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quarta-feira, 31 de dezembro de 2025

Normal, discreto e divino

Normal, discreto e divino (Foto/Crédito: Opus Dei)

Normal, discreto e divino

Alguns conterrâneos de Jesus não acreditaram em que o poder de Deus pudesse manifestar-se em alguém “tão normal”. O Senhor quer continuar nos encontrando na vida cotidiana através das práticas simples de piedade que procuramos viver.

22/02/2021

Estamos em um sábado. Jesus está na sinagoga de Nazaré. Vêm à sua mente, talvez, muitas recordações familiares da sua infância e juventude. Quantas vezes terá ouvido lá a palavra de Deus! Os seus compatriotas, que o conhecem há muito tempo, foram recebendo várias notícias sobre os milagres que fez em cidades vizinhas. E isto tem um efeito estranho: a familiaridade com Jesus converte-se num obstáculo para eles. “Donde lhe vem essa sabedoria e essa força miraculosa? Não é ele o filho do carpinteiro? ” (Mt 13, 54-55), perguntam-se. Surpreende-os o fato de que a salvação possa vir de alguém que viram crescer dia a dia. Não acreditam que o Messias possa ter vivido entre eles de modo tão discreto e despercebido.

Como os conterrâneos de Jesus

Os habitantes de Nazaré pensam conhecer bem a Jesus. Tem certeza de que as coisas que se contam dele não podem ser verdade. “Não é Maria sua mãe? Não são seus irmãos Tiago, José, Simão e Judas? E suas irmãs não vivem todas entre nós? De onde lhe vem pois tudo isto? ” (Mt 13, 56). Em um povoado onde não se faz imagens de Deus e onde nem sequer se pronuncia seu nome, um de seus conterrâneos afirma que ele é o Messias... impossível. E mais, conhecem sua origem, conhecem seus pais, conhecem sua casa: “Era uma família simples, próxima de todos, integrada normalmente no povoado”[1]. Não entendem como alguém tão igual a eles possa fazer milagres. “A vida normal de Jesus, o operário provinciano, não parece esconder qualquer mistério; a sua proveniência revela-O como um igual a todos os outros”[2]. O filho de Deus trabalhava com José em sua oficina; “a maior parte de sua vida foi consagrada a essa tarefa, numa existência simples que não despertava nenhuma admiração”[3]. Por que a normalidade da vida de Jesus constituía um motivo para não acreditar em sua divindade?

Embora possa aparecer algo alheio a nós, reservado a aqueles que conviveram com Cristo, na verdade nós também suspeitamos muitas vezes da normalidade. O que é especial, chamativo, extraordinário é que nos atrai; o que quebra o ritmo encanta-nos. Costuma acontecer que nossa capacidade de assombrar-nos adormece, que naturalmente acontecem muitas coisas, que nos fechamos em certas rotinas, passando por alto os milagres que se dão atrás da normalidade. Sem ir mais longe acostumamo-nos muitas vezes inclusive ao maior de todos eles, à presença do Filho de Deus na Eucaristia. O mesmo, porém, pode acontecer com nosso encontro pessoal com Cristo na oração, com essa serenata de jaculatórias à Virgem que é a recitação do santo rosário ou com os momentos em que queremos preencher nossa mente e nossos afetos com a doutrina cristã através da leitura espiritual. Habituamo-nos talvez a ter tão à mão nosso criador. O dispensador de todas as graças, o amor que satisfaz qualquer desejo, está encerrado numa infinidade de sacrários espalhados por todo o globo. Deus quis tornar presente toda sua onipotência nos espaços que a normalidade lhe oferece. É dali que ele atua. Assim, muitas vezes sem brilho, surgem inumeráveis milagres à nossa volta.

Nos bastidores do cotidiano

Essa normalidade de Deus pode desconcertar-nos porque a contrapomos a uma espontaneidade que talvez julguemos elemento essencial de uma relação. O que é normal pode parecer muito previsível porque nele falta aparentemente a criatividade, o fator surpresa, a paixão do amor verdadeiro. Achamos talvez falta de algo distintivo que faça de nossa relação com Deus uma aventura inigualável, única e irrepetível, um testemunho espetacular que possa inclusive mexer com outras pessoas. Podemos pensar que a normalidade uniformiza e desperdiça a contribuição que cada um pode dar. É verdade que, diante do que é sempre igual a reação compreensível é o habituar-se.

Sabemos, no entanto, que Deus convida-nos a encontrá-lo no que é mais comum, nas coisas de cada dia. Assim é também o amor humano, que cresce e se torna mais profundo não só se valendo de grandes momentos especiais e sim nesses silêncios, cansaços e incompreensões dos dias compartilhados; simplesmente estando juntos. “Há algo de santo, de divino, escondido nas situações mais comuns”[4] que gostaríamos de descobrir. Acontece que, embora nossa relação com Deus aconteça no meio da normalidade, a processão se dá interiormente. Seu amor apaixonado pode mover-se bem comodamente entre os bastidores da normalidade, no hoje sem espetáculo, sem fogos de artifício mas como brasas ardentes. A razão é que nós sabemos que estamos sendo olhados a cada momento, e com um carinho novo. Não importa a Deus o quão normal seja minha vida: é minha e isso lhe basta. Deus, de fato, oferece-nos a oportunidade de fazer de nossa vida algo excepcionalmente singular e especial; ele só sabe contar de um em um. Nunca faz comparações entre seus filhos. Chamou a cada um antes da criação do mundo (cfr. Ef 1,4): não existe ninguém igual a mim e, por isso, sou inimitável e absolutamente amável para Deus.

Os mimos parecem monótonos

Esse espaço de normalidade no qual o Senhor atua torna possível que nossa vida esteja, como diz São Paulo, “escondida com Cristo em Deus” (Col 3,3); cheia de dias iguais em que aparentemente não acontece nada e, no entanto, está acontecendo o mais inaudito. “Nesta constância para continuar em frente dia a dia, vejo a santidade da Igreja militante. Essa é muitas vezes a santidade ‘da porta do lado’”[5]. Poderia parecer de fora, que a monotonia tomou conta de quem procura viver essa santidade nas coisas normais. Para desmascarar essa visão superficial, no entanto, São Josemaria comparava os pequenos e constantes costumes de piedade dessa alma com os mimos que uma mãe tem com seu filho pequeno: “Plano de vida: monotonia? Os mimos de uma mãe, monótonos? Não dizem sempre a mesma coisa os que se amam?”[6]. Ao mesmo tempo, Deus está concentrado em nós e não deixa de pensar em nós nem de amar-nos em nenhum instante; não importa quão normal seja nossa vida, e sim que seja tão excepcional para ele.

