Na Audiência Geral, o Papa prosseguiu com o ciclo de
catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II, refletindo sobre a
Constituição Dogmática "Lumen Gentium", sobre a Igreja. Leão XIV
recordou que a Lumen Gentium nos ajuda a "compreender a relação entre a
ação unificadora da Páscoa de Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e
ressurreição, e a identidade da Igreja".
Mariangela Jaguraba - Vatican News
Na catequese da Audiência Geral, desta quarta-feira (18/02),
realizada na Praça São Pedro, o Papa Leão XIV refletiu sobre a Constituição
Dogmática Lumen Gentium, sobre a Igreja, continuando o ciclo de
catequeses sobre os documentos do Concílio Vaticano II.
Aprovada em 21 de novembro de 1964, a Constituição
Dogmática Lumen Gentium recorreu ao termo "mistério"
das Epístolas de São Paulo. "Ao escolher este termo", o Apóstolo dos
Gentios "não quis dizer que a Igreja seja algo obscuro ou
incompreensível", mas ao usar esta palavra, "sobretudo na Carta aos
Efésios", São Paulo "pretende indicar uma realidade que antes estava
oculta e que agora foi revelada", frisou o Papa.
Unificar todas as criaturas
"Este é o plano de Deus, que tem um propósito: unificar
todas as criaturas através da ação reconciliadora de Jesus Cristo, ação essa
consumada na sua morte na cruz", disse Leão XIV, ressaltando que
experimentamos isso "na assembleia reunida para a celebração
litúrgica".
“Lá, as diferenças são
relativizadas; importa é estarmos juntos porque somos atraídos pelo Amor de
Cristo, que derrubou o muro da separação entre pessoas e grupos sociais. Para
São Paulo, o mistério é a manifestação daquilo que Deus quis realizar para toda
a humanidade e revela-se nas experiências locais, que se expandem gradualmente
para incluir todos os seres humanos e até o cosmos.”
Sentir-se chamado por Deus
"A condição da humanidade é uma fragmentação que os
seres humanos são incapazes de remediar, embora o anseio pela unidade habite
nos seus corações", frisou ainda o Papa. "É nesta condição que entra
em ação a obra de Jesus Cristo, que, pelo Espírito Santo, vence as forças da
divisão e o próprio Divisor", sublinhou ainda Leão.
“Reunir-se para rezar, tendo
acreditado no anúncio do Evangelho, é vivido como uma atração exercida pela
cruz de Cristo, que é a manifestação suprema do amor de Deus; é sentir-se
chamado por Deus: por isso se usa o termo ekklesia, isto é, uma assembleia de
pessoas que se reconhecem como tendo sido chamadas. Assim, há uma certa
coincidência entre este mistério e a Igreja: a Igreja é o mistério que se torna
percetível.”
A Igreja como sacramento
De acordo com o Papa, "este chamado, por ser
realizado por Deus, não pode limitar-se a um grupo de pessoas, mas destina-se a
tornar-se uma experiência para todos os seres humanos". Por isso, o
Concílio Vaticano II, no início da Constituição Lumen Gentium,
afirma: «A Igreja, em Cristo, é como que o sacramento, ou sinal, e o
instrumento da íntima união com Deus e da unidade de todo o gênero humano».
“Com o uso do termo
“sacramento” e a consequente explicação, pretende-se indicar que a Igreja é, na
história da humanidade, uma expressão daquilo que Deus deseja realizar; por
isso, ao contemplá-la, apreende-se, em certa medida, o plano de Deus, o mistério:
neste sentido, a Igreja é um sinal.”
"Além disso, acrescenta-se ao termo “sacramento” o
termo “instrumento”, para indicar que a Igreja é um sinal ativo. De
fato, quando Deus age na história, envolve na sua atividade as pessoas que são
receptoras da sua ação. É através da Igreja que Deus alcança o objetivo de unir
as pessoas a si e de as reunir entre si", destacou.
"A união com Deus encontra o seu reflexo na união
das pessoas humanas. Esta é a experiência da salvação", disse ainda o
Papa, ressaltando que não é por acaso que no número 48 do capítulo VII da Lumen
Gentium, dedicado à natureza escatológica da Igreja peregrina, se descreve
novamente a Igreja "como sacramento, com a especificação de
salvação".
Sinal de unidade e reconciliação entre os povos
O Papa finalizou, dizendo que a Lumen Gentium nos
ajuda a "compreender a relação entre a ação unificadora da Páscoa de
Jesus, que é o mistério da sua paixão, morte e ressurreição, e a identidade da
Igreja".
“Ao mesmo tempo, faz-nos
sentir gratos por pertencermos à Igreja, o corpo de Cristo ressuscitado e o
único povo de Deus em peregrinação através da história, que vive como uma
presença santificadora no meio de uma humanidade ainda fragmentada, como um sinal
efetivo de unidade e reconciliação entre os povos.”

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