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terça-feira, 30 de dezembro de 2025

“Te Deum” não é só para o dia 31 de dezembro!

CC | ALETEIA

Reportagem local - publicado em 03/01/18 - atualizado em 30/12/25

Hino de ação de graças mais célebre da Igreja é para rezarmos todos os dias.

Te Deum laudamus“, em latim, quer dizer “Nós Vos louvamos [como] Deus“. Trata-se da primeira afirmação de um hino católico do Ofício de Leituras da Liturgia das Horas e entoado em eventos solenes de ação de graças. O hino ficou conhecido pelas duas primeiras palavras do primeiro verso: “Te Deum“, mantido como título inclusive na maioria das traduções para os diversos idiomas.

A autoria do hino é atribuída tradicionalmente a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho, por ocasião do batismo deste último pelo primeiro, em 387, na catedral de Milão. Algumas correntes, no entanto, o atribuem a Santo Hilário ou, mais recentemente, ao bispo Nicetas de Remesiana.

É tradicional cantá-lo ou rezá-lo no último dia do ano, em agradecimento por todas as bênçãos recebidas de Deus.

No entanto, o “Te Deum” pode ser rezado todos os dias – e é muito aconselhável que o seja, pois a ação de graças é uma das formas de oração que mais nos fazem progredir espiritualmente, fazendo-nos reconhecer a Bondade, a Beleza e a Verdade do Criador que se manifestam em nossa vida, apesar de quaisquer adversidades.

Eis o texto do cântico, em seu original latino e numa das traduções mais usadas em português.

Em latim: “Te Deum laudamus”

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates;
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt cæli et terra maiestatis gloriæ tuæ

Te gloriosus Apostolorum chorus,
Te Prophetarum laudabilis numerus,
Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia,
Patrem immensæ maiestatis:

Venerandum tuum verum et unicum Filium;
Sanctum quoque Paraclitum Spiritum.

Tu Rex gloriae, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius.
Tu ad liberandum suscepturus hominem,
non horruisti Virginis uterum.

Tu, devicto mortis aculeo,
aperuisti credentibus regna caelorum.
Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris.
Iudex crederis esse venturus.

Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni:
quos pretioso sanguine redemisti.
Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari.

(Adicionado posteriormente, contendo trechos do Salmos:)

Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae.
Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum.
Per singulos dies benedicimus te;
Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.

Miserere nostri Domine,
miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos,
quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum.

Em português: “A Vós, ó Deus, louvamos”

A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos.
A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra.
A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades;
A Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam:
Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos!
Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade.

A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos,
A Vós, a respeitável assembleia dos Profetas,
A Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores!
A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade,

Ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objecto das nossa a adorações,
Do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado.

Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo!
Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Omnipotente!
Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes
não Vos recusastes a entrar no casto seio duma Virgem!

Vós, vencedor do estímulo da morte,
abristes aos fiéis o Reino dos Céus,
Vós estais sentado à direita de Deus,
no glorioso trono do vosso Pai!
Nós cremos e confessamos firmemente
que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo.

A Vós portanto rogamos que socorrais os vossos servos
a quem remistes com o Vosso preciosíssimo Sangue.
Fazei que sejamos contados na eterna glória,
entre o número dos Vossos Santos.

Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança,
E regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa.
Todos os dias Vos bendizemos
E esperamos glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos.
Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado.

Tende compaixão de nós, Senhor,
compadecei-Vos de nós, miseráveis.
Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia,
pois em Vós colocamos toda a nossa esperança.
Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido.

Entoado como canto gregoriano

Ouça em oração esta interpretação do “Te Deum” como canto gregoriano:

https://youtu.be/c_gcJc1MmCQ

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Vaticano: mais de três milhões de participantes nas audiências e celebrações em 2025

Fiéis na Praça São Pedro para a oração do Angelus  (@VATICAN MEDIA )

Dados divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia indicam mais de 250 mil participantes até abril, levando em consideração a hospitalização do Papa Francisco a partir de 14 de fevereiro e a subsequente distribuição dos textos do Angelus e das Audiências Gerais pela Sala de Imprensa da Santa Sé, mesmo após seu retorno a Santa Marta. Desde maio, após a eleição de Leão XIV, a participação foi de quase três milhões de fiéis.

Vatican News

Em 2025, 3.176.620 fiéis participaram de audiências e celebrações litúrgicas no Vaticano. Os dados, divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, incluem Audiências Gerais e jubilares, audiências especiais, celebrações litúrgicas e orações do Angelus.

Presença durante o pontificado do Papa Francisco

De janeiro a abril, durante o pontificado do Papa Francisco, um total de 262.820 pessoas compareceram: 60.500 nas oito audiências gerais e jubilares, 10.320 nas audiências especiais, 62.000 nas celebrações litúrgicas e 130.000 nas orações do Angelus. Na leitura desses números devem ser levados em consideração a hospitalização do Papa Francisco no Hospital Gemelli, que começou em 14 de fevereiro, e seu retorno a Santa Marta. Durante esse período, os textos das audiências gerais e do Angelus foram divulgados exclusivamente pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Presença desde a eleição do Papa Leão XIV

Desde a eleição do Papa Leão XIV para a Cátedra de Pedro, em 8 de maio, até o final do ano, a presença total foi de 2.913.800 pessoas. Especificamente, 1.069.000 pessoas participaram das 36 audiências gerais e jubilares, 148.300 nas audiências especiais, 796.500 nas celebrações litúrgicas e 900.000 nas orações do Angelus. Dezembro registrou o maior número de presença na oração mariana, com aproximadamente 250.000 participantes, enquanto outubro teve o pico de presença tanto nas celebrações litúrgicas (aproximadamente 200.000) quanto nas audiências gerais e jubilares (aproximadamente 295.000).

