PALAVRA DO PASTOR
O Amor é a Plenitude da Lei
VI Domingo do Tempo Comum (A)
14/02/2026
Cardeal Paulo Cezar Costa
Arcebispo de Brasília
Bento XVI nos ajuda a entrarmos no mistério do Evangelho
deste domingo (Mt 5, 17-37). Diz ele: “Na Liturgia deste domingo continua a
leitura do chamado ‘Sermão da montanha’ de Jesus, que ocupa os capítulos 5, 6 e
7 do Evangelho de Mateus. Depois das ‘Bem-Aventuranças’, que são o seu programa
de vida, Jesus proclama a nova Lei, a sua Tora, como lhe
chamam os nossos irmãos judeus. Com efeito, com a sua vinda o Messias devia
trazer também a revelação definitiva da Lei, e é precisamente isso que Jesus
declara: ‘Não julgueis que vim abolir a Lei ou os Profetas. Não vim para os
abolir, mas sim para os levar à perfeição’. E, dirigindo-se aos seus
discípulos, acrescenta: ‘Se a vossa justiça não for maior que a dos escribas e
fariseus, não entrareis no Reino dos Céus’ (Mt 5, 17.20). Em que
consiste essa ‘plenitude’ da Lei de Cristo, essa justiça ‘superior’ que Ele
exige?
“Jesus explica-o mediante uma série de antíteses entre os
mandamentos antigos e o seu modo de os repropor. Cada vez começa: ‘Ouvistes o
que foi dito aos antigos…’, e então afirma: ‘Mas Eu vos digo…’. Por exemplo:
‘Ouvistes o que foi dito aos antigos: ‘Não matarás, mas
quem matar será castigado pelo juízo do tribunal’. Mas Eu vos digo: ‘todo
aquele que se irar contra seu irmão será castigado pelos juízes’’ (Mt 5,
21-22). E assim por seis vezes. Esse modo de falar causava grande impressão no
povo, que permanecia assustado, porque aquele ‘Eu vos digo’ equivalia a
reivindicar para si a mesma autoridade de Deus, fonte da Lei. A novidade de
Jesus consiste, essencialmente, no fato de que Ele mesmo ‘completa’ os
mandamentos com o amor de Deus, com a força do Espírito Santo que habita nele.
E nós, através da fé em Cristo, podemos abrir-nos à obra do Espírito Santo, que
nos torna capazes de viver o amor divino. Por isso, cada preceito se torna
verdadeiro, como exigência de amor, e todos convergem num único mandamento: ama
a Deus com todo o coração, e ao teu próximo como a ti mesmo. ‘A caridade é o
pleno cumprimento da lei’, escreve são Paulo (Rm 13, 10). […] Caros
amigos, talvez não seja ocasional que a primeira grande pregação de Jesus se
chame ‘Sermão da montanha’! Moisés subiu ao monte Sinai para receber a Lei de
Deus e levá-la ao Povo eleito. Jesus é o Filho do próprio Deus que desceu do
Céu para nos levar ao Céu, à altura de Deus, pelo caminho do amor. Aliás, Ele
mesmo é esse caminho: só devemos segui-lo, para cumprir a vontade de Deus e
entrar no seu Reino, na vida eterna”. (Bento XVI, Angelus de
13 de fevereiro de 2011).
Jesus nos propõe superar o texto da lei nos colocando numa
dinâmica nova do Espírito, onde não se vive o legalismo da lei, vai-se muito
além, vive-se na dinâmica do amor. Só o amor pode fazer superar o legalismo.
Por isso, a reconciliação com o irmão e os sentimentos contra o irmão são
fundamentais. A interioridade, de onde nascem os desejos santos, mas também os
atos desordenados, é colocada no centro, pois é a consciência que deve ser boa,
bem formada.

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