São Bernardo de Claraval escrevia ao Papa Eugênio III, grande amigo seu que foi beatificado depois, para animá-lo a não descuidar a vida de oração constante e evitar assim ser absorvido pelas atividades de seu novo ministério: “Afasta-te das ocupações pelo menos durante algum tempo. Qualquer coisa menos permitir que elas te arrastem e te levem aonde não queres. Queres saber aonde? À dureza do coração”[7]. Sem algumas práticas de piedade concretas, diárias, o coração corre o perigo de fechar-se ao amor de Deus e tornar-se duro. Sem o seu carinho, até o mais santo pode perder o rumo. Sem Ele ao nosso lado, ficamos logo sem forças.

Em maio de 1936, São Josemaria estava dando uma palestra e propôs aos que escutavam que pedissem a “graça para cumprir o meu plano de vida de tal modo que aproveite bem o tempo. Por que me deito e levanto fora de horas?”[8]. E podemos perguntar: o que tem a ver o amor de Deus com a hora de ir descansar? Essa é a maravilha da normalidade de Deus. Importa-lhe, e muito, nosso sono, nossa saúde, nossos planos. E, sobretudo, não quer que fiquemos inquietos no fim do dia para tentar fazer mais coisas do que já foi feito, porque quem atua é sempre Deus.

Para garantir nossa liberdade

Ao começar seu pontificado, Bento XVI alertava contra um perigo constante e que talvez estivesse presente naquela sinagoga de Nazaré que mencionamos no começo: “O mundo é redimido pela paciência de Deus e destruído pela impaciência dos homens”[9]. A normalidade parece-nos sempre excessivamente lenta, talvez pensemos que chega tarde. Desejamos que as coisas boas e santas se realizem o quanto antes. Às vezes é difícil entender porque o bem tarda tanto a chegar, porque o Messias demora tanto tempo que inclusive “começa por estar nove meses no seio de sua mãe, como todo homem, com uma naturalidade extrema”[10].

Na realidade, com essa forma de aparecer, talvez o que Deus busque seja garantir a liberdade dos homens, estar seguro de que nós também queremos estar com ele, ora rezando alguns minutos, interrompendo nossas atividades para dedicar algumas palavras a Maria ou fazer qualquer outra coisa. Se Deus se manifestasse de modo diferente, nossa resposta teria que ser indiscutível. Por isso vemos que Jesus parece feliz passando despercebido nas cenas do evangelho. Os magos, por exemplo, devem ter ficado surpreendidos ao ver o rei dos judeus nos braços de uma mulher jovem, num lugar tão simples. Deus não quer subjugar os homens. A personalidade de seu Filho é tão atraente que Deus escolheu manifestar-se na normalidade para dar-nos um espaço de liberdade. Quer filhos livres, não deslumbrados. Sabe que nada nos estimula tanto como descobrir pessoalmente um tesouro escondido. Agradecer e desfrutar dessa liberdade - com todas as suas luzes e suas sombras - ajuda-nos a compartilhar sua paciência diante de tantas coisas que, à primeira vista, podem parecer um obstáculo para a redenção e constituem, no entanto, o caminho normal através do qual Deus se manifesta.

Por isso mesmo, seus mandamentos e suas normas são também um dom e um convite. Pode-se resumir esta realidade recorrendo a dois dos maiores pensadores da tradição cristã: “Continuando por esta linha, São Tomás de Aquino pôde dizer: ‘A nova Lei é a graça do Espírito Santo’; não uma norma nova, mas a interioridade nova dada pelo próprio Espírito de Deus. No fim, essa experiência espiritual da verdadeira novidade no cristianismo foi resumida por Agostinho nesta famosa fórmula: ‘Da quod iubes et iube quod vis – concedei o que mandais e depois mandai o que quiserdes’”[11]. Entendem-se bem então alguns parágrafos inflamados do salmista que podem nos servir para agradecer esta liberdade a Deus: “Com meus lábios proclamo todas as normas de tua boca. No caminho de teus preceitos deleito-me mais do que em todas as riquezas. Quero meditar teus mandatos e fixar o olhar em teus caminhos” (Sl 119, 13-15).

Deus está na normalidade

Vivemos numa época de fenômenos de massa, de pessoas que tem milhões de seguidores, fotos ou vídeos que se tornam virais em poucos minutos. Diante deste panorama, continua vigente o que dissemos sobre a normalidade na qual o Senhor atua? Não ignoramos que Deus é paciente e nos disse que a sua ação é como a do levedo: não se pode distingui-lo da massa e, apesar de seja lá o que for, chega a toda ela. Deus é o primeiro interessado em salvar o mundo, muito mais do que nós. De fato, é ele que impulsiona, que inflama e que sustenta. A nós, só cabe unir-nos a esse movimento de santidade: “Com a maravilhosa normalidade do divino, a alma contemplativa transborda em afã apostólico”[12].

O Papa Francisco convida-nos precisamente a deixar-nos invadir pela vibração apaixonada da graça: “Quanto bem nos faz ter, como Simeão, o Senhor ‘nos braços’ (Lc 2,28). Não só na cabeça e no coração, mas nas mãos, em tudo que fazemos: na oração, no trabalho, nas refeições, ao telefone, na escola, com os pobres, em toda parte. Ter o Senhor nas mãos é o antídoto contra o misticismo isolado e o ativismo desenfreado, porque o encontro real com Jesus endireita tanto o devoto sentimental como o frenético factótum. Viver o encontro com Jesus é também o remédio para a paralisia da normalidade, é abrir-se à cotidiana agitação da graça”[13]. Com Cristo queremos liberar-nos da paralisia de pensar que Deus não está na normalidade.

“Maria santifica as coisas mais pequenas - fazia notar São Josemaria - aquelas que muitos consideram erroneamente como intranscendentes e sem valor: o trabalho de cada dia, os pormenores de atenção com as pessoas queridas, as conversas e visitas por razões de parentescos ou de amizade. Bendita normalidade, que pode estar repassada de tanto amor de Deus! ”[14].