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Tudo seria melhor se o Natal não fosse um dia…

Sagrada Família de Nazaré | Sagrado Coração de Jesus (Facebook)

TUDO SERIA MELHOR SE O NATAL NÃO FOSSE UM DIA… 

29/12/2025

Dom Itacir Brassiani
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Muitos sabem de cor essa simples e bela canção do Padre Zezinho, lançada há meio século atrás. Os versos continuam assim: “…Se as mães fossem Maria, e os pais fossem José; e a gente parecesse com Jesus de Nazaré”. Na verdade, celebramos no dia de Natal um acontecimento perene e grávido de consequências: a encarnação do Filho de Deus. 

Por isso, o Natal de Jesus está longe de ser apenas um fervilhante evento comercial, uma colheita sazonal e abundante do turismo ou um espetáculo cultural repleto de luzes coloridas, anjos barrocos e sons harmoniosos. Também não se resume à recordação piedosa de um fato circunscrito a um casal hebreu e a uma aldeia do império romano. 

O que as celebrações natalinas, oferecidas anualmente pelas Igrejas cristãs, querem lembrar é que Deus e a criatura humana não se opõem; que o céu e a terra não são realidades paralelas; que a história é o lugar onde germinam as sementes da eternidade; que a justiça dá as mãos à compaixão; que a vida humana e terrena é a morada de Deus. 

Assim, o nascimento de Jesus, ocorrido no ano zero da era cristã, também não se esgota na piedade individual, celebrada na intimidade dos lares ou no interior dos templos. O Natal é muito mais que a celebração do “aniversário de Jesus”. A memória desse fato divide em dois e fecunda o tempo histórico e repercute nas relações humanas e sociais. 

Não é por acaso que a narração de Lucas insere este acontecimento na moldura política do império Romano no Oriente Médio (quando o imperador César Augusto ordenou um recenseamento e Quirino era governador da Síria; cf. Lucas 2,1-2), e Mateus o situa no tempo em que o rei Herodes governava a Judéia (cf. Mateus 2,1-3). O que isso tem a ver? 

Numa região e num tempo marcados pelo medo, aumentado pela presença do exército romano, aquele discreto nascimento ocorrido na periférica Belém significou coragem e alegria para os pastores e todo o povo, paz para os amados e amadas de Deus, esperançosa peregrinação para os pagãos. E, também, grande inquietação para Herodes. 

Nós acolhemos o filho de José e de Maria como Filho e Enviado de Deus para “anunciar o Evangelho aos pobres, proclamar a liberdade aos presos e aos cegos a visão, para pôr em liberdade os oprimidos e proclamar um ano do agrado do Senhor” (Lucas 4,18-19). E o reconhecemos como salvação e luz para todos os povos. Mas também, desde sempre, como pedra de tropeço para muitos (cf. Lucas 2,29-35). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Leão XIV: os cristãos que vivem em meio às guerras sejam sementes de paz

Pelos cristãos em contexto de conflito, dezembro 2025 (Vatican News)

Na mensagem de vídeo com a intenção de oração para o mês de dezembro, divulgada nas vésperas da viagem do Papa Leão à Turquia e ao Líbano, o Santo Padre convida a rezar pelas comunidades cristãs que vivem em regiões de guerra ou de conflito. O Pontífice as convida a não sentirem-se abandonadas e a serem “sementes de paz, de reconciliação e de esperança”.

https://youtu.be/W2S9AgoaS8g

Vatican News

Nas vésperas de sua primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano, o Papa Leão XIV convida a rezar pelas minorias cristãs que vivem em contextos de guerra, na intenção de oração deste mês de dezembro.

O Santo Padre inicia, assim, a última intenção de oração do ano, divulgada nesta quarta-feira (26/11):

“Rezemos para que os cristãos que vivem em contextos de guerra ou de conflito, especialmente no Oriente Médio, possam ser sementes de paz, reconciliação e esperança.”

Ele mesmo o faz por primeiro, rezando uma oração ao “Deus da paz”, no vídeo produzido e divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, com a colaboração do Vatican Media.

Os cristãos “que vivem em meio a guerras e violência” não se sintam nunca abandonados: “Mesmo cercados pela dor”, disse o Papa, “nunca deixem de sentir a gentil bondade” da presença de Deus “e as orações de seus irmãos e irmãs na fé”.

“Pois somente por Ti, e fortalecidos pelos laços fraternos, podem tornar-se sementes de reconciliação, construtores de esperança em pequenos e grandes gestos, capazes de perdoar e seguir adiante, de superar divisões e de buscar a justiça com misericórdia.”

