solidário, benevolente, misericordioso, manso, acolhedor, hospitaleiro e capaz de perdoar. 

Que a luz da estrela de Belém ilumine os teus passos e a tua vida de “peregrino de esperança”. Um abençoado e santo Natal a todos. 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Padre Pasolini: colocar-se a caminho para encontrar Deus, que a Igreja favoreça esse encontro (A)

Terceira Pregação do Advento - Pe. Pasolini (Vatican News)

"A universalidade da salvação. Uma esperança incondicional": este é o tema da terceira meditação do Advento desta manhã, 19 de dezembro, na Sala Paulo VI, na presença do Papa. O pregador da Casa Pontifícia centra-se na atitude dos Magos, que ousaram abrir-se ao desconhecido. Devemos rever "os nossos hábitos missionários" e "ajudar os outros a reconhecer a luz que já habita neles", "guardar Cristo para o oferecer a todos", "a verdadeira luz do Natal ilumina cada homem".

https://youtu.be/ELTLuruTaew

Tiziana Campisi – Vatican News

Reconhecer a vinda de Jesus Cristo "como uma luz a ser acolhida, expandida e oferecida ao mundo": este é o "desafio" que o Natal e o Jubileu nos convidam a empreender. O pregador da Casa Pontifícia, padre Roberto Pasolini, enfatizou isso no início de sua terceira meditação do Advento, sobre o tema "A universalidade da salvação", proferida esta manhã de sexta-feira, 19 de dezembro, na Sala Paulo VI, na presença de Leão XIV e da Cúria Romana.

A luz que desmascara

O frade menor capuchinho propôs uma reflexão sobre a manifestação universal da salvação, sobre Cristo, a "verdadeira luz", que é "capaz de iluminar, esclarecer e orientar toda a complexidade da experiência humana", que "não apaga as perguntas, os desejos e as buscas humanas, mas os coloca em relação, os purifica e os conduz a um significado mais pleno". Luz que o mundo não abraçou porque "os homens amaram mais as trevas". O problema, explicou o padre Pasolini, é "nossa disponibilidade" em acolher a luz, que "é necessária e bonita, mas também exigente: desmascara ficções, expõe contradições, obriga a reconhecer o que preferiríamos não ver", e por isso "a evitamos".

No entanto, observou o religioso, "Jesus não contrapõe quem pratica o mal a quem pratica o bem, mas quem pratica o mal a quem vive a verdade". Isso significa que, "para acolher a luz da Encarnação", não é preciso "já ser bom ou perfeito, mas começar a tornar a verdade uma realidade na própria vida", ou seja, "parar de se esconder e aceitar ser visto por quem se é", porque "Deus está mais interessado em nossa verdade do que na bondade de fachada".

Igreja, comunidade que vive a luz de Cristo

Para a Igreja, isso significa "iniciar um caminho de maior verdade", o que significa não "exibir uma pureza moral ou reivindicar uma coerência impecável", mas "apresentar-se com sinceridade e reconhecer resistências e fragilidades". Porque o mundo não espera "uma instituição sem fissuras, nem mais um discurso indicando o que deve ser feito", disse o padre Pasolini, mas "precisa encontrar uma comunidade que, apesar de suas imperfeições e contradições, viva verdadeiramente à luz de Cristo e não tem medo de se mostrar como é". Os Reis Magos, por exemplo, demonstraram uma maneira singular de serem verdadeiros ao "trilharem o caminho do Senhor", explicou o religioso. Eles partiram de longe, mostrando "que para acolher a luz do Natal, é necessário um certo distanciamento", para "enxergar melhor as coisas: com um olhar mais livre, mais profundo, mais capaz de surpreender". Em vez disso, o hábito de "olhar a realidade de perto demais" nos torna "prisioneiros de julgamentos previsíveis e interpretações excessivamente consolidadas", e isso também acontece "com aqueles que vivem permanentemente no centro da vida eclesial e comporta responsabilidades", observou o pregador da Casa Pontifícia, porque "a familiaridade cotidiana com funções, estruturas, decisões e emergências pode, com o tempo, estreitar o olhar" e, assim, corre-se o risco de não reconhecer "os novos sinais pelos quais Deus se faz presente na vida do mundo".

Os caminhos inesperados de Deus

Se o Natal celebra a entrada da luz no mundo, a Epifania destaca que essa luz não se impõe, mas se deixa reconhecer, manifesta-se numa história ainda marcada pela escuridão e pela busca, e é uma presença que se oferece a quem está disposto a se mover. Nem todos a veem da mesma maneira e a reconhecem ao mesmo tempo, porque a luz de Cristo se deixa encontrar por quem aceita sair de si mesmo, quem se coloca a caminho, quem busca, enfatizou o frei capuchinho, acrescentando que isso também é verdade para o caminho da Igreja, já que nem tudo o que é verdadeiro se mostra imediatamente claro, nem o que é evangélico é imediatamente eficaz. E, às vezes, a verdade exige ser seguida mesmo antes de ser plenamente compreendida.

A este respeito, o Padre Pasolini citou a experiência dos Magos, que não avançaram "apoiados por certezas consolidadas, mas por uma estrela frágil, porém suficiente para guiá-los em sua viagem". Os sábios que vieram do Oriente para Belém ensinam essencialmente que "para encontrar o rosto de Deus feito homem, é preciso colocar-se a caminho", e isso, enfatizou o pregador da Casa Pontifícia, "se aplica a todo fiel", e especialmente a quem têm "a responsabilidade de proteger, guiar e discernir". "Sem um desejo que permanece vivo, mesmo as mais elevadas formas de serviço correm o risco de se tornarem repetitivas, autorreferenciais, incapazes de surpreender". A estrela que guiou os Magos, para o padre Pasolini, é também "o sinal das discretas lembranças com as quais Deus continua a se fazer presente na história", e assim, aqueles sábios que "não conhecem as Escrituras de Israel", mas leem os céus, lembram "que Deus também fala por meios inesperados, experiências periféricas, perguntas que surgem do contato com a realidade e aguardam para serem ouvidas".

Imobilidade

Mas outro aspecto importante que emerge da história dos Magos é a atitude de busca: não se importar, "não se colocar em movimento", pode levar a "acomodação em uma posição que parece reconfortante, baseada em certezas e hábitos consolidados, mas que com o tempo corre o risco de se tornar uma forma de imobilidade interior", que "lentamente isola, muitas vezes sem que percebamos". É o que acontece com Herodes, "ele parece atento: questiona, calcula, planeja", mas não parte para Belém, não aceita "o risco e a surpresa do que poderia acontecer" e delega a tarefa de ir aos Magos, reservando-se o direito de ser informado sobre os acontecimentos. "É a atitude de quem quer saber tudo sem se expor, permanecendo protegido das consequências de um envolvimento real", afirmou o frade franciscano, alertando contra uma "abundância de conhecimento" que carece de "envolvimento real". Sabemos muitas coisas, mas permanecemos distantes. Observamos a realidade sem nos deixarmos tocar, protegidos por uma posição que nos protege do imprevisto." Acontece, então, que na Igreja se pode "conhecer bem a doutrina, preservar a tradição, celebrar a liturgia com zelo e, ainda assim, permanecer parados". "Como os escribas de Jerusalém, também nós podemos saber onde o Senhor continua se fazendo presente — nas periferias, entre os pobres, nas feridas da história — sem encontrar a força ou a coragem para seguir nessa direção", advertiu o pregador da Casa Pontifícia.

A coragem de se levantar

Em síntese, para encontrar Deus, "o primeiro passo é sempre se levantar: sair de nossos refúgios interiores, de nossas certezas, nossa visão consolidada das coisas", insistiu o padre Pasolini, especificando que "levantar-se exige coragem. Significa abandonar o estilo de vida sedentário que nos protege, mas nos imobiliza, aceitar o cansaço do caminho, expor-se à incerteza do que ainda não está claro". Como fizeram os Reis Magos, deixando sua terra natal e cruzando "distâncias sem garantias, guiados apenas por um sinal tênue e discreto", sem saber o que encontrariam, mas confiando na luz que os precedia. Isso é o que significa esperar.

O padre Pasolini também destacou o abaixamento humilde dos Reis Magos. Ao chegarem a Belém, adoraram o Menino, se colocaram a caminho, buscaram e se abriram ao mistério: "Levantar-se e depois ajoelhar-se: este é o movimento da fé. Levantar-se para sair de si, não para colocar-se no centro. E depois se abaixar, porque se percebe que o que encontramos está além do nosso controle." Para o pregador da Casa Pontifícia, "isso vale na relação com Deus, nas relações cotidianas" — quando "o outro nos surpreende, nos decepciona ou nos transforma" — e é preciso parar de impor nosso próprio ponto de vista e "aprender a verdadeiramente escutar". E, ampliando a perspectiva, vale também para a Igreja, que "é chamada a se mover, a sair, a encontrar pessoas e situações que lhe são distantes", e "também a saber parar, abaixar o olhar, a reconhecer que nem tudo lhe pertence nem pode ser controlado". Então, "o dom da salvação pode se tornar universal" se "a Igreja aceitar em deixar de lado suas próprias certezas" e olhar "com respeito para a vida dos outros, reconhecendo que mesmo ali, muitas vezes de maneiras inesperadas, algo da luz de Cristo pode emergir".

A verdadeira luz do Natal

Um último aspecto sobre o qual o pregador da Casa Pontifícia convidou a refletir foi que "se Deus escolheu habitar nossa carne, então cada vida humana carrega em si uma luz, uma vocação, um valor que não pode ser apagado". Isso nos leva a concluir que "não viemos ao mundo apenas para sobreviver ou atravessar o tempo da melhor maneira possível", mas "para ter acesso a uma vida maior: a de filhos de Deus". Assim, a tarefa da Igreja é "oferecer a luz de Cristo ao mundo. Não como algo a impor ou defender, mas como uma presença a oferecer", deixando que todos se aproximem. Portanto, "sob essa perspectiva, a missão não consiste em forçar o encontro, mas em torná-lo possível", concluiu o padre Pasolini. "Uma Igreja que oferece a presença de Cristo a todos não se apropria de sua luz, mas a reflete. Não se coloca no centro para dominar, mas para atrair", tornando-se, portanto, "um espaço de encontro, onde cada pessoa pode reconhecer Cristo e, diante dele, redescobrir o sentido de sua vida". A perspectiva sobre os "hábitos missionários" deve, portanto, mudar: muitas vezes se pensa "que evangelizar significa levar algo que falta, preencher um vazio, corrigir um erro", mas "a Epifania aponta para outro caminho", que é o de "ajudar o outro a reconhecer a luz que já habita nele, a dignidade que já possui, os dons que já possui". Portanto, a catolicidade da Igreja consiste em "guardar Cristo para oferecê-lo a todos, com a confiança de que a beleza, a bondade e a verdade já estão presentes em cada pessoa, chamada à plenitude e a encontrar nele o seu pleno significado". Em conclusão, para o pregador da Casa Pontifícia, "a verdadeira luz do Natal 'ilumina cada homem' precisamente porque é capaz de revelar a cada um a própria verdade, a própria vocação, a própria semelhança com Deus".

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF