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domingo, 21 de dezembro de 2025

Gérard Cendrier, um franciscano testemunho de esperança no campo de concentração

Gérard Cendrier | Diocèse de Paris I DR

Aleteia França - publicado em 15/12/25

<em>No sábado, 13 de dezembro, 50 franceses serão beatificados em Notre-Dame de Paris como mártires do apostolado, vítimas da perseguição nazista à fé católica. A missa será presidida pelo cardeal Jean-Claude Hollerich, arcebispo de Luxemburgo. Hoje, é a jornada heroica do franciscano Gérard Cendrier, que morreu aos 25 anos no campo de Buchenwald, que Aleteia traça. (4/5)</em>

"A esperança é um risco a correr, é até o risco dos riscos", assertou Bernanos em uma conferência em dezembro de 1944. A vida de Gérard Cendrier, franciscano que se propôs a resistir aos bárbaros nazistas com sua fé e bondade como únicas armas, é uma ilustração perturbadora e trágica.

Buchenwald, verão de 1944: arame farpado até onde a vista alcança, quartel sórdido, milhares de prisioneiros famintos flutuando em seus uniformes com listras verticais cinza e branco, kapos gritando instruções, e de repente, por volta das 9 horas da manhã, nesta atmosfera de desolação sem nome, um kyrie lançado com uma voz clara, logo seguido por um credo. Foi Gérard, um franciscano cujo estado monástico é ignorado pela SS que procedeu à sua prisão. Sua fé ardente, por outro lado, não é segredo para ninguém. Este é até o motivo de seu encarceramento, após o decreto nazista de 3 de dezembro de 1943 condenando a propaganda católica dos trabalhadores civis franceses forçados a servir ao Reich.

Família, escola, escotismo: os pilares de sua fé

Esta fé é uma herança familiar: o último de um irmão de 7 filhos, Gérard nasceu em Paris em 16 de junho de 1920. Dois ambientes promissores fortalecem esse valioso legado: o colégio Stanislas, onde estudou entre 6 e 17 anos, e o escotismo, que praticou toda a sua juventude no século VIII, uma unidade de escoteiros da França ligada à igreja Saint-Jean-Baptiste de La Salle (XV arrondissement).

Archives du collège lycée Stanislas | ALETEIA

Na linha de seus antepasso jurídicos, ele começou a estudar direito na faculdade de Assas, que foi rapidamente abandonada para responder ao chamado de Deus. Muito piedoso, Gérard não surpreende sua comitiva ao entrar no noviciado franciscano aos 19 anos. Ele mediu o peso de suas palavras tomando o hábito: "Que seja para me unir a Cristo cada vez mais até morrer com ele na Cruz se Ele me pedir um dia"? No mínimo, o jovem ambicionava cuidar de seus semelhantes, pois anexava ao seu nome o de São Martinho de Tours, famoso por ter dado sua túnica a um mendigo refrigerado. Aqueles que estiveram ao seu lado durante seus quase quatro anos de vida religiosa confirmam que ele era generoso e sempre pronto para prestar um serviço, fiel à sua promessa de escoteiro.

Do convento à Resistência

O irmão Gérard-Martin aproveita esse tempo em comunidade para "intensificar sua vida interior". Impedido de se juntar à resistência inglesa pelo avanço dos alemães, ele sabe que as circunstâncias políticas podem levá-lo a dar sua vida e se prepara para isso na aparente tranquilidade dos dias passados no seio de sua família franciscana: "Não é tanto a ação imediata e a exaltação febril que é frutífera quanto a ação e o sentido do sacrifício cuidadosamente pensado, a força da alma (...) que se baseia (...) em uma verdadeira vontade de fazer a vontade de Deus como ela aparece para você", escreveu ele a seu irmão Jacques em abril de 1941.

Com essa sólida ancoragem em sua fé e convicções, o discípulo de São Francisco escolheu livremente em junho de 1943 acompanhar jovens requisitados pela Alemanha pelo serviço de trabalho obrigatório (STO): com outros irmãos e padres, ele montou uma capelania clandestina Mission Saint-Paul, encarregada de apoiar material, médica e espiritualmente os trabalhadores franceses. Durante vários meses, ele se deu sem contar: visita aos doentes em cerca de trinta hospitais, ajuda na fuga de prisioneiros de guerra, transmissão de informações, organização de lazer e tempo de oração...

Flores no inferno

Denunciado, ele foi preso com seus irmãos e membros da Ação Católica em julho de 1944 e deportado para o campo de Buchenwald em setembro. Ele foi então designado para o comando de Langenstein-Zwieerge, responsável pela construção de uma fábrica subterrânea. É neste inferno onde se encontra a civilização ocidental que a fé do irmão Gérard-Martin se desdobra e que ele dá a plena medida de sua generosidade: nós o vemos dar sua escassa ração de pão a outros e retrucar a seus amigos indignados por vê-lo assim "cometer suicídio": "Franciso de Assis, meu Mestre, não teria respondido de outra forma do que eu respondi". Ele costuma se voluntariar para substituir um camarada exausto. Finalmente, ele pede para rezar pela salvação de seus carrascos nazistas e perdoá-los.

Tendo usado suas forças por amor e iluminado a escuridão de sua esperança indelével, este primo distante de São Maximiliano Kolbe morreu de exaustão na neve na noite de 24 de janeiro de 1945. Oferecendo sua vida para que um de seus irmãos de sangue recupere a fé e para todos os seus irmãos na humanidade: pouco antes, ele havia feito o voto de "sofrer mais para que muitos encontrem Cristo no caminho de Damasco [ou seja, se convertam, NDRL]".

Fonte: https://pt.aleteia.org/

O Natal na China, os cristãos e a lógica da pequenez

A igreja de São José, em Pequim (Vatican News)

As celebrações natalinas no país do Extremo Oriente: uma alegria íntima para ser vivida na espera. Entre “fábrica para o mundo” e brilho dos fiéis. Aqui, a véspera é chamada de Píng’ān yè, a “noite da paz”.

Guglielmo Gallone - Vatican News

Nos últimos vinte anos, o Natal entrou definitivamente no panorama urbano chinês. E é interessante notar como o aumento da popularidade desta festa acompanha o desenvolvimento econômico e social do país.

O aspecto econômico e produtivo

Inicialmente, a China conheceu o Natal principalmente como a “fábrica para o mundo”. Um exemplo entre muitos: entre 80% e 90% de todas as decorações natalinas globais — luzes, enfeites, árvores artificiais — hoje são produzidas nas zonas industriais da China, entre as quais se destaca principalmente a cidade de Yiwu, na província de Zhejiang. Por isso o Natal chega primeiro como ciclo produtivo e depois como festa. Depois disso, o bem-estar chinês começou a crescer. Entre 2005 e 2020, a renda disponível urbana multiplicou-se por mais de quatro vezes, a classe média ultrapassou os 400 milhões de pessoas e o consumo interno tornou-se um dos objetivos estratégicos. Assim, durante a primeira década do século XXI, os chineses não só produzem, mas começam sobretudo a consumir: abrem negócios, frequentam centros comerciais, transformam o espaço urbano. É precisamente nesta transição que o Natal muda de natureza. De evento puramente industrial, torna-se uma ocasião comercial e simbólica, especialmente para os mais jovens.

Entre mercadinhos e vilas natalinas

Hoje, é normal passear por Xangai e se deparar com mercadinhos de Natal montados nos grandes shopping centers de Xintiandi ou ao longo do Bund, entre chalés de madeira, luzes decorativas e música de fundo. E não é só isso: na cidade mais ao norte da China, Mohe (província de Heilongjiang), foi montada uma verdadeira aldeia natalina onde os visitantes podem mergulhar na atmosfera natalina: há um correio do Papai Noel, esculturas de neve, casinhas decoradas e figuras do Papai Noel com as quais tirar fotos, montadas no que é frequentemente descrito como uma versão chinesa da famosa Vila do Papai Noel de Rovaniemi, na Finlândia.

O brilho que atrai

É claro que tudo isso ocorre exclusivamente sob uma perspectiva econômica. No entanto, muitos jovens chineses ficam atraídos pelo brilho que o Natal traz consigo e acabam entrando nas igrejas, tentando entender o que leva os cristãos chineses a serem portadores de tanta alegria. Um jovem local nos contou isso. “Embora o período de Natal na China não seja celebrado como nos países europeus, mesmo porque é preciso trabalhar, a Missa da Meia Noite está sempre cheia e, especialmente nas pequenas aldeias, consegue atrair a atenção dos mais jovens. Normalmente são celebradas três missas: a Vigília, a Missa da Meia-Noite e a Missa de Natal”. Além disso, continua, “um dos momentos mais apreciados é aquele entre a Vigília e a Missa da Meia-Noite. A Igreja valoriza esse intervalo: os fiéis que prepararam uma apresentação podem se apresentar, o coral canta, as pessoas recitam orações pela paz, os padres recitam as homilias...”.

Uma maçã para a noite da paz

E quando lhe pedimos para nos contar mais sobre esse momento tão especial, o jovem menciona “espetáculos com canções sacras ou dedicadas à história da Igreja, ao nascimento de Jesus... muitas pessoas vêm apenas para ouvir os corais. Agora, isso se tornou um hábito. Nem é preciso passar a palavra nas aldeias”. Além disso, continua, “os padres e os fiéis preparam pequenos presentes para os jovens chineses. Não são chocolates ou gadgets, mas maçãs. Em chinês, maçã se diz píngguǒ, um termo que lembra a palavra píng’ān, “paz”. Não é por acaso: a véspera de Natal é chamada de Píng’ān yè, a “noite da paz”. Oferecer uma maçã torna-se assim um gesto simples de felicitações capaz de falar a todos. A Igreja local não critica a sociedade chinesa, mas procura adaptar-se a ela. Outro exemplo: em nossos presépios, frequentemente incluímos elementos tradicionais típicos da cultura local. Lâmpadas, pequenos templos...”.

A espera pela luz

Em suma, apesar das dificuldades, o Natal na China parece ser muito animado. “Para os fiéis católicos do meu país — observa Chiaretto Yan, focolarino chinês e autor do livro Il mio sogno cinese (Meu sonho chinês, Ed. Ancora 2025) — o Natal é uma alegria íntima. Eu diria que os chineses vivem o Natal como se ainda fosse a Sexta-feira Santa: ou seja, na espera. O Natal é a espera pela luz, assim como a Sexta-feira Santa é a espera pela ressurreição. Acho que o mesmo vale para o diálogo entre o cristianismo e a cultura chinesa: é importante iniciar um processo em vez de buscar ou alcançar imediatamente um resultado, como sugeria a cultura do encontro do Papa Francisco”.

A lógica da pequenez

Um desejo que se concretiza na imagem, reproduzida em nosso jornal também por outras fontes, de muitos fiéis chineses que, na véspera de Natal, permanecem rezando durante toda a noite. Uma imagem difícil de ver em outros lugares, que testemunha justamente a paciência, a espera. Princípios que, na tradição taoísta chinesa, são expressos com o wu wei: não agir contra o tempo das coisas, não forçar o curso dos acontecimentos, mas acompanhar o seu devir. Um pouco como José e Maria acompanharam o nascimento de Jesus. Na gruta, na minoria, no pequeno. Ou melhor, na pequenez. Naquela “lógica da pequenez” que o Papa Leão XIV evocou em sua viagem à Turquia e ao Líbano e que os fiéis chineses procuram encarnar todos os dias. E então, shèngdàn jié kuàilè (feliz festa do Nascimento sagrado!)

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

O Presépio: olhar o mundo com a inocência e o maravilhamento de uma criança

Presépio | Vatican News.

O PRESÉPIO: OLHAR O MUNDO COM A INOCÊNCIA E O MARAVILHAMENTO DE UMA CRIANÇA

18/12/225

Dom Roberto Francisco Ferreria Paz 
Bispo de Campos (RJ)

Um ponto certamente intenso e alegre da espiritualidade e pedagogia natalina é a preparação do Presépio em casas, escolas, prédios, praças e outros tantos lugares. O Papa Francisco na Carta Apostólica Admirável Signum, aponta não somente sobre o profundo significado simbólico desta lembrança singular do Natal, mas para a experiência de Francisco de Assis ao inventá-lo como uma representação viva deste acontecimento. 

De fato somos convidados a deixar de lado nossa visão cansada e por vezes cética para reviver num exercício de imaginação profética o clima do primeiro Natal. Como os pastores, andarilhos e povo sem teto, animados pela mensagem celestial nos colocamos a caminho e na busca do Deus Criança que nasceu para nos salvar.

E caminhamos ao lado de outras criaturas ovelhas, bois, cordeiros, pássaros e cachorros, que nos inserem na fraternidade cósmica de toda Criação que exulta também com a chegada do Esperado das Nações. Também como os sábios de Oriente nos desvencilhamos de seguranças e narrativas mesquinhas para seguindo a luz da estrela da fé, encontrar o Deus Emanuel.

Notamos que não apenas trata-se de fazer ou montar um presépio, porém de sair de nós mesmos para ir ao encontro de Jesus Menino, tornando-nos novamente crianças, com a pureza de coração e com os olhos abertos para o inusitado, com as surpresas e a imprevisibilidade de um Deus apaixonado que não só nasce no meio de nós, entretanto sorridente nos abraça, desconstruindo nossas armaduras, bloqueios e ressentimentos.

Quem dera que pudéssemos hoje tornar cada cidade um Belém Natalino, não só pela iluminação, ou pelas músicas de Natal, mas pela bem querência, fraternidade e ternura de todos os vizinhos e moradores, que cada lar mesmo os condomínios se transformassem em hospitalidade, lugares de acolhida, aproximação e reconciliação.

Nunca esqueçamos que o Natal é a festa da verdadeira vida, do recomeço, da sororidade e partilha, consequências e efeitos maravilhosos da encarnação do nosso Deus. Somos humanos, uma só família porque todos nascemos também na Gruta de Belém, no Presépio e na manjedoura, porque nos tornamos irmãos e herdeiros no Filho de Deus, Jesus Nosso Senhor. Deus seja louvado! 

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa: como São José, sejamos "presépio acolhedor" praticando o perdão

Angelus, 21/12/2025 - Papa Leão XIV (Vatican News)

Nos últimos dias do Advento, Leão XIV exortou os fiéis a educarem o coração para o encontro com Cristo praticando o perdão e a misericórdia, tal qual São José, o protagonista do Evangelho deste domingo.

https://youtu.be/V-fIx9AGXAo

Bianca Fraccalvieri - Vatican News

Piedade e caridade, misericórdia e abandono: essas foram as virtudes apontadas pelo Papa Leão para viver os últimos dias do Advento, inspirando-se na figura de São José, apresentada na Liturgia de hoje.

Aos fiéis reunidos na Praça São Pedro para o Angelus dominical, o Santo Padre comentou esta página "muito bonita" da história da salvação, quando Deus revela a São José, em sonho, a sua missão. O protagonista é um homem frágil e falível como nós, mas, ao mesmo tempo, corajoso e forte na fé.

O evangelista Mateus o chama de “homem justo”, o que o caracteriza como um piedoso israelita, cumpridor da Lei e assíduo da sinagoga. Além disso, José de Nazaré aparece também como uma pessoa extremamente sensível e humana.

Preparar o coração para o encontro com Cristo

Diante de uma situação difícil de compreender e aceitar em relação à sua futura esposa, Leão XIV notou que São José não opta pelo escândalo e pela condenação pública, mas escolhe o caminho discreto e benevolente do repúdio secreto. Assim, mostra compreender o sentido mais profundo da sua própria observância religiosa: o da misericórdia.

Todavia, a pureza e a nobreza dos seus sentimentos tornam-se ainda mais evidentes quando o Senhor, num sonho, lhe revela o seu plano de salvação, indicando o papel inesperado que deverá assumir: ser o esposo da Virgem Mãe do Messias. E o faz com um grande ato de fé:

“Piedade e caridade, misericórdia e abandono: eis as virtudes do homem de Nazaré que a Liturgia hoje nos propõe, para que nos acompanhem nestes últimos dias do Advento, rumo ao Santo Natal. São atitudes importantes, que educam o coração para o encontro com Cristo e com os irmãos, e que podem ajudar-nos a ser, uns para os outros, presépio acolhedor, casa hospitaleira, sinal da presença de Deus. Neste tempo de graça, não percamos a oportunidade de as praticar: perdoando, encorajando, dando um pouco de esperança às pessoas com quem vivemos e àquelas que encontramos; e renovando na oração o nosso abandono filial ao Senhor e à sua Providência, entregando-lhe tudo com confiança.”

"Que a Virgem Maria e São José nos ajudem", concluiu o Papa, pois eles que foram os primeiros a acolher Jesus, o Salvador do mundo, com fé e grande amor.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

sábado, 20 de dezembro de 2025

Como viver o Natal segundo o cardeal John Newman, proclamado Doutor da Igreja

PeopleImages | Shutterstock

Cibele Battistini - publicado em 19/12/25

Em 1º de novembro de 2025, no Jubileu do Mundo da Educação, o Papa Leão XIV proclamou São John Henry Newman como o 38.º Doutor da Igreja Universal.

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O que significa “Doutor da Igreja”

O título de Doutor da Igreja é uma das maiores honras que a Igreja Católica concede a um santo. Ele é dado somente a aqueles cuja vida foi santa, cuja teologia é profunda, fiel e de grande valor para toda a Igreja, e cuja influência permanece viva ao longo do tempo. 

Embora Newman não tenha escrito um livro inteiro só sobre o Natal, há muitos escritos e reflexões dele que mostram sua visão profunda e espiritual desta festa.

1 - O NASCIMENTO DE CRISTO COMO FONTE DE ALEGRIA E LUZ

Newman escreveu que a vinda de Cristo é uma verdadeira transformação espiritual:

“O nascimento do nosso Salvador na carne é o começo da nossa nova vida no Espírito.”
Esse sentido mostra como o Natal nos convida a renascer em Deus. 

2 - O DESEJO DE SER MAIS PARECIDO COM CRISTO A CADA NATAL

Newman orou:

“Que cada novo Natal nos encontre mais e mais como Aquele que se fez criança por amor nosso — mais simples, mais humilde, mais santo, mais caridoso, mais resignado, mais feliz e mais cheio de Deus.” (newmanfriendsinternational.org)

Essa frase resume o que significa viver o Natal segundo Newman: não apenas festejar externamente, mas deixar que o mistério de Cristo transforme o coração.

3 - O NATAL COMO ENCONTRO PESSOAL COM CRISTO

Outra reflexão dele — encontrada em textos que circulam entre devotos — é a ideia de que no Natal Cristo vem até nós como nosso convidado e luz, e nós somos chamados a recebê-Lo com alegria, mesmo nas dificuldades da vida. 

4 - CITAÇÃO POÉTICA SOBRE O AMOR DIVINO NO NATAL

Newman escreveu versos que lembram o mistério do Natal:

“Ó amor amável de nosso Deus! Quando tudo era pecado e vergonha, um segundo Adão veio para a luta e resgate…”
Essa frase poética mostra o centro do Natal: o amor de Deus que se aproxima de nós em Cristo feito carne

Como viver o Natal segundo Newman

Para Newman, viver o Natal não é apenas decorar a casa ou trocar presentes — é permitir que o mistério da Encarnação nos mude por dentro:

aceitar que Deus vem nos encontrar onde estamos;
cultivar simplicidade, humildade, caridade e alegria profunda
abrir o coração para receber Cristo como luz em nossas sombras pessoais e coletivas
permitir que cada Natal nos torne mais semelhantes a Jesus.

Fonte: https://pt.aleteia.org/

As bem-aventuranças (2): enriquecer-se com a pobreza

Foto/Crédito: Opus Dei.

As bem-aventuranças (2): enriquecer-se com a pobreza

Dirigido especialmente aos jovens, o segundo editorial sobre as bem-aventuranças aborda o conselho de Jesus: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o reino dos céus".

27/05/2016

O panorama que se via do alto daquela pequena montanha devia ser impressionante. Centenas de pessoas foram para a Galileia porque queriam conhecer o novo profeta de quem todo mundo falava e que, pelo que diziam, pregava maravilhas. Jesus veria as pessoas aproximando-se pouco a pouco pela colina e, ao final, quando fizeram silêncio, começou a falar com uma voz potente: "Bem-aventurados os pobres de espírito, porque deles é o Reino dos Céus"[1].

Os pobres? Muitos daqueles que o escutavam, eram realmente pobres. Tinham ido até lá porque sofriam a pobreza e sabiam bem que é algo que ninguém deseja: Deus quer que tenhamos coisas boas para comer, um lugar digno para viver e que aproveitemos as comodidades necessárias. No entanto, o Senhor nos mostra que existe um tipo de pobreza que vale a pena procurar.

A "pobreza de espírito" parece ser uma condição necessária para que as outras bem-aventuranças possam tornar-se realidade. Por isso, não é por acaso que Jesus a propõe no início do seu discurso, antes de todas as outras, para que sirva de base firme sobre a qual possamos construir uma vida grande e bela. Mas, o que significa exatamente ser pobre de espírito?

Deus somente sabe dar

Em outra ocasião, Jesus caminhava por uma cidade e todos queriam chegar perto dEle. Os apóstolos se esforçavam para abrir caminho e atravessar a multidão, que tinha saído para conhecer o famoso Rabbi. Esmagada no meio daqueles entusiastas, uma mulher concentrava as suas poucas forças em chegar até o Senhor. A massa a atirava de um lado para outro. Como sabemos, estava fraca e doente, pois fazia muitos anos que estava perdendo sangue e tinha gastado todo o seu dinheiro com médicos que não souberam curá-la. Sem saúde nem dinheiro, Jesus representa uma última esperança para ela.

Certamente, antes de ver Jesus, essa mulher já tinha aceitado a sua doença, colocando-se nas mãos de Deus. Quase como uma resposta imediata do Céu, o Messias passava pela sua cidade naquele dia. Por isso, estava convencida de que nEle encontraria a solução que tanto desejava. Desse modo, sem grandes discursos, simplesmente confiando em Deus, consegue arrancar do Mestre a força que cura os seus males.

Esta mulher é um exemplo de pobreza de espírito, porque depositou toda a sua fé no Senhor. Era pobre e sabia que não podia fazer mais nada. Tinha que aceitar como um presente tudo o que lhe faltava. Como ela, o pobre de espírito é aquele que confia completamente em Deus, porque compreende que Ele somente sabe dar e, se tira alguma coisa, é para abrir mais espaço para os seus dons na nossa vida. Será que, se ela não tivesse perdido a confiança em todas as coisas, teria lutado com tanta força para tocar Deus? Certamente que não. Portanto, a pobreza pode chegar ou teremos que buscá-la: em qualquer caso, é necessário estar disposto a perder tudo para ganhar o que realmente vale a pena, isto é, chegar a ser pobres para que Deus nos faça ricos. Por isso, a pergunta seguinte é: o que devo deixar para ser pobre?

Foto/Crédito: Opus Dei.

Menos é mais

Conta-se que no século VII, o imperador Heráclio entrou em guerra contra os persas para recuperar a cruz em que Jesus foi crucificado. Seus inimigos tinham-na roubado de Jerusalém e a mantinham em um palácio perto de Bagdá. Depois de quinze anos de batalhas, no ano 630, o exército bizantino pôde recuperar o lenho santo e o imperador, à frente de suas tropas, retornou triunfante para a Cidade Santa.

Quase sem perceber, criamos muitas necessidades para nós mesmos. Precisamos assistir ao capítulo da nossa série favorita, precisamos escutar música sempre que estamos sozinhos, precisamos olhar o WhatsApp...

Enquanto entrava em Jerusalém, Heráclio quis levar a cruz ele mesmo, mas, quando foi pegar a relíquia, ela ficou muito pesada. Para surpresa dos seus soldados, o imperador, que tinha lutado em mil batalhas, não aguentava carregar um simples tronco sobre seu cavalo. Envergonhado, desceu do cavalo e tentou levar o madeiro a pé, mas não conseguia ir adiante. Pouco a pouco, para concentrar suas forças na cruz, ele foi se libertando de outros pesos: a sua coroa, o manto real, a armadura, a espada e o escudo... Finalmente, quando vestia somente sua túnica, conseguiu levantar o lenho. Foi só então, despojado de todas as suas riquezas materiais, que a imagem do imperador recordou a todos aquele Cristo que, seis séculos antes, tinha carregado a cruz por essas mesmas ruas.

Como aconteceu com o imperador Heráclio, a pobreza nos ajudará a parecer-nos com Jesus e seremos capazes de seguir os seus passos. Por outro lado, o dinheiro ou as coisas, podem se converter em um grande obstáculo, porque tiram espaço de Deus e enchem a alma de preocupações. Não porque ter coisas seja algo mau, mas porque chegamos a dar muita importância a elas e a nossa felicidade começa a depender exageradamente disso.

Basta fazer exame para notar que, quase sem perceber, criamos muitas necessidades para nós mesmos. Precisamos assistir ao capítulo da nossa série favorita, precisamos escutar música sempre que estamos sozinhos, precisamos olhar o WhatsApp... e, se alguma dessas coisas não é possível, ficamos inquietos porque unimos a nossa felicidade a essas necessidades.

Da mesma forma, todos já experimentamos o quanto é bom comprar coisas novas. Um novo videogame, uma música nova ou uma roupa nova podem alegrar um dia que começou mal. Às vezes parece que o dinheiro fica queimando quando está na nossa carteira! Gastar não é uma coisa má, mas temos que prestar atenção para que não se converta no único remédio para nos manter alegres.

Se para ter um pouco de emoção na vida, precisamos de ajudas artificiais (drogas brandas ou álcool), a nossa reação terá que ser ainda maior. Usá-las para se divertir ou por pura curiosidade é manifestação clara de uma personalidade fraca, de um espírito que precisa se enriquecer com coisas e que desistiu de melhorar ou de se divertir aproveitando os talentos pessoais.

Em algumas ocasiões, pode ser um bom exercício abrir mão de alguma necessidade aparentemente imprescindível e, dessa forma, não depender demais de algo que talvez tenha se convertido em algo muito importante na nossa vida.

Algumas pessoas costumam propor a si mesmas, cada dia, dois ou três pequenos sacrifícios para manter a vontade livre e ágil, em forma. Se tentarmos e não conseguirmos, será sinal de que precisamos recuperar a nossa liberdade o quanto antes. Sempre será útil o conselho de São Josemaria: «Não o esqueças: tem mais aquele que precisa de menos. – Não cries necessidades»[2].

«Vai, vende tudo o que tens, dá o dinheiro aos pobres e depois vem e segue-me»[3]: é a condição de Jesus ao jovem rico que tinha pedido para segui-Lo. Esse jovem era bom – "vivia os mandamentos", o que já é muito – mas não era livre. Tudo o que ele possuía tinha se tornado numa cadeia que o mantinha atado e que o impediu de aproveitar a melhor oportunidade da sua vida. Não foi capaz de ver Jesus e entender a grandeza da proposta que Ele fazia. Se os Evangelhos contam este episódio, é porque o Senhor quer nos fazer a mesma oferta... E corremos o risco de dar a mesma resposta.

Foto/Crédito: Opus Dei.

Avestruzes, ouriços e máscaras

Existe outra pobreza, talvez mais importante ainda: é a pobreza interior, a humildade de quem se conhece bem e sabe que – sem Deus – vale muito pouco. Quem, ao contrário, está muito confiante em si mesmo e não aceita ajuda de ninguém, é parecido a muitos dos escribas e fariseus, personagens que Jesus foi muitas vezes forçado a enfrentar. Eles tinham resposta para tudo, e nunca pedem ajuda ou fazem perguntas com interesse sincero, nem reconhecem as suas próprias dúvidas ou fraquezas.

Dizíamos que Deus somente sabe dar, mas temos que estar dispostos a receber. Também nós, às vezes, podemos obstinar-nos com uma opinião, ser teimosos, não dar o braço a torcer ou não reconhecer humildemente que erramos. Por outro lado, como sabemos que o Senhor ajuda a quem quer se deixar surpreender, é bom pedir conselho, aprender a ouvir, aceitar com simplicidade as sugestões das pessoas que querem nos ajudar. «(...) que saibam como és e te desprezem. – Não tenhas pena de ser nada, porque assim Jesus tem que pôr tudo em ti»[4], aconselhava São Josemaria. O próprio Deus nos ajudará se nos aproximamos aos sacramentos ou à leitura da Palavra de Deus, mesmo que pensemos que não é o que necessitamos neste momento de nossa vida.

Dizem que o avestruz esconde a cabeça quando vê o perigo (na realidade, não é bem assim). Mas, algo parecido pode acontecer conosco quando percebemos que alguma coisa não está bem na nossa vida: por exemplo, quando vemos que é difícil fazermos amigos ou somos incapazes de controlar nossas paixões, ou temos pavor de fracassar ou de que debochem de nós ou de ficar sozinhos... A pessoa que não é pobre de espírito prefere não encarar a verdade. Procura esconder o perigo ou disfarçá-lo. Prefere não ver ou se fecha em si mesma – como os ouriços – com o silêncio ou inclusive atacando os outros – criticando-os, por exemplo – para que ninguém perceba a sua fraqueza.

Quem não é humilde, logo vai comprovar que a sua vida se converteu num complicado labirinto. E o melhor modo, às vezes o único, de fugir dos labirintos é voando.

Quem não enfrenta os seus erros, precisa fazer uma máscara para que os outros acreditem que é uma pessoa diferente (despreocupada, sempre feliz, segura de si mesma...). A longo prazo, a sua vida se converterá num teatro, numa farsa. Cedo ou tarde se perguntará: quem eu sou na realidade? Em que acredito? Meus amigos gostam de mim ou do personagem que acreditam que eu sou?

«Senhor — pedia São Josemaria — que eu me decida a arrancar, mediante a penitência, a triste máscara que forjei com as minhas misérias... »[5].

Quem não é humilde, logo vai comprovar que a sua vida se converteu num complicado labirinto. E o melhor modo, às vezes o único, de fugir dos labirintos é voando: por isso, se nos elevamos com nossa oração até a presença de Deus, ele nos ajudará a ser sinceros e humildes. Uma pessoa pobre de espírito não se considera humilhada quando reconhece as suas fraquezas e pede ajuda nos sacramentos ou a um diretor espiritual. Assim, viveremos com a cara lavada, mostrando nosso verdadeiro rosto e a nossa verdadeira alma, com alegria e otimismo.

"A pessoa que tem o coração livre e desprendido das coisas do mundo – disse o Papa –, é 'esperada' no Reino dos Céus"[6]. Pobreza material e pobreza interior: só assim estaremos preparados para continuar escutando atentamente o Senhor – sem outras distrações ou preocupações – na montanha da Galileia, junto com os apóstolos. Se formos pobres de espírito, livres do consumismo e da soberba, seremos capazes de nos abrirmos incondicionalmente à felicidade que as outras bem-aventuranças nos prometem.

* * *

Perguntas para a oração pessoal

– Eu posso economizar em alguns gastos? O dinheiro dura pouco tempo na minha carteira? Dou alguma esmola, na medida das minhas possibilidades?

– Em que coisas procuro segurança? Nas coisas materiais (roupas, aparelhos eletrônicos, programas caros)? Na imagem que os outros têm de mim? No relacionamento com Deus e na amizade verdadeira? Fico muito preocupado(a) com o que os outros pensam sobre mim?

– Procuro alongar a vida útil das coisas que eu uso (roupa, celular...) ou preciso mudá-las em pouco tempo? Preciso urgentemente das coisas que meus amigos ou amigas têm?

– Procuro fazer dois ou três sacrifícios todos os dias que me ajudem para que nada superficial seja necessário (por exemplo, uso do celular, da televisão, do elevador...)?

–Mostro-me como sou? Fico chateado(a) se recebo alguma crítica razoável? Quando foi a última vez que pedi desculpas? Tenho o bom costume de pedir conselho?

J. Narbona / J. Bordonaba

Tradução: Mônica Diez


[1] Mt 5, 3.

[2] São Josemaria, Caminho, 630.

[3] Mt 19, 20.

[4] São Josemaria, Caminho, 596.

[5] São Josemaria, Via Sacra, VI estação.

[6] Papa Francisco, Homilia, 1-XI-2015.

Fonte: https://opusdei.org/pt-br

Papa convoca primeiro Consistório extraordinário do seu pontificado

Papa Leão XIV (Vatican Media)

Sala de Imprensa da Santa Sé publicou um comunicado este sábado, 20 de dezembro, acerca do Consistório que se realizará no Vaticano nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026.

Vatican News

Como já anunciado em novembro passado, o Santo Padre convocou o primeiro Consistório extraordinário do seu pontificado, que se realizará nos dias 7 e 8 de janeiro de 2026.

O encontro terá duração de dois dias e será marcado por momentos de comunhão e fraternidade, bem como por momentos dedicados à reflexão, à compartilha e à oração. Esses momentos terão a finalidade de promover um discernimento comum e oferecer apoio e conselhos ao Santo Padre no exercício da sua alta e empenhativa responsabilidade no governo da Igreja universal.

O Consistório se insere no contexto da vida e da missão da Igreja e pretende fortalecer a comunhão entre o Bispo de Roma e os Cardeais, chamados a colaborar de maneira especial na solicitude pelo bem da Igreja universal.

No dia 13 de junho passado, se realizou um Consistório ordinário público para o voto de algumas causas de canonização.

*Consistórios são reuniões do Colégio Cardinalício convocados pelo Papa para ajudá-lo no governo da Igreja e se dividem em ordinários e extraordinários: os primeiros se realizam com os cardeais residentes em Roma, enquanto dos extraordinários devem participar todos os cardeais. O Consistório para a criação de cardeais é o ordinário público.

Fonte: https://www.vaticannews.va/pt

O sentido das quatro celebrações da Solenidade do Natal do Senhor

Foto/Crédito: CNBB.

O SENTIDO DAS QUATRO CELEBRAÇÕES DA SOLENIDADE DO NATAL DO SENHOR

19/12/2025

Na Solenidade do Natal do Senhor celebramos o encontro entre o céu e a terra, contemplando o mistério de um Deus que se faz humano para nos comunicar sua dignidade divina. O assessor da Comissão Episcopal para a Liturgia da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), frei Luís Felipe Marques, recorda que o tempo do Natal reafirma a fé em um Deus que entra na história e se faz presente na vida cotidiana.

“O Natal nos convida a acolher e a manifestar a certeza da presença de Cristo ao mundo por meio do nosso testemunho, na simplicidade de cada dia e no ritmo cotidiano das nossas vidas”, afirma.

As celebrações do Natal

Foto/Crédito: CNBB.

A celebração da Solenidade do Natal do Senhor, explica o frei, compreende quatro celebrações distintas da Eucaristia: a Missa da Vigília (no entardecer do dia 24), a Missa da Noite ou Missa do Galo, a Missa da Aurora (ao amanhecer) e a Missa do Dia (em 25 de dezembro). Cada uma possui leituras e textos próprios, que aprofundam de modo progressivo o mistério da Encarnação, da genealogia de Jesus ao anúncio solene do Verbo que se fez carne.

“Na linguagem litúrgica, dizemos que são formulários próprios, com leituras e orações específicas. Assim, essas quatro missas não se repetem, mas se complementam”, esclarece o frei Felipe.

A Missa do Galo é a celebração central do Natal do Senhor e proclama, de forma enfática, o nascimento do Filho de Deus. Nela, a Igreja une-se ao canto dos anjos, “glória a Deus nas alturas e paz na terra aos homens por Ele amados”, e anuncia, com o evangelista Lucas: “Hoje, na cidade de Davi, nasceu para nós o Salvador”. Tradicionalmente, essa missa é celebrada na madrugada; contudo, muitas comunidades a antecipam para que as famílias também possam celebrar a ceia de Natal em seus lares.

A Missa da Aurora destaca o encontro dos pastores com o Menino Jesus e o assombro diante de um Deus recém-nascido, convidando à acolhida do mistério da Encarnação. Já a Missa do Dia aprofunda o sentido teológico desse mistério, contemplando a graça do Deus eterno que entra no tempo, o Verbo que se faz carne para a salvação da humanidade. “Esse admirável intercâmbio entre o céu e a terra permite que nós, humanos, sejamos elevados à eternidade”, ressalta frei Luís Felipe.

O dom da vida litúrgica

A Igreja oferece o dom da vida litúrgica para que os fiéis celebrem os mistérios do Senhor, aprendam a escutar a Palavra que salva, vivenciem ritos que transformam a vida e entrem no mistério que revela o acontecimento histórico em sua dimensão salvífica e teológica.

O assessor da Comissão para a Liturgia explica que, em razão disto, os fiéis são convidados a participar de ao menos uma dessas celebrações para viver, com alegria, o nascimento do Senhor. “Quem participa de mais de uma pode aprofundar ainda mais a experiência do mistério do Natal”, reforça.

“Tornamo-nos melhores cristãos quando compreendemos que a participação na vida litúrgica é essencial à vida cristã, pois nos conforma cada vez mais ao mistério de Cristo. A celebração eucarística é, em si mesma, uma experiência de presença, de comunhão, de adoração e de bênção”, destaca o assessor da CNBB.

Oitava de Natal

A Oitava de Natal é o período litúrgico de oito dias que se estende do Natal do Senhor, em 25 de dezembro, até a Solenidade da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe de Deus, em 1º de janeiro de 2026. Trata-se de um único e grande dia de festa prolongado, no qual a Igreja continua a celebrar a alegria do nascimento de Jesus, recordando Santo Estêvão (26/12), o primeiro mártir; São João (27/12), o evangelista da Encarnação; os Santos Inocentes (28/12), mortos por causa de Cristo, e a Festa da Sagrada Família, celebrada no domingo após o Natal do Senhor.

Neste ano de 2025, na Festa da Sagrada Família, ao elevarmos a Deus o louvor de ação de graças e de súplica, a Igreja vai celebrar também o rito de encerramento do Ano Jubilar. Ao contemplar a santidade da Família de Nazaré, as comunidades diocesanas do mundo inteiro suplicam a renovação da fé que move montanhas, da esperança que não decepciona e da caridade paciente e benigna.

“Celebrado no contexto da Oitava do Natal, esse encerramento assume um profundo valor simbólico de recomeço: reconhecemos que o Senhor fez jorrar um rio de graça e de bênção para a sua Igreja, ofereceu esperança a todos e fortaleceu os mais frágeis, sustentando os joelhos vacilantes”, concluiu o frei.

Por Willian Bonfim

Fonte: https://www.cnbb.org.br/

Papa aos jovens: antes do Natal, pensem numa pessoa com quem fazer as pazes

Papa duranye aufiência nesta manhã, 19 de dezembro (Vatican Mewsia)

A poucos dias do Natal, o Pontífice recordou que a verdadeira paz nasce do coração reconciliado. Inspirando-se no presépio, exortou os jovens a seguirem o exemplo de santos como Carlo Acutis e Pier Giorgio Frassati e a oferecerem, antes do Natal, o dom mais precioso: fazer as pazes com alguém.

Thulio Fonseca – Vatican News

O Papa Leão XIV recebeu em audiência, nesta sexta-feira, 19 de dezembro, no Vaticano, os jovens da Ação Católica Italiana, acompanhados pela presidência nacional, pelo assistente eclesiástico geral, pela equipe nacional, além de educadores e colaboradores. No clima de expectativa pelo Natal do Senhor, o Pontífice manifestou sua alegria pelo encontro e agradeceu o entusiasmo dos jovens, ressaltando a identidade da associação como caminho de discipulado e testemunho do Evangelho no seio da Igreja.

Papa duranye aufiência nesta manhã, 19 de dezembro (Vatican Mewsia)
Papa duranye aufiência nesta manhã, 19 de dezembro (Vatican Mewsia)

“O nome da sua associação diz bem a sua identidade: vocês são discípulos de Jesus, testemunhas do seu Evangelho e companheiros de caminhada junto com toda a Igreja”, afirmou Leão XIV, encorajando-os a continuarem sendo sinal vivo da beleza da Ação Católica.

O presépio, sinal de um Deus que acolhe a todos

No centro de sua reflexão, o Papa deteve-se no presépio, símbolo privilegiado do mistério do Natal. Recordando as tradições vividas durante o Advento, destacou que a contemplação da Sagrada Família, dos pastores e dos animais revela uma verdade fundamental da fé cristã:

“Ao redor do Senhor, que se faz homem para nos salvar, há espaço para todos. Ele abre lugar para cada pessoa, para cada criança, adolescente, jovem e idoso.”

Leão XIV observou que o Filho de Deus, ao nascer, não encontra lugar numa casa, mas bate à porta do coração humano, enquanto Ele mesmo se abre para acolher a todos com amor. Diante do presépio, o convite é pedir a graça de ser como os anjos, anunciadores da glória de Deus e da paz aos homens.

Papa durante audiência nesta manhã, 19 de dezembro   (@Vatican Media)

Carlo Acutis, Frassati e o chamado à santidade cotidiana

Falando da paz como compromisso concreto dos cristãos, o Papa recordou que não basta “ser bons”, mas é necessário tornar-se melhor a cada dia, avançando no caminho da santidade. Nesse contexto, apresentou aos jovens modelos luminosos de vida cristã: “A tornar-nos santos, como Pier Giorgio Frassati — que fazia parte da Ação Católica — e como Carlo Acutis: encorajo vocês a imitar a paixão deles pelo Evangelho e suas obras, sempre animadas pela caridade.”

Segundo o Pontífice, seguindo o exemplo desses jovens santos, o anúncio da paz torna-se crível e luminoso, porque nasce de uma vida vivida na amizade com Jesus, capaz de gerar liberdade, felicidade e atenção concreta aos mais necessitados.

Antes do Natal, o dom mais precioso: perdoar

Ao refletir sobre o nascimento do Príncipe da Paz, Leão XIV aprofundou o verdadeiro significado da paz, que não se reduz à ausência de guerras, mas se fundamenta na justiça, na concórdia e no respeito mútuo, começando pelas relações do dia a dia. Foi então que dirigiu um apelo direto e concreto aos jovens, especialmente em vista do Natal:

“Antes da santa noite de Natal, pensem numa pessoa com quem fazer as pazes: será um presente mais precioso do que aqueles que se podem comprar nas lojas, porque a paz é um dom que se encontra, de fato, somente no coração.”

O Papa sublinhou que fazer as pazes é uma verdadeira “ação católica”, pois torna os cristãos testemunhas autênticas de Jesus Cristo, Redentor do mundo. Ao concluir, Leão XIV dirigiu seus votos de Feliz Natal aos jovens e às suas famílias.

Leão XIV com os jovens da Ação Católica   (@VATICAN MEDIA)

Fo
nte: https://www.vaticannews.va/pt

sexta-feira, 19 de dezembro de 2025

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo (XI)

A Encarnação do Verbo (Canção Nova)

Do Tratado contra as heresias, de Santo Irineu, bispo
(Lib. 3,20, 2-3: SCh 34, 342-344)       (Sec. II)

A economia da Encarnação redentora

A glória do homem é Deus; mas quem se beneficia das obras de Deus e de toda a sua sabedoria e poder é o homem,

Semelhante ao médico que demonstra sua competência no doente, assim Deus se manifesta nos homens. Eis por que o Apóstolo Paulo diz: Deus encerrou todos os homens na desobediência, a fim de exercer misericórdia para com todos (Rm 11,32). Referia-se ao homem que, por ter desobedecido a Deus, perdeu a imortalidade, mas depois obteve misericórdia, recebendo a adoção por intermédio do Filho de Deus.

Se o homem acolhe, sem orgulho nem presunção, a verdadeira glória que procede das criaturas e do criador, isto é, de Deus todo-poderoso que dá a tudo a existência, e se permanece em seu amor, na obediência e na ação de graças, receberá dele uma glória ainda maior, progredindo sempre mais, até se tornar semelhante àquele que morreu por ele.

Com efeito, Cristo se revestiu de uma carne semelhante à do pecado (Rm 8,3) para condenar o pecado e, depois de o condenar, expulsá-lo da carne. Tudo isso para incentivar o homem a tornar-se semelhante a ele, destinando-o a ser imitador de Deus, colocando-o sob a obediência paterna, a fim de que visse a Deus e tivesse acesso ao Pai. O Verbo de Deus habitou no homem e se fez filho do homem, para acostumar o homem a compreender a Deus e Deus a habitar no homem, segundo a vontade do Pai.

Por esse motivo, o sinal de nossa salvação, o Emanuel nascido da Virgem (cf. Is 7,11.14), foi dado pelo próprio Senhor; pois seria ele quem salvaria os homens, já que não poderiam salvar-se por si mesmos. Por isso São Paulo proclama a fraqueza do homem, dizendo: Estou ciente de que o bem não habita em mim (Rm 7,18), indicando que o bem de nossa salvação não vem de nós, mas de Deus. E ainda: Infeliz que sou! Quem me libertará deste corpo de morte? (Rm 7,24). E logo mostra quem o liberta: A graça de nosso Senhor Jesus Cristo (cf. Rm 7,25).

Também Isaías diz: Fortalecei as mãos enfraquecidas e firmai os joelhos debilitados. Dizei às pessoas deprimidas: “Criai ânimo, não tenhais medo! Vede, é vosso Deus, é a vingança que vem, é a recompensa de Deus; é ele que vem para nos salvar” (cf. Is 35,3-4). Na verdade, nossa salvação não poderia vir de nós mesmos, mas unicamente do socorro de Deus.

Fonte: https://liturgiadashoras.online/

Pe. Manuel Pérez Candela

Pe. Manuel Pérez Candela
Pároco da Paróquia Nossa Senhora da Imaculada Conceição - Sobradinho/DF