Mesmo naquelas partes do mundo onde a guerra parece ser única lei, “onde a harmonia parece impossível”, os cristãos são chamados a ser “instrumentos de paz”. E não somente os que vivem naqueles lugares, mas todos nós, porque Jesus “chamou bem-aventurados os que promovem a paz”, disse ainda o Papa, acrescentando:

“Espírito Santo, fonte de esperança nas horas mais sombrias, sustentai a fé dos que sofrem e fortalecei a sua esperança. Não permitas que caiamos na indiferença, e fazei de nós construtores da unidade, como Jesus. Amém.”

A fé em meio aos escombros

A intenção de oração deste mês e a primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV se concentram numa das áreas mais instáveis do mundo do ponto de vista político, econômico e da segurança. Segundo o Relatório 2025 sobre a liberdade religiosa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o número dos conflitos nas regiões médio-orientais e as condições socioeconômicas expõem as minorias religiosas, particularmente os cristãos, a uma condição de extrema vulnerabilidade. Na Palestina, a população está exaurida após dois anos de guerra e muitas igrejas se tornaram refúgios para as famílias sem casa. No Líbano, a grave crise econômica obrigou uma enorme quantidade de pessoas a fugir, esvaziando paróquias e escolas. No Iraque e na Síria, a reconstrução se realiza em meio ao cansaço entre instabilidade política, insegurança e falta de perspectiva para os jovens. Mas, apesar de tudo isso, as pequenas comunidades continuam a resistir, guardando a fé, servindo aos pobres e construindo pontes de convivência com seus vizinhos de outras religiões.

As imagens que acompanham a oração feita pelo Papa nos apresentam exatamente isso, mostrando exemplos de uma fé firme e inquebrantável em meio aos escombros e destroços. São celebrações nos vilarejos iraquianos que voltaram a reunir-se depois da guerra, a força extraordinária da comunidade paroquial de Gaza mesmo nos dias de bombardeios, o trabalho indispensável da Caritas do Líbano entre os pobres e os refugiados dos Países vizinhos, o oásis de espiritualidade oferecido pelos mosteiros sírios: todos sinais da presença daquele Espírito Santo que – como diz a oração feita pelo Papa – é “fonte de esperança nas horas mais sombrias”.

De Francisco a Leão

“As condições dos cristãos nos contextos de conflito é uma preocupação constante no coração do sucessor de Pedro”, afirma pe. Cristóbal Fones, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa. “Nos últimos anos, o Papa Francisco tinha confiado muitas vezes à oração da Igreja universal o sofrimento e o testemunho dos cristãos que vivem em situações e contextos difíceis. Pediu para rezar, por exemplo, pelos cristãos perseguidos, pelo diálogo e a reconciliação no Oriente Médio, pelas comunidades religiosas discriminadas e perseguidas, pelos novos mártires, testemunhas de Cristo.

O Papa Leão XIV retoma esta herança, coincidindo com sua primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano. O seu convite de oração é um gesto de proximidade e de esperança: um modo para dizer aos cristãos da Palestina, Líbano, Síria, Iraque e de tantos outros Países que não estão esquecidos, que a Igreja universal caminha com eles; mas também para recordar a todos nós que a fé cresce mesmo em meio às provações e dificuldades, e que das comunidades feridas podem nascer sementes de reconciliação e de paz.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?

Para a Igreja Católica na Nigéria, o incidente reabre questões dolorosas sobre a segurança das instituições religiosas e o cuidado pastoral com as comunidades traumatizadas. Bispos e clérigos têm alertado repetidamente que escolas e paróquias estão cada vez mais vulneráveis, mesmo continuando a servir populações com poucas alternativas.

23 DE DEZEMBRO DE 2025, 17H45 - SALA DE IMPRENSA ZENIT

(ZENIT News / Aqaba, 23 de dezembro de 2025) – Às margens do Mar Vermelho, em uma cidade hoje mais conhecida por seu comércio e turismo, um capítulo inesperado da história cristã ressurgiu. Em Aqaba, no sul da Jordânia, um sítio arqueológico estudado há muito tempo por especialistas foi oficialmente aberto ao público: as ruínas de uma igreja que data do final do século III, amplamente considerada o mais antigo local de culto cristão construído especificamente para fins religiosos.

A cerimônia de inauguração, realizada em 15 de dezembro, teve repercussões que se estenderam muito além do âmbito arqueológico. Pela primeira vez desde o devastador terremoto que atingiu a região em 363, orações e cânticos litúrgicos ecoaram novamente dentro de muros que antecedem a legalização do cristianismo no Império Romano. Representantes da monarquia jordaniana, patriarcados cristãos e líderes religiosos reuniram-se no mesmo local onde os fiéis se encontravam em uma época em que o culto público cristão ainda era legalmente precário.

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

O Ministro do Turismo da Jordânia, Emad Hijazin, inaugurou o local em nome do Rei Abdullah II, enfatizando a dupla importância do evento. Segundo ele, o sítio arqueológico reflete não apenas a herança cultural da Jordânia, mas também o compromisso contínuo do país em salvaguardar seu diversificado legado religioso. Aqaba, conhecida na antiguidade como Aila, vem sendo cada vez mais apresentada não apenas como um destino litorâneo, mas como um lugar onde a história espiritual permanece palpável.