Diego Zalbidea


[1] Francisco, ex. ap. Amoris laetitia, n. 182.

[2] Bento XVI, A infância de Jesus, Editorial Planeta, São Paulo, 2012.

[3] Francisco, encíclica Laudato Si’, n. 98.

[4] São Josemaria, Entrevistas, n. 114.

[5] Francisco, ex. ap. Gaudete et exultate, n. 7.

[6] São Josemaria, Roteiro de uma palestra, 22/08/1938. Citado em Pedro Rodríguez, Edição Comentada de Caminho, Quadrante, São Paulo, 2014, p. 229.

[7] São Bernardo de Claraval, Carta ao Papa Beato Eugênio III.

[8] São Josemaria, Roteiro de uma palestra, 22/08/1938. Citado em Pedro Rodríguez, Edição Comentada de Caminho, Quadrante, São Paulo, 2014, p. 230.

[9] Bento XVI, Homilia, 24/04/2005.

[10] São Josemaria, E Cristo que passa, n. 148.

[11] Bento XVI, Jesus de Nazaré II, Planeta, São Paulo.

[12] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 120.

[13] Francisco, Homilia, 2/02/2018.

[14] São Josemaria, É Cristo que passa, n. 148.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Ano Novo: 5 motivos teológicos para não acreditar em superstições

Bildagentur Zoonar GmbH | Shutterstock

Cibele Battistini - publicado em 31/12/25

A fé católica, fundada na revelação divina e na razão iluminada pela graça, sempre se posicionou de forma clara contra a superstição.

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Embora práticas supersticiosas estejam culturalmente difundidas — como acreditar em “azar”, amuletos, horóscopos ou sinais místicos desvinculados de Deus — a Igreja ensina que tais atitudes contradizem a fé verdadeira. A seguir, apresentamos cinco motivos teologais que explicam por que um católico não deve aderir à superstição.

1 - A SUPERSTIÇÃO VIOLA O PRIMEIRO MANDAMENTO

O Primeiro Mandamento — “Amar a Deus sobre todas as coisas” — exige que toda confiança última esteja em Deus. A superstição, ao atribuir poder sobrenatural a objetos, rituais ou sinais, desloca essa confiança.

O Catecismo da Igreja Católica é explícito:

“A superstição é um desvio do culto que prestamos ao verdadeiro Deus” (Catecismo da Igreja Católica, n. 2111).

Quando alguém acredita que um objeto “traz sorte” ou que um gesto evita o mal independentemente da vontade divina, passa a atribuir poder salvífico a algo criado, o que se aproxima da idolatria.

2 - A SUPERSTIÇÃO CONTRADIZ A VIRTUDE TEOLOGAL DA FÉ

A fé teologal é a adesão livre e consciente à verdade revelada por Deus. Superstições não se baseiam na Revelação, mas no medo, na ignorância ou em tradições culturais sem fundamento teológico.

São Tomás de Aquino ensina que:

“A superstição é um vício oposto à religião, pois oferece culto indevido ou de modo indevido”
(Suma Teológica, II-II, q. 92, a. 1).

Assim, a superstição não é apenas um erro intelectual, mas um desvio moral que enfraquece a fé autêntica.

3 - A SUPERSTIÇÃO NEGA A PROVIDÊNCIA DIVINA

A fé católica professa que Deus governa todas as coisas com sabedoria e amor. Acreditar que acontecimentos dependem de “sorte”, “azar” ou forças ocultas é negar, ainda que implicitamente, a ação da Providência.

A Sagrada Escritura afirma:

“Todas as coisas concorrem para o bem daqueles que amam a Deus” (Rm 8,28).

Santo Agostinho criticava duramente a crença em presságios e sinais supersticiosos, afirmando que eles afastam o cristão da confiança filial em Deus.

4 - A SUPERSTIÇÃO INSTRUMENTALIZA O SAGRADO

No cristianismo, os sacramentos e sacramentais não são “amuletos”. Seu efeito depende da graça de Deus e da disposição interior do fiel, não de um automatismo mágico.

O Catecismo ensina:

“A atitude supersticiosa pode afetar até mesmo o culto que prestamos ao verdadeiro Deus, quando se atribui uma importância quase mágica a certas práticas” (CIC, n. 2111).

Usar objetos religiosos como proteção automática, sem fé, conversão ou vida sacramental, transforma o sagrado em instrumento mágico — algo incompatível com a teologia católica.

5 - A SUPERSTIÇÃO ESCRAVIZA O HOMEM AO MEDO, ENQUANTO A FÉ LIBERTA

Cristo veio libertar o ser humano do medo da morte, do mal e das forças ocultas. A superstição, ao contrário, alimenta ansiedade e dependência.

Jesus ensina:

“Não tenhais medo” (Mt 14,27).

São João Paulo II reforça essa ideia ao afirmar que a fé cristã é um encontro com Cristo vivo, não um sistema de ritos para controlar o destino.

A superstição não é uma simples “crendice inofensiva”, mas um desvio teológico que fere a fé, a razão e a liberdade do cristão. O católico é chamado a viver uma fé madura, centrada em Deus, iluminada pela razão e sustentada pela confiança na Providência.

Crer verdadeiramente é abandonar o medo e confiar plenamente naquele que é o Senhor da história.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

A Mensagem de Ano Novo da CNBB

A Mensagem de Ano Novo da CNBB (cnbb)

PRESIDÊNCIA DA CNBB ENCERRA O ANO COM MENSAGEM DE ESPERANÇA E ALERTA DIANTE DOS DESAFIOS DO PAÍS

29/12/2025

A poucos dias do fim do ano, a Presidência da CNBB dirige uma mensagem ao povo brasileiro marcada por esperança cristã e profunda preocupação com a realidade social, política e ética do país. Inspirados na passagem bíblica “a esperança não decepciona” (Rm 5,5), os bispos recordam o Natal como sinal de que nenhuma escuridão é definitiva e reafirmam a esperança como força transformadora da história.

O texto reconhece avanços importantes em 2025, especialmente nas áreas da saúde, com o fortalecimento do Sistema Único de Saúde; da economia, com queda do desemprego, estabilidade da inflação e crescimento do PIB; e da sustentabilidade, destacando a realização da COP-30 no Brasil, o protagonismo em energias renováveis e o aumento de investimentos em práticas ambientais, sociais e de governança. Também são citadas experiências positivas no campo da participação popular e do cooperativismo.

