Translate

terça-feira, 4 de agosto de 2020

Os católicos e a Bíblia.


Apologética

  • Autor: Gerard Verschuuren
  • Fonte: Livro “Forty Anti-Catholic Lies: A Mythbusting Apologist Sets the Record Straight”, capítulo 3
  • Tradução: Fábio Salgado de Carvalho
A MENTIRA
Os católicos não apenas adicionaram os seus próprios livros à Bíblia, mas também lhe adicionaram a sua própria interpretação. Eles ignoram o fato de que somente a Escritura determina o que deveríamos crer no Cristianismo. Além disso, eles aceitam como doutrinas ensinamentos ou crenças que não são explicitamente mencionadas na Bíblia.
Os católicos violam a doutrina de Lutero do Sola Scriptura (Somente a Escritura), que deixa muito claro que a Escritura é a autoridade suprema em toda matéria de doutrina e de prática. A doutrina do Sola Scriptura sustenta que os crentes, individualmente, precisam apenas da Bíblia como regra de fé e que eles podem obter uma interpretação verdadeira de uma dada passagem bíblica simplesmente comparando-a com o resto daquilo que a Bíblia ensina.
A VERDADE
Os católicos têm uma visão bastante diferente: eles alegam que precisamos da Tradição em adição à Escritura. A idéia de que a Escritura é nossa única autoridade em matéria de fé é enganadora.
Antes de provarmos que também precisamos da Tradição, precisamos perguntar-nos: o que está errado com a idéia do Sola Scriptura? O problema com a regra — ou doutrina, se assim você quiser — do “Somente a Escritura” é que ela não pode funcionar por si mesma. Existem várias razões para isso. Vamos discuti-las brevemente.
A primeira razão é bastante simples: a doutrina do Sola Scriptura não se encontra em lugar algum da Escritura. Como diz o teólogo Joel S. Peters: “Não há um único versículo, em toda a Bíblia, que a ensine; portanto, ela se torna uma doutrina que refuta a si mesma”. Além do mais, é impossível afirmar que a Escritura é inspirada e verdadeira porque ela mesma diz isso. Afirmar algo assim seria como declarar réus inocentes, em um tribunal, porque eles alegam a sua própria inocência.
Como observa Tim Staples: “O apelo protestante à autoridade exclusiva da Escritura, a fim de defender o Sola Scriptura, é um exemplo clássico de raciocínio circular. Não se pode provar a inspiração da Escritura, ou de qualquer outro texto, a partir do próprio texto. O Livro dos Mórmons, os Vedas hindus, o Corão, os escritos de Mary Baker Eddy e muitos outros livros reivindicam inspiração, mas isso não os torna inspirados”. Uma reivindicação de inspiração não é uma garantia de inspiração. Todos os líderes de seitas reivindicam inspiração. É tarefa da Igreja separar o trigo inspirado do joio não inspirado.
A segunda razão é que a doutrina do Sola Scriptura requer que os protestantes mostrem, baseados somente na Escritura, quais livros pertencem à Escritura. No entanto, isso é algo impossível porque não há nenhuma lista do cânone que se pode encontrar na Escritura (veja o capítulo 2). Uma vez que a Bíblia não veio com um índice inspirado do seu conteúdo, a doutrina do Sola Scriptura cria a sua própria inconsistência: devemos assumir que sabemos com certeza quais livros pertencem à Bíblia baseando-nos na doutrina do “Somente a Escritura”. Como diz Joel Peters: “O fato inconteste é que não se pode saber qual é o cânon a menos que haja uma autoridade fora da Bíblia que nos diga isso”. Em outras palavras, a presença de um livro na Bíblia não pode ser o que o tornou bíblico, pois ele não estava inicialmente nela; pelo contrário, a Igreja primitiva julgou que certos livros eram divinamente inspirados e portanto os incluiu na Bíblia, tornando-os bíblicos.
A terceira razão é que a Escritura não poderia se tornar um padrão de ortodoxia até que ela estivesse completa, a fim de que soubéssemos o que se deveria supor que estaria nela. Se quisermos provar tudo a partir da Escritura somente, precisaríamos de um cânone da Escritura para começar. De fato, não se poderia começar a usar o Sola Scriptura antes de que se tivesse identificado o que faz parte das Escrituras. Isso não ocorreu até o Sínodo de Roma (382), sob o Papa Dâmaso I, e os Concílios de Hipona (393) e de Cartago (397), nos quais encontramos uma lista definitiva dos livros canônicos — e cada um desses Concílios reconheceu a mesma lista de livros. Até então, os livros específicos do Novo Testamento não estavam estabelecidos explicitamente. Então, em toda Bíblia, há uma página muito importante não inspirada pelo Espírito Santo: o seu índice.
A quarta razão é uma conseqüência do argumento anterior. Como poderiam os primeiros cristãos ter vivido pela “Escritura Somente” quando eles tinham apenas as Escrituras hebraicas, mas nada neotestamentário ainda? Talvez eles não fossem cristãos “reais”? A doutrina do Sola Scriptura nunca poderia ter funcionado para eles. Durante as suas viagens pelo Mediterrâneo, São Paulo não caminhava com uma cópia do Novo Testamento no seu bolso — uma vez que havia nenhum Novo Testamento ainda.
A quinta razão é que a Igreja não é produto da Escritura. É o contrário: a Escritura é produto da Igreja. O Novo Testamento não existiu por um tempo, embora a Igreja estivesse muito viva. Quando Paulo morreu no ano 67, a maior parte do Novo testamento não existia ainda. O Evangelho de Marcos estava provavelmente terminado pelo ano 70, o Evangelho de Mateus por volta do ano 80, o Evangelho de Lucas por volta do ano 85, o Evangelho de João por volta do ano 90 a 100. Em outras palavras, durante a maior parte da existência da Igreja no primeiro século, não havia nenhum Novo Testamento. O Novo Testamento estava em processo de ser criado no coração da Igreja.
A sexta razão pode ser bastante breve, embora seja muito reveladora. A doutrina do Sola Scriptura proíbe que se adicione ou que se exclua qualquer coisa da Bíblia. Entretanto, trata-se de um fato que não apenas os católicos acusam os protestantes de terem removido livros da Bíblia, mas os protestantes acusam os católicos de terem lhe adicionado livros. Aparentemente, deve haver algo mais que “somente a Escritura” que os leva a agir assim. “Somente a Escritura” não é suficiente para explicar as suas ações.
A sétima razão baseia-se no fato de que os textos da Escritura estão abertos a várias interpretações. A Escritura, portanto, não pode ser interpretada por si mesma. Como dizia Santo Tomás: “É tarefa do bom intérprete olhar não para as palavras, mas para o significado”. Em Atos dos Apóstolos, Filipe correu para o eunuco etíope na sua carruagem “e ouviu-o ler o profeta Isaías e perguntou: ‘Tu compreendes o que estás lendo?’. O eunuco respondeu: ‘Como poderia, se ninguém me orienta?'” (Atos 8,30-31). Até mesmo o próprio Jesus demonstrou, com freqüência, como os escribas e fariseus faziam uso de interpretações erradas e, portanto, Ele os corrigia interpretando as Escrituras apropriadamente, demonstrando, assim, que as Escrituras não interpretam a si mesmas. Além disso, se a doutrina do Sola Scriptura fosse verdadeira, seria esperado que todos os protestantes estivessem de acordo uns com os outros em termos de doutrina, pois a Bíblia não poderia ensinar, simultaneamente, crenças contraditórias.
A oitava razão baseia-se no fato de que há milhares de manuscritos bíblicos. Eles contêm variações numerosas do texto. Um escritor estima que existam mais de duzentas mil variações. Esses fatos deixam os protestantes na posição de não saberem se estão em posse daquilo que os escritores bíblicos escreveram originalmente. Graças à pesquisa bíblica e às descobertas arqueológicas, as versões modernas da Bíblia têm certa superioridade às versões antigas. Por outro lado, as Bíblias baseadas na Vulgata latina de São Jerônimo (século IV) — em inglês, esta é a bíblia católica de Douay-Rheims — são baseadas em textos originais que se perderam. Em outras palavras, essas versões mais antigas e tradicionais ultrapassam dezesseis séculos de possível corrupção textual. Isso significa que, embora os protestantes modernos possam ter, em alguns aspectos, uma Bíblia “melhor” ou mais acurada que aquela de seus antepassados, em outros aspectos, eles podem ter uma Bíblia mais “pobre” ou menos acurada.
Um caso interessante a esse respeito é a diferença entre as versões protestante e católica de Mateus 6,9-13 — daquilo que os católicos chamam geralmente de Pai-Nosso e que os protestantes tipicamente fazem referência como sendo a Oração do Senhor. Os dois lados podem orar juntos, quase em uníssono, durante eventos ecumênicos até chegarem ao final da oração. Depois de “livrai-nos do mal”, os protestantes sempre acrescentam uma linha extra: “porque teu é o Reino, o poder e a glória para sempre”. As traduções da Bíblia protestantes têm essa linha extra em Mateus 6,13, mas as Bíblias católicas não, porque São Jerônimo não a menciona na sua tradução da Vulgata. Jerônimo, e muitos outros eruditos bíblicos, ao longo dos séculos, eram da opinião de que, com o melhor das suas habilidades em pesquisar cópias antigas de Mateus, essa linha extra foi acrescentada por algum tradutor piedoso a alguma tradução muito antiga de Mateus, mas que ela não estava lá no início. Portanto, não é considerada como sendo parte da Bíblia. Nenhum cristão quer ficar à mercê de traduções e cópias do original feitas por pessoas que tenham suas próprias razões pessoais para mudar as coisas. Nem todas as fontes são da mesma qualidade; os textos antigos, por vezes, são mais confiáveis do que as versões mais recentes.
Eis a nona razão: se existem muitas interpretações legítimas da Escritura, por definição, não há interpretação definitiva, e, se não há nenhuma interpretação definitiva, então, não se pode saber se a sua interpretação é aquela objetivamente verdadeira. O corolário é este: se qualquer denominação alega que a sua própria interpretação é correta acima daquela de outras denominações, ela, efetivamente, coloca a si mesma como uma autoridade final. O Joel Peters conclui daí que, para os protestantes, “o problema aqui é que tal ato viola o Sola Scriptura, estabelecendo-se uma autoridade fora da Escritura”.
A décima razão é de natureza histórica. A doutrina do Sola Scriptura não existia antes de John Wycliffe (um precursor do Protestantismo), que a mencionou no século XIV, e não se difundiu até que Martinho Lutero surgisse no século XVI. De onde veio essa idéia? A alegação de que a Bíblia ensina essa doutrina não é nada mais do que um esforço repetido de projetar essa crença retroativamente às páginas da Escritura. Lutero estava, no fim das contas, dizendo que a autoridade final em matéria de fé é Martinho Lutero. Imagine, diz Joel Peters: “milhões e milhões de cristãos que viveram antes do século XIV seriam deixados sem uma autoridade final, abandonados para tropeçar espiritualmente, a menos que tivessem a sorte de ter acesso a uma cópia manuscrita da Bíblia”.
Com base em todas essas razões, devemos chegar à conclusão de que há mais, na fé cristã, do que somente a Escritura. É o que chamamos de Tradição na Igreja Católica. Deve haver alguma coisa anterior e além da Escritura que cria a Escritura, determina o que pertence a ela e que a interpreta. As Escrituras não caíram do Céu. Os protestantes têm tentado persistentemente rejeitar o papel da tradição, mas isso é uma missão difícil de ser cumprida, como discutiremos um pouco mais.
A Escritura é um produto da Tradição — a Tradição da Igreja primitiva, em particular, a sucessão apostólica, conectando todas as gerações posteriores à primeira geração dos apóstolos, e assim em linha direta com o próprio Jesus Cristo. Nós já encontramos tudo isso no começo da Igreja. Sabemos, por exemplo, que, quando São Clemente I sucedeu São Pedro como seu terceiro sucessor, ele enviou uma carta a Roma aos perturbadores da igreja de Corinto. A iniciativa de Clemente de instruir e disciplinar uma comunidade católica distante demonstra a influência do Bispo de Roma na Igreja primitiva. Quando Santo Inácio de Antioquia (c. 37-107) estava a caminho de Roma para ser martirizado, ele enviou cartas a sete comunidades, exortando-as a submeterem-se à autoridade dos seus Bispos. Ele foi o primeiro a usar a palavra “católico” para toda a Igreja. Somente a Escritura tende a dividir a Igreja, mas a Escritura combinada com a Tradição une a Igreja. Não é de se admirar que o Papa São João Paulo II chamou a Igreja Católica de especialista em unidade.
Aparentemente, a Tradição estava muito viva desde o começo. Essa verdade foi expressa de várias formas por membros ilustres da Igreja. São Thomas More afirma: “A Igreja foi reunida e a fé foi crida antes que qualquer parte do Novo Testamento fosse escrita”. Mais recentemente, o Arcebispo Fulton Sheen disse algo similar: “Quando finalmente os Evangelhos estavam escritos, eles registraram uma tradição, eles não a criaram. Ela já estava lá”.
A Escritura também nos diz que nem todas as coisas que Jesus disse e fez foram escritas. São Paulo diz: “ficai firmes e guardai cuidadosamente os ensinamentos que vos transmitimos, de viva voz ou por carta” (2 Tessalonicenses 2,15). Ele, obviamente, fala de dois tipos de tradição: oral e escrita. Toda a Palavra de Deus foi, em um dado momento, transmitida oralmente, o que é a Sagrada Tradição. Mais tarde, parte da Sagrada Tradição foi escrita na Escritura, tornando-se a Tradição Escrita. Em nenhum lugar, vemos Nosso Senhor comissionando seus apóstolos a evangelizar o mundo pela criação de manuscritos em Seu nome. A ênfase está sempre na pregação do Evangelho, não em escrevê-lo, imprimi-lo e distribuí-lo.
Joel Peters resume isso da seguinte maneira: “A doutrina do Sola Scriptura negligencia — ou ao menos deixa de enfatizar grosseiramente — o fato de que a Igreja veio antes da Bíblia, e não o contrário. Foi a Igreja, com efeito, que escreveu a Bíblia sob inspiração do Espírito Santo: os israelitas, como a Igreja do Antigo Testamento (ou “pré-católicos”) e os primeiros católicos, como a Igreja do Novo Testamento”.
É irônico que os mesmos protestantes que normalmente zombam da Tradição, em favorecimento da Escritura, façam uso de uma Bíblia baseada em uma tradição: eles usam a Bíblia que os reformadores transmitiram-lhes. Até mesmo a própria doutrina do Sola Scriptura tornou-se uma “tradição” protestante que surgiu muito recentemente e abruptamente no século XVI. De fato, não há Escritura sem Tradição. Os protestantes gostariam de livrar-se da Tradição, mas eles não podem viver sem ela. O Catecismo diz em poucas palavras: “A Sagrada Tradição e a Sagrada Escritura constituem um único e sagrado depósito da Palavra de Deus” (97). A Igreja Católica é a continuação viva da Tradição na qual as Escrituras nasceram.
CONCLUSÃO
Não é apenas a Escritura que é crucial no Cristianismo. Há também algo mais necessário. Na Igreja Católica, chama-se Tradição. A Tradição produziu a Escritura, salvaguardou-a e interpretou-a. A Escritura é uma autoridade vital no Cristianismo, mas isso não pode ser o caso sem a Tradição, pois a Escritura somente não pode determinar como lê-la e interpretá-la. É realmente difícil, se não for impossível, defender o Sola Scriptura de forma coerente. Assim, a Igreja Católica não manipula as Escrituras com a sua Tradição, mas ela percebe que a Escritura sem a Tradição assemelha-se a um esqueleto sem carne.
(Obs.: Título original: "Os católicos pensam que a Bíblia não é suficiente?"
Veritatis Splendor