A liturgia celebrada durante a cerimônia foi presidida pelo Arcebispo Christoforos de Kyriakoupolis, representante do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém, marcando um momento de continuidade simbólica. Os líderes religiosos presentes enfatizaram a importância de restaurar o culto a um espaço que outrora serviu a uma comunidade cristã décadas antes do Édito de Milão, que concedeu a liberdade religiosa em 313.

Descoberta em 1998 por uma equipe liderada pelo arqueólogo americano Thomas Parker, a igreja foi construída entre aproximadamente 293 e 303 d.C., durante o reinado do imperador Diocleciano. Ao contrário dos locais de encontro cristãos anteriores — muitas vezes residências particulares adaptadas, conhecidas como domus ecclesiae — a estrutura de Aqaba foi construída desde os alicerces como uma igreja. Seu formato de basílica, com uma nave central, naves laterais e uma abside voltada para o leste, indica uma comunidade que já era litúrgica e organizacionalmente madura.

Descobertas arqueológicas no local, incluindo lâmpadas de vidro, cerâmica, moedas romanas e cemitérios próximos ligados à mesma comunidade, ajudaram a confirmar sua datação. Pequenos fragmentos de metal, interpretados como partes de uma cruz de bronze, reforçam ainda mais sua identidade cristã. Notavelmente, o edifício sobreviveu a períodos de perseguição e continuou em uso durante a era de um império cristianizado, até que um desastre natural pôs fim abruptamente à sua função.

A igreja de Aqaba é anterior a monumentos cristãos icônicos como a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém e a Basílica da Natividade em Belém. Sua importância lhe rendeu o reconhecimento no Guinness Book of World Records como a igreja mais antiga do mundo construída especificamente para o culto cristão, oferecendo uma perspectiva única sobre as décadas formativas da vida da igreja no mundo romano oriental.

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

Nos últimos anos, as autoridades jordanianas, em colaboração com parceiros internacionais, realizaram um trabalho de conservação meticuloso. As paredes de tijolos de barro foram estabilizadas e um telhado protetor foi instalado para salvaguardar as ruínas dos danos causados ​​pelo clima. O sítio restaurado foi agora incorporado às rotas de peregrinação e turismo cultural da Jordânia, conectando a geografia bíblica com as evidências arqueológicas.

Para o bispo Iyad Twal, vigário do Patriarcado Latino de Jerusalém, na Jordânia, a reabertura da igreja é uma lembrança do papel histórico do país como encruzilhada de religiões. A Jordânia, afirmou ele, continua a representar um modelo de coexistência, onde as comunidades cristã e muçulmana compartilham uma herança comum enraizada no respeito e na continuidade.

Além de seu valor histórico, a igreja de Aqaba dialoga silenciosamente com o presente. Ela evoca uma época em que a identidade cristã se forjou sem proteção legal, sustentada por pequenas comunidades cuja fé sobreviveu tanto a impérios quanto a terremotos. O local oferece mais do que um vislumbre do passado: é um testemunho de uma fé que tomou forma arquitetônica antes de obter o favor imperial e que continua a encontrar um lar nessas terras séculos depois.

Fonte: https://es.zenit.org/

Silêncio de maravilha e adoração

Rembrandt, Adoração dos pastores com lanterna, 1º estado, gravura em água-forte e buril (BAV, detalhe)

“O Natal nos lembra que Jesus veio para nos revelar o verdadeiro rosto de Deus como Pai, para que todos pudéssemos nos tornar seus filhos e, portanto, irmãos e irmãs entre nós”. No espírito dessas palavras de Leão XIV, continua a colaboração entre a Biblioteca Apostólica Vaticana e a Vatican News: vivemos as festas na companhia das obras-primas das coleções pontifícias e dos ensinamentos dos Papas.

Paolo Ondarza - Vatican News

Parece uma cena retratada da vida real, quase um esboço. A imediatismo e a alta intensidade poética, favorecidas pelo brilho de uma lâmpada acesa, caracterizam “A Adoração dos Pastores” de Rembrandt. A gravura realizada em água-forte e buril por volta de 1654 está conservada na Biblioteca Apostólica Vaticana. Em primeiro plano está a Sagrada Família, enquanto à esquerda um grupo de pastores venera o Menino Jesus. O uso do claro-escuro confere relevo e volume às figuras, definidas por meio de traços rápidos que criam um equilíbrio habilidoso entre o branco e o preto.

Rembrandt Harmenszoon van Rijn (Leida 1606 – Amsterdã 1669), [Adoração dos pastores com lanterna], 1º estado, gravura em água-forte e buril, cerca de 1654. BAV, Estampas V.98, prancha 3

De Leida a Amsterdã

Pintor e gravador holandês consagrado, Rembrandt Harmenszoon van Rijn formou-se primeiro em Leyda, sua cidade natal, e depois em Amsterdã, onde foi acolhido durante seis meses na oficina de Pieter Lastman. Este permitiu-lhe entrar em contato com a pintura italiana e europeia e com as sugestões caravaggistas, pelas quais ele próprio tinha sido influenciado graças a Adam Elsheimer. Posteriormente, decidiu estabelecer o seu estúdio em Amsterdã, onde se rodeou de um grande número de alunos para se dedicar à produção de retratos, temas históricos e religiosos.

