Neste sábado, 4 de abril, recorda-se o nascimento do Beato
Tiago Alberione, sacerdote italiano que intuiu, ainda no início do século XX,
que o Evangelho precisava habitar os meios de comunicação — uma visão que
permanece atual e profundamente profética.
Matheus Macedo - Vatican News
No dia 4 de abril celebra-se o nascimento do Beato Tiago
Alberione, sacerdote italiano que, ainda no início do século XX, teve uma
intuição decisiva: o Evangelho precisava habitar os meios de comunicação.
Assista a reportagem: Tiago Alberione - o pioneiro da
evangelização através da comunicação
Hoje, em um cenário marcado pelas redes sociais, pela
inteligência artificial e por novas linguagens digitais, sua visão não apenas
permanece atual, como se revela profundamente profética. Esse dinamismo se
reflete também em experiências recentes da Igreja, como o trabalho de missionários
digitais e de paróquias que
transformam as mídias sociais em verdadeiros espaços de evangelização e
encontro.
Fundador da Pia Sociedade
de São Paulo, conhecida como Família Paulina, Alberione compreendeu que a
comunicação não era apenas um instrumento, mas um ambiente a ser evangelizado,
uma percepção reconhecida pelo Papa Paulo VI, que via nele “uma testemunha
capaz de discernir os sinais dos tempos”.
Padre Alberione: um “empreendedor de Deus”
Segundo o postulador dos Paulinos, Padre Vito Spagnolo,
“padre Alberione não era um intelectual de escritório, mas um verdadeiro
‘empreendedor de Deus’”. Sua intuição nasceu na noite de passagem do século XIX
para o XX, enquanto rezava diante da Eucaristia: sentiu o convite de Jesus a
“fazer algo pelos homens do novo século”.
Ele compreendeu que a imprensa, o rádio e, depois, a
televisão não eram instrumentos do “mundo” ou do “demônio”, mas púlpitos
modernos a partir dos quais anunciar a Palavra. Sob sua orientação nasceram
iniciativas que ainda hoje marcam a cultura italiana e mundial: Família Cristã
(uma das revistas mais difundidas na Itália), Il Giornalino (voltado
à educação das crianças), as Edições Paulinas e a Paulus Editora (para a
difusão da Bíblia e de livros acessíveis), além de iniciativas no rádio e no
cinema. Foi um dos primeiros a investir na produção audiovisual com finalidade
pastoral.
“Se estivesse vivo hoje”, observa o padre Spagnolo,
“Alberione provavelmente seria um dos primeiros a usar inteligência artificial,
redes sociais e até o metaverso. Ele dizia: ‘não falem apenas de religião, mas
falem de tudo de modo cristão’. Hoje, isso significa habitar o ambiente digital
levando valores humanos e espirituais ao meio do caos informativo”.
A atualidade de uma intuição profética
Para o superior geral dos Paulinos, Padre Domenico Soliman,
a intuição de Alberione continua sendo um dos grandes legados do fundador.
“Embora padre Alberione tenha vivido em uma época já distante, ele ofereceu à
Igreja uma nova sensibilidade quanto à evangelização por meio dos meios e das
linguagens da comunicação”, afirma. Segundo ele, um dos aspectos mais atuais é
o desejo de alcançar a todos: “é muito forte esse anseio de chegar a todos,
para que todos possam encontrar Cristo e o seu Evangelho.” Uma missão que hoje
se insere em um contexto em que a comunicação se tornou parte da vida
cotidiana: “Ela se torna cada vez mais próxima das pessoas, aliás, parte do
contexto vital de cada indivíduo.”
Diante das transformações tecnológicas, padre Domenico vê
continuidade, não ruptura: “pensemos nas redes digitais, na inteligência
artificial, com seus desafios e oportunidades. Padre Alberione queria chegar a
todos os povos, entrar em cada casa, envolver todas as categorias de pessoas…
todos, pelo Evangelho.” E acrescenta: “hoje, ele se alegraria ainda mais ao ver
como a comunicação é um contexto vital, onde as pessoas vivem com seus
problemas, mas também com suas esperanças, aspirações e alegrias.”
Espiritualidade integral: todo o Cristo para toda a
pessoa
Outro ponto central destacado pelo superior geral dos
Paulinos é a herança espiritual deixada por Alberione. “Ele nos deixou uma
espiritualidade cujo centro é Cristo, todo o Cristo — isto é, Verdade, Caminho
e Vida”, explica. “Isso significa: mente, vontade e coração. Mais uma vez
aparece a totalidade: todo o Cristo para toda a pessoa.”
Inspirado em São Paulo, prossegue, o fundador propõe um
caminho de comunhão profunda: “a humanidade é chamada não apenas a estar
próxima de Jesus, mas a estar nele. Trata-se de um verdadeiro processo de
comunhão”. Para o sacerdote, essa síntese continua sendo fecunda: “esses
aspectos permanecem extremamente atuais, como um caminho vivo para a Igreja que
anuncia o Evangelho em cada tempo e contexto.”
O museu: uma memória viva
Essa herança ganha forma concreta em Roma, no museu dedicado
ao fundador, localizado na Via Alessandro Severo. Para o padre Spagnolo, “não é
um museu no sentido de um arquivo morto, mas uma memória viva, onde o carisma é
custodiado para ser transmitido”.
Ao percorrer os ambientes, o escritório, o quarto, as salas
de oração e trabalho, o visitante entra em contato com sinais concretos da vida
de Alberione: a escrivaninha, a máquina de escrever, os primeiros equipamentos
tipográficos. Elementos simples que revelam uma missão construída com poucos
recursos, mas grande ousadia. A sala da oração lembra que toda ação nasce da
Eucaristia: “sem esse contato com Deus, a comunicação corre o risco de se
tornar apenas ruído”, afirma o sacerdote. Já a sala do trabalho expressa a
dimensão missionária: “o papel, a tinta, os caracteres móveis tornavam-se meio
para levar Cristo a quem não chegava à Igreja.”
Um legado que desafia o presente
O museu provoca o visitante a pensar no hoje: “o que o padre
Alberione faria com a internet, as redes sociais, a inteligência artificial?”,
questiona Pe. Spagnolo. Inserido no complexo onde ainda vivem e trabalham os
membros da Família Paulina, o museu testemunha que o carisma não está fechado
em vitrines. Ele continua vivo, caminhando nos livros, sites, redes e nas novas
plataformas digitais.
Paulo VI, que admirava profundamente Alberione, dizia: “eis
aqui: humilde, silencioso, incansável, sempre vigilante, sempre recolhido em
seus pensamentos, que vão da oração à ação, sempre empenhado em perscrutar os
‘sinais dos tempos’...”
Como conclui padre Spagnolo, Tiago Alberione nos ensina que
“a fé não deve ter medo do progresso, mas deve conduzi-lo, dando-lhe uma alma.
Seu legado inspira porque nos recorda de usar todos os meios de comunicação com
inteligência, colocando-os a serviço da comunhão, da verdade, do amor a serviço
de Deus”.






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