Descobrem antiga igreja cristã perto do Monte Tabor

Image
Francesco Voltaggio/TWITTER

Sotto la «Terra» Santa quanti tesori da scoprire! Una chiesa bizantina mosaicata, antica di 1300 anni, è stata scoperta a Kfar Kama, vicino al Monte Tabor, in Israele. A 1,300-year bizantine church, with beautiful mosaics, was uncovered in Kfar Kama, Mount Tabor, Israel.


JERUSALÉM, 04 Ago. 20 / 09:00 am (ACI).- Em 28 de julho, a Autoridade de Antiguidades de Israel (IAA) anunciou a descoberta das fundações de uma igreja de cerca de 1.300 anos perto do Monte Tabor.

Enquanto realizavam escavações para um novo parque infantil na aldeia de Kfar Kama, entre Nazaré e o mar da Galileia, foram desenterrados os muros de uma antiga igreja cristã de 12 por 36 metros.

Segundo detalham meios internacionais, a arqueóloga Nurit Feig; o professor do Kinneret Academic College, Moti Aviam; e o grupo de especialistas responsáveis ​​pela pesquisa assinalaram que a decoração do templo está "parcialmente preservada", com mosaicos de "motivos geométrico e padrões florais em vermelhos, azuis e pretos” que decoram os corredores e a nave da igreja.
Além disso, destacaram que o conjunto de edifícios pode ter sido um mosteiro do século VI, do mesmo período de outra igreja encontrada na década de 1960 na aldeia perto do Monte Tabor.
Os especialistas indicaram que durante a escavação também encontraram um relicário vazio e acrescentaram que estão investigando quais objetos provavelmente estiveram em seu interior.
A IAA assinalou que as fundações de outros cômodos foram encontradas perto da igreja e ressaltou que as escavações continuarão para encontrar toda a estrutura, já que descobriram através de uma sonda de radar que ainda há mais zonas a serem escavadas.
Recentemente, o Arcebispo de Akka (Israel), Dom Youssef Abedallah Matta, visitou as escavações.
Publicado originalmente em ACI Prensa. Traduzido e adaptado por Nathália Queiroz.
ACI Digital

10 coisas que talvez não saiba sobre o Santo Cura d’Ars

ACI Digital
REDAÇÃO CENTRAL, 04 Ago. 20 / 07:00 am (ACI).-  “Se fosse sacerdote, gostaria de conquistar muitas almas”, disse certa vez à sua mãe São João Maria Vianney, também conhecido como o Santo Cura d’Ars, cuja festa é celebrada neste dia 4 de agosto.
A seguir, 10 coisas que talvez não sabia sobre este sacerdote diocesano, membro da Ordem Terceira Franciscana e padroeiro dos párocos.
1. Sua primeira comunhão foi em meio a dificuldades
A Revolução Francesa trouxe perseguição contra os sacerdotes e mesmo depois dela precisavam se disfarçar para passar incógnitos. Quando o jovem João recebeu a primeira comunhão, levaram carrinhos de feno, colocaram-nos em frente às janelas da casa de sua mãe e começaram a descarregar o material durante a cerimônia para evitar problemas com as autoridades.
O santo sempre recordou este dia, quando derramou lágrimas de alegria ao receber o Senhor e guardou como um tesouro o terço que sua mãe lhe deu naquela ocasião.
2. Quase saiu da escola de seminaristas
Quando a Igreja obteve um pouco de liberdade na França, Pe.Balley, pároco de Ecculy, abriu uma pequena escola para jovens com inquietudes vocacionais. João conseguiu ingressar, mas por sua dificuldade para os estudos, esteve a ponto de renunciar. O sacerdote sugeriu que ele fizesse uma pequena peregrinação ao Santuário de São Francisco de Regis e regressou renovado.
3. Desertou do exército
Napoleão queria conquistar toda a Europa e João foi chamado ao exército, porque não aparecia na relação de nenhum seminário. Ficou gravemente doente e, quando recuperou a saúde, foi em busca de seu regimento que já tinha marchado, mas no caminho voltou a ficar doente. Buscou refúgio por vários dias e percebeu que, sem querer, tinha se tornado um desertor.
Buscou um major que escondia desertores e este o aconselhou a ficar na casa de alguém de sua família. Adotou o nome de Jerome Vincent e, com este nome, conseguiu inclusive abrir uma escola para as crianças da vila. Mais tarde, um decreto imperial concedeu anistia aos desertores.
4. Expulsaram-no do seminário
João conseguiu ingressar no Seminário Maior de Lyon, mas por seu conhecimento insuficiente do latim, não entendia nem podia responder aos formadores. Pediram-lhe que saísse, o que lhe causou uma imensa dor e desânimo, mas o Pe. Balley novamente o ajudou e seguiu os estudos em privado em Ecculy, perto de Lyon. Suas qualidades morais superaram qualquer deficiência acadêmica.
5. Seu mestre foi o seu primeiro penitente
Uma vez ordenado sacerdote, foi enviado para ajudar Pe. Balley, mas as autoridades diocesanas não lhe deram permissão para atender confissões. Pe. Balley intercedeu e foi ele mesmo o primeiro a se confessar com São João Maria Vianney. Tempos depois, Pe.Balley morreu nos braços do santo, que sofreu como se tivesse perdido seu pai.
6. Teve uma profecia em Ars
As autoridades eclesiásticas o enviaram para o pequeno povoado de Ars, porque pensavam que com suas limitações intelectuais não poderia servir em uma comunidade grande. Ao chegar, fez uma profecia: “A paróquia não será capaz de conter as multidões que virão aqui”.
Aos poucos, foi ganhando o amor do povo e ensinou-lhes o amor pela Eucaristia, sendo sua festa favorita Corpus Christi.
Quando o Papa Pio IX definiu o dogma da Imaculada Conceição, o santo pediu aos fiéis que iluminassem suas casas de noite e os sinos do templo ressoaram por horas. As pessoas dos povoados próximos, ao ver o clarão, pensaram que o povoado estava pegando fogo e foram apagar o suposto incêndio.
7. Tinha uma profunda devoção a Santa Filomena
São João tinha uma profunda devoção a Santa Filomena, uma jovem mártir dos primeiros séculos do cristianismo, a quem chamava de sua “agente com Deus”. Construiu uma capela em sua honra e um santuário. Certo dia, ficou gravemente doente e prometeu oferecer 100 Missas em honra a Santa Filomena.
Quando a primeira Missa estava sendo oferecida, entrou em êxtase e escutaram-no murmurar várias vezes “Filomena”. Ao voltar em si, exclamou que estava curado e atribuiu à santa.
8. A tentação era recorrente em sua vida
O Cura d’Ars sofreu a tentação de desejar a solidão e se sentia incapaz para o serviço que oferecia na cidade. Em uma oportunidade, pediu ao seu Bispo para deixa-lo renunciar e chegou a ir do povoado em três ocasiões, mas sempre regressou.
9.Lutou pacientemente contra o demônio
O demônio sempre molestava o Santo Cura d’Ars com ruídos estranhos e fortes durante as noites. Sua intenção era esgotá-lo para que não tivesse forças para atender confissões ou celebrar a Eucaristia. Certo dia, quando o santo estava se preparando para a Santa Missa, o maligno incendiou sua cama.
São João, sabendo que o inimigo queria deter o ofício divino, deu as chaves do quarto aos que iam apagar o fogo e prosseguiu. “Esse vilão do demônio, não podendo pegar o pássaro, queima a sua gaiola”, foi a única coisa que disse. Muito tempo depois, o Senhor premiou o santo com um extraordinário poder de expulsar os demônios das pessoas possuídas.
10. Nunca foi nomeado pároco
Todos conhecem São João Maria Vianney com o título de Cura d’Ars. “Pouco importa a opinião de algum canonista exigente que dirá, a nosso ver com razão, que o santo não chegou a ser juridicamente verdadeiro pároco de Ars, nem mesmo na última fase de sua vida, quando Ars ganhou consideração canônica”, segundo explica Lamberto de Echeverría, autor do livro ‘El Santo Cura de Ars’ (O Santo Cura d’Ars).
Bispos de Belley só lhe concedeu o título de cônego, mas “o fato real é que ele consagrou praticamente toda a sua vida sacerdotal à santificação das almas do minúsculo povoado de Ars e que, dessa forma, uniu para sempre seu nome e a fama de sua santidade ao povoadozinho”.
ACI Digital

S. JOÃO MARIA VIANNEY, CURA DE ARS, PADROEIRO DO CLERO COM CURA DAS ALMAS

S. João Maria Vianney
S. João Maria Vianney  (Joachim Schäfer - Ökumenisches Heiligenlexikon)
"Se soubéssemos bem o que é um padre na terra, morreríamos: não de medo, mas de amor". A vida de São João Maria Vianney pode ser resumida neste pensamento.
Também conhecido como "Cura d'Ars", João Maria Vianney nasceu em 8 de maio de 1786, em Dardilly, próximo de Lyon. Seus pais eram camponeses e, desde pequeno, o encaminham ao trabalho da lavoura, tanto que, aos 17 anos, João ainda era analfabeto.
No entanto, graças aos ensinamentos maternos, conseguiu aprender muitas orações de cor e viveu uma forte religiosidade.
"Queria conquistar muitas almas"!
Na época, sopravam ventos de Revolução na França. Por isso, João Maria Vianney frequentou o sacramento da confissão em casa, não na igreja, graças a um sacerdote "refratário", que não havia jurado fidelidade aos revolucionários. A mesma coisa aconteceu com a sua Primeira Comunhão, recebida em um celeiro, durante uma Missa "clandestina".
Aos 17 anos, João sentiu-se chamado ao sacerdócio. "Se eu fosse padre, queria conquistar muitas almas", disse ele. Mas, não era fácil atingir esta meta, por causa dos seus poucos conhecimentos culturais. Mas, graças à ajuda de sacerdotes sábios, entre os quais o Abbé Balley, pároco de Écully, recebeu a ordenação sacerdotal, em 13 de agosto de 1815, com a idade de 29 anos.
Longas horas no confessionário
Três anos depois da sua ordenação, em 1818, João foi enviado para Ars, uma pequena aldeia no sudeste da França, que contava 230 habitantes. Ali, dedicou todas as suas energias ao cuidado pastoral dos fiéis: fundou o Instituto da "Providência" para acolher órfãos; visitava os enfermos e as famílias mais necessitadas; restaurou a igrejinha e organizou quermesses na festa do padroeiro.
Entretanto, o Santo Cura d’Ars destacou-se na sua missão de administrar o sacramento da Confissão: sempre pronto a ouvir e oferecer o perdão aos fiéis, passava até 16 horas por dia no confessionário. Diariamente, uma multidão de penitentes de todas as partes da França vinha confessar-se com ele, tanto que a cidadezinha de Ars ficou conhecida como o "grande hospital das almas". O próprio João Maria Vianney vigiava e jejuava para ajudar os fiéis a expiarem os pecados.
Certo dia, disse a um seu coirmão: "Vou dizer-lhe qual é a minha receita: dou aos pecadores uma pequena penitência e o resto eu faço no lugar deles".
Patrono dos párocos
Após ter-se dedicado totalmente a Deus e aos seus paroquianos, João Maria Vianney faleceu no dia 4 de agosto de 1859, com 73 anos de idade. Seus restos mortais descansam em Ars, no Santuário a ele consagrado, que recebe a visita de cerca de 450 mil peregrinos por ano.
João Maria Vianney foi beatificado em 1905, pelo Papa Pio X, e canonizado em 1925, pelo Papa Pio XI, que o proclamou, em 1929, "padroeiro dos párocos do mundo".
Em 1959, por ocasião do centenário da sua morte, São João XXIII dedicou-lhe a encíclica “Sacerdotii Nostri Primordia”, apresentando- como um modelo dos sacerdotes.
Em 2009, pelo seu 150° aniversário de morte, Bento XVI propôs um "Ano Sacerdotal", para "favorecer e promover uma maior renovação interior de todos os sacerdotes e um testemunho evangélico mais forte e mais incisivo no mundo contemporâneo".

Vatican News

segunda-feira, 3 de agosto de 2020

IGREJA: O SINAL VISÍVEL DO CRISTO

IGREJA: O SINAL VIGREJA: O SINAL VISÍVEL DO CRISTOISÍVEL DO CRISTO ...
Arquidiocese de Brasília
A Igreja é o sinal visível do Cristo invisível, é o Corpo Místico de Cristo e é a Sua esposa que anuncia e testemunha os sinais do nosso Redentor, vivo e ressuscitado, em nosso meio e, por isso, a Igreja é muito mais que uma instituição humana. A Igreja é “um povo reunido em virtude da unidade do Pai e do Filho e do Espírito Santo”. (São Cipriano).
Uma das características da Igreja é a santidade, e não poderia ser diferente, pois Cristo a santifica continuamente com a Sua graça e o Espírito Santo trabalha, sem descanso, em sua renovação, com os Seus dons e carismas. Sendo a Igreja santa, a vocação para a santidade é o objetivo, a meta principal de cada cristão. Assim, “para o cristão, o combate espiritual, diante de Deus e de todos os irmãos na fé, é uma necessidade, uma consequência da sua condição. Por isso, se algum de nós não luta, está traindo Jesus Cristo e todo o Seu Corpo Místico que é a Igreja”. (São Josemaría Escrivá,
É Cristo que passa, nº 74).
A Igreja pode ser comparada “com uma rede lançada ao mar e que apanha peixes de todo tipo”. (Mt 13, 47). Ou seja, a Igreja é composta por seres humanos que percorrem o caminho da fé, no cotidiano da História, entre sombras e luzes, combatendo o bom combate da santidade a fim de vencer o pecado, o mal e o egoísmo. Em outras palavras, a Igreja é Santa, mas constituída por membros pecadores. Desse modo, a Igreja vive na luta entre o pecado de seus membros e a santidade de Cristo que nela habita; afinal, “a Igreja reúne no seu próprio seio os pecadores e, sendo ao mesmo tempo santa e sempre necessitada de purificação, avança sem cessar pelos caminhos da penitência e da renovação”. (Lumen Gentium, nº 8).
Afirmar que a Igreja é santa não implica que nela não haja pecadores. Como sabemos, desde os primeiros séculos da era cristã, encontramos sombras que são consequências da debilidade humana, pois, nós batizados, membros da Igreja, somos humanos, falhos, limitados, frágeis e imperfeitos e, por isso, necessitamos da misericórdia divina. Precisamos também da correção fraterna e do acolhimento dos irmãos, pois “quando um membro sofre, todos os outros sofrem com ele”. (1Cor 12, 26).
Os pecadores, – e todos nós somos pecadores – desde que não abandonem a fé ou a obediência à hierarquia da Igreja, continuam sendo seus membros, pois Cristo veio exatamente para salvar os doentes, os pecadores que precisam ser reconquistados mediante a expressão da caridade.
A luta pela perseverança na santidade e pela contínua pertença ao Corpo Místico de Cristo é um desafio cotidiano, pois “a Igreja prossegue entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo”. (Santo Agostinho, A cidade de Deus). Dessa maneira, uma Igreja que não enfrenta qualquer contratempo ou dificuldade está incompleta, pois nela está faltando algo e, por isso, não está em sintonia com o Cristo que nos diz: “Se perseguiram a mim também hão de perseguir a vocês”. (Jo 15, 20). Por ser a Alma da Igreja, é o Espírito Santo quem constrói e solidifica a harmonia e a perfeição na vida da Igreja, evidenciando que uma Igreja de portas fechadas destrói quem está dentro e uma Igreja que não está em saída em pouco tempo fica cheirando a mofo e exalando ácaros.
A Igreja é um povo de fortes, uma comunidade em saída que visita as periferias humanas e existenciais, professando a certeza de que “Cristo amou a Igreja e se entregou por ela, para santificá-la, purificando-a pela água do batismo com a palavra, para apresentá-la a si mesmo toda gloriosa, sem mácula, sem ruga, sem qualquer outro defeito semelhante, mas santa e irrepreensível”. (Ef 2, 25).
A Igreja é e sempre será santa, em primeiro lugar, porque Cristo, que é a Cabeça da Igreja, é o Santo por excelência. Por ser pleno de amor, Cristo nos legou uma doutrina santa, os Seus ensinamentos, os Sacramentos e os meios necessários para galgarmos a perfeição. Dessa maneira, a santidade da Igreja consiste naquela força de santificação que o nosso Redentor exerce nela, apesar da nossa tendência para o mal, o pecado e as concupiscências.
Para vivermos a santidade sem reservas, nós não precisamos fugir das realidades do mundo. Ao contrário, devemos permanecer no mundo testemunhando que a Igreja não é feita apenas de regras a serem seguidas, de mandamentos e de proibições, mas, sim, de homens e mulheres, crianças, jovens e adultos que são modelos de vida e praticam a comunhão e as obras de misericórdia.
Na vivência da comunidade da Igreja, nós reconhecemos nossos erros e que, somente em Cristo, podemos encontrar as orientações claras e precisas que demonstram que o caminho da fé é um caminho tortuoso, mas a Igreja, por ser uma bondosa mãe, está sempre disposta a correr atrás das ovelhas perdidas. Agindo assim, a Igreja segue em frente, em paz, com júbilo e entusiasmo, entre as consolações de Deus e as perseguições do mundo. Por conseguinte, “que alegria poder dizer com todas as forças da minha alma: Amo a minha Mãe, a Santa Igreja!”. (São Josemaría
Escrivá, Caminho nº 517).
Apesar de sermos pecadores, somos membros da Igreja que é sempre santa e, por isso, trazemos em nossas almas o nobre desejo de conhecer e amar sempre mais essa instituição divina, sobretudo quando muitos se agitam tentando ocultar a sua importância e a sua beleza. A Igreja é a comunidade dos fiéis, pois ninguém é cristão sozinho: somos cristãos na Igreja e pela Igreja.
A Igreja “é santa no seu Fundador, nos seus meios e na sua doutrina, mas formada por homens pecadores; temos que contribuir para melhorá-la, e ajudá-la a uma fidelidade sempre renovada, que não se consegue com críticas corrosivas”. (São João Paulo II, Homilia em 7 de novembro de 1982). Senhor, eis-nos aqui, pode contar conosco no serviço missionário da fé, no anúncio do Evangelho e no testemunho da santidade nos diversos ambientes sociais. Maria, Mãe de Deus e da Igreja, rogai por nós!
Aloísio Parreiras
Arquidiocese de Brasília

Papa emérito Bento XVI está gravemente doente e "extremamente frágil", diz o biógrafo oficial

Observador
por João Francisco Gomes

O biógrafo oficial de Bento XVI, Peter Seewald, disse a um jornal alemão que se encontrou com Joseph Ratzinger no sábado e que o encontrou muito fragilizado.

O Papa emérito Bento XVI está gravemente doente e “extremamente frágil”, disse o seu biógrafo oficial, Peter Seewald, ao jornal alemão Passauer Neue Presse depois de se ter encontrado com o antigo Papa no sábado, no Vaticano.
Joseph Ratzinger tem 93 anos e voltou recentemente ao Vaticano após uma breve deslocação à Alemanha, seu país natal, para acompanhar o seu irmão, Georg Ratzinger, que se encontrava gravemente doente e que veio a morrer no início de julho.
Segundo Seewald, Ratzinger sofre de uma infeção viral que lhe provoca dores intensas desde que regressou a Roma.
No relato que fez ao Passauer Neue Presse, Seewald explicou que esteve com o Papa Bento XVI na sua residência no Vaticano para lhe apresentar o texto de uma nova biografia sobre o antigo líder da Igreja Católica cujo primeiro volume deverá ser publicado em novembro.
Durante o encontro, Seewald encontrou um homem “extremamente frágil” e, embora o seu pensamento e memória continuem lúcidos, a sua voz é praticamente inaudível.
Ainda assim, Bento XVI mostrou-se otimista e disse a Seewald que, se voltar a ter forças, quer voltar a escrever.
Joseph Ratzinger foi eleito Papa em 2005, sucedendo a S. João Paulo II (de quem foi colaborador muito próximo enquanto prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé), e fez história em 2013 ao anunciar a sua resignação.
Bento XVI foi o primeiro Papa a resignar ao papado em mais de 500 anos. A última renúncia tinha acontecido com Gregório XII em 1415, durante o Grande Cisma do Ocidente, na sequência da divisão do papado entre Roma e Avinhão.
Desde a renúncia, Bento XVI tem vivido num mosteiro nos jardins do Vaticano e levado uma vida de oração, maioritariamente longe dos olhares públicos — embora seja convidado de honra em praticamente todas as celebrações oficiais do seu sucessor, o Papa Francisco.

Início da chamada Carta de Barnabé

10 livros que foram completamente excluídos da bíblia - Fatos ...
Wikipedia
(Cap.1,1-8;2,1-5: Funk 1,3-7)         (Séc. II)

A esperança da vida é o início e o fim de nossa fé
Saúdo-vos na paz, filhos e filhas, em nome do Senhor que nos ama. 
Por serem grandes e preciosas as liberalidades que Deus vos concedeu, mais que tudo e intensamente me alegro por vos saber felizes e esclarecidos. Pois assim acolhestes a graça do dom espiritual, enxertada na alma. Por isto ainda mais me felicito com a esperança de ser salvo, ao ver realmente derramado sobre vós o Espírito vindo da copiosa fonte do Senhor. 
Estou plenamente convencido e consciente de que ao falar convosco vos ensinei muitas coisas, porque o Senhor me acompanhou no caminho da justiça; e sinto-me fortemente impelido a amar-vos mais do que a minha vida, porque são grandes a fé e a caridade que existem em vós pela esperança da vida. Tendo em consideração que, se é de meu interesse por vossa causa partilhar convosco algo do que recebi, será minha paga servir a tais pessoas. Decidi, então, escrever-vos poucas palavras, para que, junto com a fé, tenhais perfeita ciência. 
São três os preceitos do Senhor: a esperança da vida, início e fim de nossa fé; a justiça, início e fim do direito; caridade alegre e jovial, testemunho das obras de justiça. 
Pelos profetas, o Senhor fez-nos conhecer as coisas passadas, as presentes e deu-nos saborear as primícias das futuras. Ao vermos tudo acontecer por ordem, tal como falou, devemos nós, mais ricos e seguros, assimilar o seu temor. 
Quanto a mim, não como mestre, mas como um de vós, mostrarei alguns poucos pontos, pelos quais vos alegrareis nas circunstâncias atuais. 
Nestes dias maus, ele mostra seu poder; empenhemo-nos, pois, de coração em perscrutar os mandamentos do Senhor. Nossos auxiliares são o temor e a paciência; apoiam-nos a generosidade e a continência que, aos olhos do Senhor, permanecem castas, no convívio da sabedoria, inteligência, ciência e conhecimento. 
Todos os profetas nos revelaram não ter ele necessidade de sacrifícios nem de holocaustos nem de oblações, dizendo: Que tenho a ver com a multidão de vossos sacrifícios? diz o Senhor. Estou farto de holocaustos, de gorduras dos cordeiros; não quero o sangue de touros e de cabritos, mesmo que venhais à minha presença. Quem exige isto de vossas mãos? Não pisareis mais em meus átrios. Trazeis oblações de farinha? Será em vão. O incenso me é abominável; vossos novilúnios e solenidades, não as suporto (cf. Is 1,11-13).

São Martinho

RAINBOW
Public Domain

Eremita (†580)

Chamava-se Márcio (do nome latino Martius, de onde depois proveio o nome Martinho) e era de família nobre. Seu nascimento deve-se colocar em torno do ano 500. De fato, quando São Bento, por volta do ano 529 foi para Montecassino, encontrou ali Martinho, descrito como um jovem eremita, que havia escolhido aquela paragem como um lugar para se dedicar à oração e à vida de penitência. Vivia na mais completa solidão, tendo por casa uma reentrância na rocha da montanha. São Gregório Magno, Papa, em seus Sermões chegou a elogiar a santidade e a grandeza desse seguidor de São Martinho. Narra-se que por algum tempo ele e São Bento chegaram a jejuar e a rezar juntos, mas logo não se colocaram de acordo com a forma de conduzir a vida ascética: São Bento desejava também se dedicar ao apostolado, visitando as casas das pessoas pobres daquela região. Martinho, por sua vez, desejava apenas a vida de solidão, dedicando-se à oração e ao louvor perene de Deus. Ficou claro que tinham visões diferentes e, por esse motivo, decidiram se separar: dessa forma São Martinho se dirigiu para outra localidade próxima num Monte chamado Mássico. Aí chegando, encontrou uma reentrância na rocha que logo transformou em sua cela. Vivia em orações e jejuns, mas sem perder o contato com São Bento. Para alcançar uma maior penitência, fez com que colocassem uma corrente em sua perna, para que não fosse tentado a sair de sua cela: assim viveu por três anos, até que São Bento suplicou para que ele deixasse de lado essa corrente. São Martinho obedeceu sem, no entanto, abandonar a vida de penitência. Logo sua fama de santidade correu pelas aldeias e povoados da região e, aos poucos, muitos jovens se sentiram impelidos a seguir o exemplo do santo: em torno a si foi se formando uma pequena comunidade de monges. No dia 3 de agosto de 580, após tantos jejuns e mortificações, Martinho exalou seu último suspiro, morrendo docemente. Seus discípulos logo se encarregaram de sepultar o corpo de seu santo abade na igreja do mosteiro.
Aleteia

A falsa história acerca das 95 Teses de Martinho Lutero e a venda de indulgências