© Biblioteca Apostólica Vaticana

Mestre da luz

Tanto na pintura quanto na gravura – são conhecidas quase mil folhas de sua autoria – ele se impôs no cenário artístico estabelecendo uma nova linguagem expressiva e superando os seus predecessores. O foco de suas experimentações é a luz, que se torna audaciosa a ponto de atingir uma intensidade e um drama nunca antes alcançados.

“Diante de cada presépio, até daqueles feitos nas nossas casas, revivemos aquele Acontecimento e redescobrimos a necessidade de procurar momentos de silêncio e oração na nossa vida, para nos reencontrarmos e entrarmos em comunhão com Deus. A Virgem Maria é o modelo do silêncio adorador! Contrariamente aos pastores que, voltando de Belém, glorificam Deus e contam o que viram e ouviram, a Mãe de Jesus conserva tudo no coração (cf. Lc 2,19). O seu silêncio não se limita a calar-se: é maravilha e adoração!”

© Biblioteca Apostólica Vaticana
© Biblioteca Apostólica Vaticana

(Leão XIV, Aos doadores do presépio e da árvore de Natal, 15 de dezembro de 2025)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Cardeal Paulo Cezar Costa encerra o Ano Jubilar com mensagem de fé, liberdade e esperança cristã

Catedral de Brasília - Santa Missa de Encerramento do Ano Jubilar da Esperança (arqbrasilia)

A Arquidiocese de Brasília viveu, neste domingo (28/12), um momento marcante de fé e comunhão com o Encerramento do Ano Jubilar da Esperança, celebrado com Santa Missa solene na Catedral Metropolitana Nossa Senhora Aparecida, ao meio-dia.

28/12/2025

A Celebração Eucarística foi presidida pelo Cardeal Paulo Cezar Costa, Arcebispo Metropolitano de Brasília, e concelebrada pelos Bispos auxiliares: Dom Antonio de Marcos e Dom Denilson Geraldo, além de numerosos sacerdotes do clero arquidiocesano, com a assistência de diáconos.

A Catedral, completamente cheia, tornou-se sinal visível do que, segundo o Cardeal, foi um verdadeiro ano de graça para o povo de Deus. Logo no início da homilia, Dom Paulo Cezar agradeceu a presença dos fiéis e destacou a força espiritual vivida ao longo do Ano Jubilar.

“Essa Catedral cheia manifesta aquilo que nós sentimos: este foi verdadeiramente um ano de graça. As graças do Ano Jubilar tocaram a vida de cada um de nós, de nossas famílias, de nossas comunidades e da nossa sociedade”, disse.

Inspirado pelo tema do Ano Jubilar, o Arcebispo recordou que os cristãos foram chamados a viver como peregrinos da esperança, especialmente em um mundo marcado por crises, violência, ameaças à liberdade, descuido com a vida e com a casa comum. Em sua reflexão, alertou para o risco de uma sociedade que caminha sem esperança, dominada pela cultura do efêmero e do passageiro.

A imagem do peregrino, segundo Dom Paulo, revela a própria condição humana de seres em constante busca. O Cardeal recordou as grandes peregrinações narradas pela Sagrada Escritura, citando Abraão, Moisés, o povo de Israel, Jesus e os primeiros discípulos , e afirmou que a fé cristã é, essencialmente, um caminho. “Quem tem fé, caminha. A fé nos coloca na condição de peregrinos, como Igreja que peregrina rumo ao infinito de Deus”, afirmou o Arcebispo.

Ao meditar o Evangelho do dia, o Dom Paulo destacou a proteção de Deus à Sagrada Família, forçada a fugir para o Egito diante da tirania de Herodes. O Cardeal explicou que a narrativa bíblica revela uma profunda dimensão profética de que a tirania sempre ameaça a vida, a liberdade e a dignidade humana, mas não tem a palavra final.

“Os tiranos se acham donos da lei, da vida e da morte, mas a tirania é sempre ofensa a Deus e ao ser humano. Deus não se vence pela tirania, Ele vence os tiranos”, afirmou. Dom Paulo ressaltou ainda a figura de São José como homem justo, sempre disponível à vontade de Deus, por meio de quem o Senhor conduziu e protegeu o Seu Filho.

“Mesmo em meio às maldades e às vicissitudes da história, Deus realiza o Seu plano. A história da Sagrada Família revela que Deus age concretamente na vida do Seu povo e continua caminhando com a humanidade”, destacou.

Ao longo da homilia, o Cardeal salientou ainda que a esperança cristã não é vazia, mas nasce da certeza de que Deus caminha com o Seu povo, recordando testemunhos de cristãos perseguidos, como no Iraque, onde, mesmo sob ameaças e violência, as igrejas permaneciam cheias, sustentadas pela fé no Cristo vivo.

“O Senhor está presente na vida das nossas famílias. A família é igreja doméstica, comunidade de fé, de amor e de vida. Recordando o ensinamento de São Paulo VI. Segundo ele, é no cotidiano, na Eucaristia, na Palavra, na oração e no cuidado com os mais pobres que Deus continua fazendo história com o Seu povo”, frisou.

Ao encerrar o Ano Jubilar da Esperança, Dom Paulo convidou os fiéis a saírem da Catedral com o coração agradecido e pulsando de esperança. “Que essa grande esperança da fé sustente a nossa vida no dia a dia, diante dos problemas e desafios. A nossa esperança está no Senhor, que morreu e ressuscitou. Ele é a nossa grande esperança”, finalizou o Cardeal.

A Santa Missa de encerramento do Ano Jubilar na Arquidiocese de Brasília pode ser assistida no vídeo abaixo:

https://youtu.be/qTKx_xQA1xw

Fonte: https://arqbrasilia.com.br/

O Papa: que as miragens do mundo não sufoquem a chama do amor nas famílias

Angelus, 28/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

No Angelus deste domingo da Sagrada Família, Leão XIV convidou a contemplar o mistério do Natal "com admiração e gratidão", a pensar "nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos". "Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos", disse o Papa.

https://youtu.be/nf7ZMs9qs8M

Mariangela Jaguraba – Vatican News

O Papa Leão XIV rezou a oração mariana do Angelus deste domingo, 28 de dezembro, Festa da Sagrada Família de Jesus, Maria e José com os fiéis e peregrinos reunidos na Praça São Pedro.

Na alocução que precedeu a oração, o Pontífice recordou que a Liturgia deste domingo nos apresenta a passagem da “fuga para o Egito”.

“É um momento de provação para Jesus, Maria e José. Realmente, no contexto luminoso do Natal, projeta-se, quase de repente, a sombra inquietante de uma ameaça mortal, que tem a sua origem na vida atormentada de Herodes, um homem cruel e sanguinário, temido pela sua brutalidade e, precisamente por isso, profundamente só e obcecado pelo medo de ser destronado.”

Deus está realizando o maior milagre da história

"Quando, através dos Magos", Herodes "toma conhecimento que nasceu o “rei dos Judeus”, sentindo-se ameaçado no seu poder, decreta a morte de todas as crianças com a idade correspondente à de Jesus. No seu reino, Deus está realizando o maior milagre da história, no qual se cumprem todas as antigas promessas de salvação; porém, ele não consegue vê-lo, cego pelo medo de perder o trono, as suas riquezas e os seus privilégios", disse o Papa, acrescentando:

“Em Belém, há luz e alegria: alguns pastores receberam o anúncio celestial e, diante do presépio, glorificaram a Deus, mas nada disso consegue penetrar além das defesas reforçadas do palácio real, a não ser como um eco distorcido de uma ameaça, a ser sufocada com uma violência cega.”

O valor da presença e da missão da Sagrada Família

"Não obstante, justamente essa dureza de coração evidencia ainda mais o valor da presença e da missão da Sagrada Família que, no mundo despótico e ganancioso que o tirano representa, é o ninho e o berço da única resposta de salvação possível: a de Deus que, em total gratuidade, se doa aos homens sem reservas e pretensões. E o gesto de José que, obediente à voz do Senhor, leva em segurança a Esposa e o Menino, manifesta-se aqui em todo o seu significado redentor. Com efeito, no Egito, a chama do amor doméstico a que o Senhor confiou a sua presença no mundo cresce e ganha vigor para levar luz ao mundo inteiro", disse ainda o Papa.

O mundo sempre tem os seus “Herodes”

“Enquanto contemplamos este mistério com admiração e gratidão, pensamos nas nossas famílias e na luz que elas também podem trazer à sociedade em que vivemos. Infelizmente, o mundo sempre tem os seus “Herodes”, seus mitos de sucesso a qualquer custo, de poder sem escrúpulos, de bem-estar vazio e superficial, e muitas vezes paga as consequências com solidão, desespero, divisões e conflitos. Não deixemos que essas miragens sufoquem a chama do amor nas famílias cristãs.”

"Pelo contrário, conservemos nelas os valores do Evangelho: a oração, a frequência aos sacramentos – especialmente a Confissão e a Comunhão –, os afetos saudáveis, o diálogo sincero, a fidelidade, a concretude simples e bela das palavras e dos bons gestos de cada dia. Isso torná-las-á luz de esperança para os ambientes em que vivemos, escola de amor e instrumento de salvação nas mãos de Deus", sublinhou Leão XIV.

Sinal eficaz da sua presença

“Então, peçamos ao Pai do Céu, por intercessão de Maria e de São José, que abençoe as nossas famílias e as do mundo inteiro, para que, crescendo segundo o modelo da família do seu Filho feito homem, elas sejam para todos um sinal eficaz da sua presença e da sua caridade sem fim.”

Continuemos a rezar pela paz

Após a oração mariana do Angelus, o Papa saudou os fiéis e peregrinos provenientes da Itália e outros países. A seguir, disse:

“À luz do Natal do Senhor, continuemos a rezar pela paz. Hoje, em particular, rezemos pelas famílias que sofrem por causa da guerra, pelas crianças, pelos idosos e pelos mais frágeis. Confiemos juntos à intercessão da Sagrada Família de Nazaré.”

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

domingo, 28 de dezembro de 2025

Quando o ano termina: um tempo de olharmos para dentro

PeopleImages | Shutterstock

Talita Rodrigues - publicado em 26/12/25

O fim de ano costuma chegar carregando um brilho que, para muitos, ilumina; para outros, quase cega. As ruas enfeitadas, as músicas repetidas, as expectativas de celebração… tudo isso cria a sensação de que deveríamos estar vivendo alguma espécie de alegria coletiva. Mas, por dentro, nem sempre é assim.

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Psicologicamente, essa época funciona como um espelho bem nítido. Diante dela, somos convidados — às vezes sem querer — a encarar o que fizemos, o que adiamos, o que não conseguimos sustentar. É como se uma contagem regressiva acendesse também as nossas próprias urgências internas. Por isso surgem perguntas que não fazem barulho, mas fazem presença: “O que eu vivi?”, “O que ficou faltando?”, “Quem sou eu agora?”, “Será que estou onde gostaria de estar?”.

Essas perguntas não são sinais de fraqueza. São sinais de humanidade.

O fim de ano também costuma tocar em lugares sensíveis: a ausência de alguém, uma cadeira vazia à mesa, uma conversa interrompida, um sonho antigo que ainda não chegou

Há quem se sinta deslocado nas festas, como se estivesse presente apenas no corpo, mas distante em alma. Há quem sinta que está tudo rápido demais, ou lento demais. Há quem apenas deseje que esse período passe.

E tudo isso merece ser acolhido com delicadeza.

O que fazer?

Quando permitimos que as emoções apareçam sem julgá-las, elas nos mostram algo importante. A tristeza costuma revelar o que valorizamos. A saudade lembra que existe amor. A frustração aponta para nossos desejos não ditos. O vazio, por mais incômodo que seja, muitas vezes é um pedido silencioso de reconexão — com a própria história, com o próprio ritmo, com a própria verdade.

Nessa travessia, vale a pena criar pequenos espaços de pausa. Para respirar, sentir o corpo, deixar a mente descansar das cobranças externas. Há algo profundamente terapêutico em escutar a si mesmo com o mesmo cuidado que se escuta alguém querido. Talvez o fim de ano não seja um tempo de grandes festas, mas pode ser um tempo de pequenas honestidades: escrever uma carta para o próprio eu, revisitar memórias com mansidão, agradecer o que foi possível, nomear o que ainda dói, permitir-se planejar passos curtos para o que vem.

E, dentro de tudo isso, é importante lembrar da esperança — não aquela esperança romântica, que promete que tudo dará certo de repente, mas a esperança como virtude: aquela que brota devagar, que pede esforço, que se alimenta de gestos simples e de uma confiança discreta no futuro. A esperança que não nega a dor, mas a atravessa; que não garante respostas, mas oferece caminhos.

O fim de ano pode ser, então, menos sobre contabilizar o que faltou e mais sobre reconhecer o que se sustentou. Menos sobre metas grandiosas e mais sobre recomeços humildes. Menos sobre a pressão de estar bem e mais sobre a coragem de estar inteiro — mesmo que isso signifique estar frágil.

Se há algo que esse tempo nos convida a aprender, talvez seja isto: não precisamos terminar o ano prontos. Basta terminarmos verdadeiros. E, nesse espaço de verdade, a esperança encontra sempre uma forma de acender — às vezes como uma chama pequena, mas firme o suficiente para iluminar o caminho que começa de novo.

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Fonte: https://pt.aleteia.org/

Santos Inocentes

Santos Inocentes (Canção Nova)

SANTOS INOCENTES

28/12/2025

Cardeal Orani João Tempesta
Arcebispo do Rio de Janeiro (RJ) 

A Igreja celebra, no dia 28 de dezembro, a festa litúrgica dos Santos Inocentes. Como esse dia cai no domingo neste ano, no lugar dessa celebração iremos celebrar a Festa da Sagrada Família. Porém, é bom recordar um pouco dessa festa dos Santos Inocentes que ocorre três dias após o Natal e dentro do período da Oitava do Natal. Outras festas de santos importantes acontecem ao longo da Oitava do Natal, que é o período entre o Natal e a solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro. A Oitava do Natal são oito dias em que celebramos a alegria do Natal; é como se a cada dia dessa semana fosse Natal, e podemos desejar Feliz Natal uns aos outros. Isso porque o mistério do Natal é tão grande que não pode ser resumido em apenas uma celebração. 

Conforme falamos, além dos Santos Inocentes, ao longo da Oitava do Natal acontecem outras festas de santos importantes da Igreja, que dão um sentido ainda maior à Oitava do Natal. No dia 26 de dezembro, a Igreja celebra Santo Estêvão, o primeiro mártir da Igreja, que teve Saulo como testemunha, que depois se tornaria Paulo. No dia 27, celebramos São João Apóstolo e Evangelista, que esteve aos pés da cruz de Jesus e cuidou de Nossa Senhora. No dia 28 de dezembro, celebramos os Santos Inocentes, que são meninos de zero a dois anos que Herodes mandou matar pensando encontrar, em algum deles, Jesus. Além disso, temos a festa da Sagrada Família, normalmente no domingo seguinte ao Natal, neste ano, 28 de dezembro, e a Solenidade de Santa Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro, fechando a Oitava do Natal. Em seguida, segue o Tempo do Natal até a festa do Batismo do Senhor. 

Em especial, neste ano, a festa da Sagrada Família será celebrada no domingo, dia 28, que é o domingo seguinte ao Natal. Com isso, a festa dos Santos Inocentes é suprimida. É claro que não deixaremos de lembrar dos Santos Inocentes, mas a liturgia desse domingo será da Sagrada Família. 