Ao mesmo tempo, a mensagem expressa inquietação diante de retrocessos éticos, sociais e democráticos. Entre os pontos criticados estão o elevado custo da dívida pública, o enfraquecimento da ética e o aumento da corrupção, a fragilização das instituições democráticas, a flexibilização de marcos legais, o desrespeito aos povos originários, as ameaças à proteção ambiental, a persistente desigualdade social, o crescimento da violência, especialmente o feminicídio, e a disseminação de discursos de ódio e radicalismos.

A presidência reafirma a sacralidade da vida humana, da concepção ao fim natural, manifestando-se contra qualquer iniciativa de legalização do aborto, e sublinham que defender a vida implica também combater a fome, a miséria e a desigualdade. A democracia é apresentada como patrimônio do povo brasileiro, que exige cuidado, diálogo e compromisso com o bem comum.

Por fim, a mensagem convoca a todos a serem construtores da paz, promotores da justiça e da responsabilidade social, reafirmando a esperança como caminho para a pacificação do país.

Confira (aqui) a mensagem na íntegra.

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Retrospectiva 2025: um ano de fé, encontro e esperança

Retrospectiva 2025 (Vatican News)

O vídeo revisita os momentos mais significativos do Ano Santo de 2025. O Papa Francisco abre a Porta Santa da Basílica de São Pedro na noite de Natal de 2024, dando início ao Jubileu. Em seguida, a doença do Pontífice, sua morte e o carinho das milhares de fiéis que participam de suas exéquias. O início do Conclave e a eleição do Papa Leão XIV como 267º sucessor de Pedro. Até a primeira viagem apostólica do Pontífice à Turquia e ao Líbano e às celebrações natalinas.

https://youtu.be/Tfl2qTs3Yz8

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

A Igreja no Brasil em 2025

Centenas de milhares de pessoas em luto comparecem ao funeral do papa Francisco na praça de São Pedro, no Vaticano, em 26 de abril de 2025. | Daniel Ibáñez/EWTN

Por Nathália Queiroz*

30 de dez de 2025 às 13:57

Em 2025, a Igreja no Brasil e no mundo viveu mudanças institucionais, perdas, celebrações e debates públicos, envolvendo decisões governamentais, a morte do papa Francisco, a eleição de Leão XIV, novos dados sobre religião no país, canonizações, consagrações nacionais e polêmicas envolvendo líderes religiosos.

1- Autorização de aborto em meninas de até 14 anos

Em 8 de janeiro entrou em vigor a resolução do Conanda, órgão do Ministério dos Direitos Humanos e Cidadania, que autoriza aborto em qualquer mês de gestação em meninas de até 14 anos vítimas de estupro. No ordenamento jurídico brasileiro, todo ato sexual com menor de 14 é um estupro presumido. A norma havia sido aprovada em 23 de dezembro de 2024 por 15 votos a 13.

2- Igreja no Brasil reza pela saúde do papa Francisco

Bispos e dioceses brasileiras rezaram pelo papa Francisco, internado por 38 dias em Roma por pneumonia bilateral, recebendo alta em 23 de março.

3- Frei Gilson lidera audiência digital e reúne multidões em eventos presenciais

Em março, frei Gilson Azevedo, padre dos Carmelitas Mensageiros do Espírito Santo, da diocese de Santo Amaro (SP), reuniu cerca de 1 milhão de pessoas para rezar online ao vivo às 4h no rosário da madrugada na Quaresma, gerando críticas e ataques de pessoas da esquerda.

Ele liderou a audiência digital no país com 153,8 milhões de horas assistidas em suas transmissões ao vivo e realizou eventos presenciais no Brasil e no exterior, incluindo encontro com 500 mil pessoas em João Pessoa em 27 de dezembro. Seus shows intercalam momentos de música, pregação baseada na Palavra de Deus e oração.

4- Morte do papa Francisco

O papa Francisco morreu em 21 de abril, aos 88 anos, de um acidente vascular cerebral. O Brasil decretou luto de sete dias no país e cerca de 200 mil pessoas participaram do funeral na praça de São Pedro, no Vaticano, no dia 26 de abril, incluindo o presidente Lula e uma comitiva, bispos e cardeais do país e brasileiros que estavam em Roma para a canonização de Carlo Acutis que seria no dia 27 de abril, mas foi adiada por causa da morte do papa.

4- Morre a irmã Inah Canabarro Lucas, a pessoa mais velha do mundo, aos 116 anos

A pessoa mais velha do mundo, a freira gaúcha, irmã Inah Canabarro Lucas, morreu no dia 30 de abril, aos 116 anos. Nascida em 27 de maio de 1908, Inah morava em Porto Alegre (RS), na Casa de Acolhida Santo Enrique de Ossó que fica junto à Casa Provincial das Irmãs Teresianas do Brasil, comunidade em que foi aceita aos 19 anos, em 1927.

5- Conclave e eleição do papa Leão XIV

O conclave para a eleição do novo papa começou no dia 7 de maio e teve a participação de seis cardeais eleitores do Brasil: cardeal Odilo Scherer, arcebispo de São Paulo (SP); cardeal Orani Tempesta, arcebispo do Rio de Janeiro (RJ); cardeal Sergio da Rocha, arcebispo de Salvador (BA); cardeal Paulo Cezar Costa, arcebispo de Brasília (DF); cardeal Leonardo Steiner, arcebispo de Manaus (AM); e cardeal Jaime Spengler, arcebispo de Porto Alegre (RS). O cardeal Robert Prevost, prefeito dom Dicastério para os Bispos, foi eleito no dia 8 de maio e tomou o nome Leão XIV. É o primeiro papa nascido nos EUA na história.

6- Censo 2022 mostra queda no número de católicos e aumento dos evangélicos e pessoas sem religião no Brasil

O mês de junho começou com a divulgação dos números do Censo Demográfico 2022 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O Censo 2022 mostrou que o número de católicos no Brasil é de 56,7%, uma queda de 8,4 pontos percentuais em relação a 2010. Os evangélicos aumentaram 5,2 pontos percentuais, chegando a 26,9% da população. Também houve aumento de 1,4 pontos percentuais dos que se declaram sem religião, chegando a 9,28%, e dos seguidores da umbanda e do candomblé, que são 1,05% da população.

7- Divino Pai Eterno é proclamado patrono de Goiás

Lei sancionada em Goiás reconheceu o Divino Pai Eterno como patrono do Estado. A devoção, que começou no século XIX, se tornou a maior manifestação religiosa do Centro-Oeste brasileiro e reúne milhões de pessoas todos os anos em Trindade (GO). A Romaria do Divino Pai Eterno é celebrada todos os anos, compreende dez dias e termina no primeiro domingo de julho.

8- Brasil é consagrado a São Miguel Arcanjo

Em12 de agosto, o Brasil foi consagrado a são Miguel Arcanjo no plenário do Congresso Nacional, com uma imagem peregrina oficial do arcanjo, vinda do Monte Gargano, na Itália. A imagem percorreu diversas regiões do país, levando a consagração de cidades e dioceses à proteção de são Miguel Arcanjo. A iniciativa foi promovida pelo Instituto Hesed em parceria com o bispo de Piracicaba (SP), dom Devair Araújo Fonseca.

9 – Canonização de Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassatti

A canonização ocorreu em 7 de setembro, no Vaticano. No Brasil, a cerimônia foi acompanhada ao vivo na Paróquia São Carlo Acutis, na diocese de Santo Amaro (SP), que fica no campus do Centro Universitário Ítalo Brasileiro e na capela Nossa Senhora Aparecida e São Carlo Acutis, em Campo Grande (MS), onde ocorreu o milagre que permitiu a beatificação de Carlo Acutis.  Na capital sul-mato-grossense, 4,5 mil pessoas participaram das celebrações.

O Santuário Cristo Redentor, no Rio de Janeiro (RJ), projetou uma imagem de Carlo Acutis para homenagear o novo santo.

10- Brasil ganha primeiro santuário do mundo dedicado a são Carlo Acutis

Em 12 de outubro, a capela Nossa Senhora Aparecida e São Carlo Acutis, em Campo Grande, foi elevada a santuário, o primeiro do mundo dedicado ao santo.

11- Igreja na COP 30

COP 30, Conferência das Partes signatárias do tratado da Organização das Nações Unidas (ONU) para combate às mudanças climáticas que aconteceu em Belém (PA) de 10 a 21 de novembro e reuniu representantes de 194 países e da União Europeia. O secretário de Estado da Santa Sé, cardeal Pietro Parolin, participou com uma comitiva vaticana.

Cardeais apresentaram na COP o documento  “Um chamado por justiça climática e a casa comum: conversão ecológica, transformação e resistência às falsas soluções” no qual condenaram o capitalismo  ‘capitalismo verde’, a mineração e o ‘monocultivo energético’. Eles também exigiram uma transformação econômica radical.

A Igreja também organizou atividades paralelas à COP para conscientizar sobre o cuidado com a casa comum e discutir sobre a ecologia integral e a justiça climática.

12- Padre Júlio Lancellotti é proibido de transmitir missas e usar redes sociais

Outro episódio de repercussão no país foi a determinação do arcebispo de São Paulo, cardeal Odilo Scherer, proibindo o padre Júlio Lancellotti, pároco de São Miguel Arcanjo, na Mooca, de transmitir missas e de se manifestar nas redes sociais. O anúncio foi feito pelo padre Júlio em 14 de dezembro. O padre disse aceitar a decisão com “espírito de obediência”.

A primeira missa do padre depois da proibição do arcebispo teve protesto dos participantes contra dom Odilo.

*Escrevo para a ACI Digital há nove anos e desde 2023 sou correspondente no Brasil para o telejornal EWTN Notícias. Sou certificada em espanhol pelo Instituto Cervantes. Tenho experiência em redação de conteúdo religioso para mídias católicas em português e espanhol e em tradução de sites religiosos. Sou casada, tenho quatro filhos e sou catequista há cerca de 20 anos. Escrevo de Petrópolis (RJ).

Fonte: https://www.acidigital.com/

“Te Deum” não é só para o dia 31 de dezembro!

CC | ALETEIA

Reportagem local - publicado em 03/01/18 - atualizado em 30/12/25

Hino de ação de graças mais célebre da Igreja é para rezarmos todos os dias.

Te Deum laudamus“, em latim, quer dizer “Nós Vos louvamos [como] Deus“. Trata-se da primeira afirmação de um hino católico do Ofício de Leituras da Liturgia das Horas e entoado em eventos solenes de ação de graças. O hino ficou conhecido pelas duas primeiras palavras do primeiro verso: “Te Deum“, mantido como título inclusive na maioria das traduções para os diversos idiomas.

A autoria do hino é atribuída tradicionalmente a Santo Ambrósio e a Santo Agostinho, por ocasião do batismo deste último pelo primeiro, em 387, na catedral de Milão. Algumas correntes, no entanto, o atribuem a Santo Hilário ou, mais recentemente, ao bispo Nicetas de Remesiana.

É tradicional cantá-lo ou rezá-lo no último dia do ano, em agradecimento por todas as bênçãos recebidas de Deus.

No entanto, o “Te Deum” pode ser rezado todos os dias – e é muito aconselhável que o seja, pois a ação de graças é uma das formas de oração que mais nos fazem progredir espiritualmente, fazendo-nos reconhecer a Bondade, a Beleza e a Verdade do Criador que se manifestam em nossa vida, apesar de quaisquer adversidades.

Eis o texto do cântico, em seu original latino e numa das traduções mais usadas em português.

Em latim: “Te Deum laudamus”

Te Deum laudamus: te Dominum confitemur.
Te æternum Patrem omnis terra veneratur.
Tibi omnes Angeli; tibi cæli et universæ Potestates;
Tibi Cherubim et Seraphim incessabili voce proclamant:
Sanctus, Sanctus, Sanctus, Dominus Deus Sabaoth.
Pleni sunt cæli et terra maiestatis gloriæ tuæ

Te gloriosus Apostolorum chorus,
Te Prophetarum laudabilis numerus,
Te Martyrum candidatus laudat exercitus.
Te per orbem terrarum sancta confitetur Ecclesia,
Patrem immensæ maiestatis:

Venerandum tuum verum et unicum Filium;
Sanctum quoque Paraclitum Spiritum.

Tu Rex gloriae, Christe.
Tu Patris sempiternus es Filius.
Tu ad liberandum suscepturus hominem,
non horruisti Virginis uterum.

Tu, devicto mortis aculeo,
aperuisti credentibus regna caelorum.
Tu ad dexteram Dei sedes, in gloria Patris.
Iudex crederis esse venturus.

Te ergo quaesumus, tuis famulis subveni:
quos pretioso sanguine redemisti.
Aeterna fac cum sanctis tuis in gloria numerari.

(Adicionado posteriormente, contendo trechos do Salmos:)

Salvum fac populum tuum, Domine, et benedic hereditati tuae.
Et rege eos, et extolle illos usque in aeternum.
Per singulos dies benedicimus te;
Et laudamus Nomen tuum in saeculum, et in saeculum saeculi.
Dignare, Domine, die isto sine peccato nos custodire.

Miserere nostri Domine,
miserere nostri.
Fiat misericordia tua, Domine, super nos,
quemadmodum speravimus in te.
In te, Domine, speravi: non confundar in aeternum.

Em português: “A Vós, ó Deus, louvamos”

A Vós, ó Deus, louvamos e por Senhor nosso Vos confessamos.
A Vós, ó Eterno Pai, reverencia e adora toda a Terra.
A Vós, todos os Anjos, a Vós, os Céus e todas as Potestades;
A Vós, os Querubins e Serafins com incessantes vozes proclamam:
Santo, Santo, Santo é o Senhor Deus dos Exércitos!
Os Céus e a Terra estão cheios da vossa glória e majestade.

A Vós, o glorioso coro dos Apóstolos,
A Vós, a respeitável assembleia dos Profetas,
A Vós, o brilhante exército dos mártires engrandece com louvores!
A Vós, Eterno Pai, Deus de imensa majestade,

Ao Vosso verdadeiro e único Filho, digno objecto das nossa a adorações,
Do mesmo modo ao Espírito Santo, nosso consolador e advogado.

Vós sois o Rei da Glória, ó meu Senhor Jesus Cristo!
Vós sois Filho sempiterno do vosso Pai Omnipotente!
Vós, para vos unirdes ao homem e o resgatardes
não Vos recusastes a entrar no casto seio duma Virgem!

Vós, vencedor do estímulo da morte,
abristes aos fiéis o Reino dos Céus,
Vós estais sentado à direita de Deus,
no glorioso trono do vosso Pai!
Nós cremos e confessamos firmemente
que de lá haveis de vir a julgar no fim do mundo.

A Vós portanto rogamos que socorrais os vossos servos
a quem remistes com o Vosso preciosíssimo Sangue.
Fazei que sejamos contados na eterna glória,
entre o número dos Vossos Santos.

Salvai, Senhor, o vosso povo e abençoai a vossa herança,
E regei-os e exaltai-os eternamente para maior glória vossa.
Todos os dias Vos bendizemos
E esperamos glorificar o vosso nome agora e por todos os séculos.
Dignai-Vos, Senhor, conservar-nos neste dia e sempre sem pecado.

Tende compaixão de nós, Senhor,
compadecei-Vos de nós, miseráveis.
Derramai sobre nós, Senhor, a vossa misericórdia,
pois em Vós colocamos toda a nossa esperança.
Em Vós, Senhor, esperei, não serei confundido.

Entoado como canto gregoriano

Ouça em oração esta interpretação do “Te Deum” como canto gregoriano:

https://youtu.be/c_gcJc1MmCQ

Fonte: https://pt.aleteia.org/

Vaticano: mais de três milhões de participantes nas audiências e celebrações em 2025

Fiéis na Praça São Pedro para a oração do Angelus  (@VATICAN MEDIA )

Dados divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia indicam mais de 250 mil participantes até abril, levando em consideração a hospitalização do Papa Francisco a partir de 14 de fevereiro e a subsequente distribuição dos textos do Angelus e das Audiências Gerais pela Sala de Imprensa da Santa Sé, mesmo após seu retorno a Santa Marta. Desde maio, após a eleição de Leão XIV, a participação foi de quase três milhões de fiéis.

Vatican News

Em 2025, 3.176.620 fiéis participaram de audiências e celebrações litúrgicas no Vaticano. Os dados, divulgados pela Prefeitura da Casa Pontifícia, incluem Audiências Gerais e jubilares, audiências especiais, celebrações litúrgicas e orações do Angelus.

Presença durante o pontificado do Papa Francisco

De janeiro a abril, durante o pontificado do Papa Francisco, um total de 262.820 pessoas compareceram: 60.500 nas oito audiências gerais e jubilares, 10.320 nas audiências especiais, 62.000 nas celebrações litúrgicas e 130.000 nas orações do Angelus. Na leitura desses números devem ser levados em consideração a hospitalização do Papa Francisco no Hospital Gemelli, que começou em 14 de fevereiro, e seu retorno a Santa Marta. Durante esse período, os textos das audiências gerais e do Angelus foram divulgados exclusivamente pela Sala de Imprensa da Santa Sé.

Presença desde a eleição do Papa Leão XIV

Desde a eleição do Papa Leão XIV para a Cátedra de Pedro, em 8 de maio, até o final do ano, a presença total foi de 2.913.800 pessoas. Especificamente, 1.069.000 pessoas participaram das 36 audiências gerais e jubilares, 148.300 nas audiências especiais, 796.500 nas celebrações litúrgicas e 900.000 nas orações do Angelus. Dezembro registrou o maior número de presença na oração mariana, com aproximadamente 250.000 participantes, enquanto outubro teve o pico de presença tanto nas celebrações litúrgicas (aproximadamente 200.000) quanto nas audiências gerais e jubilares (aproximadamente 295.000).

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

Tudo seria melhor se o Natal não fosse um dia…

Sagrada Família de Nazaré | Sagrado Coração de Jesus (Facebook)

TUDO SERIA MELHOR SE O NATAL NÃO FOSSE UM DIA… 

29/12/2025

Dom Itacir Brassiani
Bispo de Santa Cruz do Sul (RS)

Muitos sabem de cor essa simples e bela canção do Padre Zezinho, lançada há meio século atrás. Os versos continuam assim: “…Se as mães fossem Maria, e os pais fossem José; e a gente parecesse com Jesus de Nazaré”. Na verdade, celebramos no dia de Natal um acontecimento perene e grávido de consequências: a encarnação do Filho de Deus. 

Por isso, o Natal de Jesus está longe de ser apenas um fervilhante evento comercial, uma colheita sazonal e abundante do turismo ou um espetáculo cultural repleto de luzes coloridas, anjos barrocos e sons harmoniosos. Também não se resume à recordação piedosa de um fato circunscrito a um casal hebreu e a uma aldeia do império romano. 

O que as celebrações natalinas, oferecidas anualmente pelas Igrejas cristãs, querem lembrar é que Deus e a criatura humana não se opõem; que o céu e a terra não são realidades paralelas; que a história é o lugar onde germinam as sementes da eternidade; que a justiça dá as mãos à compaixão; que a vida humana e terrena é a morada de Deus. 

Assim, o nascimento de Jesus, ocorrido no ano zero da era cristã, também não se esgota na piedade individual, celebrada na intimidade dos lares ou no interior dos templos. O Natal é muito mais que a celebração do “aniversário de Jesus”. A memória desse fato divide em dois e fecunda o tempo histórico e repercute nas relações humanas e sociais. 

Não é por acaso que a narração de Lucas insere este acontecimento na moldura política do império Romano no Oriente Médio (quando o imperador César Augusto ordenou um recenseamento e Quirino era governador da Síria; cf. Lucas 2,1-2), e Mateus o situa no tempo em que o rei Herodes governava a Judéia (cf. Mateus 2,1-3). O que isso tem a ver? 

Numa região e num tempo marcados pelo medo, aumentado pela presença do exército romano, aquele discreto nascimento ocorrido na periférica Belém significou coragem e alegria para os pastores e todo o povo, paz para os amados e amadas de Deus, esperançosa peregrinação para os pagãos. E, também, grande inquietação para Herodes. 

Nós acolhemos o filho de José e de Maria como Filho e Enviado de Deus para “anunciar o Evangelho aos pobres, proclamar a liberdade aos presos e aos cegos a visão, para pôr em liberdade os oprimidos e proclamar um ano do agrado do Senhor” (Lucas 4,18-19). E o reconhecemos como salvação e luz para todos os povos. Mas também, desde sempre, como pedra de tropeço para muitos (cf. Lucas 2,29-35). 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Leão XIV: os cristãos que vivem em meio às guerras sejam sementes de paz

Pelos cristãos em contexto de conflito, dezembro 2025 (Vatican News)

Na mensagem de vídeo com a intenção de oração para o mês de dezembro, divulgada nas vésperas da viagem do Papa Leão à Turquia e ao Líbano, o Santo Padre convida a rezar pelas comunidades cristãs que vivem em regiões de guerra ou de conflito. O Pontífice as convida a não sentirem-se abandonadas e a serem “sementes de paz, de reconciliação e de esperança”.

https://youtu.be/W2S9AgoaS8g

Vatican News

Nas vésperas de sua primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano, o Papa Leão XIV convida a rezar pelas minorias cristãs que vivem em contextos de guerra, na intenção de oração deste mês de dezembro.

O Santo Padre inicia, assim, a última intenção de oração do ano, divulgada nesta quarta-feira (26/11):

“Rezemos para que os cristãos que vivem em contextos de guerra ou de conflito, especialmente no Oriente Médio, possam ser sementes de paz, reconciliação e esperança.”

Ele mesmo o faz por primeiro, rezando uma oração ao “Deus da paz”, no vídeo produzido e divulgado pela Rede Mundial de Oração do Papa, com a colaboração do Vatican Media.

Os cristãos “que vivem em meio a guerras e violência” não se sintam nunca abandonados: “Mesmo cercados pela dor”, disse o Papa, “nunca deixem de sentir a gentil bondade” da presença de Deus “e as orações de seus irmãos e irmãs na fé”.

“Pois somente por Ti, e fortalecidos pelos laços fraternos, podem tornar-se sementes de reconciliação, construtores de esperança em pequenos e grandes gestos, capazes de perdoar e seguir adiante, de superar divisões e de buscar a justiça com misericórdia.”

Mesmo naquelas partes do mundo onde a guerra parece ser única lei, “onde a harmonia parece impossível”, os cristãos são chamados a ser “instrumentos de paz”. E não somente os que vivem naqueles lugares, mas todos nós, porque Jesus “chamou bem-aventurados os que promovem a paz”, disse ainda o Papa, acrescentando:

“Espírito Santo, fonte de esperança nas horas mais sombrias, sustentai a fé dos que sofrem e fortalecei a sua esperança. Não permitas que caiamos na indiferença, e fazei de nós construtores da unidade, como Jesus. Amém.”

A fé em meio aos escombros

A intenção de oração deste mês e a primeira viagem apostólica do Papa Leão XIV se concentram numa das áreas mais instáveis do mundo do ponto de vista político, econômico e da segurança. Segundo o Relatório 2025 sobre a liberdade religiosa da Fundação Ajuda à Igreja que Sofre, o número dos conflitos nas regiões médio-orientais e as condições socioeconômicas expõem as minorias religiosas, particularmente os cristãos, a uma condição de extrema vulnerabilidade. Na Palestina, a população está exaurida após dois anos de guerra e muitas igrejas se tornaram refúgios para as famílias sem casa. No Líbano, a grave crise econômica obrigou uma enorme quantidade de pessoas a fugir, esvaziando paróquias e escolas. No Iraque e na Síria, a reconstrução se realiza em meio ao cansaço entre instabilidade política, insegurança e falta de perspectiva para os jovens. Mas, apesar de tudo isso, as pequenas comunidades continuam a resistir, guardando a fé, servindo aos pobres e construindo pontes de convivência com seus vizinhos de outras religiões.

As imagens que acompanham a oração feita pelo Papa nos apresentam exatamente isso, mostrando exemplos de uma fé firme e inquebrantável em meio aos escombros e destroços. São celebrações nos vilarejos iraquianos que voltaram a reunir-se depois da guerra, a força extraordinária da comunidade paroquial de Gaza mesmo nos dias de bombardeios, o trabalho indispensável da Caritas do Líbano entre os pobres e os refugiados dos Países vizinhos, o oásis de espiritualidade oferecido pelos mosteiros sírios: todos sinais da presença daquele Espírito Santo que – como diz a oração feita pelo Papa – é “fonte de esperança nas horas mais sombrias”.

De Francisco a Leão

“As condições dos cristãos nos contextos de conflito é uma preocupação constante no coração do sucessor de Pedro”, afirma pe. Cristóbal Fones, diretor internacional da Rede Mundial de Oração do Papa. “Nos últimos anos, o Papa Francisco tinha confiado muitas vezes à oração da Igreja universal o sofrimento e o testemunho dos cristãos que vivem em situações e contextos difíceis. Pediu para rezar, por exemplo, pelos cristãos perseguidos, pelo diálogo e a reconciliação no Oriente Médio, pelas comunidades religiosas discriminadas e perseguidas, pelos novos mártires, testemunhas de Cristo.

O Papa Leão XIV retoma esta herança, coincidindo com sua primeira viagem apostólica à Turquia e ao Líbano. O seu convite de oração é um gesto de proximidade e de esperança: um modo para dizer aos cristãos da Palestina, Líbano, Síria, Iraque e de tantos outros Países que não estão esquecidos, que a Igreja universal caminha com eles; mas também para recordar a todos nós que a fé cresce mesmo em meio às provações e dificuldades, e que das comunidades feridas podem nascer sementes de reconciliação e de paz.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

segunda-feira, 29 de dezembro de 2025

A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

A igreja mais antiga do mundo foi encontrada: onde fica, como é e como você pode visitá-la?

Para a Igreja Católica na Nigéria, o incidente reabre questões dolorosas sobre a segurança das instituições religiosas e o cuidado pastoral com as comunidades traumatizadas. Bispos e clérigos têm alertado repetidamente que escolas e paróquias estão cada vez mais vulneráveis, mesmo continuando a servir populações com poucas alternativas.

23 DE DEZEMBRO DE 2025, 17H45 - SALA DE IMPRENSA ZENIT

(ZENIT News / Aqaba, 23 de dezembro de 2025) – Às margens do Mar Vermelho, em uma cidade hoje mais conhecida por seu comércio e turismo, um capítulo inesperado da história cristã ressurgiu. Em Aqaba, no sul da Jordânia, um sítio arqueológico estudado há muito tempo por especialistas foi oficialmente aberto ao público: as ruínas de uma igreja que data do final do século III, amplamente considerada o mais antigo local de culto cristão construído especificamente para fins religiosos.

A cerimônia de inauguração, realizada em 15 de dezembro, teve repercussões que se estenderam muito além do âmbito arqueológico. Pela primeira vez desde o devastador terremoto que atingiu a região em 363, orações e cânticos litúrgicos ecoaram novamente dentro de muros que antecedem a legalização do cristianismo no Império Romano. Representantes da monarquia jordaniana, patriarcados cristãos e líderes religiosos reuniram-se no mesmo local onde os fiéis se encontravam em uma época em que o culto público cristão ainda era legalmente precário.

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

O Ministro do Turismo da Jordânia, Emad Hijazin, inaugurou o local em nome do Rei Abdullah II, enfatizando a dupla importância do evento. Segundo ele, o sítio arqueológico reflete não apenas a herança cultural da Jordânia, mas também o compromisso contínuo do país em salvaguardar seu diversificado legado religioso. Aqaba, conhecida na antiguidade como Aila, vem sendo cada vez mais apresentada não apenas como um destino litorâneo, mas como um lugar onde a história espiritual permanece palpável.

A liturgia celebrada durante a cerimônia foi presidida pelo Arcebispo Christoforos de Kyriakoupolis, representante do Patriarcado Ortodoxo Grego de Jerusalém, marcando um momento de continuidade simbólica. Os líderes religiosos presentes enfatizaram a importância de restaurar o culto a um espaço que outrora serviu a uma comunidade cristã décadas antes do Édito de Milão, que concedeu a liberdade religiosa em 313.

Descoberta em 1998 por uma equipe liderada pelo arqueólogo americano Thomas Parker, a igreja foi construída entre aproximadamente 293 e 303 d.C., durante o reinado do imperador Diocleciano. Ao contrário dos locais de encontro cristãos anteriores — muitas vezes residências particulares adaptadas, conhecidas como domus ecclesiae — a estrutura de Aqaba foi construída desde os alicerces como uma igreja. Seu formato de basílica, com uma nave central, naves laterais e uma abside voltada para o leste, indica uma comunidade que já era litúrgica e organizacionalmente madura.

Descobertas arqueológicas no local, incluindo lâmpadas de vidro, cerâmica, moedas romanas e cemitérios próximos ligados à mesma comunidade, ajudaram a confirmar sua datação. Pequenos fragmentos de metal, interpretados como partes de uma cruz de bronze, reforçam ainda mais sua identidade cristã. Notavelmente, o edifício sobreviveu a períodos de perseguição e continuou em uso durante a era de um império cristianizado, até que um desastre natural pôs fim abruptamente à sua função.

A igreja de Aqaba é anterior a monumentos cristãos icônicos como a Igreja do Santo Sepulcro em Jerusalém e a Basílica da Natividade em Belém. Sua importância lhe rendeu o reconhecimento no Guinness Book of World Records como a igreja mais antiga do mundo construída especificamente para o culto cristão, oferecendo uma perspectiva única sobre as décadas formativas da vida da igreja no mundo romano oriental.

Um Sítio Arqueológico Estudado Há Muito Tempo Por Acadêmicos Foi Aberto Ao Público. Foto: Visit Jordan

Nos últimos anos, as autoridades jordanianas, em colaboração com parceiros internacionais, realizaram um trabalho de conservação meticuloso. As paredes de tijolos de barro foram estabilizadas e um telhado protetor foi instalado para salvaguardar as ruínas dos danos causados ​​pelo clima. O sítio restaurado foi agora incorporado às rotas de peregrinação e turismo cultural da Jordânia, conectando a geografia bíblica com as evidências arqueológicas.

Para o bispo Iyad Twal, vigário do Patriarcado Latino de Jerusalém, na Jordânia, a reabertura da igreja é uma lembrança do papel histórico do país como encruzilhada de religiões. A Jordânia, afirmou ele, continua a representar um modelo de coexistência, onde as comunidades cristã e muçulmana compartilham uma herança comum enraizada no respeito e na continuidade.

Além de seu valor histórico, a igreja de Aqaba dialoga silenciosamente com o presente. Ela evoca uma época em que a identidade cristã se forjou sem proteção legal, sustentada por pequenas comunidades cuja fé sobreviveu tanto a impérios quanto a terremotos. O local oferece mais do que um vislumbre do passado: é um testemunho de uma fé que tomou forma arquitetônica antes de obter o favor imperial e que continua a encontrar um lar nessas terras séculos depois.

Fonte: https://es.zenit.org/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF