A fé ajuda-nos a olhar “a partir da perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de ver” e, por isso, pede-nos que “abramos os olhos”, como Ele fazia, sobretudo para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo: disse Leão XIV no Angelus ao meio-dia deste IV Domingo da Quaresma, na alocução que precedeu a oração mariana.
Raimundo de Lima – Vatican News
Hoje, em particular, face às inúmeras questões que o
coração humano se coloca e às dramáticas situações de injustiça, violência e
sofrimento que marcam o nosso tempo, é necessária uma fé vigilante, atenta e
profética, que nos abra os olhos para as trevas do mundo e lhe traga a luz do
Evangelho através de um comprometimento com a paz, a justiça e a solidariedade. Foi
o que disse o Santo Padre no Angelus, este domingo, 15 de março, na alocução
que precedeu a oração mariana rezada com 20 mil fiéis e peregrinos presentes na
Praça São Pedro.
Leão XVI ateve-se ao Evangelho deste IV Domingo da Quaresma
(Jo, 1-41), que narra a cura de um homem cego de nascença. Por meio da
simbologia deste episódio, explicou, o evangelista João fala-nos do mistério da
salvação: enquanto estávamos na escuridão e a humanidade caminhava nas trevas,
Deus enviou o seu Filho como luz do mundo, para abrir os olhos dos cegos e
iluminar a nossa vida.
"Eu sou a luz do mundo"
Os profetas tinham anunciado que o Messias abriria os olhos
dos cegos. O próprio Jesus confirma a sua missão mostrando que «os cegos veem»;
e apresenta-se dizendo: «Eu sou a luz do mundo». Realmente, prosseguiu o Papa,
todos podemos dizer que somos “cegos de nascença”, pois não conseguimos, por
nós mesmos, ver em profundidade o mistério da vida. Por isso, Deus encarnou-se
em Jesus, para que o barro da nossa humanidade, misturado com o sopro da sua
graça, pudesse receber uma nova luz, capaz de nos fazer ver finalmente a nós
próprios, aos outros e a Deus na verdade.
Chama a atenção, observou o Pontífice, que se tenha
difundido, ao longo dos séculos, a opinião, ainda hoje presente, de que a fé
seria uma espécie de “salto no escuro”, uma renúncia ao pensamento, de modo que
ter fé significaria acreditar “cegamente”. Pelo contrário, ressaltou, o
Evangelho nos diz que, ao entrar em contato com Cristo, os olhos se abrem, a
tal ponto que as autoridades religiosas perguntam com insistência ao cego
curado: «Como foi que os teus olhos se abriram?»; e ainda: «Como é que te pôs a
ver?».
Abrir os olhos para os sofrimentos dos outros
“Irmãos e irmãs, também nós, curados pelo amor de Cristo,
somos chamados a viver um cristianismo “de olhos abertos”. A fé não é um ato
cego, uma renúncia à razão, um refúgio em alguma certeza religiosa que nos faz
desviar o olhar do mundo.”
Em vez disso, a fé ajuda-nos a olhar «a partir da
perspectiva de Jesus e com os seus olhos: é uma participação no seu modo de
ver» e, por isso, pede-nos que “abramos os olhos”, como Ele fazia, sobretudo
para os sofrimentos dos outros e para as feridas do mundo.
Dar testemunho de Cristo com simplicidade e coragem
Peçamos à Virgem Maria, concluiu Leão XIV, que interceda por
nós, a fim de que a luz de Cristo abra os olhos do nosso coração e possamos dar
testemunho d’Ele com simplicidade e coragem.

Nenhum comentário:
Postar um comentário