Meus irmãos, neste domingo em especial acontecerá o encerramento do Ano Jubilar da Esperança, que vivemos ao longo deste 2025. Convido a todos a participarem da missa em nossa Catedral, onde acontecerá uma Missa de Ação de Graças especial pela clausura do Ano Jubilar da Esperança. Viver um Ano Jubilar é uma grande graça de Deus para todos nós, e muitas graças são derramadas sobre todos. Por isso, celebremos a festa da Sagrada Família, encerremos o Ano Jubilar e lembremos dos Santos Inocentes. Como podemos observar, temos muitos motivos para celebrar e agradecer a Deus neste domingo. Nesse dia também iremos assinar a nossa carta pastoral com as conclusões do II Sínodo Arquidiocesano e comemoraremos a 13ª Festa da Unidade transferida, neste ano, para essa ocasião. 

Herodes ao ouvir falar que tinha nascido o rei dos judeus achava que Jesus veio para ocupar o seu lugar, e ele acreditava que somente ele seria o rei de Israel. Diante disso, Herodes manda matar todos os meninos de zero a dois anos, achando que um deles seria Jesus. Depois que os magos foram embora, o anjo aparece em sonho a José e pede que ele pegue Maria e o Menino e vá para o Egito, a fim de que Herodes não os encontre. O anjo pede que José permaneça lá com Maria e o Menino até nova ordem. Então, durante a noite, José pegou Maria e o Menino e retirou-se para o Egito. 

Por isso, a Igreja celebra nessa data os “Santos Inocentes”, pois são crianças indefesas, sem culpa alguma, que Herodes, por inveja e ciúmes, mandou matar. Os Santos Inocentes são padroeiros de todas as crianças abandonadas. Essa festa foi instituída por São Pio V e nos ajuda a viver com profundidade esse tempo da Oitava do Natal. 

A Sagrada Família permanece no Egito até a morte de Herodes, para se cumprir aquilo que o Senhor havia dito pelo profeta: “Do Egito chamei o meu Filho”. Depois, eles retornam e conseguem continuar a vida. Por isso, Jesus sempre defendeu e acolheu todas as crianças. 

Não temos como calcular o número de crianças que foram arrancadas dos braços de suas mães e depois assassinadas, sem poderem se defender ou ter a oportunidade de expressar a sua fé. Como todos os mártires, elas tiveram seu sangue derramado em nome de Cristo, porém sem a possibilidade de defesa. O relato evangélico desse dia encontra-se no Evangelho de Mateus. 

A celebração da festa dos Santos Inocentes nos chama a refletir sobre a situação de muitas crianças nos dias de hoje, que também podem ser consideradas “santos inocentes”. Crianças que não têm o direito de nascer, ou seja, são abortadas; crianças que são exploradas sexualmente, obrigadas a trabalhar desde cedo ou que vivem em situação de extrema vulnerabilidade. Enfim, rezemos por todas as crianças, para que sejam respeitadas em sua dignidade e possam crescer em sabedoria, estatura e graça, diante de Deus e dos homens. 

Podemos dizer que os Santos Inocentes são os primeiros mártires da Igreja, pois são celebrados apenas três dias após o Natal. Todo ser humano tem o direito de nascer, amadurecer, envelhecer e depois morrer; não podemos interromper nenhuma vida, seja qual for a idade. Vale ressaltar também que essa festa nos leva a refletir que não devemos fazer justiça com as próprias mãos, nem alimentar inveja ou ciúmes de ninguém, como fez Herodes. A inveja e o ciúme não são sentimentos cristãos. Não podemos achar que o outro vai ocupar o nosso lugar; em qualquer ambiente em que estivermos, devemos seguir em frente, dar o nosso melhor e continuar o nosso trabalho. 

Por esses inocentes e por nós, como cristãos, que possamos construir um mundo mais justo, solidário e fraterno, e criar aqui na terra um lugar bom para se viver, para crianças, idosos e adultos, para que todos vivam em harmonia. Com certeza, toda criança que morre, seja por qualquer motivo, está no céu, ao lado de Jesus. Jesus tinha um carinho especial pelas crianças e deixava que se aproximassem d’Ele. Com certeza, temos no céu grandes intercessores. As crianças são puras e inocentes e não têm culpa das brigas e confusões dos adultos. Precisamos cuidar e amar todas as crianças, educá-las com fé e amor, e tomar o cuidado de nunca as machucar, seja fisicamente ou interiormente. 

Apesar de ser domingo e festa da Sagrada Família, recordemos com esperança renovada este dia, fazendo memória dos Santos Inocentes, pedindo, sobretudo, que as crianças de hoje tenham paz, proteção e uma vida digna aos olhos de Deus e dos homens. Que todas as crianças tenham, em primeiro lugar, o direito à vida; depois, à saúde e à educação. Peçamos melhores condições de vida para todas as crianças e que nenhuma morra precocemente.  

Oração aos Santos Inocentes 

“Meu Senhor, pelos Santos Inocentes, quero Vos rogar hoje por todos aqueles que são injustiçados, sofrem ameaças, são marginalizados e incompreendidos. Olhai pelos pequeninos, abandonados e assassinados pelas estruturas de morte de nossa sociedade. Que, convosco, eles alcancem dignidade e paz. Amém.” 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF