O Papa: façamos ouvir o grito de paz que brota do
coração. Em 11 de abril, uma vigília de oração
Após celebrar a Missa da Ressurreição na Praça São Pedro, o
Papa Leão XIV dirigiu à Cidade de Roma e ao Mundo a sua Mensagem de Páscoa.
Disse a "quem tem armas nas mãos, que as deponha"! " A quem tem
o poder de desencadear guerras, que opte pela paz"! Convidou todos a
unirem-se a ele na vigília de oração pela paz que será realizada, na Basílica
de São Pedro, no próximo sábado, 11 de abril.
Mariangela Jaguraba – Vatican News
Em sua mensagem Urbi et Orbi, à Cidade de Roma e ao Mundo,
proferida da sacada central da Basílica de São Pedro, neste domingo pascal
(05/04), o Papa Leão XIV recordou que "a Páscoa é uma vitória: da vida
sobre a morte, da luz sobre as trevas, do amor sobre o ódio".
"Uma vitória a um preço muito alto", disse ele,
pois "Cristo, o Filho do Deus vivo, teve de morrer, e morrer numa cruz,
depois de ter sofrido uma condenação injusta, de ter sido ridicularizado e
torturado, e de ter derramado todo o seu sangue. Como verdadeiro Cordeiro
imolado, tomou sobre si o pecado do mundo e assim nos libertou a todos do
domínio do mal, e conosco também a criação".
Jesus percorreu até o fim o caminho do diálogo
"Mas como é que Jesus venceu? Com que força derrotou de
uma vez para sempre o antigo adversário, o príncipe deste mundo? Com que poder
ressuscitou dos mortos, não regressando à vida anterior, mas entrando na vida
eterna e abrindo assim, na sua própria carne, a passagem deste mundo para o
Pai"? Perguntou o Papa.
"Esta força, este poder é o próprio Deus, Amor que
cria e gera, Amor fiel até o fim, Amor que perdoa e resgata. Cristo, o
nosso «Rei vitorioso», travou e venceu a sua batalha através do abandono
confiante à vontade do Pai, ao seu desígnio de salvação", disse Leão XIV,
lembrando que assim, Jesus "percorreu até o fim o caminho do diálogo,
não com palavras, mas com obras: para nos encontrar a nós, que estávamos
perdidos, fez-se carne; para nos libertar a nós, que éramos escravos, fez-se
escravo; para nos dar vida a nós, mortais, deixou-se matar na cruz".
Força que traz a paz à humanidade
"A força com que Cristo ressuscitou é completamente
não violenta. É semelhante à de um grão de trigo que, ao decompor-se na
terra, cresce, abre passagem pelas leivas, germina e transforma-se numa espiga
dourada. É ainda mais semelhante à do coração humano que, ferido por uma
ofensa, rejeita o instinto de vingança e, cheio de piedade, reza por quem o
ofendeu", disse ainda Leão XIV, acrescentando:
“Irmãos e irmãs, esta é a verdadeira força que traz a paz
à humanidade, porque gera relações
respeitosas a todos os níveis: entre as pessoas, as famílias, os grupos
sociais, as nações. Não visa o interesse particular, mas o bem comum; não
pretende impor os próprios planos, mas contribuir para os conceber e concretizar
em conjunto com os outros.”
"Sim, a ressurreição de Cristo é o princípio da nova
humanidade, é a entrada na verdadeira terra prometida, onde reinam a justiça, a
liberdade e a paz, onde todos se reconhecem irmãos e irmãs, filhos do mesmo Pai
que é Amor, Vida e Luz", sublinhou.
Quem tem armas nas mãos, que as deponha
Segundo o Papa, com a sua ressurreição, "o Senhor
coloca-nos ainda mais intensamente perante o drama da nossa liberdade. Diante
do sepulcro vazio, podemos encher-nos de esperança e admiração, como os
discípulos, ou de medo, como os guardas e os fariseus, obrigados a recorrer à
mentira e ao subterfúgio para não reconhecerem que aquele que fora condenado
tinha realmente ressuscitado"!
“À luz da Páscoa, deixemo-nos surpreender por Cristo!
Deixemos transformar o nosso coração pelo seu imenso amor por nós! Quem tem
armas nas mãos, que as deponha! Quem tem o poder de desencadear guerras, que
opte pela paz! Não uma paz conseguida com a força, mas com o diálogo! Não com a
vontade de dominar o outro, mas de o encontrar!”
Tornamo-nos indiferentes
Leão XIV disse que nos habituamos "à violência,
resignamo-nos a ela e tornamo-nos indiferentes. Indiferentes à morte de
milhares de pessoas. Indiferentes às repercussões de ódio e divisão que os
conflitos semeiam. Indiferentes às consequências econômicas e sociais que
produzem e que todos sentimos".
"Há uma “globalização da indiferença” cada vez mais
acentuada", frisou o Papa Leão, retomando uma expressão querida ao Papa
Francisco, que um ano atrás, da Praça São Pedro, dirigiu ao mundo as suas
últimas palavras, recordando-nos: «Quanto desejo de morte vemos todos os dias
em tantos conflitos que ocorrem em diferentes partes do mundo!»
Vigília de oração pela paz, em 11 de abril
"A cruz de Cristo recorda-nos sempre o sofrimento e a
dor que envolvem a morte, e o tormento que ela acarreta. Todos temos medo da
morte e, por medo, voltamo-nos para o outro lado, preferimos não olhar. Não
podemos continuar indiferentes! Não podemos resignar-nos ao mal! Santo
Agostinho ensina: «Se tens medo da morte, ama a ressurreição!». Amemos
também nós a ressurreição, que nos recorda que o mal não é a última palavra,
porque foi derrotado pelo Ressuscitado", disse ainda Leão XIV, lembrando
que Jesus "atravessou a morte para nos dar vida e paz": «Deixo-vos a
paz; dou-vos a minha paz. A paz que eu dou não é como a dá o mundo».
“A paz que Jesus nos entrega não é aquela que se limita a
calar as armas, mas aquela que toca e transforma o coração de cada um de nós!
Convertamo-nos à paz de Cristo! Façamos ouvir o grito de paz que brota do
coração! Por isso, convido todos a unirem-se a mim na vigília de oração pela
paz que celebraremos aqui, na Basílica de São Pedro, no próximo sábado, 11 de
abril.”
Saudações em dez idiomas
"Neste dia de festa, abandonemos toda a vontade de
contendas, domínio e poder, e imploremos ao Senhor que conceda a sua
paz ao mundo atormentado pelas guerras e marcado pelo ódio e pela indiferença,
que nos fazem sentir impotentes perante o mal", disse o Pontífice,
confiando ao Senhor "todos os corações que sofrem e esperam a verdadeira
paz que só Ele pode dar".
O cardeal protodiácono Dominique Mamberti anunciou a
concessão de indulgência plenária a todos os fiéis presentes e aos que
receberem a sua bênção. Por fim, Leão XIV, como fez no Natal, pronunciou as
saudações pascais em dez idiomas: italiano, francês, inglês, alemão, espanhol,
português, polonês, árabe, chinês e latim.
Em português, disse:
“Feliz Páscoa! Levai a todos a alegria do Senhor
Ressuscitado e presente entre nós.”

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