Apologética

A figura “heróica” e “imponente” de Martinho Lutero pregando as suas 95 Teses na porta da Igreja de Todos os Santos, rompendo os paradigmas impostos por uma Igreja opressora e carente de toda moralidade, foi crida e sustentada como ato indiscutível por quase todos os protestantes e um bom número de católigos ignorantes, reforlada pela parafernália “made in Hollywood”, uma vez que abundam filmes em torno deste “evento”.
A realidade histórica, silenciada pelos sistemas educacionais e omissão daqueles que a conhecem e que muitas vezes permanecem em silêncio, guardando para si esse conhecimento, é a seguinte:
1º) As 95 Teses não foram difundidas publicamente por Lutero como um documento de protesto contra a doutrina da Igreja;
2º) Lutero enviou suas Teses anexadas a uma carta ao Arcebispo-eleitor da Magúncia, Alberto de Brandeburgo, em 31 de outubro de 1517;
3º) Lutero jamais pregou suas 95 Teses na porta da Igreja de Todos os Santos em Wittenberg;
4º) Lutero em nenhuma de suas Teses critica a doutrina das indulgências; pelo contrário, as defende;
5º) Lutero em nenhuma de suas Teses jamais critica o Papa pela venda de indulgências com vistas a terminar a construção da Basílica de São Pedro;
6º) A grande maioria dos cristãos católicos e protestantes desconhece o conteúdo das Teses de Lutero: se os protestantes as lessem hoje, não as aceitariam; diriam que são heresia.
No livro “Was Luther wirklich sagte”, Gottfried Fitzer assegura o seguinte:
  • “Nunca ocorreu a propalada exposição pública das 95 Teses”.
Este fato também é colocado em dúvida por outros historiadores como Erwin Iserloh e Klemens Houselmann.
Mais ainda: do relato feito por Johannes Schneider, servo de Lutero, de quem se extraiu supostamente a lenda da fixação das Teses na Igreja de Todos os Santos e em outras paróquias de Wittenberg, não encontramos todavia em seu manuscrito qualquer referência a este fato; ele apenas menciona que:
  • “No ano de 1517, Lutero apresentou em Wittenberg, sobre o Elba, conforme a antiga tradição da universidade, certas sentenças para discussão, mas modestamente, sem desejar insultar ou ofender alguém”.
Aí já se vê como a desonestidade [intelectual] protestante transformou um trabalho universitário feito para debate e discussão em um “poderoso documento contra a doutrina e o abuso da Igreja”.
Hoje é bem conhecido pelos estudiosos que essa lenda das Teses pregadas na porta de uma igreja foi inventada, após a morte de Lutero, pelo alemão Melanchthon, em 1546, o qual certamente nem sequer se encontrava em Wittenberg em 1517, mas na cidade de Tünbigen.
Abaixo apresentamos algumas das famosas 95 teses de Lutero, que quase ninguém leu, mas que todos fazem referência a elas, e que ao invés de atacar as doutrinas da Igreja e do Papa, as defende e, além disso, nos mostram que a Igreja não vendia indulgências, mas sim alguns de seus membros:
7ª) Deus não perdoa a culpa de quem quer que seja, sem que se sujeite em completa humildade ao sacerdote como a seu substituto.
9ª) Por isso o Espírito Santo nos beneficia através do Papa, quando este, em seus decretos, sempre exclui a circunstância da morte e da necessidade extrema.
38ª) Mesmo assim a remissão e a participação da mesma pelo Papa de forma alguma devem ser desprezadas, porque (como disse) constituem declaração do perdão divino.
50ª) Deve-se ensinar aos cristãos que, se o Papa soubesse das extorsões feitas pelos apregoadores de indulgências, ele preferiria reduzir a cinzas a basílica de São Pedro a edificá-la com pele, carne e ossos de suas ovelhas.
51ª) Deve-se ensinar aos cristãos que o Papa estaria disposto – como é seu dever – a dar do seu dinheiro àqueles muitos de quem alguns apregoadores de indulgências extraem ardilosamente o dinheiro, mesmo se para isto fosse necessário vender a basílica de São Pedro.
53ª) São inimigos de Cristo e do Papa aqueles que por causa da pregação de indulgências fazem calar por inteiro a Palavra de Deus nas demais igrejas.
70ª) Têm, porém, a obrigação ainda maior de observar com os dois olhos e atentar com ambos os ouvidos para que esses comissários não preguem os seus próprios sonhos, em lugar do que lhes foi incumbido pelo papa.
71ª) Quem fala contra a verdade das indulgências apostólicas, seja excomungado e maldito.
73ª) Assim como o Papa com razão fulmina aqueles que de alguma forma procuram defraudar o comércio das indulgências.
74ª) Muito mais [o Papa] deseja fulminar aqueles que, a pretexto das indulgências, defraudam a santa caridade e verdade.
77ª) A afirmação de que nem mesmo São Pedro, caso fosse o papa atualmente, poderia conceder maiores graças, é blasfêmia contra São Pedro e o Papa.
78ª) Afirmamos, ao contrário, que também este ou qualquer outro Papa tem graças maiores a dar, quais sejam: o Evangelho, as virtudes espirituais, os dons de curar etc., como está escrito em 1Corintios 12.
81ª) Esta licenciosa pregação de indulgências faz com que não seja fácil, nem para homens doutos, defender a dignidade do Papa contra calúnias ou perguntas, sem dúvida argutas, dos leigos.
91ª) Se, portanto, as indulgências fossem apregoadas em conformidade com o espírito e a opinião do Papa, estas objeções poderiam ser facilmente dissipadas e nem mesmo teriam surgido.
Bastem estes simples exemplos para destruir a falsa história da venda de indulgência que foi inventada pelos protestantes e que foi apoiada pelos governos maçônicos que transformaram esta mentira em dogma, de modo que hoje é ensinada como um fato histórico em todas as escolas e universidades do mundo. Eu a tenho ouvido dos meus professores desde o ensino básico.
Há um ditado que diz: “uma mentira repetida mil vezes logo vira verdade”… Lutero não atribuía questões de imoralidade à Igreja, como ele mesmo reconhece: “Entre nós” – confessa expressamente – “a vida é má, assim como entre os papistas; porém, não os acusamos de imoralidade”, mas de erros doutrinais. Efetivamente, “bellum est Luthero cum prava doctrina, cum impiis dogmatis” (Melanchton).
CONCLUSÃO
1) A Igreja jamais se dedicou à venda de indulgências.
2) Quem vendiam indulgências eram alguns pregadores, movidos pela ambição pessoal, como um certo monge chamado Tetzel e seus comissários, agindo em rebeldia. Tetzel foi punido e morreu dois anos depois.
3) Em suas Teses, Lutero jamais acusou o Papa de vender indulgências para a construção da Basílica de São Pedro.
4) Lutero jamais pregou suas 95 Teses na porta de nenhuma Igreja: este é um fato anti-histórico e sem provas que o fundamentem.[*]
5) O fato dessas mentiras terem virado “verdade conhecida por todos” é que esses “todos” – tanto católicos quanto protestantes – jamais leram as 95 Teses de Lutero, mas acreditaram nas lendas que orbitam em torno delas, difundidas pela cinematografía hollywoodense e sua própia ignorância.
Veritatis Splendor

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF